
27/07/2010 AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por
meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor
educacional às instituições associadas.
Esclarecemos que as matérias
veiculadas não representam, necessariamente, a opinião da Associação.
Caso não queira mais recebê-lo
responda esta mensagem inserindo no campo "Assunto" a palavra:
REMOVER.
Em breve será implantado
diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade
na pesquisa
Participe do júri no Festival de Gramado
Prêmio Exemplo Voluntário em SC
Poder Público poderá transferir verbas para universidades comunitárias
Pacote de R$ 500 milhões para inovação pode sair hoje
O jovem e a angústia
Censo 2010 começa em 1º de agosto
Empresas familiares e a governança corporativa, por Carlos Peres*
OAB/SC promove movimento contra a violência e insegurança em Santa Catarina
A equação do futuro
As mudanças do ensino privado
Erros nos sistemas de avaliação do MEC provocam graves prejuízos para escolas particulares
Quinze projetos binacionais são aprovados pela Capes
Novas regras para bater o cartão ponto
Emprego em alta, à prova de bolhas
Programa do MEC dá início à formação de professor sem licenciatura
Precisa-se de professor
Queda reflete nos cursos de licenciatura
Cursos de mestrado e doutorado passam por avaliação trienal
Modernidade ilusória
Por um dia de felicidade
Bancos apostam em crédito educativo
Censo custará R$ 1,6 bi
Jogos Mundiais Militares representam oportunidade para as instituições educacionais
Por um hino mais catarinense
As redes sociais como forma de disseminação de atividades
Educação afegã renasce, mas mais de 50% ainda não lê
O brasileiro está oco
Para leitores, Educação é a principal prioridade do próximo presidente
Bebê que convive com livros vai melhor na escola
Participe do júri no Festival de Gramado
Fonte: Diário Catarinense, 27/07/2010
Acaba amanhã a promoção que vai escolher um leitor
do Diário Catarinense para ser um dos integrantes do júri
popular do Festival de Cinema de Gramado deste ano, no Rio Grande do
Sul.
Para concorrer é só acessar o blog Sala de Cinema, ler
atentamente o regulamento e fazer um comentário de, no
mínimo, mil caracteres, sobre um longa-metragem brasileiro que
tenha estreado nos cinemas nacionais em 2010.
Para participar, o candidato deve ter mais de 18 anos, residir em Santa
Catarina e se comprometer a assistir a todos os longas-metragens da
Mostra Competitiva (durante o período de 6 a 14 de agosto).
O melhor texto será escolhido por uma comissão julgadora
do Diário Catarinense. O autor ganhará a viagem para
Gramado, com as despesas pagas (transporte aéreo a partir de
Florianópolis, translado, estadia e alimentação).
O resultado da promoção será divulgado nesta sexta-feira.
Prêmio Exemplo Voluntário em SC
Fonte: Diário Catarinense, 27/07/2010
O Prêmio Exemplo Voluntário é realizado pela FMSS,
Instituto Voluntários em Ação, Sesc, Undime e
Secretaria de Estado da Educação. Tem como objetivo
principal reconhecer e premiar os melhores e mais importantes cases de
voluntariado de Santa Catarina. Na sua 6ª edição, em
Florianópolis, o Prêmio Exemplo Voluntário
homeangeou 19 pessoas que desenvolvem ações
voluntárias em prol de uma sociedade melhor em Santa Catarina.
Poder Público poderá transferir verbas para universidades comunitárias
Fonte: ABRAFI
O repasse de recursos públicos está previsto no PL
7639/10, que regulamenta as instituições
comunitárias de educação superior. Hoje essas
entidades privadas não têm regras próprias de
funcionamento no País.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 7639/10, da deputada Maria do
Rosário (PT-RS) e outros, que regulamenta o funcionamento das
Instituições Comunitárias de
Educação Superior (Ices). Essas entidades, que
estão presentes na maioria dos estados brasileiros, oferecem
cursos de graduação e pós-graduação
e implementam programas de pesquisa e extensão com foco no
desenvolvimento de comunidades fora dos grandes centros urbanos. Pela
proposta, as Ices ficam autorizadas a receber diretamente recursos
públicos para suas atividades.
A Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB - Lei 9.394/96) já
reconhecem, de forma genérica, a existência das
instituições comunitárias. Pela
legislação atual, elas são uma das três
subcategorias das escolas privadas sem fins lucrativos. As outras
subcategorias são: as entidades confessionais (vinculadas a
alguma instituição religiosa) e as filantrópicas
(que recebem benefícios fiscais em troca do oferecimento de
serviços gratuitos pré-definidos por lei).
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep) mostram que, em 2008, as entidades de
ensino superior comunitárias, confessionais e
filantrópicas representavam pouco mais de 19% do total das
instituições brasileiras. Somadas, elas atendiam a 26%
dos estudantes de nível superior do País. Não
há dados que tratem das Ices isoladamente.
Apesar da representatividade do setor, não há hoje
qualquer lei que trate mais especificamente dos centros
comunitários de ensino superior. O PL 7639/10 reúne
algumas características básicas para a
qualificação dessas instituições:
constituição na forma de associação ou
fundação de direito privado; patrimônio pertencente
à sociedade civil ou ao Poder Público; não
distribuição da sua renda; aplicação
integral dos recursos nas suas atividades; e desenvolvimento permanente
de ações comunitárias.
Aplicação da verba pública
Com a normatização, as Ices serão qualificadas
pelo Ministério da Educação (MEC) e poderão
receber diretamente dinheiro público. As verbas, segundo a
proposta, serão aplicadas em serviços gratuitos à
população - tais como a oferta de vagas para a comunidade
em cursos de graduação e
pós-graduação e o desenvolvimento de atividades
culturais e esportivas. Atualmente, não há
previsão legal para esse tipo de transferência.
Pelo projeto, os recursos serão transferidos de forma
voluntária, por meio de termos de parceria e convênios,
por exemplo. Outra maneira é a participação das
Ices em concorrências de órgãos governamentais que
hoje são destinadas somente às instituições
públicas. "A vantagem é que o Poder Público
poderá utilizar toda uma rede de universidades que já
estão constituídas", defende Maria do Rosário, que
é coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades
Comunitárias.
A deputada cita dois exemplos possíveis de parcerias entre o
Estado e as instituições comunitárias: a
formação de professores em determinada região para
o ensino de áreas específicas, como matemática e
português; e o acompanhamento socioassistencial de
beneficiários do Programa Bolsa Família em uma comunidade.
Retirado do site:
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/149810-PODER-PUBLICO-PODERA-TRANSFERIR-VERBAS-PARA-UNIVERSIDADES-COMUNITARIAS.html
Pacote de R$ 500 milhões para inovação pode sair hoje
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 27/07/2010 às 11:23 hs.
Um pacote de R$ 500 milhões em subvenções oficiais
para pesquisas em inovação e tecnologia das empresas deve
ser anunciado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
que se reuniu na noite de ontem com integrantes do ministério
para discutir os últimos detalhes. Com o pacote, sairá,
finalmente, o programa de incentivo ao desenvolvimento de carros
elétricos no país, que receberão boa parte dessa
quantia. Por interferência do Ministério do
Desenvolvimento, porém, haverá também incentivos
para desenvolver motores especialmente criados para uso de
biocombustível.
O pacote de apoio à inovação será anunciado
por Lula a tempo de ser mencionado pela candidata do governo, Dilma
Rousseff, que participará da reunião da Sociedade
Brasileira pelo progresso da Ciência (SBPC). Ontem, no encontro
da SBPC, em Manaus, o ministro da Ciência e Tecnologia,
Sérgio Rezende, autorizou formalmente a abertura de editais de
financiamento de pesquisas pela Financiadora de Estudos e Projetos
(Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), que somam R$ 865 milhões, dos quais
R$ 500 milhões serão para as empresas privadas.
Rezende antecipou que o presidente anunciaria hoje "medidas fiscais e
financeiras" para promover o carro elétrico. O tema tem
provocado forte debate interno no governo, onde a ideia de promover o
carro elétrico foi acusada de sabotar os esforços do
próprio presidente Lula pela popularização do
etanol combustível nos mercados mundiais. A divergência
levou ao cancelamento da cerimônia de lançamento do
programa de apoio ao caro elétrico, em maio.
A solução foi instituir um grupo de trabalho, que agregou
ao projeto defendido pelo Ministério da Ciência e
Tecnologia propostas do Ministério do Desenvolvimento, para
criar tecnologia especialmente destinada ao uso do
biocombustível em automóveis. Os motores existentes
são adaptações dos mecanismos criados para uso da
gasolina, e não têm a eficiência que poderiam ter,
caso aproveitassem tecnologia desenvolvida para aproveitamento
energético máximo do etanol.
O programa a ser anunciado hoje pelo presidente Lula deve incluir
medidas de aperfeiçoamento do sistema de apoio à
inovação, acusado de excessivamente burocrático
pelos beneficiários.
Sergio Leo, de Brasília
Fonte: Valor Econômico
O jovem e a angústia
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 26/07/2010 - São Paulo SP
RICARDO YOUNG
Nos últimos dias o IBGE anunciou que o desemprego está
caindo no país. Realmente é uma excelente notícia.
No entanto, ainda falta muito para podermos comemorar o sucesso de
oferecer trabalho a todos os brasileiros. Os jovens -faixa
etária mais afetada pela falta de trabalho- ainda amargam
índices de desemprego muito mais altos do que a média.
Entre 16 e 25 anos o desemprego atinge quase 25%, ou seja, um em cada
quatro jovens está sem trabalho, e são muito poucas as
políticas públicas focadas na solução deste
problema. Outra faixa etária que também encontra enormes
dificuldades para ter acesso ao trabalho é a dos adolescentes de
14 a 16 anos, que, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), apenas podem exercer a função de aprendiz.
Eu sou de uma geração em que os jovens começavam a
trabalhar muito cedo -muitas vezes entre 13 e 15 anos já
ocupávamos o tempo exercendo atividades remuneradas
para ajudar a família ou, em muitos casos, para ocupar o tempo e
não ficar "vadiando" pelas ruas. Desde a
implantação do ECA, que em 13 de julho completou 20 anos,
as empresas passaram a ter de respeitar normas especiais para a
contratação de adolescentes. Dados do Ministério
do Trabalho e Emprego mostram que o Brasil tinha em 2009 pouco mais de
150 mil jovens contratados como aprendizes, enquanto o Estado de
São Paulo tinha somente 48.113 jovens nesta
condição. Projeções do MTE apontam que
somente São Paulo deveria ter 326.952 aprendizes, ou seja, quase
sete vezes mais. Sem um grande trabalho de
conscientização sobre a necessidade de se oferecer
oportunidades para estes jovens não será possível
reverter este quadro.
Criar mais vagas para aprendizes é um desafio que deve ser
enfrentado pelo empresariado. E melhorar a qualidade do
emprego e do trabalho para jovens é um desafio que todos devemos
encarar. A sociedade está destruindo as rampas de acesso dos
jovens ao mercado de trabalho e oferecendo em contrapartida
típicas "soluções de mercado". Tratamos os jovens
como consumidores, incutimos os desejos, direcionamos as
aspirações, estimulamos o livre arbítrio, mas
não lhes damos as ferramentas de acesso ao mundo adulto.
Precisamos rever nossos "ritos de passagem". Não há mais
vagas para bancários, não há mais vagas para
office boys e arquivistas, exigimos experiência para qualquer
trabalho inexperiente, criamos verdadeiros moedores de carne em nossas
ruas e vivemos nos perguntando: o que podemos fazer? É simples,
podemos prestar atenção no que fazemos em nosso cotidiano
e sermos responsáveis pela sociedade em que vivemos. Ricardo
Young
Censo 2010 começa em 1º de agosto
Fonte: Jornal A Notícia, 26/07/2010
Recenseadores vão bater de porta em porta para coletar dados da população
A partir de 1º de agosto, os recenseadores do IBGE vão
passar nas casas para coletar os dados de número de habitantes,
renda, dados migratórios e de infrestrutura. O 12º Censo
será feito em todo o Brasil.
Nos próximos três meses, 273 pessoas vão coletar as
estatísticas de população na microrregião
do Vale do Itapocu. Os agentes vão estar identificados. Eles
terão em mão um equipamento chamado PDA, semelhante a um
computador de mão, onde serão anotados todos os dados do
morador. “O ideal é que recenseadores sejam bem atendidos,
porque é com estes dados que vamos poder avaliar a
população de uma cidade”, explica o
responsável pelo Censo de Jaraguá do Sul, Nilson
Antônio Gonçalves de Souza.
Empresas familiares e a governança corporativa, por Carlos Peres*
Fonte: Jornal A Notícia, 25/07/2010
Amanhã, Florianópolis receberá o Encontro de
Empresas Familiares. É um evento importante para debater o
futuro dessas organizações que são um dos pilares
da economia do País. Apesar do intenso movimento de
fusões e aquisições registrado nos últimos
anos e da entrada voraz de players globais no mercado nacional,
empresas tradicionais e familiares se mantêm como líderes
de diversos setores essenciais da economia.
No Sul, apesar da internacionalização de diversas
companhias, em particular as de agronegócios, esse
cenário é bastante evidente. Empresas familiares
são vitais para a economia da região. Cuidar da
saúde financeira dessas organizações e projetar as
bases para um futuro promissor são fundamentais também
para entender como será o perfil de nossa economia nos
próximos anos.
Ao longo da sua existência, as empresas familiares adotaram uma
série de mecanismos para sobreviver. Ao se profissionalizarem,
miraram tendências de mercado para construir sistemas de
gestão mais enxutos, eficientes e com longa vida. Foi
fundamental para isso o estreitamento do relacionamento com o mercado
de capitais e demais stakeholders.
Buscar essa comunicação eficaz com os diversos grupos de
interesse e investidores para uma companhia familiar é bastante
difícil. O processo é complicado e, por vezes, esbarra na
dificuldade dos donos – fundadores ou herdeiros – em
compartilhar informações com funcionários e
mercado.
Por isso, a governança corporativa é um tema dos mais
importantes para a prosperidade e longa vida das empresas familiares.
Governança corporativa é um conjunto de processos, que
podem ser criados por regulamento interno, sobre como a empresa deve
ser dirigida, parâmetros de transparência e
critérios de comunicação com seus principais pares
(investidores, funcionários, clientes, fornecedores, credores,
mídia, etc.).
Em geral, a boa governança corporativa, ou, ainda, a
governança corporativa que se traduz em resultados
tangíveis para as empresas, é aquele que vai além
de uma regulamentação. Claro, é fundamental
existirem parâmetros estabelecidos e que todos tenham acesso.
Porém, essencial é que a governança corporativa
seja compreendida, defendida e praticada por todos. Uma empresa,
familiar ou não, consegue bons níveis de
transparência e de governança corporativa quando seus
sócios e funcionários a praticam diariamente.
A governança corporativa só funciona quando o exemplo vem
dos acionistas. Além disso, o board da empresa precisa estar
100% comprometido com o processo. É importante ter metas,
conhecer os pontos de conflito e os resultados desejados. Em empresas
familiares ou de origem familiar, essas discussões precisam ser
redobradas para ter o comprometimento de todos os herdeiros. Ou seja:
governança corporativa não é grife, não
é um selo de qualidade, não é um parâmetro
de marketing. É um comportamento que, quando bem feito, é
compreendido e reconhecido pela sociedade.
*Sócio da PricewaterhouseCoopers
OAB/SC promove movimento contra a violência e insegurança em Santa Catarina
Fonte: Assessoria de Comunicação da OAB/SC
Um brado contra a violência e a insegurança que rondam a
população de Santa Catarina será promovido pela
OAB/SC no dia 7 de agosto, sábado, às 11 horas, nas
imediações do Mercado Público da Capital.
“Paciência tem limite. Não podemos mais viver sob
constantes ameaças à nossa integridade física.
Não temos mais paz na ausência dos nossos entes
queridos”, reage o presidente Paulo Borba, inconformado com o
assassinato de dois advogados em pouco mais de um mês e de
dezenas de cidadãos. “É uma infeliz
coincidência que estes últimos casos tenham tido advogados
como vítimas. Eram cidadãos que viviam em Santa Catarina
e suas famílias merecem justiça”, afirmou.
A Ordem está encaminhando convites a todas as entidades civis
organizadas, poderes Legislativo, Executivo e Judiciário,
Ministério Público, conselhos de classe e sindicatos,
entre outras, para que encampem este movimento de forma a unir a
sociedade e promover um grande pedido pela paz.
O advogado Paulo Cesar Martins, de 47 anos, assassinado ontem (22) com
três tiros na porta do seu escritório no centro de
Florianópolis, foi o 53º homicídio neste ano na
capital. No dia 10 de junho o colega Rodrigo da Luz Silva também
foi morto a tiros em frente ao condomínio no Campeche onde havia
sido síndico. Rogério Postai, preso em flagrante, teve
negado o pedido de liberdade provisória pelo juiz de direito
titular da Vara do Júri da Comarca da Capital, Luiz Cesar
Schweitzer, sob o argumento de ainda estarem presentes os requisitos
ensejadores de sua prisão preventiva.
A OAB/SC acompanhará as investigações e
trâmites, passo a passo, agora em ambos os casos. De acordo com a
Secretaria de Segurança Pública, o autor do crime
já foi identificado e o delegado responsável pelo caso
acredita que ele se apresentará nas próximas horas. Ainda
segundo a SSP, dos 53 homicídios de 2010, 48 já tiveram a
autoria identificada e 37 estão resolvidos.
Fonte: Assessoria de Comunicação da OAB/SC
A equação do futuro
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 10:27 hs.
26/07/2010 - A educação do amanhã substitui a
padronização pela criatividade e troca o foco no
currículo pela atenção ao aprendiz
Flávia Tavares, de O Estado de S. Paulo
Evolução. No passado, aluno diferentes eram ensinados da
mesma forma. Hoje, grande desafio é capitalizar a diversidade
entre os estudantes
Ano após ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
reprova o Brasil no quesito igualdade. O ranking das escolas com melhor
desempenho reproduz o abismo da diferença entre a qualidade do
ensino oferecido em instituições públicas e
privadas. Assim, distancia ainda mais os alunos com a garantia de um
futuro bem-sucedido nas universidades dos que engordarão a massa
de trabalhadores com escolaridade limitada. O teste final que as
avaliações da educação brasileira
propõe é como resolver um problema antigo com
soluções diferentes e inovadoras.
Para Andreas Schleicher, diretor de Programas de Análise e
Indicadores em Educação da Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e
responsável pelo Programa Internacional de
Avaliação de Alunos (Pisa), os dados de
verificações como o Enem podem sugerir alguns caminhos.
Mas a resposta está mesmo na formulação de um novo
modelo de educação, "menos centrado no currículo e
mais no aprendiz". "Precisamos entender que a aprendizagem não
é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais
precisam reconhecer que os indivíduos aprendem de formas
diferentes", diz o físico alemão.
Em entrevista por e-mail, Schleicher defende que, quanto mais autonomia
a escola e os professores tiverem, maior será sua
interação com os alunos. Além disso, os educadores
terão de reinventar suas ferramentas para formar jovens
preparados para problemas que nem sequer surgiram ainda. "No passado,
professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do
aluno. Nos dias de hoje, a escola precisa preparar os estudantes para
profissões que não foram criadas e tecnologias que
não foram inventadas." Schleicher faz ainda um alerta aos
gestores de educação: "As nações que
não têm bons fundamentos nunca pagaram um preço
tão alto por essa deficiência".
Quais as razões para avaliarmos tanto os estudantes, com exames
ao fim de cada nível de escolaridade? É para filtrar quem
deve chegar ou não ao ensino superior?
O propósito das avaliações não é
prioritariamente o de definir caminhos de entrada ou saída para
os estudantes, mas sim o de identificar necessidades e melhorias no
processo de ensino. Bons sistemas de avaliação reconhecem
que um aprendizado de excelência abrange tanto o processo quanto
seu conteúdo. O resultado dessas avaliações
não produz apenas notas para as escolas, mas tenta fornecer uma
compreensão abrangente sobre os estudantes e as
estratégias conceituais que eles usam para resolver problemas.
O que mais se aproveita do resultado desses exames?
As verificações melhoram o aprendizado de alunos,
professores, administradores de escolas e formuladores de
políticas públicas. A partir delas, pode-se construir um
quadro claro para atribuição de responsabilidades. Isso
significa gerar informação que pode ser transformada em
ação. Boas avaliações deixam professores
mais conscientes de suas deficiências e isso normalmente resulta
numa mudança de comportamento. Em vez de simplesmente selecionar
e filtrar aqueles que parecem ser os alunos mais talentosos, escolas e
professores competentes usam esses dados para distinguir os alunos
extraordinários dos medianos, para estimular a capacidade
individual.
Qual a importância desse estímulo?
É simples: as oportunidades para aqueles bem educados nunca
foram tantas, mas também os indivíduos - e as
nações - que não têm bons fundamentos nunca
pagaram tão caro for essa deficiência. Na verdade, o
preço econômico e social que as sociedades pagam por
não educar bem a totalidade de suas crianças é
muito mais alto do que seria o investimento na própria
educação.
Números do Enem mostram que o Brasil ainda sustenta uma enorme
diferença entre o ensino particular e o privado. Estamos
investindo pouco em educação?
É importante analisar o contexto dos dados do Enem. Essa
é outra lição que bons sistemas de
avaliação nos dão: a comparação deve
ser feita entre diferentes períodos da mesma escola, para se
analisar quanto ela melhorou. O mesmo parâmetro é
verdadeiro quando comparamos países. Não é
possível comparar substancialmente países como
Finlândia e Japão com o Brasil sem levar em conta o
contexto socioeconômico. Na verdade, quando se considera esse
pano de fundo, o Brasil está entre os mais bem-sucedidos em
melhorar seu desempenho educacional e a igualdade. Sistemas
educacionais sempre falam de igualdade e agora nós conseguimos
medir seu sucesso nisso, na forma como as escolas conseguem moderar o
impacto que o background social tem na educação.
O que países como Finlândia e Japão têm a nos ensinar?
Educação de alta qualidade existe em todo o mundo. Na
América do Norte, o exemplo é o Canadá. Na Europa,
a Finlândia. Na Ásia, temos Japão, Coreia do Sul e
Cingapura. Eles são diferentes entre si, mas têm pontos em
comum relevantes. Primeiramente, onde estudantes atuam num ambiente
caracterizado pelas expectativas de um bom desempenho a
relação com os professores melhora e o moral dos
educadores aumenta. Muitos países mudaram suas prioridades,
saindo do simples controle dos recursos e do currículo para um
foco maior nos resultados do processo educacional. Isso tem direcionado
esforços no sentido de uma articulação das
expectativas que a sociedade tem e a tradução dessas
expectativas em parâmetros e objetivos.
O que esses parâmetros determinam?
Eles ajudam a estabelecer conteúdos rigorosos e coerentes em
todos os níveis de escolaridade; reduzem as diferenças de
currículos entre esses níveis; diminuem a
variação desses currículos de classe para classe;
facilitam a coordenação de formuladores de
políticas públicas; reduzem a desigualdade de
currículos entre diferentes grupos socioeconômicos. Muitos
sistemas somaram o desenvolvimento desses parâmetros a uma maior
atribuição de responsabilidades à linha de frente
do ensino, encorajando escolas a dar respostas assertivas aos problemas
locais e ajudando escolas e professores a fazer isso de forma
significativa.
Como dar essa autonomia a escolas e professores?
Parâmetros claros e específicos permitem acesso às
melhores práticas profissionais nas escolas e ajuda os
professores a expandir seu repertório de estratégias
pedagógicas para personalizar o ensino para todos os alunos e
adotar abordagens inovadoras. Os melhores sistemas educacionais do
mundo escolhem as pessoas certas para se tornarem professores porque
sabem que a qualidade de educação será
proporcional à qualidade do corpo docente e porque a escolha
errada desses profissionais pode resultar em 40 anos de ensino fraco.
Países como a Finlândia e a Coreia do Sul recrutam seus
professores entre os 10% dos que se formaram nos primeiros lugares.
E com relação às escolas?
Na maioria dos países exemplares as escolas se tornaram um ponto
chave na reforma educacional, e elas são responsáveis
pelos resultados que apresentam. Na Finlândia, por exemplo, o
planejamento estratégico acontece em todos os níveis do
sistema. Cada escola discute a visão nacional do assunto e,
paralelamente, o que essa estratégia representam para ela. O
mais impressionante nos ótimos resultados de países como
Finlândia e Canadá não são apenas as altas
médias de desempenho, mas o fato de eles conseguirem que todos
os estudantes e as escolas alcancem essa média. A eventual
intervenção e apoio nas escolas não é a
aplicação de ideias pré-concebidas - ao
contrário, trata-se de diagnosticar problemas em cada escola e
desenvolver soluções personalizadas. Também se
trata de garantir que as escolas que encaram os maiores desafios tenham
acesso aos professores e diretores mais talentosos.
Ou seja, profissionais do ensino têm mais responsabilidades.
Exato. Em todos os países que se saíram bem no Pisa,
é responsabilidade das escolas e dos professores se engajar na
diversidade de interesses dos estudantes, em suas capacidades
diferenciadas e em seus diversos contextos socioeconômicos, sem a
alternativa de fazer o aluno repetir de ano ou se transferir para uma
escola menos exigente - atalhos normalmente usados em países com
desempenhos ruins, onde os diretores de escola e professores podem
enganar a si próprios dizendo que fizeram a coisa certa, mas
têm os alunos errados.
Como a tecnologia está transformando os antigos modelos de ensino?
Uma palavra-chave para o uso da tecnologia na educação
costumava ser o aprendizado "interativo". Agora, ele precisa ser
"participativo". E, embora a educação a distância
seja uma peça importante da educação no futuro, o
ensino permanecerá uma experiência humana. Nas
gerações passadas, professores sabiam que o que eles
ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Hoje, a escola precisa
preparar os estudantes para mudanças econômicas e sociais
mais rápidas do que nunca, para profissões e tecnologias
que não foram inventadas e problemas que ainda não
sabemos se surgirão. Como podemos criar uma cultura de
educação para a vida inteira e para todas as áreas
da vida que atinja a todos? O dilema dos educadores é que as
habilidades cognitivas rotineiras, aquelas fáceis de ensinar e
de avaliar, são também as mais facilmente digitalizadas,
automatizadas e terceirizadas. O sucesso em educação
não é mais a reprodução de conteúdo
e conhecimento, mas é a capacidade de aplicar esse conhecime nto
em situações inéditas.
Dê um exemplo.
A questão não é se o ensino da matemática
deveria ser mais ou menos rigoroso. O desafio é garantir que a
matemática não se restrinja a um mundo de
equações e teoremas, mas se transforme numa linguagem que
permita aos alunos descrever, estruturar e compreender o mundo. O
caminho até esse ponto é desafiador.
Estamos nos preparando para esse desafio? Qual seria o modelo de ensino ideal para o século 21?
Num sistema educacional antigo e burocrático, professores eram
deixados sozinhos nas classes com uma receita do que ensinar. O modelo
moderno estabelecerá objetivos ambiciosos, será mais
claro sobre o que os estudantes devem se tornar capazes de fazer,
atribuirá responsabilidades e arregimentará professores
com ferramentas para ensinar seus alunos individualmente. A
educação do passado se resumia a um conhecimento
despejado, a do futuro é um conhecimento gerado por professores
e estudantes. No passado, alunos diferentes eram ensinados da mesma
forma. Hoje, o desafio é incluir a diversidade no ensino. O
objetivo do passado era a padronização. Agora, é a
criatividade, a personalização das experiências. O
passado era centrado no currículo, o futuro é no
aprendiz. Nós também precisamos entender que a
aprendizagem não é um lugar, é uma atividade.
Sistemas educacionais precisam reconhecer que indivíduos
aprendem de formas diferentes - inclusive, de formas diferentes ao
longo de sua s vidas.
Fonte: O Estado de São Paulo
As mudanças do ensino privado
Fonte: O Estado de S.Paulo, 25 de julho de 2010
Duas vultosas operações marcaram o setor do ensino
privado este mês. A primeira foi a aquisição do
Grupo Anglo pela Abril Educação, numa acirrada disputa
com a Editora Santillana, vinculada ao conglomerado espanhol Prisa, que
edita o jornal El País, e com a Pearson Education Brasil,
pertencente ao conglomerado britânico que edita o Financial Times
e The Economist. Realizada dez dias depois, a segunda
operação foi a compra, pela Pearson Education, de parte
do controle acionário do Sistema Educacional Brasileiro (SEB),
controlador do COC, Pueri Domus, Dom Bosco e Name.
Os acionistas da SEB não queriam vender a empresa nem dividir o
controle com sócios estrangeiros. Mas, depois da venda do Anglo
para a Abril, com receio de não ter condições de
manter a posição relativa num mercado cada vez mais
disputado, eles mudaram de opinião. "Vimos que era preciso um
parceiro estratégico", disse o controlador Chaim Zaher. O valor
da primeira operação não foi anunciado, mas os
especialistas estimam que ele tenha ficado entre R$ 450 milhões
e R$ 600 milhões. A segunda operação, a maior
já realizada no setor educacional brasileiro, foi de R$ 888
milhões.
Em 2009, outro grupo educacional nacional - o Kroton, dono da rede
Pitágoras, que tem 43 mil alunos no ensino superior e 226 mil no
ensino básico - já havia vendido 50% do controle
acionário para o Advent, um fundo financeiro internacional.
Essas operações consolidam no campo da
educação as mesmas transformações já
ocorridas em outros setores da economia brasileira. Com a
integração dos mercados em escala mundial, vários
grupos nacionais perderam escala e competitividade, o que os levou a
ser vendidos a conglomerados estrangeiros. A concentração
econômica é uma das consequências desse processo.
Outra é a internacionalização de setores
econômicos inteiros, como aconteceu nas áreas de
autopeças, eletrodomésticos e lojas de departamento. Na
área educacional, essas mudanças começaram em
2005, quando a Laureate Education - um conglomerado que atua em 15
países e fatura US$ 648 milhões por ano - comprou a
Anhembi-Morumbi. Dois anos depois, foram realizadas 25
aquisições - 14 delas negociadas por conglomerados que
levantaram R$ 1,3 bilhão em oferta primária de
ações na Bovespa.
A expansão do ensino superior brasileiro começou nas
décadas de 1970, com a transformação de
instituições isoladas em universidades particulares e
confessionais. Elas passaram de 20, em 1985, para 85, em 2000. A partir
daí, com a expansão do ensino básico, essas
universidades abriram novos campi e diversificaram suas atividades,
criando cursos de educação continuada e investindo em
produção de material pedagógico para todos os
ciclos de ensino. As universidades privadas hoje controlam 75% do
ensino superior do País - e 5% delas detêm metade da
oferta de matrículas.
A venda dos Grupos Anglo e SEB é o desdobramento do processo de
concentração do setor educacional. Com a compra do Anglo,
que tem 211 mil alunos em 484 escolas localizadas em 316
municípios, a Abril Educação passa a ser a segunda
maior rede de ensino particular do País e espera faturar R$ 500
milhões em 2010. E, com a aquisição de parte do
controle acionário da SEB, a Pearson pretende passar dos atuais
450 mil alunos para mais de 1 milhão, em cinco anos. Além
disso, os dois conglomerados vão passar a disputar acirradamente
o mercado de "sistemas de ensino", que envolve produção
de apostilas, manuais e livros didáticos e
comunicação via internet para ensino a distância.
Nesta área, restam apenas dois grandes grupos brasileiros, o
Positivo e o Objetivo.
A legislação não proíbe a
concentração no ensino particular. Há alguns
meses, sem esconder a aversão à iniciativa privada e
alegando que educação é "bem público
estratégico", o governo pensou em fixar limites para as empresas
de ensino. Mas recuou, com receio de que o mercado educacional
brasileiro fosse colocado pela OMC na mesa de negociações
do Acordo Geral para o Comércio de Serviços. Na
realidade, o problema não é de imposição de
limites, mas de controle da qualidade do ensino ministrado por essas
empresas.
Erros nos sistemas de avaliação do MEC provocam graves prejuízos para escolas particulares
Fonte: Jornal da Educação, nº 3806
Após a divulgação dos resultados das
avaliações feitas pelos órgãos do MEC, como
o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira e a Coordenação de Pessoal de
Aperfeiçoamento de Ensino Superior, as escolas particulares
sofrem imediatamente os reflexos, considerando o inconformismo que
ocorre quando os resultados são insatisfatórios,
especialmente pelos integrantes da comunidade escolar.
Dependendo da época as matrículas caem sensivelmente.
Isso ocorre quando o início do ano ou semestre letivo ainda
não aconteceu. A não efetivação das
renovações é o aspecto mais sintomático.
Mesmo quando o Ministério reconhece que houve erro e retifica os
conceitos, não há uma recuperação a curto e
médio prazo.
O mais correto seria que a própria instituição
tivesse ciência dos resultados, antes do sensacionalismo feito
pelo poder público.
Na quase totalidade dos casos a direção toma conhecimento
pela grande imprensa, impossibilitando que sejam feitas as
análises que permitem uma melhor satisfação aos
usuários dos serviços.
(IPAE 145- 07/10)
Quinze projetos binacionais são aprovados pela Capes
Fonte: Jornal da Educação, nº 3806
Nessa segunda-feira, a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)
divulgou a lista de consórcios binacionais aprovados para
intercâmbio de graduação. Ao todo foram
selecionados 15 projetos.
Os consórcios receberão, anualmente, até R$ 10 mil
para compra de materiais de consumo e realização de
estudos e trabalhos, que será controlado pelo coordenador geral
do projeto.
O programa faz parte da parceria da fundação com o Fundo
para o Aperfeiçoamento da Educação
Pós-Ensino Médio (Fipse). O objetivo, entre outros,
é conseguir a inserção dos cursos de
graduação das instituições de ensino
superior brasileiras no cenário internacional.
Mais informações na página http://www.capes.gov.br/
(IPAE 149 - 07/10)
Novas regras para bater o cartão ponto
Fonte: Diário Catarinense, 27/07/2010
Prazo para adaptação encerra em agosto, mas dois terços das empresas não trocaram aparelho
Empresas catarinenses estão abrindo mão da tecnologia
para controlar o horário de entrada e saída dos
funcionários. O motivo: evitar o gasto de cerca de R$ 2 mil para
trocar a máquina do ponto, conforme exigência do
Ministério do Trabalho e Emprego.
A partir de 21 de agosto, a Portaria 1.510 obrigará o uso de
equipamento que imprima um comprovante do horário para o
trabalhador, na intenção de extinguir fraudes ou
modificações nos registros.
No país, a estimativa é de que dois terços das
empresas ainda não providenciaram a troca dos equipamentos que
registram a entrada e a saída dos empregados. Pior, na
expectativa de que os procedimentos estabelecidos pelo
Ministério do Trabalho seriam revogados, o empresário que
deixou para adquirir a nova máquina na última hora
precisa entrar em fila de espera que chega a até 60 dias.
Em SC, a medida ainda divide opiniões. Enquanto alguns
empresários já adquiriram o equipamento, outros optaram
por retroceder ao tempo do ponto mecânico e do livro-ponto.
A Belli Studio, empresa de edição gráfica de
Blumenau, está pronta para abandonar a era digital. A gerente
Aline Muxfeldt da Silva explica que, como são apenas 12
funcionários, o investimento é inviável. O
contabilista Thiago Kaufmann, da Contabilidade Prasco, também
prepara os 14 funcionários para fazer as anotações
sobre a jornada de trabalho a caneta.
– Acho um retrocesso, mas não temos como comprar outra máquina.
Kaufmann acredita que o novo sistema deixará o cálculo da
folha de pagamento suscetível a erros. Antes, com os dados
registrados no ponto eletrônico, o salário era calculado
automaticamente. Com a portaria, o empresário deverá
somar o número de horas trabalhadas para depois fazer o
cálculo e chegar ao valor mensal. Há margem para erros de
digitação ou de preenchimento.
Segurança para evitar adulteração
O chefe de Fiscalização da Gerência Regional do
Trabalho e Emprego de Blumenau, Júlio César Rhenns,
afirma que métodos como o mecânico e o livro-ponto
são mais difíceis de adulterar se comparados à
máquina atual, onde o funcionário bate o cartão,
mas a empresa tem acesso ao sistema e pode modificar horários.
A Circuitec, de Blumenau, é uma das 64 empresas cadastradas para
fabricar a nova máquina. O diretor José Gil Zips explica
que a entrega do produto leva aproximadamente um mês. O custo
varia de R$ 1,8 mil a R$ 2,3 mil. A Dudalina, por exemplo, gastou em
torno de R$ 45 mil para se enquadrar às novas exigências.
– Vamos cumprir mesmo não concordando com a emissão
de comprovantes. Isso vai contra a nossa visão de
sustentabilidade – critica a gerente de RH da empresa, Tetê
Barbeta.
BLUMENAU
De olho no crachá
O que a portaria altera?
A partir de 21 de agosto, as máquinas de registro de ponto
deverão imprimir comprovantes de entrada e de saída para
os trabalhadores. As empresas também podem usar o antigo ponto
mecânico ou até o livro-ponto em papel.
Qual o objetivo?
Impedir fraudes e adulterações no horário cumprido
pelos trabalhadores. Algumas empresas fazem isso para não pagar
horas extras, por exemplo.
Onde as máquinas são vendidas?
Há 64 empresas fornecedoras cadastradas no site www.mte.gov.br, no link Inspeção do Trabalho.
Qual o preço da máquina?
Aa média é de R$ 2 mil.
Como será a fiscalização?
As empresas passarão por fiscalizações de rotina e
o sistema do ponto eletrônico será inserido nos quesitos
observados. Quem descumprir a portaria poderá ser multado em
até R$ 3 mil
Fonte: Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Blumenau
Emprego em alta, à prova de bolhas
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 27/07/2010 às 11:55 hs.
Carlos Lordelo e Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo
A maioria dos estudantes não faz ideia do que são
códigos binários, mas eles estão na moda: a
linguagem dos programadores de computador está por trás
da navegação na web, dos e-mails, de
ligações de celular e de outras tecnologias do cotidiano.
Mesmo assim, o interesse pelo universo da Tecnologia da
Informação (TI) é pequeno diante do que o mercado
exige. Nesse cenário, a questão não é saber
se haverá emprego, e sim qual emprego se pretende ter.
Hoje o Brasil precisa de 71 mil profissionais de TI, segundo a
Associação para Promoção da
Excelência do Software Brasileiro. O número pode chegar a
200 mil em 2013. "Daqui a sete anos, continuará havendo
déficit", diz Francisco Borges, diretor acadêmico da Veris
Faculdades. "Engenharia Civil é uma bolha. Informática
é para sempre: todas as empresas usam a TI como meio."
Os candidatos a uma vaga no setor têm duas opções
básicas: fazer um curso de perfil técnico e antecipar a
chegada ao mercado ou optar por bacharelados de pelo menos quatro anos
de duração. Neste segundo caso, a aposta é ter uma
formação mais consistente e se candidatar a melhores
salários. O risco é ser considerado "teórico"
demais numa área em que tudo muda muito rápido.
Jefferson Santos de Araújo, de 23 anos, escolheu a via
rápida. Depois do ensino médio, iniciou um curso
técnico em informática. "Era muito ansioso. Nem terminei
o técnico e comecei um tecnológico, na Fiap."
Jefferson, que já cuidou até do suporte técnico de
impressoras, hoje é analista de sistemas sênior da empresa
CPM Braxis. Está no último semestre na Fiap e quer fazer
pós-graduação para se tornar consultor. Nem cogita
a hipótese de complementar a formação com um
bacharelado. "Esses cursos não focam o mercado, enquanto a
formação tecnológica e um MBA têm
conteúdos que posso pôr em prática no dia a dia."
A pressa de entrar no mercado e ganhar de cara um bom salário
não é prioridade para Thiago Miranda Ferreira, de 26
anos, que está prestes a se formar em Ciência da
Computação na USP. "Tenho bastante teoria e
matemática, é uma formação abrangente", diz
o estudante, que é estagiário da Calum, empresa de
soluções tecnológicas e cursos de TI.
Cobol. Thiago teve a certeza de que a opção pelo curso na
USP foi correta num estágio anterior ao atual, no Unibanco.
Lá ele teve de trabalhar com Cobol, linguagem de
programação antiga. Embora não seja mais ensinada
nas universidades, é muito usada no mercado financeiro, pela
capacidade de processar grandes volumes de dados com segurança e
velocidade. "Os analistas seniores são chamados de "donos" dessa
linguagem, mas entendi rapidamente seu funcionamento", diz. "Quando
você conhece programação, tudo fica mais
fácil."
O consultor em TI Renato Oliveira Moraes, da Fundação
Vanzolini, concorda com a importância dada por Thiago à
base conceitual. "Se você é capaz de escrever bem em
português, aprende uma nova língua com mais facilidade",
compara. "Quem faz a decisão de ser tecnólogo escolhe
entrar mais rápido no mercado. Vai ser recompensado, mas pode
acabar pagando um preço por isso."
Para os cargos mais altos, a formação
universitária é considerada imprescindível,
garante Maria de Fátima Albuquerque, diretora de RH da Totvs,
multinacional que desenvolve softwares e presta serviços de TI.
"O candidato pode até fazer um curso tecnológico
reconhecido e ter uma atitude muito boa no trabalho", diz. "Mas precisa
fazer um bacharelado para ter mais oportunidades."
"Há vagas tanto para os tecnólogos quanto para os
bacharéis. Só não podemos perder o bonde da
história, como em outras vezes", diz o coordenador dos cursos de
graduação tecnológica da Fiap, Celso Poderoso,
preocupado com a dificuldade de atender à demanda. O
número de formados em 90 cursos relacionados à TI cresceu
9,7% entre 2005 e 2008. Nesse período, o total de profissionais
contratados aumentou 21%.
"Estamos em um ponto crítico, porque a formação
leva alguns anos. Já existe o temor de chegarmos ao extremo de
importar mão de obra", afirma Anselmo Gentile, diretor executivo
da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes).
"Há cursos de TI sendo oferecidos, mas não sentimos
aumento no número de formados."
Na corrida para formar tecnólogos, as Faculdades de Tecnologia
(Fatec) do Centro Paula Souza concentraram nos cursos de TI metade das
10.030 vagas oferecidas pela instituição. "O ensino tem
foco bem específico no mercado, mas isso não tem sido
desvantagem", diz a assessora para projetos pedagógicos Vera
Lúcia Camargo. Segundo ela, 98% dos formados pelas Fatec
consegue emprego.
No Senac, também voltado para suprir as necessidades da
indústria, dos cinco cursos de TI oferecidos, três
são tecnológicos - com duração de dois anos
e meio. "Os tecnólogos estão sendo cada vez mais
valorizados nas empresas", afirma o coordenador da área, Ozeas
Vieira Santana Filho. A preocupação do Senac é
oferecer um portfólio diversificado para atender às
demandas específicas do mercado. Por isso, Vieira já
planeja oferecer outros dois cursos em 2011: Análise e
Desenvolvimento de Sistemas e Tecnologia para a Internet.
As universidades também estão fazendo
adaptações para estimular a formação em TI.
A partir do próximo vestibular, o bacharelado de Ciência
da Computação da USP passa a ser uma carreira isolada no
vestibular da Fuvest - até o ano passado, a
graduação era oferecida com as carreiras de Engenharia.
O coordenador do bacharelado, Marco Dimas Gubitoso, aposta na
mudança para aumentar o número de interessados no curso.
"As pessoas acabam não sabendo muito a diferença entre as
áreas, e isso estava se refletindo na procura, em termos de
quantidade e perfil dos candidatos." Assim como na
formação em Engenharia da Computação, a
carga de matemática do curso é pesada, o que assusta
jovens com interesse mais superficial em computadores.
"A juventude deveria se interessar mais por essa área, que
está pagando salários muito bons", afirma Arnaldo Vallim
Filho, diretor da Faculdade de Computação e
Informática do Mackenzie. Pesquisa feita pela universidade com a
última turma de 250 formandos em Ciência da
Computação e Sistemas de Informação mostra
que a maioria (42,6%) está ganhando entre 5 e 10 salários
mínimos.
Educação básica. Gigantes que produzem muitas das
plataformas, softwares e serviços usados no mercado, IBM e
Microsoft têm trabalhado em conjunto com o ensino médio e
o superior. As parcerias vão da criação de
laboratórios em instituições de ensino a cursos
que dão certificações - atestados de que o
profissional sabe trabalhar com uma plataforma ou serviço
específico, que valem tanto quanto um diploma.
"A gente procura trabalhar todos os níveis de
capacitação. Fazemos isso não só para
atender às nossas necessidades, mas também para formar
uma comunidade de pessoal capacitado em TI", afirma Andrea Rodacki,
gerente de Parcerias com as Universidades da IBM, que tem acordos com
cerca de 400 instituições.
"Não adianta começar com o aluno da universidade. Tem de
ser desde a educação básica", diz o diretor de
Educação da Microsoft, Emílio Munaro.
Outro motivo pelo qual a formação em TI não basta
para atender às demandas das empresas é a peculiaridade
desse mercado, no qual uma companhia brasileira pode disputar um
contrato com rivais indianas e americanas, por exemplo. "Se o
País quer exportar serviços em TI, o brasileiro precisa
falar pelo menos inglês", resume o fundador da Stefanini IT
Solutions, Marco Stefanini.
Fonte: www.administradores.com.br
Programa do MEC dá início à formação de professor sem licenciatura
Fonte: Correio Braziliense, 26/07/2010, Brasília DF
Com a adesão de 32 instituições públicas de
ensino superior, o Procampo, programa do Ministério da
Educação para a qualificação de professores
sem licenciatura que trabalham em escolas rurais, iniciou a
formação de profissionais em 13 unidades da
Federação. As instituições
oferecerão cursos de graduação a cerca de 35 mil
educadores em atividade na área rural. Em 15 delas, a
formação atende 1.363 educadores. Até o fim do
ano, as 32 instituições terão matriculado 3.178
professores. Segundo o diretor de educação para a
diversidade da Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC, Armênio
Schmidt, o Procampo tem como prioridade o atendimento a professores das
redes públicas estaduais e municipais em atividade, mas sem
licenciatura; jovens que vivem na área rural que desejam seguir
o magistério e educadores dos movimentos sociais do campo.
O curso tem a carga horária e o tempo de duração
de uma licenciatura, mas é diferente no formato para atender
professores que precisam estudar e trabalhar. De acordo com Schmidt,
é oferecido em regime de alternância — aulas
presenciais intensivas (tempo-escola) nas férias escolares ou em
períodos determinados pelas universidades, combinadas com etapas
no local em que o professor leciona (tempo-comunidade). Na comunidade,
ele pesquisa, estuda e aplica o que aprende. A licenciatura é
multidisciplinar, com a abordagem de quatro áreas: linguagens e
códigos (para lecionar português, literatura e artes);
ciências da natureza e matemática (matemática,
química, física e biologia); ciências humanas e
sociais (filosofia, sociologia, história e geografia); e
ciências agrárias.
Política pública - A oferta de cursos de licenciatura
específicos para a qualificação dos professores do
campo começou em 2006, com um projeto-piloto desenvolvido pelas
universidades federais de Minas Gerais (UFMG), da Bahia (UFBA) e de
Sergipe (UFSE) e da Universidade de Brasília (UnB). Hoje, o
Procampo tem a adesão de 32 instituições. Este
ano, segundo Schmidt, o programa vai se tornar política
pública, com oferta de cursos de licenciatura regulares pelas
universidades — até 2009, essa oferta era definida por
edital. O MEC vai desenvolver o Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação à Docência (Pibid) Diversidade,
que abrangerá a formação de professores das
áreas rural e indígena. O Pibid Diversidade será
administrado pela Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O diretor da Secad salienta que o novo modelo permitirá
às instituições de educação superior
organizar a oferta anual de cursos sem depender de editais. Elas
poderão também garantir recursos para os quatro anos de
cada licenciatura. Schmidt observa ainda que os educadores, com vagas
anuais de ingresso, ganharão a oportunidade de fazer cursos de
formação e que o MEC terá a possibilidade concreta
de aumentar o número de cursos e de vagas, além de reunir
cerca de 35 mil professores com licenciatura e diploma de nível
superior obtidos em cursos de qualidade.
Precisa-se de professor
Fonte: Jornal A Notícia, 27/07/2010
Número de profissionais com licenciatura é cada vez menor na rede de ensino de Joinville
Dez a cada 30 professores de química, física e sociologia
do ensino médio das escolas estaduais de Joinville não
passaram por um curso de licenciatura nestas áreas, assim como
10% dos professores das demais disciplinas. Estes números
revelam um problema nacional que atinge também a cidade: a
escassez de profissionais especializados para dar aulas em
matérias como geografia, inglês e artes.
O problema é mais evidente na rede pública, onde os
salários e as condições de trabalho fazem da sala
de aula um campo de trabalho pouco atrativo. “Entre cursar a
licenciatura e o bacharelado, muitas vezes eles optam pelo segundo
porque veem mais oportunidades. Mas a formação
pedagógica trazida pela licenciatura é essencial”,
destaca a pesquisadora Maria Aparecida Lapa de Aguiar, da Universidade
da Região de Joinville.
Segundo a pesquisadora, a falta de professores com licenciatura pode
trazer problemas para os alunos. “O conhecimento técnico
do engenheiro e do médico é importante, mas a
formação pedagógica só é
possível por meio da licenciatura”, diz.
“Como está cada vez mais difícil encontrar
profissionais formados, a solução tem sido contratar, em
caráter temporário, professores de áreas afins e
bacharéis para não deixar nenhuma turma sem
professor”, diz a supervisora de desenvolvimento humano da
Gerência Regional de Educação, Ieda Medeiros.
“Formados em biologia dão aula de química;
professores de história ensinam sociologia”, exemplifica.
A professora de física Márcia Siewert é um
exemplo. Ela é uma das poucas formadas em licenciatura em
física pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) a
atuar na rede pública. “Eu gosto do que faço, mas
um estagiário de engenharia e até um funcionário
que só fez o ensino médio ganha mais, por isso penso em
voltar para a universidade e fazer engenharia”, diz. “Meu
salário, líquido, é de cerca de R$ 1 mil por
mês para trabalhar como temporária, em três escolas
estaduais”, diz.
mariana.pereira@an.com.br
MARIANA PEREIRA
Queda reflete nos cursos de licenciatura
Fonte: Jornal A Notícia, 27/07/2010
Mesmo que a vaga no mercado de trabalho esteja praticamente garantida,
a procura por licenciaturas, de uma maneira geral, tem caído em
Joinville. Na Universidade da Região de Joinville (Univille), o
número de matrículas para os cursos de geografia e
matemática este ano não foi suficiente para formar novas
turmas. A situação acabou se repetindo com o curso de
licenciatura em química, que a universidade tentou implantar, em
2005, mas desistiu de ofertar, devido à baixa procura.
“Quais são as perspectivas de futuro para um aluno de
licenciatura? As pessoas querem ter um emprego que garanta uma
ascensão profissional”, argumenta a pró-reitora de
ensino, Ilanil Coelho, atribuindo a queda aos baixos salários e
às condições de trabalho oferecidas aos
professores.
Atendendo a solicitações da comunidade e das
próprias escolas, a Universidade do Estado de Santa Catarina
(Udesc), que já oferece licenciatura em física, abriu
cursos de matemática e química em Joinville. Os cursos
são gratuitos. Mas os números indicam que a maioria dos
estudantes não pensa em investir o tempo de pelo menos quatro
anos de estudo para seguir carreira nessas áreas.
Apenas 157 acadêmicos se formaram em física desde a
abertura do curso, em 1994, e a procura pelo curso tem caído. No
último vestibular de verão, o número de vagas foi
superior ao de candidatos. O índice candidato-vaga (que
já foi de 3,23, em 2006) foi de 0,75%.
Agora, a Udesc pretende investir na divulgação dos
cursos, para atrair, inclusive, aqueles professores que já atuam
na rede escolar, mas ainda não possuem o diploma de licenciatura
em suas áreas de atuação.
Da mesma forma, desde 2009, a Univille também oferece, em
parceria com governo federal, cursos gratuitos de
capacitação para professores da rede pública.
“Com base num diagnóstico do Ministério da
Educação, que apontou deficiências, foram abertas
turmas de educação especial, artes visuais e
sociologia”, explica a pró-reitora Ilanil Coelho.
Cursos de mestrado e doutorado passam por avaliação trienal
Fonte: Clipping Educacional Consae - Correio Braziliense, 26/07/2010, Brasília DF
Teve início nesta segunda-feira, 26, na
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (Capes), em Brasília, a segunda semana da
avaliação trienal 2007-2009, que tem como objetivo
avaliar a pós-graduação stricto sensu.
Estão reunidas, nesta semana, dez comissões para avaliar
os cursos de mestrado acadêmico, mestrado profissional e
doutorado de filosofia e teologia; sociologia; antropologia e
arqueologia; geografia; história; psicologia;
educação; ciência políticas e
relações internacionais; ciências agrárias e
ciências de alimentos.
Na abertura do evento, o presidente da Capes, Jorge Almeida
Guimarães, disse que a avaliação trienal,
reconhecida por sua tradição, transparência e
seriedade, é realizada com base no universal sistema de
avaliação por pares. “É um processo
preparado ao longo dos três anos que antecedem o exercício
da trienal e implica inúmeras reuniões e
discussões com os coordenadores de áreas e consultores,
sem interferência impositiva da Capes. A avaliação
é feita totalmente pelos pares.” Na ocasião, o
diretor de avaliação da Capes, Livio Amaral, apresentou a
equipe da diretoria que dará apoio aos consultores e detalhou
todos os procedimentos que serão realizados ao longo da semana.
As atividades da avaliação trienal vão até
14 de agosto e durante esse período, em cada semana, as
comissões analisarão o desempenho dos programas de
pós-graduação. Cerca de 2.900 programas de
pós-graduação (4.300 cursos) de todo o país
serão avaliados por aproximadamente 900 consultores. Os
resultados da avaliação trienal deverão ser
divulgados no dia 13 de setembro e fornecerão subsídios
para a definição de planos e programas governamentais de
desenvolvimento e investimentos no Sistema Nacional de
Pós-Graduação. Na primeira semana, de 19 a 23 de
julho, estiveram reunidos 214 consultores das comissões das
áreas medicina I, II e III, odontologia, farmácia,
enfermagem, educação física, matemática,
probabilidade e estatística, ciência da
computação, astronomia e física, química,
geociências e medicina veterinária.
Conceitos – A avaliação da
pós-graduação stricto sensu, criada em 1976,
é um instrumento de grande importância para o fomento,
tanto por parte das agências brasileiras, como dos organismos
internacionais. Os programas recebem conceitos na seguinte escala: 1 e
2, que reprovam o programa; 3, que significa desempenho regular,
atendendo ao padrão mínimo de qualidade; 4 é
considerado um bom desempenho, e 5 é a nota máxima para
programas com apenas mestrado. Conceitos 6 e 7 indicam desempenho
equivalente ao alto padrão internacional. Os cursos que
não possuem a recomendação da Capes não
são autorizados pelo MEC e, por este motivo, não podem
conceder certificados de mestre e doutor.
Modernidade ilusória
Fonte: Sergio Fausto - O Estado de S.Paulo, 25 de julho de 2010
O Brasil tem paixão por projetos que nos remetam sem escala
à modernidade que invejamos nos países desenvolvidos. Uma
modernidade materializada em coisas que só de serem imaginadas
já nos fazem sentir como se tivéssemos alcançado
uma etapa superior de nosso desenvolvimento. Brasília foi isso:
uma cidade modernista rasgada no meio do nada. Dinheirão gasto
num país em que à época 50% das pessoas eram
analfabetas.
Agora se fala no trem-bala, cujo edital foi lançado em clima de
comício eleitoral faz poucos dias. Levitará sobre os
trilhos? Correrá a 300 km por hora, Vale do Paraíba
afora? Ainda não se sabe, pois nem sequer o traçado da
ferrovia está definido, muito menos o custo da obra, que
poderá superar os R$ 31 bilhões hoje estimados. Uma
coisa, porém, é certa: muitos recursos públicos
serão consumidos, na forma de aportes de capital e financiamento
subsidiado ao consórcio vencedor do leilão marcado para
dezembro próximo.
Por trás da paixão por projetos vistosos há sempre
muitos interesses. O trem-bala não foge à regra. Com
tamanha disposição estatal, grandes companhias nacionais
e estrangeiras movimentam-se em torno do projeto, apesar de todas as
incertezas sobre a sua viabilidade econômico-financeira.
O Brasil não é mais um país com 50% de analfabetos
(o porcentual reduziu-se para cerca de 10%). A qualidade da
educação, porém, é sofrível. Vem
melhorando, mas ao rimo de trenzinho caipira, como indicam os
últimos resultados do Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb). É verdade que entre
2005 e 2009 cresceu a pontuação dos alunos das escolas
públicas nas provas de Português e Matemática:
significativamente nas séries iniciais, pouco nas séries
finais do ensino fundamental e nada ou quase nada no ensino
médio. Tomara que a tendência observada nas séries
iniciais se acelere e se estenda às demais. Agora, nesse ritmo,
quando tempo levará para que os alunos brasileiros saibam
realmente interpretar e redigir textos e usar a Matemática com
competência?
Hoje eles estão longe disso. É o que revelam os dados do
Programme for International Student Assessment (Pisa), cujos testes
são aplicados no Brasil. O último, de 2006, mostra que
mais de 70% dos alunos com 15 anos de idade nem sequer dominam os
conhecimentos básicos em Matemática, 61% estão
abaixo do nível mínimo aceitável em Ciências
e 55% não vão além de uma leitura mecânica
de textos. Enorme é a distância que os separa dos
estudantes da mesma idade nos países desenvolvidos, quer se
compare o porcentual de alunos nos níveis mais baixos ou nos
níveis mais altos da escala de avaliação utilizada
pelo programa. Tome-se Matemática, por exemplo, área na
qual menos de 1% dos alunos brasileiros atingiu níveis de
excelência. Nos países desenvolvidos o porcentual supera
os 10%. Tal quadro não se alterou desde que os testes do Pisa
passaram a ser aplicados no Brasil, em 2000.
Ou seja, quem precisa tomar um trem-bala é a
educação brasileira. E o embarque já está
muito atrasado.
Quando Brasília foi construída, crianças e jovens
até 14 anos representavam 40% da população
brasileira. A partir dos anos 70, com a diminuição do
número de nascimentos e o prolongamento do tempo de vida, a
pirâmide etária começou a adquirir nova forma: a
base (população entre 0 e 14 anos) passou a diminuir e o
meio (população entre 15 e 59 anos) a se alargar, sem, no
entanto, ocorrer alteração significativa no
vértice (população acima de 60 anos). Veio
crescendo desde então o número de adultos em idade ativa
(não suficientemente escolarizados) em comparação
com o de crianças e idosos, reduzindo o que o jargão
técnico denomina "relação de dependência".
Chama-se "janela de oportunidade demográfica" o período
em que essa relação, que foi alta enquanto a sociedade
era "jovem", se mantém baixa, antes de voltar a subir, quando a
sociedade se torna "velha". Quanto à composição
etária, dizem os especialistas, esse é o período
em que o potencial produtivo da sociedade se encontra no auge. No
Brasil, estima-se que a tal "janela de oportunidade demográfica"
se fechará em 2030. Quão mais alto o nível de
educação da sociedade nesse auge demográfico, que
não se repetirá no futuro, maiores as chances de dar um
salto em matéria de desenvolvimento.
Na educação brasileira sobram deficiências. Destaco
uma delas, pela conexão estreita que tem com o desenvolvimento
tecnológico, que o trem-bala nos sugere. Faltam professores
especialistas para ensinar Matemática, Física e
Química, as chamadas "ciências duras". A esse respeito
chamam a atenção os dados do último Censo Escolar
do Ministério da Educação. Eles mostram que, dos
448 mil professores do ensino médio da rede pública,
apenas 22% têm formação superior nessas
áreas, ao passo que 60% têm diploma universitário
nas áreas de humanas. Esse desequilíbrio aponta para um
déficit significativo de professores especialistas em
"ciências duras" no ensino médio. Sem falar na
questão da qualidade.
É uma realidade quase invisível, mas que cobra um
preço alto ao País. Um de seus reflexos aparece nas
estatísticas sobre a formação de engenheiros no
ensino superior. Formamos cerca de 30 mil deles anualmente. A China
forma mais de 600 mil e a Índia, cerca de 300 mil. Pergunto como
vamos responder ao desafio de dotar o País de uma infraestrutura
moderna e tornar realidade o nosso potencial de crescimento futuro, se
não formarmos na qualidade e na quantidade necessárias os
profissionais para tanto.
Questões como essa - que começam a ser respondidas nas
salas de aula do ensino básico da rede pública -
não mobilizam tanta paixão no Brasil. Afinal, quem se
interessa pelo árduo esforço de aprendizado e pelo
sucesso de milhões de alunos da rede pública? Bom mesmo
é viajar num trem-bala movido a recursos públicos, ao
lado de gente bem vestida, no eixo Rio-São Paulo!
Diretor Executivo do IFHC, é membro do DO GACINT-USP
Por um dia de felicidade
Fonte: Aliás, A Semana Revista, 24 de julho de 2010
Muitas escolas induzem os alunos a se preparar não para a vida,
mas para comemorar a data em que saem os resultados dos exames
vestibulares
José de Souza Martins*
Dados do Enem revelam que pagar mais pela mensalidade não significa necessariamente comprar melhor
Quase 14 mil escolas privadas e públicas do País
obtiveram média acima do equivalente a 5,0 no desempenho de seus
alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009. Apenas
algumas dezenas alcançaram nota igual ou superior a 7,0,
inferior, porém, a 7,5. Na maioria, escolas privadas e caras.
Tidas como o caminho seguro do êxito em exames vestibulares, suas
notas estão apenas ligeiramente acima da nota mínima para
aprovação em escolas superiores de países
desenvolvidos, que é 7,0. Um número imenso de escolas
igualmente privadas nem chegou a essa média.
Há nas médias divulgadas indicações para a
compreensão dos problemas do nosso ensino médio. A
primeira delas é a da problemática tendência de
muitas escolas de se reduzirem à pobreza pedagógica de
induzir crianças e adolescentes a passarem os melhores anos de
suas vidas preparando-se para fazer o vestibular para o ensino
superior. Em vez de se devotarem à preparação de
seus alunos para a vida e para serem felizes, que é o que
dá sentido à educação e à
socialização dos imaturos, dedicam-se prioritariamente a
prepará-los para um único dia de felicidade, o da
divulgação dos resultados dos exames vestibulares.
Inseguros quanto ao futuro dos filhos, os pais tornam-se
cúmplices dessa deformação. Muitos desses alunos
chegarão à universidade, até com as melhores notas
de ingresso, mas não saberão nem o que fazer nela nem o
que fazer com ela.
Nem se pode dizer que o melancólico êxito nessas
médias mais altas expresse a apropriada formação
de quem as obtém. Ficou evidente que escolas que preparam seus
alunos para a reflexão criativa e para a competência
interpretativa, que se mede no desempenho em redação e
interpretação de textos, têm menos visibilidade na
avaliação oficial. De certo modo, as notas escondem um
desencontro entre ensino predominantemente de formação e
ensino predominantemente de informação.
Matéria publicada em caderno especial deste jornal,
aliás, mostra que as escolas da capital de São Paulo
cujos alunos tiveram melhor desempenho são apenas 12% melhores
do que as de desempenho menor, enquanto o preço das mensalidades
é 254% maior. Os dados do Enem revelam que pagar mais não
significa comprar melhor, até porque, em educação,
comprar é pura ilusão.
Nem por isso ficam as escolas públicas justificadas no
desempenho menor nessa avaliação nacional. Certamente, as
escolas caríssimas, porque apresentam desempenho inferior ao que
delas se espera, não servem de parâmetro para medir o que
deveria ser a escola pública. A escola pública, entre
nós, deveria ser o instrumento de uma revolução na
educação, que nos trouxesse para os requisitos
educacionais da sociedade moderna e seus valores referenciais, como a
democracia, a liberdade, o conhecimento amplo e denso, a
responsabilidade social de cada um.
Há fatores extraescolares nos resultados das diferentes escolas.
O que nelas se consegue está também relacionado com o
modo de vida da família do estudante. Escolas com melhor
desempenho têm majoritariamente alunos de alta classe
média, cujos pais são usuários dos equipamentos
culturais disponíveis nos seus respectivos ambientes. Atividades
complementares às da sala de aula, no acesso aos equipamentos
culturais externos à escola, como museus, teatros, salas de
concertos, excursões investigativas, poderiam dar ao estudante
um apoio compensatório até melhor do que obtêm na
própria família os alunos mais bem situados socialmente.
O professor e o aluno de escolas públicas teriam que deixar de
ser prisioneiros da sala de aula. Outra verificação
recente mostra, ainda, que escolas de bom desempenho estão
situadas em municípios menores, onde ainda há uma cultura
comunitária, muito mais apreço pelo professor e maior
integração entre a família e a escola. O que
assegura a boa formação escolar é, pois,
também o tradicionalismo de um mundo em que ainda são
comunitários, e afetivos, os valores de referência da
educação.
José de Souza Martins é professor emérito da
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e autor,
entre outros livros, de A Aparição do Demônio na
Fábrica (Editora 34)
Bancos apostam em crédito educativo
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 27/07/2010 às 10:37 hs.
Uma das modalidades mais populares de financiamento começa a ser olhada, comercialmente, no Brasil.
Trata-se do crédito educativo, que financia o pagamento da
universidade para estudantes que pretendem se qualificar e disputar
espaço no mercado de trabalho.
Uma vez empregado, o recém-formado adquire renda e começa
a quitar a dívida. O modelo é simples, foi testado no
mundo todo, mas nunca existiu no Brasil. Só agora os bancos
comerciais enxergam no produto um mercado potencial, que surge com a
emergência das classes C e D. Até então, o modelo
predominante era o subsidiado e de caráter assistencial para a
baixa renda.
Nos EUA, 80% dos estudantes têm financiamento. O Itaú
começou a oferecer o produto no início do ano, e o
Santander pretende lançá-lo nos próximos meses.
Pioneiro, o programa Pravaler, da Ideal Invest, correspondente do banco
ABC, já repassou R$ 163 milhões a faculdades desde 2006.
Diferentemente do modelo americano, no Brasil os estudantes
começam a pagar parte do empréstimo (50% da mensalidade)
já no começo.
Assim, sobra um resíduo menor após a formatura.
Os juros vão de zero a 1,89% ao mês, próximo aos do
empréstimo consignado. A universidade arca com um percentual
desses juros. Como contrapartida, ela zera o seu risco de
inadimplência, que chega a 23%.
No caso do Pravaler, a maioria dos estudantes que recorrem ao
crédito trabalha o dia todo, tem 24 anos e postergou a entrada
na faculdade por questões financeiras. O valor médio da
mensalidade do estudante com financiamento costuma ser superior ao do
aluno que paga com recursos próprios.
"É o estudante que seria eletricista, mas queria se tornar
engenheiro. Podia pagar um curso de enfermagem, mas sonhava fazer
medicina. Com o financiamento, eles escolhem o curso que querem, e
não o que podem pagar. Geralmente, é a primeira pessoa da
família com curso superior", disse Carlos Furlan, diretor da
Ideal Invest. Casada e mãe de duas meninas, de 7 e 9 anos,
Marcia Bezerra Pinto, 28, trabalha com organização de
eventos e decidiu retomar os estudos no ano passado, após o
marido terminar a faculdade.
Escolheu psicologia na Universidade de Santo Amaro (Unisa), mas a
mensalidade custava R$ 700. Depois de iniciado o curso, optou pelo
financiamento do Pravaler. "Estava muito apertado porque a faculdade
que escolhi é muito cara. Queria fazer o curso com mais
tranquilidade", afirmou Marcia.
Para Marcos Magalhães, diretor do Itaú Unibanco, 800 mil
pessoas poderiam acessar o ensino superior a cada ano, mas não o
fazem por problema de renda.
Toni Sciarretta - De São Paulo
Fonte: Uol - Educação
Censo custará R$ 1,6 bi
Fonte: Jornal A Notícia, 27/07/2010
Recenseadores vão a campo a partir de agosto. 0800 servirá para identificá-los
Os 190 mil recenseadores contratados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) vão iniciar o trabalho de
coleta de informações para o Censo 2010 no primeiro dia
de agosto, em uma megaoperação orçada em R$ 1,68
bilhão. Os primeiros resultados da contagem populacional
serão apresentados pelo instituto ao Tribunal de Contas da
União (TCU), já no final de novembro, para
definição das fatias de destino do Fundo de
Participação dos Municípios. Em dezembro, novos
dados serão apresentados à imprensa. As
divulgações dos dados da pesquisa deverão
continuar até 2012.
O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, explicou que os técnicos do
instituto dedicaram três anos de preparação para o
início dos trabalhos. Censo anterior foi realizado em 2000 e
contabilizou uma população de 169,8 milhões de
habitantes. A primeira pesquisa desse tipo havia sido realizada pela
instituição em 1872, quando o País somava uma
população de 10,1 milhões de pessoas.
Os recenseadores poderão ser identificados pelo uso de um colete
especial, no qual estará fixado um documento de
identificação e o logotipo do Censo, além de um
boné e o material eletrônico de mão para a
realização do questionário. Serão 58
milhões de domicílios visitados, incluindo finais de
semana e horário noturno. Não responder ao Censo é
crime previsto em lei e a novidade deste ano é que aqueles que
passam muito tempo fora de casa poderão optar por responder a
pesquisas pela internet. Até para esta opção
será necessário contato com o recenseador,
responsável pela entrega de um envelope lacrado, com prazo de
utilização. Caso o internauta não cumpra a data
estipulada, o profissional contratado pelo IBGE vai retornar ao local e
insistir na entrevista presencial.
De acordo com a lei 5.564, de novembro de 1968, a
não-prestação de informações nos
prazos fixados gera multa de até dez vezes salários
mínimos. Ficará dispensado do pagamento da multa o
infrator primário que prestar informações no prazo
fixado no auto de infração.
Jogos Mundiais Militares representam oportunidade para as instituições educacionais
Fonte: Jornal da Educação, nº 3806
O Brasil sediará o primeiro dos grandes eventos internacionais
de 16 a 24 de julho de 2011: os Jogos Mundiais Militares.
A cidade do Rio de Janeiro será a sede, contudo há reflexos indiretos em todo o Brasil.
Nos últimos anos vem ocorrendo uma maior
integração das forças armadas com as
instituições educacionais.
O Exército, Marinha e Aeronáutica possuem excelentes
instalações desportivas e que podem ser utilizadas por
escolas públicas e particulares.
Atualmente, existe equivalência de estudos, que permite que
cursos superiores ministrados em unidades militares sejam acolhidos
pelas faculdades, centros universitários e universidades e
vice-versa.
São notados que alguns programas de
pós-graduação lato sensu são feitos no
interior das escolas das forças armadas, atendendo à uma
demanda que existe no setor.
(IPAE 146- 07/10)
Por um hino mais catarinense
Fonte: Jornal A Notícia, 27/07/2010
Projeto para mudar música é analisado na Assembleia Legislativa
O hino formado de estrelas e flores está longe de conquistar a
glória entre os catarinenses. A luz da redenção
deve acender quando a música estiver na ponta da língua
do povo.
Até lá, com ou sem mudanças, a melodia, adotada em
1895, durante o contexto abolicionista, continuará sofrendo com
a baixa popularidade.
Facilitar a memorização das estrofes e popularizar a
música é o objetivo do projeto de decreto administrativo
apresentado pelo deputado estadual Gilmar Knaesel (PSDB) na Assembleia
Legislativa no dia 20. “A letra foi escrita numa época
muito distante. O autor pensou em escrever para todo o País, e
não para o Estado”, avalia Knaesel.
Ele diz que, como catarinense, não se vê representado no
hino. Para Knaesel, o cântico deveria retratar a cultura, as
belezas naturais e a garra do povo catarinense. O deputado afirma que o
desejo de mudar a letra ocorre desde quando atuou no Turismo.
Ele sugere uma consulta popular para avaliar se os catarinenses querem
ou não mudar o hino. Depois, propõe um concurso
público para eleger a música que melhor identifique o
Estado.
O projeto está na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Assembleia. Se aprovado, segue para o
plenário. Recebendo o aval dos deputados, o plebiscito ocorreria
no mesmo dia das eleições. Se isso se confirmar
até outubro, pode acontecer nas eleições deste
ano. Se não, o plebiscito pode ocorrer em 2012.
O professor Otavio Auler, que escreveu um livro sobre a história
de Santa Catarina, acredita que as palavras difíceis, os termos
rebuscados e a melodia incomum distanciam o hino dos catarinenses.
“O hino exalta uma característica do catarinense, a
força, mas não traz outros elementos e nem faz
reflexão sobre eventos históricos.”
Para o professor de história de Santa Catarina, Welly Schaing, a
falta de conhecimento da história do Estado se traduz no
desconhecimento do hino.
As redes sociais como forma de disseminação de atividades
Fonte: Jornal da Educação, nº 3806
Primeiro as redes sociais foram exploradas como plataforma de
atendimento de relacionamento. Em seguida, ganharam status de
ferramenta de recrutamento e de ganhos financeiros. Hoje
são consideradas um recurso para aumentar a produtividade e a
colaboração entre os diversos integrantes da comunidade
institucional com o grande público
Alguns especialistas recomendam que as
organizações utilizem da forma mais ampla
possível todas as redes sociais.
É relevante que não se busque de uma forma direta
retornos em termos de negócios. Isso ocorre como uma
consequência eis que evidencia a disseminação das
ações voltadas para o grande público interno e
externo.
Mais importante que usar as redes é fazer o correto uso desses
mecanismos. Ocorrendo falhas a multiplicação ganha
proporções alarmantes, dependendo do número de
seguidores.
(IPAE 148 - 07/10)
Educação afegã renasce, mas mais de 50% ainda não lê
Fonte: Portal Terra Educação, 27/07/2010
O Afeganistão, um país com um rico legado cultural,
assumiu em 2002 o desafio de reconstruir um sistema educacional
devastado pela intransigência do regime talibã: desde
então, o mundo universitário floresceu e as mulheres
têm cada vez mais espaço. Em seu discurso inaugural na
Conferência de Cabul, o presidente Hamid Karzai elogiou o "grande
progresso" no âmbito educativo - eclipsado por uma guerra que
atrapalha o desenvolvimento do país -, mas lembrou que 6
milhões de crianças ainda não podem ir à
escola e que 11 milhões de pessoas são analfabetas, isso
em uma população que ronda os 30 milhões. Mas isso
não é empecilho para apreciar o progresso dos
últimos anos: segundo dados do Ministério da
Educação, em janeiro deste ano havia 7 milhões de
crianças na escola, entre elas 2,5 milhões de meninas. A
reconstrução partiu quase do zero: o regime talibã
(1996-2001) deixou como herança menos de 1 milhão de
estudantes e 20 mil professores (com a total ausência de
mulheres).
Durante os últimos anos, com ajuda internacional foram
construídos 4,5 mil edifícios educativos e o
número de professores subiu para 170 mil, 30% deles mulheres,
segundo os dados oficiais; também há 485
"madraçais" ou escolas que ensinam o Corão registradas. O
objetivo governamental para 2020 é conseguir a
escolarização total (14 milhões de estudantes), e
dispor de 486 mil professores, a metade deles mulheres, mas isso ainda
está muito longe. No âmbito universitário, dos nove
centros com 5 mil estudantes que haviam em 2002, se passou para 24 com
mais de 80 mil alunos, segundo disse à Agência Efe o
porta-voz do Ministério da Educação Superior, Noor
Bakhsh. Nas universidades da capital afegã, com pátios
inspirados na geometria islâmica e meninas cobertas com
lenços dirigindo-se a passos rápidos para as salas de
aula, se respira ambição, mas também descontente.
"Infelizmente, a situação educativa no Afeganistão
não é boa, porque o país está em guerra e o
Governo está lutando contra os talibãs", disse à
Efe Samirulá, um estudante de 21 anos do Departamento de
Inglês da Universidade de Cabul, que tem 7 mil alunos repartidos
em seis faculdades. "Há uma grande interferência das
personalidades políticas, que querem intervir no sistema
educacional por seu próprio interesse", acrescentou outro aluno,
Mohammed Esrafal Azad Shazadzai, que estuda Ciências Sociais. A
'fuga de cérebros' e os poucos recursos de um país em
guerra são as maiores preocupações das autoridades
educativas. "Há uma grande melhora do sistema educacional nos
últimos três, quatro anos e muitas mudanças na
Universidade", explicou o vice-reitor da Universidade Educativa de
Cabul, Mir Haroon Ahmadi. "Um dos problemas que temos agora é a
pouca segurança que alguns estudantes enfrentam e, além
disso, não há trabalho para nossa gente com estudo",
admitiu depois. Muitos dos alunos que caminham pelos jardins desta
Universidade, com calças jeans e acessórios Dolce &
Gabbana de autenticidade discutível, insistem na grande
importância da aprendizagem e não escondem seus sonhos de
buscar trabalho no exterior assim que completarem seus estudos.
É a ambição acadêmica que foi sendo
despertada desde 2001, quando foi virada a página de um regime
fundamentalista que privou a mulher da esfera pública e
empreendeu uma ofensiva niilista contra a cultura. A
demolição a cargo dos talibãs de duas
estátuas monumentais de Buda na montanhosa Bamiyan em 2001 foi
manchete internacional, mas o legado cultural perdido é muito
maior. "Os talibãs destruíram mais de 2,5 mil objetos
antigos, a maioria dos quais estavam neste museu foram
destruídos", explicou à Agência Efe o diretor
adjunto do Museu Nacional do Afeganistão, Mohammed Yahia
Mohibzada.
O Governo está tentando restaurar alguma das obras, mas as que
tinham "mais valor", segundo Mohibzada, foram exterminadas.
Estátuas budistas dos séculos V e VI com visíveis
danos - devidos também a sua antiguidade - são exibidas
neste museu, embora o subdiretor insista que os talibãs
não faziam diferenças entre as inspirações
religiosas da arte ou não e também destruíam as
obras de corte islâmico. Inclusive na Galeria de Arte do
Afeganistão, outro centro cultural, será exibida uma urna
com pinturas estragadas e despedaçadas pelos talibãs, o
testemunho doloroso de uma época com inimigos declarados: a
educação liberal, a letra e o pincel.
O brasileiro está oco
Fonte: Jornal de Santa Catarina, 27/07/2010
O assunto é recorrente e retorna quando estamos às voltas
com a revolução da educação, discutindo sua
gênese e os seus objetivos. Na educação superior,
uma das provas mais importantes e decisivas do exame vestibular
é a redação, primeira manifestação
dos educadores no sentido de acabar com a prevalência das provas
totalmente baseadas na múltipla escolha. A conclusão
é óbvia: sem leitura, como escrever adequadamente?
Criar o hábito da leitura é um primeiro passo que depende
basicamente de pais e professores. Há uma idade para isso, que,
infelizmente, para os calouros não coincide com seus 17 ou 18
anos. Começa antes, na altura do Ensino Fundamental. Depois,
é só alimentar a cabeça de bons produtos, a fim de
que persista o interesse.
No vestibular, em geral, caem temas da atualidade. O penta do Brasil no
futebol, as Forças Armadas no combate ao crime, o avanço
da aids, os salários dos professores, a busca da
profissão ou a esperança que cerca a vinda de um novo
presidente da República. Quem estiver devidamente preparado, com
a base que é fornecida por uma leitura constante, não
terá dificuldade de desenvolver o tema da prova. Terá
desenvoltura e, o que é mais importante, uma riqueza vocabular
essencial. A capacidade de expressão vem daí.
Pode-se registrar aqui o fato, facilmente comprovável, de que
nunca se escreveu e se falou tão mal o idioma de Ruy Barbosa.
Culpa, quem sabe, da deterioração do nosso sistema de
educação básica. Ou do pouco apreço que
devotamos à leitura. E podemos citar a
“contribuição” dos meios televisivos. Donos
de força descomunal, praticam um magistral desserviço
à educação brasileira.
Respeitar a nossa língua é uma forma de fazer
educação. Concluindo, o brasileiro está oco.
Não é só a ideia da religião, da
crença em Deus ou em determinada igreja. Mas está ligado
ao pensamento abstrato, à filosofia, ao homem pensando em sua
sorte, de onde veio, para onde vai. Essa carência prejudica a
cultura geral do indivíduo, porque o homem é
essencialmente linguagem. O brasileiro está oco com a
Língua Portuguesa.
Nelson Valente - Professor universitário
Para leitores, Educação é a principal prioridade do próximo presidente
Fonte: O Globo, 27/07/2010 às 07h20m
Carolina Benevides e Dório Ewbank Victor
RIO - Enquete realizada pelo GLOBO no início da campanha
eleitoral identificou a Educação como prioridade e
principal desafio do próximo presidente do Brasil. Entre os
2.380 eleitores que opinaram sobre os grandes problemas brasileiros,
57% acham a questão crucial para o futuro do país.
Segurança (16%), Saúde (14%), Trabalho, Emprego e Renda
(12%) e Cultura (1%) completaram a lista de necessidades. Confira as
propostas dos presidenciáveis para a Educação no
link: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/07/26/confira-as-propostas-dos-presidenciaveis-para-educacao-917245624.asp
O ambiente especial de Eleições 2010 publicará
toda a terça-feira, nas próximas semanas, um panorama
sobre os temas mais votados (Educação, Segurança e
Saúde) e apresentará as propostas dos
presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e
Marina Silva (PV) até esse momento da corrida eleitoral.
Analfabetismo e violência ainda são desafios
Não faltam ao Brasil metas para melhorar o ensino. O
Índice de Desenvolvimento da Educação (IDEB),
principal indicador da qualidade da educação, que leva em
conta o rendimento escolar nos anos iniciais e finais do Ensino
Fundamental e também no Ensino Médio, estabelece que,
numa escala de 0 a 10, o país chegue a 2021 com média 6
nas escolas de 1ª à 4ª série. Em 2009, o
índice não passou de 4,6.
Candidatos ao Planalto, Serra, Dilma e Marina também já
traçaram suas metas. Universalizar a
alfabetização, investir nos cursos técnicos,
aumentar o percentual do PIB, construir creches e apostar em
educação integral são algumas das promessas. Mas o
fato é: o investimento público em educação
não ultrapassou 4,7% do PIB em 2008, segundo dados do
Ministério da Educação (MEC). No ensino superior,
em 2000, também de acordo com o MEC, eram investidos R$ 15.341
por aluno/ano. Em 2008, o número havia caído para R$
14.763.
Além de estabelecer metas, nos últimos anos o Brasil
passou a contar com vários mecanismos para medir a qualidade do
que os alunos aprendem em sala de aula: Prova Brasil, que avalia a cada
dois anos os estudantes da 4ª e da 8ª séries (5º
e 9º ano), o Ideb, a Provinha Brasil, que avalia as
crianças do 2º ano, e o Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem), que além de medir o nível dos alunos
do ensino médio serve como critério de
seleção para mais de 500 universidades. No entanto, os
resultados causam alarde. No Enem de 2009, 97,8% das quase sete mil
escolas que tiveram média abaixo de 500 - a escala vai de 0 a
1.000 - eram estaduais. Problemas como crianças fora das salas
de aula, escolas com pouca ou quase nenhuma infra-estrutura e
déficit de professores também preocupam.
Velhos fantasmas do sistema educacional público, como o
analfabetismo e o déficit de professores no Ensino
Básico, ainda podem assombrar o futuro presidente da
República na próxima gestão. A violência
urbana e falta de investimentos no setor tornam ainda mais
precária a Educação do país, apontada por
especialistas como um dos principais freios do crescimento nacional.
O principal problema apontado pelos especialistas é o
analfabetismo. Segundo informações do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um estudo
realizado em 2007 revelou que o número de analfabetos do
país chega a 14,4 milhões.
" Não podemos pensar em crescimento do país com um número tão grande de analfabetos "
- Não podemos pensar em crescimento do país com um
número tão grande de analfabetos. São pessoas que
ainda não foram incluídas socialmente no país -
disse o presidente do Conselho Nacional de Trabalhadores em
Educação (CNTE), professor Roberto Leão. Ele
ressaltou que, além daqueles que nunca tiveram acesso a uma
carteira escolar, existem os chamados analfabetos funcionais, que
chegam a cursar alguns anos do ensino fundamental e médio, mas
saem dos colégios, muitas vezes, só sabendo assinar o
próprio nome.
- Este poderá ser o principal desafio do presidente, já
que o analfabetismo é um problema que outros presidentes
tentaram em vão resolver. Seria importante que o futuro governo
desenvolvesse um sistema de educação articulada. Digo
articulada porque envolveria os diversos sistemas educacionais que
existem. Resumindo, o ensino do Norte do país seria o mesmo do
Sudeste, claro, respeitando as diferenças culturais - ressalta
Leão.
Violência ameaça professores e provoca evasão escolar
Outro problema da educação pública é a
violência urbana. Em vários estados, como o Rio de
Janeiro, escolas que ficam localizadas em comunidades comandadas pelo
tráfico de drogas ou grupos paramilitares (milícias)
ficam dias, até semanas sem aula por conta dos frequentes
tiroteios entre policiais e criminosos.
Nestes confrontos, muitas vezes os inocentes acabam sendo as
vítimas, como na semana passada, quando um menino de 11 anos,
aluno de um Ciep, foi atingido por uma bala perdida durante um
confronto entre policiais militares e traficantes. Em abril deste ano,
dois assaltantes invadiram uma escola de educação
infantil no bairro do Brás, zona central de São Paulo, e
mantiveram professoras reféns .
"Cerca de 200 escolas no Rio sofrem influência direta ou indireta do tráfico de drogas ou de grupos de milicianos"
- Cerca de 200 escolas no Rio sofrem influência direta ou
indireta do tráfico de drogas ou de grupos de milicianos. As
escolas ficam expostas a tiroteios nas comunidades. Muitos alunos ficam
dias sem aula, e não tem como repor. Na Zona Oeste do Rio, por
exemplo, os milicianos ditam as regras, como as matrículas, onde
somente alunos de uma determinada região podem estudar em uma
instituição pública localizada no seu
território - explica o coordenador geral do Sindicato dos
Profissionais em Educação do Rio (Sepe), Danilo Serafim.
Além dos confrontos, a violência prejudica ainda mais a
educação quando começa influenciar os alunos, como
explicou Serafim: - Recentemente tivemos o caso de um aluno que quebrou
o dedo de uma professora porque ela quis que ele tirasse o fone de
ouvido durante a aula. Isso é reflexo da violência que
estes jovens estão submetidos diariamente. Além disso,
essa influência faz com que o aluno desista de estudar, porque
vê nas ruas mais perspectivas de vida do que na escola.
Déficit de professores chega a 250 mil no país
Por causa dos baixos salários e da falta de infraestrutura da
rede pública de educação, a profissão de
professor tem se tornado a última escolha daqueles que acabam de
terminar a faculdade. Isso tem provocado um déficit de
aproximadamente 250 mil profissionais nos ensinos Médio e
Fundamental, segundo alerta a CNTE. Isso prejudica significativamente o
aprendizado de cerca de 52 milhões de alunos do Ensino
Básico público, de acordo com informações
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep).
" Quando o jovem termina a faculdade, ele prefere trabalhar em outras áreas do que ser professor "
- Grande parte deste déficit é de professores de
matemática, física, química e biologia. Quando o
jovem termina a faculdade, ele prefere trabalhar em outras áreas
do que ser professor. Precisamos urgentemente valorizar esta
profissão (professor), porque a tendência é que
este déficit aumente - disse Roberto Leão.
Além dos baixos salários e da violência, os
professores também se deparam com as péssimas
condições de infraestrutura das escolas públicas.
- Muitas delas não têm biblioteca, laboratório,
não tem nada. Assim fica difícil estimular o aluno a
estudar, ou melhor, a gostar de estudar - revela Leão.
Investimento de 10% do PIB em educação
Outra questão apontada pelos especialistas como um dos
obstáculos da educação nacional é a
ampliação do financiamento público. Atualmente,
cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país é
aplicado no sistema educacional, as entidades do setor defendem que
este percentual deveria ser de, no mínimo, 10%.
- O aumento do percentual do PIB é importante porque isso
significa mais verba para investir no aluno. Quando se aumenta o
investimento, saímos da situação de
estrangulamento e passamos a trabalhar com um panorama de crescimento -
disse Marina Barbosa, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das
Instituições de Ensino Superior (Andes).
" O que acontece não é só o sucateamento do ensino
público, e sim um conjunto de ações que favorece o
setor privado "
Segundo Marina, a insuficiência desse financiamento nas duas
últimas décadas tem possibilitado a expansão
massiva da oferta de vagas pelo setor privado (responsável hoje
por cerca de 80% das matrículas do nível superior).
- O que acontece não é só o sucateamento do ensino
público, e sim um conjunto de ações que favorece o
setor privado. Por exemplo, o Enem, declarado como um elemento de
democratização pelo governo federal, permite que o aluno
ingresse na rede particular de ensino, mas, na verdade, quando a
instituição oferece estas vagas, ela consegue
isenção de vários impostos. Seria melhor o governo
arrecadar estes impostos e ampliar as vagas na rede pública -
disse.
Bebê que convive com livros vai melhor na escola
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 25 de julho de 2010
Karina Toledo Ler para um bebê que ainda não fala nem
entende o que é falado pode parecer perda de tempo, mas diversos
estudos mostram que, a longo prazo, a prática pode beneficiar o
desempenho escolar. Além de adquirir gosto pela leitura, as
crianças que têm contato com livros desde o berço
chegam ao ensino fundamental com vocabulário mais rico e maior
capacidade de compreensão e de manter a atenção
nos estudos.
Para ajudar na escolha do título mais adequado para cada idade e
no desafio de manter as crianças pequenas entretidas, o
Instituto Alfa e Beto (IAB) apresenta na próxima Bienal do Livro
de São Paulo a Biblioteca do Bebê. Além de
vários livros divididos por faixa etária, o local
terá voluntários que ensinarão aos pais
técnicas de leitura. As principais dicas estão reunidas
em uma cartilha que será distribuída aos visitantes (mais
informações nesta página).
"Não se trata de ler um conto de fadas para um bebê com
menos de 1 ano. Os primeiros livros devem ter apenas imagens e o tempo
para folheá-los deve ser breve", explica David Dickinson,
especialista em alfabetização pela Universidade Harvard.
Durante a bienal, ele apresentará estudos que relacionam a
leitura precoce a um maior desenvolvimento da linguagem.
Uma dessas pesquisas mostra que as crianças de 3 anos que
possuem o hábito de leitura em família apresentam, aos
10, desempenho escolar superior ao daquelas que não leem com
frequência.
"O importante é ler com regularidade, de preferência todos
os dias, e tornar a experiência agradável", afirma
Dickinson. Os pais, diz ele, devem usar as imagens do livros como base
para iniciar uma conversa com a criança. "Faça perguntas
sobre a figura ou sobre a história. Não se limite a ler
as palavras e virar a página", explica.
Esculpindo mentes. A interação com os adultos é
fundamental para o desenvolvimento da linguagem e o aprendizado se
dá pela imitação, diz o presidente do IAB,
João Batista Oliveira. "Mas a linguagem oral tem um
vocabulário restrito e uma sintaxe simplificada. O livro, por
mais simples que seja, obedece as regras da linguagem escrita, que
é a mesma que a criança vai encontrar na escola."
Se o vocabulário é o tijolo do pensamento, afirma
Oliveira, a sintaxe é a argamassa. "Quanto maior o
vocabulário e mais articulada a sintaxe, mais temos sobre o que
pensar." Essa maior capacidade de raciocínio e
compreensão favorece tanto o desempenho em disciplinas como
português e matemática como nas demais.
A capacidade de se manter focada em uma atividade também
é beneficiada pelo hábito de leitura, afirma Dickinson.
"Quando assistimos à TV ou usamos o computador, a tecnologia
prende nossa atenção. Já quando lemos um livro,
precisamos fazer esse trabalho sozinhos."
Beatriz Koike, de 3 anos, parece fazer esse trabalho muito bem. "As
professoras sempre comentam como ela presta atenção em
sala e elogiam sua desenvoltura com as palavras", conta a mãe,
Taís Borges.
Beatriz ganhou seu primeiro livro quando ainda estava na barriga de
Taís. "Aos 3 meses, comprei um livrinho de plástico para
ela brincar na banheira. Depois, um de pano, com texturas diferentes.
Aos 2 anos, ela começou a demonstrar interesse em
histórias mais complexas." Hoje, a menina tem seu cantinho da
leitura com 43 títulos. "Umas três ou quatro vezes por
semana leio para ela à noite. Quando não faço, ela
me cobra", conta Taís.
O IAB vai lançar na bienal um guia com uma proposta ambiciosa:
Os 600 Livros que Toda Criança Deve Ler Antes de Entrar para a
Escola. Isso dá uma média de dois livros por semana entre
0 e 6 anos. Quem quiser cumprir a meta não pode perder tempo.