01/03/2009
AMPESC CLIPPING
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Hora da Disputa

Ciclo de audiências no Senado recebe Fernando Haddad

Projeto quer reduzir idade mínima para matrícula no ensino fundamental

Cinema nacional em cartaz nas escolas

Instituições podem oferecer pós-graduação sem chancela do MEC

Descubra a classe D a letra do dinheiro

Expansão de universidades federais tem disparidades

Dados mostram queda na contratação de deficientes

Exame avaliará em 2010 cinco cursos superiores de tecnologia

Enade vai avaliar cerca de 450 mil estudantes em 2010

Pensando criticamente as novas abordagens de ensino

A moda dos "sem grife"

As inaugurações de projetos

Hora da Disputa
Sai esta semana a portaria do MEC com as entidades que poderão indicar nomes para o Conselho Nacional de Educação. Embora a função não seja remunerada – paga-se apenas jeton por sessão -, as vagas são disputadas a tapa, pelo poder que conferem. Onze mandatos vencem em maio. Na Câmara de Educação Superior, Aldo Vanucchi, Helgio Trindade e Mario Pederneiras podem ser reconduzidos. Por terem sido reeleitos, sairão do CNE os professores Edson Nunes e Marília Lopez. A temporada de lobby na educação vai recomeçar.
Fonte: Revista Isto É, 3 de março de 2010, ano 34, nº 2103, pg. 35

Ciclo de audiências no Senado recebe Fernando Haddad
Fonte: Jornal da Educação
Na próxima segunda-feira, dia 1 de março, a Comissão de Serviços de Infraestrutura dá início ao no ciclo de audiências públicas que tem como tema "Recursos Humanos para Inovação e Competitividade" e terá a realização de 14 audiências até o dia 17 de junho deste ano.
Entre as temáticas abordadas está "Formação e capacitação de mão de obra necessária para enfrentar os desafios nos setores ligados à infraestrutura do país", que contará com a presença do ministro da Educação, Fernando Haddad; do secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, Joe Valle; o reitor da Universidade Castello Branco do Rio de Janeiro, Paulo Alcântara Gomes; e o engenheiro, diretor da Novacap e ex-presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Wilson Lang.
O ciclo debaterá ainda temáticas como Desafios, necessidades e perspectivas da formação e capacitação de profissionais da área de engenharia no Brasil, no dia 13 de março; Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas em 2016. Demandas das cidades que sediarão os dois eventos. Necessidade de infraestrutura e de formação e capacitação da mão de obra necessária, em 19 de abril; Desafios, necessidades e perspectivas na formação e capacitação de recursos humanos na área das telecomunicações, no dia 10 de maio; entre outras.

Projeto quer reduzir idade mínima para matrícula no ensino fundamental
Fonte: Jornal da Educação
Tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados Projeto de Lei que reduz de seis para cinco anos a idade obrigatória para matrícula de crianças no ensino fundamental. Além disso, a proposta estabelece ainda a oferta da educação infantil até os cinco anos.
O projeto, do senador Flávio Arms, modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que atualmente prevê os seis anos como idade para a matrícula e oferta do ensino infantil. De acordo com Arms, a intenção é adaptar a LDB à Constituição, que estabelece a matrícula na educação infantil até os cinco anos de idade.
As comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania ainda analisam o projeto.

Cinema nacional em cartaz nas escolas
Fonte: Clipping Educacional Consae Gazeta do Povo, 23/02/2010 - Curitiba PR
Projeto de lei em tramitação no Senado prevê a mostra de pelo menos duas horas mensais de filmes nacionais em escolas públicas e privadas
Tatiana Duarte 
A exibição de filmes nacionais em todas as escolas brasileiras, públicas e privadas, que atendem crianças e jovens, com idades entre 4 e 18 anos, pode se tornar obrigatória. O Projeto de Lei 185/2008, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) em tramitação no Senado Federal prevê a exibição de no mínimo duas horas mensais de filmes de produção nacional. A obrigatoriedade é apresentada como componente curricular da educação infantil, ensino fundamental e médio. A proposta segue em caráter conclusivo na Comissão de Educação, Esportes e Cultura do Senado e pode ser aprovada nas próximas semanas, sem necessidade de passar por votação em plenário. Depois segue para a aprovação na Câmara dos Deputados. De acordo com Buarque, a ideia é que crianças e adolescentes em idade escolar tenham acesso ao cinema. Para o senador, o ideal seria que as escolas fossem palcos de outras manifestações artísticas. “Se pudesse ter uma orquestra sinfônica ou teatro em todas as escolas seria ótimo. Mas é muito caro. O cinema é barato porque pode ser passado até pelo DVD”, diz.
Com cuidado - A ideia de usar o cinema nas escolas não é nova. O uso de filmes como recurso pedagógico ocorreu desde a disseminação do videocassete doméstico, no fim da década de 80.  A tecnologia desenvolveu, veio o DVD e projetores digitais, que hoje são comuns em escolas particulares. Nas escolas da rede pública o mais comum é a presença da televisão em sala de aula. Mesmo assim, a proposta do senador é analisada com cuidado pelos educadores. Há mais de 20 anos atuando como professora de Literatura, Rosa Loberto Costa diz que sempre usou o recurso em sala de aula. “É muito bom fazer o contraponto entre o filme e a obra literária”, afirma. Atual­mente Rosa ministra aulas no colégio Dom Bosco, em Curitiba, e ressalta que a exigência de duas horas é um certo exagero. “Não temos tanta produção nacional assim, principalmente para o público infantil. Mesmo com os adolescentes temos de trabalhar com recortes, devido ao excesso de sensualidade”, afirma.
O doutor em Comunicação e professor de História do Cinema da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Renato Luiz Pucci Júnior questiona se todas as escolas brasileiras terão condições técnicas de exibir filmes. “Passo muito filme em sala de aula e é preciso ter uma estrutura mínima. Em classes grandes não há como exibir o filme numa tevê pequena. É necessário um mínimo de qualidade técnica para exibição. Talvez pudesse ser adotado como algo optativo, dependendo das condições de cada escola”, opina. A diretora do Departamento de Ensino  Fundamental da Secretaria Municipal da Educa­ção, Nara Luz Salamunes, ressalta que o filme não deve ser usado pela escola sem ter um cunho didático-pedagógico. “Não dá para ver o filme em aula só por divertimento. A obrigatoriedade não deveria tomar o horário da escola, que já é muito curto. Poderia entrar como atividade complementar no contraturno”, diz.
Mudança - Um dado curioso em torno da matéria é que a relatora do projeto, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) mudou de opinião com relação à proposta justamente na época da estreia do filme Lula, o Filho do Brasil, em novembro do ano passado. Primeiro a relatora indicou a rejeição da proposta e depois voltou atrás, sugerindo a aprovação. De acordo com a assessoria de imprensa da senadora, a alteração na relatoria do projeto foi feita em maio de 2008, mas só passou pela votação da Comissão no fim do ano. A assessoria ainda esclarece que a mudança ocorreu após convencimento da relatora por parte do autor do projeto. Já o senador Buarque ressalta que não há sentido em levantar tal polêmica. “A relatora é do DEM, partido de oposição ao governo. Pra que ela ia tentar passar uma lei que beneficia o Lula? Quando esta lei passar pela Câmara e for para a sanção do presidente, provavelmente já não seja mais o Lula”, afirma. 

Instituições podem oferecer pós-graduação sem chancela do MEC
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:56 hs. 
27/02/2010 - Empresas, hospitais ou grupos de negócios podem continuar com seus cursos como forma de qualificação para o mercado
Formação de professor melhora ensino em aldeiaO Ministério da Educação deve manter a resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) que termina com a chancela do governo federal para instituições que não sejam de ensino oferecerem pós-graduações lato sensu.
Na avaliação do ministério, nada impedirá que empresas, hospitais ou grupos de negócios continuem com seus cursos como forma de qualificação para o mercado, mas sem a chancela do MEC como certificado de qualidade. A exceção seria feita para as escolas de governo, como a Escola Paulista de Magistratura, a Superior do Ministério Público e a Escola Superior de Administração Fazendária do governo federal, entre outras.
"Tenho dúvidas se uma escola, especialmente de negócios, precisa da chancela do MEC. Esse é o pressuposto da decisão do conselho e eu acho que tem fundamento. Qual a diferença para uma escola de negócios? Muitas vezes, ela é certificada por uma instituição fora do País", analisa a secretária de ensino superior, Maria Paula Dallari.
A secretaria apenas pediu ao CNE uma revisão da resolução para as escolas de governo porque avalia que, nesses casos, é importante o acompanhamento do ministério. "A minha postura - e a Sesu (Secretaria de Ensino Superior) pediu o reexame da questão pelo CNE - é que se preservasse as escolas de governo porque, para elas, é importante ter essa atividade estruturada e acompanhada pelo MEC. Deve vir um ajuste, mas ainda não recebemos a resolução final", explicou.
Em setembro passado, o CNE aprovou a resolução e, desde então, está com o ministério para ser homologada. A proposta é que entidades como hospitais, fundações e institutos sejam proibidos de oferecer pós-graduação lato sensu com a chancela do MEC. A prerrogativa passaria a ser de instituições de ensino, como faculdades, centros universitários e universidades. Hoje, 150 entidades seriam atingidas. Entre elas, os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, além de escolas de negócios como FIA, Fipe, BSP e Dom Cabral. Os cursos poderiam continuar sendo oferecidos, mas não teriam um diploma de pós-graduação. A decisão final será do ministro Fernando Haddad. 
Fonte: Portal Bem Paraná 

Descubra a classe D a letra do dinheiro
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:02 hs. 
27/02/2010 - Com R$ 381,2 bilhões para gastar em 2010, as famílias com renda mensal de até R$ 1,5 mil se tornaram o objeto do desejo de empresas de vários segmentos. saiba como conquistar esse novo consumidor
Rosenildo Gomes Ferreira
Repare na primeira foto que ilustra esta reportagem. (ver site Isto é Dinheiro) O sujeito de calça jeans que aparece ao lado de uma pichação é Henrique Flory, presidente de um banco que nos próximos meses abrirá suas portas no Brasil. O executivo está no Itaim Paulista, bairro localizado no extremo leste de São Paulo - é a periferia da cidade. Ele não foi ao Itaim por acaso. Flory está atrás de negócios. Em vez de percorrer as regiões nobres da capital paulista, ele prefere as zonas afastadas. Sua empresa, o Grameen Bank, quer atrair a clientela que não está acostumada a entrar numa agência tradicional. Fundado pelo bengalês Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz por ter criado o chamado "banco dos pobres", o Grameen está de olho na camada da população classificada pelos especialistas como classe D. Um contingente formado por 64 milhões de brasileiros que têm renda mensal familiar entre um e três salários mínimos. Até aí, nenhuma novidade. O que surpreende - e que era desconheci do até agora - é o volume de dinheiro que esse universo dispõe para consumir bens e serviços. Segundo um estudo feito com exclusividade para a DINHEIRO pela consultoria Data Popular, especializada no mercado de baixa renda, em 2010 os integrantes da classe D vão gastar R$ 381,2 bilhões. É dinheiro grosso, que representa mais do que o valor disponível para o consumo na classe A (R$ 216,1 bilhões) e na classe B (R$ 329,5 bilhões). A conta é simples. Como são em maior número, os membros da classe D geram maior escala financeira.
Com o aumento da oferta de crédito, essa turma, que até pouco tempo atrás vivia à margem do sedutor mundo do consumo, finalmente foi às compras. Muitas empresas ainda não colocaram esse contingente em seu radar porque estavam focadas na classe C. Mas quem quiser apostar no futuro tem de se apressar e seguir os passos daqueles que já descobriram a classe D.
O fenômeno da classe D é resultado de uma impressionante transformação social do País. Nos últimos anos, mais de 19 milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza para ingressar na nova classe emergente. "São pessoas ansiosas por fazer parte do mercado de consumo", diz Renato Meirelles, que coordenou o trabalho da Data Popular (leia entrevista à pág. 43). Para comprar bens, elas precisam de crédito. É aí que o Gremeen Bank entra. "Até 2010, esperamos ter oferecido empréstimos a 80 mil famílias", diz Flory, o presidente do banco.
Segundo ele, a instituição, que começa a funcionar oficialmente em junho, vai liberar valores que variam de R$ 300 a R$ 1,5 mil. Para pegar o dinheiro, o interessado sequer precisa comprovar renda, um dos entraves que impedem a bancarização da classe D. Segundo o estudo da Data Popular, que fez também uma mapeamento completo desse público (leia quadros disponíveis no site da revista Isto é Dinheiro), 51% dos brasileiros da classe D trabalham na informalidade.
Eles não têm holerite, mas às vezes têm mais dinheiro do que os colegas com carteira assinada. O primeiro banco privado a descobrir as classes menos abastadas foi o Bradesco. Nos anos 50, Amador Aguiar, um de seus fundadores, tomou uma decisão ousada. Naquela época, apenas os "bacanas", como eram chamadas as pessoas com dinheiro, tinham acesso aos gerentes de banco, que ficavam como que escondidos em salas no fundo da agência. Em Marília, no interior de São Paulo, Aguiar trouxe os funcionários para a frente do banco.
Sua ideia era fazer com que os gerentes estivessem acessíveis. Uma medida simples assim foi o estopim para transformar o Bradesco na instituição financeira privada mais popular do Brasil. Meio século depois, a instituição decidiu reforçar sua presença junto a esse universo. Para atrair os integrantes da classe D, reduziu a exigência cadastral. "Eliminamos a comprovação de renda e o valor mínimo de depósito para os correntistas", diz Odair Afonso Rebelato, diretor-executivo do Bradesco e responsável pela área de contas populares da instituição. Segundo o executivo, o banco também lançou um pacote de tarifas mais em conta.
Afinal, esse cliente dá lucro? Rebelato diz que sim. De um total de 21 milhões de clientes do Bradesco, 37% são da classe D. É esse grupo que alavanca alguns produtos como a carteira de empréstimo pessoal, feito diretamente no caixa eletrônico.
Hoje existem 5,5 milhões de correntistas com empréstimos de até R$ 500. "Os bancos que não apostarem na classe D vão ficar de fora do segmento que deve puxar o crescimento do País nos próximos anos", aposta o executivo. O Bradesco está disposto mesmo a não perder essa corrida. Em junho passado, comprou, por R$ 1,4 bilhão, o banco Ibi, que opera a carteira de produtos financeiros de 15 redes varejistas como a C&A e o Makro Atacadista. A aquisição do Ibi permitiu ao Bradesco o acesso a uma carteira composta de 22 milhões de clientes, dos quais 70% têm renda de um salário-mínimo. Boa parte deles jamais teve conta em banco ou uma poupança. Mas nem por isso podem ser vistos como alijados do sistema financeiro. "Os clientes, mesmo em comunidades periféricas como Heliópolis, em São Paulo, e Rocinha, no Rio de Janeiro, exigem serviços similares aos dos clientes abonados", diz.
Um dos dados mais interessantes revelados pelo estudo da Data Popular diz respeito à importância que a autoestima tem para as pessoas que fazem parte da classe D. Ela quer receber no banco o mesmo tratamento que seu colega mais rico recebe num bairro nobre. É por isso também que ela gasta às vezes até mais do que pode - e do que precisa - para adquirir produtos caros e exibi-los aos familiares, aos vizinhos, aos colegas de trabalho. Se para a classe média ter uma televisão de plasma é algo banal, para quem está mais embaixo na pirâmide significa um sinal claro de ascensão social. Moradora do Jardim São Luís, região carente da zona sul de São Paulo, a cabeleireira Altina Cristina dos Santos, de 35 anos, viu seu padrão de vida subir na medida em que crescia a renda média e a vaidade da vizinhança. Depois de ter largado o emprego de auxiliar de escritório para cuidar dos filhos - são quatro com idade entre 7 e 19 anos - ela fez um curso de cabeleireira e montou um pequeno salão em um dos cômodos da casa. É com o rendimento médio mensal de R$ 600 que ela banca os sonhos da família. O dinheiro do marido, José Salvador, é reservado para as contas do mês e a alimentação. A lista de desejos atendidos inclui uma tevê de plasma de 52 polegadas e um computador, recém-adquirido para a filha Jenifer, de 14 anos. Para fazer render o orçamento, Altina exerce um controle espartano sobre os gastos. Não empresta nenhum de seus três cartões de crédito, um deles com limite de R$ 12 mil, contrariando uma prática comum entre as pessoas de baixa renda. Altina dá preferência às lojas que cobram o mesmo valor à vista e a prazo. "A taxa de juros é muito elevada e a gente acaba pagando duas mercadorias para levar uma", justifica. Mais que o preço, o que determina a escolha da marca é a qualidade, aferida por meio da indicação de vizinhos ou pelo porte do fabricante. Isso lhe dá a sensação de que, em caso de problemas, não haverá dificuldade para achar uma assistência técn ica ou trocar o produto.
Os dados confirmam a força consumidora da Classe D e seu desejo de comprar todo tipo de produto, desde itens frugais como sucos prontos, detergentes líquidos, cremes para cabelo e amaciantes de roupas, até artigos sofisticados, como telefone celular, computador e automóvel. Os números impressionam. A classe D vai responder por 33% de todos os computadores que serão vendidos no Brasil em 2010. Há uma lógica na busca obsessiva por esse artigo. Segundo o estudo, os integrantes da classe D fazem planos de longo prazo e valorizam enormemente a educação.. "A maioria dessas famílias é chefiada por mulheres e elas entendem que mandar o filho para a faculdade funciona como um atalho para ampliar a renda", diz Meirelles, da Data Popular. Daí o grande interesse pelo computador. O equipamento é visto como um instrumento capaz de manter as crianças em casa, além de ajudar nas tarefas estudantis.
Disposta a surfar neste fenômeno, a Positivo Informática lançou uma linha de computadores populares, hoje vendidos por R$ 799, incluindo o monitor. Só que as vendas decepcionaram. "Pensávamos que este seria o carro-chefe da marca, mas não foi isso que aconteceu", conta Hélio Rotenberg, presidente do Grupo Positivo. O executivo encomendou uma série de pesquisas para entender o fenômeno. "Esse consumidor busca o equipamento mais sofisticado que a sua renda pode comprar. Ele não quer ser identificado como alguém que compra coisa de pobre." O raciocínio também explica, entre outras coisas, por que a cabeleireira Altina comprou uma tevê de 52 polegadas e não uma de 42 polegadas, o modelo mais vendido do mercado. Para ampliar a participação na faixa baixa da pirâmide social, o Positivo reformulou sua estratégia com duas novas linhas de produtos: o PC Família e o PC TV. Máquinas cheias de recursos e design bonito, mas com tutoriais que ensinam o passo-a-passo do mundo da informática (como abrir uma conta de email, por exemplo). O PC TV tem inclusive placa de captura de vídeo. "Ele funciona como a segunda tevê da família", destaca Rotenberg. Lançar um computador mais sofisticado destinado à baixa renda foi uma decisão acertada.
Essas linhas, cujo preço gira em torno de R$ 1,2 mil, já responde por metade das vendas de PCs da marca.
A emergente classe D tem alterado a estratégia das empresas. Após a privatização, em meados da década de 1990, todas as operadoras de telefonia focaram as atenções nos clientes abonados. Saciado o apetite desse pelotão, que deixou de crescer no ritmo desejado, o jeito foi buscar as outras faixas da pirâmide. A direção da TIM diz que acertou em cheio com a venda de um chip pré-pago que garante ligações para outros clientes da empresa por R$ 0,25, sem limite de tempo. Cada recarga custa a partir de R$ 1. "Esse público tem fome de usar o celular e gosta de falar por tempo ilimitado, mas detesta ter surpresas na hora de pagar a conta", afirma Roger Solé, diretor de marketing de consumidores da TIM. O produto já se tornou um caso de sucesso dentro da companhia. Em seis meses foram comercializados 21 milhões de chips com esse perfil de tarifa, sendo 11 milhões pré-pagos. Essa iniciativa revela que para ser competitivo nessa camada de renda é preciso ter preço e escala de produção.< br />
Segundo Fábio Bruggioni, diretor-executivo da Telefônica, a empresa fez uma ampla pesquisa sobre os hábitos de consumo dos integrantes da classe D que culminou na criação de pacotes que oferecem algum tipo de controle ao consumidor: preço fixo ou senha para ligações de longa distância e para celular. Hoje, cerca de 30% dos 11,2 milhões de clientes da operadora dispõe de serviços com algum tipo de controle "Com isso, os clientes podem se planejar melhor", afirma Bruggioni. O mesmo erá feito na Internet. Até o final deste mês começa a funcionar a Banda Larga Popular. A assinatura mensal custará R$ 29,80, quase metade do menor valor cobrado pelo serviço convencional do Speedy.
Na escalada social dos emergentes, nada é tão importante quanto a educação. Segundo a pesquisa, os integrantes da classe D já têm mais representantes nas escolas privadas de ensino fundamental que os do topo da pirâmide. Por isso mesmo, essa área tende a ser rentável para empresas que apostarem nesse filão, como fez a paulistana Eurodata. A escola, que mantém cursos de inglês e de informática, nasceu em 1995, mas descobriu uma forma de ganhar dinheiro de forma mais veloz a partir de 2005, quando direcionou o foco aos emergentes. Seu segredo: preço competitivo e localização estratégica das filiais, em áreas centrais das capitais e bairros periféricos de grande densidade populacional. O alvo são os jovens de baixa renda que esperam dar um salto na vida profissional mesmo sem cursar uma universidade. Atualmente, a rede possui 250 mil alunos - o dobro em relação a 2005. Na Eurodata, a mensalidade custa a partir de R$ 110, incluindo o material didático.
No curso superior também existem opções acessíveis. Na Universidade Nove de Julho (Uninove), de São Paulo, é possível graduar-se como tecnólogo pagando R$ 149 por mês. Nunca foi tão barato ter diploma universitário.
Colaborou Nicolas Vidal
Publicitário com MBA em estratégia de negociação, Renato Meirelles se tornou um especialista em consumidores emergentes. À frente da Data Popular ele faz estudos e pesquisas sobre os hábitos dessa parcela da população
"Quem gosta de minimalismo é rico"
Que conselho o sr. daria para as empresas que desejam conquistar o consumidor da classe D?
O grande desafio é traduzir de forma clara e objetiva as virtudes de cada produto e serviço. Levará vantagem as empresas que souberem criar um canal de comunicação com viés educativo, ajudando esses consumidores a se inserir neste novo universo de produtos e serviços que até então ele não tinha acesso.
Tem algum segredo para tornar a comunicação mais eficiente?
Sem dúvida. Além da clareza, é preciso destacar que esse consumidor gosta de cores fortes e valoriza os símbolos da cultura popular. Quem gosta de minimalismo é rico.
O que motiva esse consumidor a optar por determinado produto ou serviço?
Eles são fiéis às marcas que conseguem se mostrar competitivas em termos de custo e que têm uma boa qualidade. Afinal, seu rendimento médio ainda é baixo e não deixa margem para erros.
Quais setores deverão ser beneficiados neste ano pelo crescimento do consumo da classe D?
Eu aposto naqueles que abrem as portas à ascensão social: informática, educação e produtos de beleza.
No estudo elaborado pela Data Popular para a DINHEIRO, o que mais chamou a atenção?
Foi o fato de a classe D ser a que mais se apropria dos ganhos gerados pelo crescimento do PI B e do aumento do salário mínimo. E isso explica por que esse contingente é mais otimista em relação ao futuro que os demais integrantes da pirâmide social. 
Fonte: Revista Isto é Dinheiro - ed. 647 

Expansão de universidades federais tem disparidades
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:20 hs. 
27/02/2010 - Regiões veem queda de vagas para medicina e engenharia
ANGELA PINHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
RICARDO GALLO
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo Lula aumentou as vagas em universidades federais, mas não conseguiu reduzir as disparidades regionais em duas áreas estratégicas: medicina e engenharia. Isso é o que revela uma pesquisa feita pela Andifes (associação que reúne os reitores das federais).
O documento traz dados de 53 universidades que aderiram ao plano de expansão do Ministério da Educação, chamado Reuni. Eles mostram que o número de vagas oferecidas passou de 122 mil em 2006 para 199 mil em 2010 - alta de 63%.
No entanto, esse crescimento foi desigual. A proporção de vagas de medicina no Norte e Nordeste, duas regiões que enfrentam carência de médicos, caiu de 43% para 40% das vagas oferecidas em todo o país. Na engenharia, a queda foi de 40% para 33% nessas duas regiões.
Para Gustavo Balduíno, secretário-executivo da Andifes, a situação reflete a prioridade das universidades à expansão dos cursos noturnos e de licenciatura, que tem demanda social - o aumento de vagas nessas áreas foi de 101% e 54%.
Olinda Batista Asmar, reitora da Ufac (federal do Acre), concorda. "Aqui tínhamos um nível de analfabetos muito grande e nossos cursos, durante 30 anos, foram mais voltados à formação de professores."
Já o curso de engenharia esbarra no grande número de desistentes. "Quando os alunos arrumam emprego, deixam de estudar pois o curso é integral."
O MEC disse que o Reuni ainda está em execução e é um programa de sucesso por aumentar as vagas, levar universidades ao interior e trazer inovações curriculares às federais. 
Fonte: Folha de São Paulo 

Dados mostram queda na contratação de deficientes
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 10:10 hs. 
27/02/2010 - Preconceito e supostas falhas na fiscalização seriam causa da baixa
Por Luciano Testa e Roberto Machado
Próxima de completar 19 anos, a chamada Lei de Cotas (8.213/91), que em seu artigo 93 estabelece obrigatoriedade de contratação de deficientes pelas empresas de acordo com o número de funcionários, ainda é sistematicamente descumprida por algumas companhias. O reflexo disso se dá por meio de números. Segundo dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), entre 2007 e 2008, houve queda de 7% na contratação de deficientes no mercado formal de trabalho. Em dezembro de 2007, eram 348.818 deficientes em postos de trabalho com carteira assinada no País. No mesmo mês de 2008, o número caiu para 323.210.
A queda não tem relação com uma possível diminuição global da quantidade de vagas formais de trabalho, já que no mesmo período, o número de trabalhadores formais cresceu de 37,6 milhões para 39,4 milhões, em todo o Brasil. Segundo Carlos Clementes, vice-presidente do Sindicato de Metalúrgicos de São Paulo e Coordenador da ONG Espaço da Cidadania, que tem como objetivo estimular o debate sobre políticas públicas voltadas para igualdade de oportunidades, o problema, além do descumprimento da lei, está no preconceito cultural do brasileiro. "As pessoas ainda relacionam deficiência com ineficiência e nossa maior arma para combater esse preconceito é a informação", resume ele.
De acordo com o sindicalista, no final de 2009, o setor metalúrgico brasileiro preencheu 92% das vagas para deficientes e 30% das empresas do setor já contratam acima da média legal. "Esses números mostram como essas pessoas são capazes de fazer um bom trabalho dentro de qualquer área, diferente do que algumas empresas acham", acrescenta Clementes.
Os dados do RAIS mostram ainda que São Paulo é o estado que possui o maior número de contratação formal de deficientes, com 112.186 contratados no período. Contudo, esse resultado positivo é visto apenas em São Paulo, já que foram registradas baixas em estados como Goiás (-76,9%), Bahia (-50,3%) e Mato Grosso do Sul (-26,8%). Clemente critica a atuação do Ministério do Trabalho e culpa o governo pelo não cumprimento da lei. "Esses números existem porque o Ministério do Trabalho não fiscaliza corretamente as empresas para que a lei seja cumprida", dispara ele.
Mesmo as empresas que se comprometem com a lei e contratam essas funcionários com algum tipo de deficiência devem ter alguns cuidados na hora de receber esse profissional. Flávio Gonzáles, coordenador de reabilitação profissional e capacitação da Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência), acredita que políticas sociais e estruturais se fazem necessárias para que essas pessoas consigam crescer e se desenvolver junto com a sua profissão. "Contratar não significa incluir, a pessoa pode estar contratada, mas não incluída. É preciso apostar na potencial do funcionário para combater séculos de exclusão", afirma González.
Gonzáles acrescenta que além do âmbito social, o estrutural também é muito importante. Segundo ele, o empregador deve estar ciente de que o funcionário possui algumas limitações físicas que podem, facilmente, serem vencidas com investimentos em ferramentas de adaptação tais como rampas, apoiadores, telefones e computadores, detalhes que o coordenador diz serem capazes de otimizar o trabalho desses profissionais. "Essas ações ajudam o trabalhador a se sentir como um membro importante da equipe, ao invés de apenas uma obrigação legal", declara Gonzáles.
Além da suposta falha na fiscalização do governo, Vilma Leite Machado Amorin, procuradora do trabalho do Ministério Público Federal de Sergipe e coordenadora do Coordigualdade (Programa Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades para Todos), diz que existem alguns fatores que podem contribuir para a queda nas contratações. "As empresas infelizmente ainda têm uma cultura preconceituosa que discrimina pessoas com deficiência. Além disso, existe uma falta dessas pessoas capacitadas profissionalmente para atuar em algumas áreas", analisa ele.
"Outro fator importante, é que muitos deficientes deixam de procurar um emprego nessas empresas para não correr o risco de perder seus benefícios", diz ela em referência ao benefício pago pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) para deficientes que provem não conseguir trabalhar em função de sua necessidade especial (esse benefício está previsto na lei 8742/93)."Se um deficiente é contratado, para de receber o benefício. No caso de demissão, por algum motivo, ele tem de provar sua necessidade para voltar a recebê-lo", explica Vilma. Embora cite outros aspectos, Vilma também critica a fiscalização do Ministério do Trabalho.
Números positivos
José Carlos do Carmo, auditor fiscal do trabalho do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), contesta a análise feita por Clemente sobre o assunto e afirma que, de acordo com o número de contratações registradas pelo MTE até 1º de fevereiro desse ano, os resultados são favoráveis. "Temos registros de contratação de 101.410 mil pessoas, isso só no estado de São Paulo". Carmo diz também que os números divulgados pela RAIS, que apontam queda na contratação de deficientes, não se dá pela falta de contratações. "Pode ter havido um grande número de contratações num determinado período e sem a demissão dessas pessoas, o número de contratados se torna menor", defende ele.
Carmo explica que as fiscalizações são feitas a cada três meses com cada empresa, em que cada uma comparece ao MTE para comprovar que cumprem a lei e contratam deficientes de acordo com o número de funcionários já contratados. "Caso a empresa não tenha o número mínimo de deficientes no quadro de funcionários, não abrimos mão do cumprimento da lei e em multá-la, mas negociamos prazos com a empresa para a realização do acordo", declara o representante do ministério.
Ao ser questionado sobre o processo de fiscalização, com relação ao tempo em que as empresas levam para comprovar as contratações no MTE, Carmo disse que do ponto de vista quantitativo, os números têm sido positivos. "Se notamos que a empresa não contrata, com certeza ela será multada, mas se existe isso, é exceção. A empresa não é chamada apenas a cada três meses, se identificamos algum problema antes, ela é novamente chamada pelo TEM", acrescente Carmo.
O auditor do TEM admite, entretanto, que o sistema de fiscalização pode ser aperfeiçoado. "A quantidade de auditores que fiscalizam as empresas ainda é muito pequena, inferior à nossa necessidade. Reconhecemos que pode melhorar e estamos sempre a pensar em novas formas de aprimorar esse processo, mas de um modo geral o programa tem sido eficiente", garante ele.
De acordo com os dados do MTE acumulados até o inicio deste mês, o maior índice de contratação ainda está com aqueles descritos como deficientes físicos (pessoas portadoras de tetraplégica, paraplegia ou hemiplegia permanente), com 47,5% dos contratados. Os deficientes auditivos vêm em seguida, com 32,5% dos contratos e os reabilitados 8,4%. Os deficientes mentais e visuais estão aparecem com 5,8 % e 4,7% dos contratos respectivamente. Aqueles com deficiência múltipla são 0,7% dos registrados.
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Fonte: Portal Universia 

Exame avaliará em 2010 cinco cursos superiores de tecnologia
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:12 hs. 
24/02/2010 - Cinco cursos superiores de tecnologia serão avaliados em 2010 pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), conforme portaria publicada nesta terça-feira, 23, no Diário Oficial da União. Os estudantes ingressantes e concluintes de agroindústria, agronegócios, gestão hospitalar, gestão ambiental e radiologia farão o Enade no dia 7 de novembro deste ano às 13h, horário de Brasília.
O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgará as instruções para a realização do exame até o dia 20 de maio. A inscrição dos estudantes é de responsabilidade das instituições de ensino e deve ser feita no período entre 2 e 31 de agosto.
A Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica tem obtido bons resultados no Enade. Em 2009, foi divulgado o desempenho dos estudantes de cursos superiores de tecnologia que fizeram a prova em 2008. Ao todo, 18 cursos da rede federal obtiveram conceito máximo, nota cinco numa escala que vai de zero a cinco. Outros 28 cursos ficaram com conceito 4, nota também considerada como muito boa.
A expectativa é repetir o bom desempenho da rede também em 2010. “Estamos investindo pesadamente em educação profissional em todo o país. Certamente, isso terá reflexo no exame”, afirmou Eliezer Pacheco, secretário de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação. Em 2009, o Enade foi aplicado a 1,1 milhão de estudantes em 997 cidades brasileiras.
Assessoria de imprensa da Setec 
Fonte: MEC 

Enade vai avaliar cerca de 450 mil estudantes em 2010
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24/02/2010 - Prova será aplicada em 7 de novembro.
Alunos de 19 cursos farão o exame.
Do G1, em São Paulo
O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) deverá avaliar cerca de 450 mil estudantes em 2010, de acordo com nota do Ministério da Educação (MEC).
Farão o exame os alunos de bacharelado em agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, terapia ocupacional, zootecnia, tecnologia em agroindústria, agronegócios, gestão hospitalar, gestão ambiental e radiologia. A portaria que estabelece a regulamentação foi publicada nesta terça (23) pelo Diário Oficial da União.
Estão dispensados do Enade 2010 os estudantes que colarem grau até o dia 31 de agosto e, também, aqueles que estiverem oficialmente matriculados e cursando atividades curriculares fora do Brasil na data de realização da prova. Entre os alunos habilitados a fazer o exame estão os estudantes que tiverem concluído entre 7% e 22% da carga horária mínima do currículo. Saiba mais no endereço eletrônico do ministério: www.mec.gov.br.
O exame será aplicado no dia 7 de novembro, com início às 13h (horário de Brasília). 
Fonte: G1 - Portal Globo 

Pensando criticamente as novas abordagens de ensino
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24/02/2010 - Ao pensar na atividade de ensinar e aprender, é difícil escapar da imagem tradicional: um professor que transmite o conhecimento a um aluno pronto para absorver ao máximo os ensinamentos do mestre; e o desempenho do pupilo dependente deste professor que guia, inspira e indica outras fontes seguras de conhecimento. Com o desgaste desse modelo tradicional, durante o século XX, foram surgindo, como reação, uma série de tentativas de atribuir ao aluno um papel mais ativo, mais independente e responsável por seu aprendizado.
Nascido nos anos 1960, o PBL (Problem-based Learning, ou Aprendizado Baseado em Problemas) é uma das alternativas bem sucedidas nessa área. Embora tenha como berço e principal campo a medicina, alastrou-se nas últimas décadas para diversas áreas, das engenharias às ciências sociais. No Brasil, tem crescido o interesse por esse novo método, com a adesão de importantes centros de formação acadêmica. Essa crescente relevância é mais do que suficiente para que sejam levantadas questões sobre os interesses sociais e econômicos envolvidos nessa nova maneira de aprender e ensinar, bem como sobre suas raízes históricas e filosóficas.
A quem interessa?
Para Moacir Ponti Junior, professor da área de ciência da computação na Universidade Federal de Viçosa, o PBL atende principalmente “aos interesses do aluno, que tendem a apresentar grau de satisfação maior para com a disciplina quando esta é oferecida com abordagem PBL”. Ponti, cujas experiências positivas com o PBL deram origem a um artigo em que relata uma maior satisfação e motivação dos alunos com essa metodologia, afirma também que “uma disciplina oferecida com essa metodologia não limita o aluno, tornando-o responsável por alcançar, conforme seu esforço, a profundidade teórica necessária, relacioná-la com conhecimentos obtidos em outras disciplinas e aplicar os conhecimentos na prática”. Porém, a quem mais, além dos alunos, isso se torna interessante? “Acredito que o PBL está formando alunos mais capacitados tanto para o meio científico quanto empresarial”, conclui o professor.
De forma pouco surpreendente, Ponti conheceu o PBL por meio de um projeto pedagógico desenvolvido justamente para o curso de medicina da Universidade Federal de São Carlos. Se na medicina os benefícios desse novo modelo – entre eles a capacitação de indivíduos que cheguem melhor preparados para lidar com os problemas apresentados durante a prática profissional cotidiana – se refletem na melhora dos tratamentos de enfermidades, quando o PBL é aplicado em outras áreas, como as engenharias, entram em jogo interesses de outra ordem.
É interessante, para as empresas privadas e, de modo geral, para todo o setor industrial, que recém-graduados cheguem aos seus quadros de funcionários com o máximo possível de contato com as práticas exigidas no mercado de trabalho. Isso encurta o período de adaptação do indivíduo na transição entre a universidade e a vida profissional e facilita o papel desempenhado nesse caminho pelas empresas (leia-se: pode reduzir os custos com a adaptação dos novatos). Maria Tereza Dejuste, pesquisadora da área de educação da Universidade do Vale do Paraíba, ilustra essa situação com uma interessante metáfora: “durante o pouso, um avião que toque o solo com as rodas já em movimento teria um pouso mais suave do que na forma brusca com que as rodas tocam o solo e imediatamente passam a girar: hoje as empresas querem indivíduos que cheguem à atividade profissional já com a roda girando”.
Segundo Dejuste, as indústrias estão procurando levar problemas concretos para os grupos de alunos sendo formados de acordo com o PBL, que tem entre seus objetivos “a familiarização do aluno com relação ao que ele vai encontrar no mercado de trabalho”, diz. Essa simbiose entre universidade e setor produtivo, pesquisa científica e indústria, é uma tendência já concretizada nos países desenvolvidos, mas longe de se refletir em economias como a brasileira. Enquanto a maior parte das pesquisas vinculadas à inovação tecnológica em países como os Estados Unidos fica a cargo das empresas, no Brasil ainda é tímida até mesmo a própria colaboração entre a produção de conhecimento tecnocientífico e o setor privado. Isso talvez ajude a explicar porque há, junto com o entusiasmo, também ceticismo com relação ao PBL no Brasil.
De qualquer forma, a tendência cada vez maior de procura por metodologias ativas como a PBL pode ser um reflexo desse estreito relacionamento entre pesquisa científica e empresas privadas. Como a busca pelo desenvolvimento econômico brasileiro aponta nesse sentido, é natural que aumente a adesão de instituições de ensino ao PBL. Segundo Ponti, a ideia de que o PBL forma profissionais mais afeitos aos moldes exigidos pelo mercado “se observa provavelmente porque o mercado visa características que o PBL tem por objetivo desenvolver no aluno, como a integração do conhecimento com diferentes áreas, a autonomia em aprender a trabalhar e o trabalho em grupo, em que é o aluno quem corre atrás do conhecimento que resolverá o problema”.
Para Newton Duarte, professor e pesquisador do Departamento de Psicologia da Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o PBL tende a valorar de forma negativa justamente aquilo que seria fundamental à educação: “o papel do professor como aquele que domina um conhecimento teórico que dará bases mínimas para que o aluno identifique o que é essencial nos problemas com que se depara; isso fica profundamente descaracterizado na PBL”. Para Duarte, no PBL “perde-se a referência naquilo que deveria fazer parte do conteúdo básico que o profissional deveria possuir. Assim, o aluno assimila o conhecimento de maneira mais ou menos casual, quase acidentalmente”. A ênfase na prática em detrimento de uma formação teórica mais sólida atenderia, na visão de Duarte, a determinados interesses econômicos: “pensando na área da saúde, o "aprender a aprender" pode contribuir a curto prazo para que sejam formados profissionais que, centrados na aplicação prática, tornariam-se menos inclina dos a questionar criticamente o conhecimento produzido pelos grandes laboratórios da indústria farmacêutica”.
Raízes
O PBL pode ser encarado como uma dentre várias vertentes daquilo que se costuma chamar de aprendizagem ativa. Um modelo de aprendizagem ativa pressupõe que o aluno se torne responsável por seu aprendizado, que faça algo além de assistir à exposição do professor e estudar o conteúdo indicado. No PBL, os alunos se deparam com problemas abertos (ou seja, que permite várias vias de acesso à solução, que também tende a não ser única) e são instados a procurar por si mesmos os meios e os referenciais teóricos necessários para a resolução dos problemas. Como afirma Dejuste, “o professor nem sempre é especialista nos conteúdos abordados pelo problema, mas ele intervém com o método científico, agindo como facilitador”. Ponti defende que o aluno torna-se “responsável por alcançar conforme seu esforço a profundidade teórica necessária, relacioná-la com conhecimentos obtidos em outras disciplinas e aplicar os conhecimentos na prática”.
Esta ênfase em tornar o conhecimento relevante para o aluno, incentivando-o a tomar papel ativo no aprendizado, bem como o rearranjo do papel do professor como aquele que facilita o processo de aprendizado (ao contrário do tradicional professor que disponibiliza o conhecimento para ser consumido passivamente pelos alunos) são característicos do construtivismo, que, à época do surgimento da PBL no Canadá, já tinha uma certa proeminência no meio acadêmico voltado para a compreensão do processo educacional. O construtivismo constitui há muito uma oposição à estrutura de poder, hierárquica, que o modelo tradicional carrega.
O filósofo estadunidense John Dewey foi um dos pioneiros na crítica sistemática ao sistema tradicional de ensino. No final do século XIX, Dewey já combinava uma visão pragmática da educação com um ideário liberal e progressista. Dessa junção, em que entram a defesa da democracia e o comprometimento com a formação de livre pensadores, surgiram as bases teóricas para o movimento conhecido como Escola Nova, que busca superar a ideia da educação como mera transmissão do conhecimento previamente estabelecido entre mestres e alunos.
A pedagogia e a psicologia construtivista tiveram como principal referencial teórico o pensamento de Lev Vigotski. Este teórico marxista erigiu seu construtivismo social no clima revolucionário da Rússia soviética do início do século XX. Mais recentemente, conceitos caros à teoria vigotskiana foram incorporados às mais recentes tendências construtivistas, como o PBL – principalmente a noção de que o aprendizado individual se dá por meio das interações sociais, que o sujeito internaliza até o ponto em que torna-se capaz de trabalhar de maneira autônoma. Na visão de Duarte, Vigotski está sendo apropriado de maneira distorcida: “a ideia de que o aprendizado se deve às interações sociais não implica que o indivíduo necessariamente aprenderá quando se relaciona com outros tão despreparados num determinado tema quanto ele. Uma interação social fundamental para o aprendizado do indivíduo se dá quando ele toma contato com alguém que domina os aspectos fundamentais do conteúdo que dev erá aprender. O ensino deveria trabalhar com o conceito de que, para aprender, o sujeito depende da ação educativa”.
Essa fundamental interação social entre experientes conhecedores e aprendizes perde-se com o PBL – dada a ênfase no trabalho coletivo e no aprendizado do indivíduo com seus pares. Embora os tutores ainda desempenhem um papel de orientadores do aprendizado, Dejuste lembra que “é exigida dos tutores uma intensa preparação sobre o método do PBL, mas não necessariamente um profundo conhecimento e domínio sobre determinada área do conhecimento solicitada para a resolução dos problemas propostos”. Uma outra faceta desse mesmo problema foi levantada por H. Coenraad Hemker, professor e pesquisador da holandesa Universidade de Maastricht (um dos berços do PBL), num artigo de 2001 publicado na revista : “o PBL torna a identificação com um professor por parte dos alunos quase impossível”. Hemker, cuja experiência como docente inclui o PBL, afirma que a identificação com a figura de um professor é essencial para o aprendizado, inclusive na idade adulta. Se, na adolescência, a identificaç ão com uma figura de destaque leva à idealização (e à idolatria), na maturidade ela pode ocorrer sem prejuízo para o capacidade crítica do indivíduo, ao mesmo tempo em que motiva seu aprendizado.
Em maior ou menor grau, o construtivismo prevê que a maneira de aprender variará de acordo com o indivíduo. Por isso, a prescrição de regras e métodos de forma padronizada estaria fadada ao insucesso. O PBL, neste sentido, tem suas raízes fincadas no construtivismo, pois procura tornar relevante e significativo o aprendizado de acordo com os referenciais que o aluno já tem ou que terá de encontrar independentemente de uma figura que – na visão dos críticos do modelo tradicional – lhe imponha qual seria o melhor caminho a ser tomado. Chama os alunos, em certa medida, para a construção do próprio conhecimento que adquirem. Assim, desse ponto de vista, o aprendizado poderia ser entendido já como uma extensão da produção de conhecimento.
Uma sala de aula que funcionasse como um laboratório e, ao mesmo tempo, como um lugar de livre pensamento, de busca por conhecimento e soluções, sem receitas ou cânones a serem seguidos: estes objetivos parecem ser inquestionáveis. Menos clara, no entanto, é qual exatamente seria a contribuição do PBL para alcançar esses objetivos. Talvez só o tempo poderá dizer se uma novidade como o PBL será uma força libertadora e encorajadora da reflexão e do pensamento crítico ou os afogará num oceano de estreiteza teórica e conhecimento prático interessante para um mercado de trabalho que exige formação técnica em vez de pensadores críticos. Ainda não é possível encontrar uma resposta para esta pergunta – mas, como ocorre com o que o PBL tem de melhor, a solução parece estar em aberto para ser construída.
A revista ComCiência é uma publicação eletrônica mensal que trata de assuntos ligados a todas as áreas das ciências e é produzida pelo Laboratório de Estudos avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp. A revista aborda todo mês um tema específico, com reportagens e artigos relacionados ao assunto. O tema deste mês é a Aprendizagem Baseada em Problemas: http://www.comciencia.br/comciencia/.
Por Danilo Albergaria, da Com Ciência.
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Fonte: Secretaria de Ensino Superior - SP 

A moda dos "sem grife"
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:47 hs. 
24/02/2010 - Mudanças no mercado: empresas começam a contratar mais pelas habilidades pessoais dos candidatos do que pela origem de seus diplomas
Gabriel Jareta
Se há algum tempo ostentar o nome de uma instituição tradicional no diploma era garantia de começar a carreira profissional em um bom emprego, atualmente a experiência dos gestores da área de recursos humanos mostra que, apesar de ainda ser levado em consideração, o local da graduação não tem mais tanto peso na hora de decidir por um candidato. Essa tendência é confirmada por uma pesquisa que mostra que, apesar da preferência declarada dos empregadores por funcionários oriundos de instituições de ensino superior tradicionais, não é isso o que acontece na prática.
De acordo com a pesquisa realizada pela Franceschini Análise de Mercado com 259 executivos de recursos humanos, 71% dos contratantes declaram preferência por alunos de escolas tradicionais. Apesar disso, apenas 15% dos jovens profissionais entrevistados se formaram em instituições consideradas de "primeira linha". Em que pese a questão numérica, afinal os egressos das instituições "de grife" são em menor quantidade, o mercado de trabalho aponta que, apesar da preferência por "nome" num primeiro momento, está prestando mais atenção a características pessoais, como o empenho em desempanhar tarefas e a aceitação por cargos menores num primeiro momento, características nem sempre comuns entre os alunos de escolas de "grife" .
"De nada adianta a formação se não houver competência. Cada vez mais se busca o talento, esteja onde estiver", afirma a consultora Bruna Tokunaga Dias, da DMRH, consultoria em serviços de recursos humanos.
Aquestão é que a maioria das empresas agora percebe que as competências desejadas por elas não estão necessariamente atreladas ao nome da instituição onde o aluno se formou, como se acreditava no passado. "Essa é uma ideia que foi cristalizada e acabou formando um preconceito", diz a socióloga Adélia Franceschini, diretora da empresa responsável pela realização da pesquisa. "Muitos outros fatores se sobrepõem, como características pessoais e boa comunicação. O mercado espera pessoas que sejam assertivas, que saibam liderar", completa.
A consultora Bruna Tokunaga também aponta que a preferência declarada das empresas por candidatos formados em instituições tradicionais dificilmente se deve a questões técnicas, mas à repetição de um padrão anterior.
"Os gestores das empresas querem mais [esses candidatos] por "superstição" ou algum estigma, do que de fato por resultados apresentados", afirma. Segundo ela, os processos de seleção acabam por demonstrar ao contratante que o "filtro", hoje em dia, não pode mais ser o nome da instituição.
Para Mariá Giulese, diretora-executiva da Lens & Minarelli, empresa especializada em consultoria de RH, preferir o candidato formado em uma instituição tradicional é um critério de seleção que pode indicar "afinidade" por parte do requisitante da vaga, mas ela não enxerga preconceito nessa prática. "A preferência é de quem define os pré-requisitos e pode, inclusive, constar a tendência por determinada universidade. É uma expectativa que se tem [por parte do contratante], mas depois, no decorrer do processo de seleção, isso passa a não importar mais", ressalta.
De acordo com o diretor de RH da Basf para América do Sul, Wagner Brunini, as vagas sempre serão preenchidas levando em consideração critérios de competência, deixando em segundo plano a origem acadêmica dos candidatos. Por outro lado, afirma Brunini, o bom desempenho acadêmico é valorizado nos processos de seleção da empresa: boas notas e atividades como monitoria e iniciação científica contam pontos. Apesar disso, ele avalia que a formação universitária geralmente não contempla alguns requisitos desejáveis, como a capacidade de solucionar problemas e uma formação com visão de mercado.
Para Adélia Franceschini, com a ampliação dos métodos de avaliação dos cursos superiores, os conceitos de "tradição e qualidade" começam a mudar de mãos. Em muitos casos, instituições criadas mais recentemente ou outras menos badaladas começam a apresentar melhores resultados nas avaliações do que as consideradas tradicionais, o que provoca mudanças "interessantes", segundo a socióloga.
Wagner, diretor de RH da Basf: ainda há deficiência na formação voltada para o mercado
"Mais recentemente, os gestores de recursos humanos começaram a se pautar por exames de avaliação. Nesse aspecto, muitas instituições menos famosas têm se sobressaído em suas áreas", diz. Por outro lado, a falta de reconhecimento de um curso ou uma série de baixo desempenho podem ser fatores contrários ao recém-formado. "O candidato de um curso que está para fechar, por exemplo, tende a ser preterido", afirma.
Brunini, da Basf, reconhece que os processos de avaliação podem ajudar a decidir. "As instituições que, de alguma forma, gozam de alguma preferência não são as tradicionais, e sim as que conseguem estar dentre as melhores segundo os rankings reconhecidos pelo mercado e pelo governo", afirma ele, que reconhece o uso do "filtro eletrônico" por instituições de ensino em algumas empresas.
Além das mudanças em relação à valorização do nome da instituição no diploma, outras questões começam a ganhar importância para os gestores de recursos humanos que se veem diante dos jovens graduados. A primeira delas é que o curso superior em si já não é uma vantagem competitiva. "O que mais se leva em consideração são outras questões, como especialização e domínio de idiomas", afirma Mariá Giulese. Ela também enxerga nos recém-formados em instituições menos tradicionais um fator de motivação maior. "Como o candidato sabe que não veio de uma escola de primeira linha, precisa mostrar mais habilidades que os concorrentes", ressalta.
Segundo Mariá, durante os processos de seleção e dinâmicas de grupo não é possível ver diferença entre os candidatos - se o nome da universidade é um filtro, isso só ocorre em etapas iniciais ou em áreas muito específicas. "Quem fez uma universidade de primeira linha deve ter até mais atenção, porque isso não é mais um diferencial", diz.
Algumas vezes, inclusive, ostentar o nome de uma instituição tradicional ou considerada "de grife" pode até atrapalhar os candidatos: consultores de recursos humanos apontam que muitos se posicionam de maneira arrogante ou menos interessada que seus concorrentes vindos de outras instituições menos badaladas.
Para evitar essa imagem, já há casos de instituições que procuram alertar seus alunos que só o nome no diploma não é garantia de emprego. É o caso da Fundação Getulio Vargas (FGV), que promove o "Baixa-Bola FGV", um evento realizado no início de cada semestre com o objetivo de "acalmar os ânimos" dos ingressantes e mostrar a eles que é preciso "realmente se esforçar" para conseguir êxito na vida profissional.
De acordo com dados colhidos pela pesquisa da Franceschini Análise de Mercado, de fato as habilidades pessoais são muito consideradas pelos empregadores: 78% declararam valorizar o domínio da língua inglesa e 89% afirmaram que dão preferência ao candidato com experiência anterior.
E parece que os alunos percebem essa demanda e investem na própria formação, já que, entre os jovens talentos, 83% disseram ter bom domínio do inglês e mais da metade afirmou dominar uma terceira língua.
Para a consultora Adélia Franceschini, essas indicações apontam brechas importantes, que as instituições de ensino poderiam preencher adicionando às grades curriculares itens valorizados pelo mercado, percebidos pelos alunos e procurados fora das instituições de ensino superior.
"Se para uma profissão é fundamental o inglês ou o domínio de algum software, isso poderia ser integrado ao curso sem custo. Existe um grande campo para os cursos se aperfeiçoarem de acordo com o mercado de trabalho", aponta.
Prova disso é que, de acordo com ela, algumas instituições que já estão investindo em ações para preencher essas lacunas estão com "fila de contratantes" em busca dos graduados.
Na opinião da consultora Bruna Dias, a instituição também deve direcionar o aluno a entender o que o mercado de trabalho realmente deseja. Para ela, o recém-formado chega às organizações ainda com mentalidade de aluno, confundindo o papel do chefe com o do professor. "As instituições deveriam incentivar o aluno a vivenciar as oportunidades de trabalho, contemplar essa questão nos estágios. É preciso incentivar a responsabilidade no aluno", afirma.
Os consultores de recursos humanos também apontam o investimento em pós-graduação como uma das maneiras de "corrigir" o rumo da carreira. Se o candidato imagina que está sendo prejudicado ou se verifica alguma desvantagem, uma especialização pode igualar o currículo ao dos concorrentes.
No entanto, é recomendável que o curso de pós-graduação seja escolhido de acordo com as necessidades da carreira e não apenas para preencher o currículo. "É preciso ter clareza para o que a especialização será usada. A dica é primeiro começar a trabalhar e iniciar a carreira, antes de definir", recomenda Bruna.
O que as empresas procuram
(98%) Candidatos informados sobre outras áreas
(90%) Facilidade de comunicação
(89%) Experiência profissional
(78%) Domínio da língua inglesa
Fonte: Franceschini Análise de Mercado 
Fonte: Portal Revista Ensino Superior 

As inaugurações de projetos
Fonte: Clipping Educacional Consae Estado de São Paulo, 24/02/2010 - São Paulo SP
Editorial 
Ao discursar na cerimônia de sanção da lei que criou a Universidade Federal da Integração Latino-Americana, em janeiro, o ministro da Educação afirmou que o governo do presidente Lula está batendo o recorde no setor, tendo criado 13 instituições federais de ensino superior, em quase oito anos de gestão. O recorde anterior era do presidente Juscelino Kubitschek, que criou 10 universidades em um mandato de cinco anos. "O governo Lula é o que mais fez pela educação superior", disse o ministro Fernando Haddad, no evento convertido em mais um comício político em favor da candidatura da ministra Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. De lá para cá, o noticiário da imprensa sobre duas universidades federais mostra que tipo de instituições de ensino superior estão sendo erguidas pelo presidente "recordista".
A primeira é a Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha (UFVJ), em Minas Gerais. Lançada há três anos, com pompa e circunstância, até agora ela só tem dois dos dez prédios previstos. Apesar de até hoje não ter água, refeitório, biblioteca e professores suficientes e precisar suspender as aulas quando chove, há duas semanas Lula fez mais uma "inauguração" na UFVJ ? lançando o campus avançado de Mucuri. Na ocasião, o único fato que fugiu do controle dos marqueteiros presidenciais foi o protesto dos estudantes, que acusaram Lula de inaugurar o que não existe. "Somos frutos de uma expansão sem qualidade e sem investimentos", disseram.  A segunda instituição com problemas semelhantes ao da UFVJ é a Universidade Federal do ABC (UFABC), criada em 2004 num dos principais redutos eleitorais do PT e que acabou sendo decisiva para que o partido reconquistasse a prefeitura do município de São Bernardo ? o berço político de Lula. A universidade foi criada porque, para o governo, a região necessitava de uma instituição de ensino superior de ponta. Ou seja, uma universidade com "pedagogia inovadora", capaz de alargar as fronteiras do conhecimento científico e tecnológico com base num projeto de caráter interdisciplinar, que foi apresentado como "pioneiro", por conciliar "formação integral com visão histórica da civilização e inserção social no sentido amplo".
Na sua retórica eleitoral, o governo não faz por menos! Porém, o que foi prometido no palanque ainda está longe de ser entregue aos moradores do ABC. Quase seis anos depois, as obras em Santo André estão atrasadas, tendo sido inaugurado, até agora, um único prédio ? como sempre, com discurso de Lula. Entre 2005 e 2009, o presidente já participou de cinco solenidades na instituição, sendo a última em agosto passado, quando lançou a "pedra fundamental" do campus de São Bernardo. Até hoje, a obra não passou disso. O calendário escolar da UFABC vem sofrendo adiamentos e alguns cursos têm sido dados com base na improvisação, pois não estão conectados com a internet. Desde  que começou a funcionar, há quatro anos, a instituição já teve quatro reitores ? o que mostra a sua desorganização. Os problemas de gestão e logística são tão grandes que enorme quantidade de estudantes está abandonando a UFABC. Dos 4,5 mil alunos selecionados entre 2006 e 2009, apenas 2.617 permanecem frequentando as aulas. Nas três primeiras turmas de história, a taxa média de evasão foi de 42% ? uma das mais altas do País.
O mais grave é que o maior número de desistentes é de estudantes "cotistas", para os quais é reservada metade das vagas nos vestibulares. Eles não tiveram o preparo suficiente para acompanhar os cursos. E, como a política de cotas é uma das bandeiras políticas mais vistosas do governo Lula, para tentar reter os cotistas a UFABC ampliou as bolsas de auxílio socioeconômico e para moradia. Cada uma garante R$ 300 ao aluno ? ao todo, são cerca de 700 bolsas distribuídas atualmente. Ao ser empossado há três semanas, o novo reitor, Helio Waldman, prometeu reduzir a taxa de evasão para 10%, até 2014, mas não explicou como atingirá essa meta. "Há uma certa lentidão crônica, cuja origem não saberia reconhecer", diz ele. A afirmação é exemplar, pois mostra o saldo das "inaugurações de projetos que continuam sendo projetos" ? ou seja, as pedras fundamentais e os esqueletos de obras que o presidente Lula inaugura com muito rojão e discurseira.