27/07/2010
AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor educacional às instituições associadas.
Esclarecemos que as matérias veiculadas não representam, necessariamente, a opinião da Associação.
Caso não queira mais recebê-lo responda esta mensagem inserindo no campo "Assunto" a palavra: REMOVER.
Em breve será implantado diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade na pesquisa

Participe do júri no Festival de Gramado

Prêmio Exemplo Voluntário em SC

Poder Público poderá transferir verbas para universidades comunitárias

Pacote de R$ 500 milhões para inovação pode sair hoje

O jovem e a angústia

Censo 2010 começa em 1º de agosto

Empresas familiares e a governança corporativa, por Carlos Peres*

OAB/SC promove movimento contra a violência e insegurança em Santa Catarina

A equação do futuro

As mudanças do ensino privado


Erros nos sistemas de avaliação do MEC provocam graves prejuízos para escolas particulares


Quinze projetos binacionais são aprovados pela Capes

Novas regras para bater o cartão ponto


Emprego em alta, à prova de bolhas

Programa do MEC dá início à formação de professor sem licenciatura

Precisa-se de professor

Queda reflete nos cursos de licenciatura

Cursos de mestrado e doutorado passam por avaliação trienal

Modernidade ilusória

Por um dia de felicidade

Bancos apostam em crédito educativo

Censo custará R$ 1,6 bi

Jogos Mundiais Militares representam oportunidade para as instituições educacionais


Por um hino mais catarinense

As redes sociais como forma de disseminação de atividades

Educação afegã renasce, mas mais de 50% ainda não lê

O brasileiro está oco

Para leitores, Educação é a principal prioridade do próximo presidente

Bebê que convive com livros vai melhor na escola


Participe do júri no Festival de Gramado
Fonte: Diário Catarinense, 27/07/2010
Acaba amanhã a promoção que vai escolher um leitor do Diário Catarinense para ser um dos integrantes do júri popular do Festival de Cinema de Gramado deste ano, no Rio Grande do Sul.
Para concorrer é só acessar o blog Sala de Cinema, ler atentamente o regulamento e fazer um comentário de, no mínimo, mil caracteres, sobre um longa-metragem brasileiro que tenha estreado nos cinemas nacionais em 2010.
Para participar, o candidato deve ter mais de 18 anos, residir em Santa Catarina e se comprometer a assistir a todos os longas-metragens da Mostra Competitiva (durante o período de 6 a 14 de agosto).
O melhor texto será escolhido por uma comissão julgadora do Diário Catarinense. O autor ganhará a viagem para Gramado, com as despesas pagas (transporte aéreo a partir de Florianópolis, translado, estadia e alimentação).
O resultado da promoção será divulgado nesta sexta-feira.

Prêmio Exemplo Voluntário em SC
Fonte: Diário Catarinense, 27/07/2010
O Prêmio Exemplo Voluntário é realizado pela FMSS, Instituto Voluntários em Ação, Sesc, Undime e Secretaria de Estado da Educação. Tem como objetivo principal reconhecer e premiar os melhores e mais importantes cases de voluntariado de Santa Catarina. Na sua 6ª edição, em Florianópolis, o Prêmio Exemplo Voluntário homeangeou 19 pessoas que desenvolvem ações voluntárias em prol de uma sociedade melhor em Santa Catarina.

Poder Público poderá transferir verbas para universidades comunitárias
Fonte: ABRAFI
O repasse de recursos públicos está previsto no PL 7639/10, que regulamenta as instituições comunitárias de educação superior. Hoje essas entidades privadas não têm regras próprias de funcionamento no País.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 7639/10, da deputada Maria do Rosário (PT-RS) e outros, que regulamenta o funcionamento das Instituições Comunitárias de Educação Superior (Ices). Essas entidades, que estão presentes na maioria dos estados brasileiros, oferecem cursos de graduação e pós-graduação e implementam programas de pesquisa e extensão com foco no desenvolvimento de comunidades fora dos grandes centros urbanos. Pela proposta, as Ices ficam autorizadas a receber diretamente recursos públicos para suas atividades.
A Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei 9.394/96) já reconhecem, de forma genérica, a existência das instituições comunitárias. Pela legislação atual, elas são uma das três subcategorias das escolas privadas sem fins lucrativos. As outras subcategorias são: as entidades confessionais (vinculadas a alguma instituição religiosa) e as filantrópicas (que recebem benefícios fiscais em troca do oferecimento de serviços gratuitos pré-definidos por lei).
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que, em 2008, as entidades de ensino superior comunitárias, confessionais e filantrópicas representavam pouco mais de 19% do total das instituições brasileiras. Somadas, elas atendiam a 26% dos estudantes de nível superior do País. Não há dados que tratem das Ices isoladamente.
Apesar da representatividade do setor, não há hoje qualquer lei que trate mais especificamente dos centros comunitários de ensino superior. O PL 7639/10 reúne algumas características básicas para a qualificação dessas instituições: constituição na forma de associação ou fundação de direito privado; patrimônio pertencente à sociedade civil ou ao Poder Público; não distribuição da sua renda; aplicação integral dos recursos nas suas atividades; e desenvolvimento permanente de ações comunitárias.
Aplicação da verba pública
Com a normatização, as Ices serão qualificadas pelo Ministério da Educação (MEC) e poderão receber diretamente dinheiro público. As verbas, segundo a proposta, serão aplicadas em serviços gratuitos à população - tais como a oferta de vagas para a comunidade em cursos de graduação e pós-graduação e o desenvolvimento de atividades culturais e esportivas. Atualmente, não há previsão legal para esse tipo de transferência.
Pelo projeto, os recursos serão transferidos de forma voluntária, por meio de termos de parceria e convênios, por exemplo. Outra maneira é a participação das Ices em concorrências de órgãos governamentais que hoje são destinadas somente às instituições públicas. "A vantagem é que o Poder Público poderá utilizar toda uma rede de universidades que já estão constituídas", defende Maria do Rosário, que é coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Comunitárias.
A deputada cita dois exemplos possíveis de parcerias entre o Estado e as instituições comunitárias: a formação de professores em determinada região para o ensino de áreas específicas, como matemática e português; e o acompanhamento socioassistencial de beneficiários do Programa Bolsa Família em uma comunidade.
Retirado do site:
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/149810-PODER-PUBLICO-PODERA-TRANSFERIR-VERBAS-PARA-UNIVERSIDADES-COMUNITARIAS.html

Pacote de R$ 500 milhões para inovação pode sair hoje
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 27/07/2010 às 11:23 hs.
Um pacote de R$ 500 milhões em subvenções oficiais para pesquisas em inovação e tecnologia das empresas deve ser anunciado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu na noite de ontem com integrantes do ministério para discutir os últimos detalhes. Com o pacote, sairá, finalmente, o programa de incentivo ao desenvolvimento de carros elétricos no país, que receberão boa parte dessa quantia. Por interferência do Ministério do Desenvolvimento, porém, haverá também incentivos para desenvolver motores especialmente criados para uso de biocombustível.
O pacote de apoio à inovação será anunciado por Lula a tempo de ser mencionado pela candidata do governo, Dilma Rousseff, que participará da reunião da Sociedade Brasileira pelo progresso da Ciência (SBPC). Ontem, no encontro da SBPC, em Manaus, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, autorizou formalmente a abertura de editais de financiamento de pesquisas pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que somam R$ 865 milhões, dos quais R$ 500 milhões serão para as empresas privadas.
Rezende antecipou que o presidente anunciaria hoje "medidas fiscais e financeiras" para promover o carro elétrico. O tema tem provocado forte debate interno no governo, onde a ideia de promover o carro elétrico foi acusada de sabotar os esforços do próprio presidente Lula pela popularização do etanol combustível nos mercados mundiais. A divergência levou ao cancelamento da cerimônia de lançamento do programa de apoio ao caro elétrico, em maio.
A solução foi instituir um grupo de trabalho, que agregou ao projeto defendido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia propostas do Ministério do Desenvolvimento, para criar tecnologia especialmente destinada ao uso do biocombustível em automóveis. Os motores existentes são adaptações dos mecanismos criados para uso da gasolina, e não têm a eficiência que poderiam ter, caso aproveitassem tecnologia desenvolvida para aproveitamento energético máximo do etanol.
O programa a ser anunciado hoje pelo presidente Lula deve incluir medidas de aperfeiçoamento do sistema de apoio à inovação, acusado de excessivamente burocrático pelos beneficiários.
Sergio Leo, de Brasília
Fonte: Valor Econômico

O jovem e a angústia
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 26/07/2010 - São Paulo SP
RICARDO YOUNG 
Nos últimos dias o IBGE anunciou que o desemprego está caindo no país. Realmente é uma excelente notícia. No entanto, ainda falta muito para podermos comemorar o sucesso de oferecer trabalho a todos os brasileiros. Os jovens -faixa etária mais afetada pela falta de trabalho- ainda amargam índices de desemprego muito mais altos do que a média. Entre 16 e 25 anos o desemprego atinge quase 25%, ou seja, um em cada quatro jovens está sem trabalho, e são muito poucas as políticas públicas focadas na solução deste problema. Outra faixa etária que também encontra enormes dificuldades para ter acesso ao trabalho é a dos adolescentes de 14 a 16 anos, que, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), apenas podem exercer a função de aprendiz.
Eu sou de uma geração em que os jovens começavam a trabalhar muito cedo -muitas vezes entre 13 e 15 anos já ocupávamos o   tempo exercendo atividades remuneradas para ajudar a família ou, em muitos casos, para ocupar o tempo e não ficar "vadiando" pelas ruas. Desde a implantação do ECA, que em 13 de julho completou 20 anos, as empresas passaram a ter de respeitar normas especiais para a contratação de adolescentes. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o Brasil tinha em 2009 pouco mais de 150 mil jovens contratados como aprendizes, enquanto o Estado de São Paulo tinha somente 48.113 jovens nesta condição. Projeções do MTE apontam que somente São Paulo deveria ter 326.952 aprendizes, ou seja, quase sete vezes mais. Sem um grande trabalho de conscientização sobre a necessidade de se oferecer oportunidades para estes jovens não será possível reverter este quadro.
Criar mais vagas para aprendizes é um desafio que deve ser enfrentado pelo empresariado. E   melhorar a qualidade do emprego e do trabalho para jovens é um desafio que todos devemos encarar. A sociedade está destruindo as rampas de acesso dos jovens ao mercado de trabalho e oferecendo em contrapartida típicas "soluções de mercado". Tratamos os jovens como consumidores, incutimos os desejos, direcionamos as aspirações, estimulamos o livre arbítrio, mas não lhes damos as ferramentas de acesso ao mundo adulto. Precisamos rever nossos "ritos de passagem". Não há mais vagas para bancários, não há mais vagas para office boys e arquivistas, exigimos experiência para qualquer trabalho inexperiente, criamos verdadeiros moedores de carne em nossas ruas e vivemos nos perguntando: o que podemos fazer? É simples, podemos prestar atenção no que fazemos em nosso cotidiano e sermos responsáveis pela sociedade em que vivemos. Ricardo Young

Censo 2010 começa em 1º de agosto
Fonte: Jornal A Notícia, 26/07/2010
Recenseadores vão bater de porta em porta para coletar dados da população
A partir de 1º de agosto, os recenseadores do IBGE vão passar nas casas para coletar os dados de número de habitantes, renda, dados migratórios e de infrestrutura. O 12º Censo será feito em todo o Brasil.
Nos próximos três meses, 273 pessoas vão coletar as estatísticas de população na microrregião do Vale do Itapocu. Os agentes vão estar identificados. Eles terão em mão um equipamento chamado PDA, semelhante a um computador de mão, onde serão anotados todos os dados do morador. “O ideal é que recenseadores sejam bem atendidos, porque é com estes dados que vamos poder avaliar a população de uma cidade”, explica o responsável pelo Censo de Jaraguá do Sul, Nilson Antônio Gonçalves de Souza.

Empresas familiares e a governança corporativa, por Carlos Peres*
Fonte: Jornal A Notícia, 25/07/2010
Amanhã, Florianópolis receberá o Encontro de Empresas Familiares. É um evento importante para debater o futuro dessas organizações que são um dos pilares da economia do País. Apesar do intenso movimento de fusões e aquisições registrado nos últimos anos e da entrada voraz de players globais no mercado nacional, empresas tradicionais e familiares se mantêm como líderes de diversos setores essenciais da economia.
No Sul, apesar da internacionalização de diversas companhias, em particular as de agronegócios, esse cenário é bastante evidente. Empresas familiares são vitais para a economia da região. Cuidar da saúde financeira dessas organizações e projetar as bases para um futuro promissor são fundamentais também para entender como será o perfil de nossa economia nos próximos anos.
Ao longo da sua existência, as empresas familiares adotaram uma série de mecanismos para sobreviver. Ao se profissionalizarem, miraram tendências de mercado para construir sistemas de gestão mais enxutos, eficientes e com longa vida. Foi fundamental para isso o estreitamento do relacionamento com o mercado de capitais e demais stakeholders.
Buscar essa comunicação eficaz com os diversos grupos de interesse e investidores para uma companhia familiar é bastante difícil. O processo é complicado e, por vezes, esbarra na dificuldade dos donos – fundadores ou herdeiros – em compartilhar informações com funcionários e mercado.
Por isso, a governança corporativa é um tema dos mais importantes para a prosperidade e longa vida das empresas familiares. Governança corporativa é um conjunto de processos, que podem ser criados por regulamento interno, sobre como a empresa deve ser dirigida, parâmetros de transparência e critérios de comunicação com seus principais pares (investidores, funcionários, clientes, fornecedores, credores, mídia, etc.).
Em geral, a boa governança corporativa, ou, ainda, a governança corporativa que se traduz em resultados tangíveis para as empresas, é aquele que vai além de uma regulamentação. Claro, é fundamental existirem parâmetros estabelecidos e que todos tenham acesso. Porém, essencial é que a governança corporativa seja compreendida, defendida e praticada por todos. Uma empresa, familiar ou não, consegue bons níveis de transparência e de governança corporativa quando seus sócios e funcionários a praticam diariamente.
A governança corporativa só funciona quando o exemplo vem dos acionistas. Além disso, o board da empresa precisa estar 100% comprometido com o processo. É importante ter metas, conhecer os pontos de conflito e os resultados desejados. Em empresas familiares ou de origem familiar, essas discussões precisam ser redobradas para ter o comprometimento de todos os herdeiros. Ou seja: governança corporativa não é grife, não é um selo de qualidade, não é um parâmetro de marketing. É um comportamento que, quando bem feito, é compreendido e reconhecido pela sociedade.
*Sócio da PricewaterhouseCoopers

OAB/SC promove movimento contra a violência e insegurança em Santa Catarina
Fonte: Assessoria de Comunicação da OAB/SC
Um brado contra a violência e a insegurança que rondam a população de Santa Catarina será promovido pela OAB/SC no dia 7 de agosto, sábado, às 11 horas, nas imediações do Mercado Público da Capital. “Paciência tem limite. Não podemos mais viver sob constantes ameaças à nossa integridade física. Não temos mais paz na ausência dos nossos entes queridos”, reage o presidente Paulo Borba, inconformado com o assassinato de dois advogados em pouco mais de um mês e de dezenas de cidadãos. “É uma infeliz coincidência que estes últimos casos tenham tido advogados como vítimas. Eram cidadãos que viviam em Santa Catarina e suas famílias merecem justiça”, afirmou.
A Ordem está encaminhando convites a todas as entidades civis organizadas, poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, Ministério Público, conselhos de classe e sindicatos, entre outras, para que encampem este movimento de forma a unir a sociedade e promover um grande pedido pela paz.
O advogado Paulo Cesar Martins, de 47 anos, assassinado ontem (22) com três tiros na porta do seu escritório no centro de Florianópolis, foi o 53º homicídio neste ano na capital. No dia 10 de junho o colega Rodrigo da Luz Silva também foi morto a tiros em frente ao condomínio no Campeche onde havia sido síndico. Rogério Postai, preso em flagrante, teve negado o pedido de liberdade provisória pelo juiz de direito titular da Vara do Júri da Comarca da Capital, Luiz Cesar Schweitzer, sob o argumento de ainda estarem presentes os requisitos ensejadores de sua prisão preventiva. 
A OAB/SC acompanhará as investigações e trâmites, passo a passo, agora em ambos os casos. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o autor do crime já foi identificado e o delegado responsável pelo caso acredita que ele se apresentará nas próximas horas. Ainda segundo a SSP, dos 53 homicídios de 2010, 48 já tiveram a autoria identificada e 37 estão resolvidos.
Fonte: Assessoria de Comunicação da OAB/SC

A equação do futuro
Notícia disponibilizada no Portal www.cmconsultoria.com.br às 10:27 hs. 
26/07/2010 - A educação do amanhã substitui a padronização pela criatividade e troca o foco no currículo pela atenção ao aprendiz
Flávia Tavares, de O Estado de S. Paulo
Evolução. No passado, aluno diferentes eram ensinados da mesma forma. Hoje, grande desafio é capitalizar a diversidade entre os estudantes
Ano após ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reprova o Brasil no quesito igualdade. O ranking das escolas com melhor desempenho reproduz o abismo da diferença entre a qualidade do ensino oferecido em instituições públicas e privadas. Assim, distancia ainda mais os alunos com a garantia de um futuro bem-sucedido nas universidades dos que engordarão a massa de trabalhadores com escolaridade limitada. O teste final que as avaliações da educação brasileira propõe é como resolver um problema antigo com soluções diferentes e inovadoras.
Para Andreas Schleicher, diretor de Programas de Análise e Indicadores em Educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), os dados de verificações como o Enem podem sugerir alguns caminhos. Mas a resposta está mesmo na formulação de um novo modelo de educação, "menos centrado no currículo e mais no aprendiz". "Precisamos entender que a aprendizagem não é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais precisam reconhecer que os indivíduos aprendem de formas diferentes", diz o físico alemão.
Em entrevista por e-mail, Schleicher defende que, quanto mais autonomia a escola e os professores tiverem, maior será sua interação com os alunos. Além disso, os educadores terão de reinventar suas ferramentas para formar jovens preparados para problemas que nem sequer surgiram ainda. "No passado, professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Nos dias de hoje, a escola precisa preparar os estudantes para profissões que não foram criadas e tecnologias que não foram inventadas." Schleicher faz ainda um alerta aos gestores de educação: "As nações que não têm bons fundamentos nunca pagaram um preço tão alto por essa deficiência".
Quais as razões para avaliarmos tanto os estudantes, com exames ao fim de cada nível de escolaridade? É para filtrar quem deve chegar ou não ao ensino superior?
O propósito das avaliações não é prioritariamente o de definir caminhos de entrada ou saída para os estudantes, mas sim o de identificar necessidades e melhorias no processo de ensino. Bons sistemas de avaliação reconhecem que um aprendizado de excelência abrange tanto o processo quanto seu conteúdo. O resultado dessas avaliações não produz apenas notas para as escolas, mas tenta fornecer uma compreensão abrangente sobre os estudantes e as estratégias conceituais que eles usam para resolver problemas.
O que mais se aproveita do resultado desses exames?
As verificações melhoram o aprendizado de alunos, professores, administradores de escolas e formuladores de políticas públicas. A partir delas, pode-se construir um quadro claro para atribuição de responsabilidades. Isso significa gerar informação que pode ser transformada em ação. Boas avaliações deixam professores mais conscientes de suas deficiências e isso normalmente resulta numa mudança de comportamento. Em vez de simplesmente selecionar e filtrar aqueles que parecem ser os alunos mais talentosos, escolas e professores competentes usam esses dados para distinguir os alunos extraordinários dos medianos, para estimular a capacidade individual.
Qual a importância desse estímulo?
É simples: as oportunidades para aqueles bem educados nunca foram tantas, mas também os indivíduos - e as nações - que não têm bons fundamentos nunca pagaram tão caro for essa deficiência. Na verdade, o preço econômico e social que as sociedades pagam por não educar bem a totalidade de suas crianças é muito mais alto do que seria o investimento na própria educação.
Números do Enem mostram que o Brasil ainda sustenta uma enorme diferença entre o ensino particular e o privado. Estamos investindo pouco em educação?
É importante analisar o contexto dos dados do Enem. Essa é outra lição que bons sistemas de avaliação nos dão: a comparação deve ser feita entre diferentes períodos da mesma escola, para se analisar quanto ela melhorou. O mesmo parâmetro é verdadeiro quando comparamos países. Não é possível comparar substancialmente países como Finlândia e Japão com o Brasil sem levar em conta o contexto socioeconômico. Na verdade, quando se considera esse pano de fundo, o Brasil está entre os mais bem-sucedidos em melhorar seu desempenho educacional e a igualdade. Sistemas educacionais sempre falam de igualdade e agora nós conseguimos medir seu sucesso nisso, na forma como as escolas conseguem moderar o impacto que o background social tem na educação.
O que países como Finlândia e Japão têm a nos ensinar?
Educação de alta qualidade existe em todo o mundo. Na América do Norte, o exemplo é o Canadá. Na Europa, a Finlândia. Na Ásia, temos Japão, Coreia do Sul e Cingapura. Eles são diferentes entre si, mas têm pontos em comum relevantes. Primeiramente, onde estudantes atuam num ambiente caracterizado pelas expectativas de um bom desempenho a relação com os professores melhora e o moral dos educadores aumenta. Muitos países mudaram suas prioridades, saindo do simples controle dos recursos e do currículo para um foco maior nos resultados do processo educacional. Isso tem direcionado esforços no sentido de uma articulação das expectativas que a sociedade tem e a tradução dessas expectativas em parâmetros e objetivos.
O que esses parâmetros determinam?
Eles ajudam a estabelecer conteúdos rigorosos e coerentes em todos os níveis de escolaridade; reduzem as diferenças de currículos entre esses níveis; diminuem a variação desses currículos de classe para classe; facilitam a coordenação de formuladores de políticas públicas; reduzem a desigualdade de currículos entre diferentes grupos socioeconômicos. Muitos sistemas somaram o desenvolvimento desses parâmetros a uma maior atribuição de responsabilidades à linha de frente do ensino, encorajando escolas a dar respostas assertivas aos problemas locais e ajudando escolas e professores a fazer isso de forma significativa.
Como dar essa autonomia a escolas e professores?
Parâmetros claros e específicos permitem acesso às melhores práticas profissionais nas escolas e ajuda os professores a expandir seu repertório de estratégias pedagógicas para personalizar o ensino para todos os alunos e adotar abordagens inovadoras. Os melhores sistemas educacionais do mundo escolhem as pessoas certas para se tornarem professores porque sabem que a qualidade de educação será proporcional à qualidade do corpo docente e porque a escolha errada desses profissionais pode resultar em 40 anos de ensino fraco. Países como a Finlândia e a Coreia do Sul recrutam seus professores entre os 10% dos que se formaram nos primeiros lugares.
E com relação às escolas?
Na maioria dos países exemplares as escolas se tornaram um ponto chave na reforma educacional, e elas são responsáveis pelos resultados que apresentam. Na Finlândia, por exemplo, o planejamento estratégico acontece em todos os níveis do sistema. Cada escola discute a visão nacional do assunto e, paralelamente, o que essa estratégia representam para ela. O mais impressionante nos ótimos resultados de países como Finlândia e Canadá não são apenas as altas médias de desempenho, mas o fato de eles conseguirem que todos os estudantes e as escolas alcancem essa média. A eventual intervenção e apoio nas escolas não é a aplicação de ideias pré-concebidas - ao contrário, trata-se de diagnosticar problemas em cada escola e desenvolver soluções personalizadas. Também se trata de garantir que as escolas que encaram os maiores desafios tenham acesso aos professores e diretores mais talentosos.
Ou seja, profissionais do ensino têm mais responsabilidades.
Exato. Em todos os países que se saíram bem no Pisa, é responsabilidade das escolas e dos professores se engajar na diversidade de interesses dos estudantes, em suas capacidades diferenciadas e em seus diversos contextos socioeconômicos, sem a alternativa de fazer o aluno repetir de ano ou se transferir para uma escola menos exigente - atalhos normalmente usados em países com desempenhos ruins, onde os diretores de escola e professores podem enganar a si próprios dizendo que fizeram a coisa certa, mas têm os alunos errados.
Como a tecnologia está transformando os antigos modelos de ensino?
Uma palavra-chave para o uso da tecnologia na educação costumava ser o aprendizado "interativo". Agora, ele precisa ser "participativo". E, embora a educação a distância seja uma peça importante da educação no futuro, o ensino permanecerá uma experiência humana. Nas gerações passadas, professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Hoje, a escola precisa preparar os estudantes para mudanças econômicas e sociais mais rápidas do que nunca, para profissões e tecnologias que não foram inventadas e problemas que ainda não sabemos se surgirão. Como podemos criar uma cultura de educação para a vida inteira e para todas as áreas da vida que atinja a todos? O dilema dos educadores é que as habilidades cognitivas rotineiras, aquelas fáceis de ensinar e de avaliar, são também as mais facilmente digitalizadas, automatizadas e terceirizadas. O sucesso em educação não é mais a reprodução de conteúdo e conhecimento, mas é a capacidade de aplicar esse conhecime nto em situações inéditas.
Dê um exemplo.
A questão não é se o ensino da matemática deveria ser mais ou menos rigoroso. O desafio é garantir que a matemática não se restrinja a um mundo de equações e teoremas, mas se transforme numa linguagem que permita aos alunos descrever, estruturar e compreender o mundo. O caminho até esse ponto é desafiador.
Estamos nos preparando para esse desafio? Qual seria o modelo de ensino ideal para o século 21?
Num sistema educacional antigo e burocrático, professores eram deixados sozinhos nas classes com uma receita do que ensinar. O modelo moderno estabelecerá objetivos ambiciosos, será mais claro sobre o que os estudantes devem se tornar capazes de fazer, atribuirá responsabilidades e arregimentará professores com ferramentas para ensinar seus alunos individualmente. A educação do passado se resumia a um conhecimento despejado, a do futuro é um conhecimento gerado por professores e estudantes. No passado, alunos diferentes eram ensinados da mesma forma. Hoje, o desafio é incluir a diversidade no ensino. O objetivo do passado era a padronização. Agora, é a criatividade, a personalização das experiências. O passado era centrado no currículo, o futuro é no aprendiz. Nós também precisamos entender que a aprendizagem não é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais precisam reconhecer que indivíduos aprendem de formas diferentes - inclusive, de formas diferentes ao longo de sua s vidas. 
Fonte: O Estado de São Paulo 

As mudanças do ensino privado
Fonte: O Estado de S.Paulo, 25 de julho de 2010
Duas vultosas operações marcaram o setor do ensino privado este mês. A primeira foi a aquisição do Grupo Anglo pela Abril Educação, numa acirrada disputa com a Editora Santillana, vinculada ao conglomerado espanhol Prisa, que edita o jornal El País, e com a Pearson Education Brasil, pertencente ao conglomerado britânico que edita o Financial Times e The Economist. Realizada dez dias depois, a segunda operação foi a compra, pela Pearson Education, de parte do controle acionário do Sistema Educacional Brasileiro (SEB), controlador do COC, Pueri Domus, Dom Bosco e Name.
Os acionistas da SEB não queriam vender a empresa nem dividir o controle com sócios estrangeiros. Mas, depois da venda do Anglo para a Abril, com receio de não ter condições de manter a posição relativa num mercado cada vez mais disputado, eles mudaram de opinião. "Vimos que era preciso um parceiro estratégico", disse o controlador Chaim Zaher. O valor da primeira operação não foi anunciado, mas os especialistas estimam que ele tenha ficado entre R$ 450 milhões e R$ 600 milhões. A segunda operação, a maior já realizada no setor educacional brasileiro, foi de R$ 888 milhões.
Em 2009, outro grupo educacional nacional - o Kroton, dono da rede Pitágoras, que tem 43 mil alunos no ensino superior e 226 mil no ensino básico - já havia vendido 50% do controle acionário para o Advent, um fundo financeiro internacional.
Essas operações consolidam no campo da educação as mesmas transformações já ocorridas em outros setores da economia brasileira. Com a integração dos mercados em escala mundial, vários grupos nacionais perderam escala e competitividade, o que os levou a ser vendidos a conglomerados estrangeiros. A concentração econômica é uma das consequências desse processo. Outra é a internacionalização de setores econômicos inteiros, como aconteceu nas áreas de autopeças, eletrodomésticos e lojas de departamento. Na área educacional, essas mudanças começaram em 2005, quando a Laureate Education - um conglomerado que atua em 15 países e fatura US$ 648 milhões por ano - comprou a Anhembi-Morumbi. Dois anos depois, foram realizadas 25 aquisições - 14 delas negociadas por conglomerados que levantaram R$ 1,3 bilhão em oferta primária de ações na Bovespa.
A expansão do ensino superior brasileiro começou nas décadas de 1970, com a transformação de instituições isoladas em universidades particulares e confessionais. Elas passaram de 20, em 1985, para 85, em 2000. A partir daí, com a expansão do ensino básico, essas universidades abriram novos campi e diversificaram suas atividades, criando cursos de educação continuada e investindo em produção de material pedagógico para todos os ciclos de ensino. As universidades privadas hoje controlam 75% do ensino superior do País - e 5% delas detêm metade da oferta de matrículas.
A venda dos Grupos Anglo e SEB é o desdobramento do processo de concentração do setor educacional. Com a compra do Anglo, que tem 211 mil alunos em 484 escolas localizadas em 316 municípios, a Abril Educação passa a ser a segunda maior rede de ensino particular do País e espera faturar R$ 500 milhões em 2010. E, com a aquisição de parte do controle acionário da SEB, a Pearson pretende passar dos atuais 450 mil alunos para mais de 1 milhão, em cinco anos. Além disso, os dois conglomerados vão passar a disputar acirradamente o mercado de "sistemas de ensino", que envolve produção de apostilas, manuais e livros didáticos e comunicação via internet para ensino a distância. Nesta área, restam apenas dois grandes grupos brasileiros, o Positivo e o Objetivo.
A legislação não proíbe a concentração no ensino particular. Há alguns meses, sem esconder a aversão à iniciativa privada e alegando que educação é "bem público estratégico", o governo pensou em fixar limites para as empresas de ensino. Mas recuou, com receio de que o mercado educacional brasileiro fosse colocado pela OMC na mesa de negociações do Acordo Geral para o Comércio de Serviços. Na realidade, o problema não é de imposição de limites, mas de controle da qualidade do ensino ministrado por essas empresas.

Erros nos sistemas de avaliação do MEC provocam graves prejuízos para escolas particulares
Fonte: Jornal da Educação, nº 3806
Após a divulgação dos resultados das avaliações feitas pelos órgãos do MEC, como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira e a Coordenação de Pessoal de Aperfeiçoamento de Ensino Superior, as escolas particulares sofrem imediatamente os reflexos, considerando o inconformismo que ocorre quando os resultados são insatisfatórios, especialmente pelos integrantes da comunidade escolar.
Dependendo da época as matrículas caem sensivelmente. Isso ocorre quando o início do ano ou semestre letivo ainda não aconteceu.  A não efetivação das renovações é o aspecto mais sintomático.
Mesmo quando o Ministério reconhece que houve erro e retifica os conceitos, não há uma recuperação a curto e médio prazo.
O mais correto seria que a própria instituição tivesse ciência dos resultados, antes do sensacionalismo feito pelo poder público.
Na quase totalidade dos casos a direção toma conhecimento pela grande imprensa, impossibilitando que sejam feitas as análises que permitem uma melhor satisfação aos usuários dos serviços.
(IPAE 145- 07/10)

Quinze projetos binacionais são aprovados pela Capes
Fonte: Jornal da Educação, nº 3806
Nessa segunda-feira, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou a lista de consórcios binacionais aprovados para intercâmbio de graduação. Ao todo foram selecionados 15 projetos.
Os consórcios receberão, anualmente, até R$ 10 mil para compra de materiais de consumo e realização de estudos e trabalhos, que será controlado pelo coordenador geral do projeto.
O programa faz parte da parceria da fundação com o Fundo para o Aperfeiçoamento da Educação Pós-Ensino Médio (Fipse). O objetivo, entre outros, é  conseguir a inserção dos cursos de graduação das instituições de ensino superior brasileiras no cenário internacional.
Mais informações na página http://www.capes.gov.br/
(IPAE 149 - 07/10)

Novas regras para bater o cartão ponto
Fonte: Diário Catarinense, 27/07/2010
Prazo para adaptação encerra em agosto, mas dois terços das empresas não trocaram aparelho
Empresas catarinenses estão abrindo mão da tecnologia para controlar o horário de entrada e saída dos funcionários. O motivo: evitar o gasto de cerca de R$ 2 mil para trocar a máquina do ponto, conforme exigência do Ministério do Trabalho e Emprego.
A partir de 21 de agosto, a Portaria 1.510 obrigará o uso de equipamento que imprima um comprovante do horário para o trabalhador, na intenção de extinguir fraudes ou modificações nos registros.
No país, a estimativa é de que dois terços das empresas ainda não providenciaram a troca dos equipamentos que registram a entrada e a saída dos empregados. Pior, na expectativa de que os procedimentos estabelecidos pelo Ministério do Trabalho seriam revogados, o empresário que deixou para adquirir a nova máquina na última hora precisa entrar em fila de espera que chega a até 60 dias.
Em SC, a medida ainda divide opiniões. Enquanto alguns empresários já adquiriram o equipamento, outros optaram por retroceder ao tempo do ponto mecânico e do livro-ponto.
A Belli Studio, empresa de edição gráfica de Blumenau, está pronta para abandonar a era digital. A gerente Aline Muxfeldt da Silva explica que, como são apenas 12 funcionários, o investimento é inviável. O contabilista Thiago Kaufmann, da Contabilidade Prasco, também prepara os 14 funcionários para fazer as anotações sobre a jornada de trabalho a caneta.
– Acho um retrocesso, mas não temos como comprar outra máquina.
Kaufmann acredita que o novo sistema deixará o cálculo da folha de pagamento suscetível a erros. Antes, com os dados registrados no ponto eletrônico, o salário era calculado automaticamente. Com a portaria, o empresário deverá somar o número de horas trabalhadas para depois fazer o cálculo e chegar ao valor mensal. Há margem para erros de digitação ou de preenchimento.
Segurança para evitar adulteração
O chefe de Fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Blumenau, Júlio César Rhenns, afirma que métodos como o mecânico e o livro-ponto são mais difíceis de adulterar se comparados à máquina atual, onde o funcionário bate o cartão, mas a empresa tem acesso ao sistema e pode modificar horários.
A Circuitec, de Blumenau, é uma das 64 empresas cadastradas para fabricar a nova máquina. O diretor José Gil Zips explica que a entrega do produto leva aproximadamente um mês. O custo varia de R$ 1,8 mil a R$ 2,3 mil. A Dudalina, por exemplo, gastou em torno de R$ 45 mil para se enquadrar às novas exigências.
– Vamos cumprir mesmo não concordando com a emissão de comprovantes. Isso vai contra a nossa visão de sustentabilidade – critica a gerente de RH da empresa, Tetê Barbeta.
BLUMENAU
De olho no crachá
O que a portaria altera?
A partir de 21 de agosto, as máquinas de registro de ponto deverão imprimir comprovantes de entrada e de saída para os trabalhadores. As empresas também podem usar o antigo ponto mecânico ou até o livro-ponto em papel.
Qual o objetivo?
Impedir fraudes e adulterações no horário cumprido pelos trabalhadores. Algumas empresas fazem isso para não pagar horas extras, por exemplo.
Onde as máquinas são vendidas?
Há 64 empresas fornecedoras cadastradas no site www.mte.gov.br, no link Inspeção do Trabalho.
Qual o preço da máquina?
Aa média é de R$ 2 mil.
Como será a fiscalização?
As empresas passarão por fiscalizações de rotina e o sistema do ponto eletrônico será inserido nos quesitos observados. Quem descumprir a portaria poderá ser multado em até R$ 3 mil
Fonte: Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Blumenau

Emprego em alta, à prova de bolhas
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 27/07/2010 às 11:55 hs.
Carlos Lordelo e Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo
A maioria dos estudantes não faz ideia do que são códigos binários, mas eles estão na moda: a linguagem dos programadores de computador está por trás da navegação na web, dos e-mails, de ligações de celular e de outras tecnologias do cotidiano. Mesmo assim, o interesse pelo universo da Tecnologia da Informação (TI) é pequeno diante do que o mercado exige. Nesse cenário, a questão não é saber se haverá emprego, e sim qual emprego se pretende ter.
Hoje o Brasil precisa de 71 mil profissionais de TI, segundo a Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro. O número pode chegar a 200 mil em 2013. "Daqui a sete anos, continuará havendo déficit", diz Francisco Borges, diretor acadêmico da Veris Faculdades. "Engenharia Civil é uma bolha. Informática é para sempre: todas as empresas usam a TI como meio."
Os candidatos a uma vaga no setor têm duas opções básicas: fazer um curso de perfil técnico e antecipar a chegada ao mercado ou optar por bacharelados de pelo menos quatro anos de duração. Neste segundo caso, a aposta é ter uma formação mais consistente e se candidatar a melhores salários. O risco é ser considerado "teórico" demais numa área em que tudo muda muito rápido.
Jefferson Santos de Araújo, de 23 anos, escolheu a via rápida. Depois do ensino médio, iniciou um curso técnico em informática. "Era muito ansioso. Nem terminei o técnico e comecei um tecnológico, na Fiap."
Jefferson, que já cuidou até do suporte técnico de impressoras, hoje é analista de sistemas sênior da empresa CPM Braxis. Está no último semestre na Fiap e quer fazer pós-graduação para se tornar consultor. Nem cogita a hipótese de complementar a formação com um bacharelado. "Esses cursos não focam o mercado, enquanto a formação tecnológica e um MBA têm conteúdos que posso pôr em prática no dia a dia."
A pressa de entrar no mercado e ganhar de cara um bom salário não é prioridade para Thiago Miranda Ferreira, de 26 anos, que está prestes a se formar em Ciência da Computação na USP. "Tenho bastante teoria e matemática, é uma formação abrangente", diz o estudante, que é estagiário da Calum, empresa de soluções tecnológicas e cursos de TI.
Cobol. Thiago teve a certeza de que a opção pelo curso na USP foi correta num estágio anterior ao atual, no Unibanco. Lá ele teve de trabalhar com Cobol, linguagem de programação antiga. Embora não seja mais ensinada nas universidades, é muito usada no mercado financeiro, pela capacidade de processar grandes volumes de dados com segurança e velocidade. "Os analistas seniores são chamados de "donos" dessa linguagem, mas entendi rapidamente seu funcionamento", diz. "Quando você conhece programação, tudo fica mais fácil."
O consultor em TI Renato Oliveira Moraes, da Fundação Vanzolini, concorda com a importância dada por Thiago à base conceitual. "Se você é capaz de escrever bem em português, aprende uma nova língua com mais facilidade", compara. "Quem faz a decisão de ser tecnólogo escolhe entrar mais rápido no mercado. Vai ser recompensado, mas pode acabar pagando um preço por isso."
Para os cargos mais altos, a formação universitária é considerada imprescindível, garante Maria de Fátima Albuquerque, diretora de RH da Totvs, multinacional que desenvolve softwares e presta serviços de TI. "O candidato pode até fazer um curso tecnológico reconhecido e ter uma atitude muito boa no trabalho", diz. "Mas precisa fazer um bacharelado para ter mais oportunidades."
"Há vagas tanto para os tecnólogos quanto para os bacharéis. Só não podemos perder o bonde da história, como em outras vezes", diz o coordenador dos cursos de graduação tecnológica da Fiap, Celso Poderoso, preocupado com a dificuldade de atender à demanda. O número de formados em 90 cursos relacionados à TI cresceu 9,7% entre 2005 e 2008. Nesse período, o total de profissionais contratados aumentou 21%.
"Estamos em um ponto crítico, porque a formação leva alguns anos. Já existe o temor de chegarmos ao extremo de importar mão de obra", afirma Anselmo Gentile, diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes). "Há cursos de TI sendo oferecidos, mas não sentimos aumento no número de formados."
Na corrida para formar tecnólogos, as Faculdades de Tecnologia (Fatec) do Centro Paula Souza concentraram nos cursos de TI metade das 10.030 vagas oferecidas pela instituição. "O ensino tem foco bem específico no mercado, mas isso não tem sido desvantagem", diz a assessora para projetos pedagógicos Vera Lúcia Camargo. Segundo ela, 98% dos formados pelas Fatec consegue emprego.
No Senac, também voltado para suprir as necessidades da indústria, dos cinco cursos de TI oferecidos, três são tecnológicos - com duração de dois anos e meio. "Os tecnólogos estão sendo cada vez mais valorizados nas empresas", afirma o coordenador da área, Ozeas Vieira Santana Filho. A preocupação do Senac é oferecer um portfólio diversificado para atender às demandas específicas do mercado. Por isso, Vieira já planeja oferecer outros dois cursos em 2011: Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Tecnologia para a Internet.
As universidades também estão fazendo adaptações para estimular a formação em TI. A partir do próximo vestibular, o bacharelado de Ciência da Computação da USP passa a ser uma carreira isolada no vestibular da Fuvest - até o ano passado, a graduação era oferecida com as carreiras de Engenharia.
O coordenador do bacharelado, Marco Dimas Gubitoso, aposta na mudança para aumentar o número de interessados no curso. "As pessoas acabam não sabendo muito a diferença entre as áreas, e isso estava se refletindo na procura, em termos de quantidade e perfil dos candidatos." Assim como na formação em Engenharia da Computação, a carga de matemática do curso é pesada, o que assusta jovens com interesse mais superficial em computadores.
"A juventude deveria se interessar mais por essa área, que está pagando salários muito bons", afirma Arnaldo Vallim Filho, diretor da Faculdade de Computação e Informática do Mackenzie. Pesquisa feita pela universidade com a última turma de 250 formandos em Ciência da Computação e Sistemas de Informação mostra que a maioria (42,6%) está ganhando entre 5 e 10 salários mínimos.
Educação básica. Gigantes que produzem muitas das plataformas, softwares e serviços usados no mercado, IBM e Microsoft têm trabalhado em conjunto com o ensino médio e o superior. As parcerias vão da criação de laboratórios em instituições de ensino a cursos que dão certificações - atestados de que o profissional sabe trabalhar com uma plataforma ou serviço específico, que valem tanto quanto um diploma.
"A gente procura trabalhar todos os níveis de capacitação. Fazemos isso não só para atender às nossas necessidades, mas também para formar uma comunidade de pessoal capacitado em TI", afirma Andrea Rodacki, gerente de Parcerias com as Universidades da IBM, que tem acordos com cerca de 400 instituições.
"Não adianta começar com o aluno da universidade. Tem de ser desde a educação básica", diz o diretor de Educação da Microsoft, Emílio Munaro.
Outro motivo pelo qual a formação em TI não basta para atender às demandas das empresas é a peculiaridade desse mercado, no qual uma companhia brasileira pode disputar um contrato com rivais indianas e americanas, por exemplo. "Se o País quer exportar serviços em TI, o brasileiro precisa falar pelo menos inglês", resume o fundador da Stefanini IT Solutions, Marco Stefanini.
Fonte: www.administradores.com.br

Programa do MEC dá início à formação de professor sem licenciatura
Fonte: Correio Braziliense, 26/07/2010, Brasília DF
Com a adesão de 32 instituições públicas de ensino superior, o Procampo, programa do Ministério da Educação para a qualificação de professores sem licenciatura que trabalham em escolas rurais, iniciou a formação de profissionais em 13 unidades da Federação. As instituições oferecerão cursos de graduação a cerca de 35 mil educadores em atividade na área rural. Em 15 delas, a formação atende 1.363 educadores. Até o fim do ano, as 32 instituições terão matriculado 3.178 professores. Segundo o diretor de educação para a diversidade da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC, Armênio Schmidt, o Procampo tem como prioridade o atendimento a professores das redes públicas estaduais e municipais em atividade, mas sem licenciatura; jovens que vivem na área rural que desejam seguir o magistério e educadores dos movimentos sociais do campo.
O curso tem a carga horária e o tempo de duração de uma licenciatura, mas é diferente no formato para atender professores que precisam estudar e trabalhar. De acordo com Schmidt, é oferecido em regime de alternância — aulas presenciais intensivas (tempo-escola) nas férias escolares ou em períodos determinados pelas universidades, combinadas com etapas no local em que o professor leciona (tempo-comunidade). Na comunidade, ele pesquisa, estuda e aplica o que aprende. A licenciatura é multidisciplinar, com a abordagem de quatro áreas: linguagens e códigos (para lecionar português, literatura e artes); ciências da natureza e matemática (matemática, química, física e biologia); ciências humanas e sociais (filosofia, sociologia, história e geografia); e ciências agrárias.
Política pública - A oferta de cursos de licenciatura específicos para a qualificação dos professores do campo começou em 2006, com um projeto-piloto desenvolvido pelas universidades federais de Minas Gerais (UFMG), da Bahia (UFBA) e de Sergipe (UFSE) e da Universidade de Brasília (UnB). Hoje, o Procampo tem a adesão de 32 instituições. Este ano, segundo Schmidt, o programa vai se tornar política pública, com oferta de cursos de licenciatura regulares pelas universidades — até 2009, essa oferta era definida por edital. O MEC vai desenvolver o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) Diversidade, que abrangerá a formação de professores das áreas rural e indígena. O Pibid Diversidade será administrado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O diretor da Secad salienta que o novo modelo permitirá às instituições de educação superior organizar a oferta anual de cursos sem depender de editais. Elas poderão também garantir recursos para os quatro anos de cada licenciatura. Schmidt observa ainda que os educadores, com vagas anuais de ingresso, ganharão a oportunidade de fazer cursos de formação e que o MEC terá a possibilidade concreta de aumentar o número de cursos e de vagas, além de reunir cerca de 35 mil professores com licenciatura e diploma de nível superior obtidos em cursos de qualidade.

Precisa-se de professor
Fonte: Jornal A Notícia, 27/07/2010
Número de profissionais com licenciatura é cada vez menor na rede de ensino de Joinville
Dez a cada 30 professores de química, física e sociologia do ensino médio das escolas estaduais de Joinville não passaram por um curso de licenciatura nestas áreas, assim como 10% dos professores das demais disciplinas. Estes números revelam um problema nacional que atinge também a cidade: a escassez de profissionais especializados para dar aulas em matérias como geografia, inglês e artes.
O problema é mais evidente na rede pública, onde os salários e as condições de trabalho fazem da sala de aula um campo de trabalho pouco atrativo. “Entre cursar a licenciatura e o bacharelado, muitas vezes eles optam pelo segundo porque veem mais oportunidades. Mas a formação pedagógica trazida pela licenciatura é essencial”, destaca a pesquisadora Maria Aparecida Lapa de Aguiar, da Universidade da Região de Joinville.
Segundo a pesquisadora, a falta de professores com licenciatura pode trazer problemas para os alunos. “O conhecimento técnico do engenheiro e do médico é importante, mas a formação pedagógica só é possível por meio da licenciatura”, diz.
“Como está cada vez mais difícil encontrar profissionais formados, a solução tem sido contratar, em caráter temporário, professores de áreas afins e bacharéis para não deixar nenhuma turma sem professor”, diz a supervisora de desenvolvimento humano da Gerência Regional de Educação, Ieda Medeiros. “Formados em biologia dão aula de química; professores de história ensinam sociologia”, exemplifica.
A professora de física Márcia Siewert é um exemplo. Ela é uma das poucas formadas em licenciatura em física pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) a atuar na rede pública. “Eu gosto do que faço, mas um estagiário de engenharia e até um funcionário que só fez o ensino médio ganha mais, por isso penso em voltar para a universidade e fazer engenharia”, diz. “Meu salário, líquido, é de cerca de R$ 1 mil por mês para trabalhar como temporária, em três escolas estaduais”, diz.
mariana.pereira@an.com.br
MARIANA PEREIRA

Queda reflete nos cursos de licenciatura
Fonte: Jornal A Notícia, 27/07/2010
Mesmo que a vaga no mercado de trabalho esteja praticamente garantida, a procura por licenciaturas, de uma maneira geral, tem caído em Joinville. Na Universidade da Região de Joinville (Univille), o número de matrículas para os cursos de geografia e matemática este ano não foi suficiente para formar novas turmas. A situação acabou se repetindo com o curso de licenciatura em química, que a universidade tentou implantar, em 2005, mas desistiu de ofertar, devido à baixa procura.
“Quais são as perspectivas de futuro para um aluno de licenciatura? As pessoas querem ter um emprego que garanta uma ascensão profissional”, argumenta a pró-reitora de ensino, Ilanil Coelho, atribuindo a queda aos baixos salários e às condições de trabalho oferecidas aos professores.
Atendendo a solicitações da comunidade e das próprias escolas, a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que já oferece licenciatura em física, abriu cursos de matemática e química em Joinville. Os cursos são gratuitos. Mas os números indicam que a maioria dos estudantes não pensa em investir o tempo de pelo menos quatro anos de estudo para seguir carreira nessas áreas.
Apenas 157 acadêmicos se formaram em física desde a abertura do curso, em 1994, e a procura pelo curso tem caído. No último vestibular de verão, o número de vagas foi superior ao de candidatos. O índice candidato-vaga (que já foi de 3,23, em 2006) foi de 0,75%.
Agora, a Udesc pretende investir na divulgação dos cursos, para atrair, inclusive, aqueles professores que já atuam na rede escolar, mas ainda não possuem o diploma de licenciatura em suas áreas de atuação.
Da mesma forma, desde 2009, a Univille também oferece, em parceria com governo federal, cursos gratuitos de capacitação para professores da rede pública.
“Com base num diagnóstico do Ministério da Educação, que apontou deficiências, foram abertas turmas de educação especial, artes visuais e sociologia”, explica a pró-reitora Ilanil Coelho.

Cursos de mestrado e doutorado passam por avaliação trienal
Fonte: Clipping Educacional Consae - Correio Braziliense, 26/07/2010, Brasília DF
Teve início nesta segunda-feira, 26, na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em Brasília, a segunda semana da avaliação trienal 2007-2009, que tem como objetivo avaliar a pós-graduação stricto sensu. Estão reunidas, nesta semana, dez comissões para avaliar os cursos de mestrado acadêmico, mestrado profissional e doutorado de filosofia e teologia; sociologia; antropologia e arqueologia; geografia; história; psicologia; educação; ciência políticas e relações internacionais; ciências agrárias e ciências de alimentos.
Na abertura do evento, o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, disse que a avaliação trienal, reconhecida por sua tradição, transparência e seriedade, é realizada com base no universal sistema de avaliação por pares. “É um processo preparado ao longo dos três anos que antecedem o exercício da trienal e implica inúmeras reuniões e discussões com os coordenadores de áreas e consultores, sem interferência impositiva da Capes. A avaliação é feita totalmente pelos pares.” Na ocasião, o diretor de avaliação da Capes, Livio Amaral, apresentou a equipe da diretoria que dará apoio aos consultores e detalhou todos os procedimentos que serão realizados ao longo da semana.
As atividades da avaliação trienal vão até 14 de agosto e durante esse período, em cada semana, as comissões analisarão o desempenho dos programas de pós-graduação. Cerca de 2.900 programas de pós-graduação (4.300 cursos) de todo o país serão avaliados por aproximadamente 900 consultores. Os resultados da avaliação trienal deverão ser divulgados no dia 13 de setembro e fornecerão subsídios para a definição de planos e programas governamentais de desenvolvimento e investimentos no Sistema Nacional de Pós-Graduação. Na primeira semana, de 19 a 23 de julho, estiveram reunidos 214 consultores das comissões das áreas medicina I, II e III, odontologia, farmácia, enfermagem, educação física, matemática, probabilidade e estatística, ciência da computação, astronomia e física, química, geociências e medicina veterinária.
Conceitos – A avaliação da pós-graduação stricto sensu, criada em 1976, é um instrumento de grande importância para o fomento, tanto por parte das agências brasileiras, como dos organismos internacionais. Os programas recebem conceitos na seguinte escala: 1 e 2, que reprovam o programa; 3, que significa desempenho regular, atendendo ao padrão mínimo de qualidade; 4 é considerado um bom desempenho, e 5 é a nota máxima para programas com apenas mestrado. Conceitos 6 e 7 indicam desempenho equivalente ao alto padrão internacional. Os cursos que não possuem a recomendação da Capes não são autorizados pelo MEC e, por este motivo, não podem conceder certificados de mestre e doutor.

Modernidade ilusória
Fonte: Sergio Fausto - O Estado de S.Paulo, 25 de julho de 2010
O Brasil tem paixão por projetos que nos remetam sem escala à modernidade que invejamos nos países desenvolvidos. Uma modernidade materializada em coisas que só de serem imaginadas já nos fazem sentir como se tivéssemos alcançado uma etapa superior de nosso desenvolvimento. Brasília foi isso: uma cidade modernista rasgada no meio do nada. Dinheirão gasto num país em que à época 50% das pessoas eram analfabetas.
Agora se fala no trem-bala, cujo edital foi lançado em clima de comício eleitoral faz poucos dias. Levitará sobre os trilhos? Correrá a 300 km por hora, Vale do Paraíba afora? Ainda não se sabe, pois nem sequer o traçado da ferrovia está definido, muito menos o custo da obra, que poderá superar os R$ 31 bilhões hoje estimados. Uma coisa, porém, é certa: muitos recursos públicos serão consumidos, na forma de aportes de capital e financiamento subsidiado ao consórcio vencedor do leilão marcado para dezembro próximo.
Por trás da paixão por projetos vistosos há sempre muitos interesses. O trem-bala não foge à regra. Com tamanha disposição estatal, grandes companhias nacionais e estrangeiras movimentam-se em torno do projeto, apesar de todas as incertezas sobre a sua viabilidade econômico-financeira.
O Brasil não é mais um país com 50% de analfabetos (o porcentual reduziu-se para cerca de 10%). A qualidade da educação, porém, é sofrível. Vem melhorando, mas ao rimo de trenzinho caipira, como indicam os últimos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). É verdade que entre 2005 e 2009 cresceu a pontuação dos alunos das escolas públicas nas provas de Português e Matemática: significativamente nas séries iniciais, pouco nas séries finais do ensino fundamental e nada ou quase nada no ensino médio. Tomara que a tendência observada nas séries iniciais se acelere e se estenda às demais. Agora, nesse ritmo, quando tempo levará para que os alunos brasileiros saibam realmente interpretar e redigir textos e usar a Matemática com competência?
Hoje eles estão longe disso. É o que revelam os dados do Programme for International Student Assessment (Pisa), cujos testes são aplicados no Brasil. O último, de 2006, mostra que mais de 70% dos alunos com 15 anos de idade nem sequer dominam os conhecimentos básicos em Matemática, 61% estão abaixo do nível mínimo aceitável em Ciências e 55% não vão além de uma leitura mecânica de textos. Enorme é a distância que os separa dos estudantes da mesma idade nos países desenvolvidos, quer se compare o porcentual de alunos nos níveis mais baixos ou nos níveis mais altos da escala de avaliação utilizada pelo programa. Tome-se Matemática, por exemplo, área na qual menos de 1% dos alunos brasileiros atingiu níveis de excelência. Nos países desenvolvidos o porcentual supera os 10%. Tal quadro não se alterou desde que os testes do Pisa passaram a ser aplicados no Brasil, em 2000.
Ou seja, quem precisa tomar um trem-bala é a educação brasileira. E o embarque já está muito atrasado.
Quando Brasília foi construída, crianças e jovens até 14 anos representavam 40% da população brasileira. A partir dos anos 70, com a diminuição do número de nascimentos e o prolongamento do tempo de vida, a pirâmide etária começou a adquirir nova forma: a base (população entre 0 e 14 anos) passou a diminuir e o meio (população entre 15 e 59 anos) a se alargar, sem, no entanto, ocorrer alteração significativa no vértice (população acima de 60 anos). Veio crescendo desde então o número de adultos em idade ativa (não suficientemente escolarizados) em comparação com o de crianças e idosos, reduzindo o que o jargão técnico denomina "relação de dependência".
Chama-se "janela de oportunidade demográfica" o período em que essa relação, que foi alta enquanto a sociedade era "jovem", se mantém baixa, antes de voltar a subir, quando a sociedade se torna "velha". Quanto à composição etária, dizem os especialistas, esse é o período em que o potencial produtivo da sociedade se encontra no auge. No Brasil, estima-se que a tal "janela de oportunidade demográfica" se fechará em 2030. Quão mais alto o nível de educação da sociedade nesse auge demográfico, que não se repetirá no futuro, maiores as chances de dar um salto em matéria de desenvolvimento.
Na educação brasileira sobram deficiências. Destaco uma delas, pela conexão estreita que tem com o desenvolvimento tecnológico, que o trem-bala nos sugere. Faltam professores especialistas para ensinar Matemática, Física e Química, as chamadas "ciências duras". A esse respeito chamam a atenção os dados do último Censo Escolar do Ministério da Educação. Eles mostram que, dos 448 mil professores do ensino médio da rede pública, apenas 22% têm formação superior nessas áreas, ao passo que 60% têm diploma universitário nas áreas de humanas. Esse desequilíbrio aponta para um déficit significativo de professores especialistas em "ciências duras" no ensino médio. Sem falar na questão da qualidade.
É uma realidade quase invisível, mas que cobra um preço alto ao País. Um de seus reflexos aparece nas estatísticas sobre a formação de engenheiros no ensino superior. Formamos cerca de 30 mil deles anualmente. A China forma mais de 600 mil e a Índia, cerca de 300 mil. Pergunto como vamos responder ao desafio de dotar o País de uma infraestrutura moderna e tornar realidade o nosso potencial de crescimento futuro, se não formarmos na qualidade e na quantidade necessárias os profissionais para tanto.
Questões como essa - que começam a ser respondidas nas salas de aula do ensino básico da rede pública - não mobilizam tanta paixão no Brasil. Afinal, quem se interessa pelo árduo esforço de aprendizado e pelo sucesso de milhões de alunos da rede pública? Bom mesmo é viajar num trem-bala movido a recursos públicos, ao lado de gente bem vestida, no eixo Rio-São Paulo!
Diretor Executivo do IFHC, é membro do DO GACINT-USP

Por um dia de felicidade
Fonte: Aliás, A Semana Revista, 24 de julho de 2010
Muitas escolas induzem os alunos a se preparar não para a vida, mas para comemorar a data em que saem os resultados dos exames vestibulares
José de Souza Martins*
Dados do Enem revelam que pagar mais pela mensalidade não significa necessariamente comprar melhor
Quase 14 mil escolas privadas e públicas do País obtiveram média acima do equivalente a 5,0 no desempenho de seus alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009. Apenas algumas dezenas alcançaram nota igual ou superior a 7,0, inferior, porém, a 7,5. Na maioria, escolas privadas e caras. Tidas como o caminho seguro do êxito em exames vestibulares, suas notas estão apenas ligeiramente acima da nota mínima para aprovação em escolas superiores de países desenvolvidos, que é 7,0. Um número imenso de escolas igualmente privadas nem chegou a essa média.
Há nas médias divulgadas indicações para a compreensão dos problemas do nosso ensino médio. A primeira delas é a da problemática tendência de muitas escolas de se reduzirem à pobreza pedagógica de induzir crianças e adolescentes a passarem os melhores anos de suas vidas preparando-se para fazer o vestibular para o ensino superior. Em vez de se devotarem à preparação de seus alunos para a vida e para serem felizes, que é o que dá sentido à educação e à socialização dos imaturos, dedicam-se prioritariamente a prepará-los para um único dia de felicidade, o da divulgação dos resultados dos exames vestibulares. Inseguros quanto ao futuro dos filhos, os pais tornam-se cúmplices dessa deformação. Muitos desses alunos chegarão à universidade, até com as melhores notas de ingresso, mas não saberão nem o que fazer nela nem o que fazer com ela.
Nem se pode dizer que o melancólico êxito nessas médias mais altas expresse a apropriada formação de quem as obtém. Ficou evidente que escolas que preparam seus alunos para a reflexão criativa e para a competência interpretativa, que se mede no desempenho em redação e interpretação de textos, têm menos visibilidade na avaliação oficial. De certo modo, as notas escondem um desencontro entre ensino predominantemente de formação e ensino predominantemente de informação.
Matéria publicada em caderno especial deste jornal, aliás, mostra que as escolas da capital de São Paulo cujos alunos tiveram melhor desempenho são apenas 12% melhores do que as de desempenho menor, enquanto o preço das mensalidades é 254% maior. Os dados do Enem revelam que pagar mais não significa comprar melhor, até porque, em educação, comprar é pura ilusão.
Nem por isso ficam as escolas públicas justificadas no desempenho menor nessa avaliação nacional. Certamente, as escolas caríssimas, porque apresentam desempenho inferior ao que delas se espera, não servem de parâmetro para medir o que deveria ser a escola pública. A escola pública, entre nós, deveria ser o instrumento de uma revolução na educação, que nos trouxesse para os requisitos educacionais da sociedade moderna e seus valores referenciais, como a democracia, a liberdade, o conhecimento amplo e denso, a responsabilidade social de cada um.
Há fatores extraescolares nos resultados das diferentes escolas. O que nelas se consegue está também relacionado com o modo de vida da família do estudante. Escolas com melhor desempenho têm majoritariamente alunos de alta classe média, cujos pais são usuários dos equipamentos culturais disponíveis nos seus respectivos ambientes. Atividades complementares às da sala de aula, no acesso aos equipamentos culturais externos à escola, como museus, teatros, salas de concertos, excursões investigativas, poderiam dar ao estudante um apoio compensatório até melhor do que obtêm na própria família os alunos mais bem situados socialmente. O professor e o aluno de escolas públicas teriam que deixar de ser prisioneiros da sala de aula. Outra verificação recente mostra, ainda, que escolas de bom desempenho estão situadas em municípios menores, onde ainda há uma cultura comunitária, muito mais apreço pelo professor e maior integração entre a família e a escola. O que assegura a boa formação escolar é, pois, também o tradicionalismo de um mundo em que ainda são comunitários, e afetivos, os valores de referência da educação.
José de Souza Martins é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e autor, entre outros livros, de A Aparição do Demônio na Fábrica (Editora 34)

Bancos apostam em crédito educativo
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 27/07/2010 às 10:37 hs.
Uma das modalidades mais populares de financiamento começa a ser olhada, comercialmente, no Brasil.
Trata-se do crédito educativo, que financia o pagamento da universidade para estudantes que pretendem se qualificar e disputar espaço no mercado de trabalho.
Uma vez empregado, o recém-formado adquire renda e começa a quitar a dívida. O modelo é simples, foi testado no mundo todo, mas nunca existiu no Brasil. Só agora os bancos comerciais enxergam no produto um mercado potencial, que surge com a emergência das classes C e D. Até então, o modelo predominante era o subsidiado e de caráter assistencial para a baixa renda.
Nos EUA, 80% dos estudantes têm financiamento. O Itaú começou a oferecer o produto no início do ano, e o Santander pretende lançá-lo nos próximos meses.
Pioneiro, o programa Pravaler, da Ideal Invest, correspondente do banco ABC, já repassou R$ 163 milhões a faculdades desde 2006. Diferentemente do modelo americano, no Brasil os estudantes começam a pagar parte do empréstimo (50% da mensalidade) já no começo.
Assim, sobra um resíduo menor após a formatura.
Os juros vão de zero a 1,89% ao mês, próximo aos do empréstimo consignado. A universidade arca com um percentual desses juros. Como contrapartida, ela zera o seu risco de inadimplência, que chega a 23%.
No caso do Pravaler, a maioria dos estudantes que recorrem ao crédito trabalha o dia todo, tem 24 anos e postergou a entrada na faculdade por questões financeiras. O valor médio da mensalidade do estudante com financiamento costuma ser superior ao do aluno que paga com recursos próprios.
"É o estudante que seria eletricista, mas queria se tornar engenheiro. Podia pagar um curso de enfermagem, mas sonhava fazer medicina. Com o financiamento, eles escolhem o curso que querem, e não o que podem pagar. Geralmente, é a primeira pessoa da família com curso superior", disse Carlos Furlan, diretor da Ideal Invest. Casada e mãe de duas meninas, de 7 e 9 anos, Marcia Bezerra Pinto, 28, trabalha com organização de eventos e decidiu retomar os estudos no ano passado, após o marido terminar a faculdade.
Escolheu psicologia na Universidade de Santo Amaro (Unisa), mas a mensalidade custava R$ 700. Depois de iniciado o curso, optou pelo financiamento do Pravaler. "Estava muito apertado porque a faculdade que escolhi é muito cara. Queria fazer o curso com mais tranquilidade", afirmou Marcia.
Para Marcos Magalhães, diretor do Itaú Unibanco, 800 mil pessoas poderiam acessar o ensino superior a cada ano, mas não o fazem por problema de renda.
Toni Sciarretta - De São Paulo
Fonte: Uol - Educação

Censo custará R$ 1,6 bi
Fonte: Jornal A Notícia, 27/07/2010
Recenseadores vão a campo a partir de agosto. 0800 servirá para identificá-los
Os 190 mil recenseadores contratados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vão iniciar o trabalho de coleta de informações para o Censo 2010 no primeiro dia de agosto, em uma megaoperação orçada em R$ 1,68 bilhão. Os primeiros resultados da contagem populacional serão apresentados pelo instituto ao Tribunal de Contas da União (TCU), já no final de novembro, para definição das fatias de destino do Fundo de Participação dos Municípios. Em dezembro, novos dados serão apresentados à imprensa. As divulgações dos dados da pesquisa deverão continuar até 2012.
O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, explicou que os técnicos do instituto dedicaram três anos de preparação para o início dos trabalhos. Censo anterior foi realizado em 2000 e contabilizou uma população de 169,8 milhões de habitantes. A primeira pesquisa desse tipo havia sido realizada pela instituição em 1872, quando o País somava uma população de 10,1 milhões de pessoas.
Os recenseadores poderão ser identificados pelo uso de um colete especial, no qual estará fixado um documento de identificação e o logotipo do Censo, além de um boné e o material eletrônico de mão para a realização do questionário. Serão 58 milhões de domicílios visitados, incluindo finais de semana e horário noturno. Não responder ao Censo é crime previsto em lei e a novidade deste ano é que aqueles que passam muito tempo fora de casa poderão optar por responder a pesquisas pela internet. Até para esta opção será necessário contato com o recenseador, responsável pela entrega de um envelope lacrado, com prazo de utilização. Caso o internauta não cumpra a data estipulada, o profissional contratado pelo IBGE vai retornar ao local e insistir na entrevista presencial.
De acordo com a lei 5.564, de novembro de 1968, a não-prestação de informações nos prazos fixados gera multa de até dez vezes salários mínimos. Ficará dispensado do pagamento da multa o infrator primário que prestar informações no prazo fixado no auto de infração.

Jogos Mundiais Militares representam oportunidade para as instituições educacionais
Fonte: Jornal da Educação, nº 3806
O Brasil sediará o primeiro dos grandes eventos internacionais de 16 a 24 de julho de 2011:  os Jogos Mundiais Militares.
A cidade do Rio de Janeiro será a sede, contudo há reflexos indiretos em todo o Brasil.
Nos últimos anos vem ocorrendo uma maior integração das forças armadas com as instituições educacionais.
O Exército, Marinha e Aeronáutica possuem excelentes instalações desportivas e que podem ser utilizadas por escolas públicas e particulares.
Atualmente, existe equivalência de estudos, que permite que cursos superiores ministrados em unidades militares sejam acolhidos pelas faculdades, centros universitários e universidades e vice-versa.
São notados que alguns programas de pós-graduação lato sensu são feitos no interior das escolas das forças armadas, atendendo à uma demanda que existe no setor.
(IPAE 146- 07/10)

Por um hino mais catarinense
Fonte: Jornal A Notícia, 27/07/2010
Projeto para mudar música é analisado na Assembleia Legislativa
O hino formado de estrelas e flores está longe de conquistar a glória entre os catarinenses. A luz da redenção deve acender quando a música estiver na ponta da língua do povo.
Até lá, com ou sem mudanças, a melodia, adotada em 1895, durante o contexto abolicionista, continuará sofrendo com a baixa popularidade.
Facilitar a memorização das estrofes e popularizar a música é o objetivo do projeto de decreto administrativo apresentado pelo deputado estadual Gilmar Knaesel (PSDB) na Assembleia Legislativa no dia 20. “A letra foi escrita numa época muito distante. O autor pensou em escrever para todo o País, e não para o Estado”, avalia Knaesel.
Ele diz que, como catarinense, não se vê representado no hino. Para Knaesel, o cântico deveria retratar a cultura, as belezas naturais e a garra do povo catarinense. O deputado afirma que o desejo de mudar a letra ocorre desde quando atuou no Turismo.
Ele sugere uma consulta popular para avaliar se os catarinenses querem ou não mudar o hino. Depois, propõe um concurso público para eleger a música que melhor identifique o Estado.
O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia. Se aprovado, segue para o plenário. Recebendo o aval dos deputados, o plebiscito ocorreria no mesmo dia das eleições. Se isso se confirmar até outubro, pode acontecer nas eleições deste ano. Se não, o plebiscito pode ocorrer em 2012.
O professor Otavio Auler, que escreveu um livro sobre a história de Santa Catarina, acredita que as palavras difíceis, os termos rebuscados e a melodia incomum distanciam o hino dos catarinenses. “O hino exalta uma característica do catarinense, a força, mas não traz outros elementos e nem faz reflexão sobre eventos históricos.”
Para o professor de história de Santa Catarina, Welly Schaing, a falta de conhecimento da história do Estado se traduz no desconhecimento do hino.

As redes sociais como forma de disseminação de atividades
Fonte: Jornal da Educação, nº 3806
Primeiro as redes sociais foram exploradas como plataforma de atendimento de relacionamento.  Em seguida, ganharam status de ferramenta de recrutamento e de ganhos financeiros.  Hoje são consideradas um recurso para aumentar a produtividade e a colaboração entre os diversos integrantes da comunidade institucional com o grande público
Alguns especialistas recomendam que  as organizações  utilizem da forma mais ampla possível todas as redes sociais.
É relevante que não se busque de uma forma direta retornos em termos de negócios.  Isso ocorre como uma consequência eis que evidencia a disseminação das ações voltadas para o grande público interno e externo.
Mais importante que usar as redes é fazer o correto uso desses mecanismos.  Ocorrendo falhas a multiplicação ganha proporções alarmantes, dependendo do número de seguidores.
(IPAE 148 - 07/10)

Educação afegã renasce, mas mais de 50% ainda não lê
Fonte: Portal Terra Educação, 27/07/2010
O Afeganistão, um país com um rico legado cultural, assumiu em 2002 o desafio de reconstruir um sistema educacional devastado pela intransigência do regime talibã: desde então, o mundo universitário floresceu e as mulheres têm cada vez mais espaço. Em seu discurso inaugural na Conferência de Cabul, o presidente Hamid Karzai elogiou o "grande progresso" no âmbito educativo - eclipsado por uma guerra que atrapalha o desenvolvimento do país -, mas lembrou que 6 milhões de crianças ainda não podem ir à escola e que 11 milhões de pessoas são analfabetas, isso em uma população que ronda os 30 milhões. Mas isso não é empecilho para apreciar o progresso dos últimos anos: segundo dados do Ministério da Educação, em janeiro deste ano havia 7 milhões de crianças na escola, entre elas 2,5 milhões de meninas. A reconstrução partiu quase do zero: o regime talibã (1996-2001) deixou como herança menos de 1 milhão de estudantes e 20 mil professores (com a total ausência de mulheres).
Durante os últimos anos, com ajuda internacional foram construídos 4,5 mil edifícios educativos e o número de professores subiu para 170 mil, 30% deles mulheres, segundo os dados oficiais; também há 485 "madraçais" ou escolas que ensinam o Corão registradas. O objetivo governamental para 2020 é conseguir a escolarização total (14 milhões de estudantes), e dispor de 486 mil professores, a metade deles mulheres, mas isso ainda está muito longe. No âmbito universitário, dos nove centros com 5 mil estudantes que haviam em 2002, se passou para 24 com mais de 80 mil alunos, segundo disse à Agência Efe o porta-voz do Ministério da Educação Superior, Noor Bakhsh. Nas universidades da capital afegã, com pátios inspirados na geometria islâmica e meninas cobertas com lenços dirigindo-se a passos rápidos para as salas de aula, se respira ambição, mas também descontente.
"Infelizmente, a situação educativa no Afeganistão não é boa, porque o país está em guerra e o Governo está lutando contra os talibãs", disse à Efe Samirulá, um estudante de 21 anos do Departamento de Inglês da Universidade de Cabul, que tem 7 mil alunos repartidos em seis faculdades. "Há uma grande interferência das personalidades políticas, que querem intervir no sistema educacional por seu próprio interesse", acrescentou outro aluno, Mohammed Esrafal Azad Shazadzai, que estuda Ciências Sociais. A 'fuga de cérebros' e os poucos recursos de um país em guerra são as maiores preocupações das autoridades educativas. "Há uma grande melhora do sistema educacional nos últimos três, quatro anos e muitas mudanças na Universidade", explicou o vice-reitor da Universidade Educativa de Cabul, Mir Haroon Ahmadi. "Um dos problemas que temos agora é a pouca segurança que alguns estudantes enfrentam e, além disso, não há trabalho para nossa gente com estudo", admitiu depois. Muitos dos alunos que caminham pelos jardins desta Universidade, com calças jeans e acessórios Dolce & Gabbana de autenticidade discutível, insistem na grande importância da aprendizagem e não escondem seus sonhos de buscar trabalho no exterior assim que completarem seus estudos. É a ambição acadêmica que foi sendo despertada desde 2001, quando foi virada a página de um regime fundamentalista que privou a mulher da esfera pública e empreendeu uma ofensiva niilista contra a cultura. A demolição a cargo dos talibãs de duas estátuas monumentais de Buda na montanhosa Bamiyan em 2001 foi manchete internacional, mas o legado cultural perdido é muito maior. "Os talibãs destruíram mais de 2,5 mil objetos antigos, a maioria dos quais estavam neste museu foram destruídos", explicou à Agência Efe o diretor adjunto do Museu Nacional do Afeganistão, Mohammed Yahia Mohibzada.
O Governo está tentando restaurar alguma das obras, mas as que tinham "mais valor", segundo Mohibzada, foram exterminadas. Estátuas budistas dos séculos V e VI com visíveis danos - devidos também a sua antiguidade - são exibidas neste museu, embora o subdiretor insista que os talibãs não faziam diferenças entre as inspirações religiosas da arte ou não e também destruíam as obras de corte islâmico. Inclusive na Galeria de Arte do Afeganistão, outro centro cultural, será exibida uma urna com pinturas estragadas e despedaçadas pelos talibãs, o testemunho doloroso de uma época com inimigos declarados: a educação liberal, a letra e o pincel.

O brasileiro está oco
Fonte: Jornal de Santa Catarina, 27/07/2010
O assunto é recorrente e retorna quando estamos às voltas com a revolução da educação, discutindo sua gênese e os seus objetivos. Na educação superior, uma das provas mais importantes e decisivas do exame vestibular é a redação, primeira manifestação dos educadores no sentido de acabar com a prevalência das provas totalmente baseadas na múltipla escolha. A conclusão é óbvia: sem leitura, como escrever adequadamente?
Criar o hábito da leitura é um primeiro passo que depende basicamente de pais e professores. Há uma idade para isso, que, infelizmente, para os calouros não coincide com seus 17 ou 18 anos. Começa antes, na altura do Ensino Fundamental. Depois, é só alimentar a cabeça de bons produtos, a fim de que persista o interesse.
No vestibular, em geral, caem temas da atualidade. O penta do Brasil no futebol, as Forças Armadas no combate ao crime, o avanço da aids, os salários dos professores, a busca da profissão ou a esperança que cerca a vinda de um novo presidente da República. Quem estiver devidamente preparado, com a base que é fornecida por uma leitura constante, não terá dificuldade de desenvolver o tema da prova. Terá desenvoltura e, o que é mais importante, uma riqueza vocabular essencial. A capacidade de expressão vem daí.
Pode-se registrar aqui o fato, facilmente comprovável, de que nunca se escreveu e se falou tão mal o idioma de Ruy Barbosa. Culpa, quem sabe, da deterioração do nosso sistema de educação básica. Ou do pouco apreço que devotamos à leitura. E podemos citar a “contribuição” dos meios televisivos. Donos de força descomunal, praticam um magistral desserviço à educação brasileira.
Respeitar a nossa língua é uma forma de fazer educação. Concluindo, o brasileiro está oco. Não é só a ideia da religião, da crença em Deus ou em determinada igreja. Mas está ligado ao pensamento abstrato, à filosofia, ao homem pensando em sua sorte, de onde veio, para onde vai. Essa carência prejudica a cultura geral do indivíduo, porque o homem é essencialmente linguagem. O brasileiro está oco com a Língua Portuguesa.
Nelson Valente - Professor universitário
 
Para leitores, Educação é a principal prioridade do próximo presidente
Fonte: O Globo, 27/07/2010 às 07h20m
Carolina Benevides e Dório Ewbank Victor
RIO - Enquete realizada pelo GLOBO no início da campanha eleitoral identificou a Educação como prioridade e principal desafio do próximo presidente do Brasil. Entre os 2.380 eleitores que opinaram sobre os grandes problemas brasileiros, 57% acham a questão crucial para o futuro do país. Segurança (16%), Saúde (14%), Trabalho, Emprego e Renda (12%) e Cultura (1%) completaram a lista de necessidades. Confira as propostas dos presidenciáveis para a Educação no link: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/07/26/confira-as-propostas-dos-presidenciaveis-para-educacao-917245624.asp
O ambiente especial de Eleições 2010 publicará toda a terça-feira, nas próximas semanas, um panorama sobre os temas mais votados (Educação, Segurança e Saúde) e apresentará as propostas dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) até esse momento da corrida eleitoral.
Analfabetismo e violência ainda são desafios
Não faltam ao Brasil metas para melhorar o ensino. O Índice de Desenvolvimento da Educação (IDEB), principal indicador da qualidade da educação, que leva em conta o rendimento escolar nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental e também no Ensino Médio, estabelece que, numa escala de 0 a 10, o país chegue a 2021 com média 6 nas escolas de 1ª à 4ª série. Em 2009, o índice não passou de 4,6.
Candidatos ao Planalto, Serra, Dilma e Marina também já traçaram suas metas. Universalizar a alfabetização, investir nos cursos técnicos, aumentar o percentual do PIB, construir creches e apostar em educação integral são algumas das promessas. Mas o fato é: o investimento público em educação não ultrapassou 4,7% do PIB em 2008, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). No ensino superior, em 2000, também de acordo com o MEC, eram investidos R$ 15.341 por aluno/ano. Em 2008, o número havia caído para R$ 14.763.
Além de estabelecer metas, nos últimos anos o Brasil passou a contar com vários mecanismos para medir a qualidade do que os alunos aprendem em sala de aula: Prova Brasil, que avalia a cada dois anos os estudantes da 4ª e da 8ª séries (5º e 9º ano), o Ideb, a Provinha Brasil, que avalia as crianças do 2º ano, e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que além de medir o nível dos alunos do ensino médio serve como critério de seleção para mais de 500 universidades. No entanto, os resultados causam alarde. No Enem de 2009, 97,8% das quase sete mil escolas que tiveram média abaixo de 500 - a escala vai de 0 a 1.000 - eram estaduais. Problemas como crianças fora das salas de aula, escolas com pouca ou quase nenhuma infra-estrutura e déficit de professores também preocupam.
Velhos fantasmas do sistema educacional público, como o analfabetismo e o déficit de professores no Ensino Básico, ainda podem assombrar o futuro presidente da República na próxima gestão. A violência urbana e falta de investimentos no setor tornam ainda mais precária a Educação do país, apontada por especialistas como um dos principais freios do crescimento nacional.
O principal problema apontado pelos especialistas é o analfabetismo. Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um estudo realizado em 2007 revelou que o número de analfabetos do país chega a 14,4 milhões.
" Não podemos pensar em crescimento do país com um número tão grande de analfabetos "
- Não podemos pensar em crescimento do país com um número tão grande de analfabetos. São pessoas que ainda não foram incluídas socialmente no país - disse o presidente do Conselho Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE), professor Roberto Leão. Ele ressaltou que, além daqueles que nunca tiveram acesso a uma carteira escolar, existem os chamados analfabetos funcionais, que chegam a cursar alguns anos do ensino fundamental e médio, mas saem dos colégios, muitas vezes, só sabendo assinar o próprio nome.
- Este poderá ser o principal desafio do presidente, já que o analfabetismo é um problema que outros presidentes tentaram em vão resolver. Seria importante que o futuro governo desenvolvesse um sistema de educação articulada. Digo articulada porque envolveria os diversos sistemas educacionais que existem. Resumindo, o ensino do Norte do país seria o mesmo do Sudeste, claro, respeitando as diferenças culturais - ressalta Leão.
Violência ameaça professores e provoca evasão escolar
Outro problema da educação pública é a violência urbana. Em vários estados, como o Rio de Janeiro, escolas que ficam localizadas em comunidades comandadas pelo tráfico de drogas ou grupos paramilitares (milícias) ficam dias, até semanas sem aula por conta dos frequentes tiroteios entre policiais e criminosos.
Nestes confrontos, muitas vezes os inocentes acabam sendo as vítimas, como na semana passada, quando um menino de 11 anos, aluno de um Ciep, foi atingido por uma bala perdida durante um confronto entre policiais militares e traficantes. Em abril deste ano, dois assaltantes invadiram uma escola de educação infantil no bairro do Brás, zona central de São Paulo, e mantiveram professoras reféns .
"Cerca de 200 escolas no Rio sofrem influência direta ou indireta do tráfico de drogas ou de grupos de milicianos"
- Cerca de 200 escolas no Rio sofrem influência direta ou indireta do tráfico de drogas ou de grupos de milicianos. As escolas ficam expostas a tiroteios nas comunidades. Muitos alunos ficam dias sem aula, e não tem como repor. Na Zona Oeste do Rio, por exemplo, os milicianos ditam as regras, como as matrículas, onde somente alunos de uma determinada região podem estudar em uma instituição pública localizada no seu território - explica o coordenador geral do Sindicato dos Profissionais em Educação do Rio (Sepe), Danilo Serafim.
Além dos confrontos, a violência prejudica ainda mais a educação quando começa influenciar os alunos, como explicou Serafim: - Recentemente tivemos o caso de um aluno que quebrou o dedo de uma professora porque ela quis que ele tirasse o fone de ouvido durante a aula. Isso é reflexo da violência que estes jovens estão submetidos diariamente. Além disso, essa influência faz com que o aluno desista de estudar, porque vê nas ruas mais perspectivas de vida do que na escola.
Déficit de professores chega a 250 mil no país
Por causa dos baixos salários e da falta de infraestrutura da rede pública de educação, a profissão de professor tem se tornado a última escolha daqueles que acabam de terminar a faculdade. Isso tem provocado um déficit de aproximadamente 250 mil profissionais nos ensinos Médio e Fundamental, segundo alerta a CNTE. Isso prejudica significativamente o aprendizado de cerca de 52 milhões de alunos do Ensino Básico público, de acordo com informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
" Quando o jovem termina a faculdade, ele prefere trabalhar em outras áreas do que ser professor "
- Grande parte deste déficit é de professores de matemática, física, química e biologia. Quando o jovem termina a faculdade, ele prefere trabalhar em outras áreas do que ser professor. Precisamos urgentemente valorizar esta profissão (professor), porque a tendência é que este déficit aumente - disse Roberto Leão.
Além dos baixos salários e da violência, os professores também se deparam com as péssimas condições de infraestrutura das escolas públicas. - Muitas delas não têm biblioteca, laboratório, não tem nada. Assim fica difícil estimular o aluno a estudar, ou melhor, a gostar de estudar - revela Leão.
Investimento de 10% do PIB em educação
Outra questão apontada pelos especialistas como um dos obstáculos da educação nacional é a ampliação do financiamento público. Atualmente, cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país é aplicado no sistema educacional, as entidades do setor defendem que este percentual deveria ser de, no mínimo, 10%.
- O aumento do percentual do PIB é importante porque isso significa mais verba para investir no aluno. Quando se aumenta o investimento, saímos da situação de estrangulamento e passamos a trabalhar com um panorama de crescimento - disse Marina Barbosa, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).
" O que acontece não é só o sucateamento do ensino público, e sim um conjunto de ações que favorece o setor privado "
Segundo Marina, a insuficiência desse financiamento nas duas últimas décadas tem possibilitado a expansão massiva da oferta de vagas pelo setor privado (responsável hoje por cerca de 80% das matrículas do nível superior).
- O que acontece não é só o sucateamento do ensino público, e sim um conjunto de ações que favorece o setor privado. Por exemplo, o Enem, declarado como um elemento de democratização pelo governo federal, permite que o aluno ingresse na rede particular de ensino, mas, na verdade, quando a instituição oferece estas vagas, ela consegue isenção de vários impostos. Seria melhor o governo arrecadar estes impostos e ampliar as vagas na rede pública - disse.

Bebê que convive com livros vai melhor na escola
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 25 de julho de 2010
Karina Toledo Ler para um bebê que ainda não fala nem entende o que é falado pode parecer perda de tempo, mas diversos estudos mostram que, a longo prazo, a prática pode beneficiar o desempenho escolar. Além de adquirir gosto pela leitura, as crianças que têm contato com livros desde o berço chegam ao ensino fundamental com vocabulário mais rico e maior capacidade de compreensão e de manter a atenção nos estudos.
Para ajudar na escolha do título mais adequado para cada idade e no desafio de manter as crianças pequenas entretidas, o Instituto Alfa e Beto (IAB) apresenta na próxima Bienal do Livro de São Paulo a Biblioteca do Bebê. Além de vários livros divididos por faixa etária, o local terá voluntários que ensinarão aos pais técnicas de leitura. As principais dicas estão reunidas em uma cartilha que será distribuída aos visitantes (mais informações nesta página).
"Não se trata de ler um conto de fadas para um bebê com menos de 1 ano. Os primeiros livros devem ter apenas imagens e o tempo para folheá-los deve ser breve", explica David Dickinson, especialista em alfabetização pela Universidade Harvard. Durante a bienal, ele apresentará estudos que relacionam a leitura precoce a um maior desenvolvimento da linguagem.
Uma dessas pesquisas mostra que as crianças de 3 anos que possuem o hábito de leitura em família apresentam, aos 10, desempenho escolar superior ao daquelas que não leem com frequência.
"O importante é ler com regularidade, de preferência todos os dias, e tornar a experiência agradável", afirma Dickinson. Os pais, diz ele, devem usar as imagens do livros como base para iniciar uma conversa com a criança. "Faça perguntas sobre a figura ou sobre a história. Não se limite a ler as palavras e virar a página", explica.
Esculpindo mentes. A interação com os adultos é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e o aprendizado se dá pela imitação, diz o presidente do IAB, João Batista Oliveira. "Mas a linguagem oral tem um vocabulário restrito e uma sintaxe simplificada. O livro, por mais simples que seja, obedece as regras da linguagem escrita, que é a mesma que a criança vai encontrar na escola."
Se o vocabulário é o tijolo do pensamento, afirma Oliveira, a sintaxe é a argamassa. "Quanto maior o vocabulário e mais articulada a sintaxe, mais temos sobre o que pensar." Essa maior capacidade de raciocínio e compreensão favorece tanto o desempenho em disciplinas como português e matemática como nas demais.
A capacidade de se manter focada em uma atividade também é beneficiada pelo hábito de leitura, afirma Dickinson. "Quando assistimos à TV ou usamos o computador, a tecnologia prende nossa atenção. Já quando lemos um livro, precisamos fazer esse trabalho sozinhos."
Beatriz Koike, de 3 anos, parece fazer esse trabalho muito bem. "As professoras sempre comentam como ela presta atenção em sala e elogiam sua desenvoltura com as palavras", conta a mãe, Taís Borges.
Beatriz ganhou seu primeiro livro quando ainda estava na barriga de Taís. "Aos 3 meses, comprei um livrinho de plástico para ela brincar na banheira. Depois, um de pano, com texturas diferentes. Aos 2 anos, ela começou a demonstrar interesse em histórias mais complexas." Hoje, a menina tem seu cantinho da leitura com 43 títulos. "Umas três ou quatro vezes por semana leio para ela à noite. Quando não faço, ela me cobra", conta Taís.
O IAB vai lançar na bienal um guia com uma proposta ambiciosa: Os 600 Livros que Toda Criança Deve Ler Antes de Entrar para a Escola. Isso dá uma média de dois livros por semana entre 0 e 6 anos. Quem quiser cumprir a meta não pode perder tempo.