26/07/2010
AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor educacional às instituições associadas.
Esclarecemos que as matérias veiculadas não representam, necessariamente, a opinião da Associação.
Caso não queira mais recebê-lo responda esta mensagem inserindo no campo "Assunto" a palavra: REMOVER.
Em breve será implantado diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade na pesquisa

Conselho Nacional de Educação libera súmula parcial de sua reunião de maio

Para compilar as leis

Brasil é 3º mais desigual na América Latina

MEC instaura processo para proibir Unicid de oferecer cursos a distância

A melhor notícia da sucessão presidencial

Complexibilidade de relacionamento com o MEC cria instabilidade em instituições de ensino superior

Chapecó - Salário 20% maior que o de professor

Harvard vai limitar relações entre médicos e laboratórios

Índia apresenta tablete semelhante ao Ipad por US$ 35

Esqueceram de “mim”?

Novas frentes de atuação provocam melhores resultados para mantenedoras

Brasil terá R$ 856 milhões destinados ao financiamento de pesquisas

Mais de 70% de escolas urbanas tem internet de alta velocidade

Aparelho semelhante ao iPad estará a disposição de estudantes indianos em 2011

R$ 650 milhões para distribuir laptops

A carreira de contabilista, por José Maria C. Alcazar*

Faltam 200 contadores em Joinville

Brasil tenta atrair mais estrangeiros para universidades

Ensino

Os resultados do Ideb e do Enem

As propostas para o ensino médio

Sinte vê falhas, governo diz que melhorou

Educação em Santa Catarina

Financiar de forma responsável

Juizados Especiais dos aeroportos começam a funcionar nesta sexta-feira

Bancos apostam em crédito educativo

Ciência e Tecnologia vai destinar R$ 865 milhões ao financiamento de pesquisas

A difícil nota 6 da educação brasileira

Evasão nas faculdades, existe solução?

Professor poderá acumular aulas e bolsas da CAPES e CNPq

A crise econômica e o resgate do ensino

Conselho Nacional de Educação libera súmula parcial de sua reunião de maio
Fonte: Jornal da Educação
Com grande atraso, o CNE finalmente liberou a súmula dos seus pareceres da reunião ocorrida nos dias 4, 5, 6 e 7 de maio.
Foram poucas as decisões: apenas um parecer do Conselho Pleno, três da Câmara de Educação Básica e vinte e nove da Câmara de Educação Superior.
Vê-se que nem todos os pareceres foram incluídos na Súmula. Três deles tinham sido divulgados anteriormente (os 102, 105 e 107). Estão ocultos ainda os pareceres 94, 95 e 114.
O procedimento do órgão dificulta um acompanhamento das decisões que devem ser públicas.
Não se tem conhecimento dos pareceres das sessões de junho e de julho e não há previsão para que eles sejam conhecidos.
(IPAE 137- 07/10)

Para compilar as leis
Fonte: Diário Catarinense, p.10, 25/07/2010
Um projeto inédito, que deve durar 30 meses, está em fase final de elaboração na Assembleia Legislativa. É a consolidação das leis catarinenses.
A proposta é compactar a legislação até o final de 2012 e editá-la. O presidente Gelson Merísio (DEM), que ultima os detalhes para a divulgação do projeto, defende a consolidação por racionalizar a visão geral de toda a legislação no Estado.
– Temos que triar as leis derrocadas, revogadas e repetidas – salienta um entusiasmado Merísio.
O trabalho deverá ser desenvolvido por 10 professores doutores, a partir de um convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina. Unificar a legislação exigirá técnica e muita paciência. O custo não foi revelado. O lançamento ocorre em breve.
Merísio lembra que, dia desses, um estagiário da casa alertou sobre a análise de um artigo de uma lei, que havia sido extinta pela Justiça em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.
– Estávamos prestes a emendar uma norma, o parágrafo de uma lei inexistente – disse Merísio, sem precisar a matéria em questão, mas alertando sobre a atual fragilidade do trabalho de pesquisa no Legislativo.
O presidente da Assembleia explica que a consolidação tem caráter inédito no Brasil. Algo semelhante está em curso em São Paulo. A ideia geral é facilitar a consulta das leis que, de fato, vigoram em Santa Catarina.

Brasil é 3º mais desigual na América Latina
Fonte: Diário Catarinense, p. 12, 25/07/2010
O Brasil tem o terceiro pior índice de desigualdade em toda a América Latina e o Caribe, segundo dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O país está abaixo apenas da Bolívia e do Haiti. O índice que mede o grau de desigualdade ficou em 0,56 no Brasil, enquanto o Haiti registrou 0,59 e a Bolívia, 0,6.

MEC instaura processo para proibir Unicid de oferecer cursos a distância
Fonte: www.cmconsultoria.com.br às 10:56 hs em 26/07/2010
A Secretaria de Educação a Distância, do Ministério da Educação, instaurou processo administrativo para aplicação de penalidades na Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), segundo portaria publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (26).
Segundo a portaria, a penalidade aplicada será o descredenciamento da universidade para oferta de cursos superiores na modalidade a distância. O motivo, de acordo com a secretaria, são deficiências na oferta de cursos superiores a distância.
A universidade não cumpriu termo de saneamento de deficiências, publicado no Diário Oficial de 2 de junho de 2009, “especialmente no que tange à transferência de gestão acadêmica pedagógica aos parceiros”, de acordo com a secretaria.
A portaria afirma que a universidade terá 15 dias para apresentar defesa após receber notificação. O G1 procurou a assessoria de imprensa da universidade e aguarda resposta.
Fonte: G1 - Portal Globo

A melhor notícia da sucessão presidencial
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 25/07/2010 - São Paulo SP
Em começo de campanha, promessas dos candidatos mostram que sabem para onde vento está soprando
Gilberto Dimenstein 
Há persistentes rumores de que determinadas escolas particulares, espalhadas pelo Brasil, estariam fazendo uma seleção de seus melhores alunos para prestar as provas do Enem, influenciando no resultado. As suspeitas sobre o truque fazem sentido do ponto de vista comercial. A boa pontuação aparece na imprensa como sinônimo de porta de entrada para as melhores faculdades e, depois, para os mais cobiçados empregos. Isso se traduz em valor da mensalidade. Há casais que fazem reserva de matrícula antes mesmo de terem filhos. Há pais que preparam as crianças para os futuros -e estressantes- vestibulinhos. O grupo Objetivo, por exemplo, viu-se obrigado a explicar, na semana passada, quando foi divulgada a lista do Enem, que não tinha como meta brilhar no "ranking" ao criar uma escola destinada aos seus melhores alunos, que lhes oferece prêmios de acordo com o desempenho em simulados. Se tivesse garantido a tempo o registro, fazendo valerem as notas, a "nova escola" estaria entre as cinco melhores instituições de ensino do Brasil. Há, nesse debate, um desconhecimento sobre como aferir a qualidade de uma escola. Mas há também a melhor notícia da sucessão presidencial e aí basta analisar as principais promessas dos candidatos.
O desconhecimento é baseado no fato de que boa parte (fala-se em até 70%) do desempenho de um estudante é resultado de fatores externos   à sala de aula. Deve-se em geral às suas habilidades naturais -a inteligência, a disciplina e a força de vontade, por exemplo- combinadas com o "background" familiar. Daí se pode avaliar como o "ranking" é impreciso. As melhores instituições têm mais recursos e tendem a atrair as famílias que têm mais dinheiro e são mais atentas à educação dos filhos. Resta saber se tudo isso vai gerar os melhores profissionais, já que o mercado de trabalho tem suas regras próprias de seleção. Algumas escolas de elite criaram um índice, com a ajuda do Datafolha, para saber se seus ex-alunos estão empregados e quanto ganham muito tempo depois de formados. Independentemente da imprecisão, os indicadores criaram transparência e uma saudável competição, levando as instituições particulares a investir em qualidade, o que envolve cifras bilionárias. Depois da compra do Anglo pela Abril, a Pearson, dona do "Financial Times", arrematou, na semana passada, por R$ 900 milhões, o grupo COC. A competição começa a aparecer no setor público -não só entre governos mas também entre escolas. A melhor notícia da sucessão presidencial até agora é que, neste início de campanha, as principais promessas dos candidatos presidenciais estão ligadas ao ensino. É um óbvio sinal de que eles sabem para onde está soprando o vento. Na semana passada, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou que as mulheres são a maioria do eleitorado. E as pesquisas informam que elas dão mais atenção   à educação do que os homens, fenômeno  especialmente visível na classe C, em que elas vêm ocupando mais posições como chefe de família e abocanhando melhores empregos. São vários os trabalhos que mostram que, ao entrar no ensino médio, a mulher postergou a gravidez.
Na semana passada, o IBGE informou que o índice de desemprego está em 7%. Seria bem maior se os jovens não estivessem retardando a entrada no mercado de trabalho para ficar mais tempo na sala de aula. Estima-se que, sem isso, o indicador já estivesse acima de 10%. É uma tendência que se acentuará com a aprovação da obrigatoriedade de ir à escola até os 17 anos de idade. São sinais inequívocos de que estamos deixando para trás, embora lentamente, o pior dos dados divulgados na semana passada pelo TSE: 1 em cada 5 brasileiros (27 milhões) não foi à escola ou é analfabeto. Computando os analfabetos funcionais, gente que não entende um texto com um mínimo de complexidade, chegaríamos, pelo menos, à metade do eleitorado. De acordo com o TSE, o país ainda tem mais eleitores analfabetos do que formados numa faculdade. PS- Vale a pena ler o documento elaborado pelo Movimento Nossa São Paulo, divulgado na semana passada, em que são relatadas experiências bem-sucedidas de melhoria da qualidade de vida a partir das cidades. Verdadeiro manual de soluções inovadoras, dedica um capítulo às escolas. 

Complexibilidade de relacionamento com o MEC cria instabilidade em instituições de ensino superior
Fonte: Jornal da Educação
Apesar do esforço de alguns setores do MEC há uma grande complexidade no processo de relacionamento das instituições de ensino superior com as diversas Secretarias e órgãos da estrutura do Ministério, como é o caso do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
O sistema de atendimento pessoal é cada vez mais difícil e quando ocorre é feito por servidores que não têm o poder de decisão.
A necessidade de agendamentos onera em muito as mantenedoras uma vez que geralmente não é possível a coincidência de datas. Isso obriga o retorno à Brasília de dirigentes por várias vezes.
É necessário que exista uma mudança nesse quadro eis que os setor público é custeado pela sociedade que paga tributos para ter o atendimento.
(IPAE 138- 07/10)

Chapecó - Salário 20% maior que o de professor
Fonte: Diário Catarinense, p. 24, 25/07/2010
Cansado do baixo salário, o professor de Educação Física Milton Muniz desistiu da vida docente. Para ele, o setor de construção civil foi uma oportunidade de ampliar a renda.
– É um segmento que está em forte expansão – justifica.
Milton fez um curso gratuito de carpintaria no Senai e, há quase dois meses, começou a trabalhar como carpinteiro. Em relação ao que ganhava antes, o salário já é 20% melhor.
O pedreiro Álvaro Rodrigues dos Santos afirma que a procura por profissionais de construção civil aqueceu o mercado de trabalho local. Prova disso é que ele trocou de emprego recentemente e o seu salário quase dobrou nos últimos quatro anos.
56 loteamentos foram aprovados nos últimos 10 anos em Chapecó
40 empreendimentos estão em análise e quatro, em fase de aprovação
31mil pessoas foi quanto cresceu a população de Chapecó desde 2000, segundo o IBGE

Harvard vai limitar relações entre médicos e laboratórios
Fonte: www.cmconsultoria.com.br às 10:29 hs em 23/07/2010 
Profissionais da faculdade não poderão dar palestras para a indústria
Cláudia Collucci
De São Paulo
A partir de 2011, a Faculdade de Medicina de Harvard (EUA), uma das mais prestigiadas do mundo, proibirá seus médicos de dar palestras para a indústria farmacêutica e de equipamentos.
Eles também não poderão aceitar presentes, viagens ou refeições, exceto se isso for autorizado pela faculdade.
No Brasil, o CFM (Conselho Federal de Medicina) já anunciou que os médicos só poderão viajar a congressos com as despesas pagas pela indústria se forem prestar serviço de cunho científico, como dar palestra ou curso.
Os médicos de Harvard terão a permissão de fazer pesquisas patrocinadas pela indústria e de atuar como consultores. Porém, será fixado um limite de US$ 10 mil para os pagamento de pesquisadores clínicos-incluindo os honorários do profissional.
Também não poderão ter mais do que US$ 30 mil em ações de empresas públicas e estão proibidos de fazer parte de empresas privadas-se os produtos e serviços dessa empresa tiverem relação com a pesquisa do médico.
As novas recomendações foram feitas por um comitê ético da faculdade e aceitas pela reitor de Harvard, Jeffrey Flier. Em comunicado à imprensa, a universidade enfatizou que manterá o relacionamento com a indústria, mas dentro de certos limites.
"A nova política vai enfatizar a transparência e eliminar a influência do marketing, mas não impedirá ou limitará indevidamente as muitas parcerias produtivas que a faculdade possa a ter com a indústria."
Educação Médica
Harvard também vai limitar o patrocínio de cursos de educação continuada pela indústria, a exemplo do que já fizeram outras universidades, como a de Michigan.
O financiamento só será aceito se existirem vários patrocinadores e nenhuma entidade corporativa que forneça mais da metade do montante total.
Para o presidente do CFM, Roberto D"Ávila, as escolas médicas brasileiras deveriam seguir o exemplo de Harvard. "Tem que acabar com essa persuasão agressiva da indústria, que começa desde o início do curso", diz ele. 
Fonte: Folha de São Paulo 

Índia apresenta tablete semelhante ao Ipad por US$ 35
Fonte: www.cmconsultoria.com.br às 09:22 hs em 23/07/2010 
Nova Délhi, 23 jul (EFE).- Os estudantes de educação superior da Índia disporão, a partir de 2011, de um computador com acesso a internet semelhante ao Ipad por um custo que rondará os US$ 35.
"O Governo está disposto a subsidiar 50% do custo do dispositivo, portanto o preço final será de 750 rúpias (aproximadamente US$ 16)", disse o porta-voz do Ministério de Desenvolvimento de Recursos Humanos (HRD) indiano, Mamta Varma.
O aparelho, um híbrido de computador portátil e PDA (computador de mão), conta com tela e teclado táteis, conexão Wi-Fi, uma entrada USB e uma bateria de dois watts, e é idôneo para as áreas indianas que quase não contam com conexão elétrica.
Com dimensões de 5x7x9 polegadas, o dispositivo funciona com o sistema Linux e conta com um navegador de internet, um leitor de PDF, dispositivos para videoconferência, open office, reprodutor multimídia e capacidade multi-tarefa, embora não tenha um disco rígido.
"Convidamos às companhias privadas a somar-se à iniciativa. Já recebemos muitas amostras de interesse (para produzir o aparelho)", assegurou Varma, que o comparou com o computador "Ipad" da Apple.
O tablete foi desenvolvido em colaboração por vários grupos de especialistas procedentes dos institutos indianos de tecnologia de Bangalore, Kanpur, Kharagpur, Madras e Mumbai, entre outros, e do Instituto indiano de Ciências.
A princípio, os especialistas desenvolveram um computador com um custo de US$ 100, mas mais tarde conseguiram barateá-lo e, segundo o Ministério, o preço poderia descer até os US$ 10 caso as companhias decidam somar-se à produção. 
Fonte: Yahoo Brasil 

Esqueceram de “mim”?
Fonte: ABMES.edu.com - Fórum julho 20th, 2010 | Author: admin
Prof. Thiago Francisco, Esp.
Coord. de Avaliação e  Pesquisas Institucionais CPA – FACIERC
No ultimo dia 6 de julho a ABMES, com muita propriedade e pertinência, promoveu o Seminário referente às novas regras para o credenciamento de Universidades e Centros Universitários. Apesar de não estar presente, em função da distância (estou em Criciúma/SC), acompanhei o seminário a partir da contribuição da Internet e fiquei extasiado com tantas informações importantes compartilhadas no evento. Porém fica a pergunta: em todo este contexto, onde está a contribuição das IES públicas neste sentido? O que eles estão pensando? Qual é a opinião dos reitores sobre esta nova perspectiva?
Entendo a posição do CNE e, aproveito o contato, para congratular a ABMES pela iniciativa. Na modalidade “a distância”, “participei do seminário” e estudei a fundo os aspectos da lei. Não é possível identificar que as IES que assinaram termos de saneamento de deficiências podem ser penalizadas, tendo seus processos quase que sumariamente arquivados. Contudo, penso que alguns aspectos torna-se coerentes e, certamente, o número de Centros Universitários vai aumentar de modo brusco em função das Universidades que não vão cumprir os aspectos pré-determinados pela Lei.
O discurso do CNE, sempre muito ponderado, apresenta alguns aspectos incoerentes, pois, como foi dito, não é a quantidade de programas scrito-sensu que vai determinar a qualidade da IES, mas sim sua densidade no contexto regional no qual a Universidade está inserida. Desse modo, penso que faltou uma parceria importante entre o CNE e as IES privadas na construção deste instrumento.
De fato, a pesquisa torna-se um “insumo” caro para estas IES, as quais certamente vão preferir este “rebaixamento” e se enquadrar como uma instituição focada no ensino. Contudo, mesmo para os Centros Universitários a extensão passa a ser um fator relevante, bem como práticas de iniciação científica institucionalizadas. Certamente pode ser um fator importante na busca da qualificação do ensino, desde que isso seja repensado sem o peso abrupto do ENADE/CPC/IGC.
Porém, fica a pergunta: Como ficam as IES isoladas neste contexto? Elas, que povoam o mercado do ensino superior, tem uma participação de quase 90% do mercado e são as que mais carecem de políticas públicas e que necessitam de auxílio do MEC, sobretudo por dois motivos: pela ingerência do Ministério e pelo falta de financiamento público que possa construir um auxílio rumo ao posicionamento gerencial. Esperamos, portanto, que novas discussões possam emergir deste processo e, assim, haja a criação das políticas públicas para o ensino superior que, em diversos momentos, foram citadas no documento da CONAE.
As IES menores, responsáveis pela expansão significativa do Ensino Superior no País, têm seu valor dentro do contexto da democratização do ensino superior, sendo, em determinados aspectos, pioneiras na oferta de determinados cursos e metodologias de ensino. E este valor se dá por tais IES estarem na linha de frente de uma batalha que já dura quase uma década, mas que fazem por onde e promovem a democratização do ensino no Brasil. É fato que existem alguns “oportunistas” neste meio, mas a grande maioria tem um significativo reconhecimento da sociedade na qual elas se inserem.
Como um militante deste segmento e um afeiçoado pelo ensino superior, fico no aguardo pelo epilogo das retificações instrumentais e novas resoluções. Que tais aspectos sirvam para a consolidação de uma política publica que agrade gregos e troianos.
Por fim, fico feliz em poder contar com a ABMES, com a AMPESC e com as demais Associações que militam no segmento privado. Ficam, portanto, as congratulações a todos, pela riqueza das discussões promovidas neste meio que compartilha um conhecimento relevante ao desenvolvimento do País.

Novas frentes de atuação provocam melhores resultados para mantenedoras
Fonte: Jornal da Educação
Vários estudos mostram que é impossível que as mantenedoras de estabelecimentos de ensino, tanto de educação básica, como de superior, possam atingir resultados satisfatórios se dependerem somente das contribuições financeiras dos alunos matriculados nos diversos cursos.
A diversificação de frentes de atuação é fundamental, mesmo mantendo o princípio da educação como objetivo primordial.
Há possibilidades de adição de novos recursos por meio de projetos realizados para órgãos públicos, empresas, ONGs, etc.   
Esses ganhos adicionais são fundamentais para que exista o reinvestimento, especialmente em setores pontuais e que representam inovações.
Os melhores resultados vem de unidades que possuem um setor de geração de negócios e de parcerias, feitas, por meio de um processo permanente de relações institucionais.
(IPAE 139 - 07/10)

Brasil terá R$ 856 milhões destinados ao financiamento de pesquisas
Fonte: Jornal da Educação
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, assinou nesse domingo, durante cerimônia de abertura da reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), editais no valor de R$ 865 milhões para o financiamento de pesquisas. Os documentos assinados pelo ministro autorizam a abertura dos editais pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Do montante, R$ 500 milhões serão destinados a pesquisas em empresas privadas. Outros R$ 30 milhões ficarão a cargo da construção de dois novos institutos ligados à ciência do mar. O ministro acredita que o Brasil está perto de fazer parte do grupo de dos maiores produtores de conhecimento científico, o que tem despertado o interesse de multinacionais para trazerem seus centros de pesquisas para terras brasileiras.
A reunião da SBPC será realizada até a próxima sexta-feira, dia 30, em Natal. Durante o evento serão realizados simpósios, seminários, mesas-redondas e outras atividades programadas, voltados ao debate dos cenário atual, eleições presidenciais de outubro e temas relativos às perspectivas para as pesquisas marinhas.
(IPAE 141 - 07/10)

Mais de 70% de escolas urbanas tem internet de alta velocidade
Fonte: Jornal da Educação
Na última sexta-feira, dia 23, o Ministério das Comunicações divulgou que 72,75% das escolas públicas urbanas do país dispõem de acesso à internet de banda larga. Um percentual equivalente a 47.204 instituições de municipais, estaduais e federais. O objetivo do programa Um Computador por Aluno, que foi lançado em 2008, é que até o fim deste ano sejam conectadas 64.879 escolas urbanas.
Apenas no primeiro semestre de 2010 ano foram  beneficiadas pelo programa cerca de 4.206. Os dados são da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O órgão revelou ainda que os estados com maior recebimento de conexões foram São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Maranhão. Já a região com menor acesso ao programa foi a Norte, que de acordo com a Anatel, possuí maior dificuldade de acesso das operadoras.
(IPAE 142 - 07/10)

Aparelho semelhante ao iPad estará a disposição de estudantes indianos em 2011
Fonte: Jornal da Educação
A partir do ano que vem, os estudantes indianos poderão contar com uma nova ferramenta para os auxiliar no estudos. O tablet, aparelho portátil semelhante ao iPad, Apple, foi apresentado na última quinta-feira pelo governo indiano e terá custo aproximado de US$ 35.
A proposta do Estado é subsidiar 50% do valor do aparelho, sendo o restante pago pelos estudantes. O governo espera baratear ainda mais o preço do tablet através de parcerias, chegando a US$ 10.
A ferramenta, que foi elaborada em colaboração com especialistas de institutos de tecnologia de cidades indianas, possui tela touchscreen, conexão Wi-Fi e sistema operacional baseado em Linux.
(IPAE 143 - 07/10)

R$ 650 milhões para distribuir laptops
Fonte: Diário Catarinense, 25/07/2010
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou em Caetés (PE), onde nasceu, o Programa Um Computador por Aluno, que pretende promover a inclusão dos alunos da rede pública de educação básica mediante a distribuição de laptops.
O governo federal pretende investir R$ 650 milhões, usando recursos captados junto ao BNDES.

A carreira de contabilista, por José Maria C. Alcazar*
Fonte: Diário Catarinense, 26/07/2010
Acaba de ser sancionada Lei Federal, uma antiga reivindicação da categoria: a obrigatoriedade do Exame de Suficiência que, a exemplo da prova aplicada aos bacharéis de Direito pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), é uma evolução no sentido de assegurar a necessária valorização para que o futuro profissional de contabilidade possa ter reconhecido seu conhecimento e capacitação por um mercado cuja expansão é notória. O texto valoriza a atividade, estimula maior qualificação no preparo dos contabilistas e, mais importante, garante aos profissionais técnicos já registrados ou que obtiverem o registro até 1º de junho de 2015 o direito ao exercício da carreira. A atividade de contabilista se sofistica e se torna complexa a cada dia. Se examinarmos o mercado, constataremos que a carreira está em ascensão. Hoje, no Brasil, já há 417 mil contabilistas e 70 mil empresas contábeis.
Os profissionais da categoria sabem: quem não encarar seu cotidiano como aprendizado permanente corre o risco de estagnar. A disposição para o estudo, portanto, é uma necessidade. E uma obrigação para com o cliente. Os futuros profissionais contabilistas, necessariamente, terão de ter uma base acadêmica sólida para ampliar as oportunidades de crescimento. E o Exame de Suficiência é o primeiro passo de uma vida de aprendizado constante.
Militamos em uma área em que as oportunidades se multiplicam. Atualmente o contabilista não é mais coadjuvante – é protagonista. Empresas de todos os portes não podem prescindir das informações desses profissionais simplesmente porque elas são cruciais para a tomada de decisões.
O Exame de Suficiência busca oferecer, ao mercado, profissionais valorizados e aptos para atender as demandas do sistema produtivo contemporâneo.
* Empresário, presidente do Sescon/SP

Faltam 200 contadores em Joinville
Fonte: Jornal A Notícia, 25/07/2010
Em Joinville, faltam 200 contadores, diz o presidente do Sindicato das Empresas Contábeis de Santa Catarina (Sescon-SC), Elias Nicoletti Barth. Há 25.874 empresas informais no município, apontam as contas da instituição. O Sescon cria a universidade corporativa no Estado que inicia atividades no próximo ano. Nova lei obriga o exame de suficiência para quem se formar em ciências contábeis, a exemplo do que acontece com os bacharéis em direito. Ele alerta para a importância de empresas agirem dentro da lei: “A fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado já tem instrumentos e sabe quem está inadimplente”.
Perfil
Elias Nicoletti Barth é nascido em Guabiruba (SC), formado em ciências contábeis e tem especialização em controladoria. Está há quatro anos no comando do Sescon. Foi diretor da Associação de Joinville e Região da Pequena, Micro e Média Empresa (Ajorpeme) por dois anos. Antes, atuou por 15 anos na área financeira e está há 26 anos na atividade contábil.
Atuação
A área de contabilidade está presente em várias frentes, entre elas, a de assessoria de gestão em empresas. Só 20% dos profissionais têm cursos de pós-graduação. As micro e pequenas procuram mais os serviços de gestão financeira.
Empreendedor individual
Em Santa Catarina, há 12.436 microempreendedores legalizados. A expectativa é de se chegar a 25.874. No Estado, estima-se haver 258 mil empreendimentos informais. São os casos de manicures, encanadores, carpinteiros, pedreiros, por exemplo. No Brasil, são 311.124, com projeção de se chegar a 1.033.596 legalizados. O objetivo é trazê-los para a formalidade. A rigor, há um milhão de informais. Na prática, para efeito de cadastro, eles são considerados desempregados. Não aparecem em registro algum. O microempreendedor individual paga um só tributo, de R$ 57,15 por mês. Pode ter um só empregado e deve faturar, no máximo, R$ 36 mil por ano.
Desafio
O principal desafio é o profissional ser valorizado e reconhecido. A partir de 1º de junho de 2015, só os contadores graduados poderão assinar os documentos e demonstrativos. Até lá, os técnicos em contabilidade terão de ser registrados no Conselho Regional de Contabilidade para continuarem a trabalhar. A lei 2249/2010 exige exame de suficiência, regulamentando a fiscalização pelo conselho regional. A lógica passa por flexibilidade maior nas anuidades do CRC e punições mais severas para o exercício indevido da profissão.
Substituição tributária
Este modelo permite a cobrança de impostos na hora em que o produto sai da fábrica. E o comerciante recupera o pagamento antecipado quando vende a mercadoria ou o serviço. Ele está “estocando imposto”. E como a média da base de cálculo de ICMS (presunção de valor cobrado do cliente final) sobre os itens é de 40%, isso representa um problema. Especialmente para as microempresas.
Nota fiscal
A introdução de nota fiscal eletrônica e do sistema SPED fiscal vai facilitar cada vez mais o trabalho da fiscalização de tributos. O trabalho online já permite o controle de estoques mensais de grandes e médias empresas. Isso também deve chegar ao conjunto das companhias menores. Esta circunstância vai forçar que todos se ajustem à legislação. O Brasil caminha para ser um país sério nas relações comerciais e no trato entre as empresas e os governos. E vai aí um alerta: o sistema de tributação estadual já sabe se o comprador está inadimplente.
Universidade
A Universidade Corporativa Contábil de Santa Catarina vai entrar em funcionamento em 2011, com sede em Florianópolis. Terá parceria com instituições de ensino de diferentes regiões do Estado. Vai oferecer cursos regulares e cursos rápidos.
Cursos
É necessário que os cursos melhorem de qualidade. Com certeza, vão surgir mais cursos práticos, não necessariamente vinculados às universidades. Em Joinville e em Florianópolis já há cursos com este foco. Alguns duram de 32 a 80 horas. Um dos problemas mais sérios para as empresas é a dificuldade de encontrar gente habilitada. O custo do treinamento interno nos escritórios de contabilidade é alto. E demora dois anos. Faltam 200 contadores no mercado de Joinville. Há 190 empresas do setor, que empregam 2,2 mil pessoas.
Cursos
É necessário que os cursos melhorem de qualidade. Com certeza, vão surgir mais cursos práticos, não necessariamente vinculados às universidades. Em Joinville e em Florianópolis já há cursos com este foco. Alguns duram de 32 a 80 horas. Um dos problemas mais sérios para as empresas é a dificuldade de encontrar gente habilitada. O custo do treinamento interno nos escritórios de contabilidade é alto. E demora dois anos. Faltam 200 contadores no mercado de Joinville. Há 190 empresas do setor, que empregam 2,2 mil pessoas.
Prazo
Até dezembro, todas as áreas de atividade econômica sem exceção deverão adotar a nota fiscal eletrônica. Em abril, eram 68 setores enquadrados. Em julho, vão se enquadrar mais 89, e em outubro, outros 47 vão ter de aderir.
Guias
As empresas de contabilidade emitem 1.037.310 guias de tributos por mês, em Santa Catarina, onde há 14.232 profissionais registrados no Conselho Regional de Contabilidade. Há 2.922 empresas de contabilidade. Elas atendem a 207.462 clientes. As empresas empregam 16.948 trabalhadores.
Futuro
O setor contábil vai crescer mais nas áreas de auditoria e consultoria em gestão fiscal. A necessidade de contadores para as pequenas empresas vai aumentar. E também vai crescer a demanda para o setor público.
Digital
Já estão em operação 15 mil certificados digitais no Estado. Com esta tecnologia, que facilita o cotidiano de contadores e clientes, no futuro não será mais necessário fazer alguns serviços burocráticos pessoalmente. Com destaque para aqueles ligados a questões envolvendo a Junta Comercial de Santa Catarina.

Brasil tenta atrair mais estrangeiros para universidades
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 24/07/2010 - São Paulo SP
Hoje, colombianos e peruanos lideram a demanda de fora por educação superior
Sabine Righetti 
As principais universidades brasileiras querem aumentar o número de alunos estrangeiros na graduação e pós-graduação no país. O total de estudantes de outros países em grandes universidades do mundo, como as americanas Columbia, Harvard e Stanford e a britânica Cambridge, giram em torno de 20%, somando graduação e pós-graduação. Na USP, Unesp e Unicamp -que estão entre as principais universidades do país e, juntas, somam mais de 50% da produção científica nacional- a fatia de estrangeiros está em torno de 2%. "Estamos aumentando o escritório de internacionalização e triplicando o número de funcionários", contou o reitor da Unicamp, Fernando Costa, à Folha. Lá, boa parte dos atuais 533 estrangeiros são da Colômbia (155) e Peru (126). Para ele, é preciso ter infraestrutura para atender esses alunos, "coisa que já existe nas universidades europeias e americanas".  A agrônoma uruguaia Cecilia Gianoni concorda. Ela decidiu fazer doutorado no Brasil depois de alguns trabalhos em cooperação com a Unicamp. "A infraestrutura é boa, mas a burocracia é maior do que na Argentina, onde fiz mestrado", conta. Parte desse arcabouço necessário é o sistema de bolsas de estudos. As duas principais instituições de fomento à pesquisa nacionais, Capes e CNPq, oferecem juntas quase 2.000 bolsas para estrangeiros na pós-graduação no país, a maioria de países da América Latina, em especial Peru e Colômbia. "Estamos pagando para formar estrangeiros? Não é isso. Trata-se de um trabalho de colaboração", diz Vahan Agopyan, pró-reitor de pós-graduação da USP -na qual a internacionalização também está sendo priorizada.
De dentro pra fora - Agopyan lembra que   a ideia também é enviar estudantes brasileiros para fora do país. Hoje, USP e Unicamp têm cerca de 2,5% dos alunos da pós-graduação com experiência internacional. A Unicamp quer chegar a 15%. Já a USP não fala em números específicos. O corpo docente também tem sido alvo das políticas. Para atrair os professores de fora, a Unicamp espalhou anúncios em revistas internacionais e já recebeu mais de 150 pretendentes. "A meta é ter professores estrangeiros em áreas deficitárias no Brasil", diz o reitor da Unicamp. Aulas em inglês, como ocorre nas grandes universidades internacionais, não estão nos planos ainda. Mas a hipótese não está descartada. "Isso não fere a identidade nacional", diz Agopyan. A USP já tem uma pós-graduação internacional, em Piracicaba, totalmente em inglês, e em parceria com instituições dos EUA. Talvez seja apenas a primeira.

Ensino
Fonte: Clipping Educacional Consae - Estado de Minas, 26/07/2010 - Belo Horizonte MG
Governo institui programa de assistência estudantil
Paulo Márcio Reis Santos, Advogado, professor universitário, mestre 
Dia 20, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o Decreto 7.234, que instituiu o Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), a ser executado pelo Ministério da Educação (MEC). O programa espera democratizar as condições para a permanência dos jovens na educação superior pública federal, minimizar os efeitos das desigualdades sociais e regionais na educação superior, reduzir as taxas de retenção e evasão e contribuir para a promoção da inclusão social pela educação. A norma determina que o Pnaes deverá articular as atividades de ensino, pesquisa e extensão, para atender os estudantes matriculados em cursos de graduação presencial das instituições federais de ensino superior (Ifes). As ações assistenciais do programa serão desenvolvidas nas áreas de moradia estudantil, alimentação, transporte, atenção à saúde, inclusão digital, cultura, esporte, creche, apoio pedagógico e ao acesso, participação e aprendizagem de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas   habilidades e superdotação. Essas ações buscam viabilizar a igualdade de oportunidades aos estudantes, contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico e agir, preventivamente, nas situações de retenção e evasão decorrentes da insuficiência de recursos financeiros.
O decreto prevê que os critérios metodológicos para a seleção de alunos beneficiados pelo Pnaes caberão às instituições federais de ensino. Prioritariamente, o Pnaes atenderá estudantes oriundos da rede pública de educação básica ou com renda familiar de até um salário mínimo e meio. Além desses requisitos, as instituições fixarão as condições para a percepção de assistência estudantil e os mecanismos de acompanhamento e avaliação do programa. As despesas com o programa correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao MEC ou às instituições federais. O Poder Executivo deverá compatibilizar a quantidade de beneficiários com   as dotações orçamentárias existentes, observados os limites estipulados na forma da legislação orçamentária e financeira.
Em que pese o ensino superior gratuito nas universidades federais, nem todos os estudantes concluem os cursos. A ausência do pagamento das mensalidades não afasta, contudo, os gastos com transporte, moradia, alimentação, material didático, cuidados com a saúde, lazer e equipamentos de informática. Os custos para a manutenção na faculdade acabam resultando no abandono dos estudos. Segundo o MEC, 40% dos estudantes que ingressam nas universidades públicas não conseguem concluir o curso. Essa evasão ocorre por fatores internos e externos ao sistema. Espera-se que a implementação do Pnaes reduza a evasão estudantil. Não há dúvidas de que essa democratização também permitirá a maior efetividade do princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, previsto pelo artigo 207 da Constituição Federal. 

Os resultados do Ideb e do Enem
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 24/07/2010 - São Paulo SP
A divulgação pública das notas fornece informações sobre a qualidade da educação de cada escola
Fernando Veloso 
Neste mês foram divulgados os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2009. O Ideb, criado em 2007, é um indicador que combina os resultados da Prova Brasil com a taxa de aprovação. Como todas as escolas públicas urbanas de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental são avaliadas, é possível calcular o Ideb de cada escola. O Enem foi criado em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho dos alunos da 3ª série do ensino médio e daqueles que já tenham se formado e queiram ingressar no ensino superior. Embora seja calculado para cada escola pública ou privada, o Enem, diferentemente do Ideb, é um exame voluntário. A nota da escola no Ideb ou no Enem tem um papel importante de contribuir para que seja feito um diagnóstico dos problemas de cada escola e, com isso, permitir que sejam encontradas soluções adaptadas para o contexto local. Além disso, a divulgação pública das notas fornece informações sobre a qualidade da educação de cada escola e, com isso, pode gerar uma pressão por parte de pais e gestores para a melhoria dos resultados.
No entanto, várias dificuldades precisam ser levadas em conta na interpretação dos resultados. Primeiro, é preciso que o exame seja bem desenhado e avalie de forma adequada as competências  que os alunos devem adquirir em cada série e nível de ensino. Outra dificuldade decorre do fato de que as notas podem variar devido às condições nas quais os exames foram feitos ou do grupo de alunos que fez o exame em um ano específico. No caso do Ideb, isso afeta particularmente o desempenho de escolas pequenas, que, muitas vezes, apresentam grandes variações nas notas em um período curto de tempo. No caso do Enem, o caráter voluntário do exame cria dificuldades para sua utilização na avaliação da qualidade das escolas.
Em 2009, o Enem teve taxa de abstenção muito alta. Uma reportagem publicada na Folha mostrou que escolas de São Paulo com abstenção elevada tiveram grande salto no ranking entre 2008 e 2009. Além disso, várias pesquisas mostram que as notas dos alunos são muito relacionadas às características socioeconômicas de suas famílias, como a escolaridade dos pais. Para que os responsáveis por bons resultados sejam premiados de forma adequada, é preciso que se utilize uma medida do valor adicionado pela escola ao desempenho do aluno. Estudos qualitativos realizados pelo MEC analisaram as características das escolas e redes de ensino que obtiveram resultados expressivos em comparação com escolas e redes similares em termos do perfil socioeconômico dos alunos e de sua localização  geográfica. Embora as estratégias sejam distintas, os casos de sucesso envolvem uma combinação de determinados elementos, que também são compartilhados por escolas e redes que obtiveram bons resultados no Ideb e no Enem de 2009.
Um fator fundamental é a qualidade dos professores, que depende não só de sua formação mas da sua dedicação e da capacidade de transmitir conhecimentos. Outra característica importante é o uso contínuo de avaliações internas e externas para acompanhar o desempenho individual dos alunos. A participação dos pais e da comunidade na escola é outro elemento comum nas experiências bem-sucedidas e contribui tanto para uma cobrança das escolas como para uma melhoria do ambiente de aprendizagem em casa. Além disso, é preciso ter uma boa gestão, seja por parte dos diretores no caso das escolas, seja por parte dos dirigentes educacionais no caso das redes. O grande desafio é replicar esses casos isolados de sucesso para todo o sistema educacional. Embora não existam receitas únicas, uma estratégia baseada na combinação de metas claras de aprendizagem, avaliação contínua, premiação de bons resultados e seleção e retenção de professores com base em critérios de mérito pode ser bastante efetiva para melhorar a qualidade da educação.

As propostas para o ensino médio
Fonte: Diário Catarinense, p.6, 25/07/2010
Ensino médio na rede pública é o tema deste domingo do “Vida Real” , série que busca saber a posição dos candidatos sobre questões que não fazem parte do cardápio de generalidades das campanhas. É uma forma de ajudar o eleitor a descobrir o que pensam de fato os candidatos que tentam a chance de governar o Estado de Santa Catarina.
O perfil do ensino médio em Santa Catarina pode ser resumido em uma palavra: desigualdade. Entre as escolas públicas e privadas, entre as urbanas e as rurais, dentro da própria rede pública de ensino e desigualdade de oportunidades para os estudantes. Essas características foram reveladas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com base no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
No Enem, a média catarinense da rede estadual de ensino foi de 531,54, de uma escala de 0 a mil. Comparando com outros Estados, à primeira vista, a avaliação pode ser considerada positiva, já que que SC está nas primeiras colocações.
O Estado teve a segunda maior média das redes estaduais e 281 das 515 escolas catarinenses participantes tiveram nota acima da média nacional, de 529. Apesar disso, especialistas alertam para o baixo desempenho da educação no país como um todo e afirmam que, mesmo acima da média, uma nota de 531,54 numa escala que vai até mil, não pode ser considerada suficiente.
– O Enem é um tipo novo de exame e a rede de ensino como um todo ainda não está muito familiarizada com ele. De qualquer forma, ele nos ajuda a revelar fragilidades no ensino e espera-se que os responsáveis reajam e adotem medidas. A média nacional é muito baixa e a nota de SC não nos coloca em uma situação privilegiada por estarmos um pouco acima – avalia a professora universitária, doutora em educação e pesquisadora em ensino médio, Ione Valle.
A professora destaca que em SC menos de 50% dos jovens entre 15 e 19 anos estão no ensino médio e o percentual dos que concluem é ainda menor. Segundo ela, o número de escolas não é suficiente e não há uma pressão popular para que se dê condições de acesso a essas séries.
Além disso, Ione enfatiza que o ensino médio catarinense é desigual e injusto para os alunos da rede pública, que não têm as mesmas oportunidades oferecidas na rede privada.
A pesquisadora Leda Scheibe também pondera que a média nacional é baixa e alerta para outra questão:
– Considerando nossa situação econômica, o resultado deveria ser bem melhor.
diario.com.br
mayara.rinaldi@diario.com.br
MAYARA RINALDI

Sinte vê falhas, governo diz que melhorou
Fonte: Diário Catarinense, p.6, 25/07/2010
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação, os baixos índices são resultados da falta de políticas públicas de educação. Segundo o Sinte, as políticas são paliativas.
– Não há valorização, faltam investimentos nas escolas e capacitação dos professores. Se estamos nas primeiras posições na comparação com outros Estados, os méritos são dos professores e trabalhadores – afirma a secretária geral Anna Julia Rodrigues.
Segundo o diretor de Educação Básica e Profissional da Secretaria de Estado da Educação, Antonio Pazeto, SC teve melhorias em relação a anos anteriores. A Secretaria estuda o resultado do Enem e vai orientar diretores a adotarem medidas nas áreas em que as pesquisas indicaram deficiências.

Educação em Santa Catarina
Fonte: Diário Catarinense, p.6, 25/07/2010
1. As escolas públicas catarinenses ficaram mal no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Que projetos o sr (a) adotaria para melhorar esse quadro?
Amadeu Hercílio da Luz (PCB)
Esse resultado é reflexo das políticas neoliberais e autoritárias através dos governos conservadores que sempre comandaram o Estado. Falta de valorização salarial dos professores, pouco apoio material aos estudantes, escolas com estruturas precárias só podem resultar em educação de péssima qualidade. Enquanto os filhos dos trabalhadores são submetidos a uma educação de segunda classe, o Estado entrega milhões em isenção fiscal às grandes empresas.
Angela Amin (PP)
A capacitação contínua dos professores em diferentes áreas e do conhecimento. A adoção de métodos de gestão, com indicadores e metas, e a devida preparação das pessoas para a função. Revisão e atualização dos métodos de ensino e principalmente possibilitar a participação da família nas ações escolares.
Ideli Salvatti (PT)
O Estado pode e deve funcionar melhor. Melhoraremos a qualidade do conjunto do serviço público estabelecendo metas. Na educação, precisamos ter metas claras de redução da evasão, melhoria no rendimento. Nosso compromisso é a valorização dos profissionais, a instituição do Piso Salarial Profissional Nacional e a definição de um pacto com os professores para efetivação dessas melhorias. É uma via de duas mãos, onde todos colaboram e se comprometem com os objetivos comuns.
Gilmar Salgado (PSTU)
O investimento na educação pública é baixíssimo, assim como os salários dos professores. A reforma da previdência de Lula impede os educadores, adoecidos pelo excesso de trabalho, de se aposentarem. Defendemos formação de professores garantida pelo Estado, piso nacional dos professores rumo a R$ 2,1 mil para 20 horas/aula, concursos públicos e eleições diretas para a direção das escola. Dobrar as verbas, com 10% do PIB para ter uma educação pública, estatal e de qualidade.
Carmelito Smieguel (PMN)
Planejamento para motivação dos alunos e professores, porque não são só os professores que estão desmotivados. Os alunos também. Melhoraria os salários dos professores e incentivo sem discriminação para melhorar a qualidade dos professores. Assim, com certeza, a qualidade do aprendizado dos alunos das escolas públicas será em igualdade com o ensino praticado pelas escolas privadas.
Raimundo Colombo (DEM)
É preciso fortalecer os laços entre as comunidades e escolas. Isso fica mais fácil quando damos maior poder às associações de pais e professores para decisões sobre investimentos. Em segundo, a qualificação dos professores é fundamental. Isso tem que ser permanente, ininterrupto. Em terceiro, estimular o ensino integral, criando condições para atividades complementares à grade curricular. Essas ações fortalecem a escola como instrumento de integração social e a melhoria do ensino.
Rogério Novaes (PV)
Uma estratégia moderna na gestão pública, bastante complexa na aplicação, mas compensadora, é a meritocracia. Essa ferramenta se presta muito bem ao estímulo e à promoção do trabalho do servidor público. No magistério, nosso Estado caminhou contra a evolução marginal mínima ao se opor ao piso salarial nacional. Essa prática inversa ao investimento precisa ser repensada. Nosso compromisso é com o reconhecimento das pessoas que formam a estrutura pedagógica.
Valmir Martins (PSOL)
Faz algum tempo que nossas escolas andam mal das pernas. No meu tempo, quem estudava em escola pública não precisava estudar em cursinho para ser aprovado em vestibular. Hoje, não é mais assim. Como está o índice de aprovação em vestibular nas mesmas condições? A primeira medida é aplicar o piso salarial do magistério aprovado no Congresso. Não há ensino de qualidade sem remuneração decente. A segunda é dar autonomia, com eleição direta para diretores.
2. A Secretaria de Estado da Educação avalia projeto para municipalizar as escolas estaduais de ensino fundamental, com o argumento de que, com isso, terá mais dinheiro para o ensino médio. O sr (a) concorda ou propõe alguma alternativa?
Amadeu Hercílio da Luz (PCB)
Em primeiro lugar este projeto é uma aplicação das políticas do Banco Mundial na educação catarinense. A municipalização visa a descentralizar o ensino fundamental, abrindo possibilidade de privatização da educação básica, o que já vem ocorrendo com a terceirização
das serventes e merendeiras. Esta política vem sendo aplicada também em nível federal. O PCB não concorda, entende que o aumento dos investimentos na educação deve se dar através do Estado sob o controle dos trabalhadores.
Angela Amin (PP)
Proponho, entre outras alternativas, a discussão com os municípios sobre a viabilidade financeira que os mesmos terão para assumir as unidades escolares. Além disso hoje existe o Fundeb, que foi criado exatamente para garantir recursos financeiros para a melhoria da qualidade do ensino médio.
Ideli Salvatti (PT)
A municipalização pode ocorrer se for adequada ao aluno. Cada caso precisa ser analisado, porque há municípios sem a menor condição de assumir. Ao municipalizar, o Estado precisa transferir os recursos em função do Fundeb. Nosso objetivo é ser o primeiro Estado a cumprir
a meta de obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos até 2016. Isso só foi possível com a aprovação da mudança na Constituição, por mim proposta, que garantiu mais recursos para a educação. Somente este ano foram cerca de R$ 10 bilhões.
Gilmar Salgado (PSTU)
A municipalização em nada melhorará a qualidade da educação. Ao contrário, levará à privatização, pois as prefeituras não terão dinheiro para manter as escolas. Trará ainda demissões e retirada de direitos dos professores. O PSTU assume a posição dos educadores da rede pública de nosso Estado contra a municipalização. A primeira vitória já veio: nossa luta conjunta fez o governo LHS-Pavan retirar o projeto que estava na Assembleia Legislativa. Mas é preciso ficar alerta, pois a ameaça à educação é permanente.
Carmelito Smieguel (PMN)
Sou radicalmente contra municipalizar serviço de educação do ensino fundamental para sobrar mais dinheiro aos outros níveis de educação. Assim o governo esta querendo transferir para os municípios a culpa da má qualidade do ensino fundamental. Sou favorável a transferir o ensino fundamental para os municípios desde que seja transferida verba proporcional para cobrir as despesas do município com mais este nível de educação. Desde 1996 venho lutando pela implantação do orçamento regionalizado.
Raimundo Colombo (DEM)
Acho a alternativa válida. Mas sempre caímos no problema da perversa distribuição da carga tributária entre União, Estados e municípios. Como a União fica com 66% dos tributos arrecadados e prioriza o ensino superior, faltam recursos para o ensino fundamental e médio. Mas quanto mais perto a gestão da escola estiver das comunidades, melhor será o controle de qualidade. Como a situação dos municípios é a pior na distribuição da arrecadação tributária, nem a União nem o Estado devem transferir as responsabilidades.
Rogério Novaes (PV)
O Estado catarinense permitiu, ao longo de muito tempo, esse modelo não uniforme e descomprometido de administrar a educação. SC participa, conforme a região e a cidade, desde o ensino pré-escolar até o terceiro grau e a pós graduação. Isso precisa ser revisto criando foco e compromisso naquilo que se tem eficiência. Tal mudança, no entanto, não pode ser feita em curto prazo. Consagramos a ampliação de investimento no ensino médio e no ensino técnico, mantendo condições atuais nos outros níveis.
Valmir Martins (PSOL)
A Secretaria da Educação já está transferindo a responsabilidade para outras instituições faz algum tempo. No lugar de abrir espaços públicos de qualidade para bem educar, nossos governos procuram se desobrigar do problema. Criança fora da escola constitui-se em um belo
caldo de cultura para o desenvolvimento da criminalidade. Não querem manter escolas e são obrigados a manter cadeias para menores. Melhor destinar mais à educação do que buscar recursos para minimizar o problema da violência.
3. Professor assíduo e de escola com boa avaliação deve ganhar mais?
Amadeu Hercílio da Luz (PCB)
Não concordamos com a chamada remuneração por desempenho. Essa política coloca os trabalhadores numa lógica de competição e de individualismo. O que deve ser feito é a valorização dos professores, por um piso nacional baseado no salário mínimo do Dieese, por 20h, com a hora-atividade respeitada. Os trabalhadores devem ter mais e melhores direitos, coisa que o capitalismo não pode e não poderá proporcionar. Uma sociedade plena de direitos só se realizará no socialismo.
Angela Amin (PP)
A meritocracia tem demonstrado ser um sistema eficiente de gestão, porém válido desde que os critérios sejam discutidos e pactuados entre gestores e integrantes do magistério público estadual. Sua implementação deve ter como objetivo não só premiar os professores, mas principalmente, proporcionar ensino com qualidade.
Ideli Salvatti (PT)
Nossa proposta é de que todas as escolas alcancem boa avaliação. Na educação, 82% dos profissionais são mulheres que são mães, esposas e donas de casa. Isso faz com que elas faltem mais ao trabalho. A Secretaria da Educação precisa ter uma política específica para as
mulheres e um quadro para substituí-las em sala de aula em caso de falta. A melhoria da qualidade da educação é um processo coletivo entre Estado, município e União, com participação da sociedade.
Gilmar Salgado (PSTU)
O desempenho do professor e da escola dependem das condições e do financiamento que o Estado dá para a educação. Hoje, os governos pagam péssimos salários e cortam verbas, mas jogam a culpa dos problemas nos professores, punindo-os com esse tipo de avaliação. É um
absurdo. Pais, professores e estudantes é que deveriam poder avaliar e trocar os péssimos diretores e secretários de educação indicados pelos governos, através eleição direta nas comunidades escolares.
Carmelito Smieguel (PMN)
Conheço muito bem esta profissão. Meus pais são professores aposentados, hoje existe o plano de carreira com a avaliação de desempenho que ajuda a melhorar os salários destes professores abnegados. O que precisa mesmo é aumento real de salário, valorização dos professores por parte de alunos, pais de alunos e, essencialmente, pelo governo estadual.
Raimundo Colombo (DEM)
Defendo a meritocracia. A sociedade não suporta mais ter de arcar com custos ou investimentos iguais para compromissos públicos diferentes. O estímulo financeiro deve ter um espaço, sem ser o único mecanismo, para estimular a qualidade do ensino e da motivação da gestão das escolas e professores. Eles precisam de apoio para darem essas respostas, mas sistemas de avaliação devem ser implementados para valorizarmos que se envolvem em dar retorno à sociedade.
Rogério Novaes (PV)
A prática deve ser a meritocracia. Uma política que premie aqueles que mais contribuem com o bom resultado, respeitando as diferenças interpessoais. A assiduidade é compromisso e não fica estabelecida em construção de valores, o contrário sim e no sentido inverso. Agora o resultado do trabalho, vai passar sim, a ser considerado. Para que não sejam criadas falsas expectativas, essa política é de alguma complexidade e terá procedimentos de ajustes e correções na aplicação.
Valmir Martins (PSOL)
De jeito nenhum. Não se pode confundir escola pública de qualidade e socialmente referenciada, com mercadorias. Professor tem que ser bem remunerado e preparado. Tem que ter cursos de especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Este tem que ser um dos objetivos da Secretaria da Educação e, principalmente, da escola, que deve ser autônoma. Ser assíduo é obrigação do servidor. Quando alguma escola não vai bem, temos que ter políticas para enfrentar a questão.

Financiar de forma responsável
Fonte: Diário Catarinense, p.12, 25/07/2010
O Instituto Ethos e a Transparency International lançaram uma cartilha destinada às empresas que desejam fazer doações para as campanhas políticas deste ano. A intenção das duas organizações é orientar as empresas sobre como financiar de forma socialmente responsável e dentro do que a Legislação Eleitoral brasileira permite.
Um estudo feito pelas duas organizações apontou que as principais financiadoras das campanhas no Brasil são, de fato, as empresas. Nas últimas duas eleições, os recursos privados de doações de pessoas físicas ou jurídicas, dos próprios candidatos ou dos partidos foram estimados em R$ 4,6 bilhões.
Desse total, R$ 500 milhões foram doações de 486 empresas que figuram entre as maiores do país. A quantia é muito superior ao que é disponibilizado publicamente aos partidos pelo Fundo Partidário: cerca de R$ 190 milhões por ano.
– O financiamento privado é determinante nas eleições – afirmou Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos. Segundo ele, é por esta razão que as empresas devem tomar alguns cuidados quando decidirem fazer doações para algum partido político ou candidato.
– Tenha critérios para escolher o candidato. Um é saber a vida pregressa do candidato. Ver se ele tem a ficha limpa, por exemplo – ressaltou. Outra dica que foi destacada por Itacarambi é para que as empresas cobrem dos candidatos um compromisso público com suas promessas de campanha.
De acordo com a cartilha, denominada A Responsabilidade Social das Empresas no Processo Eleitoral e que está disponível gratuitamente pelo site www.ethos.org.br, as empresas que mais contribuíram para as eleições são as da área de construção (cerca de 25% do total), seguida pelas de bens de consumo e de siderurgia e metalurgia (ambas com 12%) e os bancos (8%). Pela legislação atual, as empresas podem doar até 2% do faturamento bruto que tiveram no ano anterior ao da eleição.
A cartilha foi lançada na Conferência Latino-Americana sobre Responsabilidade Corporativa na Promoção da Integridade e no Combate à Corrupção, promovida pela Controladoria-Geral da União (CGU) com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O Instituto Ethos é uma organização não governamental criada para mobilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma sustentável. Já a Transparency International é uma organização da sociedade civil, com representação em mais de 90 países, que luta contra a corrupção em todo o mundo.

Juizados Especiais dos aeroportos começam a funcionar nesta sexta-feira
Fonte: Conselho Nacional de Justiça
A partir desta sexta-feira (23), passageiros que utilizarem os aeroportos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília poderão contar com os serviços dos juizados especiais para solucionar problemas relacionados a serviço de transporte aéreo. O corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, participa da cerimônia de inauguração das unidades judiciárias no aeroporto Juscelino Kubitschek, nesta sexta-feira (23/7), às 14h, em Brasília. A solenidade será realizada no saguão do desembarque 5, no térreo do aeroporto e também contará com a presença do presidente da Infraero, Murilo Marques Barboza, e do presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), desembargador Otávio Augusto Barbosa.
A cerimônia em Brasília marca o início do funcionamento das unidades judiciárias em cinco aeroportos brasileiros: Galeão e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, Congonhas e Guarulhos, em São Paulo e Juscelino Kubitschek, em Brasília. No Rio de Janeiro, o presidente do Tribunal de Justiça do estado, desembargador Luiz Zveiter, inaugura o juizado especial do aeroporto Santos Dumont também nesta sexta-feira (23/7), às 14h, em cerimônia no Salão de Embarque do Aeroporto Santos Dumont. Em São Paulo, o presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), desembargador Roberto Luiz Haddad, assina portaria que regulamentará o funcionamento dos juizados de São Paulo, em cerimônia que será realizada às 14h, desta sexta-feira (23/7), na sede do TRF3, térreo, localizado à Avenida Paulista, 1842.
Em todas as unidades judiciais, os passageiros poderão solucionar eventuais conflitos relacionados a viagens, como overbooking, atrasos e cancelamentos de voos, extravio, violação e furto de bagagens, falta de informação, entre outros, sem sair do aeroporto. Os juizados especiais funcionarão em salas cedidas pela Infraero em locais de fácil acesso, com sinalização adequada e por tempo indeterminado. No aeroporto de Brasília, a unidade está instalada no primeiro andar atrás do balcão de vendas de passagens das companhias aéreas. No Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o atendimento será prestado no prédio de embarque em sala situada próximo à área de check-in e ao posto médico, enquanto  no Galeão (RJ) o juizado funcionará no 2º andar do Terminal de Passageiros 1, no setor de embarque internacional B.
Em São Paulo, no aeroporto de Congonhas, o serviço será prestado em duas salas localizadas no mezanino do saguão principal do aeroporto, ao lado do posto dos Correios. Já em Guarulhos, os cidadãos podem  buscar atendimento no Terminal 1, Asa 'B', no corredor que fica atrás dos balcões de check-in das empresas aéreas e ao lado do posto médico. A instalação dos juizados nos aeroportos está sendo feita pelos Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais dos respectivos estados, sob a orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Provimento 11, assinado pelo ministro Gilson Dipp, na última terça-feira (20/7), regulamenta a instalação. A medida decorre do aumento de reclamações em relação ao serviço de transporte aéreo.
Funcionamento – Cada juizado terá uma equipe de funcionários e conciliadores, sob a coordenação de um juiz, que tentará solucionar os conflitos por meio de um acordo amigável entre os viajantes e as companhias aéreas ou órgãos do governo. Para isso, as empresas e órgãos terão de indicar um funcionário responsável em cada um dos aeroportos, que participará da audiência de conciliação, sempre que surgir uma situação de conflito. Cada unidade estará subordinada à coordenação de um juiz estadual e de um juiz federal.
Se o problema não for resolvido por meio do acordo, o passageiro pode apresentar pedido simplificado, oral ou escrito, para dar início a um processo judicial. Nesse caso, o tribunal estadual ou federal competente será acionado para que encaminhe o processo ao juizado especial mais próximo do domicílio do passageiro, onde tramitará a ação. São de competência da Justiça Federal questões relacionadas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), à Infraero, à Polícia Federal e à União e de responsabilidade dos juizados estaduais problemas envolvendo as companhias aéreas.

Bancos apostam em crédito educativo
Fonte: Informativo de Notícias do Ensino Superior - Abrafi 26/07/2010
Uma das modalidades mais populares de financiamento começa a ser olhada, comercialmente, no Brasil.
Trata-se do crédito educativo, que financia o pagamento da universidade para estudantes que pretendem se qualificar e disputar espaço no mercado de trabalho.
Uma vez empregado, o recém-formado adquire renda e começa a quitar a dívida.
O modelo é simples, foi testado no mundo todo, mas nunca existiu no Brasil.
Só agora os bancos comerciais enxergam no produto um mercado potencial, que surge com a emergência das classes C e D. Até então, o modelo predominante era o subsidiado e de caráter assistencial para a baixa renda.
Nos EUA, 80% dos estudantes têm financiamento.
O Itaú começou a oferecer o produto no início do ano, e o Santander pretende lançá-lo nos próximos meses.
Pioneiro, o programa Pravaler, da Ideal Invest, correspondente do banco ABC, já repassou R$ 163 milhões a faculdades desde 2006.
Diferentemente do modelo americano, no Brasil os estudantes começam a pagar parte do empréstimo (50% da mensalidade) já no começo.
Assim, sobra um resíduo menor após a formatura.
Os juros vão de zero a 1,89% ao mês, próximo aos do empréstimo consignado. A universidade arca com um percentual desses juros. Como contrapartida, ela zera o seu risco de inadimplência, que chega a 23%.
No caso do Pravaler, a maioria dos estudantes que recorrem ao crédito trabalha o dia todo, tem 24 anos e postergou a entrada na faculdade por questões financeiras. O valor médio da mensalidade do estudante com financiamento costuma ser superior ao do aluno que paga com recursos próprios.
"É o estudante que seria eletricista, mas queria se tornar engenheiro. Podia pagar um curso de enfermagem, mas sonhava fazer medicina. Com o financiamento, eles escolhem o curso que querem, e não o que podem pagar. Geralmente, é a primeira pessoa da família com curso superior", disse Carlos Furlan, diretor da Ideal Invest. Casada e mãe de duas meninas, de 7 e 9 anos, Márcia Bezerra Pinto, 28, trabalha com organização de eventos e decidiu retomar os estudos no ano passado, após o marido terminar a faculdade.
Escolheu psicologia na Universidade de Santo Amaro (Unisa), mas a mensalidade custava R$ 700. Depois de iniciado o curso, optou pelo financiamento do Pravaler.
"Estava muito apertado porque a faculdade que escolhi é muito cara. Queria fazer o curso com mais tranquilidade", afirmou Márcia.
Para Marcos Magalhães, diretor do Itaú Unibanco, 800 mil pessoas poderiam acessar o ensino superior a cada ano, mas não o fazem por problema de renda.
TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
Retirado do site: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/772609-bancos-apostam-em-credito-educativo.shtml

Ciência e Tecnologia vai destinar R$ 865 milhões ao financiamento de pesquisas
Fonte: Informativo de Notícias do Ensino Superior - Abrafi 26/07/2010
A abertura da reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) foi marcada ontem (25) pelo anúncio de editais no valor de R$ 865 milhões para o financiamento de pesquisas. O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, assinou documento autorizando a abertura dos editais pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Do montante total, a maior parte, cerca de R$ 500 milhões, vai financiar pesquisas em empresas privadas. Mais R$ 30 milhões serão destinados à criação de, pelo menos, dois institutos focados nas ciências do mar – tema principal da reunião da SBPC. O lançamento dos editais deve ocorrer no prazo de 40 a 60 dias.
Rezende aposta que o Brasil está perto de integrar o grupo dos maiores produtores de conhecimento científico, o que tem despertado o interesse de multinacionais de trazer seus centros de pesquisa para o país. Em 2008, os pesquisadores brasileiros publicaram 30 mil artigos científicos. Atualmente, o país ocupa o 13º lugar na publicação de material científico – ficando na frente de países como Rússia e Holanda. “Estamos perdendo o complexo de vira-lata”, afirmou o ministro.
O presidente de SBPC, Marco Antônio Raupp, apontou como desafio a realização de pesquisas capazes de atender às demandas da sociedade e do setor industrial – a exemplo do que a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) faz para tornar o agronegócio brasileiro competitivo. “Precisamos de uma Embrapa para o mar, para a floresta amazônica e para a indústria”, disse o cientista.
Na abertura do encontro, pesquisadores, professores e cientistas prestaram uma homenagem ao paulista Aziz Ab'Saber – considerado um dos geógrafos mais renomados do mundo e referência em trabalhos sobre o meio ambiente e o impacto ambiental da atividade humana.
Um dos eventos científicos mais importantes do país, a reunião da SBPC vai até sexta-feira (30) em Natal. A UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) será a sede das conferências, simpósios, mesas-redondas e outras atividades programadas – a maioria relacionada ao cenário atual e a perspectivas para as pesquisas marinhas.
Haverá ainda espaço para debater as eleições de outubro. Estão previstos encontros com os presidenciáveis que lideram as pesquisas eleitorais. De acordo com os organizadores, foi confirmada a presença das candidatas à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV). Mais de 10 mil pessoas devem participar dos seis dias de reunião.
Carolina Pimentel
Retirado do site: http://educacao.uol.com.br/ultnot/

A difícil nota 6 da educação brasileira
Fonte: www.cmconsultoria.com.br às 09:21 hs em 24/07/2010
Analistas apontam atraso histórico do país e obstáculos como salário dos professores para se chegar à meta de 2021 no Ideb
Catarina Alencastro
Com uma nota atual de 4,6 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Brasil tem como meta alcançar a nota 6 em 2021.
Esse patamar de excelência na qualidade de ensino já foi alcançado pelos países-membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) há pelo menos sete anos.
Para chegar lá, especialistas ouvidos pelo GLOBO destacam que o ensino brasileiro ainda tem que melhorar muito, mas reconhecem que a caminhada nessa direção já começou. A tarefa agora será de quem suceder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Célio da Cunha, consultor da Unesco em educação, crê que o Brasil, por ter relegado a educação a segundo plano, dificilmente poderá cumprir a meta prevista daqui a 11 anos. Segundo ele, enquanto a maioria dos países investiu no ensino no século passado, o Brasil se omitiu:
— O Brasil só recentemente tratou de corrigir um atraso histórico de não colocar a educação no centro. A preocupação da União com o ensino fundamental é muito recente. Enquanto isso, o povo permaneceu excluído. É preciso que estados e municípios caminhem em uníssono em direção à meta.
Cunha avalia que ainda não há uma política nacional eficiente, pois alguns estados e municípios estão muito piores do que o restante do país. A disparidade acaba puxando o resultado de todo o Brasil para baixo.
Em Bertolina (PI), Pedra Branca do Amapá (AP) e Lagoa da Canoa (AL), por exemplo, o Ideb atingido foi inferior a 2,5 em 2009. Na outra ponta, Aperibé, no Estado do Rio, com pouco mais de 10 mil habitantes, conseguiu a média 6,1.
Fonte: O Globo on line - Blog do Noblat

Evasão nas faculdades, existe solução?
Fonte: www.cmconsultoria.com.br às 10:09 hs em 26/07/2010
O número de vagas para ingressar no ensino superior tem crescido muito, tanto nas universidades públicas quanto nas faculdades privadas em todo Brasil. Paralelamente a taxa anual de evasão nas instituições de ensino superior é de 22% nos últimos cinco anos, segundo estudo realizado pelo Instituto Lobo para desenvolvimento da educação.
O curioso é que nos cursos menos tradicionais existem vagas sobrando e a evasão é superior aos cursos mais disputadas no vestibular. Nos cursos conhecidos por serem de maior status a evasão é mínima e isso se reflete no perfil dos alunos que passam no vestibular, ou seja, muitos possuem melhores recursos financeiros para conseguirem se manter.
Outro fator determinante é que alguns estudantes passam no vestibular e depois querem trocar de curso, pedindo transferência e por não conseguirem, muitos alunos acabam desistindo do curso no qual foram aprovados. Isso aumenta o índice de evasão e no caso das universidades públicas, existe o desperdício de recursos públicos, sendo a conta paga por nós.
Em faculdades privadas um dos motivos da evasão é o valor das mensalidades. Muitos estudantes não conseguem pagá-las e desistem da carreira tão sonhada. Um fato marcante entre alunos de instituições privadas é que a maioria trabalha e a cultura de muitas empresas, no Brasil, não permite que o funcionário seja liberado antecipadamente para chegar a tempo nas aulas. Ainda é possível citar os mecanismos de financiamento que além de não darem conta de atender a demanda de estudantes que necessitam de ajuda financeira, burocratizam e dificultam o acesso as bolsas do ensino superior.
Na sua opinião, quais os motivos que levam as pessoas a desistirem das faculdades? A cultura que incentiva a busca de cursos tradicionais e as poucas vagas existentes nos mesmos? A baixa qualidade de ensino e estrutura física dos nossos cursos? Baixa remuneração de algumas profissões? Falta de bolsas para financiar os estudos? Falta de objetividade e qualidade no ensino público e privado? Falta de orientação na escolha do curso?
Pessoal, mande seu comentário!
Fonte: Blog Otavio Auler

Professor poderá acumular aulas e bolsas da CAPES e CNPq
Fonte: www.cmconsultoria.com.br às 10:09 hs em 24/07/2010
Foi publicada no dia 16/07 a Portaria Conjunta 1 que permite o acúmulo de bolsas da CAPES e do CNPq e de atividades remuneradas em áreas correlatas ao campo de atuação, "especialmente quando se tratar de docência como professores nos ensinos de qualquer grau".
Com isso, o professor poderá receber a bolsa e manter vínculo empregatício com as instituições de ensino, desde que respeite as regras do curso de pós-graduação e das agências, inclusive quanto aos prazos.
A portaria veda a acumulação de bolsas com outras agências de fomento, como a FAPESP, por exemplo.
Fonte: FEPESP
Fonte: Portal Sinpro-SP

A crise econômica e o resgate do ensino
Fonte: www.cmconsultoria.com.br às 09:42 hs em 26/07/2010
No pós-crise, diminuíram as oportunidades no mercado financeiro e resgatou-se a economia real, que se baseia no crescimento da produção
Como educador de uma escola de engenharia, o mercado financeiro causava grande frustração nos anos pré-crise. Naquele período, o mercado financeiro essencialmente monopolizava a contratação de egressos dos cursos de engenharia.
Um egresso com essa formação poderia perfeitamente se posicionar nesse mercado, sendo uma evidência de sua versatilidade profissional. Entretanto, me questionava: por que ensinar conteúdos programáticos de um curso de engenharia se o estudante migrava invariavelmente para o mercado financeiro, ignorando grande parte da sua formação técnica?
A crise tenha talvez dado a contribuição mais importante para resgatar o ensino universitário e endereçar essa questão. No pós-crise, diminuíram as oportunidades no mercado financeiro, ruindo o deslumbramento dos estudantes com a área. Resgatou-se a economia real, aquela que se baseia no crescimento da produção, inclusive produção intelectual.
E, nesse contexto, a universidade desempenha papel central. Nessa nova economia, as melhores oportunidades surgirão nas áreas técnicas, e os estudantes terão de perseguir a compreensão dos conteúdos programáticos para estarem preparados para elas. A raiz da crise talvez tenha sido exatamente o mecanismo de contratação do mercado financeiro.
Nas últimas décadas, tornou-se comum contratar físicos, matemáticos e engenheiros, ampliando o horizonte cultural do mercado. Dessa forma, o mercado passou a conviver com profissionais capacitados em entender os fenômenos físicos e construir modelos. Essa cultura passou a ser usada para construir modelos para prever os movimentos das bolsas, os mercados de derivativos e as taxas de juros.
Mas ocorreu um descolamento entre teoria e fenomenologia. Embora padrões de evolução dos índices do mercado possam ser previstos com certa precisão, o mercado não é regido pelas leis físicas usuais. A fenomenologia do mercado envolve eventos altamente não lineares, portanto, qualquer modelo simplificado apresenta previsões imprecisas e falha na previsão de eventos catastróficos.
Os modelos do mercado se descolaram de um principio básico de qualquer modelo, seus limites de validade. A fenomenologia do mercado está associada à opinião dos investidores, confiança, perspectiva de lucro, eventos de difícil modelagem. Mas os teóricos do mercado falharam na percepção dos limites dos modelos e ignoraram uma lei de qualquer sistema da natureza, a lei do equilíbrio.
Se entendessem isso, teriam notado que um crescimento contínuo dos índices das bolsas é fundamentalmente impossível. A crise deixará seu legado por décadas: ela mostrou os riscos de se apostar numa economia virtual, que se baseie em números abstratos, lucros fictícios e dinheiro inexistente. Aos educadores, ficou a percepção de que vale a pena continuar acreditando na sua profissão.
João Francisco Justo Filho, doutor em engenharia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology, nos EUA), é professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 
Fonte: Folha de São Paulo