
01/02/2010 AMPESC CLIPPING
O objetivo
da periodicidade, por meio digital, do AMPESC CLIPPING
é divulgar as notícias e legislação do
setor educacional às instituições associadas.
Em
breve será implantado diretamente no site o acesso restrito para
consulta, proporcionando praticidade na pesquisa.
Esclarecemos que as matérias veiculadas no
AMPESC CLIPPING não representam, necessariamente, a
opinião da Associação.
MP de Santa Catarina quer suspender Enem
Sisu sofre com grande número de acessos
Proposta autoriza educação domiciliar
Semesp divulga índices
Modalidade quer respeito de curso acadêmico
Cursos tops perdem autorização do MEC
Mais de 260 mil se inscrevem no sistema do Enem
Universidade e empresa
Arquivo do Estado põe acervo na internet
O que você não vai ser quando crescer?
Desafios da educação para o próximo presidente
MP de Santa Catarina quer suspender Enem
Fonte: Jornal da Educação
O Ministério Público de Santa Catarina quer suspender o
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por considerar que "o
procedimento adotado pela entidade organizadora da prova não
atende o princípio da impessoalidade". A ação foi
movida contra a União, o Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Centro de
Seleção e de Promoção de Eventos da
Universidade de Brasília (Cespe/UNB).
O objetivo é suspender o trâmite do concurso a fim de
evitar a divulgação das notas dos candidatos, prevista
para o próximo dia 5 de fevereiro, e sua posterior
homologação, mas o resultado do exame foi antecipado e
divulgado na última quinta-feira (28).
A medida foi toma após denúncia de que as provas do Enem
foram envelopadas com a identificação dos estudantes, o
que não é permitido. O procedimento correto é que
a 'desidentificação' das provas seja promovida em cada
uma das salas onde é realizado o concurso, sempre com a
participação e fiscalização dos três
últimos candidatos a entregarem a prova.
Sisu sofre com grande número de acessos
Fonte: Jornal da Educação
Apesar do anúncio no início da semana de que o Sistema de
Seleção Unificada (Sisu) não apresentaria
problemas, o site não suportou o grande número de
acessos, e os candidatos têm dificuldades para fazer a
inscrição das universidades federais.
Segundo o Ministério da Educação, até o
início da tarde desta sexta-feira, cerca de 30 mil estudantes
já fizeram a inscrição.
O sistema suporta 200 mil acessos simultâneos. De acordo com o
MEC, os técnicos estão trabalhando para resolver o
problema e melhorar os acessos. As inscrições podem ser
feitas até o dia 3, quarta-feira.
Outras informações na página www.mec.gov.br
Proposta autoriza educação domiciliar
Fonte: Jornal da Educação
Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania da Câmara dos Deputados analisa a Proposta de Emenda
à Constituição que estabelece
autorização para a prática da
educação domiciliar para estudantes de 4 a 17 anos.
Para o Ministério da Educação a
obrigação do Estado de garantir o ensino fundamental deve
ser exercida na escola, ambiente ideal para socialização
e aprendizado dos alunos.
Hoje, apesar da Constituição não ser clara quanto
à educação domiciliar, os pais que escolhem este
tipo de ensino podem pegar detenção de 15 dias a um
mês, além de multa, pelo crime de abandono intelectual.
De acordo com o deputado Wilson Picler, autor da proposta, o Estado
deve regulamentar o direito à educação domiciliar
para que os responsáveis pelas crianças e adolescentes
recebam a autorização para a prática e possam
passar pela avaliação da rede oficial de ensino.
Caso a proposta, que passa por votação em dois turnos no
Plenário, seja aprovada, será criada uma comissão
especial para analisar o mérito da matéria.
Semesp divulga índices
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:06 hs.
30/01/2010 - Apesar da inflação acumulada em 2009 fechar
bem abaixo da registrada em 2008, a pressão da demanda, gerada
pelo aquecimento da economia, já está provocando aumento
dos preços acima do esperado em janeiro. Os índices
quadrissemanais, publicados pelos principais institutos de pesquisa,
revelam uma alta bem acima de dezembro. O índice quadrissemanal
da 3ª semana de janeiro, publicado pela FIPE, foi de 1,16% ante
uma variação de 0,17% em dezembro.
O mercado trabalha com expectativas mais elevadas sobre os
índices inflacionários para 2010, influenciados pelo
aquecimento da economia e pelo ano eleitoral que deverá elevar
os gastos públicos e afrouxar a política monetária
de controle por meio da taxa básica de juros.
A retomada da economia está refletida na previsão
otimista de crescimento do PIB para 2010. Enquanto o crescimento da
economia foi próximo de zero em 2009, as previsões
apontam para uma variação de 5,3% em 2010.
A pressão inflacionária do início do ano
também se refletiu na projeção da média dos
índices INPC/IBGE, IPC/FIPE e ICV/DIEESE, acumulados de 1º
de março de 2009 a 28 de fevereiro de 2010, ficando 0,57 ponto
percentual acima do último Boletim Econômico divulgado,
porém ainda deverá ser, aproximadamente, 2,0 pontos
percentuais menor em relação ao mesmo período do
ano passado.
Para conhecer quais são os índices de
inflação projetados, bem como outros indicadores
atualizados da economia, acesse neste link o Boletim Econômico de
janeiro/fevereiro 2010.
http://fe1.voxblue.com/voxblue-web/l/84323905/19688624/233364.vb
Para mais informações sobre o Boletim Econômico ou
sobre o SINDATA - Sistema de Informações do Ensino
Superior Particular -, acesse o site www.sindata.org.br ou entre em contato com a Assessoria Econômica do SEMESP (tel: 11 - 2069 4436 ou e-mail: ass_econ@semesp.org.br).
Fonte: Portal Semesp
Modalidade quer respeito de curso acadêmico
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:35 hs.
01/02/2010 - MESTRADO PROFISSIONAL
Portaria oficializa composição do corpo docente e nova avaliação
RENATA DE GÁSPARI VALDEJÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A Capes está em campanha para valorizar o mestrado profissional,
que, com mais de 240 cursos, formou 10 mil mestres de 1998 a 2009. Em
dezembro, foi publicada a segunda portaria sobre o tema em seis meses.
A ideia é atestar qualidade equivalente à do mestrado
acadêmico.
A norma anterior, que criou a modalidade, não definia suas
características, daí a necessidade de regulamentar itens
como o corpo docente -que deve ser integrado por doutores,
profissionais e técnicos com experiência em pesquisa
aplicada. A ficha de avaliação, agora, é separada
da do mestrado acadêmico. "A portaria explicita essas coisas",
diz o diretor de avaliação da Capes, Lívio Amaral.
Sua expectativa é que a portaria estimule a
criação de cursos e acabe com o preconceito em torno dos
programas.
Há um entrave, porém, que os esforços
governamentais ainda não conseguiram solucionar e que vem
provocando o fechamento de alguns programas: a falta de fomento. A
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, líder em
número de programas (9), fechou quatro cursos de 1998 a 2005.
"Não há financiamento ou subsídio das
agências governamentais", justifica a vice-pró-reitora de
pós-graduação, Lia Teresinha Silva. "A
universidade pública tem dificuldade de manter mestrados
profissionais com recursos próprios."
Cláudia Morgado, presidente do Fórum Nacional de
Mestrados Profissionais, concorda. "Os programas têm pouca
atenção no fomento por órgãos
públicos e empresas privadas, que são as
beneficiárias dessa qualificação." Para Amaral, a
modalidade "tem vocação para ser autossustentável".
Impulso
Por outro lado, há quem afirme que a nova portaria
impulsionará a modalidade, como José Luiz Albertin,
diretor de pós-graduação da SAE Brasil (sociedade
de engenheiros da mobilidade). "Antes, tínhamos que convencer as
universidades a abri-los", comenta. A SAE criou um curso em engenharia
automobilística, em parceria com a Unicamp (Universidade
Estadual de Campinas) e o ITA (Instituto Tecnológico de
Aeronáutica), para suprir a demanda da indústria por
profissionais qualificados.
"Isso ajuda o Brasil a atrair novos projetos", diz Albertin. Para ele,
o mestrado profissional serve ainda para resolver um problema do setor:
a falta de registro formal das ideias.
Isso porque, para os programas serem bem avaliados pela Capes,
ex-alunos devem apresentar trabalhos de conclusão de curso, e
docentes, publicar artigos originais ou de revisão em
publicações tecnológicas.
Fonte: Folha de São Paulo
Cursos tops perdem autorização do MEC
Fonte: Jornal da Educação
A partir de agora, entidades não educacionais, como hospitais e
fundações, não terão mais o aval do
Ministério da Educação para emitirem diplomas. A
decisão que foi decidida na última quarta-feira, 27, pelo
Conselho Nacional de Educação atingirá 138
instituições, além de cursos tops como os da FIA,
da Fipe, Fipecafi; os hospitais Albert Einstein e Sírio
Libanês e também a Escola Paulista de Magistratura.
A homologação da decisão será feita pelo
ministro da Educação Fernando Haddad. De acordo com o
Conselho educacional, as instituições poderão
continuar oferecendo os cursos, mas não poderão ter
reconhecimento do MEC. Para essas entidades a decisão não
é justa, pois o aval do Ministério da
Educação era um dos principais atrativos da
especialização. Por causa disso, as
instituições devem recorrer da decisão de se
tornarem cursos livres, como os de idiomas.
Mesmo recebendo autorizações há 30 anos,
até no máximo 2013, todas as instituições
de ensino dessa lista terão seus prazos expirados e terão
que cumprir as normas do Ministério.
Mais de 260 mil se inscrevem no sistema do Enem
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:28 hs.
01/02/2010 - A inscrição poderá ser feita até as 23h59 da quarta-feira, dia 3 de fevereiro
SÃO PAULO - O Ministério da Educação (MEC)
informou que mais de 260 mil estudantes já se inscreveram no
Sistema de Seleção Unificada (SiSU) até o
início da tarde de hoje. Segundo o ministério, 440 mil
alunos trocaram a senha no sistema e já podem fazer a
inscrição, no período das 6 horas às 23h59,
até a próxima quarta-feira (dia 3) no site do SiSU na
internet
De acordo com o ministério, o sistema opera com normalidade. Na
sexta-feira passada, o sistema criado pelo Ministério da
Educação na internet para estudantes se candidatarem a
uma vaga em universidades federais usando a nota do Exame Nacional do
Ensino Médio (Enem) estreou com congestionamentos, dificuldades
de acesso e mensagens de erro.
Ontem, a assessoria do ministério informou que o problema de
lentidão foi "plenamente solucionado". Segundo o MEC, depois de
apresentar defeito, um equipamento da rede interna do ministério
foi substituído e o serviço passou a funcionar
normalmente. Com informações da Agência Brasil.
Fonte: O Estado de São Paulo
Universidade e empresa
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:17 hs.
01/02/2010 - Só 5% de mestres e doutores atuam nas companhias
Indústria e tecnologia da informação são dois dos setores que valorizam pós-graduados
JORDANA VIOTTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para muitos, os conceitos de academia e mercado soam
incompatíveis - ou o profissional se forma para um lado ou se
dedica apenas ao outro. Números de um levantamento realizado
pelo Ministério de Ciência e Tecnologia em 2008
reforçam essa ideia: dos 155 mil mestres e doutores no
país, apenas 5% foram absorvidos pelas empresas.
Uma razão para isso, segundo Iarema Oliveira, líder da
prática de remuneração da consultoria Hewitt,
é que os temas das pesquisas acadêmicas nem sempre
correspondem à realidade das organizações. No
entanto, alguns setores, como o farmacêutico, o de engenharia, o
de energia, o de biotecnologia e o de economia, valorizam quem fez
pós, e elas pesam na ascensão na carreira.
"Há ainda uma grande demanda das consultorias, pois esses
profissionais têm mais facilidade para apresentar
soluções", completa Oliveira. A indústria e o
campo de tecnologia da informação também valorizam
a pós. Em alguns casos, empresas estimulam seus
funcionários a cursá-la.
A PromonLogicalis, companhia do ramo de tecnologia da
informação, por exemplo, apoia financeiramente
funcionários que estudam em instituições
particulares.
Paga um terço do valor das mensalidades e financia outro
terço, que é devolvido pelo aluno ao final do curso. Para
quem opta por universidades públicas, o incentivo vem em forma
de horas livres para dedicação semanal aos estudos.
"Companhias que demandam profissionais especializados, como as das
áreas de direito, engenharia e economia, também precisam
de profissionais com mestrado e doutorado", explica Oliveira.
No escritório TozziniFreire, cerca de 50% dos 400 advogados
têm ou já tiveram programa de incentivo à
pós-graduação. "Na nossa área, a
especialização é importante para nos diferenciar",
justifica a diretora de desenvolvimento humano e organizacional do
escritório, Claudia Meirelles.
Aumento de titulados chega perto da meta
Mestrado acadêmico foi o que registrou menor crescimento no período de 2005 a 2008
CRISTIANE CAPUCHINHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
No último dos seis anos do plano nacional de
pós-graduação, um balanço das metas
traçadas pela Capes (Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para o
período de 2005 a 2010 mostra que estão perto de serem
atingidas.
Em 2008, último dado disponibilizado pela
instituição, havia 88,3 mil alunos matriculados em
programas de mestrado _84% do objetivo de 105 mil mestrandos até
o fim de 2010.
O número de doutorandos (52,7 mil) chega a 96% da meta de 55
mil. Segundo o presidente da Capes, Jorge Guimarães, ela deve
ser atingida com os números de 2009 e de 2010. De 2005 a 2008, o
maior incremento de alunos ocorreu no mestrado profissional: 44%. No
doutorado, foi de 20%, e no mestrado acadêmico, de 14%.
Uma das explicações para a maior
aproximação do número de doutores da meta
traçada é a dinâmica dos programas, que
começam com mestrado e são ampliados para doutorado.
"Atingiremos o cenário mais ambicioso, exceto nas áreas
tecnológicas, pois o mercado melhorou e concorreu com a
academia", diz Guimarães.
Apesar de mais numerosos, os alunos de pós ainda estão
longe das empresas, avaliam especialistas. Os poucos profissionais com
formação superior -9,5% dos brasileiros com mais de 25
anos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística)- relutam em trocar o salário por uma bolsa
de estudos.
"No Brasil, a maioria [dos doutores] continua na universidade. Em
outros países, muitos vão para os setores empresarial e
industrial", diz a socióloga Elizabeth Balbachevsky.
Ela acredita que o mestrado responde mal aos anseios do mercado.
Moldado como um minidoutorado, afia as habilidades de pesquisador e
não pode ser encarado como meio de refinamento profissional.
O mais ajustado para o mercado é o mestrado profissional, que
deve avançar nas áreas de farmácia,
química, computação e em setores ligados à
indústria, afirma Guimarães. Atualmente, porém, a
modalidade tem 218 programas aceitos pela Capes -8,5% do oferecido.
Para o próximo decênio _o plano nacional da pós
passa a abranger dez anos a partir deste ano-, a Capes quer aumentar
esse número e apoiar áreas tecnológicas.
Fonte: Folha de São Paulo
Arquivo do Estado põe acervo na internet
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:59 hs.
01/02/2010 - Site disponibiliza 250 mil páginas de documentos para consulta
Marcos Guterman
O Arquivo Público do Estado de São Paulo lançou um
site no qual é possível consultar mais de 250 mil
páginas de seus documentos. As imagens incluem jornais e
revistas dos séculos 19 e 20, anuários
estatísticos, cartas e até um alentado censo paulistano
dos séculos 18 e 19. A ideia, segundo a direção do
Arquivo, é ampliar o acesso público a esse material, para
que não fique restrito apenas a pesquisadores profissionais,
através do www.arquivoestado.sp.gov.br.
O resultado ainda é incipiente - falta, por exemplo, um sistema
de busca mais preciso para facilitar a consulta. A
digitalização atingiu por enquanto somente uma pequena
fração dos mais de 50 milhões de documentos do
acervo. Mas a iniciativa é promissora.
O processamento dessa primeira parte da coleção envolveu
uma equipe de 70 pessoas, entre junho e novembro do ano passado. Custou
cerca de R$ 400 mil, bancados parcialmente pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e em parceria com
diversas entidades, entre as quais a Imprensa Oficial e o
Ministério da Justiça. "O trabalho só foi
possível com apoio externo", diz Lauro Ávila, diretor do
Departamento de Preservação e Difusão do Arquivo.
A parte mais vistosa do trabalho aparece no site em três
páginas temáticas. Em Memória da Imprensa é
possível ler, numa edição de 1867 do jornal
Correio Paulistano, a grave notícia sobre um acidente na
novíssima ferrovia Santos-Jundiaí e um anúncio de
recompensa para quem encontrasse uma "besta fugida", "grande e nova,
ferrada nos quatro pés", que atende pelo nome de Boneca e que
é "muito mansa".
Há também revistas como A Vida Moderna, que em 1914
registrava a entusiasmada visita de militares alemães a
São Paulo pouco antes da 1ª Guerra Mundial - e atestava que
"não há em São Paulo um rapaz elegante que
não conheça a casa Hat Store".
Na divisão Imigração em São Paulo,
há dados sobre os núcleos coloniais que receberam grandes
levas de trabalhadores estrangeiros a partir de meados do século
19, além de imagens de imigrantes e informações
estatísticas. Uma das raridades é a lista original dos
passageiros do Kasato Maru, o primeiro navio a trazer trabalhadores
japoneses ao Brasil, em 1908. Outra são os documentos pessoais
de alguns imigrantes, como certidões de casamento e passaportes,
que em certos casos integram prontuários dos estrangeiros
considerados perigosos pelo governo, reunidos no Departamento Estadual
de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), criado
em 1924.
Por fim, na divisão Viver em São Paulo, há
documentos sobre o cotidiano da região entre os séculos
18 e 20. Um dos mais significativos são os Maços de
População de São Paulo, levantamento
censitário realizado de 1765 a 1850 e que revela dados
úteis para compreender as relações
econômicas e sociais básicas na então
província. É um dos registros mais consultados pelos
historiadores.
Ávila diz que a intenção do Arquivo agora é
obter recursos para digitalizar mais 1,5 milhão de imagens. O
projeto foi encaminhado à Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Com isso,
teremos o maior site de pesquisa do Brasil", diz o diretor. Ele adianta
que fontes pouco conhecidas dos pesquisadores, como o jornal anarquista
O Combate, vão se tornar disponíveis, e tesouros como a
coleção completa do Correio Paulistano estarão no
ar. Segundo Ávila, o que está no site agora é
"só um aperitivo".
DEOPS ONLINE
Um outro investimento desejado pelo Arquivo é abrir para
consulta online o acervo do Deops, iniciativa que é objeto de
projeto no Congresso. Hoje, por força da lei, o pesquisador que
quiser ter acesso aos documentos produzidos pela polícia
política brasileira precisa fazer um cadastro,
responsabilizando-se pelo uso que fizer das informações,
e tem de consultá-los pessoalmente. Ávila diz que a ideia
é fazer com que o pesquisador, uma vez cadastrado, receba uma
senha para pesquisar os documentos na internet. São mais de 7
milhões de imagens.
Digitalização é o futuro da pesquisa histórica
Estudiosos terão de se habituar com links e caixinhas de busca por informações do passado
Os documentos digitalizados no Arquivo Público do Estado de
São Paulo são "essenciais para a
preservação da memória pública", na
opinião do historiador Lauro Ávila Pereira, diretor do
Departamento de Preservação e Difusão da
instituição. Mesmo que modismos historiográficos
menosprezem o documento escrito, por considerá-lo
irremediavelmente intoxicado pelo poder de sua época, é
esse papel o registro fiel dos conflitos daquele instante
histórico - que, como diz Marc Bloch, mestre dos historiadores,
não surge "aqui ou acolá por artes mágicas":
são produtos das relações humanas, ainda que
expressem inverdades ou testemunhos enviesados. Sua
conservação, portanto, é mais que um luxo:
é tarefa de qualquer sociedade que pretenda conhecer as
tensões do passado que cooperaram com a elaboração
da mentalidade presente.
O problema da preservação é ainda mais
significativo quando se considera que a resistência do documento
à ação do tempo é muito limitada. Jornais,
por exemplo, costumam se desfazer em algumas décadas se o
arquivamento não for adequado. Por essa razão, a
possibilidade de preservar os documentos por meio da
digitalização é um avanço cujo alcance para
a reconstituição da história ainda está por
ser dimensionado.
A iniciativa do Arquivo do Estado, embora com algum atraso e de forma
ainda bastante limitada, aparece em linha com a tendência mundial
de preservação de documentos aproveitando os recursos da
internet. Sites públicos dos Estados Unidos, como o National
Archives (www.archives.gov), são a vanguarda desse processo
acelerado de transformação de papéis em bits com
vista a protegê-los da degradação e facilitar sua
consulta em qualquer lugar, a qualquer tempo.
Universidades e arquivos ao redor do mundo, principalmente na Europa,
também já têm seus acervos digitalizados.
"Não cabe ao Estado definir o que é memória", diz
Ávila. Para ele, é a sociedade que reconstrói seu
passado de acordo com os elementos políticos, sociais e
ideológicos do presente, o que é um contexto
dinâmico. Cabe a instituições públicas como
o Arquivo tornar amplamente disponível a maior quantidade de
pistas históricas necessárias para essa
reconstrução, num processo de
democratização da memória pública.
"Preservar só por preservar não faz sentido", diz o
historiador.
Como sabe todo pesquisador, nada substitui a emoção do
ritual de vestir luvas e manipular um documento original antigo. Mas os
historiadores terão de se habituar com links e caixinhas de
busca nos sites de documentação, em nome da
manutenção da memória - na dimensão sonhada
por Santo Isidoro de Sevilha, que desejava compendiar todo o
conhecimento existente, razão pela qual é o padroeiro da
internet.
Fonte: O Estado de São Paulo
O que você não vai ser quando crescer?
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:16 hs.
01/02/2010 - Não é de admirar que 55% das vagas de
pedagogia e das licenciaturas não sejam preenchidas no Brasil
QUEM se depara com Mário Gatica, óculos escuros, terno
preto, alto, musculoso, lutador de artes marciais, cuidando da
segurança de uma casa noturna da rua Augusta, jamais poderia
imaginá-lo como professor de filosofia de escola pública.
"Gostaria de apenas dar aulas", conta -apesar de, algumas vezes, ele se
sentir mais vulnerável fisicamente dentro de uma escola do que
evitando brigas ou assaltos na madrugada.
O magistério é seu grande projeto desde a
adolescência, mas Gatica se vê obrigado a complementar sua
renda na noite. Na condição de temporário, ele
passou na prova de conhecimentos aplicada pela rede estadual de
São Paulo: 40% dos candidatos foram reprovados, mesmo com o
benefício de usar o tempo de serviço como parte da nota.
Muitas gorjetas superam o que ele recebe por hora em sala de aula -o
que acabou interessando também a colegas da escola. Professoras
pediram um bico de garçonete.
Mesmo que não fosse dublê de segurança e professor,
Gatica, que se graduou em história e está no
último ano de uma faculdade de filosofia, já seria uma
raridade. É o que se vê num alarmante levantamento
inédito com jovens brasileiros sobre os desejos profissionais.
Idealizada pela Fundação Victor Civita e realizada pela
Fundação Carlos Chagas, a pesquisa integra um
relatório sobre a atratividade da carreira do professor. As
entrevistas foram focadas apenas em jovens que estão concluindo
o ensino médio e decidindo sua carreira: apenas 2% deles querem
ser professores.
Entre os que estão nas escolas privadas, a taxa cai para
próximo de zero. Suas opções são, pela
ordem, direito, engenharia e medicina.
Um terço dos alunos até pensou em ser professor, mas
desistiu pelos seguintes motivos: 1) falta de valorização
social; 2) salários baixos; e 3) rotina desgastante. É o
que se traduz na diferença entre a gorjeta que Gatica recebe
como segurança e o valor da hora-aula.
Note-se que a pesquisa não pergunta especificamente se ele
gostaria de ser professor de uma escola pública -se fosse assim,
o resultado seria ainda pior.
Não é de admirar, portanto, que 55% das vagas de
pedagogia e licenciatura não sejam preenchidas. Nem que 40% dos
professores temporários da rede paulista tenham sido reprovados
-nem que o governo paulista, por falta de alternativa, seja obrigado a
mantê-los dando aula. Há no país um deficit de 700
mil professores no ensino médio e nos anos finais do
fundamental. É de mais de 35% a taxa de evasão nos cursos
que formam professores.
A pior notícia, porém, é a seguinte: os futuros
professores são recrutados entre os alunos com as piores notas
no ensino.
Não consigo ver informação mais alarmante para uma
nação do que o fato de que se recrutam entre os piores
quem vai cuidar da cabeça das crianças e dos
adolescentes. Entende-se por que muitos cursos de reciclagem não
funcionam bem -ou por que os alunos saem da escola sem saber ler e
escrever direito.
Também se entende por que, em muitos casos, exista pouca diferença entre escolas públicas e privadas.
Como se não bastassem as deficiências de
formação, eles vão trabalhar num ambiente hostil e
violento, com salas lotadas e famílias omissas.
Há fatos novos interessantes. Novas normas de crédito
estudantil garantem gratuidade a quem cursar um curso de licenciatura
ou de pedagogia; a contrapartida é ir para uma escola
pública.
Na semana passada, professores paulistas se submeteram a uma prova que
garantirá a parte deles o aumento do salário, não
só com base no tempo de serviço, mas em boas notas.
Já existe em São Paulo o bônus a partir do
desempenho dos alunos e a obrigatoriedade de se passar por um curso
-mesmo aos aprovados em concurso. Aumenta a oferta de cursos a
distância oferecidos pelas melhores universidades.
Mas, pelo tamanho do problema, é ainda pouco e vai exigir o
melhor da inteligência da elite política
-inteligência para, por exemplo, usar os recursos digitais, criar
espaços educativos nas cidades, integrar os meios de
comunicação ao aprendizado.
Daí que a principal questão social brasileira seja
colocar a resposta "professor" quando alguém perguntar aos
jovens coisas do tipo "o que-você-vai-ser-quando-crescer?".
GILBERTO DIMENSTEIN
PS - O relatório é um dos documentos mais profundos que
já li sobre a carreira de professor no Brasil. Leitura
obrigatória -coloquei a íntegra no site do Catraca Livre
(www.catracalivre.com.br).
- O CM News é uma publicação diária da CM
Consultoria de Administração Ltda. Artigos,
notícias e matérias sobre educação, com
foco no ensino superior são compiladas das mais diversas fontes
em todo o Brasil. A inserção dos referidos artigos,
matérias e notícias não refletem necessariamente a
opinião da CM Consultoria, pois os mesmos são recebidos e
reproduzidos na integra, não havendo alteração por
parte da CM Consultoria, a não ser por autorização
do veículo ou do autor.
Fonte: Folha de São Paulo
Desafios da educação para o próximo presidente
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 10:33 hs.
01/02/2010 - Cinco políticas poderiam transformar o
próximo presidente da República no estadista que a
educação jamais teve no Brasil: 1) atrair bons
professores; 2) cuidar da primeira infância; 3) corrigir as
distorções do ensino fundamental; 4) política de
educação, emprego e renda para a juventude; e 5)
modernizar o ensino superior e o financiamento à C&T.
Magistério. Educação de qualidade se faz com bons
professores. Isso requer uma carreira que atraia os jovens mais
talentosos para o magistério. Possível estratégia
consiste em associar um sistema nacional de certificação
ou mérito com uma complementação salarial. Tal
complementação tornaria o salário do
magistério compatível com as profissões liberais
de maior prestígio, cuja média está em torno de R$
3 mil. Isso requer aporte anual de aproximadamente R$ 30
bilhões, que seria progressivamente implementado ao longo de 10
anos. Exame de acesso bem feito levaria à imediata
reformulação dos currículos das escolas de
formação de professores.
Até três anos. Jim Heckman, Prêmio Nobel de
Economia, comprovou: o investimento mais rentável para
desenvolver recursos humanos situa-se nos primeiros anos de vida. A
meta: assegurar que todas as crianças possam desenvolver o seu
potencial, independentemente do nível de renda da
família. Isso significa implementar políticas sociais
articuladas que vão do pré-natal até pelo menos os
primeiros anos de vida. Tais políticas, com foco nas
famílias, especialmente nas mães, vão muito
além da oferta de creches e requerem abordagem intersetorial e
um leque de opções para atender as peculiaridades de cada
família. Entre outros, a formação de futuros pais
seria o melhor uso possível dos recursos do FAT para melhorar a
vida e a renda da família do trabalhador.
Ensino fundamental. Para começar a melhorar o ensino
fundamental, precisamos superar três grandes gargalos. Primeiro,
reaprender a alfabetizar as crianças no 1º ano escolar.
Dados da Prova Brasil mostram que apenas metade das crianças do
5º ano da escola pública é alfabetizada. Garantir a
alfabetização no 1º ano requer mudanças
radicais nas políticas vigentes: as soluções
são conhecidas e estão disponíveis. Segundo,
corrigir o fluxo escolar e erradicar, ao mesmo tempo, a pedagogia da
repetência. Mais de 5 milhões de alunos do ensino
fundamental encontram-se acima da idade de 14 anos, e mais de 10
milhões apresentam atraso escolar significativo.
Alterações nos critérios de alocação
do Fundeb poderiam induzir essas mudanças. Terceiro, efetivar a
municipalização do ensino fundamental, prevista em lei.
Essa é condição essencial para iniciar um processo
de melhoria da eficiência de gestão educacional. Uma
intervenção eficaz nessas três áreas pode
significar economia anual recorren te superior a R$ 10 bilhões.
Juventude. As políticas atuais punem os jovens nas três
dimensões — educação, formação
profissional e emprego. Uma política para a juventude teria como
foco o jovem de 15 a 30 anos. Na educação, cumpre
diversificar o ensino médio e desatrelar os currículos do
vestibular. Na formação profissional, urge rever a
legislação da aprendizagem, enfatizar habilidades
não cognitivas, especialmente para a população de
menor escolaridade, e atrelar o financiamento da oferta à
obtenção de emprego. A receita para o sucesso reside na
coordenação de esforços com o setor produtivo, o
uso racional dos recursos do FAT e a eficaz mobilização
dos recursos e da competência gerencial do Sistema S na
formação profissional. O acesso dos jovens aos
estágios e empregos se faz com incentivos ao setor produtivo.
Ensino superior. O ensino superior permanece atado ao bacharelismo do
século 19 e ao corporativismo do século 20. O perfil do
novo ensino superior adequado ao século 21 está delineado
nas orientações do Protocolo de Bologna —
não há por que reinventar a roda. O financiamento ao
ensino superior público pode ser aprimorado por uma
política de financiamento em parte associada aos resultados. Na
área da pesquisa permanece como maior desafio oferecer
instrumentos financeiros sobejamente conhecidos e utilizados em outras
nações para estimular a participação do
setor produtivo no desenvolvimento tecnológico do país e,
dessa forma, valer-se, de maneira mais eficaz, dos talentos das
universidades. Resta saber se o próximo presidente tem
disposição para tanto.
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Fonte: Correio Braziliense - DF