logo
01/02/2010 AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor educacional às instituições associadas.
Em breve será implantado diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade na pesquisa.
Esclarecemos que as matérias veiculadas no AMPESC CLIPPING não representam, necessariamente, a opinião da Associação.


MP de Santa Catarina quer suspender Enem

Sisu sofre com grande número de acessos

Proposta autoriza educação domiciliar

Semesp divulga índices

Modalidade quer respeito de curso acadêmico

Cursos tops perdem autorização do MEC

Mais de 260 mil se inscrevem no sistema do Enem

Universidade e empresa

Arquivo do Estado põe acervo na internet

O que você não vai ser quando crescer?

Desafios da educação para o próximo presidente

MP de Santa Catarina quer suspender Enem
Fonte: Jornal da Educação
O Ministério Público de Santa Catarina quer suspender o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por considerar que "o procedimento adotado pela entidade organizadora da prova não atende o princípio da impessoalidade". A ação foi movida contra a União, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UNB).
O objetivo é suspender o trâmite do concurso a fim de evitar a divulgação das notas dos candidatos, prevista para o próximo dia 5 de fevereiro, e sua posterior homologação, mas o resultado do exame foi antecipado e divulgado na última quinta-feira (28).
A medida foi toma após denúncia de que as provas do Enem foram envelopadas com a identificação dos estudantes, o que não é permitido. O procedimento correto é que a 'desidentificação' das provas seja promovida em cada uma das salas onde é realizado o concurso, sempre com a participação e fiscalização dos três últimos candidatos a entregarem a prova.

Sisu sofre com grande número de acessos
Fonte: Jornal da Educação
Apesar do anúncio no início da semana de que o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) não apresentaria problemas, o site não suportou o grande número de acessos, e os candidatos têm dificuldades para fazer a inscrição das universidades federais.
Segundo o Ministério da Educação, até o início da tarde desta sexta-feira, cerca de 30 mil estudantes já fizeram a inscrição.
O sistema suporta 200 mil acessos simultâneos. De acordo com o MEC, os técnicos estão trabalhando para resolver o problema e melhorar os acessos. As inscrições podem ser feitas até o dia 3, quarta-feira.
Outras informações na página www.mec.gov.br

Proposta autoriza educação domiciliar
Fonte: Jornal da Educação
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados analisa a Proposta de Emenda à Constituição que estabelece autorização para a prática da educação domiciliar para estudantes de 4 a 17 anos.
Para o Ministério da Educação a obrigação do Estado de garantir o ensino fundamental deve ser exercida na escola, ambiente ideal para socialização e aprendizado dos alunos.
Hoje, apesar da Constituição não ser clara quanto à educação domiciliar, os pais que escolhem este tipo de ensino podem pegar detenção de 15 dias a um mês, além de multa, pelo crime de abandono intelectual.
De acordo com o deputado Wilson Picler, autor da proposta, o Estado deve regulamentar o direito à educação domiciliar para que os responsáveis pelas crianças e adolescentes recebam a autorização para a prática e possam passar pela avaliação da rede oficial de ensino.
Caso a proposta, que passa por votação em dois turnos no Plenário, seja aprovada, será criada uma comissão especial para analisar o mérito da matéria.

Semesp divulga índices
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:06 hs.  
30/01/2010 - Apesar da inflação acumulada em 2009 fechar bem abaixo da registrada em 2008, a pressão da demanda, gerada pelo aquecimento da economia, já está provocando aumento dos preços acima do esperado em janeiro. Os índices quadrissemanais, publicados pelos principais institutos de pesquisa, revelam uma alta bem acima de dezembro. O índice quadrissemanal da 3ª semana de janeiro, publicado pela FIPE, foi de 1,16% ante uma variação de 0,17% em dezembro.
O mercado trabalha com expectativas mais elevadas sobre os índices inflacionários para 2010, influenciados pelo aquecimento da economia e pelo ano eleitoral que deverá elevar os gastos públicos e afrouxar a política monetária de controle por meio da taxa básica de juros.
A retomada da economia está refletida na previsão otimista de crescimento do PIB para 2010. Enquanto o crescimento da economia foi próximo de zero em 2009, as previsões apontam para uma variação de 5,3% em 2010.
A pressão inflacionária do início do ano também se refletiu na projeção da média dos índices INPC/IBGE, IPC/FIPE e ICV/DIEESE, acumulados de 1º de março de 2009 a 28 de fevereiro de 2010, ficando 0,57 ponto percentual acima do último Boletim Econômico divulgado, porém ainda deverá ser, aproximadamente, 2,0 pontos percentuais menor em relação ao mesmo período do ano passado.
Para conhecer quais são os índices de inflação projetados, bem como outros indicadores atualizados da economia, acesse neste link o Boletim Econômico de janeiro/fevereiro 2010.
http://fe1.voxblue.com/voxblue-web/l/84323905/19688624/233364.vb
Para mais informações sobre o Boletim Econômico ou sobre o SINDATA - Sistema de Informações do Ensino Superior Particular -, acesse o site www.sindata.org.br ou entre em contato com a Assessoria Econômica do SEMESP (tel: 11 - 2069 4436 ou e-mail: ass_econ@semesp.org.br).  
Fonte: Portal Semesp  

Modalidade quer respeito de curso acadêmico
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:35 hs.  
01/02/2010 - MESTRADO PROFISSIONAL
Portaria oficializa composição do corpo docente e nova avaliação
RENATA DE GÁSPARI VALDEJÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A Capes está em campanha para valorizar o mestrado profissional, que, com mais de 240 cursos, formou 10 mil mestres de 1998 a 2009. Em dezembro, foi publicada a segunda portaria sobre o tema em seis meses. A ideia é atestar qualidade equivalente à do mestrado acadêmico.
A norma anterior, que criou a modalidade, não definia suas características, daí a necessidade de regulamentar itens como o corpo docente -que deve ser integrado por doutores, profissionais e técnicos com experiência em pesquisa aplicada. A ficha de avaliação, agora, é separada da do mestrado acadêmico. "A portaria explicita essas coisas", diz o diretor de avaliação da Capes, Lívio Amaral. Sua expectativa é que a portaria estimule a criação de cursos e acabe com o preconceito em torno dos programas.
Há um entrave, porém, que os esforços governamentais ainda não conseguiram solucionar e que vem provocando o fechamento de alguns programas: a falta de fomento. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, líder em número de programas (9), fechou quatro cursos de 1998 a 2005.
"Não há financiamento ou subsídio das agências governamentais", justifica a vice-pró-reitora de pós-graduação, Lia Teresinha Silva. "A universidade pública tem dificuldade de manter mestrados profissionais com recursos próprios."
Cláudia Morgado, presidente do Fórum Nacional de Mestrados Profissionais, concorda. "Os programas têm pouca atenção no fomento por órgãos públicos e empresas privadas, que são as beneficiárias dessa qualificação." Para Amaral, a modalidade "tem vocação para ser autossustentável".
Impulso
Por outro lado, há quem afirme que a nova portaria impulsionará a modalidade, como José Luiz Albertin, diretor de pós-graduação da SAE Brasil (sociedade de engenheiros da mobilidade). "Antes, tínhamos que convencer as universidades a abri-los", comenta. A SAE criou um curso em engenharia automobilística, em parceria com a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), para suprir a demanda da indústria por profissionais qualificados.
"Isso ajuda o Brasil a atrair novos projetos", diz Albertin. Para ele, o mestrado profissional serve ainda para resolver um problema do setor: a falta de registro formal das ideias.
Isso porque, para os programas serem bem avaliados pela Capes, ex-alunos devem apresentar trabalhos de conclusão de curso, e docentes, publicar artigos originais ou de revisão em publicações tecnológicas.  
Fonte: Folha de São Paulo  

Cursos tops perdem autorização do MEC
Fonte: Jornal da Educação
A partir de agora, entidades não educacionais, como hospitais e fundações, não terão mais o aval do Ministério da Educação para emitirem diplomas. A decisão que foi decidida na última quarta-feira, 27, pelo Conselho Nacional de Educação atingirá 138 instituições, além de cursos tops como os da FIA, da Fipe, Fipecafi; os hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês e também a Escola Paulista de Magistratura.
A homologação da decisão será feita pelo ministro da Educação Fernando Haddad. De acordo com o Conselho educacional, as instituições poderão continuar oferecendo os cursos, mas não poderão ter reconhecimento do MEC. Para essas entidades a decisão não é justa, pois o aval do Ministério da Educação era um dos principais atrativos da especialização. Por causa disso, as instituições devem recorrer da decisão de se tornarem cursos livres, como os de idiomas.
Mesmo recebendo autorizações há 30 anos, até no máximo 2013, todas as instituições de ensino dessa lista terão seus prazos expirados e terão que cumprir as normas do Ministério.

Mais de 260 mil se inscrevem no sistema do Enem
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:28 hs.  
01/02/2010 - A inscrição poderá ser feita até as 23h59 da quarta-feira, dia 3 de fevereiro
SÃO PAULO - O Ministério da Educação (MEC) informou que mais de 260 mil estudantes já se inscreveram no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) até o início da tarde de hoje. Segundo o ministério, 440 mil alunos trocaram a senha no sistema e já podem fazer a inscrição, no período das 6 horas às 23h59, até a próxima quarta-feira (dia 3) no site do SiSU na internet
De acordo com o ministério, o sistema opera com normalidade. Na sexta-feira passada, o sistema criado pelo Ministério da Educação na internet para estudantes se candidatarem a uma vaga em universidades federais usando a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estreou com congestionamentos, dificuldades de acesso e mensagens de erro.
Ontem, a assessoria do ministério informou que o problema de lentidão foi "plenamente solucionado". Segundo o MEC, depois de apresentar defeito, um equipamento da rede interna do ministério foi substituído e o serviço passou a funcionar normalmente. Com informações da Agência Brasil.  
Fonte: O Estado de São Paulo  

Universidade e empresa
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:17 hs.  
01/02/2010 - Só 5% de mestres e doutores atuam nas companhias
Indústria e tecnologia da informação são dois dos setores que valorizam pós-graduados
JORDANA VIOTTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para muitos, os conceitos de academia e mercado soam incompatíveis - ou o profissional se forma para um lado ou se dedica apenas ao outro. Números de um levantamento realizado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia em 2008 reforçam essa ideia: dos 155 mil mestres e doutores no país, apenas 5% foram absorvidos pelas empresas.
Uma razão para isso, segundo Iarema Oliveira, líder da prática de remuneração da consultoria Hewitt, é que os temas das pesquisas acadêmicas nem sempre correspondem à realidade das organizações. No entanto, alguns setores, como o farmacêutico, o de engenharia, o de energia, o de biotecnologia e o de economia, valorizam quem fez pós, e elas pesam na ascensão na carreira.
"Há ainda uma grande demanda das consultorias, pois esses profissionais têm mais facilidade para apresentar soluções", completa Oliveira. A indústria e o campo de tecnologia da informação também valorizam a pós. Em alguns casos, empresas estimulam seus funcionários a cursá-la.
A PromonLogicalis, companhia do ramo de tecnologia da informação, por exemplo, apoia financeiramente funcionários que estudam em instituições particulares.
Paga um terço do valor das mensalidades e financia outro terço, que é devolvido pelo aluno ao final do curso. Para quem opta por universidades públicas, o incentivo vem em forma de horas livres para dedicação semanal aos estudos.
"Companhias que demandam profissionais especializados, como as das áreas de direito, engenharia e economia, também precisam de profissionais com mestrado e doutorado", explica Oliveira.
No escritório TozziniFreire, cerca de 50% dos 400 advogados têm ou já tiveram programa de incentivo à pós-graduação. "Na nossa área, a especialização é importante para nos diferenciar", justifica a diretora de desenvolvimento humano e organizacional do escritório, Claudia Meirelles.
Aumento de titulados chega perto da meta
Mestrado acadêmico foi o que registrou menor crescimento no período de 2005 a 2008
CRISTIANE CAPUCHINHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
No último dos seis anos do plano nacional de pós-graduação, um balanço das metas traçadas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para o período de 2005 a 2010 mostra que estão perto de serem atingidas.
Em 2008, último dado disponibilizado pela instituição, havia 88,3 mil alunos matriculados em programas de mestrado _84% do objetivo de 105 mil mestrandos até o fim de 2010.
O número de doutorandos (52,7 mil) chega a 96% da meta de 55 mil. Segundo o presidente da Capes, Jorge Guimarães, ela deve ser atingida com os números de 2009 e de 2010. De 2005 a 2008, o maior incremento de alunos ocorreu no mestrado profissional: 44%. No doutorado, foi de 20%, e no mestrado acadêmico, de 14%.
Uma das explicações para a maior aproximação do número de doutores da meta traçada é a dinâmica dos programas, que começam com mestrado e são ampliados para doutorado.
"Atingiremos o cenário mais ambicioso, exceto nas áreas tecnológicas, pois o mercado melhorou e concorreu com a academia", diz Guimarães.
Apesar de mais numerosos, os alunos de pós ainda estão longe das empresas, avaliam especialistas. Os poucos profissionais com formação superior -9,5% dos brasileiros com mais de 25 anos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)- relutam em trocar o salário por uma bolsa de estudos.
"No Brasil, a maioria [dos doutores] continua na universidade. Em outros países, muitos vão para os setores empresarial e industrial", diz a socióloga Elizabeth Balbachevsky.
Ela acredita que o mestrado responde mal aos anseios do mercado. Moldado como um minidoutorado, afia as habilidades de pesquisador e não pode ser encarado como meio de refinamento profissional.
O mais ajustado para o mercado é o mestrado profissional, que deve avançar nas áreas de farmácia, química, computação e em setores ligados à indústria, afirma Guimarães. Atualmente, porém, a modalidade tem 218 programas aceitos pela Capes -8,5% do oferecido. Para o próximo decênio _o plano nacional da pós passa a abranger dez anos a partir deste ano-, a Capes quer aumentar esse número e apoiar áreas tecnológicas.  
Fonte: Folha de São Paulo  

Arquivo do Estado põe acervo na internet
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:59 hs.  
01/02/2010 - Site disponibiliza 250 mil páginas de documentos para consulta
Marcos Guterman
O Arquivo Público do Estado de São Paulo lançou um site no qual é possível consultar mais de 250 mil páginas de seus documentos. As imagens incluem jornais e revistas dos séculos 19 e 20, anuários estatísticos, cartas e até um alentado censo paulistano dos séculos 18 e 19. A ideia, segundo a direção do Arquivo, é ampliar o acesso público a esse material, para que não fique restrito apenas a pesquisadores profissionais, através do www.arquivoestado.sp.gov.br.
O resultado ainda é incipiente - falta, por exemplo, um sistema de busca mais preciso para facilitar a consulta. A digitalização atingiu por enquanto somente uma pequena fração dos mais de 50 milhões de documentos do acervo. Mas a iniciativa é promissora.
O processamento dessa primeira parte da coleção envolveu uma equipe de 70 pessoas, entre junho e novembro do ano passado. Custou cerca de R$ 400 mil, bancados parcialmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e em parceria com diversas entidades, entre as quais a Imprensa Oficial e o Ministério da Justiça. "O trabalho só foi possível com apoio externo", diz Lauro Ávila, diretor do Departamento de Preservação e Difusão do Arquivo.
A parte mais vistosa do trabalho aparece no site em três páginas temáticas. Em Memória da Imprensa é possível ler, numa edição de 1867 do jornal Correio Paulistano, a grave notícia sobre um acidente na novíssima ferrovia Santos-Jundiaí e um anúncio de recompensa para quem encontrasse uma "besta fugida", "grande e nova, ferrada nos quatro pés", que atende pelo nome de Boneca e que é "muito mansa".
Há também revistas como A Vida Moderna, que em 1914 registrava a entusiasmada visita de militares alemães a São Paulo pouco antes da 1ª Guerra Mundial - e atestava que "não há em São Paulo um rapaz elegante que não conheça a casa Hat Store".
Na divisão Imigração em São Paulo, há dados sobre os núcleos coloniais que receberam grandes levas de trabalhadores estrangeiros a partir de meados do século 19, além de imagens de imigrantes e informações estatísticas. Uma das raridades é a lista original dos passageiros do Kasato Maru, o primeiro navio a trazer trabalhadores japoneses ao Brasil, em 1908. Outra são os documentos pessoais de alguns imigrantes, como certidões de casamento e passaportes, que em certos casos integram prontuários dos estrangeiros considerados perigosos pelo governo, reunidos no Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), criado em 1924.
Por fim, na divisão Viver em São Paulo, há documentos sobre o cotidiano da região entre os séculos 18 e 20. Um dos mais significativos são os Maços de População de São Paulo, levantamento censitário realizado de 1765 a 1850 e que revela dados úteis para compreender as relações econômicas e sociais básicas na então província. É um dos registros mais consultados pelos historiadores.
Ávila diz que a intenção do Arquivo agora é obter recursos para digitalizar mais 1,5 milhão de imagens. O projeto foi encaminhado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Com isso, teremos o maior site de pesquisa do Brasil", diz o diretor. Ele adianta que fontes pouco conhecidas dos pesquisadores, como o jornal anarquista O Combate, vão se tornar disponíveis, e tesouros como a coleção completa do Correio Paulistano estarão no ar. Segundo Ávila, o que está no site agora é "só um aperitivo".
DEOPS ONLINE
Um outro investimento desejado pelo Arquivo é abrir para consulta online o acervo do Deops, iniciativa que é objeto de projeto no Congresso. Hoje, por força da lei, o pesquisador que quiser ter acesso aos documentos produzidos pela polícia política brasileira precisa fazer um cadastro, responsabilizando-se pelo uso que fizer das informações, e tem de consultá-los pessoalmente. Ávila diz que a ideia é fazer com que o pesquisador, uma vez cadastrado, receba uma senha para pesquisar os documentos na internet. São mais de 7 milhões de imagens.
Digitalização é o futuro da pesquisa histórica
Estudiosos terão de se habituar com links e caixinhas de busca por informações do passado
Os documentos digitalizados no Arquivo Público do Estado de São Paulo são "essenciais para a preservação da memória pública", na opinião do historiador Lauro Ávila Pereira, diretor do Departamento de Preservação e Difusão da instituição. Mesmo que modismos historiográficos menosprezem o documento escrito, por considerá-lo irremediavelmente intoxicado pelo poder de sua época, é esse papel o registro fiel dos conflitos daquele instante histórico - que, como diz Marc Bloch, mestre dos historiadores, não surge "aqui ou acolá por artes mágicas": são produtos das relações humanas, ainda que expressem inverdades ou testemunhos enviesados. Sua conservação, portanto, é mais que um luxo: é tarefa de qualquer sociedade que pretenda conhecer as tensões do passado que cooperaram com a elaboração da mentalidade presente.
O problema da preservação é ainda mais significativo quando se considera que a resistência do documento à ação do tempo é muito limitada. Jornais, por exemplo, costumam se desfazer em algumas décadas se o arquivamento não for adequado. Por essa razão, a possibilidade de preservar os documentos por meio da digitalização é um avanço cujo alcance para a reconstituição da história ainda está por ser dimensionado.
A iniciativa do Arquivo do Estado, embora com algum atraso e de forma ainda bastante limitada, aparece em linha com a tendência mundial de preservação de documentos aproveitando os recursos da internet. Sites públicos dos Estados Unidos, como o National Archives (www.archives.gov), são a vanguarda desse processo acelerado de transformação de papéis em bits com vista a protegê-los da degradação e facilitar sua consulta em qualquer lugar, a qualquer tempo.
Universidades e arquivos ao redor do mundo, principalmente na Europa, também já têm seus acervos digitalizados. "Não cabe ao Estado definir o que é memória", diz Ávila. Para ele, é a sociedade que reconstrói seu passado de acordo com os elementos políticos, sociais e ideológicos do presente, o que é um contexto dinâmico. Cabe a instituições públicas como o Arquivo tornar amplamente disponível a maior quantidade de pistas históricas necessárias para essa reconstrução, num processo de democratização da memória pública. "Preservar só por preservar não faz sentido", diz o historiador.
Como sabe todo pesquisador, nada substitui a emoção do ritual de vestir luvas e manipular um documento original antigo. Mas os historiadores terão de se habituar com links e caixinhas de busca nos sites de documentação, em nome da manutenção da memória - na dimensão sonhada por Santo Isidoro de Sevilha, que desejava compendiar todo o conhecimento existente, razão pela qual é o padroeiro da internet.  
Fonte: O Estado de São Paulo  

O que você não vai ser quando crescer?
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:16 hs.  
01/02/2010 - Não é de admirar que 55% das vagas de pedagogia e das licenciaturas não sejam preenchidas no Brasil
QUEM se depara com Mário Gatica, óculos escuros, terno preto, alto, musculoso, lutador de artes marciais, cuidando da segurança de uma casa noturna da rua Augusta, jamais poderia imaginá-lo como professor de filosofia de escola pública. "Gostaria de apenas dar aulas", conta -apesar de, algumas vezes, ele se sentir mais vulnerável fisicamente dentro de uma escola do que evitando brigas ou assaltos na madrugada.
O magistério é seu grande projeto desde a adolescência, mas Gatica se vê obrigado a complementar sua renda na noite. Na condição de temporário, ele passou na prova de conhecimentos aplicada pela rede estadual de São Paulo: 40% dos candidatos foram reprovados, mesmo com o benefício de usar o tempo de serviço como parte da nota.
Muitas gorjetas superam o que ele recebe por hora em sala de aula -o que acabou interessando também a colegas da escola. Professoras pediram um bico de garçonete.
Mesmo que não fosse dublê de segurança e professor, Gatica, que se graduou em história e está no último ano de uma faculdade de filosofia, já seria uma raridade. É o que se vê num alarmante levantamento inédito com jovens brasileiros sobre os desejos profissionais.
Idealizada pela Fundação Victor Civita e realizada pela Fundação Carlos Chagas, a pesquisa integra um relatório sobre a atratividade da carreira do professor. As entrevistas foram focadas apenas em jovens que estão concluindo o ensino médio e decidindo sua carreira: apenas 2% deles querem ser professores.
Entre os que estão nas escolas privadas, a taxa cai para próximo de zero. Suas opções são, pela ordem, direito, engenharia e medicina.
Um terço dos alunos até pensou em ser professor, mas desistiu pelos seguintes motivos: 1) falta de valorização social; 2) salários baixos; e 3) rotina desgastante. É o que se traduz na diferença entre a gorjeta que Gatica recebe como segurança e o valor da hora-aula.
Note-se que a pesquisa não pergunta especificamente se ele gostaria de ser professor de uma escola pública -se fosse assim, o resultado seria ainda pior.
Não é de admirar, portanto, que 55% das vagas de pedagogia e licenciatura não sejam preenchidas. Nem que 40% dos professores temporários da rede paulista tenham sido reprovados -nem que o governo paulista, por falta de alternativa, seja obrigado a mantê-los dando aula. Há no país um deficit de 700 mil professores no ensino médio e nos anos finais do fundamental. É de mais de 35% a taxa de evasão nos cursos que formam professores.
A pior notícia, porém, é a seguinte: os futuros professores são recrutados entre os alunos com as piores notas no ensino.
Não consigo ver informação mais alarmante para uma nação do que o fato de que se recrutam entre os piores quem vai cuidar da cabeça das crianças e dos adolescentes. Entende-se por que muitos cursos de reciclagem não funcionam bem -ou por que os alunos saem da escola sem saber ler e escrever direito.
Também se entende por que, em muitos casos, exista pouca diferença entre escolas públicas e privadas.
Como se não bastassem as deficiências de formação, eles vão trabalhar num ambiente hostil e violento, com salas lotadas e famílias omissas.
Há fatos novos interessantes. Novas normas de crédito estudantil garantem gratuidade a quem cursar um curso de licenciatura ou de pedagogia; a contrapartida é ir para uma escola pública.
Na semana passada, professores paulistas se submeteram a uma prova que garantirá a parte deles o aumento do salário, não só com base no tempo de serviço, mas em boas notas. Já existe em São Paulo o bônus a partir do desempenho dos alunos e a obrigatoriedade de se passar por um curso -mesmo aos aprovados em concurso. Aumenta a oferta de cursos a distância oferecidos pelas melhores universidades.
Mas, pelo tamanho do problema, é ainda pouco e vai exigir o melhor da inteligência da elite política -inteligência para, por exemplo, usar os recursos digitais, criar espaços educativos nas cidades, integrar os meios de comunicação ao aprendizado.
Daí que a principal questão social brasileira seja colocar a resposta "professor" quando alguém perguntar aos jovens coisas do tipo "o que-você-vai-ser-quando-crescer?".
GILBERTO DIMENSTEIN
PS - O relatório é um dos documentos mais profundos que já li sobre a carreira de professor no Brasil. Leitura obrigatória -coloquei a íntegra no site do Catraca Livre (www.catracalivre.com.br).
- O CM News é uma publicação diária da CM Consultoria de Administração Ltda. Artigos, notícias e matérias sobre educação, com foco no ensino superior são compiladas das mais diversas fontes em todo o Brasil. A inserção dos referidos artigos, matérias e notícias não refletem necessariamente a opinião da CM Consultoria, pois os mesmos são recebidos e reproduzidos na integra, não havendo alteração por parte da CM Consultoria, a não ser por autorização do veículo ou do autor.  
Fonte: Folha de São Paulo  

Desafios da educação para o próximo presidente
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 10:33 hs.  
01/02/2010 - Cinco políticas poderiam transformar o próximo presidente da República no estadista que a educação jamais teve no Brasil: 1) atrair bons professores; 2) cuidar da primeira infância; 3) corrigir as distorções do ensino fundamental; 4) política de educação, emprego e renda para a juventude; e 5) modernizar o ensino superior e o financiamento à C&T.
Magistério. Educação de qualidade se faz com bons professores. Isso requer uma carreira que atraia os jovens mais talentosos para o magistério. Possível estratégia consiste em associar um sistema nacional de certificação ou mérito com uma complementação salarial. Tal complementação tornaria o salário do magistério compatível com as profissões liberais de maior prestígio, cuja média está em torno de R$ 3 mil. Isso requer aporte anual de aproximadamente R$ 30 bilhões, que seria progressivamente implementado ao longo de 10 anos. Exame de acesso bem feito levaria à imediata reformulação dos currículos das escolas de formação de professores.
Até três anos. Jim Heckman, Prêmio Nobel de Economia, comprovou: o investimento mais rentável para desenvolver recursos humanos situa-se nos primeiros anos de vida. A meta: assegurar que todas as crianças possam desenvolver o seu potencial, independentemente do nível de renda da família. Isso significa implementar políticas sociais articuladas que vão do pré-natal até pelo menos os primeiros anos de vida. Tais políticas, com foco nas famílias, especialmente nas mães, vão muito além da oferta de creches e requerem abordagem intersetorial e um leque de opções para atender as peculiaridades de cada família. Entre outros, a formação de futuros pais seria o melhor uso possível dos recursos do FAT para melhorar a vida e a renda da família do trabalhador.
Ensino fundamental. Para começar a melhorar o ensino fundamental, precisamos superar três grandes gargalos. Primeiro, reaprender a alfabetizar as crianças no 1º ano escolar. Dados da Prova Brasil mostram que apenas metade das crianças do 5º ano da escola pública é alfabetizada. Garantir a alfabetização no 1º ano requer mudanças radicais nas políticas vigentes: as soluções são conhecidas e estão disponíveis. Segundo, corrigir o fluxo escolar e erradicar, ao mesmo tempo, a pedagogia da repetência. Mais de 5 milhões de alunos do ensino fundamental encontram-se acima da idade de 14 anos, e mais de 10 milhões apresentam atraso escolar significativo. Alterações nos critérios de alocação do Fundeb poderiam induzir essas mudanças. Terceiro, efetivar a municipalização do ensino fundamental, prevista em lei. Essa é condição essencial para iniciar um processo de melhoria da eficiência de gestão educacional. Uma intervenção eficaz nessas três áreas pode significar economia anual recorren te superior a R$ 10 bilhões.
Juventude. As políticas atuais punem os jovens nas três dimensões — educação, formação profissional e emprego. Uma política para a juventude teria como foco o jovem de 15 a 30 anos. Na educação, cumpre diversificar o ensino médio e desatrelar os currículos do vestibular. Na formação profissional, urge rever a legislação da aprendizagem, enfatizar habilidades não cognitivas, especialmente para a população de menor escolaridade, e atrelar o financiamento da oferta à obtenção de emprego. A receita para o sucesso reside na coordenação de esforços com o setor produtivo, o uso racional dos recursos do FAT e a eficaz mobilização dos recursos e da competência gerencial do Sistema S na formação profissional. O acesso dos jovens aos estágios e empregos se faz com incentivos ao setor produtivo.
Ensino superior. O ensino superior permanece atado ao bacharelismo do século 19 e ao corporativismo do século 20. O perfil do novo ensino superior adequado ao século 21 está delineado nas orientações do Protocolo de Bologna — não há por que reinventar a roda. O financiamento ao ensino superior público pode ser aprimorado por uma política de financiamento em parte associada aos resultados. Na área da pesquisa permanece como maior desafio oferecer instrumentos financeiros sobejamente conhecidos e utilizados em outras nações para estimular a participação do setor produtivo no desenvolvimento tecnológico do país e, dessa forma, valer-se, de maneira mais eficaz, dos talentos das universidades. Resta saber se o próximo presidente tem disposição para tanto.
- O CM News é uma publicação diária da CM Consultoria de Administração Ltda. Artigos, notícias e matérias sobre educação, com foco no ensino superior são compiladas das mais diversas fontes em todo o Brasil. A inserção dos referidos artigos, matérias e notícias não refletem necessariamente a opinião da CM Consultoria, pois os mesmos são recebidos e reproduzidos na integra, não havendo alteração por parte da CM Consultoria, a não ser por autorização do veículo ou do autor.  
Fonte: Correio Braziliense - DF