
01/03/2009 AMPESC CLIPPING
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educacional às instituições associadas.
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Hora da Disputa
Ciclo de audiências no Senado recebe Fernando Haddad
Projeto quer reduzir idade mínima para matrícula no ensino fundamental
Cinema nacional em cartaz nas escolas
Instituições podem oferecer pós-graduação sem chancela do MEC
Descubra a classe D a letra do dinheiro
Expansão de universidades federais tem disparidades
Dados mostram queda na contratação de deficientes
Exame avaliará em 2010 cinco cursos superiores de tecnologia
Enade vai avaliar cerca de 450 mil estudantes em 2010
Pensando criticamente as novas abordagens de ensino
A moda dos "sem grife"
As inaugurações de projetos
Hora da Disputa
Sai esta semana a portaria do MEC
com as entidades que poderão indicar nomes para o Conselho
Nacional de Educação. Embora a função
não seja remunerada – paga-se apenas jeton por
sessão -, as vagas são disputadas a tapa, pelo poder que
conferem. Onze mandatos vencem em maio. Na Câmara de
Educação Superior, Aldo Vanucchi, Helgio Trindade e Mario
Pederneiras podem ser reconduzidos. Por terem sido reeleitos,
sairão do CNE os professores Edson Nunes e Marília Lopez.
A temporada de lobby na educação vai recomeçar.
Fonte: Revista Isto É, 3 de março de 2010, ano 34, nº 2103, pg. 35
Ciclo de audiências no Senado recebe Fernando Haddad
Fonte: Jornal da Educação
Na próxima segunda-feira, dia
1 de março, a Comissão de Serviços de
Infraestrutura dá início ao no ciclo de audiências
públicas que tem como tema "Recursos Humanos para
Inovação e Competitividade" e terá a
realização de 14 audiências até o dia 17 de
junho deste ano.
Entre as temáticas abordadas
está "Formação e capacitação de
mão de obra necessária para enfrentar os desafios nos
setores ligados à infraestrutura do país", que
contará com a presença do ministro da
Educação, Fernando Haddad; do secretário de
Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, Joe Valle; o
reitor da Universidade Castello Branco do Rio de Janeiro, Paulo
Alcântara Gomes; e o engenheiro, diretor da Novacap e
ex-presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia (Confea), Wilson Lang.
O ciclo debaterá ainda
temáticas como Desafios, necessidades e perspectivas da
formação e capacitação de profissionais da
área de engenharia no Brasil, no dia 13 de março; Copa do
Mundo de 2014 e Olimpíadas em 2016. Demandas das cidades que
sediarão os dois eventos. Necessidade de infraestrutura e de
formação e capacitação da mão de
obra necessária, em 19 de abril; Desafios, necessidades e
perspectivas na formação e capacitação de
recursos humanos na área das telecomunicações, no
dia 10 de maio; entre outras.
Projeto quer reduzir idade mínima para matrícula no ensino fundamental
Fonte: Jornal da Educação
Tramita em caráter conclusivo
na Câmara dos Deputados Projeto de Lei que reduz de seis para
cinco anos a idade obrigatória para matrícula de
crianças no ensino fundamental. Além disso, a proposta
estabelece ainda a oferta da educação infantil até
os cinco anos.
O projeto, do senador Flávio
Arms, modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB), que atualmente prevê os seis anos como idade para a
matrícula e oferta do ensino infantil. De acordo com Arms, a
intenção é adaptar a LDB à
Constituição, que estabelece a matrícula na
educação infantil até os cinco anos de idade.
As comissões de Trabalho, de
Administração e Serviço Público; de
Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania ainda
analisam o projeto.
Cinema nacional em cartaz nas escolas
Fonte: Clipping Educacional Consae Gazeta do Povo, 23/02/2010 - Curitiba PR
Projeto de lei em
tramitação no Senado prevê a mostra de pelo menos
duas horas mensais de filmes nacionais em escolas públicas e
privadas
Tatiana Duarte
A exibição de filmes
nacionais em todas as escolas brasileiras, públicas e privadas,
que atendem crianças e jovens, com idades entre 4 e 18 anos,
pode se tornar obrigatória. O Projeto de Lei 185/2008, de
autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) em
tramitação no Senado Federal prevê a
exibição de no mínimo duas horas mensais de filmes
de produção nacional. A obrigatoriedade é
apresentada como componente curricular da educação
infantil, ensino fundamental e médio. A proposta segue em
caráter conclusivo na Comissão de Educação,
Esportes e Cultura do Senado e pode ser aprovada nas próximas
semanas, sem necessidade de passar por votação em
plenário. Depois segue para a aprovação na
Câmara dos Deputados. De acordo com Buarque, a ideia é que
crianças e adolescentes em idade escolar tenham acesso ao
cinema. Para o senador, o ideal seria que as escolas fossem palcos de
outras manifestações artísticas. “Se pudesse
ter uma orquestra sinfônica ou teatro em todas as escolas seria
ótimo. Mas é muito caro. O cinema é barato porque
pode ser passado até pelo DVD”, diz.
Com cuidado - A ideia de usar o
cinema nas escolas não é nova. O uso de filmes como
recurso pedagógico ocorreu desde a disseminação do
videocassete doméstico, no fim da década de 80. A
tecnologia desenvolveu, veio o DVD e projetores digitais, que hoje
são comuns em escolas particulares. Nas escolas da rede
pública o mais comum é a presença da
televisão em sala de aula. Mesmo assim, a proposta do senador
é analisada com cuidado pelos educadores. Há mais de 20
anos atuando como professora de Literatura, Rosa Loberto Costa diz que
sempre usou o recurso em sala de aula. “É muito bom fazer
o contraponto entre o filme e a obra literária”, afirma.
Atualmente Rosa ministra aulas no colégio Dom Bosco, em
Curitiba, e ressalta que a exigência de duas horas é um
certo exagero. “Não temos tanta produção
nacional assim, principalmente para o público infantil. Mesmo
com os adolescentes temos de trabalhar com recortes, devido ao excesso
de sensualidade”, afirma.
O doutor em
Comunicação e professor de História do Cinema da
Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Renato Luiz Pucci
Júnior questiona se todas as escolas brasileiras terão
condições técnicas de exibir filmes. “Passo
muito filme em sala de aula e é preciso ter uma estrutura
mínima. Em classes grandes não há como exibir o
filme numa tevê pequena. É necessário um
mínimo de qualidade técnica para exibição.
Talvez pudesse ser adotado como algo optativo, dependendo das
condições de cada escola”, opina. A diretora do
Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal da
Educação, Nara Luz Salamunes, ressalta que o filme
não deve ser usado pela escola sem ter um cunho
didático-pedagógico. “Não dá para ver
o filme em aula só por divertimento. A obrigatoriedade
não deveria tomar o horário da escola, que já
é muito curto. Poderia entrar como atividade complementar no
contraturno”, diz.
Mudança - Um dado curioso em
torno da matéria é que a relatora do projeto, senadora
Rosalba Ciarlini (DEM-RN) mudou de opinião com
relação à proposta justamente na época da
estreia do filme Lula, o Filho do Brasil, em novembro do ano passado.
Primeiro a relatora indicou a rejeição da proposta e
depois voltou atrás, sugerindo a aprovação. De
acordo com a assessoria de imprensa da senadora, a
alteração na relatoria do projeto foi feita em maio de
2008, mas só passou pela votação da
Comissão no fim do ano. A assessoria ainda esclarece que a
mudança ocorreu após convencimento da relatora por parte
do autor do projeto. Já o senador Buarque ressalta que
não há sentido em levantar tal polêmica. “A
relatora é do DEM, partido de oposição ao governo.
Pra que ela ia tentar passar uma lei que beneficia o Lula? Quando esta
lei passar pela Câmara e for para a sanção do
presidente, provavelmente já não seja mais o Lula”,
afirma.
Instituições podem oferecer pós-graduação sem chancela do MEC
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:56 hs.
27/02/2010 - Empresas, hospitais ou
grupos de negócios podem continuar com seus cursos como forma de
qualificação para o mercado
Formação de professor
melhora ensino em aldeiaO Ministério da Educação
deve manter a resolução do Conselho Nacional de
Educação (CNE) que termina com a chancela do governo
federal para instituições que não sejam de ensino
oferecerem pós-graduações lato sensu.
Na avaliação do
ministério, nada impedirá que empresas, hospitais ou
grupos de negócios continuem com seus cursos como forma de
qualificação para o mercado, mas sem a chancela do MEC
como certificado de qualidade. A exceção seria feita para
as escolas de governo, como a Escola Paulista de Magistratura, a
Superior do Ministério Público e a Escola Superior de
Administração Fazendária do governo federal, entre
outras.
"Tenho dúvidas se uma escola,
especialmente de negócios, precisa da chancela do MEC. Esse
é o pressuposto da decisão do conselho e eu acho que tem
fundamento. Qual a diferença para uma escola de negócios?
Muitas vezes, ela é certificada por uma
instituição fora do País", analisa a
secretária de ensino superior, Maria Paula Dallari.
A secretaria apenas pediu ao CNE uma
revisão da resolução para as escolas de governo
porque avalia que, nesses casos, é importante o acompanhamento
do ministério. "A minha postura - e a Sesu (Secretaria de Ensino
Superior) pediu o reexame da questão pelo CNE - é que se
preservasse as escolas de governo porque, para elas, é
importante ter essa atividade estruturada e acompanhada pelo MEC. Deve
vir um ajuste, mas ainda não recebemos a resolução
final", explicou.
Em setembro passado, o CNE aprovou a
resolução e, desde então, está com o
ministério para ser homologada. A proposta é que
entidades como hospitais, fundações e institutos sejam
proibidos de oferecer pós-graduação lato sensu com
a chancela do MEC. A prerrogativa passaria a ser de
instituições de ensino, como faculdades, centros
universitários e universidades. Hoje, 150 entidades seriam
atingidas. Entre elas, os hospitais Sírio-Libanês e Albert
Einstein, além de escolas de negócios como FIA, Fipe, BSP
e Dom Cabral. Os cursos poderiam continuar sendo oferecidos, mas
não teriam um diploma de pós-graduação. A
decisão final será do ministro Fernando Haddad.
Fonte: Portal Bem Paraná
Descubra a classe D a letra do dinheiro
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:02 hs.
27/02/2010 - Com R$ 381,2
bilhões para gastar em 2010, as famílias com renda mensal
de até R$ 1,5 mil se tornaram o objeto do desejo de empresas de
vários segmentos. saiba como conquistar esse novo consumidor
Rosenildo Gomes Ferreira
Repare na primeira foto que ilustra
esta reportagem. (ver site Isto é Dinheiro) O sujeito de
calça jeans que aparece ao lado de uma pichação
é Henrique Flory, presidente de um banco que nos próximos
meses abrirá suas portas no Brasil. O executivo está no
Itaim Paulista, bairro localizado no extremo leste de São Paulo
- é a periferia da cidade. Ele não foi ao Itaim por
acaso. Flory está atrás de negócios. Em vez de
percorrer as regiões nobres da capital paulista, ele prefere as
zonas afastadas. Sua empresa, o Grameen Bank, quer atrair a clientela
que não está acostumada a entrar numa agência
tradicional. Fundado pelo bengalês Muhammad Yunus, prêmio
Nobel da Paz por ter criado o chamado "banco dos pobres", o Grameen
está de olho na camada da população classificada
pelos especialistas como classe D. Um contingente formado por 64
milhões de brasileiros que têm renda mensal familiar entre
um e três salários mínimos. Até aí,
nenhuma novidade. O que surpreende - e que era desconheci do até
agora - é o volume de dinheiro que esse universo dispõe
para consumir bens e serviços. Segundo um estudo feito com
exclusividade para a DINHEIRO pela consultoria Data Popular,
especializada no mercado de baixa renda, em 2010 os integrantes da
classe D vão gastar R$ 381,2 bilhões. É dinheiro
grosso, que representa mais do que o valor disponível para o
consumo na classe A (R$ 216,1 bilhões) e na classe B (R$ 329,5
bilhões). A conta é simples. Como são em maior
número, os membros da classe D geram maior escala financeira.
Com o aumento da oferta de
crédito, essa turma, que até pouco tempo atrás
vivia à margem do sedutor mundo do consumo, finalmente foi
às compras. Muitas empresas ainda não colocaram esse
contingente em seu radar porque estavam focadas na classe C. Mas quem
quiser apostar no futuro tem de se apressar e seguir os passos daqueles
que já descobriram a classe D.
O fenômeno da classe D
é resultado de uma impressionante transformação
social do País. Nos últimos anos, mais de 19
milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza para
ingressar na nova classe emergente. "São pessoas ansiosas por
fazer parte do mercado de consumo", diz Renato Meirelles, que coordenou
o trabalho da Data Popular (leia entrevista à pág. 43).
Para comprar bens, elas precisam de crédito. É aí
que o Gremeen Bank entra. "Até 2010, esperamos ter oferecido
empréstimos a 80 mil famílias", diz Flory, o presidente
do banco.
Segundo ele, a
instituição, que começa a funcionar oficialmente
em junho, vai liberar valores que variam de R$ 300 a R$ 1,5 mil. Para
pegar o dinheiro, o interessado sequer precisa comprovar renda, um dos
entraves que impedem a bancarização da classe D. Segundo
o estudo da Data Popular, que fez também uma mapeamento completo
desse público (leia quadros disponíveis no site da
revista Isto é Dinheiro), 51% dos brasileiros da classe D
trabalham na informalidade.
Eles não têm holerite,
mas às vezes têm mais dinheiro do que os colegas com
carteira assinada. O primeiro banco privado a descobrir as classes
menos abastadas foi o Bradesco. Nos anos 50, Amador Aguiar, um de seus
fundadores, tomou uma decisão ousada. Naquela época,
apenas os "bacanas", como eram chamadas as pessoas com dinheiro, tinham
acesso aos gerentes de banco, que ficavam como que escondidos em salas
no fundo da agência. Em Marília, no interior de São
Paulo, Aguiar trouxe os funcionários para a frente do banco.
Sua ideia era fazer com que os
gerentes estivessem acessíveis. Uma medida simples assim foi o
estopim para transformar o Bradesco na instituição
financeira privada mais popular do Brasil. Meio século depois, a
instituição decidiu reforçar sua presença
junto a esse universo. Para atrair os integrantes da classe D, reduziu
a exigência cadastral. "Eliminamos a comprovação de
renda e o valor mínimo de depósito para os correntistas",
diz Odair Afonso Rebelato, diretor-executivo do Bradesco e
responsável pela área de contas populares da
instituição. Segundo o executivo, o banco também
lançou um pacote de tarifas mais em conta.
Afinal, esse cliente dá
lucro? Rebelato diz que sim. De um total de 21 milhões de
clientes do Bradesco, 37% são da classe D. É esse grupo
que alavanca alguns produtos como a carteira de empréstimo
pessoal, feito diretamente no caixa eletrônico.
Hoje existem 5,5 milhões de
correntistas com empréstimos de até R$ 500. "Os bancos
que não apostarem na classe D vão ficar de fora do
segmento que deve puxar o crescimento do País nos
próximos anos", aposta o executivo. O Bradesco está
disposto mesmo a não perder essa corrida. Em junho passado,
comprou, por R$ 1,4 bilhão, o banco Ibi, que opera a carteira de
produtos financeiros de 15 redes varejistas como a C&A e o Makro
Atacadista. A aquisição do Ibi permitiu ao Bradesco o
acesso a uma carteira composta de 22 milhões de clientes, dos
quais 70% têm renda de um salário-mínimo. Boa parte
deles jamais teve conta em banco ou uma poupança. Mas nem por
isso podem ser vistos como alijados do sistema financeiro. "Os
clientes, mesmo em comunidades periféricas como
Heliópolis, em São Paulo, e Rocinha, no Rio de Janeiro,
exigem serviços similares aos dos clientes abonados", diz.
Um dos dados mais interessantes
revelados pelo estudo da Data Popular diz respeito à
importância que a autoestima tem para as pessoas que fazem parte
da classe D. Ela quer receber no banco o mesmo tratamento que seu
colega mais rico recebe num bairro nobre. É por isso
também que ela gasta às vezes até mais do que pode
- e do que precisa - para adquirir produtos caros e exibi-los aos
familiares, aos vizinhos, aos colegas de trabalho. Se para a classe
média ter uma televisão de plasma é algo banal,
para quem está mais embaixo na pirâmide significa um sinal
claro de ascensão social. Moradora do Jardim São
Luís, região carente da zona sul de São Paulo, a
cabeleireira Altina Cristina dos Santos, de 35 anos, viu seu
padrão de vida subir na medida em que crescia a renda
média e a vaidade da vizinhança. Depois de ter largado o
emprego de auxiliar de escritório para cuidar dos filhos -
são quatro com idade entre 7 e 19 anos - ela fez um curso de
cabeleireira e montou um pequeno salão em um dos cômodos
da casa. É com o rendimento médio mensal de R$ 600 que
ela banca os sonhos da família. O dinheiro do marido,
José Salvador, é reservado para as contas do mês e
a alimentação. A lista de desejos atendidos inclui uma
tevê de plasma de 52 polegadas e um computador,
recém-adquirido para a filha Jenifer, de 14 anos. Para fazer
render o orçamento, Altina exerce um controle espartano sobre os
gastos. Não empresta nenhum de seus três cartões de
crédito, um deles com limite de R$ 12 mil, contrariando uma
prática comum entre as pessoas de baixa renda. Altina dá
preferência às lojas que cobram o mesmo valor à
vista e a prazo. "A taxa de juros é muito elevada e a gente
acaba pagando duas mercadorias para levar uma", justifica. Mais que o
preço, o que determina a escolha da marca é a qualidade,
aferida por meio da indicação de vizinhos ou pelo porte
do fabricante. Isso lhe dá a sensação de que, em
caso de problemas, não haverá dificuldade para achar uma
assistência técn ica ou trocar o produto.
Os dados confirmam a força
consumidora da Classe D e seu desejo de comprar todo tipo de produto,
desde itens frugais como sucos prontos, detergentes líquidos,
cremes para cabelo e amaciantes de roupas, até artigos
sofisticados, como telefone celular, computador e automóvel. Os
números impressionam. A classe D vai responder por 33% de todos
os computadores que serão vendidos no Brasil em 2010. Há
uma lógica na busca obsessiva por esse artigo. Segundo o estudo,
os integrantes da classe D fazem planos de longo prazo e valorizam
enormemente a educação.. "A maioria dessas
famílias é chefiada por mulheres e elas entendem que
mandar o filho para a faculdade funciona como um atalho para ampliar a
renda", diz Meirelles, da Data Popular. Daí o grande interesse
pelo computador. O equipamento é visto como um instrumento capaz
de manter as crianças em casa, além de ajudar nas tarefas
estudantis.
Disposta a surfar neste
fenômeno, a Positivo Informática lançou uma linha
de computadores populares, hoje vendidos por R$ 799, incluindo o
monitor. Só que as vendas decepcionaram. "Pensávamos que
este seria o carro-chefe da marca, mas não foi isso que
aconteceu", conta Hélio Rotenberg, presidente do Grupo Positivo.
O executivo encomendou uma série de pesquisas para entender o
fenômeno. "Esse consumidor busca o equipamento mais sofisticado
que a sua renda pode comprar. Ele não quer ser identificado como
alguém que compra coisa de pobre." O raciocínio
também explica, entre outras coisas, por que a cabeleireira
Altina comprou uma tevê de 52 polegadas e não uma de 42
polegadas, o modelo mais vendido do mercado. Para ampliar a
participação na faixa baixa da pirâmide social, o
Positivo reformulou sua estratégia com duas novas linhas de
produtos: o PC Família e o PC TV. Máquinas cheias de
recursos e design bonito, mas com tutoriais que ensinam o passo-a-passo
do mundo da informática (como abrir uma conta de email, por
exemplo). O PC TV tem inclusive placa de captura de vídeo. "Ele
funciona como a segunda tevê da família", destaca
Rotenberg. Lançar um computador mais sofisticado destinado
à baixa renda foi uma decisão acertada.
Essas linhas, cujo preço gira em torno de R$ 1,2 mil, já responde por metade das vendas de PCs da marca.
A emergente classe D tem alterado a
estratégia das empresas. Após a
privatização, em meados da década de 1990, todas
as operadoras de telefonia focaram as atenções nos
clientes abonados. Saciado o apetite desse pelotão, que deixou
de crescer no ritmo desejado, o jeito foi buscar as outras faixas da
pirâmide. A direção da TIM diz que acertou em cheio
com a venda de um chip pré-pago que garante
ligações para outros clientes da empresa por R$ 0,25, sem
limite de tempo. Cada recarga custa a partir de R$ 1. "Esse
público tem fome de usar o celular e gosta de falar por tempo
ilimitado, mas detesta ter surpresas na hora de pagar a conta", afirma
Roger Solé, diretor de marketing de consumidores da TIM. O
produto já se tornou um caso de sucesso dentro da companhia. Em
seis meses foram comercializados 21 milhões de chips com esse
perfil de tarifa, sendo 11 milhões pré-pagos. Essa
iniciativa revela que para ser competitivo nessa camada de renda
é preciso ter preço e escala de
produção.< br />
Segundo Fábio Bruggioni,
diretor-executivo da Telefônica, a empresa fez uma ampla pesquisa
sobre os hábitos de consumo dos integrantes da classe D que
culminou na criação de pacotes que oferecem algum tipo de
controle ao consumidor: preço fixo ou senha para
ligações de longa distância e para celular. Hoje,
cerca de 30% dos 11,2 milhões de clientes da operadora
dispõe de serviços com algum tipo de controle "Com isso,
os clientes podem se planejar melhor", afirma Bruggioni. O mesmo
erá feito na Internet. Até o final deste mês
começa a funcionar a Banda Larga Popular. A assinatura mensal
custará R$ 29,80, quase metade do menor valor cobrado pelo
serviço convencional do Speedy.
Na escalada social dos emergentes,
nada é tão importante quanto a educação.
Segundo a pesquisa, os integrantes da classe D já têm mais
representantes nas escolas privadas de ensino fundamental que os do
topo da pirâmide. Por isso mesmo, essa área tende a ser
rentável para empresas que apostarem nesse filão, como
fez a paulistana Eurodata. A escola, que mantém cursos de
inglês e de informática, nasceu em 1995, mas descobriu uma
forma de ganhar dinheiro de forma mais veloz a partir de 2005, quando
direcionou o foco aos emergentes. Seu segredo: preço competitivo
e localização estratégica das filiais, em
áreas centrais das capitais e bairros periféricos de
grande densidade populacional. O alvo são os jovens de baixa
renda que esperam dar um salto na vida profissional mesmo sem cursar
uma universidade. Atualmente, a rede possui 250 mil alunos - o dobro em
relação a 2005. Na Eurodata, a mensalidade custa a partir
de R$ 110, incluindo o material didático.
No curso superior também
existem opções acessíveis. Na Universidade Nove de
Julho (Uninove), de São Paulo, é possível
graduar-se como tecnólogo pagando R$ 149 por mês. Nunca
foi tão barato ter diploma universitário.
Colaborou Nicolas Vidal
Publicitário com MBA em
estratégia de negociação, Renato Meirelles se
tornou um especialista em consumidores emergentes. À frente da
Data Popular ele faz estudos e pesquisas sobre os hábitos dessa
parcela da população
"Quem gosta de minimalismo é rico"
Que conselho o sr. daria para as empresas que desejam conquistar o consumidor da classe D?
O grande desafio é traduzir
de forma clara e objetiva as virtudes de cada produto e serviço.
Levará vantagem as empresas que souberem criar um canal de
comunicação com viés educativo, ajudando esses
consumidores a se inserir neste novo universo de produtos e
serviços que até então ele não tinha acesso.
Tem algum segredo para tornar a comunicação mais eficiente?
Sem dúvida. Além da
clareza, é preciso destacar que esse consumidor gosta de cores
fortes e valoriza os símbolos da cultura popular. Quem gosta de
minimalismo é rico.
O que motiva esse consumidor a optar por determinado produto ou serviço?
Eles são fiéis
às marcas que conseguem se mostrar competitivas em termos de
custo e que têm uma boa qualidade. Afinal, seu rendimento
médio ainda é baixo e não deixa margem para erros.
Quais setores deverão ser beneficiados neste ano pelo crescimento do consumo da classe D?
Eu aposto naqueles que abrem as
portas à ascensão social: informática,
educação e produtos de beleza.
No estudo elaborado pela Data Popular para a DINHEIRO, o que mais chamou a atenção?
Foi o fato de a classe D ser a que
mais se apropria dos ganhos gerados pelo crescimento do PI B e do
aumento do salário mínimo. E isso explica por que esse
contingente é mais otimista em relação ao futuro
que os demais integrantes da pirâmide social.
Fonte: Revista Isto é Dinheiro - ed. 647
Expansão de universidades federais tem disparidades
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:20 hs.
27/02/2010 - Regiões veem queda de vagas para medicina e engenharia
ANGELA PINHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
RICARDO GALLO
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo Lula aumentou as vagas em
universidades federais, mas não conseguiu reduzir as
disparidades regionais em duas áreas estratégicas:
medicina e engenharia. Isso é o que revela uma pesquisa feita
pela Andifes (associação que reúne os reitores das
federais).
O documento traz dados de 53
universidades que aderiram ao plano de expansão do
Ministério da Educação, chamado Reuni. Eles
mostram que o número de vagas oferecidas passou de 122 mil em
2006 para 199 mil em 2010 - alta de 63%.
No entanto, esse crescimento foi
desigual. A proporção de vagas de medicina no Norte e
Nordeste, duas regiões que enfrentam carência de
médicos, caiu de 43% para 40% das vagas oferecidas em todo o
país. Na engenharia, a queda foi de 40% para 33% nessas duas
regiões.
Para Gustavo Balduíno,
secretário-executivo da Andifes, a situação
reflete a prioridade das universidades à expansão dos
cursos noturnos e de licenciatura, que tem demanda social - o aumento
de vagas nessas áreas foi de 101% e 54%.
Olinda Batista Asmar, reitora da
Ufac (federal do Acre), concorda. "Aqui tínhamos um nível
de analfabetos muito grande e nossos cursos, durante 30 anos, foram
mais voltados à formação de professores."
Já o curso de engenharia
esbarra no grande número de desistentes. "Quando os alunos
arrumam emprego, deixam de estudar pois o curso é integral."
O MEC disse que o Reuni ainda
está em execução e é um programa de sucesso
por aumentar as vagas, levar universidades ao interior e trazer
inovações curriculares às federais.
Fonte: Folha de São Paulo
Dados mostram queda na contratação de deficientes
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 10:10 hs.
27/02/2010 - Preconceito e supostas falhas na fiscalização seriam causa da baixa
Por Luciano Testa e Roberto Machado
Próxima de completar 19 anos,
a chamada Lei de Cotas (8.213/91), que em seu artigo 93 estabelece
obrigatoriedade de contratação de deficientes pelas
empresas de acordo com o número de funcionários, ainda
é sistematicamente descumprida por algumas companhias. O reflexo
disso se dá por meio de números. Segundo dados da RAIS
(Relação Anual de Informações Sociais),
entre 2007 e 2008, houve queda de 7% na contratação de
deficientes no mercado formal de trabalho. Em dezembro de 2007, eram
348.818 deficientes em postos de trabalho com carteira assinada no
País. No mesmo mês de 2008, o número caiu para
323.210.
A queda não tem
relação com uma possível diminuição
global da quantidade de vagas formais de trabalho, já que no
mesmo período, o número de trabalhadores formais cresceu
de 37,6 milhões para 39,4 milhões, em todo o Brasil.
Segundo Carlos Clementes, vice-presidente do Sindicato de
Metalúrgicos de São Paulo e Coordenador da ONG
Espaço da Cidadania, que tem como objetivo estimular o debate
sobre políticas públicas voltadas para igualdade de
oportunidades, o problema, além do descumprimento da lei,
está no preconceito cultural do brasileiro. "As pessoas ainda
relacionam deficiência com ineficiência e nossa maior arma
para combater esse preconceito é a informação",
resume ele.
De acordo com o sindicalista, no
final de 2009, o setor metalúrgico brasileiro preencheu 92% das
vagas para deficientes e 30% das empresas do setor já contratam
acima da média legal. "Esses números mostram como essas
pessoas são capazes de fazer um bom trabalho dentro de qualquer
área, diferente do que algumas empresas acham", acrescenta
Clementes.
Os dados do RAIS mostram ainda que
São Paulo é o estado que possui o maior número de
contratação formal de deficientes, com 112.186
contratados no período. Contudo, esse resultado positivo
é visto apenas em São Paulo, já que foram
registradas baixas em estados como Goiás (-76,9%), Bahia
(-50,3%) e Mato Grosso do Sul (-26,8%). Clemente critica a
atuação do Ministério do Trabalho e culpa o
governo pelo não cumprimento da lei. "Esses números
existem porque o Ministério do Trabalho não fiscaliza
corretamente as empresas para que a lei seja cumprida", dispara ele.
Mesmo as empresas que se comprometem
com a lei e contratam essas funcionários com algum tipo de
deficiência devem ter alguns cuidados na hora de receber esse
profissional. Flávio Gonzáles, coordenador de
reabilitação profissional e capacitação da
Avape (Associação para Valorização de
Pessoas com Deficiência), acredita que políticas sociais e
estruturais se fazem necessárias para que essas pessoas consigam
crescer e se desenvolver junto com a sua profissão. "Contratar
não significa incluir, a pessoa pode estar contratada, mas
não incluída. É preciso apostar na potencial do
funcionário para combater séculos de exclusão",
afirma González.
Gonzáles acrescenta que
além do âmbito social, o estrutural também é
muito importante. Segundo ele, o empregador deve estar ciente de que o
funcionário possui algumas limitações
físicas que podem, facilmente, serem vencidas com investimentos
em ferramentas de adaptação tais como rampas, apoiadores,
telefones e computadores, detalhes que o coordenador diz serem capazes
de otimizar o trabalho desses profissionais. "Essas ações
ajudam o trabalhador a se sentir como um membro importante da equipe,
ao invés de apenas uma obrigação legal", declara
Gonzáles.
Além da suposta falha na
fiscalização do governo, Vilma Leite Machado Amorin,
procuradora do trabalho do Ministério Público Federal de
Sergipe e coordenadora do Coordigualdade (Programa Nacional de
Promoção da Igualdade de Oportunidades para Todos), diz
que existem alguns fatores que podem contribuir para a queda nas
contratações. "As empresas infelizmente ainda têm
uma cultura preconceituosa que discrimina pessoas com
deficiência. Além disso, existe uma falta dessas pessoas
capacitadas profissionalmente para atuar em algumas áreas",
analisa ele.
"Outro fator importante, é
que muitos deficientes deixam de procurar um emprego nessas empresas
para não correr o risco de perder seus benefícios", diz
ela em referência ao benefício pago pelo INSS (Instituto
Nacional de Seguridade Social) para deficientes que provem não
conseguir trabalhar em função de sua necessidade especial
(esse benefício está previsto na lei 8742/93)."Se um
deficiente é contratado, para de receber o benefício. No
caso de demissão, por algum motivo, ele tem de provar sua
necessidade para voltar a recebê-lo", explica Vilma. Embora cite
outros aspectos, Vilma também critica a
fiscalização do Ministério do Trabalho.
Números positivos
José Carlos do Carmo, auditor
fiscal do trabalho do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego),
contesta a análise feita por Clemente sobre o assunto e afirma
que, de acordo com o número de contratações
registradas pelo MTE até 1º de fevereiro desse ano, os
resultados são favoráveis. "Temos registros de
contratação de 101.410 mil pessoas, isso só no
estado de São Paulo". Carmo diz também que os
números divulgados pela RAIS, que apontam queda na
contratação de deficientes, não se dá pela
falta de contratações. "Pode ter havido um grande
número de contratações num determinado
período e sem a demissão dessas pessoas, o número
de contratados se torna menor", defende ele.
Carmo explica que as
fiscalizações são feitas a cada três meses
com cada empresa, em que cada uma comparece ao MTE para comprovar que
cumprem a lei e contratam deficientes de acordo com o número de
funcionários já contratados. "Caso a empresa não
tenha o número mínimo de deficientes no quadro de
funcionários, não abrimos mão do cumprimento da
lei e em multá-la, mas negociamos prazos com a empresa para a
realização do acordo", declara o representante do
ministério.
Ao ser questionado sobre o processo
de fiscalização, com relação ao tempo em
que as empresas levam para comprovar as contratações no
MTE, Carmo disse que do ponto de vista quantitativo, os números
têm sido positivos. "Se notamos que a empresa não
contrata, com certeza ela será multada, mas se existe isso,
é exceção. A empresa não é chamada
apenas a cada três meses, se identificamos algum problema antes,
ela é novamente chamada pelo TEM", acrescente Carmo.
O auditor do TEM admite, entretanto,
que o sistema de fiscalização pode ser
aperfeiçoado. "A quantidade de auditores que fiscalizam as
empresas ainda é muito pequena, inferior à nossa
necessidade. Reconhecemos que pode melhorar e estamos sempre a pensar
em novas formas de aprimorar esse processo, mas de um modo geral o
programa tem sido eficiente", garante ele.
De acordo com os dados do MTE
acumulados até o inicio deste mês, o maior índice
de contratação ainda está com aqueles descritos
como deficientes físicos (pessoas portadoras de
tetraplégica, paraplegia ou hemiplegia permanente), com 47,5%
dos contratados. Os deficientes auditivos vêm em seguida, com
32,5% dos contratos e os reabilitados 8,4%. Os deficientes mentais e
visuais estão aparecem com 5,8 % e 4,7% dos contratos
respectivamente. Aqueles com deficiência múltipla
são 0,7% dos registrados.
Veja mais no portal Universia
http://www.universia.com.br
Fonte: Portal Universia
Exame avaliará em 2010 cinco cursos superiores de tecnologia
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:12 hs.
24/02/2010 - Cinco cursos superiores
de tecnologia serão avaliados em 2010 pelo Exame Nacional de
Desempenho de Estudantes (Enade), conforme portaria publicada nesta
terça-feira, 23, no Diário Oficial da União. Os
estudantes ingressantes e concluintes de agroindústria,
agronegócios, gestão hospitalar, gestão ambiental
e radiologia farão o Enade no dia 7 de novembro deste ano
às 13h, horário de Brasília.
O Instituto Nacional de Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgará as
instruções para a realização do exame
até o dia 20 de maio. A inscrição dos estudantes
é de responsabilidade das instituições de ensino e
deve ser feita no período entre 2 e 31 de agosto.
A Rede Federal de
Educação Profissional e Tecnológica tem obtido
bons resultados no Enade. Em 2009, foi divulgado o desempenho dos
estudantes de cursos superiores de tecnologia que fizeram a prova em
2008. Ao todo, 18 cursos da rede federal obtiveram conceito
máximo, nota cinco numa escala que vai de zero a cinco. Outros
28 cursos ficaram com conceito 4, nota também considerada como
muito boa.
A expectativa é repetir o bom
desempenho da rede também em 2010. “Estamos investindo
pesadamente em educação profissional em todo o
país. Certamente, isso terá reflexo no exame”,
afirmou Eliezer Pacheco, secretário de educação
profissional e tecnológica do Ministério da
Educação. Em 2009, o Enade foi aplicado a 1,1
milhão de estudantes em 997 cidades brasileiras.
Assessoria de imprensa da Setec
Fonte: MEC
Enade vai avaliar cerca de 450 mil estudantes em 2010
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 08:33 hs.
24/02/2010 - Prova será aplicada em 7 de novembro.
Alunos de 19 cursos farão o exame.
Do G1, em São Paulo
O Exame Nacional de Desempenho de
Estudantes (Enade) deverá avaliar cerca de 450 mil estudantes em
2010, de acordo com nota do Ministério da Educação
(MEC).
Farão o exame os alunos de
bacharelado em agronomia, biomedicina, educação
física, enfermagem, farmácia, fisioterapia,
fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária,
nutrição, odontologia, serviço social, terapia
ocupacional, zootecnia, tecnologia em agroindústria,
agronegócios, gestão hospitalar, gestão ambiental
e radiologia. A portaria que estabelece a regulamentação
foi publicada nesta terça (23) pelo Diário Oficial da
União.
Estão dispensados do Enade
2010 os estudantes que colarem grau até o dia 31 de agosto e,
também, aqueles que estiverem oficialmente matriculados e
cursando atividades curriculares fora do Brasil na data de
realização da prova. Entre os alunos habilitados a fazer
o exame estão os estudantes que tiverem concluído entre
7% e 22% da carga horária mínima do currículo.
Saiba mais no endereço eletrônico do ministério:
www.mec.gov.br.
O exame será aplicado no dia 7 de novembro, com início às 13h (horário de Brasília).
Fonte: G1 - Portal Globo
Pensando criticamente as novas abordagens de ensino
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:00 hs.
24/02/2010 - Ao pensar na atividade
de ensinar e aprender, é difícil escapar da imagem
tradicional: um professor que transmite o conhecimento a um aluno
pronto para absorver ao máximo os ensinamentos do mestre; e o
desempenho do pupilo dependente deste professor que guia, inspira e
indica outras fontes seguras de conhecimento. Com o desgaste desse
modelo tradicional, durante o século XX, foram surgindo, como
reação, uma série de tentativas de atribuir ao
aluno um papel mais ativo, mais independente e responsável por
seu aprendizado.
Nascido nos anos 1960, o PBL
(Problem-based Learning, ou Aprendizado Baseado em Problemas) é
uma das alternativas bem sucedidas nessa área. Embora tenha como
berço e principal campo a medicina, alastrou-se nas
últimas décadas para diversas áreas, das
engenharias às ciências sociais. No Brasil, tem crescido o
interesse por esse novo método, com a adesão de
importantes centros de formação acadêmica. Essa
crescente relevância é mais do que suficiente para que
sejam levantadas questões sobre os interesses sociais e
econômicos envolvidos nessa nova maneira de aprender e ensinar,
bem como sobre suas raízes históricas e
filosóficas.
A quem interessa?
Para Moacir Ponti Junior, professor
da área de ciência da computação na
Universidade Federal de Viçosa, o PBL atende principalmente
“aos interesses do aluno, que tendem a apresentar grau de
satisfação maior para com a disciplina quando esta
é oferecida com abordagem PBL”. Ponti, cujas
experiências positivas com o PBL deram origem a um artigo em que
relata uma maior satisfação e motivação dos
alunos com essa metodologia, afirma também que “uma
disciplina oferecida com essa metodologia não limita o aluno,
tornando-o responsável por alcançar, conforme seu
esforço, a profundidade teórica necessária,
relacioná-la com conhecimentos obtidos em outras disciplinas e
aplicar os conhecimentos na prática”. Porém, a quem
mais, além dos alunos, isso se torna interessante?
“Acredito que o PBL está formando alunos mais capacitados
tanto para o meio científico quanto empresarial”, conclui
o professor.
De forma pouco surpreendente, Ponti
conheceu o PBL por meio de um projeto pedagógico desenvolvido
justamente para o curso de medicina da Universidade Federal de
São Carlos. Se na medicina os benefícios desse novo
modelo – entre eles a capacitação de
indivíduos que cheguem melhor preparados para lidar com os
problemas apresentados durante a prática profissional cotidiana
– se refletem na melhora dos tratamentos de enfermidades, quando
o PBL é aplicado em outras áreas, como as engenharias,
entram em jogo interesses de outra ordem.
É interessante, para as
empresas privadas e, de modo geral, para todo o setor industrial, que
recém-graduados cheguem aos seus quadros de funcionários
com o máximo possível de contato com as práticas
exigidas no mercado de trabalho. Isso encurta o período de
adaptação do indivíduo na transição
entre a universidade e a vida profissional e facilita o papel
desempenhado nesse caminho pelas empresas (leia-se: pode reduzir os
custos com a adaptação dos novatos). Maria Tereza
Dejuste, pesquisadora da área de educação da
Universidade do Vale do Paraíba, ilustra essa
situação com uma interessante metáfora:
“durante o pouso, um avião que toque o solo com as rodas
já em movimento teria um pouso mais suave do que na forma brusca
com que as rodas tocam o solo e imediatamente passam a girar: hoje as
empresas querem indivíduos que cheguem à atividade
profissional já com a roda girando”.
Segundo Dejuste, as
indústrias estão procurando levar problemas concretos
para os grupos de alunos sendo formados de acordo com o PBL, que tem
entre seus objetivos “a familiarização do aluno com
relação ao que ele vai encontrar no mercado de
trabalho”, diz. Essa simbiose entre universidade e setor
produtivo, pesquisa científica e indústria, é uma
tendência já concretizada nos países desenvolvidos,
mas longe de se refletir em economias como a brasileira. Enquanto a
maior parte das pesquisas vinculadas à inovação
tecnológica em países como os Estados Unidos fica a cargo
das empresas, no Brasil ainda é tímida até mesmo a
própria colaboração entre a produção
de conhecimento tecnocientífico e o setor privado. Isso talvez
ajude a explicar porque há, junto com o entusiasmo,
também ceticismo com relação ao PBL no Brasil.
De qualquer forma, a tendência
cada vez maior de procura por metodologias ativas como a PBL pode ser
um reflexo desse estreito relacionamento entre pesquisa
científica e empresas privadas. Como a busca pelo
desenvolvimento econômico brasileiro aponta nesse sentido,
é natural que aumente a adesão de
instituições de ensino ao PBL. Segundo Ponti, a ideia de
que o PBL forma profissionais mais afeitos aos moldes exigidos pelo
mercado “se observa provavelmente porque o mercado visa
características que o PBL tem por objetivo desenvolver no aluno,
como a integração do conhecimento com diferentes
áreas, a autonomia em aprender a trabalhar e o trabalho em
grupo, em que é o aluno quem corre atrás do conhecimento
que resolverá o problema”.
Para Newton Duarte, professor e
pesquisador do Departamento de Psicologia da Educação da
Universidade Estadual Paulista (Unesp), o PBL tende a valorar de forma
negativa justamente aquilo que seria fundamental à
educação: “o papel do professor como aquele que
domina um conhecimento teórico que dará bases
mínimas para que o aluno identifique o que é essencial
nos problemas com que se depara; isso fica profundamente
descaracterizado na PBL”. Para Duarte, no PBL “perde-se a
referência naquilo que deveria fazer parte do conteúdo
básico que o profissional deveria possuir. Assim, o aluno
assimila o conhecimento de maneira mais ou menos casual, quase
acidentalmente”. A ênfase na prática em detrimento
de uma formação teórica mais sólida
atenderia, na visão de Duarte, a determinados interesses
econômicos: “pensando na área da saúde, o
"aprender a aprender" pode contribuir a curto prazo para que sejam
formados profissionais que, centrados na aplicação
prática, tornariam-se menos inclina dos a questionar
criticamente o conhecimento produzido pelos grandes laboratórios
da indústria farmacêutica”.
Raízes
O PBL pode ser encarado como uma
dentre várias vertentes daquilo que se costuma chamar de
aprendizagem ativa. Um modelo de aprendizagem ativa pressupõe
que o aluno se torne responsável por seu aprendizado, que
faça algo além de assistir à
exposição do professor e estudar o conteúdo
indicado. No PBL, os alunos se deparam com problemas abertos (ou seja,
que permite várias vias de acesso à
solução, que também tende a não ser
única) e são instados a procurar por si mesmos os meios e
os referenciais teóricos necessários para a
resolução dos problemas. Como afirma Dejuste, “o
professor nem sempre é especialista nos conteúdos
abordados pelo problema, mas ele intervém com o método
científico, agindo como facilitador”. Ponti defende que o
aluno torna-se “responsável por alcançar conforme
seu esforço a profundidade teórica necessária,
relacioná-la com conhecimentos obtidos em outras disciplinas e
aplicar os conhecimentos na prática”.
Esta ênfase em tornar o
conhecimento relevante para o aluno, incentivando-o a tomar papel ativo
no aprendizado, bem como o rearranjo do papel do professor como aquele
que facilita o processo de aprendizado (ao contrário do
tradicional professor que disponibiliza o conhecimento para ser
consumido passivamente pelos alunos) são característicos
do construtivismo, que, à época do surgimento da PBL no
Canadá, já tinha uma certa proeminência no meio
acadêmico voltado para a compreensão do processo
educacional. O construtivismo constitui há muito uma
oposição à estrutura de poder, hierárquica,
que o modelo tradicional carrega.
O filósofo estadunidense John
Dewey foi um dos pioneiros na crítica sistemática ao
sistema tradicional de ensino. No final do século XIX, Dewey
já combinava uma visão pragmática da
educação com um ideário liberal e progressista.
Dessa junção, em que entram a defesa da democracia e o
comprometimento com a formação de livre pensadores,
surgiram as bases teóricas para o movimento conhecido como
Escola Nova, que busca superar a ideia da educação como
mera transmissão do conhecimento previamente estabelecido entre
mestres e alunos.
A pedagogia e a psicologia
construtivista tiveram como principal referencial teórico o
pensamento de Lev Vigotski. Este teórico marxista erigiu seu
construtivismo social no clima revolucionário da Rússia
soviética do início do século XX. Mais
recentemente, conceitos caros à teoria vigotskiana foram
incorporados às mais recentes tendências construtivistas,
como o PBL – principalmente a noção de que o
aprendizado individual se dá por meio das
interações sociais, que o sujeito internaliza até
o ponto em que torna-se capaz de trabalhar de maneira autônoma.
Na visão de Duarte, Vigotski está sendo apropriado de
maneira distorcida: “a ideia de que o aprendizado se deve
às interações sociais não implica que o
indivíduo necessariamente aprenderá quando se relaciona
com outros tão despreparados num determinado tema quanto ele.
Uma interação social fundamental para o aprendizado do
indivíduo se dá quando ele toma contato com alguém
que domina os aspectos fundamentais do conteúdo que dev
erá aprender. O ensino deveria trabalhar com o conceito de que,
para aprender, o sujeito depende da ação educativa”.
Essa fundamental
interação social entre experientes conhecedores e
aprendizes perde-se com o PBL – dada a ênfase no trabalho
coletivo e no aprendizado do indivíduo com seus pares. Embora os
tutores ainda desempenhem um papel de orientadores do aprendizado,
Dejuste lembra que “é exigida dos tutores uma intensa
preparação sobre o método do PBL, mas não
necessariamente um profundo conhecimento e domínio sobre
determinada área do conhecimento solicitada para a
resolução dos problemas propostos”. Uma outra
faceta desse mesmo problema foi levantada por H. Coenraad Hemker,
professor e pesquisador da holandesa Universidade de Maastricht (um dos
berços do PBL), num artigo de 2001 publicado na revista :
“o PBL torna a identificação com um professor por
parte dos alunos quase impossível”. Hemker, cuja
experiência como docente inclui o PBL, afirma que a
identificação com a figura de um professor é
essencial para o aprendizado, inclusive na idade adulta. Se, na
adolescência, a identificaç ão com uma figura de
destaque leva à idealização (e à
idolatria), na maturidade ela pode ocorrer sem prejuízo para o
capacidade crítica do indivíduo, ao mesmo tempo em que
motiva seu aprendizado.
Em maior ou menor grau, o
construtivismo prevê que a maneira de aprender variará de
acordo com o indivíduo. Por isso, a prescrição de
regras e métodos de forma padronizada estaria fadada ao
insucesso. O PBL, neste sentido, tem suas raízes fincadas no
construtivismo, pois procura tornar relevante e significativo o
aprendizado de acordo com os referenciais que o aluno já tem ou
que terá de encontrar independentemente de uma figura que
– na visão dos críticos do modelo tradicional
– lhe imponha qual seria o melhor caminho a ser tomado. Chama os
alunos, em certa medida, para a construção do
próprio conhecimento que adquirem. Assim, desse ponto de vista,
o aprendizado poderia ser entendido já como uma extensão
da produção de conhecimento.
Uma sala de aula que funcionasse
como um laboratório e, ao mesmo tempo, como um lugar de livre
pensamento, de busca por conhecimento e soluções, sem
receitas ou cânones a serem seguidos: estes objetivos parecem ser
inquestionáveis. Menos clara, no entanto, é qual
exatamente seria a contribuição do PBL para
alcançar esses objetivos. Talvez só o tempo poderá
dizer se uma novidade como o PBL será uma força
libertadora e encorajadora da reflexão e do pensamento
crítico ou os afogará num oceano de estreiteza
teórica e conhecimento prático interessante para um
mercado de trabalho que exige formação técnica em
vez de pensadores críticos. Ainda não é
possível encontrar uma resposta para esta pergunta – mas,
como ocorre com o que o PBL tem de melhor, a solução
parece estar em aberto para ser construída.
A revista ComCiência é
uma publicação eletrônica mensal que trata de
assuntos ligados a todas as áreas das ciências e é
produzida pelo Laboratório de Estudos avançados em
Jornalismo (Labjor) da Unicamp. A revista aborda todo mês um tema
específico, com reportagens e artigos relacionados ao assunto. O
tema deste mês é a Aprendizagem Baseada em Problemas:
http://www.comciencia.br/comciencia/.
Por Danilo Albergaria, da Com Ciência.
- O CM News é uma
publicação diária da CM Consultoria de
Administração Ltda. Artigos, notícias e
matérias sobre educação, com foco no ensino
superior são compiladas das mais diversas fontes em todo o
Brasil. A inserção dos referidos artigos, matérias
e notícias não refletem necessariamente a opinião
da CM Consultoria, pois os mesmos são recebidos e reproduzidos
na integra, não havendo alteração por parte da CM
Consultoria, a não ser por autorização do
veículo ou do autor.
Fonte: Secretaria de Ensino Superior - SP
A moda dos "sem grife"
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:47 hs.
24/02/2010 - Mudanças no
mercado: empresas começam a contratar mais pelas habilidades
pessoais dos candidatos do que pela origem de seus diplomas
Gabriel Jareta
Se há algum tempo ostentar o
nome de uma instituição tradicional no diploma era
garantia de começar a carreira profissional em um bom emprego,
atualmente a experiência dos gestores da área de recursos
humanos mostra que, apesar de ainda ser levado em
consideração, o local da graduação
não tem mais tanto peso na hora de decidir por um candidato.
Essa tendência é confirmada por uma pesquisa que mostra
que, apesar da preferência declarada dos empregadores por
funcionários oriundos de instituições de ensino
superior tradicionais, não é isso o que acontece na
prática.
De acordo com a pesquisa realizada
pela Franceschini Análise de Mercado com 259 executivos de
recursos humanos, 71% dos contratantes declaram preferência por
alunos de escolas tradicionais. Apesar disso, apenas 15% dos jovens
profissionais entrevistados se formaram em instituições
consideradas de "primeira linha". Em que pese a questão
numérica, afinal os egressos das instituições "de
grife" são em menor quantidade, o mercado de trabalho aponta
que, apesar da preferência por "nome" num primeiro momento,
está prestando mais atenção a
características pessoais, como o empenho em desempanhar tarefas
e a aceitação por cargos menores num primeiro momento,
características nem sempre comuns entre os alunos de escolas de
"grife" .
"De nada adianta a
formação se não houver competência. Cada vez
mais se busca o talento, esteja onde estiver", afirma a consultora
Bruna Tokunaga Dias, da DMRH, consultoria em serviços de
recursos humanos.
Aquestão é que a
maioria das empresas agora percebe que as competências desejadas
por elas não estão necessariamente atreladas ao nome da
instituição onde o aluno se formou, como se acreditava no
passado. "Essa é uma ideia que foi cristalizada e acabou
formando um preconceito", diz a socióloga Adélia
Franceschini, diretora da empresa responsável pela
realização da pesquisa. "Muitos outros fatores se
sobrepõem, como características pessoais e boa
comunicação. O mercado espera pessoas que sejam
assertivas, que saibam liderar", completa.
A consultora Bruna Tokunaga
também aponta que a preferência declarada das empresas por
candidatos formados em instituições tradicionais
dificilmente se deve a questões técnicas, mas à
repetição de um padrão anterior.
"Os gestores das empresas querem
mais [esses candidatos] por "superstição" ou algum
estigma, do que de fato por resultados apresentados", afirma. Segundo
ela, os processos de seleção acabam por demonstrar ao
contratante que o "filtro", hoje em dia, não pode mais ser o
nome da instituição.
Para Mariá Giulese,
diretora-executiva da Lens & Minarelli, empresa especializada em
consultoria de RH, preferir o candidato formado em uma
instituição tradicional é um critério de
seleção que pode indicar "afinidade" por parte do
requisitante da vaga, mas ela não enxerga preconceito nessa
prática. "A preferência é de quem define os
pré-requisitos e pode, inclusive, constar a tendência por
determinada universidade. É uma expectativa que se tem [por
parte do contratante], mas depois, no decorrer do processo de
seleção, isso passa a não importar mais", ressalta.
De acordo com o diretor de RH da
Basf para América do Sul, Wagner Brunini, as vagas sempre
serão preenchidas levando em consideração
critérios de competência, deixando em segundo plano a
origem acadêmica dos candidatos. Por outro lado, afirma Brunini,
o bom desempenho acadêmico é valorizado nos processos de
seleção da empresa: boas notas e atividades como
monitoria e iniciação científica contam pontos.
Apesar disso, ele avalia que a formação
universitária geralmente não contempla alguns requisitos
desejáveis, como a capacidade de solucionar problemas e uma
formação com visão de mercado.
Para Adélia Franceschini, com
a ampliação dos métodos de avaliação
dos cursos superiores, os conceitos de "tradição e
qualidade" começam a mudar de mãos. Em muitos casos,
instituições criadas mais recentemente ou outras menos
badaladas começam a apresentar melhores resultados nas
avaliações do que as consideradas tradicionais, o que
provoca mudanças "interessantes", segundo a socióloga.
Wagner, diretor de RH da Basf: ainda há deficiência na formação voltada para o mercado
"Mais recentemente, os gestores de
recursos humanos começaram a se pautar por exames de
avaliação. Nesse aspecto, muitas
instituições menos famosas têm se
sobressaído em suas áreas", diz. Por outro lado, a falta
de reconhecimento de um curso ou uma série de baixo desempenho
podem ser fatores contrários ao recém-formado. "O
candidato de um curso que está para fechar, por exemplo, tende a
ser preterido", afirma.
Brunini, da Basf, reconhece que os
processos de avaliação podem ajudar a decidir. "As
instituições que, de alguma forma, gozam de alguma
preferência não são as tradicionais, e sim as que
conseguem estar dentre as melhores segundo os rankings reconhecidos
pelo mercado e pelo governo", afirma ele, que reconhece o uso do
"filtro eletrônico" por instituições de ensino em
algumas empresas.
Além das mudanças em
relação à valorização do nome da
instituição no diploma, outras questões
começam a ganhar importância para os gestores de recursos
humanos que se veem diante dos jovens graduados. A primeira delas
é que o curso superior em si já não é uma
vantagem competitiva. "O que mais se leva em consideração
são outras questões, como especialização e
domínio de idiomas", afirma Mariá Giulese. Ela
também enxerga nos recém-formados em
instituições menos tradicionais um fator de
motivação maior. "Como o candidato sabe que não
veio de uma escola de primeira linha, precisa mostrar mais habilidades
que os concorrentes", ressalta.
Segundo Mariá, durante os
processos de seleção e dinâmicas de grupo
não é possível ver diferença entre os
candidatos - se o nome da universidade é um filtro, isso
só ocorre em etapas iniciais ou em áreas muito
específicas. "Quem fez uma universidade de primeira linha deve
ter até mais atenção, porque isso não
é mais um diferencial", diz.
Algumas vezes, inclusive, ostentar o
nome de uma instituição tradicional ou considerada "de
grife" pode até atrapalhar os candidatos: consultores de
recursos humanos apontam que muitos se posicionam de maneira arrogante
ou menos interessada que seus concorrentes vindos de outras
instituições menos badaladas.
Para evitar essa imagem, já
há casos de instituições que procuram alertar seus
alunos que só o nome no diploma não é garantia de
emprego. É o caso da Fundação Getulio Vargas
(FGV), que promove o "Baixa-Bola FGV", um evento realizado no
início de cada semestre com o objetivo de "acalmar os
ânimos" dos ingressantes e mostrar a eles que é preciso
"realmente se esforçar" para conseguir êxito na vida
profissional.
De acordo com dados colhidos pela
pesquisa da Franceschini Análise de Mercado, de fato as
habilidades pessoais são muito consideradas pelos empregadores:
78% declararam valorizar o domínio da língua inglesa e
89% afirmaram que dão preferência ao candidato com
experiência anterior.
E parece que os alunos percebem essa
demanda e investem na própria formação, já
que, entre os jovens talentos, 83% disseram ter bom domínio do
inglês e mais da metade afirmou dominar uma terceira
língua.
Para a consultora Adélia
Franceschini, essas indicações apontam brechas
importantes, que as instituições de ensino poderiam
preencher adicionando às grades curriculares itens valorizados
pelo mercado, percebidos pelos alunos e procurados fora das
instituições de ensino superior.
"Se para uma profissão
é fundamental o inglês ou o domínio de algum
software, isso poderia ser integrado ao curso sem custo. Existe um
grande campo para os cursos se aperfeiçoarem de acordo com o
mercado de trabalho", aponta.
Prova disso é que, de acordo
com ela, algumas instituições que já estão
investindo em ações para preencher essas lacunas
estão com "fila de contratantes" em busca dos graduados.
Na opinião da consultora
Bruna Dias, a instituição também deve direcionar o
aluno a entender o que o mercado de trabalho realmente deseja. Para
ela, o recém-formado chega às organizações
ainda com mentalidade de aluno, confundindo o papel do chefe com o do
professor. "As instituições deveriam incentivar o aluno a
vivenciar as oportunidades de trabalho, contemplar essa questão
nos estágios. É preciso incentivar a responsabilidade no
aluno", afirma.
Os consultores de recursos humanos
também apontam o investimento em
pós-graduação como uma das maneiras de "corrigir"
o rumo da carreira. Se o candidato imagina que está sendo
prejudicado ou se verifica alguma desvantagem, uma
especialização pode igualar o currículo ao dos
concorrentes.
No entanto, é
recomendável que o curso de pós-graduação
seja escolhido de acordo com as necessidades da carreira e não
apenas para preencher o currículo. "É preciso ter clareza
para o que a especialização será usada. A dica
é primeiro começar a trabalhar e iniciar a carreira,
antes de definir", recomenda Bruna.
O que as empresas procuram
(98%) Candidatos informados sobre outras áreas
(90%) Facilidade de comunicação
(89%) Experiência profissional
(78%) Domínio da língua inglesa
Fonte: Franceschini Análise de Mercado
Fonte: Portal Revista Ensino Superior
As inaugurações de projetos
Fonte: Clipping Educacional Consae Estado de São Paulo, 24/02/2010 - São Paulo SP
Editorial
Ao discursar na cerimônia de
sanção da lei que criou a Universidade Federal da
Integração Latino-Americana, em janeiro, o ministro da
Educação afirmou que o governo do presidente Lula
está batendo o recorde no setor, tendo criado 13
instituições federais de ensino superior, em quase oito
anos de gestão. O recorde anterior era do presidente Juscelino
Kubitschek, que criou 10 universidades em um mandato de cinco anos. "O
governo Lula é o que mais fez pela educação
superior", disse o ministro Fernando Haddad, no evento convertido em
mais um comício político em favor da candidatura da
ministra Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. De lá
para cá, o noticiário da imprensa sobre duas
universidades federais mostra que tipo de instituições de
ensino superior estão sendo erguidas pelo presidente
"recordista".
A primeira é a Universidade
Federal do Vale do Jequitinhonha (UFVJ), em Minas Gerais.
Lançada há três anos, com pompa e
circunstância, até agora ela só tem dois dos dez
prédios previstos. Apesar de até hoje não ter
água, refeitório, biblioteca e professores suficientes e
precisar suspender as aulas quando chove, há duas semanas Lula
fez mais uma "inauguração" na UFVJ ? lançando o
campus avançado de Mucuri. Na ocasião, o único
fato que fugiu do controle dos marqueteiros presidenciais foi o
protesto dos estudantes, que acusaram Lula de inaugurar o que
não existe. "Somos frutos de uma expansão sem qualidade e
sem investimentos", disseram. A segunda instituição
com problemas semelhantes ao da UFVJ é a Universidade Federal do
ABC (UFABC), criada em 2004 num dos principais redutos eleitorais do PT
e que acabou sendo decisiva para que o partido reconquistasse a
prefeitura do município de São Bernardo ? o berço
político de Lula. A universidade foi criada porque, para o
governo, a região necessitava de uma instituição
de ensino superior de ponta. Ou seja, uma universidade com "pedagogia
inovadora", capaz de alargar as fronteiras do conhecimento
científico e tecnológico com base num projeto de
caráter interdisciplinar, que foi apresentado como "pioneiro",
por conciliar "formação integral com visão
histórica da civilização e inserção
social no sentido amplo".
Na sua retórica eleitoral, o
governo não faz por menos! Porém, o que foi prometido no
palanque ainda está longe de ser entregue aos moradores do ABC.
Quase seis anos depois, as obras em Santo André estão
atrasadas, tendo sido inaugurado, até agora, um único
prédio ? como sempre, com discurso de Lula. Entre 2005 e 2009, o
presidente já participou de cinco solenidades na
instituição, sendo a última em agosto passado,
quando lançou a "pedra fundamental" do campus de São
Bernardo. Até hoje, a obra não passou disso. O
calendário escolar da UFABC vem sofrendo adiamentos e alguns
cursos têm sido dados com base na improvisação,
pois não estão conectados com a internet. Desde que
começou a funcionar, há quatro anos, a
instituição já teve quatro reitores ? o que mostra
a sua desorganização. Os problemas de gestão e
logística são tão grandes que enorme quantidade de
estudantes está abandonando a UFABC. Dos 4,5 mil alunos
selecionados entre 2006 e 2009, apenas 2.617 permanecem frequentando as
aulas. Nas três primeiras turmas de história, a taxa
média de evasão foi de 42% ? uma das mais altas do
País.
O mais grave é que o maior
número de desistentes é de estudantes "cotistas", para os
quais é reservada metade das vagas nos vestibulares. Eles
não tiveram o preparo suficiente para acompanhar os cursos. E,
como a política de cotas é uma das bandeiras
políticas mais vistosas do governo Lula, para tentar reter os
cotistas a UFABC ampliou as bolsas de auxílio
socioeconômico e para moradia. Cada uma garante R$ 300 ao aluno ?
ao todo, são cerca de 700 bolsas distribuídas atualmente.
Ao ser empossado há três semanas, o novo reitor, Helio
Waldman, prometeu reduzir a taxa de evasão para 10%, até
2014, mas não explicou como atingirá essa meta.
"Há uma certa lentidão crônica, cuja origem
não saberia reconhecer", diz ele. A afirmação
é exemplar, pois mostra o saldo das "inaugurações
de projetos que continuam sendo projetos" ? ou seja, as pedras
fundamentais e os esqueletos de obras que o presidente Lula inaugura
com muito rojão e discurseira.