
05/07/2010 AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por
meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor
educacional às instituições associadas.
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veiculadas não representam, necessariamente, a opinião da Associação.
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responda esta mensagem inserindo no campo "Assunto" a palavra:
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Em breve será implantado
diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade
na pesquisa
Prova da OAB: senadores propõem mudanças
Pauta do CNE - Julho de 2010
Contabilidade dá salto de profissionalização
Mercado carece de contadores
OAB nacional publica edital para preencher vaga de ministro no TST
MPF obriga faculdade de Ponta Porã a não cobrar por diploma
O exemplo que vem do oriente
Começa a ser formada a Comissão Catarinense para a
campanha da OAB Nacional contra a corrupção e a
impunidade
Citação em jornal, sem juízo de valor,não ofende moral de professora
Educação domiciliar e poder público
Cursos tecnológicos são atalho ao mercado
Formação contínua
Exigências do MEC travam educação a distância em áreas isoladas
Mais da metade das escolas públicas ficaram abaixo da média do Ideb
Desinteresse dos alunos do ensino médio é 2º principal motivo de faltas
SC cresce menos que os vizinhos no Ideb
Especialistas criticam resultados do Ideb 2009
Entre os piores de 2007, metade não atingiu meta apesar de ajuda do MEC
Haddad defende revisão das metas do Ideb para escolas
Educação melhora, mas não supera patamar de 95
Duplicata sem assinatura do devedor pode ser executada
Ensino off-line
Humanidades puxam expansão da pós-graduação no Brasil
Ensino médio fraco pode prejudicar economia
Governo retira projeto de lei do Legislativo
Prova da OAB: senadores propõem mudanças
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:50 hs.
02/07/2010 - Dois projetos de lei tramitam em conjunto: um quer extinguir, outro quer aprimorar as provas
O baixo índice de aprovações na primeira fase do
exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em todo país trouxe
à tona as discussões no Congresso Nacional sobre a
formulação das provas - e a obrigatoriedade do exame.
Em 2010, o exame da Ordem foi unificado, de acordo com a
resolução 11/2010 da diretoria do Conselho Federal da
OAB. A prova não é mais elaborada pela OAB, mas sim pela
Cespe/UnB (Centro de Seleção e de Promoção
de Eventos). Além disso, houve mudanças nos procedimentos
para a aplicação da prova. Entre as mudanças,
estão a inscrição exclusiva pela internet (sem
necessidade de apresentar documentação na OAB) e a
autorização dos acadêmicos do 9º e 10º
semestres dos cursos de Direito para realizar o exame antecipadamente.
No caso de aprovação destes alunos, o certificado
só será emitido após a conclusão da
graduação.
PROJETOS DE LEI
Tramitam em conjunto no Senado dois projetos que tratam do exame da
Ordem. Um deles é o projeto de lei 186/06, do senador Gilvam
Borges (PMDB-AP), que altera a lei 8.906/94 (a qual dispõe sobre
o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil). A proposta
retira da lei a expressão “seleção”
para extinguir o Exame da Ordem, além de revogar partes da
legislação que exigem a aprovação no exame
da OAB para a inscrição de advogados e demais itens
referentes à questão.
O outro é o projeto de lei 43/09, do senador Marcelo Crivella,
que estabelece novo critério de avaliação de
cursos e instituições de ensino superior.
Há também uma emenda feita ao PLS 186/06 e a PEC
(Proposta de Emenda Constitucional) 1/10, que propõem
aperfeiçoar o exame de seleção feito atualmente
pela OAB.
Com informações da Agência Senado
Laura Massunari
Fonte: Jornal Hoje - MS
Pauta do CNE - Julho de 2010
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:42 hs.
05/07/2010 - Divulgada a pauta do mês de Julho do Conselho Nacional de Educação.
http://www.cmconsultoria.com.br/calendariocns2010.php
Fonte: Conselho Nacional de Educação
Contabilidade dá salto de profissionalização
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:13 hs.
03/07/2010 - A recente aprovação de lei que estabelece
que os contabilistas somente poderão exercer a profissão
depois de concluir o curso de bacharelado em Ciências
Contábeis e de prestar exame de suficiência, é
oportuno em meio ao crescente avanço da área no Brasil no
âmbito legislativo e também da necessidade das empresas se
adequarem a um melhor controle contábil fruto da crise
financeira que se abateu no mundo em 2008 e 2009.
Tudo começou com a Lei 11.638, instituída no final de
2007 no Brasil. Ela alterou diversos padrões contábeis
brasileiros, exigindo novas oportunidades e responsabilidades ao
contador. Foi um marco. No entanto, criou uma teia de
ações e funções de complexidade grande,
exigindo dos profissionais muito treinamento e
capacitação.
Junto com esta Lei, uma série de normas e pronunciamentos
regulando a questão foi publicada, fazendo com que o
acompanhamento e atualização também fossem
constantes pelos profissionais envolvidos no novo cenário
contábil brasileiro – e esse acompanhamento diário
é até hoje necessário para se manter conhecedor
das alterações legislativas nesse campo.
No entanto, o Brasil não poderia ficar de fora de aplicar essas
novas práticas contábeis, pois elas possuem alinhamento
internacional. O País vive um grande momento de
inserção global, recebendo investimento de fora e, ao
mesmo tempo, expandindo seus negócios para outros países.
Sendo assim, tornou-se imprescindível às empresas a
adaptação das normas e regras contábeis ao
padrão IFRS (International Financial Reporting Standards).
Em uma outra vertente, os escândalos de fraudes contábeis
de empresas mundiais em seus balanços associados à crise
financeira, colocou na mão dos contabilistas parte da
responsabilidade de controlar e expor melhor o demonstrativo financeiro
das empresas.
Além disso, o País começou a exigir a
adoção nas empresas de sistemas digitais, o chamado SPED
(Sistema Público de Escrituração Digital), que
envolve Nota Fiscal Eletrônica, SPED Contábil e SPED
Fiscal. Trata-se de um sistema tecnológico de demorada
aplicação, mas necessário para o País no
âmbito do desenvolvimento tributário.
Tais acontecimentos – mudanças da legislação
contábil no Brasil, a crise de credibilidade contábil no
mundo e a tecnologia – estabeleceu a formação de um
profissional mais qualificado para a função. Com isso,
tornou-se fundamental que este profissional fosse capaz de conhecer o
novo modelo de se fazer contabilidade e, ainda, levar todas as
questões nele pertinentes para dentro das empresas.
Óbvio que isso tem exigido um esforço muito grande do
contabilista para se manter em atividade. Mas se as faculdades adotarem
a prática de ensinar todas essas interrogações de
forma estruturada, conseguiremos avançar mais rapidamente com a
atividade no Brasil. As escolas de ensino superior é o local
ideal para isso. Tratam-se de centros de debate e discussão
até de como adotar essa nova postura contábil
importantíssima para o País.
A nova lei para os contabilistas, como já dito, ainda
impõe obrigatoriedade do Exame de Suficiência – como
o realizado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) – para o
exercício da profissão. Com esta medida, também
poderemos ter um salto de qualidade dos serviços prestados por
estes profissionais.
O fato é que a contabilidade exige hoje expressivo conhecimento
na área. A nova lei que impõe regras educacionais mais
rígidas para exercer a atividade endossa isso. Devemos exaltar o
que esta lei deverá proporcionar de positivo no futuro à
contabilidade.
(Geuma Campos Nascimento e Vagner Jaime Rodrigues são
sócios da Trevisan Outsourcing e professores da Trevisan Escola
de Negócios)
Fonte: www.administradores.com.br
Mercado carece de contadores
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 04/07/2010 - São Paulo SP
64% das empresas têm dificuldade de preencher vagas, diz pesquisa
CAROLINE PELLEGRINO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Apesar de contar com 412 mil profissionais registrados no CFC (Conselho
Federal de Contabilidade), a área de ciências
contábeis vive hoje um desafio: a falta de mão de obra
qualificada no país. A quantidade de formados, justifica o
conselho, é insuficiente para atender à necessidade dos 5
milhões de empresas no Brasil. Segundo a vice-presidente do CFC,
Maria Clara Cavalcante Bugarim, a taxa de empregabilidade de contadores
é superior a 90%. "O campo de trabalho é bastante vasto,
e existe demanda em diversas áreas, como auditoria e
controladoria", sinaliza.
Um levantamento da consultoria Manpower com 850 recrutadores de grandes
empresas brasileiras dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro,
Minas Gerais e Paraná confirma a escassez. Pelo estudo,
elaborado no primeiro trimestre de 2010, 64% das companhias indicaram
dificuldade em preencher vagas. A carência
está ligada às peculiaridades das ciências
contábeis, avalia o coordenador de
pós-graduação em contabilidade da FEA-USP
(Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade),
Edgar Cornachione. "No país, há 50
atribuições que só podem ser exercidas por um
profissional registrado, tais como avaliação patrimonial
e implantação de plano de depreciação",
afirma. Segundo Cornachione, a demanda maior é por profissionais
com ensino superior. "Neste momento de sofisticação da
economia brasileira e de modernização da contabilidade,
são necessárias pessoas dinâmicas e altamente
qualificadas para acompanhar esse movimento", diz.
REQUISITOS - Exemplo disso, ressalta o chefe do departamento de
ciências contábeis da PUC-SP (Pontifícia
Universidade Católica), Gleubert Carlos Coliath, é a lei
nº 11.638. Em vigor desde dezembro de 2007, ela traz
práticas internacionais para o dia a dia das companhias
brasileiras. "O mercado precisa de pessoas que dominem idiomas,
principalmente inglês e espanhol, e que acompanhem normas
internacionais da contabilidade", pontua. Graduado em ciências
contábeis, Luiz Pegoraro, 25, acrescenta outra exigência
-além de idioma estrangeiro e atualização- para
que o profissional tenha sucesso: poder de convencimento. "Antes, o
profissional ficava fechado em uma sala contabilizando os
números; hoje, é preciso que ele tenha persuasão
para convencer os gestores", pondera Pegoraro, que atua no ramo de
auditoria contábil na consultoria PricewaterhouseCoopers. O
salário para quem preenche os requisitos pode variar de R$ 1.500
para trainee a R$ 20 mil para "controller", profissional que fornece
informações financeiras para gestores.
OAB nacional publica edital para preencher vaga de ministro no TST
Fonte: Conselho Federal da OAB
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) publicou hoje
(02), na página 14 do Diário de Justiça, edital
relacionado à formação da lista sêxtupla
constitucional para o preenchimento da vaga de ministro destinada a
advogado no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A vaga foi aberta em
decorrência da aposentadoria do ministro José Simpliciano
Fontes de Faria Fernandes. O edital publicado hoje traz a
relação dos pedidos de inscrição deferidos
e os indeferidos, para que terceiros possam apresentar
impugnação.
A seguir a íntegra do edital:
Formação da lista sêxtupla constitucional para o
preenchimento da vaga de ministro destinada a advogado no Tribunal
Superior do Trabalho, em decorrência da aposentadoria do Ministro
José Simpliciano Fontes de Faria Fernandes.
A Diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, nos
termos do art. 8º do Provimento n. 102/2004-CFOAB (com as
alterações de redação introduzidas pelo
Provimento n. 139/2010-CFOAB), tendo em vista o processo seletivo de
formação da lista sêxtupla constitucional para o
preenchimento da vaga de ministro destinada a advogado no Tribunal
Superior do Trabalho, em decorrência da aposentadoria do Ministro
José Simpliciano Fontes de Faria Fernandes, torna pública
a relação dos pedidos de inscrição
indeferidos, bem como dos demais inscritos, para que terceiros possam
apresentar impugnação, no prazo de 05 (cinco) dias,
contados a partir do dia seguinte ao da publicação do
presente edital na imprensa oficial. Pedidos de inscrição
indeferidos, quanto aos seguintes advogados: - Alexandre Herculano
Coelho de Souza Furlan (OAB/MT 3.494-B, OAB/RS 17.908 e OAB/SP
77.289-A); - Alfeu Ferraz Lobato (OAB/RJ 70.761); - José Milton
Soares Bittencourt (OAB/MG 21.148 e OAB/ES 12.308); - José
Monteiro Primo da Paz (OAB/CE 9.776). Pedidos de
inscrição deferidos, quanto aos seguintes advogados: -
Aderaldo de Morais Leite (OAB/DF 8.129); - Alexander Artur Ulbricht
(OAB/SC 12.265 e OAB/BA 27.403); - Adriano Costa Avelino (OAB/AL
4.415); - André de Carvalho Pagnoncelli (OAB/MS 7.587-B e OAB/SP
149.136); - Antonio Escosteguy Castro (OAB/RS 14.433); - Antonio
Martins dos Santos (OAB/RS 10.492); - Delaíde Alves Miranda
Arantes (OAB/GO 5.094); - Francisco de Assis Almeida e Silva (OAB/PB
9.276); - João Bráulio Faria de Vilhena (OAB/MG 55.446 e
OAB/DF 1.438-A); - José Leonardo Bopp Meister (OAB/RS 19.614); -
José Mário Porto Júnior (OAB/PB 3.045); -
Luís Carlos Moro (OAB/SP 109.315); - Luiz Gomes (OAB/RN 3.417);
- Marco Aurélio Aguiar Barreto (OAB/BA 8.755); - Maria Clara
Sampaio Leite (OAB/DF 4.019); - Mário Müller de Oliveira
(OAB/SC 4.663 e OAB/PR 52.844); - Marthius Sávio Cavalcante
Lobato (OAB/SP 122.733 e OAB/DF 1.681-A); - Othoniel Furtado Gueiros
Neto (OAB/PE 14.895-D e OAB/BA 1.207-A); - Sandro Pinheiro de Campos
(OAB/PR 26.295); - Sebastião Antunes Furtado (OAB/PR 20.369 e
OAB/SC 10.205-A). As impugnações deverão ser
protocolizadas no Setor de Protocolo do Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil, localizado no Setor de Autarquias Sul (SAUS),
Quadra 05, Lote 01, Bloco M - térreo, Brasília/DF,
70070-939. Decorrido o prazo para oferecimento de
impugnações, será publicado na imprensa oficial
edital de notificação para apresentação de
recurso ou defesa, nos termos do § 1º do art. 8º do
provimento citado. Brasília, 30 de junho de 2010. Ophir
Cavalcante Junior, Presidente.
MPF obriga faculdade de Ponta Porã a não cobrar por diploma
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 11:15 hs.
03/07/2010 - O Ministério Público Federal em Mato Grosso
do Sul (MPF-MS) celebrou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a
Faculdade de Ponta Porã (FAP), em que a
instituição de ensino se compromete a não cobrar
para a emissão ou registro de diploma de conclusão de
curso, nem pelo requerimento do serviço.
Em 2009, o MPF instaurou investigação sobre a
cobrança indevida para a emissão de diploma pelas
Faculdades da região de Ponta Porã. Questionada, a
instituição de ensino negou. Entretanto, ainda durante as
investigações, o MPF recebeu denúncia de que
continuava havendo cobrança pela emissão do documento.
Em maio deste ano, a FAP alegou que não cobrava pela
emissão do documento mas sim pelo requerimento de emissão
do diploma. Segundo a faculdade, para a emissão ou registro de
diploma é necessário formar um processo,
instruí-lo com vários documentos e remetê-lo para a
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A FAP alegou ainda
que, por se tratar de uma faculdade particular, todo requerimento feito
na instituição é cobrado e tem gastos para a
análise dos documentos.
O MPF ressaltou a inexigibilidade de qualquer cobrança como
condição de acesso do aluno ao diploma, mesmo a
título de taxa de requerimento, destacando que o diploma
é uma decorrência natural da conclusão do curso e
deve ser fornecido sem ônus. O procurador da República
lembrou que, de acordo com a Lei nº 9.870, de 1999, a única
forma de remuneração para as instituições
de ensino superior são as anuidades ou semestralidades, que
podem ser divididas em parcelas mensais.
Cópias do acordo deverão ser afixados em murais nas
dependências da faculdade, para que os alunos estejam cientes de
seus direitos. Caso seja constatado o descumprimento do TAC - mediante
denúncia de aluno ou fiscalização - a FAP
arcará com multa de R$ 500 por exigência de pagamento para
a obtenção de diploma ou o seu requerimento.
Lucia Morel
Fonte: Portal Capital News
O exemplo que vem do oriente
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha Dirigida, 29/06/2010 - Rio de Janeiro RJ
Cônsul-adjunto fala sobre a educação japonesa
Brasil e Japão não ficam distantes apenas no mapa. O mais
importante país do mundo oriental, ao lado da China,
também fica muito longe de nós quando o assunto é
nível da formação educacional. Na
edição de 2006 do Programa Internacional de
Avaliação de Alunos (Pisa), a média dos alunos
japoneses na área de Ciências, por exemplo, foi a
sétima maior, ao passo que os brasileiros ficaram na 52a
posição em um ranking de 57 países. O sucesso do
modelo de desenvolvimento nipônico, porém, não
ocorreu da noite para o dia. Para reverter as dificuldades de um
traumático pós-guerra, a partir de 1945 o país
optou, entre outras medidas, por investir alto em
educação para ter mão-de-obra capaz de agregar
valor ao que se produzia e, com isto, superar as
limitações de uma nação sem recursos
naturais. Do ponto de vista educacional, o Japão tem outras
diferenças significativas na comparação com o
Brasil. No país oriental, quase todos os estudantes concluem o
equivalente ao ensino fundamental e médio brasileiros, segundo o
cônsul-geral adjunto do Japão no Rio de Janeiro, Hajime
Kimura. Ele ainda cita outra diferença marcante: por lá,
o ensino público nem sempre é gratuito. "A partir do
equivalente ao ensino médio, quem quiser estudar, tem de pagar,
mesmo nas escolas públicas. O mesmo vale para as faculdades. No
caso dos que têm dificuldades financeiras, o governo ajuda",
explica Hajime Kimura.
Entre as atividades mantidas pelo consulado, está a
divulgação de informações sobre o
Japão, por meio de um centro cultural, que também tem
programação para escolas. O consulado possui, ainda, um
programa de intercâmbio estudantil, que permite a brasileiros se
candidatar a vagas em universidades e escolas profissionalizantes
japonesas, com bolsas de até 150 mil ienes. Segundo o
cônsul-geral adjunto, além da chance de adquirir ou
complementar uma formação profissional com uma bolsa de
estudos, a atividade vale como experiência de vida. "Estudar em
um país estrangeiro nos faz passar por muitos desafios, do ponto
de vista emocional, econômico, físico. E cada vez que este
estudante necessita enfrentar e ultrapassar estas dificuldades, isto o
fortalece."
Folha Dirigida - No século XX, o mundo assistiu a um crescimento
vertiginoso da economia japonesa, a partir do fim da Segunda Guerra
Mundial. Qual foi o papel dos investimentos em educação
neste processo?
Hajime Kimura - Foi essencial. Hoje, quase todos completam o
equivalente ao ensino fundamental no Brasil. O mesmo vale para o
equivalente ao ensino médio. E me parece que, no ensino
superior, a taxa de acesso é de 50%. E o investimento na
ampliação do acesso à educação foi
fundamental, sobretudo porque o Japão não é um
país que se caracteriza pelo acesso a recursos naturais, ao
contrário do Brasil, por exemplo. Tínhamos de crescer com
base no comércio que, para ser fortalecido, necessitava de um
investimento que viabilizasse uma revolução
tecnológica capaz de agregar valor aos produtos que
produzíssemos. E a educação é essencial
para isto. Nações que investiram maciçamente na
área de Educação têm crescido bastante, a
exemplo do que ocorreu com o Japão. São exemplos a Coreia
do Sul e outros países asiáticos como Formosa, Taiwan e a
própria China.
O que foi priorizado em termos de investimentos em educação?
Foi priorizado o investimento como um todo em Educação.
No ensino fundamental, o governo buscou melhorar a qualidade das
escolas. Além disso, foram feitos muitos investimentos nas
universidades e centros de pesquisa. Outra medida que destaco ocorreu
em 1972, quando o então primeiro-ministro aumentou o
salário dos professores da Educação Básica,
justamente para melhorar o nível da Educação.
Ocorreu um processo de expansão do acesso ao ensino. Qualquer
pessoa podia entrar e ter educação superior se quisesse.
Eu, por exemplo, estudei o equivalente ao ensino médio no Brasil
e cursei a universidade com bolsa de estudo do governo. E, naquela
época, havia dois tipos de bolsa: especial e comum.
Como funciona este sistema de bolsa de estudos?
Quem tem mais dificuldade financeira pode ganhar a bolsa de estudo
especial, que é maior. E quando estudamos em faculdade
particular, recebemos mais, pois a mensalidade é maior. Nos
casos de universidades públicas nacionais ou de
províncias, as bolsas de estudo são mais baratas, pois
elas cobram menos.
No Japão, é cobrada mensalidade em universidade pública?
Sim. Claro. Qualquer universidade tem custo. Educação
é gratuita é para o equivalente, no Brasil, ao ensino
fundamental. A partir do equivalente ao ensino médio, quem
quiser estudar, tem de pagar, mesmo nas escolas públicas. O
mesmo vale para as faculdades. E, no caso dos que têm
dificuldades financeiras, o governo ajuda.
No Brasil, frequentemente discute-se que, se nas universidades
públicas fosse cobrada mensalidade daqueles que podem pagar, as
instituições teriam condições de oferecer
melhor ensino e abrir mais vagas. Esta é a filosofia adotada no
Japão?
Isto depende de cada governo. Mas é preciso ter em mente que o
ensino tem custo e que alguém tem de pagar. Quando a
Educação é gratuita, os que arcam com os impostos
é que pagam. É apenas uma diferença de filosofia.
Não criticamos quem faz diferente.
E quanto à oferta no ensino superior: é distribuída pelas regiões ou centralizada?
No Japão, há cerca de 50 províncias e cada uma
delas tem uma universidade nacional. E algumas cidades têm
universidade pública, como Yokohama, que tem uma universidade
municipal bastante conceituada. E algumas províncias têm
duas, três universidades nacionais, além, claro, das
particulares. Aqui no Brasil, também vejo que vem aumentando
muito o número de universidades. Como também vejo, nos
dois países, um movimento no qual os jovens percebem que cursar
uma graduação não é o único caminho.
Até alguns anos atrás, entrar nas melhores faculdades era
o principal objetivo dos alunos japoneses que concluíam o
equivalente ao ensino médio brasileiro. Agora não. Muitos
buscam outras formas, diferentes do ingresso no ensino superior, de
encontrar seus próprios caminhos para garantir uma vida melhor.
Por exemplo, quem gosta de cozinha pode entrar em uma escola
profissionalizante de Culinária e se formar nesta área. E
muitos fazem sucesso assim, não só no Japão, como
aqui no Brasil. Então, entrar na faculdade virou uma das
opções.
Qual o tratamento dado aos professores, no Japão? Como governo e sociedade veem o papel deste profissional?
Na minha época, há 40 anos, os professores eram
absolutos. A posição deles era absoluta. Tínhamos
que obedecer qualquer ordem deles. E os pais também os
respeitavam muito. Então, nós, alunos, e os país,
fazíamos o máximo para facilitar o trabalho deles.
Atualmente, parece que este respeito diminuiu um pouco. Até
porque, alunos e pais começaram a achar que nem sempre os
professores estão absolutamente corretos. Então, ficou
mais democratizado. Mas a sociedade japonesa ainda mantém um
respeito muito grande por seus professores. É uma
profissão que ainda possui um prestígio social muito
grande no Japão.
No Brasil, uma das principais discussões gira em torno dos
baixos salários dos professores. No Japão, a
remuneração destes profissionais está
próxima da que é paga às categorias que ganham
mais?
Funcionários públicos, em geral, ganham menos que as
pessoas que atuam no setor privado, nas diferentes áreas.
Há três tipos de funcionários públicos: os
municipais, os provinciais e os nacionais. Quem ganha mais é o
funcionário municipal, depois o provincial e depois o nacional.
Isto para manter o equilíbrio entre os níveis. Até
porque, se o funcionário nacional ganhar mais que o municipal,
todos vão para este segmento e as prefeituras não podem
contratar os melhores funcionários. Agora, professores, em
geral, são provinciais. Assim, costumam ganham melhor que outras
categorias de profissionais das províncias e, por
conseqüência, que os profissionais nacionais.
No caso do Brasil, especialistas ressaltam que, em função
dos baixos salários pagos aos profissionais do
magistério, as pessoas que têm melhor
formação na Educação Básica buscam
outras profissões. Com isto, seguem o magistério, em
geral, os que têm base mais frágil. E no Japão?
Há uma estrutura capaz de recrutar aqueles que têm melhor
formação?
Esta tese me parece um pouco estranha porque não nos tornamos
professores por causa do salário. Eles ganham melhor que outras
categorias profissionais das províncias, mas não é
por causa disto que as pessoas procuram esta profissão. Quem
gosta de ensinar, quem gosta de Educação, é que se
torna professor. Não é por causa do salário. Mas,
repito, os salários são bons. Garantimos um bom
salário, até para propiciar um bom nível de
educação aos professores. Mas, o fundamental, é o
interesse na missão de ensinar.
O Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro mantém um
Centro Cultural. Há alguma programação voltada
para escolas?
Temos feito cursos sobre o Japão, voltados para estudantes dos
ensino fundamental e médio, que ministramos também em
escolas. Neste curso, exibimos um filme sobre aspectos como
Educação, História, Economia, entre outras
áreas, naturalmente, dependendo da faixa etária dos
estudantes. Muitas vezes, as crianças sequer sabem onde fica o
Japão, quanto mais sobre o seu sistema político, o
tamanho da economia, características da população,
traços culturais, entre outras coisas.
No ano retrasado, foi comemorado o centenário do início
da imigração japonesa no Brasil. Como o senhor avalia
esta integração entre Brasil e Japão e o que o
consulado japonês tem feito para fortalecê-la?
Aprofundou-se muito. A primeira vez em que vim ao Brasil foi em 1984.
Comparando-se com o período atual, as relações
entre os países melhoraram muito nestes 25 anos. Nas
décadas de 60 e 70, foram feitos muitos investimentos japoneses
no Brasil. Foram grandes projetos, como a Construção da
Usiminas e da Siderúrgica de Tubarão, por exemplo.
Só que, na década de 80, quando a economia brasileira
entrou em recessão, muitas empresas japonesas foram embora. Na
década de 90, foi a vez da economia japonesa mergulhar em uma
crise e, mais uma vez, muitas empresas japonesas foram embora do
país. Mas, a partir do início dos anos 2000, a economia
brasileira e a japonesa melhoraram, o que atraiu, novamente,
investimentos de empresas japonesas. Mas, nos anos 80 e 90, não
havia este intercâmbio cultural que existe hoje. Por isto, quando
as economias dos países caíram, a interação
entre eles também sofreu uma queda. Agora, não. Quando
há uma interação forte do ponto de vista cultural,
as relações ocorrem em um patamar totalmente diferente.
Hoje, o Brasil é o país do mundo com a maior comunidade
japonesa. E, por outro lado, temos uma colônia brasileira muito
grande no Japão, com cerca de 300 mil pessoas. É a
terceira maior comunidade estrangeira no país, ficando
atrás, apenas, da chinesa e da coreana. E isto melhora nossa
relação. Ela fica muito mais aprofundada, pois os
governos precisam colaborar muito entre si para solucionar as eventuais
demandas deste contingente em cada país. E, por causa da
existência de uma comunidade brasileira tão grande no
Japão, os japoneses passaram a conhecer bem melhor o Brasil.
Há cidades em que 10% da população é
formada por brasileiros.
Há boas oportunidades de intercâmbio estudantil no Japão?
Há várias universidades brasileiras importantes que
mantêm programas de intercâmbio com
instituições japonesas. Isto sem falar no que mantemos,
no Consulado. As faculdades, por conta própria, e o governo
oferecem suas bolsas de estudos. No caso do governo, há
diferentes modalidades, porém, a mais procurada é a
vinculada à pesquisa, pela qual o beneficiado, em nível
de mestrado ou doutorado, dependendo do caso, faz pesquisas lá
no Japão. Neste caso, é oferecida uma ajuda financeira em
torno de 150 mil ienes por ano.
Como funciona este programa de intercâmbio do Consulado?
Temos bolsas para graduação e para escolas
técnicas profissionalizantes. Em todas, o valor anual é
de 125 mil ienes. As bolsas de pesquisa científica, como disse,
são destinadas para pessoas que têm mestrado e doutorado.
No caso das bolsas de graduação, os contemplados entram
no curso universitário mesmo. Mas, para entrar, tem que fazer um
concurso, semelhante ao vestibular daqui. A duração
é semelhante à dos cursos no Brasil: de quatro a cinco
anos. Em relação a cursos profissionalizantes, as bolsas
duram, em geral, de dois a três anos. Da mesma forma, recebem o
valor enquanto estudam. Há várias opções de
curso, entre elas Moda, Música, Artes, Design e Enfermagem.
O que tem a ganhar um estudante que decida fazer intercâmbio no Japão?
Qualquer um pode fazer estes mesmos cursos, de graduação
ou profissionalizantes, aqui no Brasil. Só que estudar esta
mesma coisa, no exterior, é diferente. Os estudantes têm
acesso não só ao conhecimento, mas à
experiência de vida, o que, a meu ver, também é
muito importante. Estudar em um país estrangeiro nos faz passar
por muitos desafios do ponto de vista emocional, econômico,
físico. E cada vez que este estudante necessita enfrentar e
ultrapassar estas dificuldades, isto o fortalece. Frequentemente, temos
oportunidade de falar com pessoas que fizeram intercâmbios e
todas dizem que foi a melhor experiência da vida deles.
Até por causa do contato com diferentes culturas. Mesmo no
Japão, o contato não é só com japoneses.
Universidades que ficam em cidades importantes, como Tóquio ou
Kioto, são centros de referência e, por isso, recebem
pessoas de vários países. Nestes cursos, todos os
candidatos têm de estudar japonês nos primeiros seis meses.
Por isto, os estudantes do mundo inteiro aprendem o japonês
juntos e, portanto, têm oportunidade de conviver e fazer
amizades. O que é mais um dado interessante.
Começa a ser formada a Comissão
Catarinense para a campanha da OAB Nacional contra a
corrupção e a impunidade
Fonte: Assessoria de Comunicação da OAB/SC
O presidente da OAB/SC, Paulo Borba, começou a nomear hoje (30)
a comissão estadual que integrará a Comissão
Especial de Combate à Corrupção do Conselho
Federal da OAB. Em Santa Catarina, a Comissão será
presidida pelo vice-presidente Márcio Vicari. Também
já foram nomeados mais três membros, Gabrielle
Beckhäuser, Manuela Gomes Magalhães Biancamano e Milena
Kretzer Caliendo dos Reis, iniciando a composição que
incluirá representantes de todas as subseções do
estado. “Esse foi o primeiro passo para a atuação
em Santa Catarina e já estão sendo encaminhados
ofícios às Subseções para que nomeiem sete
membros cada uma, conforme proposição aprovada no
último Colégio de Presidentes da OAB/SC”, adianta
Borba.
A Comissão Nacional é presidida pelo conselheiro federal
Paulo Henrique Falcão Brêda, que no dia 18 de junho falou
ao Colégio de Presidentes e Delegados da OAB/SC e da Caixa de
Assistência dos Advogados sobre a campanha de combate à
corrupção e à impunidade que a OAB Nacional
começa a promover em 2010, ano que a entidade completa 80 anos.
Segundo ele, será utilizada a ampla capilaridade da OAB para
cobrar dos poderes constituídos e autoridades competentes a
continuidade dos inquéritos e ações de grande
repercussão e que estão “dormindo ou se
arrastando”. Para isso, serão criadas comissões em
todas as seccionais do país. “Não pediremos
condenação ou absolvição. Pediremos
respostas”, afirmou Brêda, enfatizando que o Brasil precisa
falar de reforma política, especialmente este ano em que
“muitas formas de corrupção eleitoral ainda maculam
muitos de nossos representantes”.
Segundo o conselheiro, o objetivo é sacudir o país com
essa discussão, a fim de propor ao próximo presidente da
República que implemente o projeto de reforma política,
com o respaldo do debate de um país inteiro. A OAB também
quer abrir um canal de comunicação em cada seccional para
receber denúncias que passarão por análises
prévias e em seguida enviadas ao órgão
responsável para apuração. “Na maioria das
vezes o cidadão se sente mais à vontade para encaminhar
uma denúncia à OAB do que a outros órgãos e
sobram exemplos no país inteiro. Muitos não acreditavam,
por exemplo, no Projeto Ficha Limpa e hoje é uma
realidade”, avalia Brêda.
Citação em jornal, sem juízo de valor,não ofende moral de professora
Fonte: OAB/SC Notícias
O Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso formulado pela
professora Marise Galkowski, no qual postulava
indenização por danos morais em face do jornal A Gazeta,
de São Bento do Sul, por conta da exposição de seu
nome nesse periódico. A decisão da 1ª Câmara
de Direito Civil confirmou sentença daquela comarca. Na
matéria veiculada no dia 17 de outubro de 2002, Marise foi
citada como uma das envolvidas em sindicância que apurava desvio
de verbas da Escola Celso Ramos Filho, de Oxford, da qual era diretora
na época.
A reportagem dizia o seguinte: “A Secretaria de Estado da
Educação abriu sindicância para apurar desvio de
dinheiro na Escola de Educação Básica Celso Ramos
Filho de Oxford. Os membros da APP (Associação de Pais e
Professores) que deixaram suas funções há 120 dias
e a diretora Marise Galkowski ainda não apresentaram nenhum
documento para comprovar a aplicação de verbas recebidas
do governo estadual e federal para os membros na nova APP[...].”
No entendimento da Câmara, o periódico nada mais fez do
que reproduzir informações recolhidas na APP da
instituição, sem mencionar nenhum juízo de valor
referente à imagem da professora.
“In casu, tem-se que a citação do nome da autora,
ora apelante, aconteceu apenas por ser representante da
instituição educacional, sendo que o fato de não
ter apresentado, à data, documentação capaz de
comprovar a aplicação das verbas recebidas pela escola,
não depõe contra si. Ora, não há como
reconhecer na nota intenção caluniosa, difamatória
ou injuriosa, senão o intento de informar, descrever ou
até mesmo o de perquirir possíveis
irregularidades”, explicou o relator da matéria,
desembargador Edson Ubaldo. A decisão foi unânime. (Ap.
Cív. n. 2007.048468-5)
Fonte: Poder Judiciário de Santa Catarina
Educação domiciliar e poder público
Fonte: Clipping Educacional Consae - Revista Jurídica, Edição 49
A quem pertence o direito de escolher a educação dos filhos?
Janaína Rosa Guimarães
O juizado Especial Criminal da Comarca de Timóteo, em Minas
Gerais, condenou o casal Cléber de Andrade Nunes e Bernadeth de
Amorim Nunes por abandono intelectual de dois filhos adolescentes. Os
meninos, hoje com 16 e 17 anos, foram tirados da escola regular
há aproximadamente quatro anos, depois de concluírem a
5ª e a 6ª séries, e inseridos em um método
apropriado de ensino em casa, conhecido como homeschooling. O sistema
de educação informal, que tem cerca de um milhão
de adeptos nos Estados Unidos e muitos outros países europeus,
não possui amparo legal na legislação brasileira.
Na sentença proferida em 22 de fevereiro de 2010, o juiz Eduardo
A ugusto Gardesani Guastini admitiu que o tema demanda "fervorosa"
discussão entre aqueles que defendem o chamado homeschooling e
os que se mostram contrários à metodologia. Não
obstante ter mencionado que o Ministério da
Educação tenha um dos piores sistemas educacionais do
mundo e que o Brasil, nas avaliações internacionais de
educação, figure sempre entre os últimos
colocados, o magistrado destacou que a legislação
é expressa em vetar tal prática no Brasil. Para o
juiz Guastini, a atual Constituição Federal cuida
da educação "como algo que transcende o implante de
conhecimento: é uma forma de preparo para o exercício da
cidadania".
O magistrado cita, também, a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB), que torna obrigatória a
matrícula no Ensino Fundamental, mesma
determinação constante no artigo 55 do Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECACA). Assim, para o período
correspondente ao ensino fundamental, a frequência em sala de
aula passa a ser obrigatória.
Entenda o caso - Os pais, Cléber e Bernadeth Nunes, passaram a
responder processos na esfera cível e criminal depois que foram
denunciados por vizinhos ao Conselho Tutelar. O "crime": passaram a
educar os filhos Jônatas e Davi em casa. Uma das razões
que levaram os pais a retirar os filhos da escola foi a
insatisfação com o ensino regular. O Ministério
Público entrou no caso e, ao argumentar que a decisão dos
pais era desprovida de amparo legal, acusou o casal de abandono
intelectual, sugerindo que os adolescentes passassem por uma
avaliação para testar se foram privados de
educação por meio da atitude dos pais. Submetidos aos
exames de conhecimento, os adolescentes demonstraram índice
satisfatório de aprendizado, sendo aprovados, inclusive, em
vestibular para uma faculdade de Direito. Entretanto, a
avaliação positiva dos filhos não foi suficiente
para absolver os pais.
Na ação cível, o casal foi condenado ao pagamento
de multa, bem como restabelecer a frequência dos filhos à
escola. Por motivos óbvios, os pais ignoraram essa ordem
judicial, proferida em dezembro de 2007. Já na
ação criminal, com sentença proferida em 2010, o
juiz Eduardo Augusto Guardesani Guastini estipulou uma multa
simbólica: Cléber terá que pagar multa equivalente
a 1/10 do salário mínimo (R$ 51) e Bernadeth, 1/30 do
salário (R$ 17). Não obstante o valor irrisório da
condenação, temos que o caso levanta uma discussão
importante: diante do Estado Democrático de Direito, não
teriam os pais o direito de escolher qual o melhor método para a
condução da educação dos seus filhos? Em
sendo a educação um dever do Estado, caberia ao Poder
Público estabelecer e impor todas as regras inerentes à
aplicação do ensino no Brasil?
A educação em casa
É possível que a batalha judicial da família Nunes
pelo direito de ensinar seus filhos em casa seja um fenômeno que
não tenha a dimensão e a transcendência que parece.
Todavia, o objetivo deste trabalho é fomentar o debate sobre um
tema de interesse social. Muito difundida nos Estados Unidos, a
prática do ensino domiciliar também é utilizada em
países como a Austrália, África do Sul,
Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, México e
Japão. Embora o fenômeno do homeschooling tenha se
consolidado apenas na década de 1980, a prática da
educação em casa remonta séculos anteriores, sendo
utilizada pela sociedade ao longo da história. Somente com a
introdução das políticas estadistas, no
início do século XIX, é que a
educação adotou um regime de "monopólio", seja
pela figura do Estado, da igreja ou de instituições
privadas. Em linhas gerais, os educadores domésticos
são divididos em três grandes grupos: os que
são motivados por razões religiosas e morais; os que
têm razões filosóficas ou pedagógicas; e os
que optam pelo ensino doméstico devido aos problemas que os
filhos vivenciaram na escola, tanto em nível acadêmico
como social - por exemplo, a violência escolar, mais conhecida
como bullying.
Neste sentido, a adoção do ensino domiciliar permite
combinar uma formação acadêmica de qualidade com um
completo desenvolvimento moral. Os defensores da prática
justificam que as crianças não só aprendem mais e
melhor, senão que são educadas à luz das
convicções morais de seus pais. Defendem que uma
sociedade "livre, justa e igualitária" requer indivíduos
livres, e a liberdade passa por reforçar os vínculos
voluntários e naturais, como a família, frente às
garras totalizadoras e às intromissões sem sentido
do Estado. O artigo 26 da Declaração Universal dos
Direitos Humanos estabelece que "aos pais pertence a prioridade do
direito de escolher o gênero de educação a dar aos
filhos." Por conta disso, assumir a essência da
educação como um assunto de exclusiva responsabilidade
familiar, não estatal, implica fazer efetivo o direito
inviolável dos pais de decidir sobre a educação
que querem para seus filhos, sem que a interferência
arbitrária do Estado lhes obrigue a financiar um sistema
educativo em que não creem. Pior, que julgam falido. O pomo da
discórdia é que a legislação brasileira
não reconhece essa modalidade de educação,
aceitando-a apenas para grupamentos que, por cultura ou atividade
profissional, levam uma vida mutante - com a ressalva da
obrigatoriedade de exames em instituições oficiais.
A legislação brasileira
O direito à educação é uma exigência
constitucional. O artigo 227 da CF de 1988 determina que: É
dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito
à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer,
à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo
de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
Já o Código Civil, em seu artigo 1.634, estabelece que
compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores,
dirigir-lhes a criação e a educação. Isso,
no entanto, não seria fundamento legal razoável para
justificar a interferência direta dos pais sob o regime ditado
pelo Estado. Nos termos do artigo 246 do Código Penal, o
abandono intelectual é um crime cometido pelos pais que deixarem
de proporcionar aos seus filhos a instrução
primária, consumando-se no momento em que os pais não
matriculam os filhos, na idade escolar, nos estabelecimentos de ensino
da rede pública ou da rede particular. Ressalte-se, pois, que
com a nova Emenda Constitucional nº 59/09, houve profundas
alterações no que concerne à "idade escolar". Por
sua vez, o artigo 208 da Constituição Federal diz que o
Estado tem o dever de garantir o Ensino Fundamental obrigatório
e gratuito. O dever do Estado é construir e prover vagas nas
escolas. O crime de abandono intelectual, portanto, configura-se quando
os pais, sem justa causa, deixam de garantir a instrução
primária dos filhos em idade escolar. Havendo escolas, a
obrigação dos pais é mandar os filhos à
escola. Em caso de ausência de vagas e escolas, é
possível recorrer ao Ministério Público, uma vez
que, nos termos do artigo 129 da CF, uma das funções do
MP é a defesa dos interesses coletivos e dos interesses
individuais homogêneos; a escola é um interesse individual
homogêneo.
Importante ressaltar também o que dispõe o artigo 55 do
ECA , bem como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação,
que estabelece a obrigatoriedade da matrícula de crianças
em idade de cursar o ensino fundamental regular. Assim, de acordo com a
legislação vigente, nada justifica ou mesmo legitima a
prática da educação domiciliar no Brasil.
Precedente jurisprudencial - O Superior Tribunal de Justiça
já havia decidido, em caso semelhante, não existir
previsão constitucional e legal que reconheça ou autorize
os pais a ministrarem aos filhos disciplinas do Ensino Fundamental sem
controle do poder público. Em decisão proferida em 2002,
mas publicada apenas em 2005, a 1ª Turma do STJ negou
segurança a um casal que pleiteava ministrar aulas aos filhos em
casa.
Vejamos: MANDADO DE SEGURANÇA - ENSINO FUNDAMENTAL - CURRICULO
MINISTRADO PELOS PAIS INDEPENDENTE DA FREQUÊNCIA À ESCOLA
- IMPOSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO.
(...) Inexiste previsão constitucional e legal, como reconhecido
pelos impetrantes, que autorizem os pais ministrarem aos filhos as
disciplinas do ensino fundamental, no recesso do lar, sem controle do
poder público mormente quanto à frequência no
estabelecimento de ensino e ao total de horas letivas
indispensáveis à aprovação do aluno.
Segurança denegada à míngua da existência de
direito líquido e certo. (STJ - MS 7407/DF -
Acórdão COAD 132172 - Rel. Min. Francisco Peçanha
Martins - Publ. em 21-3-2005) A decisão, porém,
também contribui para o debate, uma vez que não foi
unânime. Em voto vencido, o ministro Franciulli Netto justifica:
Não há, pois, razão de temer que a
solução deste caso crie precedentes, uma vez que a
sentença compõe litígios para casos concretos. Se
outras famílias apresentarem condições iguais ou
assemelhadas à família dos impetrantes, ao invés
de temer-se o precedente, deve-se enaltecê-lo. Impende
realçar que o importante é o respeito à liberdade
de escolha dos pais. Se a eles é dado o direito de escolher
entre escolas públicas e particulares, por que privá-los
do direito de educar seus próprios filhos, submetendo essa
educação às avaliações oficiais de
suficiência? Quer-se também dizer que, se existirem pais
mais qualificados do que os impetrantes, a esses não se pode
negar, igualmente, o direito de opção, no sentido de
enviarem seus filhos à escola, se assim entenderem melhor para a
prole.
Temos, com o caso em epígrafe, um exemplo concreto de valores
distintos entre o que é legal e o que é do direito,
saltando aos olhos que nem sempre a obediência cega ao que
determina a lei atinge o conceito de justiça. Somente em casos
excepcionais, como em caso de acidente ou determinação
médica, é permitida a concessão de
educação domiciliar, desde que fixada por período
breve. Assim, a ausência de matrícula em ensino regular
fundamental caracteriza abandono intelectual.
MATRÍCULA DE ALUNO MENOR DE 18 ANOS - ART. 37 DA LEI Nº
9.394/96 - VIOLAÇÃO A NORMA LEGAL EXPRESSA -
RESOLUÇÃO Nº 230 DO CONSELHO ESTADUAL DE
EDUCAÇÃO - POSSIBILIDADE DE CURSAR ENSINO MÉDIO EM
REGIME DOMICILIAR. Tratando-se de adolescente menor de 18 anos, a
concessão da medida só deve ocorrer em casos
excepcionais, quando não há alternativa para que o mesmo
dê continuidade a seu estudo. No caso em tela, verifica-se a
possibilidade de o autor cursar o ensino médio em regime
domiciliar, bastando que o mesmo comprove seu transtorno
psíquico e sua impossibilidade de comparecer às aulas.
(TJ-RS - Ag. Int. 70021769534 - Rel. Des. Claudir Fidelis Faccenda -
Publ. em 14-11-2007)
ABANDONO INTELECTUAL - EVASÃO ESCOLAR. (...) Resta provado, ante
o conjunto da prova ter a ré praticado o delito denunciado, de
abandono intelectual, omitindo-se no seu dever legal em manter seu
filho estudando, tendo a vítima deixado de frequentar a escola
na segunda série do ensino fundamental, exatamente no
período em que preponderava a vontade dos pais. (TJ-RS - Rec.
Crim. 71001667039 - Relª Juíza Angela Maria Silveira -
Publ. em 10-7-2008) JUSTIÇA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE -
EDUCAÇÃO DOS FILHOS - CONCEITO. Promover a
educação dos filhos é dever inerente ao
pátrio poder, assim como a subordinação dos filhos
ao mando paterno. Por educação compreende-se o
esforço tendente a promover o desenvolvimento físico,
intelectual e moral do indivíduo e ajustá-lo
às normas comuns de comportamento. A
transição do indivíduo para o cidadão
é fruto das práticas educativas, implícitas no
instituto em estudo. O Código Penal, art. 246, reprime o crime
de abandono intelectual, informado pelo fato de deixar, sem justa
causa, de prover a instrução primária de filho em
idade escolar... Fora de dúvidas que a
subordinação do filho ao mando paterno se inclui no curso
ativo da educação. (TJ-SP - Ap Cív 28180- 0/5 -
Acórdão COAD 76534 - Rel. Des. Pereira da Silva - Julg.
Em 29-8-1996) Nas lições de Ivan Illich (in Sociedade sem
Escolas), há que se admitir que somos frequentemente
"escolarizados" a confundir ensino com aprendizagem, níveis de
progresso com educação e diplomas com competência.
Há pessoas sem instrução formal que têm
muito mais conhecimentos do que pessoas com cursos superiores. Como diz
a experiência popular, não há melhor escola que a
vida.
Apesar da repercussão do Caso Nunes, está parado no
Congresso Nacional projeto de lei de autoria dos deputados Henrique
Afonso (PT-AC ) e Miguel Martini (PHS-MG) que trata do assunto. O PL
modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
e obriga o Ministério da Educação a reconhecer o
ensino aplicado por pais ou responsáveis fora da sala de aula.
Apesar de pertinente e necessário, o projeto enfrenta
resistência da "bancada da educação" na
Câmara Federal. Destaque também para a Proposta de Emenda
à Constituição 444/09, do deputado Wilson Picler
(PDT-PR), que autoriza explicitamente a prática da
educação domiciliar para o aluno entre 4 e 17 anos de
idade. Destarte, temos que o Caso Nunes nos faz refletir sobre um
outro ponto também debatido na Teoria Geral do Direito: a
aplicação da denominada "lei injusta" ou "ilícito
legal", em detrimento ao que o direito natural entende como justo.
Salutar neste momento de reflexão as lições do
jurista Atahualpa Fernandez (in, Constituição, Lei e
"ilícito legal"): quando as normas negam conscientemente a
vontade de Justiça, quando os princípios, os direitos e
as garantias consagradas são arbitrariamente violados, carecem
tais normas de legitimidade e validez, pois não se pode conceber
o direito, inclusive o direito legislado, de outra maneira que
não esteja destinado a servir a Justiça. E quando a
injustiça não é oportunamente eliminada pelo
legislador, corresponde ao operador do direito o dever e a coragem de
deixar de efetivá-la, de negar o pretenso caráter
jurídico das normas arbitrariamente impostas. Esse o papel que
cabe ao operador do direito na sua práxis hermenêutica: de
um operador valente a quem a dificuldade ou o esforço
hermenêutico não lhe impedem de empreender algo justo ou
valioso, nem lhe fazem abandonar o propósito à metade do
caminho, isto é, que atua apesar da dificuldade, e guiando sua
ação pela Justiça, que é o último
critério da valentia. Janaína Rosa Guimarães
Advogada especialista em Direito Civil e Processo Civil; Consultora
Jurídica responsável pela coordenação do
serviço de Suporte de Pesquisa ADV; colaboradora e membro da
Equipe de Redação do produto ADV - Advocacia
Dinâmica, da COAD.
Cursos tecnológicos são atalho ao mercado
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 10:21 hs.
01/07/2010 - Absorção de profissionais está aquém do crescimento da modalidade
Por Larissa Leiros Baroni
Diferenças entre graduações tradicionais e cursos superiores de tecnologia
Assim como para as licenciaturas e os bacharelados, o requisito para
ingressar em cursos superiores de tecnologia é a
conclusão do Ensino Médio. No entanto, enquanto
bacharéis e licenciados possuem formação mais
generalista, tecnólogos são profissionais especializados
em segmentos de áreas específicas.
As diferenças entre as modalidades também relacionam-se
à duração da formação. Ao passo que
graduações tradicionais levam de quatro a seis anos para
serem concluídas, programas tecnológicos têm curta
duração e duram, em média, dois anos.
Apesar das especificidades na formação, os diplomas
têm a mesma validade e os tecnólogos também podem
dar continuidade aos estudos com ingresso em programas de
pós-graduação lato sensu
(especialização e MBA) e stricto sensu (Mestrado e
Doutorado).
Cursos de tecnologia ganham mais espaço em
instituições de Ensino Superior, além de maior
visibilidade no mercado de trabalho. Para confirmar essa
afirmação, duas pesquisas. Uma, do Inep (Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), que aponta crescimento
de mais de 600% na quantidade de cursos tecnológicos no
País. Outra, do Centro de Estudos de Políticas Sociais da
Fundação Getúlio Vargas, que notifica ganhos
salariais de até 24% e aumento de 48,2% no índice de
empregabilidade dos profissionais com esse tipo de
formação.
Atualmente, o Brasil mantém 4.355 cursos superiores de
tecnologia. Número quase sete vezes maior do que o registrado em
2002, quando existiam apenas 636 programas. A expansão, segundo
Roberto Leher, professor do Departamento de Fundamentos da
Educação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de
Janeiro), se iniciou em 1997, com a publicação do Decreto
2.208, que prevê a dissociação entre
formação profissional e científica. "A
transição propiciou novo nicho para as
instituições de Ensino Superior a partir da oferta de
cursos superiores mais rápidos e meramente instrumentais",
analisa ele.
O crescimento econômico brasileiro aliado à ausência
de mão-de-obra qualificada para atender às novas demandas
do País também contribuem para a
proliferação dos cursos superiores de tecnologia.
É o que garante João Cardoso Palma Filho, especialista em
políticas educacionais e professor da Unesp (Universidade
Estadual Júlio de Mesquita Filho). "Ao mesmo tempo em que o
mercado está afoito por profissionais qualificados, os jovens
estão cada vez mais preocupados em ingressar o mais
rápido possível no mercado", aponta.
A modalidade, segundo o Inep, é a opção de 412.027
estudantes brasileiros, doze vezes menos que as matrículas na
graduação presencial, calculada em 5.080.056. A
quantidade de cursos superiores de tecnologia também é
inferior a de licenciaturas e bacharelados. Existem hoje 24.719 cursos
presenciais, mas apenas 4.355 de tecnologia.
Embora a maior parte das ofertas esteja centralizada no setor privado,
Palma Filho enxerga políticas oficiais para expansão da
modalidade no sistema federal, principalmente devido à
criação dos IFETs (Institutos Federais de
Educação, Ciência e Tecnologia). De acordo com a
Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica
do Ministério da Educação, o Brasil tem 38 IFETs,
com 255 campi espalhados em todo território nacional. Outras 99
unidades estão em construção e previstas para
serem entregues até o final de 2010.
Há ainda outras instituições públicas que
mesmo dedicadas às graduações tradicionais
têm adotado esse modelo de formação, como é
o caso de Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Unicamp
(Universidade Estadual de Campinas), UTFPR (Universidade
Tecnológica Federal do Paraná) e UFRN (Universidade
Federal do Rio Grande do Norte).
O resultado dessas iniciativas pode ser visto na atual
edição do Catálogo Nacional de Cursos Superiores
de Tecnologia, lançada em maio de 2010, e que apresenta dez
novos cursos divididos nos eixos tecnológico-militar,
segurança e apoio educacional. Há, ainda, outros 98
cursos tecnológicos nas áreas de produção
alimentícia, recursos naturais, produção cultural
e design, gestão e negócios, infraestrutura, controle e
processos industriais, produção industrial, hospitalidade
e lazer, informação e comunicação e
ambiente, saúde e segurança.
A tendência, na opinião de Palma Filho, é a
intensificação da proliferação dos cursos
superiores de tecnologia nos próximos meses, independente do
resultado eleições presidenciais de 2010. Para ele, no
entanto, esse crescimento não colocará em xeque as
graduações - licenciaturas e bacharelados. "A
convivência será harmônica, até porque a
formação teórica e tão importante quanto a
científica. Há ainda forte tendência de
intercâmbio entre as modalidades, bem como de encurtar o tempo de
alguns bacharelados", acredita o especialista.
Leher não têm o mesmo otimismo de Palma Filho e
prevê o esgotamento na oferta dos cursos superiores de tecnologia
em um futuro não tão distante. Ele aponta a
experiência do México para explicar sua teoria. "O
país, na década de 1990, vivia momento similar ao que o
Brasil vive hoje. Com a quebra da expectativa dos profissionais e a
percepção da restrita formação e do baixo
peso do diploma no mercado de trabalho, a procura pelos programas
diminuíram e a ofertas das vagas também", diz o professor
da UFRJ.
Enquanto Palma Filho aponta a expansão do sistema como
estratégia para a ampliação do acesso de
brasileiros ao Ensino Superior, Leher relaciona a
proliferação da modalidade com a baixa qualidade da
formação. "Mesmo que a formação do
tecnólogo seja fundamentada na prática profissional,
não exclui a necessidade de capacitação
científica - ainda que em menor intensidade do que a da
graduação", relata. Segundo ele, o modelo de
referência, inicialmente adotado pela maioria das
instituições de Ensino, passou a ser minoritário
no País. "Essa transformação é uma grande
perda para o Brasil. Até porque os conhecimentos técnicos
por si só não são suficientes. É preciso
ter profissionais que pensem em soluções".
Mercado de trabalho
A pesquisa "A Educação Profissional e Você no
Mercado de Trabalho", realizada pelo Centro de Estudos de
Políticas Sociais da Fundação Getúlio
Vargas, aponta ganhos salariais de até 24% e aumento de 48,2% no
índice de empregabilidade dos profissionais formados em cursos
superiores de tecnologia. Enquanto o salário médio de um
profissional que não tenha formação
tecnológica é calculado em R$ 1.731,12, a
remuneração média daquele que possui o diploma
passa para R$ 2.837,80.
Ainda, sim, Leher acredita que as oportunidades de emprego para os
profissionais tecnólogos sejam inferiores às destinadas
aos bacharéis. "A absorção dos tecnólogos
existe, mas é preciso observar que tipo de emprego está
disponível a eles e compará-lo com a demanda dos
profissionais formados nas graduações tradicionais",
relata ele, que enfatiza a preferência do mercado de trabalho por
candidatos que tenham formação mais sólida e
não puramente de base tecnológica.
Para exemplificar a afirmação, o professor da UFRJ cita a
Petrobras. Embora os cursos superiores na área de
petróleo tenham crescido a partir da demanda, a empresa estatal,
segundo Leher, não aceita candidaturas de profissionais com
diploma de tecnólogo em seus processos seletivos. A
informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da
empresa. Robert Karlisle Burnett, pró-reitor acadêmico da
PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná)
confirma o preconceito por parte do mercado de trabalho, mas o
justifica como desconhecimento da formação
tecnológica. "Muitas empresas não sabem qual é a
capacitação de um tecnólogo, outras desconhecem
até a existência dessa modalidade", diz ele.
O preconceito, para Palma Filho, não se restringe às
empresas. De acordo com ele, ainda que a LDB (Lei de Diretrizes e
Bases) preserve o direito dos tecnólogos, há
universidades que são resistentes a aceitar esses profissionais
em programas de pós-graduação stricto sensu -
mestrado e doutorado.
Oportunidades de estágio
O panorama dos estágios no Brasil pode exemplificar as
diferenças entre as oportunidades para um bacharel e para um
tecnólogo. A Abres (Associação Brasileira de
Estágios) aponta a existência de 650 mil vagas de
estágio para o Ensino Superior. "A maior parte das oportunidades
ainda são preenchidas por estudantes de cursos convencionais.
Arrisco dizer que apenas 30% das vagas são ocupadas por alunos
de cursos tecnológicos", diz Seme Arone Junior, presidente da
associação.
Ele acredita que o mercado ainda está em processo de
maturação das novas modalidades de Ensino. "É por
esse mesmo motivo que as empresas são mais cautelosas nas
contratações. Estão descobrindo, aos poucos, de
que forma esses estudantes tendem a contribuir com o desenvolvimento",
explica Arone Junior, que também cita uma desvantagem
competitiva entre os candidatos das duas modalidades. "Em geral,
estudantes dos cursos de bacharelado, até pelo tempo da
formação, têm vivência acadêmica maior,
além de experiências em estágios anteriores",
aponta.
As diferenças salariais, no entanto, não são
tão grandes quanto o número de oportunidades. A pesquisa
"Valores pagos aos estagiários do Brasil", realizada pelo Nube
(Núcleo Brasileiro de Estágios), revela que a
média salarial dos estudantes de nível Superior é
de R$ 765,25. Já para o nível Superior tecnólogo,
é de R$ 702,40. 
Formação contínua
Independente da escolha da modalidade da graduação,
é preciso investir em formação contínua,
conforme comprova a pesquisa "Você e o Mercado de Trabalho", da
FGV. Segundo o estudo, a cada ano de estudo completado o salário
pode subir 15% e as chances de arrumar emprego aumentam em 3,3%.
A taxa média de ocupação de uma pessoa que nunca
estudou, por exemplo, é de 59%. Esse índice sobe para 90%
quando se fala de brasileiros com 18 anos de estudo, o que inclui
profissionais com mestrado e doutorado. A mesma teoria foi comprovada
em relação à média salarial dos
brasileiros. Apesar das jornadas de trabalho serem similares, as
diferenças salariais podem chegar a R$ 4 mil. Enquanto quem
nunca estudou recebe, em média R$ 392,14, aqueles que possuem
título de mestre ou doutor ganham, em média, R$
4.454,69.
Fonte: Portal Universia
Exigências do MEC travam educação a distância em áreas isoladas
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 10:46 hs.
01/07/2010 - O grande número de exigências do
Ministério da Educação (MEC) para que
universidades ofereçam cursos a distância inviabiliza a
oferta nos municípios pequenos e isolados. A
avaliação foi feita na 3ª Conferência sobre
Educação a Distância — realizada entre 23 e
24 de junho, em São Paulo (SP) — pelo professor aposentado
da Universidade de São Paulo (USP) José Manuel Moran, que
coordena os polos de apoio presencial da Universidade Anhanguera.
“Com as exigências do MEC torna-se inviável oferecer
educação a distância para aluno pobre em
área isolada. É um problema para o atendimento dos menos
favorecidos”, disse. Entre as exigências, as universidades
devem construir polos de apoio presencial com um número
mínimo de alunos, livros e laboratórios, que, segundo
Moran, exigem investimento elevado e sem retorno.
“Se mantivermos esse modelo por mais dois ou três anos as
instituições médias não conseguirão
manter educação a distância”, comentou Moran.
O MEC exige, por exemplo, biblioteca com um total mínimo de
exemplares por alunos, laboratórios e um número base de
professores e coordenadores. “Os cursos de saúde, por
exemplo, são muito caros e não vão se sustentar
sem um mix entre presencial e semipresencial. Ao contrário
serão somente para a elite”.
Para o MEC, as exigências visam garantir que os alunos
matriculados não sejam prejudicados. “Está mais do
que provado que a educação a distância pode ser
oferecida com excelência. Por isso, não podemos correr o
risco de instituições ainda mal estruturadas ampliarem a
oferta de vagas sem garantir os direitos dos estudantes”, disse o
ministro Fernando Haddad, em entrevista ao Portal MEC.
O MEC exige que as avaliações sejam realizadas
presencialmente na sede da universidade e não nos polos. Para
Moran, a medida prejudica os alunos de áreas isoladas,
localizados distantes dos centros. “Além disso, o peso
mínimo da avaliação presencial é 80% e o
resto das atividades só vale 20%. Não é
pedagógico porque o aluno vai construindo o aprendizado, mas
tudo será avaliado em uma prova”.
“Existe preconceito com educação a distância
e todo preconceito é baseado em algo real. Há um receio
de banalização do ensino e um pensamento que esses cursos
são só para conseguir diploma”, comentou Moran.
“Essa, porém, é uma visão elitista da
educação. Cursos a distância permitem que aqueles
que estão em áreas isoladas do Brasil também
façam o ensino superior”.
É o caso da professora Patrícia dos Santos, que dá
aulas de matemática para 57 alunos na escola da pequena
comunidade caiçara da praia do Bonete, no município de
Ilhabela (SP). Para chegar à vila só de barco ou por uma
trilha de aproximadamente 15 km a partir do centro do município,
que deve ser percorrida a pé.
A maneira que ela encontrou de aprimorar as aulas foi começar,
em 2005, o curso superior de pedagogia a distância, que foi
concluído em 2007. “Já tinha feito ciências
contábeis presencialmente em São Sebastião, mas a
maneira como dar aula aprendi na pedagogia. Antes eu me virava”,
conta.
Como a comunidade não tem acesso à Internet,
Patrícia acompanhava as aulas por material impresso.
“Nós tínhamos apostilas e entregávamos os
exercícios pelos Correios, quando algum morador da vila viajava
para a cidade”. Uma vez por mês, na reunião dos
professores das comunidades tradicionais na prefeitura, ela usava a
sala virtual do curso.
“Para mim o curso presencial foi mais fácil, porque era
mais simples esclarecer as dúvidas, e como temos pouco acesso
à Internet foi mais difícil”. “Ao meu ver,
tivemos um problema de orientação, principalmente no
Trabalho de Conclusão de Curso”.
Dados do MEC mostram que um em cada cinco novos alunos de
graduação no país ingressa em um curso a
distância. O modelo tem mantido taxas altas de crescimento (50%
ao ano, em média), enquanto o avanço da
graduação presencial tende a se estabilizar (3,5% em
2008).
O Brasil tem 109 instituições que oferecem cursos de
graduação a distância, das quais oito atendem a
416.320 alunos, o que representa 54,7% do total.
Sarah Fernandes
sarahfernandes@aprendiz.org.br
Fonte: Portal Aprendiz
Mais da metade das escolas públicas ficaram abaixo da média do Ideb
Fonte: http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=24781877
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
Brasília - No ano passado, a maioria das escolas (56,2%) teve
notas abaixo da média nacional do Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para os
primeiros anos do ensino fundamental, que foi de 4,6 pontos, em uma
escala que vai de 0 a 10. Em 2009, o Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) avaliou o
desempenho de 43.400 escolas públicas, por meio do Ideb.
Dessas, 57,6% conseguiram atingir as metas estabelecidas para as
séries iniciais do ensino fundamental. Outras 20% não
conseguiram alcançar suas metas e 22,38% não tinham metas
estabelecidas, por não terem participado da
avaliação em 2005, quando o Ideb começou a ser
instituído.
O Ideb é calculado a cada dois anos e serve para avaliar a
qualidade do ensino público no país. Cada escola tem uma
meta e recebe uma nota, levando em conta o rendimento escolar e as
notas obtidas pelos alunos na Prova Brasil.
Ao criar o Ideb, o Inep estabeleceu metas de qualidade que devem ser
atingidas pelo país, pelos estados, municípios e pelas
escolas. Assim, levando em conta a realidade de cada local, cada
instância deve evoluir de forma a contribuir para que o Brasil
atinja a média 6 em 2021, que é o patamar dos
países mais desenvolvidos.
A nota mais baixa registrada entre as escolas foi 0,2, atingida pela
Escola Estadual Jovem Protagonista, que fica em Belo Horizonte. Em
seguida, aparecem as escolas municipais Firmo Santino da Silva, em
Alagoa Grande (PB), Professor Francisco de Assis Cavalcanti, em Natal
(RN) e Boa União, em Eunápolis (BA), todas com nota 0,5.
As três escolas com notas mais altas são de Cajuru (SP), o
mesmo município que ficou em primeiro lugar no Ideb. A escola
Aparecida Elias Draibe ficou com nota 9, e as escolas André
Ruggeri e Dom Bosco tiraram 8,8.
Edição: Graça Adjuto
Agência Brasil - Todos os direitos reservados.
Desinteresse dos alunos do ensino médio é 2º principal motivo de faltas
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:35 hs.
03/07/2010 - Pesquisa mostra que 21,5% dos estudantes que faltaram
alegam não querer assistir à aula; Ideb confirma
estagnação dessa etapa escolar
Luciana Alvarez e Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo
O ensino médio, etapa com a maior taxa de evasão, sofre
também com um tipo informal de abandono: o desinteresse. O aluno
se matricula, cursa, mas não presta atenção nas
aulas, não estuda, não faz lição. Essa pode
ser uma das causas do crescimento de apenas 0,1 na nota de 3,6 dessa
etapa escolar do Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb) de 2009, divulgado na
quinta-feira pelo MEC.
Um levantamento que mapeou formas alternativas de não
participação na vida escolar mostra que "não
querer comparecer" às aulas foi o segundo principal motivo de
ausências entre os estudantes do ensino médio.
Entre os alunos que disseram ter faltado algum dia nos últimos
dois meses, 21,5% alegaram que simplesmente não quiseram ir
à escola. O desinteresse perdeu apenas para problemas de
saúde, apontados por 41% como a razão das ausências.
A pesquisa Mapeando as Formas Alternativas de Não
Participação cruzou dados do Censo Escolar e da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) que pudessem refletir
o desinteresse, como as faltas e o fato de fazer ou não a
lição de casa.
Os resultados, porém, apontam somente alguns indícios da
falta de interesse. "Identificar todas as formas alternativas de
não participação exige dados muito
específicos. O ideal seria estudos em sala de aula, que
são muito caros", afirma Elaine Toldo Pazello, pesquisadora do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e umas
das responsáveis pelo levantamento.
A pesquisa revelou ainda que menos da metade dos estudantes do ensino
médio (41,5%) faz sempre a lição de casa. O
número representa uma queda de 17% em relação aos
alunos do fundamental. "Um fator surpreendente foi ver que o trabalho
ou problemas de dinheiro e transporte não têm um impacto
significativo, ao contrário do que se esperava", diz Elaine.
No 2.º ano do ensino médio na rede estadual de São
Paulo, Luís Henrique Leal, de 18 anos, diz que atualmente se
empenha nos estudos, apesar de trabalhar até tarde como barman.
"Repeti duas vezes e parei um ano", conta. "Antes, eu ia para a escola,
mas não queria estudar. Agora estou com a cabeça melhor,
tento evitar bagunça."
Segundo Leal, há vários colegas que não se
importam realmente com os estudos. "Tem muito aluno que só pega
a lição dos outros, que falta demais, que só vai
para fazer bagunça e sair com a meninas", afirma. Mas o
estudante diz também que falta interesse por parte de muitos
professores.
Descompasso. Segundo pesquisadores da área de
educação, o que mais repele os alunos é o
conteúdo oferecido no ensino médio, que, na visão
dos jovens, não tem relação com as necessidades e
interesses da faixa etária que vai, em média, dos 15 aos
17 anos. As disciplinas ensinadas são generalistas e, para os
estudantes, parecem não ter impacto prático algum em suas
vidas.
"Além disso, muitos chegam ao ensino médio sem saber o
mínimo e não conseguem acompanhar. Ficam no meio do
caminho e aprendem versões simplificadas dos conteúdos",
afirma o especialista em educação e ex-presidente do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Simon
Schwartzman.
Para ele, a solução é "abrir o leque de
opções" dos jovens, como a oferta de ensino
técnico. "O aluno deveria escolher entre mais alternativas, de
acordo com seu perfil. Se ele chegou aos 15 anos sem saber ler e somar
direito, você vai continuar reprovando esse estudante?"
Para a especialista em ensino médio Wanda Engle, do Instituto
Unibanco, um dos problemas do que chama de "crise de audiência"
nessa etapa é a falta de sintonia entre o que é oferecido
e as necessidades dos alunos. "Nas redes públicas, de cada dez
alunos, cinco estudam à noite. Mas isso é
desnecessário, porque de cada dez, só dois trabalham."
Ela defende que o currículo seja flexibilizado e um
vínculo mais forte entre educação e trabalho.
"Cerca de 90% das nossas escolas têm como foco preparar para a
universidade, mas apenas 13% dos jovens que terminam o ensino
médio entram em uma faculdade."
Paradoxo. "É sabido que, quanto maior a escolaridade, maior a
faixa salarial. Mas parece existir um paradoxo pela falta de
percepção desses jovens, que não atentam para
isso", diz o economista da educação Eduardo Andrade, do
Insper, antigo Ibmec.
De acordo com ele, quando o mercado está aquecido, o interesse
pela educação nessa etapas do ensino pode até
cair. A oferta de alguma renda imediata desestimula o estudante a
comparecer às aulas. "O aluno vai faltar para fazer um "bico" ou
um trabalho temporário, por exemplo. A dedicação
aos estudos fica comprometida quando se tem outras opções
em vista."
Baixa valorização do professor é entrave, afirmam docentes
Necessidade de ter de trabalhar em várias escolas impede que os
mestres invistam em [br]formação continuada.
Carlos Lordelo, Carolina Stanisci e Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo
Com 20 anos de magistério, Francisco Cordeiro fala com
desânimo das condições encontradas nas salas de
aula no ensino médio. Para ele, a falta de atenção
na formação e valorização profissional e o
desinteresse dos alunos é combinação que dificulta
uma perspectiva otimista.
"O Estado precisa investir no profissional, para que ele se recicle e
não precise trabalhar em quatro ou cinco escolas", diz ele.
Professor de geografia, divide-se entre cinco escolas e dá 65
aulas semanais. "Sequer há respeito pelo professor", desabafa.
Como exemplifica Cordeiro, o baixo salário força os
docentes a se desdobrarem em duplas jornadas. "Investir no professor
seria o primeiro passo para melhorar a educação", afirma.
O professor de educação artística Claumir Rufini
ressalta que a necessidade de trabalhar em mais de uma escola
impossibilita que o professor consiga se reciclar fora do
horário de aula. "É um ciclo", diz. "Há o
déficit salarial, o professor tem de pegar mais aulas e
não consegue ter uma formação continuada.
Não dá tempo para organizar as aulas nem trocar ideias."
Rufini leciona há mais de 20 anos e acompanha os índices
da educação. Para ele, apesar de os resultados da
educação fundamental estarem evoluindo, ainda não
refletem no ensino médio. "Você não consegue
recuperar problemas acumulados há tantos anos." Para ele, seria
ideal ter uma estrutura de reforço. Rufini entende que a
progressão continuada - em que não há
reprovação - desmobiliza o aluno.
Mais que um desinteresse pelas aulas, a professora Cláudia, que
dá aulas de matemática e não quis revelar o
sobrenome, percebe que a escola sofre descrédito por parte dos
alunos. "Para a maioria, a escola não vai trazer frutos", diz
ela, há 12 anos no magistério.
A professora de matemática Eudira Oliveira também
encontra pouca motivação nos estudantes. "Eles veem o
ensino pensando na profissão, mas não há
investimento nessa abordagem." Para ela, faltam oficinas e
referência ao mercado de trabalho. "Seria mais motivador."
Mercado. Quem consegue ingressar no mercado chega com dificuldades.
Para o diretor de responsabilidade do Walmart, Paulo Mindlin, essa
defasagem obriga que a empresa invista em treinamento. "A gente percebe
dificuldades em português, matemática, na capacidade de se
expressar", diz. "Às vezes, uma álgebra pode
confundi-los." Durante o treinamento, há exercícios com
jogos de palavras. "É importante que eles percebam a utilidade
do viram na escola."
O presidente da empresa de tecnologia Alog, Sidney Breyer, conta que
gasta, por ano, R$ 1 milhão em treinamento. "A gente não
recebe as pessoas formadas", diz. Na TAM, a defasagem na
preparação é atenuada por encontros semanais no
Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), em que os
alunos aprendem matemática financeira. "Nosso desafio é
capacitar esse jovem", diz a diretora de gestão de pessoas da
companhia aérea, Carolina Duque.
Fonte: O Estado de São Paulo
SC cresce menos que os vizinhos no Ideb
Fonte: Diário Catarinense, 05/07/2010
Estado continua acima da média nacional e lidera notas nas séries finais
Santa Catarina melhorou nos três índices apontados no
Índice de Desenvolvimento de Educação
Básica (Ideb), em 2009. Mais uma vez, as metas estipuladas pelo
Ministério da Educação (MEC) foram batidas. Mesmo
assim, o Estado caiu no ranking nacional, porque outros estados, como o
Paraná, melhoraram ainda mais o seu desempenho.
Na nota divulgada em 2007, Santa Catarina liderava em duas das
três categorias: ensino médio e séries finais
(5ª a 8ª séries). Nas séries iniciais (1ª
a 4ª), o Estado ocupava o quarto lugar.
Com as notas de 2009, Santa Catarina manteve apenas a liderança
entre os alunos das séries finais. O Estado melhorou em 0,2
ponto seu desempenho. Menos que Brasília, o segundo colocado,
que subiu sua nota em 0,4 ponto.
A melhora nas notas das séries iniciais é uma tendência observada em todo o Brasil, aponta o estudo.
Já de olho na próxima avaliação, no ano que
vem, o Ministro da Educação, Fernando haddad, disse que a
tendência é de que esse ritmo de melhora caia nas
séries iniciais e aumente nas seguintes, como em um sistema de
ondas.
No ensino médio, Paraná fica na frente
A liderança no ensino médio foi perdida para o
Paraná. Ambos dividiram o primeiro lugar em 2007, com nota 4,0.
Mas o estado vizinho evoluiu mais, e tomou a ponta de SC. O Rio Grande
do Sul também cresceu a passos mais largos que Santa Catarina.
Os gaúchos cresceram 0,2 ponto e alcançaram o terceiro
lugar, dividido com Minas Gerais e São Paulo.
Os melhores do Ideb 2009
Séries Iniciais (1ª a 4ª série)
Nota média do Brasil: 4,6
Posição Estado Ideb 2009 Ideb 2007 Meta 2011
1º Distrito Federal 5,6 5,0 5,6
2º São Paulo 5,5 5,5 5,5
3º Paraná 5,4 5,0 5,4
4º Santa Catarina 5,2 4,9 5,2
Séries Finais (5ª a 8ª série)
Nota média do Brasil: 4,0
Posição Estado Ideb 2009 Ideb 2007 Meta 2011
1º Santa Catarina 4,5 4,3 4,7
2º Distrito Federal 4,4 4,0 4,3
3º Minas Gerais* 4,3 4,0 4,2
* Empatado com Mato Grosso e Paraná
Ensino Médio
Nota média do Brasil: 3,6
Posição Estado Ideb 2009 Ideb 2007 Meta 2011
1º Paraná 4,2 4,0 3,9
2º Santa Catarina 4,1 4,0 4,1
3º Rio Grande do Sul* 3,9 3,7 4,0
Especialistas criticam resultados do Ideb 2009
Fonte: Clipping Educacional Consae - Correio Braziliense, 01/07/2010 - Brasília DF
Apesar de os dados do Ideb 2009 terem revelado um aumento nas
médias da educação brasileira, especialistas ainda
são críticos com relação aos resultados.
Para a presidente do Instituto Unibanco e ex-ministra da
Ação Social, Wanda Engel, o crescimento do ensino
médio é insuficiente. “É realmente mais
fácil começar bem, no ensino fundamental, pois é o
primeiro investimento. Os resultados não dependem de algo
anterior. Já o ensino médio depende da melhoria dos
demais. E muitas vezes os estudantes chegam sem os
pré-requisistos.” A professora defende uma revisão
das metas estabelecidas até 2021. “A gente não pode
se contentar em superar uma meta de 3,6. É um ritmo de
tartaruga. Estamos melhorando, mas os outros países estão
melhorando muito. Pode ser que tenhamos um aumento significativo a
longo prazo, mas o país precisa de respostas a curto
prazo.” Além de considerar as metas tímidas, Wanda
também chama a atenção para o fato de
pouquíssimas escolas de ensino médio estarem no
nível considerado adequado. “O que se quer é chegar
à meta 6 em 2021. Mas se for ver escolas que estejam em um
nível adequado no ensino médio, menos de 1% das escolas
brasileiras chegaram lá.”
Já o professor Remi Castioni, da área de
políticas publicas, planejamento e avaliação da
Faculdade de Educação da Universidade de Brasília,
entende que os resultados do Ideb não revelam muito sobre o
ensino brasileiro. “Nosso problema maior não é o
indicador, ele é muito singelo. A partir do Ideb nós
precisamos nos concentrar e buscar por quê as escolas têm
desempenhos diferentes, nas mesmas condições. Não
estou muito preocupado com o número, a meta, mas em revelar o
por quê das diferenças e aprender com elas. O que tem por
trás? A forma como os professores discutem conteúdos? A
organização dos espacos pedagógicos? O tamanho das
salas de aula? A gestão do ambiente escolar? Tudo isso tem que
ser analisado.”
Para Castioni, o Ideb é insuficiente para diagnosticar o ensino
médio brasileiro, O mesmo vale para o Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem) que, além de ter baixa adesão por ser
voluntário, está direcionado para o ingresso no ensino
superior e não a uma avaliação da etapa anterior.
“O que nós temos é o Sistema de
Avaliação da Educação Básica (Saeb),
que pega a última série do ensino médio,
analisando português e matemática. Creio que nós
deveríamos ampliar sua aplicação e
incorporar outras disciplinas, para captar a complexidade do ensino
médio.”
O professor também defende uma maior atuação do
governo federal junto às secretarias de educação
dos estados, a partir da criação de fóruns de
discussão sobre diretrizes curriculares, condições
de ensino e o projeto pedagógico das escolas. “Não
se tem muita clareza com o que fazer com o ensino médio. A
solução é a profissionalizá-lo?
Torná-lo temático? Menos conteudista e mais
investigativo, com a problematização das disciplinas?
Enxugar as matérias? Isso tem que ser discutido.” De
acordo com Wanda, algumas soluções para melhorar as
condições do ensino médio seriam garantir um
semestre do primeiro ano para revisar o conteúdo essencial visto
durante o ensino fundamental; permitir a flexibilização
do currículo, possibilitando ao aluno
especialização em áreas de maior interesse e
habilidade pessoal; aumentar o ensino profissionalizante e iniciativas
como a Lei do Aprendiz, que permitem um intercâmbio entre
educação e mercado de trabalho; e estimular projetos de
monitoria que cobrem necessidades financeiras dos estudantes e
mantêm o aluno na escola.
Entre os piores de 2007, metade não atingiu meta apesar de ajuda do MEC
Fonte: Clipping Educacional Consae - O Estado de São Paulo, 04/07/2010 - São Paulo SP
Governo gastou R$ 400 milhões para melhorar nota de 1.822
municípios e de 28 mil escolas que tiveram desempenho abaixo do
esperado
Marta Salomon e Lígia Formenti
Além de medir a qualidade do ensino no País, o
Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb) de 2009 revela o tamanho do desafio que é
mudar a situação de escolas e cidades com desempenho
muito ruim. Municípios e escolas com pior desempenho –
cujo resultado é divulgado hoje – receberam prioridade nas
ações do Ministério da Educação
(MEC), mas em muitos casos, nem essa ajuda extra resolveu. No foco do
ministério encontram-se 1.822 municípios com notas
inferiores a 4,2 em 2007 e mais 28 mil escolas com notas até 3,8
no mesmo ano. Desde então, mais de R$ 400 milhões foram
liberados para as escolas. Mesmo recebendo um auxílio em
dinheiro e suporte técnico, pouco mais da metade dos piores
municípios no ranking nacional conseguiu melhorar o indicador no
intervalo de dois anos, entre as duas últimas
edições do Ideb (2007 e 2009), a ponto de superar suas
respectivas metas.
A reportagem do Estado selecionou 155 municípios com notas
até 2 nas duas etapas do ensino fundamental. A nota 2 equivale a
menos da metade da média nacional (4,6). O levantamento revela
que, na avaliação do desempenho das 8.ª
séries, quase a metade (45%), o que corresponde a 70
municípios, ou não conseguiu alcançar a meta ou
piorou a nota – nesse universo, 58 municípios
(37,4%) evoluíram, mas não alcançaram a nota, e 12
(8%) andaram para trás entre 2007 e 2009. Os outros 97
municípios (62,5%) melhoraram a ponto de, pelo menos,
alcançar a meta. Na amostra das 4.ª séries
selecionada pelo Estado, com 47 municípios que tinham nota 2 no
Ideb de 2007, 25 cidades, o que dá pouco mais da metade (53,1%),
alcançaram a meta. Outros 22 municípios (47%) não
alcançaram a meta. As metas variam de escola para escola e de
município para município, dependendo do ponto de partida
de cada um.
Um exemplo de município que andou para trás é
Chaves, no Pará. Em 2007, a educação da cidade
recebeu nota 2 até a 4.ª série. Dois anos depois,
quando a meta era chegar a 3,2, a nota foi de 1,4. Itatuba, na
Paraíba, está na mesma situação: no
intervalo de dois anos, a nota piorou, caindo de 1,8 para 1,4, ainda
mais distante da meta de 2,6. O Nordeste concentra as piores
situações. Também houve casos de melhora
significativa, a ponto de a meta ser ultrapassada com folga. Foi o que
aconteceu em Tucano, na Bahia. Em dois anos, a nota mais do que dobrou,
de 2 para 5,4, superando a média nacional. A meta para 2009 era
3. “Os primeiros resultados deverão aparecer a partir do
Ideb de 2011”, avalia Maria do Pilar Lacerda,
secretária de Educação Básica do MEC. Nas
próximas duas semanas, técnicos do ministério
cruzarão dados do Ideb para avaliar o comportamento das escolas
e municípios com pior desempenho. “Reformas educacionais
demoram até uma geração, porque há fatores
importantes como a escolaridade das mães e a
formação de professores”, alega.
Apoio técnico - Maria do Pilar conta que houve dificuldades para
definir o apoio técnico e financeiro aos municípios com
pior desempenho. O ponto de partida para a ajuda era a
apresentação de um plano pelos municípios e
escolas. Inicialmente, de cada 10 planos apresentados ao MEC, 7 eram
devolvidos, por serem inadequados. “Em um caso, o maior problema
era a alfabetização de crianças, mas o plano
previa a reforma da cozinha. Isso consumiu o ano de 2008 inteiro. E, no
final, apenas um em cada dez planos era devolvido”. Pilar se diz
otimista: “Trata-se de uma mudança estrutural, que depende
de mobilização, não é pirotecnia.”
Entre as medidas adotadas com mais frequência nos
municípios de pior Ideb, a secretária destacou cursos
para formação de professores de português e
matemática para as séries iniciais do ensino fundamental
– 280 mil professores já se inscreveram.
Haddad defende revisão das metas do Ideb para escolas
Fonte: Clipping Educacional Consae - Portal Terra Educação, 01/07/2010
O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta
quinta que as metas do Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb) para as escolas e redes de
ensino poderão ser revistas a partir da próxima
avaliação, já que os objetivos têm sido
antecipados nas duas últimas edições do
índice. "Entendo que o Inep Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, responsável pela
avaliação pode convidar um grupo de pesquisadores para
começar a avaliar a necessidade e a oportunidade de fazer isso
agora", disse. Mas, segundo ele, as metas nacionais do índice
não devem ser alteradas por enquanto. "Temos que ter um pouco
mais de cautela, porque o esforço para melhorar é cada
vez maior e vai exigir mais ciência, mais interação
entre os entes federados para que possamos atingir os nossos
objetivos", disse. Os números do Ideb, divulgados hoje pelo
Ministério da Educação, mostram que o
índice no ano passado foi de 4,6 para os anos iniciais do ensino
fundamental, meta prevista para 2011. Em 2007, o Ideb foi de 4,2, que
era a meta de 2009. Em 2005, quando foi criado, a média
nacional foi de 3,8 pontos (em uma escala de 0 a 10) para os primeiros
anos do ensino fundamental.
O Plano de Desenvolvimento da Educação estabelece a meta
de que o Brasil atinja a nota 6 no Ideb até 2022 - média
que corresponde a um sistema educacional de qualidade comparável
à dos países desenvolvidos. Para Haddad, apesar de estar
longe de suas metas, o país está no caminho certo. "Temos
condição de, mantido esse passo, cumprir a cada dois anos
as metas de qualidade e chegar em uma situação
confortável em 2021, quando teremos uma educação
na qual a média de proficiência das crianças
equivale à das crianças dos países mais
desenvolvidos do mundo", avaliou. O Ideb mede a qualidade do ensino
oferecido pelas escolas públicas com base na nota da Prova
Brasil e nos índices de reprovação. No ano
passado, a Prova Brasil foi aplicada nos anos iniciais do ensino
fundamental em 5.467 municípios para 2,5 milhões de
alunos. Nos anos finais, a prova foi apicada em 5.498 municípios
para 2 milhões de alunos. Também participaram da
avaliação 56,3 mil alunos do 3° ano do ensino
médio em 750 escolas.
Haddad disse que o crescimento das notas do Ideb pode diminuir um pouco
daqui para frente, mas isso já foi previsto pelo Inep.
"Provavelmente observaremos daqui para frente um crescimento um pouco
mais modesto nos anos iniciais, mais forte nos anos finais e no ensino
médio, que vão colher o esforço que foi feito para
que as crianças tivessem um aprendizado melhor", avaliou.
Segundo o ministro, o Ideb serve para combater as indústrias da
repetência e da aprovação automática. Em
todos os níveis avaliados, o rendimento escolar, que mede a taxa
de aprovação dos alunos, aumentou de 2005 para 2009.
Também houve um aumento nas notas da Prova Brasil, tanto em
Língua Portuguesa quanto em Matemática. Na próxima
semana, o Ministério da Educação vai publicar no
Diário Oficial da União os dados por escola e rede,
abrindo prazo de 30 dias para que eventuais equívocos na remessa
de dados para o Inep possam ser corrigidos.
Educação melhora, mas não supera patamar de 95
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 09:07 hs.
02/07/2010 - País atingiu metas de desempenho e melhorou mais entre primeiras séries
Com a inclusão de mais alunos, notas caíram no final dos
anos 90, mas estão crescendo desde o início dos anos 2000
ANTÔNIO GOIS
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA
ANGELA PINHO
DE BRASÍLIA
O Brasil registrou de 2005 a 2009 melhoria significativa na qualidade
da educação nos primeiros anos do ensino fundamental, mas
não avançou nesse mesmo ritmo no nível
médio.
Além disso, com exceção das médias de
matemática do 5º ano do ensino fundamental, o progresso dos
últimos quatro anos ainda não é suficiente para
superar patamares registrados em 1995, quando o MEC começou a
avaliar a educação básica.
Os dados divulgados ontem fazem parte do Ideb, índice que
agrega, numa escala de 0 a 10, taxas de aprovação com
médias em testes de português e matemática.
O objetivo de juntar essas duas dimensões é buscar que as crianças repitam menos, mas aprendam bem.
Nos primeiros anos do fundamental (destinados a crianças entre 6
e 10 anos), a nota média foi de 4,6 em 2009. É um
avanço de 0,8 ponto em relação a 2005 e de 0,4
quando sobre 2007.
É com base nessas notas que o MEC avalia o cumprimento das metas
de qualidade a serem atingidas até 2021. Em todos os
níveis, foi superada a meta parcial estipulada para 2009.
O bom avanço dos primeiros anos, no entanto, não se
repetiu no ensino médio, onde o crescimento do Ideb foi de
apenas 0,1 ponto em relação a 2007 e 0,2 ante 2005.
Segundo o MEC, isso já era esperado, pois os alunos que se
formam hoje no médio fazem parte da geração que
ingressou no sistema ao final dos anos 90, com piores indicadores de
qualidade.
Como o Ideb só tem dados em todos os níveis de ensino
desde 2005, para fazer comparações com outros anos
é preciso considerar apenas os testes de português e
matemática, feitos desde 1995.
A piora das notas após 1995 é atribuída ao aumento
do número de crianças na escola: com a entrada de alunos
com menos conhecimentos básicos, a média caiu.
"É muito fácil melhorar nota repetindo ou expulsando os
piores da escola. O desafio é fazer eles passarem de ano sem
abrir mão do aprendizado", diz o ministro Fernando Haddad
(Educação).
Avanço chegará ao ensino médio, diz Haddad
DO ENVIADO A BRASÍLIA
Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, já
era esperado que o ensino médio continuasse avançando
mais devagar.
Folha - Por que o ensino médio avança lentamente?
Fernando Haddad - Nosso pior momento em termos de qualidade da
educação foi em 2001. As crianças que completaram
o primeiro ciclo do fundamental naquele ano são as que hoje
estão no ensino médio. Quando o país dá uma
arrancada, ela acontece em ondas, com uma geração
avançando mais e, com o tempo, melhorando as médias em
todos os níveis.
As mulheres hoje têm menos filhos e estão mais
escolarizadas. Não é isso o que mais explica a melhoria?
Em quatro anos, o perfil das mães não mudou tanto a ponto
de justificar um crescimento de 0,8 ponto. Os dados de 2009 comprovam
que a melhoria é um movimento consolidado, mas que,
provavelmente, não se repetirá nos próximos anos
na mesma intensidade.
Por quê?
O modelo que traçamos ao estipular as metas previa uma arrancada
inicial nos primeiros anos e um avanço menor em seguida. Se
continuarmos crescendo 0,8 ponto a cada quatro anos, vamos cumprir a
meta traçada para 2021 já em 2017.
Fonte: Folha de São Paulo
Duplicata sem assinatura do devedor pode ser executada
Fonte: OAB/SC Notícias
A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve a
decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que
considerou válidas, para cobrança em ação
de execução, duplicatas sem aceite. Os títulos
foram emitidos pela Rádio Belo Horizonte Ltda por
serviços publicitários prestados à prefeitura do
município mineiro de Santa Luzia, que se recusou pagar as
duplicatas.
A duplicata é um título de crédito que sempre
corresponde a uma compra e venda mercantil ou a uma
prestação de serviço. A duplicata sem aceite
é que não tem a assinatura do devedor.
O município de Santa Luzia, que fica a 27 quilômetros de
Belo Horizonte, recorreu ao STJ contra decisão do TJMG. O
tribunal mineiro considerou legítima a cobrança das
duplicatas sem aceite. O município sustentou que não
houve procedimento licitatório para contratação
dos serviços e que a dívida não poderia ser
exigida por falta de aceite nos títulos. Alegou, ainda, que
não houve comprovação do efetivo recebimento dos
serviços.
O relator, ministro Aldir Passarinho Junior, contestou os argumentos do
município. Segundo ele, as possíveis irregularidades na
contratação devem ser atribuídas, primordialmente,
à prefeitura. Para o relator, o município não pode
usufruir de um serviço e depois recusar o pagamento para a
empresa prestadora sob a alegação de que o procedimento
não observou a lei.
O ministro concordou com a decisão do TJMG, que diz:
“Falar em comprovante de entrega de mercadoria é exercitar
a ficção, já que, em se tratando de
transmissões radiofônicas, é impossível
detectar a voz e o som para entregá-las ao destinatário.
A documentação que deu suporte à emissão
das duplicatas contém todos os elementos e
características previstas neste tipo de prestação
de serviços, indicando as datas, o nome do transmissor, momentos
das divulgações, números de
inserções, dias das divulgações, nomes dos
programas, preços unitários e preços
globais”. O ministro Aldir Passarinho ainda ressaltou que
só seria possível chegar a outra conclusão se
fosse permitido ao STJ reexaminar provas. Assim, ele manteve o
entendimento do TJMG. Em votação unânime, os
ministros da Quarta Turma acompanharam o relator.
Fonte: Superior Tribunal de Justiça
Ensino off-line
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 05/07/2010 - São Paulo SP
Mesmo sem investir em tecnologia e privilegiando trabalhos manuais, pedagogia Waldorf atrai cada vez mais adeptos no Brasil
FABIANA REWALD DE SÃO PAULO
Enquanto grande parte das escolas discute se o computador deve ser
introduzido já no ensino infantil, um grupo de colégios
reluta em usá-lo até o ensino médio. Nas escolas
que seguem a pedagogia Waldorf, a ordem é evitar ao
máximo a tela. Mas nem por isso elas deixam de atrair adeptos.
Entre 2003 e 2010, o total dessas escolas no país passou de 40
para 85, diz a Federação das Escolas Waldorf no Brasil.
Criado na Alemanha em 1919, o movimento Waldorf trouxe ao país
em 1956 o foco no desenvolvimento humano e nas atividades manuais.
"A gente não considera que o computador seja uma ferramenta do
desenvolvimento humano. Na escola Waldorf, ele aparece quando passamos
a trabalhar com questões mais técnicas, que é no
ensino médio", diz Rubens Salles, diretor da ONG Instituto
Artesocial, que divulga a pedagogia Waldorf. O uso em casa não
é proibido, mas os pais são orientados a
impor limites. Na Waldorf Aitiara Botucatu (238 km de
SP), o tema é levantado já na matrícula como forma
de conscientização. Alguns pais são totalmente
favoráveis. "As crianças conseguem se dedicar a outras
atividades", diz o consultor financeiro José Júlio
Ferreira Sarmento Rito, 57, pai de Júlia, 11, que estuda no
Micael (zona oeste de SP). Outros entendem que poderia ser diferente,
principalmente no caso dos trabalhos manuscritos. "Alguns pais comentam
que seria mais fácil usar o computador", diz Roberto Veiga,
gerente-administrativo do Micael.
IMAGINAÇÃO - Referência no movimento Waldorf,
Valdemar Setzer, professor-titular do Departamento de Ciência da
Computação da USP, é radicalmente contra
crianças verem televisão ou usarem computador. Segundo
ele, a infância é o momento da imaginação,
que é tolhida pelas imagens já prontas. Ele acredita que
o vídeo pode até ser usado como forma de ilustrar algum
tema estudado na escola, mas por um período curto.
Christopher Clouder, presidente do Conselho Europeu para a
Educação Steiner Waldorf, diz que em outros países
as escolas já introduzem o computador no ensino fundamental, mas
o privilégio é dado à cultura oral.
Clouder está no Brasil para uma conferência organizada
pelo Goethe-Institut, em que um dos principais temas será
justamente a tecnologia. Na academia, o centro dos debates deixou de
ser a idade para o uso do computador, mas se isso deve ocorrer nas
salas de aula ou na biblioteca. "O computador pode beneficiar as
crianças no raciocínio lógico e no acesso à
informação quando há supervisão de pais e
professores", diz Lúcio França Teles, doutor em
informática na educação pela Universidade de
Toronto e professor da UnB. Silvia Colello, docente da Faculdade de
Educação da USP, lembra que a pedagogia Waldorf é
séria, mas defende o uso do computador no ensino. "É uma
ferramenta do nosso mundo."
Humanidades puxam expansão da pós-graduação no Brasil
Fonte: Folha de São Paulo, 04/07/2010, edição online
RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO
O doutorando brasileiro está cada vez mais interessado em Machado de Assis e menos em relatividade.
Ao menos é isso o que sugere um novo levantamento do governo.
Ele mostra que a expansão da pós-graduação
brasileira é puxada, em primeiro lugar, pelo aumento de doutores
nas humanidades, e não nas ciências exatas e
biológicas.
Em 1996, as ciências exatas e da Terra ocupavam o segundo lugar
entre as áreas que mais formavam doutores no país, com
16,1%. Em 2008, caíram para o sexto lugar, com 10,6%.
O tombo das engenharias foi menor. A área se manteve como a
quinta que mais forma doutores, mas a sua fatia caiu de 13,7% para
11,4%. Redução similar teve a área de
ciências biológicas.
"Se olharmos as áreas que cresceram menos, elas ainda cresceram
muito", diz Eduardo Viotti, que coordenou o estudo, realizado pelo
Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, vinculado ao
Ministério da Ciência e Tecnologia.
"É difícil criar doutorados em áreas de
ciências exatas, da Terra e engenharias. Eles exigem
laboratórios, não são cursos que precisam apenas
de cuspe e giz", brinca.
"O custo mais baixo estimula as escolas particulares a abrir cursos
nessas áreas. Os novos dados não me surpreendem", diz o
especialista em política científica Rogério
Meneghini, coordenador de Pesquisas do Centro Latino-Americano e do
Caribe de Informação em Ciências da Saúde
(Opas-OMS).
Não foi só por causa das particulares que o número
de doutores disparou, porém. Nesses 12 anos, as universidades
federais aumentaram em mais de cinco vezes o seu número de
doutores.
Em 2005, aliás, elas ultrapassaram as estaduais e se tornaram as
instituições mais importantes na
pós-graduação do Brasil.
Algumas estaduais, porém, como a USP e a Unicamp, ainda
concentram grande parte das matrículas no país (veja
abaixo). E, apesar do crescimento das federais, o país ainda tem
apenas 1,4 doutor por mil habitantes, enquanto os EUA têm 8,4, e
a Alemanha, 15,4.
Mudança de rumo
Para Carlos Aragão, presidente do CNPq (Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a queda
relativa na formação de quadros em ciências exatas
é preocupante.
"Formar cientistas e engenheiros é fundamental para que exista
inovação tecnológica nas empresas", afirma.
Além disso, pondera, áreas estratégicas para o
país precisam dessas pessoas, como o programa espacial, o
programa antártico, a política nuclear, as
questões que envolvem clima, energia e agricultura e o
pré-sal.
Segundo ele, o CNPq tem procurado apoiar a formação de
engenheiros e cientistas lançando editais voltados para essas
áreas, assim como facilitando o acesso a bolsas a alunos que se
interessarem pelas áreas. "É necessário corrigir
essa distorção", diz.
Os especialistas concordam, porém, que pode acontecer um
movimento natural de fortalecimento das áreas que envolvem
números.
"Nos últimos 20 anos o país não cresceu muito,
não havia muito emprego ou interesse nas áreas de
engenharia ou ciências da Terra. Direito, economia e
administração, por exemplo, eram as áreas onde
havia mais possibilidade de os doutores se empregarem", diz Viotti.
Com a economia do país se aquecendo e com empregos sobrando nas
áreas de infraestrutura, o próprio mercado de trabalho
pode incentivar alunos a buscarem as áreas de exatas, portanto.
Ensino médio fraco pode prejudicar economia
Fonte: O Estado de São Paulo, p. A18, 02/07/2010
Mariana Mandelli, Luciana Alvarez - O Estado de S.Paulo
Especialistas em educação ouvidos pelo Estado afirmam que
o principal impacto do gargalo do ensino médio pode ser medido,
a longo prazo, no mercado de trabalho, que pode sofrer com escassez de
mão de obra de qualidade e profissionais mal preparados. "A
qualidade do aprendizado se reflete na produtividade. Aprender pouco
significa produzir pouco. Isso pode prejudicar a competitividade do
Brasil com países que têm o ensino mais forte", afirma
Naercio Menezes, economista da educação do Instituto de
Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec. De acordo com ele, a
solução está no investimento em mais escolas
técnicas, que ofereçam um ensino mais prático.
O crescimento entre 2007 e 2009 do Ideb no ensino médio foi
considerado insuficiente pelos educadores. "O aumento de 0,1 pode ser
avaliado como abaixo do que é sofrível. É
insignificante. A maioria dos jovens que está saindo da escola
está despreparada para exercer qualquer tipo de atividade que
exija preparo intelectual", afirma Elisabeth da Fonseca
Guimarães, professora da Universidade Federal de
Uberlândia (UFU).
"O jovem, mesmo quando cursa (o ensino médio), não tem o
passaporte mínimo para o mercado de trabalho. Temos uma sangria
nessa etapa da educação", diz Wanda Aduan,
superintendente do Instituto Unibanco e especialista em ensino
médio. Para ela, falta foco no conteúdo do ensino
médio.
O especialista em avaliação da Universidade Federal da
Bahia (UFBA), Cipriano Carlos Luckesi, concorda. "Vem ocorrendo um
esforço para melhorar o sistema nacional de ensino, desde que as
avaliações começaram. Mas é preciso pensar
o ensino médio com finalidade própria. Ao meu ver, ainda
é uma etapa muito controversa, especialmente pelo foco
atribuído ao vestibular", opina ele, que também acredita
na criação de escolas técnicas como
solução. Segundo Luckesi, o aumento do Ideb, de uma forma
geral, decorre do maior conhecimento da realidade da
educação e de investimentos na área.
"O Brasil avançou. Mas ainda falta muito, especialmente no que
diz respeito à permanência e à qualidade do nosso
ensino. Não adianta só crescer", afirma a especialista em
avaliação da PUC-SP Sandra Acosta.
Governo retira projeto de lei do Legislativo
Fonte: Notícias do Dia, p. 22, 02/07/2010
O governo do Estado vai retirar da Assembléia Legislativa o
projeto de lei complementar 0014.2/2009, referente à
municipalização do ensino fundamental. A decisão
foi anunciada durante uma reunião do governador Leonel Pavan com
representantes do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em
Educação de Santa Catarina), realizada ontem.
“Estamos abrindo um canal de comunicação com os
servidores da Educação e vamos analisar os pleitos com a
atenção devida”, disse Leonel Pavan. O
secretário de Estado da Coordenação e
Articulação, Erivaldo Nunes Caetano Júnior,
também esteve presente na reunião e afirmou que a
ação demonstra a sensibilização do governo
do Estado em relação aos temas da Educação.