23/08/2010
AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor educacional às instituições associadas.
Esclarecemos que as matérias veiculadas não representam, necessariamente, a opinião da Associação.
Caso não queira mais recebê-lo responda esta mensagem inserindo no campo "Assunto" a palavra: REMOVER.
Em breve será implantado diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade na pesquisa

Inscrições para exame de ordem começam hoje

Nova resolução de conselho barra biólogo formado à distância

Ministério da Justiça divulga diretrizes que traduzem direitos do Código de Defesa do Consumidor pela internet

ProUni não garante meta de jovens na universidade

Governo contesta TCU e diz que meta vai ser alcançada

Lula diz que investimento em educação mudou paradigma da desigualdade no país

Panorama do Ensino Técnico

Pacto pela educação capacitaria o País

Representatividade do quinto constitucional no TJ/SC é questionada pela OAB e Ministério Público

Especialistas apontam as carreiras mais e as menos promissoras

Micro e pequenas instituições de ensino superior representam 79,7% das IES


As maiores empresas de Joinville

Inep contrata consórcio para aplicação do Enem

Mais de 84 mil catarinenses se inscreveram no Enem 2010


Senador propõe que livro digital fique livre de impostos

Universidades federais chegarão a mais 134 cidades

Avaliação Externa: como componente de qualidade acadêmica e administrativa

A universidade importa?

A escola precisa assumir mais o ensino de Artes

O que pensam os presidentes

A aposta nos alunos sem grife

Qualidade não vem por decreto

Mínimo denominador comum

Gestão estratégica e fundamental 

Grã-bretanha - Alunos mais novos têm piores notas, diz estudo


Inscrições para exame de ordem começam hoje
Fonte: Jornal A Notícia, 23/08/2010
De hoje até 6 de setembro, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recebem inscrições para o exame obrigatório que seleciona bacharéis de Direito. A data da prova – que será feita pela Fundação Getúlio Vargas – ainda será divulgada. O edital pode ser conferido no site www.oab.org.br.

Nova resolução de conselho barra biólogo formado à distância
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 23/08/2010 às 09:09 hs. 
Uma nova resolução do Conselho Federal de Biologia (CFBio) está dificultando a obtenção do registro profissional para alunos formados a distância. O documento passa a exigir um mínimo de 2,4 mil horas de pesquisa, projetos, análises, perícias, fiscalização, emissão de laudos e pareceres na área.
O texto foi aprovado em março, dias após o Ministério da Educação conseguir uma liminar para derrubar a resolução n.º 151/2008, que proibia o registro de formados a distância (leia mais nesta página). O CFBio insiste que as mudanças, que também afetam os cursos presenciais, não vetam o registro de egressos de nenhuma modalidade de curso, desde que reconhecido pelo MEC.
No entanto, bacharéis em Biologia formados por EAD não estão conseguindo se registrar e, assim, exercer a profissão. O Estado acompanhou o caso de dois estudantes do Centro Universitário Leonardo Da Vinci (Uniasselvi), de Santa Catarina (SC). Com a mudança, o conselho afirma que Roger Maciel e Helen Borges não têm o total de horas específicas cobradas, sendo que eles entraram com o pedido antes da nova resolução. "Enrolaram a gente até inventarem uma nova regra", lembra Roger.
Quando o documento ficou pronto, a nova resolução tirou seu valor. "Ainda me disseram assim: "Você não queria a tua carteirinha?", conta ele. Agora, para ter o registro, eles devem fazer uma especialização ou se matricular novamente na graduação.
Em nota, o CFBio afirma que quem obteve o registro (de curso presencial ou EAD) antes da publicação da resolução não vai perder o documento. No entanto, o órgão também reforça que todo biólogo "deve se manter atualizado com aprimoramento contínuo". O CFBio afirma que "em momento algum aumentou a carga horária; somente utilizou as horas prevista pelo parecer n.º 329/2004."
O MEC afirma, também em nota, que não admite nenhuma forma de discriminação a estudantes formados em educação a distância e lembra a existência da liminar obtida em fevereiro. A pasta reforça que diplomas de EAD devem ser registrados "com as mesmas garantias que na modalidade presencial, pelos conselhos regionais".
Preconceito. Para especialistas, a resolução é discriminatória. "É reserva de mercado. Essas mudanças não podem ser retroativas", afirma o presidente da Associação Brasileira de Ensino a Distância, Fredric Litto.
Para Sonia Martins, da Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distância, o CFBio alterou as regras para prejudicar os alunos de EAD. "É uma tentativa de burlar a lei. Estamos estudando o que podemos fazer para auxiliar os alunos que se formaram com as regras anteriores", afirma.
PARA LEMBRAR
Em junho de 2008, numa decisão polêmica, o Conselho Federal de Biologia publicou uma resolução proibindo as regionais de concederem registro a profissionais que tenham diplomas de cursos a distância, sem fazer distinção de instituições reconhecidas ou não pelo Ministério da Educação. Em fevereiro deste ano, a Justiça Federal suspendeu, por meio de uma liminar, a resolução, considerando a proibição inconstitucional. Além de Biologia, alunos e formados por cursos superiores a distância enfrentam resistência em outros órgãos, como o Conselho Federal de Serviço Social, que não apoia a modalidade. Já foram identificados problemas com o Conselho Nacional do Ministério Público e com o Conselho Municipal de Educação de São Paulo.
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo? 
Fonte: O Estado de São Paulo 

Ministério da Justiça divulga diretrizes que traduzem direitos do Código de Defesa do Consumidor pela internet
Fonte: Jornal da Educação
Durante a última reunião do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, foram definidas as diretrizes que traduzem direitos do Código de Defesa do Consumidor pela internet.
Muitas instituições de ensino superior já usam a rede mundial de computadores para difundir seus serviços e naturalmente interagir com os usuários.
Os principais pontos estão ligados a contratos celebrados on line, direitos de arrependimento e de acesso facilitado à informação, cancelamento, registro das transações, clareza quanto a preços, custos envolvidos e  pagamento e responsabilidade dos fornecedores.
É recomendável que os setores próprios nas instituições de ensino analisem o documento que será disponibilizado na página eletrônica do Ministério.

ProUni não garante meta de jovens na universidade
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 09:26 hs. 
Governo não conseguirá pôr 30% de jovens na universidade até 2011, diz TCU
Técnicos preveem que meta seja atingida em 2020; programa é bem concebido, mas existem falhas, afirma relatório
DIMMI AMORA - DE BRASÍLIA
Mesmo com o ProUni, programa de bolsa para o ensino superior em instituição particular lançado em 2004, o governo não vai cumprir a meta de pôr 30% de jovens (18 a 24 anos) na universidade até 2011. É o que diz relatório do Tribunal de Contas da União aprovado nesta semana.
O documento classifica a iniciativa do ProUni como bem concebida, mas aponta problemas, como falta de indicadores de desempenho e baixo número de atendidos.
Outros entraves para se alcançar a meta, estipulada em lei no Plano Nacional de Educação de 2000, são, segundo o TCU, a queda no ritmo de crescimento de estudantes do ensino médio e o baixo número de vagas em universidades públicas.
O programa vem sendo usado como exemplo de sucesso pela candidata do governo à Presidência, Dilma Rousseff (PT), que já se comprometeu a ampliá-lo e a introduzi-lo no ensino médio.
Seu principal opositor, José Serra (PSDB), prometeu um programa semelhante de bolsas para o ensino técnico. Mas o DEM, principal aliado do candidato, está contestando o programa na Justiça.
O percentual de jovens no ensino superior passou de 10,5% em 2004 (início do ProUni) para 13,9% em 2008. Em 1993, eram 5%. Os técnicos fizeram uma curva estatística em que só em 2020 a meta de 30% será atingida.
Mas talvez nem em 2020 ela seja alcançada. Um dos gráficos aponta que a curva da taxa de crescimento dos alunos que concluem o ensino médio está declinando.
O percentual de jovens nessa fase passou de 37% para 43% entre 2001 e 2003 (seis pontos percentuais em dois anos). Mas, nos quatro anos seguintes, evoluiu apenas cinco pontos (foi a 48%).
Mesmo com poucos concluintes do ensino médio, a quantidade de vagas do Prouni ao ano corresponde a apenas 1,1% dos jovens com ensino médio completo. Outra crítica é à falta de indicadores de desempenho.
Segundo o relatório, o Ministério da Educação tem "nulo conteúdo informativo em termos das dimensões de permanência e de desempenho acadêmico [dos bolsistas]". Sem isso, afirma o TCU, é impossível avaliar a efetividade do ProUni. Mesmo com problemas, o relatório diz que o programa consegue atender 90% da população de baixa renda.
Sem o ProUni, os mais pobres comprometeriam em média 47% da renda para manter os filhos na universidade, e no mínimo 30% das pessoas que usaram a bolsa (cerca de 200 mil) não teriam chegado à universidade. Governo contesta TCU e diz que meta vai ser alcançada. Segundo o MEC, importante é a taxa de universitários de todas as idades em relação à população jovem
Secretária afirma que o número de vagas no ProUni é igual ao de vagas oferecidas pelas universidades públicas
DE BRASÍLIA
A secretária da Educação Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, contestou os dados do TCU. Para ela, o governo vai alcançar os 30% de pessoas matriculadas no ensino superior, considerando o número de universitários de todas as faixas etárias em relação à população jovem.
"Essa é a forma mais adequada de fazer a conta porque estamos resgatando pessoas que não tinham a oportunidade de estudar. Havia uma demanda reprimida."
A meta no Plano Nacional da Educação, contudo, era específica: 30% de jovens (18 a 24 anos) na universidade.
A secretária também contestou a informação de falta de indicadores de desempenho e de queda no ritmo de crescimento de formados no ensino médio.
Segundo a secretaria, o controle é feito pelas notas do Enade (exame que avalia os universitários) e em 2009 foi feita uma pesquisa com um instituto de opinião para avaliar o impacto do programa sobre os formados. "Na pesquisa, constatamos que 80% dos bolsistas tinham conseguido emprego após a conclusão, sendo 61% na área", afirmou.
AUMENTO ARTIFICIAL
Outra crítica no relatório do TCU é sobre um crescimento possivelmente artificial do número de vagas para aumentar os ganhos com benefícios fiscais dados às instituições de ensino.
Em 2005, as 100 mil matrículas no ProUni preencheram cerca de 70% das vagas. Já em 2009, o percentual de vagas preenchidas foi de apenas 65%, apesar de terem sido feitas 160 mil matrículas com o ProUni.
Para dar bolsa parcial ou integral, as universidades aderem a um programa e devem ofertar um percentual mínimo de suas vagas totais. Mas as regras do ProUni não estabelecem critérios de preenchimento dos postos oferecidos, diz o TCU.
Então, se a universidade preencheu 1% ou 100% das vagas obrigatórias que disponibilizou, ela receberá a mesma isenção de uma cesta de impostos.
Conforme dados enviados pelo governo ao TCU, essa isenção custou cerca de R$ 1,4 bilhão entre 2005 e 2009. O número vem crescendo e chegou a R$ 502 milhões no ano passado.
Segundo Bucci, o governo tem um controle sobre os subsídios concedidos. Para ela, apenas as bolsas não obrigatórias estão em queda, o que não corresponde aos dados informados pela próprio ministério ao tribunal.
"NOVA REDE FEDERAL"
A secretária defendeu o modelo do ProUni.
"O número de vagas no ProUni é hoje igual ao de vagas oferecidas pelas universidades públicas. É como se nós tivéssemos conseguido fazer uma nova rede federal de universidades, mas com um investimento muito menor", afirmou a secretária.
O TCU já havia encontrado outros problemas no ProUni em auditorias feitas em 2009, quando constatou que donos de carros de luxo e com vagas em universidades públicas recebiam bolsa.
Além disso, o tribunal considerou que a média de isenção por aluno era maior que a média dos preços das mensalidades das universidades.
Frase
"O número de vagas no ProUni é hoje igual ao de vagas oferecidas pelas universidades públicas. É como se nós tivéssemos conseguido fazer uma nova rede federal de universidades, mas com investimento muito menor"
MARIA PAULA DALLARI BUCCI
secretária do Ministério da Educação 
Fonte: Folha de São Paulo 

Governo contesta TCU e diz que meta vai ser alcançada
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 22/08/2010 - São Paulo SP
Segundo o MEC, importante é a taxa de universitários de todas as idades em relação à população jovem. Secretária afirma que o número de vagas no ProUni é igual ao de vagas oferecidas pelas universidades públicas
DE BRASÍLIA 
A secretária da Educação Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, contestou os dados do TCU. Para ela, o governo vai alcançar os 30% de pessoas matriculadas no ensino superior, considerando o número de universitários de todas as faixas etárias em relação à população jovem. "Essa é a forma mais adequada de fazer a conta porque estamos resgatando pessoas que não tinham a oportunidade de estudar. Havia uma demanda reprimida." A meta no Plano Nacional da Educação, contudo, era específica: 30% de jovens (18 a 24 anos) na universidade. A secretária também contestou a informação de falta de indicadores de desempenho e de queda no ritmo de crescimento de formados no ensino médio. Segundo a secretaria, o controle é feito pelas notas do Enade (exame que avalia os universitários) e em 2009 foi feita uma pesquisa com um instituto de opinião para avaliar o impacto do programa sobre os formados. "Na pesquisa, constatamos que 80% dos bolsistas tinham conseguido  emprego após a conclusão, sendo 61% na área", afirmou.
AUMENTO ARTIFICIAL - Outra crítica no relatório do TCU é sobre um crescimento possivelmente artificial do número de vagas para aumentar os ganhos com benefícios fiscais dados às instituições de ensino. Em 2005, as 100 mil matrículas no ProUni preencheram cerca de 70% das vagas. Já em 2009, o percentual de vagas preenchidas foi de apenas 65%, apesar de terem sido feitas 160 mil matrículas com o ProUni. Para dar bolsa parcial ou integral, as universidades aderem a um programa e devem ofertar um percentual mínimo de suas vagas totais. Mas as regras do ProUni não estabelecem critérios de preenchimento dos postos oferecidos, diz o TCU. Então, se a universidade preencheu 1% ou 100% das vagas obrigatórias que disponibilizou, ela receberá a mesma isenção de uma cesta de impostos. Conforme dados enviados pelo governo ao TCU, essa isenção custou cerca de R$  1,4 bilhão entre 2005 e 2009. O número vem crescendo e chegou a R$ 502 milhões no ano passado. Segundo Bucci, o governo tem um controle sobre os subsídios concedidos. Para ela, apenas as bolsas não obrigatórias estão em queda, o que não corresponde aos dados informados pela próprio ministério ao tribunal.
"NOVA REDE FEDERAL" - A secretária defendeu o modelo do ProUni. "O número de vagas no ProUni é hoje igual ao de vagas oferecidas pelas universidades públicas. É como se nós tivéssemos conseguido fazer uma nova rede federal de universidades, mas com um investimento muito menor", afirmou a secretária. O TCU já havia encontrado outros problemas no ProUni em auditorias feitas em 2009, quando constatou que donos de carros de luxo e com vagas em universidades públicas recebiam bolsa. Além disso, o tribunal considerou que a média de isenção por aluno era maior que a média dos preços das mensalidades das universidades. 

Lula diz que investimento em educação mudou paradigma da desigualdade no país
Fonte: Clipping Educacional Consae - Correio Braziliense, 20/08/2010 - Brasília DF
Agência Brasil 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20/8) que o investimento em educação mudou o “paradigma da desigualdade” do país. De acordo com ele, a melhor distribuição de recursos entre as regiões brasileiras fez com que, áreas reconhecidas por indicadores sociais negativos, como o Nordeste, melhorassem sua participação na geração de conhecimento. “O Sul e o Sudeste até dias atrás formavam 65% dos doutores do país. O Nordeste formava 1,3%. Hoje, tem 9,7%”, disse o presidente, em discurso durante inauguração de novas instalações do campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Sorocaba, a 90 quilômetros da capital.  Lula disse também que a transformação social no Norte e Nordeste é o benefício mais importante da abertura de novas universidades e escolas técnicas nas regiões. “O que importa é que a gente está mudando o paradigma, tornando o país um pouco mais igualitário.” A UFSCar está instalada em Sorocaba desde 2006. Em 2008, a universidade inaugurou seu primeiro prédio próprio na cidade. Nesta manhã, o presidente Lula e o governador de São Paulo, Alberto Goldman, participaram da cerimônia de inauguração de novos prédios da universidade.
Com as novas estruturas, a UFSCar passa a ter 17 salas de aula e 15 laboratórios em Sorocaba, além de um restaurante,  vestiários, quadras e salas para o departamento administrativo. Ao todo, são 13 mil metros quadrados de área construída em uma terreno de 70 hectares, doado pelo prefeitura. Simultaneamente à inauguração da UFSCar, o ministro da Educação, Fernando Haddad, inaugurou o campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Curitibanos (SC). Em cerimônia transmitida em telão instalado no campus da UFSCar de Sorocaba, Haddad afirmou que o governo federal vai construir 134 campi de universidades federais até 2012 e alcançar pelo menos mil municípios brasileiros com programas de expansão do acesso ao ensino superior. 

Panorama do Ensino Técnico
Fonte: Jornal A Notícia, 23/08/2010
Não tem eleição em que não apareçam candidatos prometendo mais investimentos em ensino profissionalizante durante o ensino médio. Pena que a coisa não avance. No ano de 2005, quando começou a ser contabilizada a estatística pelo MEC, 5,6 mil alunos estavam matriculados em Joinville na educação profissional (nível técnico) durante o ensino médio. No ano passado, fechou em 5,9 mil – outros 20,9 mil cursavam o ensino médio tradicional. Avanço pequeno para quatro anos. O número de Joinville não é ruim. Mas pode ser bem melhor. São José dos Campos, com 615 mil moradores, terra do ITA e da Embraer, tem quase 10 mil estudantes de ensino médio em cursos técnicos. Sim, a comparação é com uma cidade top em tecnologia. Mas é nesses exemplos que Joinville tem de mirar.

Pacto pela educação capacitaria o País
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 23/08/2010 às 10:11 hs. 
Reinvenção do processo passa pela qualificação de engenheiros e técnicos com o setor produtivo
A questão da mão de obra qualificada está na ordem do dia. Há exemplos concretos, em três níveis decisórios (ensino, empresas e governo), de que estamos deixando o campo da reflexão teórica e vislumbrando os caminhos da prática. Grandes empresas já discutem meios urgentes que tornem mais agressivas e eficazes suas estratégias de capacitação e retenção de profissionais qualificados. Circulam, no âmbito corporativo, as primeiras ações para uma oferta em larga escala de bolsas de estudo aos estudantes de carreiras tecnológicas, investimentos na formação de pós-graduados, e até o financiamento de escolas de engenharia e de centros de formação profissional, para melhorarem sua base laboratorial.
Do ensino superior espera-se, principalmente, que reduza a evasão e adote programas visando a dobrar o atual rendimento escolar de 20% para 40%, elevando assim de 30 mil para 60 mil o número daqueles que conseguem se formar nos cursos de engenharias. Do ensino médio, são propostas inéditas medidas para elevar a qualidade do ensino da matemática, da física e das ciências em geral.
No âmbito associativo, a Câmara Americana de Comércio de São Paulo dirige aos presidenciáveis um documento solicitando a inclusão nos respectivos programas de governo de medidas inovadoras. Por exemplo: a garantia de incentivos fiscais para as companhias que investirem na concessão de bolsas de estudo e uma proposta para desburocratizar a autorização de funcionamento de cursos de tecnologia.
A contribuição da área educativa nesse aspecto deve ganhar proporções jamais alcançadas. Urge um pacto nacional pela educação entre governo e iniciativa privada com o objetivo de revolucionar todas as políticas obsoletas e encurtar todos os prazos cogitados. Esse pacto deve incluir um programa de formação de docentes e quadros técnicos no exterior, em centros avançados de elevado desempenho em inovação tecnológica.
O sistema de ensino é uma força vital na tarefa de, capacitando a mão de obra, capacitar o Brasil. A reinvenção do nosso processo educativo passa, nessa quadra histórica, pela qualificação dos engenheiros e técnicos, em estreita colaboração com o setor produtivo. Eis a nova reforma imposta pela realidade em um país que começa a crescer acima de suas possibilidades em profissionais técnicos qualificados.
Jacques Marcovitch - É PROFESSOR DA FEA E DO IRI DA USP
Fonte: O Estado de São Paulo 

Representatividade do quinto constitucional no TJ/SC é questionada pela OAB e Ministério Público
Fonte: Assessoria de Comunicação da OAB/SC
O presidente da OAB/SC, Paulo Borba, visitou hoje (20) o Procurador-Geral de Justiça de Santa Catarina, Gercino Gerson Gomes Neto, oportunidade em que conversaram sobre a representatividade do quinto constitucional do TJ/SC. Os dirigentes das entidades consideram que a referida representatividade não está sendo preservada face à existência da figura do juiz de direito de segundo grau, que em seu ver é maculado por inconstitucionalidade.
“Não queremos o fim destes cargos. O que desejamos é que os juízes de segundo grau sejam todos desembargadores a fim de que quinto constitucional da OAB e do Ministério Público seja preservado”, afirmou Borba.
Assim, para preservar a regra constitucional da OAB e MP, ambas as instituições pretendem encaminhar manifestação neste sentido ao Tribunal de Justiça.

Especialistas apontam as carreiras mais e as menos promissoras
Fonte: Jornal da Educação
O mercado de trabalho vem experimentando fortes mudanças nos últimos anos, tendo em vista os fortes reflexos da internet e do desenvolvimento tecnológico.
Não obstante, carreiras tradicionais como engenharia (especialmente a civil, naval e petróleo), direito (em função da característica "contratualista" da sociedade brasileira), medicina (notadamente para atuar fora das grandes metrópoles) e administração (pelo seu caráter multidiscolinar) se destacam no topo do ranking de profissões promissoras.
As profissões mais em baixa estão ligadas às ciências sociais não ligadas à produção, como antropologia, sociologia, geografia, história, economia, jornalismo, pedagogia e serviço social e algumas carreiras da área de exatas, como física e matemática.
Em determinadas regiões o turismo apresenta boas perspectivas. O mesmo ocorre em educação física, graças à força dos eventos virtuais.
A tecnologia da informação é uma das carreiras que mais emprega atualmente, segundo os especialistas que se dedicam a estudos sobre as tendências profissionais.
 
Micro e pequenas instituições de ensino superior representam 79,7% das IES
Fonte: Jornal da Educação
Os números do Censo de 2008 demonstram um crescimento quantitativo, sendo atingido 5.080.056 alunos matriculados em 2.248 instituições. Observa-se uma maior concentração de alunos e a redução da quantidade de casas de ensino, se compararmos com o Censo de 2007. Deve-se isso a dois fatores: a fusão e aquisição de faculdades e ao encerramento espontâneo de algumas IES.
Objetivando facilitar uma análise comparativa, temos o seguinte cenário no Brasil: duas mega universidades; cento e vinte e uma grandes instituições;  trezentas e cinquenta e nove pequenas; setecentos e setenta e seis micros e novecentas e noventa micros.
O conceito mundialmente consagrado é que mega universidade são as que possuem mais de cem mil alunos; as grandes são as que possuem acima de 10.000 alunos (até naturalmente menos que 100.000); médias as que possuem entre 2.000 e 10.000 discentes; pequenas as de 500 a 2.000 e micro as com números inferiores a 500.
O novo Censo, relativo a 2009, que está para ser divulgado, não deverá trazer grandes mudanças nesse cenário, devendo surgir mais uma mega universidade no quadro nacional.

As maiores empresas de Joinville
Fonte: Jornal A Notícia, 22/08/2010
A edição de 2010 das “Melhores e Maiores” da revista “Exame” listou os principais indicadores de 1.245 empresas, entre as 500 e as mil maiores do País e os destaques setoriais. Desta relação é possível identificar contas dos exercícios de 2008 e 2009, de 11 empresas com relevante participação na atividade econômica de Joinville.
Para se fazer uma análise das empresas que operam no município, é importante separá-las em dois grupos. No primeiro, ficam as cinco listadas entre as 500 maiores. No segundo, as outras seis.
Entre as empresas do primeiro grupo estão multinacionais, controladas por acionistas locais, nacionais ou estrangeiros, além de empresas que operam apenas no Brasil e que são importantes exportadoras. Este grupo em 2009 tinha 0,62% das receitas, 1,23% dos empregados e 0,43% dos ativos das 500 Maiores. A relação entre receitas e ativos, ou seja, o giro do ativo, no conjunto, foi de 1,3 vez para as cinco que operam em Joinville, contra 0,94 vez das 500 Maiores.
O endividamento geral, em dezembro de 2009, estava em 55,9% do ativo, enquanto que as 500 maiores apresentavam um percentual ligeiramente inferior, de 51%. A margem sobre as vendas foi, em 2009, de 5,1%, e a rentabilidade do patrimônio líquido, de 15,5% para 7% e 10,8%, respectivamente, nas contas das 500 maiores.
O segundo grupo de empresas locais, em número de seis, com contas disponíveis para análise, na publicação, são empresas tipicamente joinvilenses, com o capital controlado por famílias da cidade. Este grupo, em dezembro de 2009, tinha um endividamento geral de apenas 38,4%, bastante reduzido, quando se compara com o das 500 Maiores, que era de 51%. Esta é uma característica típica das empresas locais. Um estudo feito a partir de outras fontes no final da década de 1990, e publicado no livro dos “150 Anos de Joinville”, já mostrava essa tendência. O giro dos ativos foi, em 2009, de 0,90 vez, a rentabilidade de 3,1% do patrimônio líquido, e a margem sobre as vendas de 2,1%, números que podem ser comparados com os das 500 Maiores, que foram, respectivamente, de 0,94 vez, 10,8% e 7%.
Uma análise dos números dos dois grupos, comparados com os das demais maiores empresas que operam no País, permite identificar algumas peculiaridades:
1 - As empresas do primeiro grupo acompanham muito as tendências tanto em termos patrimoniais quanto em desempenho das 500 Maiores do País, como, por exemplo, a internacionalização e a utilização de capital de terceiros, entre outros indicadores;
2 - As empresas do segundo grupo, tipicamente joinvilenses, diferenciam-se, por exemplo, sob o aspecto patrimonial por deterem maior participação de capital próprio, entre outras;
3 - As empresas locais tanto do primeiro quanto do segundo grupo tiveram, em 2009, um desempenho superior ao das maiores que atuam no País na evolução do emprego, e isto se confirma com os dados do Ministério do Trabalho e Emprego, pois Joinville detém 0,42% dos empregos formais do Brasil, com apenas 0,25% da população. Isto sem ser capital de Estado;
4 - O ano de 2009 foi marcado pela crise internacional, todavia, na soma das contas das 11 joinvilenses, todos os indicadores são bastante animadores e, no geral, melhores do que os do Brasil. Isto se torna mais relevante quando se leva em conta que o município é, em termos relativos, um dos maiores exportadores do País. São os números.
Não é opinião.
WILMAR ANDERLE | ECONOMISTA

Inep contrata consórcio para aplicação do Enem
Fonte: www.nota10.com.br, 20 de Agosto de 2010
O Diário Oficial da União publicará nesta sexta-feira (20), o extrato de dispensa de licitação do consórcio Cesgranrio/Cespe, que realizará o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. O valor do contrato para aplicação e correção das provas corresponde a R$ 27,87 por estudante inscrito. A prova será aplicada nos dias 6 e 7 de novembro para 4,6 milhões de estudantes em todo o país.
Em relação ao contrato firmado no ano passado, depois da ocorrência do furto da prova e do adiamento do exame, houve um acréscimo de 28%. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) justifica que esse aumento se deve, sobretudo, à ampliação do número de inscritos neste ano, reforço na contratação de pessoal que funcionará como apoio nas unidades de aplicação e atualização monetária.
O Enem 2010 terá os mesmos moldes do exame aplicado em 2009. Os Correios, cujo contrato já foi assinado, ficarão responsáveis pela distribuição das provas. As policias militares, a Polícia Federal e as Forças Armadas estarão encarregadas da segurança no deslocamento das provas e o consórcio Cesgranrio/Cespe, pela aplicação e correção.
O único ponto ainda em aberto é a seleção da empresa que vai executar os serviços gráficos. Com a decisão da Justiça Federal de Brasília, a favor do recurso de uma das licitantes, o processo de licitação deve seguir o seu curso, com a avaliação in loco do quesito segurança, a ser elaborado pela Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG) nas gráficas concorrentes, o que deve ocorrer nos próximos dias. O Inep reitera que o cronograma de execução da prova está sendo cumprido.

Mais de 84 mil catarinenses se inscreveram no Enem 2010
Fonte: http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/noticias/2518-mais-de-84-mil-catarinenses-se-inscreveram-no-enem-2010, 20/08/2010
Por Suely de Aguiar   
Um total de 84.529 pessoas que estão concluindo ou que já cursaram o ensino médio se inscreveram para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. As provas objetivas e de redação serão realizadas nos dias 6 e 7 de novembro.
Em Santa Catarina, o exame ocorrerá em mais de 60 municípios. Os candidatos serão informados sobre os locais de prova pelo correio. Os inscritos devem estar no local da prova com meia hora de antecedência, levando documento de identidade e cartão de confirmação da inscrição.
Em todo o Brasil, 4.611.441 pessoas se inscreveram. A região Sudeste concentra o maior número de inscrições (1.798.863), seguida pela Nordeste, 1.397.282) e pela região Sul, com 608.304 inscritos. Na região Norte foram registradas 414.051 inscrições, na Centro-Oeste 392.941.
O Enem - Esta é a 12ª edição do Enem. O objetivo é avaliar o desempenho do estudante ao final da sua escolaridade básica. A participação no exame é voluntária, mas o resultado é usado nos processos seletivos de várias universidades federais e de instituições particulares de ensino superior.
As provas - A cada ano, o conteúdo é alterado. As provas são constituídas de 63 questões objetivas de múltipla escolha e de uma redação. As áreas abordadas são: Ciências Naturais e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; Linguagem, Códigos e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias.
O modelo de avaliação do Enem não leva em conta apenas a memorização, mas também a forma como se constrói continuadamente o conhecimento.

Senador propõe que livro digital fique livre de impostos
Fonte: www.nota10.com.br, 23 de Agosto de 2010
Está pronto para ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) o projeto de lei do Senado, de autoria do senador Acir Gurgacz (PDT), que altera a Política Nacional do Livro (PNL - Lei 10.753/03) para atualizar a definição e ampliar a lista de produtos equiparados a livro.
A proposta (PLS 114/2010) amplia o rol dos produtos isentos de impostos (nos termos da Constituição federal) para incluir qualquer livro em formato digital, magnético ou ótico. Atualmente, a Lei 10.753/03 só atribui a isenção a esses produtos quando destinados a pessoas com deficiência visual.
De acordo com a Agência Senado, pelo projeto, também ficarão equiparados aos livros os equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos em formato digital ou a audição de textos em formato magnético ou ótico, como o conhecido Kindle, leitor eletrônico de livros (e-book reader).
Na justificação da matéria, Acir Gurgacz argumenta que a digitalização de obras e a publicação de livros digitais vêm crescendo exponencialmente nos últimos anos e que a própria Biblioteca Nacional do Brasil já firmou acordo com a companhia Google para a digitalização de mais de 2 milhões de livros.
Relator da proposta na CAE, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) já apresentou relatório concluindo pela aprovação do projeto. Depois a matéria seguirá para a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), que a apreciará em Decisão Terminativa.

Universidades federais chegarão a mais 134 cidades
Fonte: www.nota10.com.br, 23 de Agosto de 2010
Até 2012, mais 134 cidades em todo o país receberão um câmpus de universidade federal. A afirmação foi feita pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, na última sexta-feira (20), durante a cerimônia de inauguração simultânea dos novos campi das universidades federais de São Carlos (UFSCar), em Sorocaba (SP), e de Santa Catarina (UFSC), em Curitibanos (SC). A solenidade teve a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
“A política de democratização do acesso à educação superior atende, hoje, mil municípios em todo o Brasil”, disse Haddad. O ministro lembrou que há 105 câmpus em funcionamento pleno, com instalações definitivas, servidores com concurso e alunos matriculados.
Na área da educação superior a distância, já existem 559 polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Além disso, até o fim deste ano, terão sido criadas 214 novas unidades dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia, que oferecem cursos técnicos, de tecnologia e licenciaturas.

Avaliação Externa: como componente de qualidade acadêmica e administrativa
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 11:23 hs. 
O processo de Avaliação Institucional Externa, mais conhecido como Avaliação Externa, foi instituído pela Lei n. 10.861, de 14 de abril de 2004, assegurando que a avaliação institucional, interna e externa, contempla uma análise global e integrada das 10 dimensões das instituições de ensino. O processo avalia as estruturas físicas, as relações da IES com a comunidade acadêmica e sua inserção regional, seu compromisso social, o atendimento aos padrões de qualidade do ensino, pesquisa e extensão e ainda com as finalidades da oferta de cursos e de programas.
E estando o processo de Avaliação Externa atrelado aos processos de credenciamento e a renovação de credenciamento das Instituições de Ensino Superior – IES, podemos considerá-lo como um componente balizador da qualidade do ensino superior ofertado nas mais de 2.252 IES brasileiras.
O processo em síntese tem os seguintes procedimentos metodológicos:
•Análise crítica dos documentos institucionais e relatórios da autoavaliação e demais normas internas que regulamentam a oferta de cursos e programas;
•Avaliação das instalações físicas, (laboratórios, bibliotecas, salas de aula, hospitais, departamentos, seções administrativas, campos experimentais, áreas de lazer, restaurantes, etc.) verificando se existem condições de pleno atendimento à comunidade acadêmica (discentes, docentes, funcionários, etc.);
•Realização de entrevistas com os representantes do corpo docente, discente, técnico-administrativo, dirigentes e demais que possam ser utilizados no processo.
Para que as IES garantam o sucesso neste processo avaliativo é necessário movimentar-se em prol de ações internas de pré-análise das 10 dimensões envolvendo todo o grupo e embutindo neste, o censo de co-responsabilidade pelo êxito ou fracasso do processo.
Tal análise se inicia em conhecer os elementos filosóficos doutrinários da instituição e interpretar as diversas avaliações que esta já tenha se submetido como, por exemplo, os resultados dos cursos nos processos de reconhecimento/renovação, ENADE, CPC e IGC e os relatórios de autoavaliação da CPA em que constam as impressões da comunidade acadêmica sobre as 10 dimensões.
De posse dessas informações, os gestores poderão traçar estratégias de atendimento aos requisitos legais de cada área acadêmica e comitantemente atender aos padrões de qualidade do ensino exigidos no processo de avaliação externa.
Em relação aos requisitos legais do processo, as faculdades, centros universitários e universidades, precisam atentar para a sinalização dada à composição do corpo docente e às coerências das políticas institucionais delineadas no PDI, com a realidade de todas as instâncias da instituição.
Ao final do processo a comissão expressa em forma de um relatório, os juízos de valor a respeito das 10 dimensões. Este é uma fonte sinalizadora das fragilidades e potencialidades institucionais, portanto, não pode ser esquecido, deve ser analisado aproveitando as propostas e orientações dos avaliadores para ajustar as deficiências. O Ministério da Educação ao estabelecer os padrões/indicadores de mensuração da qualidade do ensino superior brasileiro, buscou respeitar a diversidade e as especificidades das diferentes organizações acadêmicas, elencando para a categoria administrativa, requisitos diferentes para o atendimento em algumas dimensões. Para Marback (2007), o grande desafio da gestão universitária é manter a participação de toda a comunidade acadêmica neste processo e complementa que quando se realiza a autoavaliação, os atores acadêmicos podem retroalimentar seus desempenhos e empenhar-se na busca de melhorias, deixando a organização sempre viva e disposta a atingir melhores resultados no que se refere à qualidade do ensino ofertado.
Concluímos que, o processo de Avaliação Externa é um forte aliado no processo de gestão, contribuindo para a transformação das fragilidades, em potencialidades, pois ela permite a reflexão sobre os princípios e valores institucionais, elementos técnicos, e posicionamento mercadológico.
 
A universidade importa?
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 11:25 hs. 
Um grupo de professores americanos levantou uma discussão e comum artigo publicado no jornal The New York Times, no mês passado, a necessidade do diploma universitário para ter sucesso na carreira. De acordo com os académicos:
1) Determinadas características, indispensáveis para o êxito profissional, não são ensinadas nas faculdades. Por exemplo: a comunicação interpessoal.
2) Nem todos os jovens têm vocação para o mundo acadêmico: os mais empreendedores acabam se frustrando e abandonando o curso, pois o ensino ainda é muito teórico. Sob essa ótica, dizem os professores, a universidade não é essencial para a pessoa ser bem sucedida.
O que dizem os brasileiros? Roberto Guimarães, professor doutor da Fundação Getulio Vargas e da Unicamp, diz: "Muitos entram na faculdade só para ter diploma antes mesmo de identificar sua vocação. Assim, se tornam profissionais frustrados". Mas Beatriz Maria Braga, professora da Eaesp-FVG, discorda: "O mercado precisa de gente cada vez mais qualificada e é a universidade que qualifica".
Há, porém, uma terceira via. O escritor e jornalista Makolm Gladwell, autor de Fora de Série, da Editora Sextante, defende que para chegar ao topo, em qualquer área, é preciso ter foco, talento e, principalmente, experiência. "Bill Gates e Tíger Woods se dedicaram às suas paixões, ainda na adolescência, pelo menos w ooo horas antes de obter sucesso", diz Makolm. Ou seja, o diploma universitário ajuda, mas o que garante o sucesso é uma quantidade enorme de dedicação.
Fonte: Portal Semesp 

A escola precisa assumir mais o ensino de Artes
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 08:55 hs. 
O esforço para tornar o ensino de Artes algo assumido pela própria escola, já leva um bom tempo. O ensino de Artes, até por sua natureza, representa uma escola mais viva, mais arejada, mais voltada para o questionamento, a inquietude, a reflexão e ao contexto social. E isso é algo que a escola convencional que se encontra em decadência, não quer nem saber e reage com ferocidade. O processo de construção da consciência de cidadania dos estudantes da escola pública requer o arejamento que o Ensino de Artes consegue levar. O arte-educador Cláudio Cavalcanti defende que o ensino de artes seja encarado pelas escolas públicas com a mesma importância das outras disciplinas.
Segundo Cláudio, as artes abrem novas perspectivas para os alunos e pode vir a ser importante ferramenta, através de atividades, para melhorar a qualidade de vida.
Professor Cláudio Cavalcanti, qual a importância da arte na escola?
A importância do ensino de artes na escola é fundamental tanto quanto as outras áreas do conhecimento. É preciso que sejamos oportunizados ao fazer das artes nas suas diversas linguagens: Artes Visuais, teatro, dança e música.
Como se desenvolve o projeto arte na escola nas unidades de ensino?
Cada escola procura desenvolver seus projetos de acordo com sua realidade, e têm outras que não desenvolve quase que nada. Falta estrutura física na escola, profissionais preparados, material didático etc. Mas muita coisa já mudou e poderá mudar mais ainda.
Como estimular os educadores, principalmente, os das séries iniciais do ensino fundamental para atividades artísticas em sala de aula?
O ensino de artes deve ser estimulado através da pesquisa e investimentos.
A Secretaria Estadual de Educação desenvolve um projeto de alfabetização para jovens e idosos em diversas localidades, não somente no ambiente formal escolar. Como trabalhar arte para adultos, pessoais que passam o dia trabalhando e pela noite vai à escola, e podem estar cansados?
O ensino de artes na escola pode e deve contribuir para que o aluno tenha consciência e conhecimento da história da arte bem como algo prazeroso e lúdico, proporcionando alegria e significado para o mesmo no seu cotidiano. As artes através e suas linguagens pode ser uma ferramenta que oferece ao aluno atividades que ajudem a ter uma melhor qualidade de vida. Para aquele aluno que estuda a noite e que muitas vezes chega à escola cansado, o ensino de artes ajudaria muito não só na ludicidade e na felicidade que artes proporciona bem como para contribuir no aprendizado da leitura e escrita.
Que lei ampara o projeto de arte na educação brasileira?
Resolução número 1, de 31 de Janeiro/2010, do conselho Nacional de Educação, oficialmente deixa-se de se usar Educação Artística e passa-se a usar Ensino de Artes, e artes uma área do conhecimento como as demais passa a ser obrigatória no currículo escolar.
Há quanto tempo atua como um educador provocador da arte escolar e que mensagem levaria aos professores do ensino público que têm dificuldades enormes para lecionarem qualquer disciplina, imagem, criar arte para seus alunos?
São 27 anos atuando no ensino de artes na rede pública estadual, e a mensagem que deixo é que acreditem em vocês arte educadores e faça a diferença com ideias e projetos simples e viáveis e que signifique algo no cotidiano do educando.
E que as artes contribua para que possamos compreender melhor o mundo contemporâneo: o capital, a mídia o consumo, é preciso que tenhamos uma alfabetização estética para vivermos melhor.
Fonte: Tribuna do Norte - RN 

O que pensam os presidentes
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 09:19 hs. 
Uma conversa com cinco líderes de empresas da lista sobre entrevistas de emprego, critérios para promoção, retenção de talentos, como tratar a geração Y, meritocracia...
David Cohen e Mauro Silveira
RICARDO CORRÊA - JOGO ABERTO
Os presidentes de Promin, AstraZeneca, Losango e Caterpillar. Eles mostraram formas diferentes de criar ótimos ambientes de trabalho.
Quem melhor que um presidente de empresa para falar das oportunidades, das competências mais valorizadas, de como se equilibram as ambições pessoais e as necessidades da organização? Por isso, convidamos os líderes de cinco empresas que estão na lista das 100 Melhores para Trabalhar para falar sobre requisitos para a contratação, como agem para reter os maiores talentos, como selecionam, orientam e cobram o pessoal. Cada presidente expõe uma filosofia. Elas são parecidas em muitos aspectos, mas há diferenças cruciais – da forma de tratar a geração Y aos recursos para impedir que um funcionário brilhante vá embora. Para quem está buscando uma nova oportunidade no mercado de trabalho, ou quer entender como subir na carreira, essa conversa abre perspectivas.
Os cinco convidados de ÉPOCA para o debate, realizado no fim de julho, foram: Janete Ana Ribeiro Vaz, sócia e copresidente do Laboratório Sabin, de análises clínicas; Hilgo Gonçalves, presidente da Losango, empresa de crédito ligada ao banco britânico HSBC; Luiz Carlos Calil, presidente da fabricante americana de equipamentos pesados Caterpillar; Luiz Fernando Telles Rudge, presidente da Promon, empresa de engenharia; e Rubens Marques Pedrosa Jr., da AstraZeneca, laboratório farmacêutico. A seguir, os principais momentos do encontro.
1. QUEM AS EMPRESAS PROCURAM
Janete Ana Ribeiro Vaz - Laboratório Sabin: Eu procuro contratar tendo como base os valores do candidato. Eles devem estar alinhados com os valores da empresa, caso contrário a pessoa não permanecerá na equipe. Participo do processo de seleção e quero conhecer quem são aquelas pessoas, suas famílias, suas origens e no que elas acreditam. Busco profissionais que valorizam a ética e o autoconhecimento e que tenham metas e sonhos definidos.
Rubens Marques Pedrosa Jr. - AstraZeneca: Nós buscamos pessoas que se vejam identificadas com os propósitos da companhia. Não é possível seguir adiante com um negócio de sucesso se as pessoas não entendem os propósitos pelos quais elas acordam todo dia de manhã e vão trabalhar. Quanto mais convergentes forem esses propósitos, melhor para a companhia e para o funcionário.
Hilgo Gonçalves - Losango: Além das competências técnicas desejadas, eu busco na pessoa o sonho, a paixão, o amor, o comprometimento e a vontade efetiva de agregar.
2. A CONTRATAÇÃO
Luiz Carlos Calil - Caterpillar: Além do engajamento, eu quero que a pessoa compreenda a importância do acionista para o negócio. Ele não pode ser visto pelo funcionário como alguém rico que deve ser explorado, mas como um indivíduo que está investindo em nossa fábrica e dando oportunidades para todos nós. É importante também que o candidato compreenda que o cliente não existe para ser satisfeito, mas sim para ser encantado. O profissional só conseguirá alcançar esses objetivos se tratar tudo o que faz como se ele fosse dono do negócio.
Rubens Marques Pedrosa Jr. : O primeiro filtro para avaliar o candidato é a capacitação técnica. O segundo, mais sutil, tem a ver com a capacidade que ele tem de criar uma identidade com a empresa para se tornar um profissional totalmente comprometido. A AstraZeneca não abre mão de características pessoais como a capacidade de trabalhar em equipe e o espírito empreendedor.
3. A GERAÇÃO Y
Luiz Fernando Telles Rudge -Promon: As empresas precisam se adaptar à nova geração de profissionais que chegam com outras expectativas e experiências, como é o caso da geração Y. Esses jovens buscam resultados e uma carreira com crescimento rápido, mas ao mesmo tempo podem contribuir com sua criatividade e disposição de assumir riscos. As empresas têm o desafio de saber se ajustar a eles sem violentar sua cultura e seus valores. Só assim vão tirar o melhor desses profissionais.
Luiz Carlos Calil: Eu não tenho nenhum tipo de preocupação com a geração Y. Para mim, ela é mais uma mística do que uma realidade a ser temida. O que mudou foi o volume de informações que recebemos atualmente e a dificuldade que temos em usar o tempo na hora de priorizá-las. É preciso investir tempo nos jovens para que possam entender o contexto de onde eles estão trabalhando. Se for preciso meia hora para um jovem entender um contexto, eu dou essa meia hora. Se for ecessário voltar amanhã para discutir novamente determinado assunto, eu faço isso. Esse é o melhor investimento que você pode fazer na geração Y.
Janete Ana Ribeiro Vaz: O grande segredo para controlar a geração Y é dar feedback em tempo real. Assim que o chefe detectar a necessidade ou identificar um erro específico, deve chamar o jovem para conversar. Ele precisa mostrar ao jovem onde cometeu a falha e o que fazer para melhorar. Dependendo do erro, ele pode servir de base para um treinamento para o restante da equipe. O jovem tem conhecimento e muita vontade, mas não possui maturidade. É o feedback em tempo real que vai ajudá-lo a se desenvolver.
4. RETENÇÃO DE TALENTOS
RICARDO CORRÊA
HILGO GONÇALVEZ, da Losango
Hilgo Gonçalves: A Losango procura reter seus talentos sendo transparente e praticando o reconhecimento e a meritocracia. Você não retém as pessoas pagando mais, e sim valorizando seu trabalho. É preciso ouvi-las e conhecer seus sonhos. Atualmente, 25% dos meus funcionários têm bolsas de estudos. Isso gera um sentimento de autoconfiança. Avalio semestralmente meus guerreiros, que é como chamo os funcionários, e dou feedbacks. Não sei se eles continuarão na empresa amanhã, mas confio no meu taco. Se não cuidarmos dos principais talentos, o meu concorrente vai cuidar. Ninguém faz a retenção de um bom profissional na hora que ele comunica que deseja sair, mas sim ao longo do tempo e estabelecendo uma reflexão constante sobre sua carreira.
Rubens Marques Pedrosa Jr.: O objetivo da empresa é manter os melhores talentos pelo maior tempo possível, mas isso está ficando cada vez mais difícil devido à alta competitividade que existe no mercado. As organizações são agressivas e buscam os profissionais capacitados. A AstraZeneca identifica aqueles funcionários que são importantes e se mantém próxima deles para que recebam uma atenção especial, sem deixar de proporcionar um ambiente positivo para os demais. Eu ofereço um pacote diferenciado para os melhores funcionários, remuneração competitiva, desafios e oportunidades de desenvolvimento. Temos de ter em mente ainda que as pessoas também trabalham por remuneração.
Luiz Carlos Calil: Não existe certo ou errado nessa história de que o bom profissional tem de ficar na empresa. Minha preocupação é saber distinguir o funcionário velho do idoso. O idoso é aquele que ainda tem muito a contribuir. Já o velho...
Janete Ana Ribeiro Vaz: Eu adoto a seguinte filosofia: se o funcionário recebeu uma proposta melhor do que a minha, não faço contraproposta. Mas, se sentir que ele não está enxergando o que tem pela frente, eu dou muitos conselhos. Por outro lado, se for um talento e eu realmente precisar dele na equipe, ofereço o que posso para que fique: dinheiro, cargo e o que mais for necessário. Ajuda muito na retenção criar benefícios que promovam o desenvolvimento das pessoas. Os funcionários não trabalham para realizar o sonho da empresa, mas sim os sonhos deles. Para mantê-los, é preciso dar as oportunidades necessárias para que consigam torná-los realidade.
5. COMO LIDAR COM FRUSTRAÇÕES
RICARDO CORRÊA
RUBENS PEDROSA, da AstraZeneca
Luiz Fernando Telles Rudge: Numa empresa com muitos técnicos, como é o caso da Promon, há muitos profissionais que desejam passar a carreira toda atuando como técnicos. É isso que lhes dá satisfação. Provavelmente, eles não serão bons gerentes. É comum observar, em áreas técnicas, profissionais extremamente preparados, com mestrado ou Ph.D., mas que não conseguem trabalhar em equipe. É por isso que oferecemos a carreira em Y, que permite ao funcionário optar pela carreira técnica ou gerencial e ter recompensas similares. Isso cria um leque de oportunidades muito maior.
Luiz Carlos Calil: Dois jovens me procuraram recentemente depois de participar do programa de recrutamento interno da empresa. Nenhum dos dois foi aprovado, mas disseram que sabiam exatamente quais seriam os escolhidos porque perceberam que o processo era justo. É importante as pessoas compreenderem a cultura da empresa, o contexto em que estão inseridas e que as oportunidades de crescimento diminuem à medida que progridem. Nós temos profissionais que desempenham a mesma função há 20 anos e que demonstram o mesmo entusiasmo de quem está no período de experiência. A imparcialidade faz com que as pessoas aceitem ficar mais tempo numa mesma função.
Rubens Marques Pedrosa Jr.: O dilema do funil é real. As pessoas vão crescendo, e chega um momento em que essa ascensão profissional se torna naturalmente mais difícil. A melhor maneira de tratar o problema é falar abertamente sobre a questão. Uma das coisas que mais me irritam numa entrevista de emprego é quando pergunto para a pessoa onde ela quer estar dentro de dez anos. Geralmente ela diz que deseja ocupar o meu lugar. Essa é uma aspiração legítima, mas quem diz isso dificilmente compreendeu a trajetória, não só minha, mas a dos demais 1.100 funcionários da minha organização. A ocupação das vagas ocorre de acordo com o mérito e as competências técnicas e emocionais de todos.
6. A ENTREVISTA DE EMPREGO E UM CONSELHO AOS JOVENS
RICARDO CORRÊA
LUIZ FERNANDO RUDGE, da Promon
Ricardo Côrrea
JANETE VAZ, do Sain
Ricardo Côrrea
LUIZ CARLOS CALIL, da Caterpillar
Hilgo Gonçalves: Eu faço as seguintes perguntas ao candidato: “Por que você quer trabalhar aqui?” “O que o atraiu?” Meu objetivo é saber o grau de sua motivação e se tem consciência do que veio buscar na empresa. Se ele não sabe o que quer, não vai chegar a lugar algum. Eu sempre digo a cada funcionário meu: seja você mesmo. Mantenha os pés no chão e a cabeça nas estrelas. Você só vai longe se der o primeiro passo. Vencer as etapas é algo que leva tempo.
Luiz Carlos Calil: Eu pergunto para o candidato o que ele entende ser um bom ambiente de trabalho. Outra questão fundamental é saber o que conhece do nosso negócio, como sua aptidão pode ajudar a empresa e até onde ela pode levá-lo. Meu conselho para quem está entrando agora no mercado de trabalho é o seguinte: tenha paciência.
Rubens Marques Pedrosa Jr.: Eu parto para uma conversa mais pessoal. Quero saber de onde o candidato veio. Pergunto sobre a época da escola e tento entender o contexto pessoal para ver se existe identidade de princípios com a empresa. Gosto de perguntar sobre erros cometidos no passado, pois não acredito em carreiras construídas com base exclusivamente no sucesso. Recomendo aos jovens que tentem balancear a incrível capacidade que eles têm de ver o mundo dos negócios sob uma ótica fresca e de multitarefas com um pouco de paciência e autocontrole. Procurem demonstrar certo grau de maturidade, pois o mundo dos negócios necessita dessa qualidade.
Luiz Fernando Telles Rudge: O que faz brilhar os seus olhos? Com essa pergunta eu consigo descobrir o que o profissional está procurando de verdade. Tenho dois conselhos aparentemente antagônicos: confie na sua capacidade e tenha humildade. O jovem tende a ser um pouco arrogante na fase inicial da carreira e precisa saber lidar muito bem com isso.
Janete Ana Ribeiro Vaz: Eu peço para a pessoa falar um pouco dela: quem é ela? Com quem vive? O que faz? Qual a experiência acadêmica e profissional? Do que mais gosta? Depois pergunto quem ela considera um ídolo. Meu conselho: corra atrás do conhecimento, caso contrário você não conseguirá conquistar uma vaga no mercado de trabalho, que está cada dia mais competitivo. 
Fonte: Revista Época - ed. 640 

A aposta nos alunos sem grife
Fonte: Clipping Educacional Consae - O Estado de São Paulo, 22/08/2010 - São Paulo SP
Distantes das escolas de elite, eles levam garra e diversidade a empresas
Carolina Stanisci 
Até pouco tempo atrás, ter cursado uma faculdade top de linha era garantia de portas abertas para um estágio nas grandes empresas do País. Essas companhias, porém, têm percebido que a energia e o comprometimento de candidatos vindos de universidades menos consagradas no mundo acadêmico valem tanto ou mais que um diploma de peso. Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Leyla Nascimento, a mudança ocorreu porque a preocupação no recrutamento de estagiários tem focado as competências do candidato. “A formação acadêmica não garante mais que terei um bom candidato. Existem etapas de seleção mais eficazes, como a dinâmica de grupo e a entrevista individual. Hoje, muito mais do que olhar a universidade de onde vem o candidato, é importante olhar para ele.”  A superintendente do RH do Banco Santander, Paula Giannetti, endossa a opinião de Leyla – e vai além. “Percebemos que quem vem de faculdades de segunda linha dá o sangue para conseguir um lugar ao sol. Para eles, o estágio não é mais uma etapa no aprendizado; eles querem virar empregados do banco, chegam com uma energia diferenciada.” Para Paula, a proatividade e a busca por desafios são mais importantes do que uma eventual formação técnica “menor”. “Isso já os diferencia.” No Citibank, o discurso é parecido. “Desde 2008, trabalhamos no sentido de abrir as inscrições para todas as faculdades e para todos os cursos”, afirma Andrea Ikawa, gerente de Seleção da instituição. “Vamos ter pessoas com pensamentos diferentes, e isso só enriquece. Nós acreditamos na diversidade.”  A estudante de Administração de Empresas da Zumbi dos Palmares Vanessa Santos Antonio (ao lado), de 20 anos, tem as características mencionadas por Paula e Andrea. Conquistou uma vaga de estagiária na área de RH do Bradesco em 2008 e foi efetivada este ano. “Além da vontade de trabalhar, trouxe para cá minha bagagem cultural, que é diferente.” Percebendo a mudança de visão das empresas, o reitor da Zumbi dos Palmares, José Vicente, procurou vários bancos nos últimos anos para firmar convênios de estágios, num “movimento de sensibilização”. Hoje 250 alunos da instituição fazem estágios em bancos. Mas ele credita ao empresariado o mérito de receber pessoas de todas as origens sociais e raciais: “O discurso da responsabilidade social ganhou visibilidade. E as empresas têm colocado isso em prática”.

Qualidade não vem por decreto
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 23/08/2010 - São Paulo SP
O postulado da autonomia universitária, consentâneo com a iniciativa democrática, tem sido ignorado pela intervenção do governo
ELLIS WAYNE BROWN 
Há quem reclame que é preciso tematizar mais sobre a educação superior no âmbito das políticas públicas, embora estes mesmos não o façam de forma sistêmica e continuem defendendo interesses fragmentados e corporativos. O artigo 207 da Constituição Federal estabelece que "as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão". O postulado legal da autonomia universitária, consentâneo com a liberdade de pensamento e de iniciativa democráticas, reguladas pela evolução da demanda socioeconômica, tem sido ignorado pela intervenção normativa do governo. A Lei de Diretrizes e Bases estabelece, por exemplo, que a universidade deve ter pelo menos 1/3 de mestres e doutores, podendo os demais, portanto, ser especialistas.
Os reguladores, contudo, passaram a exigir que esta proporção seja mantida para cada curso e campus. Na sequência, estabeleceram que os doutores tivessem peso 20 na  avaliação institucional, e os mestres, apenas 5. A nota deste quesito na avaliação institucional agora depende também da relação do quadro da instituição com uma média regional, que ninguém conhece fora do MEC e que é inflacionada pelos quadros das universidades públicas, custeadas pelo contribuinte anônimo. Agora, preconizam 70% de mestres e doutores! Independentemente do mérito, é interessante como os reguladores se mostram à vontade para progressivamente circundar os postulados da lei. Ademais, confundem também os meios com os fins e, dessa forma, desviam o foco dos resultados de fato alcançados pelas universidades em termos da qualificação dos egressos. Caberia à universidade decidir e prover os meios para tanto, regulada pela demanda social que inclui a viabilidade de acesso da população, notadamente de menor renda, ao ensino superior.
Quem não se vê atingido diretamente e não enxerga os efeitos desse intervencionismo aceita tudo e ainda aplaude. Resta ver como reagirá na medida em que  a regulação o atingir, assim como reage a própria imprensa diante da ameaça à sua autonomia. Embora possa também cometer erros, não se justifica por isso a anulação de sua liberdade editorial. Não se trata, ainda, de negar o princípio e a validade da "indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão", mas, sim, de discutir a natureza, origem, proporção, custo, aplicação e produtividade dos recursos envolvidos em cada um destes componentes, à luz de sua efetiva agregação de valor em termos do desenvolvimento educacional e socioeconômico, considerando sempre como questão de fundo a acessibilidade da população. Necessário, pois, é buscar, para além dos interesses corporativos, a melhor equação possível entre qualidade educacional, produção e socialização do conhecimento, democratização do acesso e desenvolvimento socioeconômico do país. É com esta equação que deveria se preocupar a política educacional e seu aparato regulatório. ELLIS WAYNE BROWN, formado em ciências sociais e mestre em comunicação social, é vice-reitor da Uniban Brasil 

Mínimo denominador comum
Fonte: ABMESeduca.com agosto 20th, 2010 |  Author: admin
Gabriel Jareta
REVISTA EDUCAÇÃO – EDIÇÃO 160
Ao investir na criação de uma matriz para o ingresso na carreira docente, “Enem dos professores” deverá definir critérios mais claros para a formação
“Uma profissão que tem claros os parâmetros de seu exercício ideal é reconhecida e legitimada na sociedade.” Assim começa a apresentação do texto do Marco para la buena enseñanza (marco para o bom ensino), documento publicado pelo Ministério da Educação do Chile em 2003 com o objetivo de nortear a busca pela melhoria na formação do professor e na qualidade de ensino daquele país. Sete anos depois, esse documento ajudou a compor, no Brasil, as bases da produção de uma matriz que terá como objetivo selecionar os melhores profissionais para fazer parte da carreira docente.
Para um país como o Brasil, que luta para vencer o desafio de oferecer uma Educação Básica de qualidade, a evolução do ensino público passa, necessariamente, pela escolha dos professores mais bem preparados para a tarefa de formar crianças e adolescentes. Um profissional que conheça a fundo o conteúdo que está ensinando, que saiba discernir qual o melhor método de ensino para cada turma, que tenha conhecimento sobre os processos de desenvolvimento e aprendizagem das crianças, entre outras atribuições que possam constituir o que se entende por um bom professor.
Essas habilidades são algumas que compõem o modelo que o governo federal está implantando com a criação do Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, que selecionará os candidatos a professor da educação infantil e das séries iniciais do fundamental. Esse exame consistirá numa prova única e de periodicidade anual, com abrangência em todo o país, nos moldes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O concurso não é obrigatório, e as secretarias municipais ou estaduais que optarem por utilizá-la devem fazer a adesão e, a partir daí, todos os interessados em seguir a carreira docente poderão utilizar a nota para preencher as vagas que eventualmente forem abertas. Será possível se inscrever para vagas em mais de uma cidade.
Com esse sistema, as redes – especialmente as de municípios de pequeno ou médio porte – não precisarão mais esperar pelo acúmulo de cargos vagos para abrir um concurso, reduzindo assim a necessidade de contar com professores temporários por mais tempo e em maior quantidade que o necessário. Ao mesmo tempo, as secretarias economizam nos altos custos necessários para formular e aplicar um exame (ou contratar uma empresa que possa fazê-lo) e têm a garantia de que estarão fazendo parte de uma prova que, de fato, pretende selecionar os melhores candidatos para a docência.
A formulação do exame para chegar aos melhores candidatos está sendo baseada em uma lista formulada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a partir de estudos acadêmicos sobre o currículo nacional e de experiências de países não só com os melhores índices em avaliações internacionais, mas que passaram por um debate nacional para formular um padrão de bons docentes, como é o caso do Chile. Também foram analisados documentos como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e diversos outros materiais e manuais. A equipe do Inep também realizou reuniões com especialistas, representantes de classe, professores e diretores – alguns vindos de escolas que obtiveram os melhores resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Além disso, até julho o documento com os referenciais estava aberto para consulta pública no site do instituto.
“A nossa proposta foi chegar a fatores que poderiam indicar um bom professor por meio de um exame escrito”, diz Gabriela Moriconi, coordenadora-geral de Instrumentos e Medidas Educacionais do Inep. A ideia do exame surgiu de uma demanda de estados e municípios que não conseguiam estabelecer métodos para contratação e mesmo avaliação dos quadros docentes, e acumulam vagas ocupadas por professores temporários. Com o novo método, diz, será possível abrir um edital para preencher cinco ou seis vagas, por exemplo. A primeira portaria foi encaminhada em maio de 2009 e desde então está sendo analisada e remodelada para chegar ao que Gabriela chama de “nível de detalhe”, ou seja, a matriz final para a formulação do banco de questões do exame.
Estratégias em aberto
O documento com os referenciais divulgado pelo Inep para a consulta pública aponta para a definição de padrões que proporcionem “um marco para orientar as políticas de seleção, formação, avaliação e desenvolvimento na carreira do magistério”. Esses padrões, baseados em sistemas internacionais, também devem ressaltar a importância do professor como alguém que precisa ter conhecimentos e habilidades específicas, que “não podem ser substituídos por mera boa vontade ou pelo desejo de trabalhar com crianças”. “São fatores comuns (para um bom professor) mesmo em sistemas de ensino tão distintos”, afirma Gabriela. O Inep consultou os padrões dos seguintes países, além do Chile: Austrália, Canadá, Cingapura, Cuba, Estados Unidos e Inglaterra, a partir dos quais chegou a uma lista de 20 características que compõem o perfil do bom professor.
Entre elas, destacam-se fatores básicos, como o domínio do conteúdo e o conhecimento sobre o sistema educacional, e também habilidades mais amplas, como o uso de métodos que promovam o desenvolvimento do pensamento no aluno e a comunicação com os pais. O Inep reconhece as limitações da prova escrita e prevê que, se necessário, as secretarias podem utilizar a nota do exame para complementar outros processos seletivos, como análise de currículo, entrevista e prova prática.
O Inep também não pretende direcionar o conteúdo da prova de maneira que algum método de alfabetização ou linha de ensino em particular sejam privilegiados. “Os professores devem conhecer os vários métodos e as várias abordagens, mas não é atribuição do Inep escolher qual é o melhor”, afirma.
Para a pesquisadora Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, essa é a postura que deve ser seguida. “A matriz deve ser ampla e abordar fundamentos. Deve ser bem eclética e não pode privilegiar apenas um olhar. Não temos nada na pesquisa educacional que mostre que um caminho é melhor que o outro. O bom professor deve ter várias alternativas, pois cada classe exige estratégias diferentes”, ressalta.
Na opinião de Flávia Medeiros Sarti, do Departamento de Educação da Unesp de Rio Claro, o exame não poderia ter a função de direcionar o método de trabalho. “Na história da pedagogia há uma obsessão recorrente por um método universal”, diz. Apesar disso, a experiência tem mostrado que o ensino mais eficiente deve partir de uma atividade de criação própria, forjada a partir do conhecimento da história e das diferentes possibilidades disponíveis. “O professor deve ter uma relação especial com o outro e com o conteúdo, para que ele crie seu trabalho. O ensino é uma atividade criativa”, afirma.
Exigências superficiais
Por enquanto, a experiência brasileira mostra que esses padrões desejados ainda pertencem ao campo das ideias. Um estudo da própria Fundação Carlos Chagas, publicado em março de 2009, mostra que os concursos públicos para contratação de professores no país buscam, em grande parte, verificar o conhecimento do candidato a respeito do funcionamento dos sistemas educacionais e da legislação – e pouco ou quase nada sobre as práticas docentes. O estudo “Formação de professores para o Ensino Fundamental: estudo de currículos das licenciaturas em pedagogia, língua portuguesa, matemática e ciências biológicas”, organizado por Bernadete Gatti e pela pesquisadora Marina Muniz Rossa Nunes, analisou 35 editais de concursos públicos (14 estaduais e 21 municipais), divulgados entre 2002 e 2008, de todas as regiões brasileiras.
Uma das conclusões do estudo é a de que exigência de domínio do conteúdo se concentra em algumas questões básicas de língua portuguesa, como gramática e interpretação de texto, mas pouco se exige de conteúdo de matemática. Já em relação às “didáticas específicas” e às “metodologias de ensino”, pouco é exigido. “As questões classificadas nessas categorias aparecem em quase todos os concursos, porém são poucas e não pesam na distribuição das provas”, aponta o estudo. Ainda assim, quando surgem, são superficiais e não contemplam a relação entre teoria e prática. “(…) o comum são as questões se aterem a uma teorização totalmente descolada de significado mais concreto, referindo-se a um jargão ou nomenclatura específica, que pouco traduzem o que o candidato sabe sobre como ou por que trabalhar com as crianças e os conteúdos com esses fundamentos”, aponta o texto.
Diante dessas conclusões, o consenso entre Inep e especialistas aponta para um processo seletivo capaz de detectar o quanto o futuro professor é capaz de aproximar o conhecimento teórico ao cotidiano da sala de aula. Para a pesquisadora Anna Helena Altenfelder, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a atividade docente pressupõe um professor que, em primeiro lugar, saiba planejar e, em seguida, seja capaz de pensar estratégias para organizar a situação de aprendizagem. “O conhecimento teórico permite ter clareza. O professor precisa saber qual método usar em cada situação, lançar mão da observação para fazer mudanças, levar em conta aspectos sociais e afetivos”, ressalta.
A prova escrita também deve ser capaz de identificar a desejada capacidade criativa do professor, uma habilidade necessária para lidar com realidades tão distintas como as presentes nas escolas brasileiras. Para Flávia Sarti, da Unesp, o exame tem méritos ao regulamentar as bases da seleção do professor, mas a discussão deve levar em conta a falta de estrutura de algumas escolas ou redes para que essas práticas sejam aplicadas. “Quando falamos em um perfil nacional, me incomoda saber que é um perfil único para um país tão grande e heterogêneo. O mesmo perfil vale tanto para uma escola da cidade de São Paulo quanto para uma do interior do Piauí? E mesmo dentro de uma cidade temos realidades diferentes”, afirma. Para a professora, a prova escrita poderá, sim, ser “muito interessante”, mas como complemento ao processo de seleção.
Anna Helena concorda que o exame não pode ser um instrumento único para tentar melhorar o nível dos professores e do ensino como um todo, embora seja importante deixar claro quais são os parâmetros desejados para ingressar na carreira e sirva como subsídio para a aplicação de outras políticas. “Como medida isolada, é inócuo. Só será válido se estiver atrelado ao direito de uma escola de qualidade”, diz.
Cobrança de conteúdo
Os temas apresentados como referenciais pelo Inep também procuram dar ênfase ao domínio de conteúdos específicos e das práticas de ensino, algo que costuma ser pouco explorado pelos concursos públicos. Como consequência imediata, quem tem a tarefa de ensinar língua portuguesa, matemática, história, ciências, também não é capaz de compreender os conteúdos dessas disciplinas de maneira satisfatória. “A atividade docente consiste em saber o que ensinar e como ensinar, as duas dimensões integradas”, afirma Anna Helena, que acredita haver um problema sério de desconhecimento do conteúdo entre os professores das séries iniciais. Para Flávia Sarti, essa é uma defasagem decorrente da própria formação básica do professor, o que configura um círculo vicioso perverso. “Tentamos assegurar que esses professores dominem o conteúdo, mas a relação também deve ser diferente. O ensino pressupõe uma compreensão ‘para além’ de apenas saber o
conteúdo”, aponta.
No caso dos professores polivalentes, responsáveis pelos primeiros anos do ensino fundamental, as lacunas aparecem de maneira ainda mais crítica – e o curso de pedagogia, na grande maioria das vezes, não consegue recuperar esse tempo perdido. De acordo com Marisa Garcia, que dá aulas nos cursos de graduação e pós-graduação do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, seria o cenário ideal se a universidade conseguisse dar conta de reforçar a formação inicial dos alunos, mas não há nem tempo previsto para esse fim nos currículos. “Precisamos, antes de tudo, de uma política educacional que dê conta da formação básica. Vejo como uma saída as instituições de ensino superior oferecerem cursos de extensão para preencher essas lacunas na formação”, diz.
No caso específico da educação infantil, identificar habilidades e o conhecimento dos conteúdos parece ser uma tarefa ainda mais delicada. Maria Angela Barbato Carneiro, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especialista na área, acredita que o candidato a docente precisa ter um perfil de observador atento do universo das crianças, além de saber estimular a criatividade e impor limites. “Na prática, existe um preconceito contra o professor de educação infantil. A brincadeira é extremamente importante para o desenvolvimento e a socialização, e as situações precisam ser planejadas para cada etapa”, explica.
Repensar a formação
A criação do exame deve, em médio e longo prazo, provocar um impacto na formação de professores  e, acredita-se, essa mudança será para melhor se for baseada em uma matriz referencial amplamente discutida e aceita. “(O exame) precisa medir esses conhecimentos, mas também deve oferecer subsídios para pensar a própria escola”, afirma Anna Helena, do Cenpec. Em princípio, a pesquisadora Bernadete Gatti tinha dúvidas sobre a implantação da prova. Ela tinha receio de que os cursos de formação de professores pudessem se transformar em “cursinhos” para a prova, em vez de melhorar as práticas e os currículos. “A grande lacuna na formação se refere a questões ligadas a práticas pedagógicas e seus fundamentos. O professor não tem repertório que lhe permita planejar aulas, escolher métodos, selecionar livros didáticos”, afirma.
Flávia Sarti espera que os cursos comecem a se reestruturar em função das diretrizes, principalmente em relação às demandas que a cada dia surgem no cotidiano da sala de aula. “A nossa experiência mostra professores muito angustiados com a quantidade de tarefas que têm para dar conta. Há uma inflação de projetos que chegam à escola sem que isso esteja planejado e as demandas ultrapassam o que se concebe como função docente”, relata. Para ela, tão importante quanto selecionar bem seria criar dispositivos de auxílio à iniciação na carreira, como o acompanhamento de tutores. “É uma questão de dar início à cultura escolar, ter próximo alguém experiente para discutir, tirar dúvidas, procurar caminhos”, sugere.
A distância entre a formação nas instituições e a realidade escolar também pode ser diminuída com uma atenção maior aos estágios, de preferência na rede pública, e o acompanhamento de professores na sala de aula. “A formação precisa contemplar uma dimensão prática”, afirma Marisa, do ISE Vera Cruz. Um exame que esteja atento a essa visão pode ser mais interessante para a carreira docente. “Sabemos o quanto é importante a história da educação, a sociologia, mas essas disciplinas precisam conversar com o dia a dia das aulas e mesmo entre elas”, ressalta.
Pensando nas próximas gerações
Maria Angela, da PUC-SP, espera que o exame possa trazer contribuições para valorizar a profissão, especialmente se a prova for pensada em conjunto com uma formação continuada, inclusive com a utilização da tecnologia, como o uso de cursos a distância ou semipresenciais. “Investir em educação significa investir em tudo: qualificação, remuneração, infraestrutura. O professor é a peça mais importante nesse processo e as políticas públicas devem pensar nele tanto para melhoria profissional quanto pessoal”, defende.
Ao longo de 2011, quando os primeiros professores selecionados por meio do exame começarem a trabalhar na prática e a relatar suas experiências, será possível começar a medir o quanto a preocupação ampla e articulada com a carreira docente pode trazer de boas notícias para as próximas gerações. Não só de alunos, mas também de professores.

Gestão estratégica e fundamental 
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha Dirigida, 19/08/2010 - Rio de Janeiro RJ
Administrar uma escola implica em lidar com uma série de variáveis, entre as quais, estão as condições de infraestrutura física, a motivação dos profissionais, a interferência ou participação dos pais, o comportamento dos alunos. A forma como o diretor ou gestor lida com estes e outros fatores tem impacto decisivo no sucesso escolar e, até por isto, tem sido, de forma cada vez mais frequente, foco de estudos e pesquisas como a da professora Débora Dias  Gomes, que, este ano, lançou o livro MBA Educação - Gestão Estratégica na Escola que Aprende. A obra tem como proposta apresentar práticas que podem aperfeiçoar a gestão administrativa e pedagógica de instituições de ensino. Nesta entrevista, ela não só fala destas estratégias como, explica até que ponto administrar uma escola pode se aproximar do gerenciamento de uma empresa, analisa os desafios da gestão em escolas públicas e privadas e,  ainda, salienta as limitações das avaliações de desempenho existentes. "O excesso de provas externas e todos os rituais que as acompanham, como revisões, treinos e simulados podem transformar as salas de aulas em meros ´cursos preparatórios´ para as avaliações externas", diz Débora Dias, que também é diretora da Esil Educacional e de cursos de MBA da DDG Consultoria, além de pedagoga e mestre em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ. 
FOLHA DIRIGIDA - Gerenciar uma escola é como administrar uma empresa?
Débora Dias Gomes - Não, se pensarmos em ações estratégicas, mas sim, se pensarmos na aplicação dos princípios de gestão. O que posso afirmar é que os princípios e fundamentos da Administração são os mesmos para qualquer atividade, inclusive e principalmente, uma instituição de ensino. No entanto precisaremos pensar sobre o que é administrar. Esta é uma área do conhecimento que tem sofrido muitas alterações ao longo dos tempos. A administração tornou-se a principal função social que uma organização precisa assumir. Quando ouvimos a expressão "administração de empresas", devemos recordar que é pelo simples fato de que a Administração emergiu pela primeira vez em empresas não-educacionais de grande porte e muito mais ligadas as questões industriais. Mas o tempo mostrou que a administração é necessária em qualquer instância que necessite de planejamento e implementação de ações de melhorias. Então o primeiro passo é nivelar a nossa percepção sobre o conceito dessa ciência. Certa ocasião, fui convidada para fechar a "semana do administrador" em uma universidade do Rio. Então iniciei a minha palestra perguntando para a plateia de jovens e futuros administradores, o que seria administrar para eles. - Um estudante gritou lá do final do auditório: "É liderar!". Mais à frente, um jovem disse com muito entusiasmo: "Administrar é ter uma missão, planejar, organizar, controlar e assinar embaixo". Aquele jovem me fez refletir sobre o quanto é difícil administrar assinando em baixo, ou seja, assumindo responsabilidade pelos êxitos e fracassos de uma decisão. Esse é o maior desafio da gestão - a tomada de decisão. Elas trazem riscos, pois existem variáveis incontroláveis. É importante lembrar que as decisões consistem em vantagens e desvantagens. Estamos sempre no campo das incertezas. Será preciso em cada processo decisório identificar as desvantagens para neutralizá-las e as vantagens para potencializá-las. E isso não é fácil para nenhum gestor. Mas tomar decisão é pré-requisito para uma escola de qualidade.
Quais as principais diferenças e semelhanças?
Se pensarmos nas semelhanças entre a gestão de uma escola ou de qualquer outra empresa, concluiremos que, qualquer tipo de organização precisa planejar e executar o que foi planejado por meio de pessoas preparadas. Como também acompanhar a execução desenvolvendo a "cultura de dados" e registros confiáveis, que, se bem organizados, tornam-se base de dados (e não um "bando de dados") para decisões importantes visando o futuro da organização. De posse da base de dados, checar, ou seja, analisar os dados e fatos registrados, refletindo sobre os resultados obtidos nesse processo de avaliação institucional. A partir dessa análise, partir para a última etapa do ciclo constante da administração que é a ação. Colocar a organização em constante processo de melhorias e inovações. Isso é qualidade. Enfim, os esforços administrativos são os mesmos: planejar, desenvolver, controlar e agir. Trata-se de verbos de ação que fazem a dinâmica das organizações. Mas a principal diferença sempre estará no "o que" constará num planejamento para se colocar em prática. A essência de cada atividade é que precisa ser respeitada na hora de elaborar o seu Plano de Desenvolvimento Escolar – PDE. Um planejamento não deve ser elaborado para uma instituição e sim pela própria comunidade envolvida, respeitando a cultura, o cenário, a realidade de cada uma. É exatamente por isso que o que precede qualquer planejamento é o diagnóstico. Devemos começar qualquer tipo de posicionamento estratégico a partir da avaliação das variáveis do cenário externo e interno de cada instituição. Administração é uma função genérica para qualquer tipo de atividade, independente de sua missão específica. Podemos aplicar os mesmos princípios e conceitos de gestão, numa vida, uma carreira, uma igreja, um clube, uma família, uma comunidade, um açougue, uma farmácia, uma creche ou uma universidade.
Os mesmos princípios de gestão podem se aplicados na rede pública e na rede privada?
Repito, os princípios e fundamentos são os mesmos, no entanto, os desafios da gestão escolar são diferentes nos dois setores. Tanto a rede pública como a rede privada sofrem interferências das variáveis do ambiente externo. Porém ambas fazem parte do Sistema Educacional Brasileiro. Os aspectos políticos, legais, econômicos, sociais, culturais, demográficos e tecnológicos, geram oportunidades e ameaças para a escola pública e privada. Como também, as variáveis internas do tipo: estrutura, orçamento, pessoas, relacionamento com a comunidade, comunicação interna, entre outras, resultam em forças ou fraquezas. Tudo isso precisa ser analisado nos dois setores.
Quais os principais desafios na rede privada?
Muitos vêem como uma vantagem da gestão da escola particular a suposta autonomia na tomada de decisão quanto aos seus modelos de gestão e o cotidiano. O que não significa que tenha qualidade em suas estratégias gerenciais ou tomem as melhores decisões. Estamos falando de algo complexo e sistêmico. A rede privada enfrenta, nesse momento, grandes desafios para a sustentabilidade de suas diversificadas realidades. As escolas de pequeno porte estão sendo esmagadas pela crise econômica, crise de valores, ausência de políticas públicas, altos impostos e a triste questão da inadimplência. As grandes escolas também são impactadas por tais fatores, no entanto, possuem maiores recursos para a sobrevivência. Não basta ter um projeto pedagógico de qualidade, será preciso diversificar as atividades, otimizar suas estruturas, capacitar e mobilizar as suas pessoas para mudanças visando superar a crise. Só não pode deixar a crise virar um drama. Quando tudo vira drama é porque o sonho acabou. A crise pode ser interpretada como ameaça ou oportunidade. O desafio é vencê-la com criatividade gerencial.
E na rede pública?
A rede pública enfrenta outros tipos de crises e tensões: a crise de identidade, a crise social, os valores invertidos, mas principalmente a crise política, visto que no Brasil, ainda perdemos muito tempo com recomeços. É muito comum um novo governo descontinuar o que foi feito numa gestão anterior caso ela não tenha sido do mesmo partido. Então os sistemas de ensino são disputados por propostas políticas com diferentes concepções de educação. Embora tenhamos parâmetros curriculares nacionais e uma LDB que nos direcione para uma pedagogia progressista, muitos municípios e estados rompem e com esse valor e decidem por uma prática conteudista. Nesse cenário os gestores, professores e funcionários das escolas públicas estão sempre em mudança de rota. Precisam de muita resiliência para adaptarem-se aos novos padrões gerenciais de cada período político, negando, muitas vezes as suas próprias concepções científicas sobre aprendizagem e sucesso escolar. Isso tudo é no mínimo, questionável. Penso que um modelo de gestão pela qualidade na educação precisa buscar o aprimoramento contínuo e as inovações administrativas e pedagógicas. Ambos são frutos de ciclos de aprendizagem institucional e não rupturas constantes. Tivemos grandes avanços no acesso à escola pública. Não faltam escolas, mas no momento em que o acesso é ampliado, aumentam os obstáculos gerenciais e corremos o risco de perder o foco do que é essencial na educação: o direito do aluno aprender a aprender.
Qual o impacto da gestão para o sucesso escolar?
O sucesso escolar depende do quanto a gestão educacional será capaz de garantir um processo educativo coerente com o mundo em mudanças. A escola precisa construir coletivamente um Projeto Pedagógico que saiba trabalhar com as diferenças e que garanta a aprendizagem significativa de seus alunos. Enfim, um Ensino por Competências numa Pedagogia Diferenciada. É difícil prever em detalhes o mundo que está emergindo. Mas acredito que podemos desenvolver em cada um de nossos alunos o estar preparado para mudanças sempre. Assim estarão aptos para captar com alto grau de probabilidade quais as novas questões que surgirão. Da mesma forma que exercitaremos as possibilidades de desenhar a escola do futuro, eles desenharão suas possibilidades futuras. Assim, o primeiro desafio gerencial deverá ser o posicionamento filosófico da escola. Ela deve se perguntar: Que tipo de ser humano sairá do nosso laboratório de aprendizagem?
Além disto, o que mais é necessário?
Por mais que a escola tenha desenhado um lindo perfil de aluno, ela deverá pensar como desenvolvê-lo em sala de aula. Nesse momento ela terá que estudar e decidir por uma base epistemológica. Qual será a sua concepção sobre a construção do conhecimento humano? Como ele aprende? O que os neurocientistas nos apresentam? Não basta entendermos o que o aluno tem que aprender. É preciso saber como ele aprende. A Didática centrada nos processos de pensamento garante uma prática docente que combina a apresentação dos conteúdos curriculares com a construção do conhecimento por meio da interação entre docente, discente e conteúdos. A partir desse posicionamento científico, a escola precisa organizar o seu espaço didático-pedagógico. O sucesso escolar depende da Gestão da Qualidade na organização do tempo e espaço do seu cotidiano para atender os posicionamentos acima. Depende da capacidade gerencial de utilizar coordenadamente os recursos e tecnologia existentes, ter um olhar estratégico para a gestão de pessoas, organizar os métodos, processos e procedimentos. Tudo isso, por meio de um efetivo ambiente de aprendizagem individual, coletiva e institucional. A Gestão é o processo de organizar a atividade meio (administrativa) para apoiar a atividade fim (pedagógica) e manter-se conectada com o futuro. Esse é o nosso desafio: transformar o fracasso escolar em sucesso escolar a partir do direito de todos à uma aprendizagem significativa em nossas salas de aulas. Esse é um compromisso social que precisa ser assumido por qualquer modelo de gestão educacional.
Em seu livro MBA Educação-Gestão Estratégica na Escola que Aprende, a senhora apresenta práticas de excelência de gestão administrativa e pedagógica que podem ser adotadas por escolas de qualquer tipo e tamanho. Quais as principais?
O meu livro é uma compilação de estudos e pesquisas que realizei entre 1993 e 2000 e que sofreu uma releitura entre 2005 a 2009. Tive necessidade de compartilhar com outros gestores educacionais, um exercício pessoal de compreensão dos principais focos de gestão que uma escola precisa ter. Busquei responder as seguintes perguntas: Como administrar a escola em tempos de mudanças? Quais são as funções da gestão educacional? O que significa gerenciar estrategicamente uma escola? Como implementar uma Escola que Aprende? O resultado das pesquisas na busca de respostas estão organizados em 10 capítulos, é como se fossem fascículos de uma coleção com o tema central na Gestão Estratégica para as instituições de ensino.
A senhora poderia citar algumas das práticas de excelência na gestão que trabalha em seu livro?
Ao longo do livro eu apresento o que considero práticas de excelência na gestão pela qualidade na educação. São elas: gerenciar mudanças com o foco na globalização, no empoderamento (Gestão participativa) e na otimização de tempo e recursos visando garantir a função social da escola; identificar a visão de futuro da escola a partir do mapeamento de tendências geradas por macrovariáveis que trazem cenários futuros e perceber os seus impactos na educação; compreender o aluno como a razão de existir da escola, criando estratégias de relacionamento e comunicação para entender e atender as suas necessidades, expectativas e desejos; planejar e implementar um sistema de avaliação institucional visando um olhar sistêmico, mapeando todos os elementos que fazem parte do ambiente externo e interno para medir o desempenho da escola nas dimensões organizacionais, dos processos administrativos e pedagógicos e do desempenho das pessoas; desenvolver o posicionamento estratégico por meio de um Plano de Desenvolvimento da Escola, utilizando a metodologia de planejamento estratégico; Elaborar uma política interna de Gestão de Pessoas cuidando da motivação, da educação continuada e do ambiente de trabalho para obtenção da gestão participativa num clima de bem estar e satisfação pessoal; Cuidar da cultura corporativa por meio de um ambiente de aprendizagem institucional, fazendo, assim a Escola que Aprende.
As avaliações externas como Enem e Provinha Brasil são eficientes para aferir a qualidade da escola e da aprendizagem dos alunos? Por quê?
Não creio nisso. As avaliações externas sozinhas não são suficientes para aferir nem a qualidade da escola e nem o índice real da aprendizagem dos alunos. Há que se ter um sistema integrado de gestão da avaliação educacional contemplando resultados de mais duas dimensões. Uma delas é a das avaliações institucionais, que proporcionam constante monitoramento interno dos critérios e requisitos de gestão que mede da sala de aula aos grandes esforços gerenciais, mede a qualidade da gestão pedagógica e institucional. Trata-se de um diagnóstico situacional. (Abordo esse tema no capítulo 6 do livro). A outra dimensão é a das avaliações de aprendizagem, que permitem acompanhar o desempenho dos alunos por meio do sistema de avaliação formativa, com múltiplos instrumentos e avaliadores, com um olhar interdisciplinar e foco em competências e habilidades nas múltiplas inteligências. Não basta apenas a análise de dados do desempenho dos alunos nos conteúdos de português e matemática e dados dos professores coletados em questionários.
Qual é o papel das avaliações padronizadas de larga escala?
Luiz Carlos de Freitas, no livro: Avaliação Educacional – Caminhando pela contramão, afirma que a avaliação externa ou de larga escala "é um instrumento de acompanhamento global das redes de ensino com o objetivo de traçar séries históricas do desempenho dos sistemas, que permitam verificar tendências ao longo do tempo, com a finalidade de reorientar políticas públicas". Penso que para que esse objetivo seja alcançado, ainda precisamos caminhar muitas milhas. Como também precisamos entender que esse não pode ser o único foco de avaliação da aprendizagem dos alunos. Costumo pensar que "quando toda ferramenta que temos é um martelo, todo problema vira prego". Enfim, não podemos utilizar apenas uma ferramenta de medição.
Qual a utilidade destas avaliações?
Avaliações padronizadas dão uma fotografia instantânea do desempenho. Elas são úteis como informação parcial, por isso não devem ser usadas para recompensas e punições ou julgamentos precipitados. A mídia tem nos mostrado que a avaliação externa, em suas múltiplas dimensões, tem ocupado um grande espaço de discussão internacional (com o Pisa), nacional (com o Saeb, Prova Brasil, Enem), e ainda, algumas regionais como o Ide-Rio, por exemplo. Por sua vez, a comunidade científica discute as diferentes possibilidades de transformar esse movimento em algo realmente efetivo para a melhoria da qualidade da escola impedindo que se caracterize pelo ranqueamento entre escolas ou pela "caça aos culpados". Nos últimos dias, li uma notícia que me impactou muito. Trata-se da fala de Diane Ravitch (Secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação na administração de George Bush, e foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em medição e mérito, para melhorar a educação). A frase é a seguinte: "Nota mais alta não é educação melhor". Ao ser perguntada sobre o porquê de seu novo posicionamento quanto a reforma educacional americana, que serviu de inspiração para outros países, inclusive o Brasil, ela afirmou que o erro foi que, aquele sistema, acabou formando apenas "alunos treinados para fazer provas".
Existe o risco de acontecer isto no Brasil?
O excesso de provas externas e todos os rituais que as acompanham, como revisões, treinos e simulados podem transformar as salas de aulas em meros "cursos preparatórios" para as avaliações externas, e essa não é a função social da escola. Precisamos avançar nesse debate, lembrar que o objetivo deve ser sempre melhorar a educação e não simplesmente aumentar as pontuações em cada aplicação das provas. Precisaremos de um futuro com jovens cidadãos que estudaram história, ciência, geografia, literatura, artes, música, idiomas, educação física, ética, além de matemática e língua portuguesa. Eu me pergunto onde fica a inclusão escolar nisso tudo. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que é uma boa educação. E é muito mais que saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar com as necessidades dos estudantes, para que eles aprendam de forma significativa respeitando as diferenças de cada um.
Hoje em dia, qual o perfil, em linhas gerais, do diretor de escola? Este perfil está atrasado no tempo?
A primeira questão é identificar o que um diretor de uma instituição de ensino faz? Na verdade, são pessoas com a responsabilidade de orientar o trabalho de outros e "cujo trabalho" é fazer com que outros trabalhem com excelência na organização do espaço e do tempo do cotidiano escolar. É Guardião dos valores e princípios da organização e das políticas que deles decorrem, atualizando-se com relação aos mesmos, estudando-os de forma a entendê-los perfeitamente e explicando-os para sua equipe de trabalho, garantindo desempenhos e resultados coerentes com eles. Posso citar algumas características fundamentais para o perfil desse líder: Ensina o que é. É o que ensina. Enfim, serve de EXEMPLO. Gosta de aprender, aprende com o erro e ensina a prevenção dos mesmos. É servidor e gosta de gente. Tem seguidores. Tem visão sistêmica, visão de futuro. É estrategista. Tem persistência e constância de propósito.
Que tipo de habilidades e conhecimentos faltam aos diretores de escolas, tanto no setor público como no privado?
Na verdade, já encontramos diretores tanto no setor pú blico como no privado com conhecimentos em gestão e exercendo um padrão de liderança ético e eficaz. Mas o contrário também existe. Posso citar algumas habilidades que considero essenciais para um diretor efetivo: PLANEJAMENTO - Gestor que investe em planejamento evita ser escravo da burocracia e diminui os incêndios da rotina escolar. O gestor educacional precisa facilitar o processo de elaboração do Plano de Desenvolvimento Escolar-PDE e do Projeto Pedagógico de maneira participativa. ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO - Classificar as atividades, separando as que são fundamentais (e que só ele pode fazer) das que podem ser delegadas, é um caminho para ajudar a hierarquizar a agenda. DESENVOLVER PESSOAS - Dirigindo, orientando, apoiando, avaliando o desempenho delas, dando feedbacks, sugerindo alternativas de cursos, leituras, propiciando desafios no trabalho que exijam desenvolvimento de conhecimentos e habilidades, visando atingir os objetivos da organização e o crescimento/satisfação pessoal/profissional de sua equipe de trabalho. AGENTE DE MUDANÇAS - Acelerando processos de mudanças planejadas, através de ações que propiciem a implementação de novos sistemas/processos/procedimentos e nas que lhe são correlatas e entendendo a mudança como oportunidade e não como ameaça. COMUNICAÇÃO EFETIVA - Passando informações institucionais para a equipe desenvolver visão sistêmica, relacionando-se com a comunidade e os pais, cuidando para que as informações permitam fluidez nos processos inter-áreas, fazendo com que fluam sem ruídos. Incentivando a comunicação direta e informal e a troca de experiência em sua equipe. Fala com as pessoas e não das pessoas. NEGOCIADOR - Buscando soluções alternativas, tomando decisões onde sejam satisfeitos interesses das partes e do todo, nivelando percepções e promovendo o consenso.
Muito também se fala da importância da participação dos profissionais no processo de gestão. Mas, este tipo de participação realmente funciona? Até onde pode ir esta abertura de espaço?
Onde existe um problema existe um potencial de melhoria. E esse potencial está nas pessoas. Toda solução está perto da ação. A cultura da participação alavanca o sucesso e a velocidade na resolução de problemas. Quem vive o problema precisa participar da solução. Na verdade, quem é parte do problema precisa fazer parte da solução. Aliás, isso me faz lembrar o significado da própria palavra ADMINISTRAÇÃO. AD = Adição + MINISTR = MINISTRO (que por sua vez significa servir), o líder servidor + AÇÃO. A palavra em si já carrega o sentido da participação. Todos que fazem parte da escola devem comprometer-se com os resultados do aprendizado do aluno e os resultados institucionais. Há que se ter compromisso pessoal com o trabalho coletivo. As pessoas devem trabalhar de forma coletiva para explicitar e definir, de modo consensual, os valores, objetivos, prioridades, e a realidade em questão. Não é uma questão de abertura e sim de tornar ágil e eficiente o trabalho escolar. É também uma questão legal. A Lei de Diretrizes e Bases da educação – LDB determina que a construção do Projeto Pedagógico Institucional seja participativo e democrático. Não é fácil mobilizar as pessoas para a participação nas mudanças e melhorias. Mudança gera problemas e nem sempre as pessoas querem vivenciar os incêndios. Aliás eu já ouvi que num incêndio "é melhor ter ausência de corpo do que presença de espírito". Então precisaremos tirar as pessoas da zona de conforto . É preciso participar para compreender o sentido das coisas. Como um verdadeiro bombeiro, enfrentar os problemas com presença de espírito. A participação é um exercício de cidadania. Precisamos definir as representatividades do sistema escolar, ouvi-los e fazer com que participem da identificação, da análise e das soluções de problemas. Escola boa não se faz por decreto, mas pela vontade coletiva de seus atores. A Qualidade da escola não deve ser somente assunto de governo, mas de todos. O governo pode decidir se equação do segundo grau entra no currículo ou se Camões sai. Mas o governo não pode criar escolas boas sem a participação da comunidade local.
A motivação é fundamental para o bom trabalho na escola. Porém, são constantes as reclamações de professores e profissionais com relação a salários e condições de trabalho, problemas que, muitas vezes, o diretor não tem como resolver. Como administrar isto?
Somente salário e condições de trabalho não garantem compromisso social por parte dos atores da escola. Infelizmente, encontramos dentro de nossas organizações, pelo menos uma pessoa muito engajada no processo de sofrer e enlouquecer vagarosamente. Sucesso tem que puxar sucesso! Infelizmente, o mau humor é contagiante. Há que se ter estratégia para cuidar da alma da escola e gerar o bom-humor. Eu me pergunto: Quanto custa um professor desmotivado? O testemunho de vida, a maneira de ser, de falar, de se relacionar com os outros, de passar o sentimento sobre o significado do trabalho. Creio que, o nível de motivação para o trabalho é que rege o produto final da comunicação entre professor e aluno. O aluno aprende o que o professor é. Nossos filhos e alunos absorvem lenta e cumulativamente o nosso exemplo. Especialistas afirmam que o mais persuasivo ensino moral que os adultos podem dar é pelo exemplo. O pensador Ralph Waldo Emerson, há 150 anos, em seu ensaio "American Scholar", afirmou que "o caráter é superior ao intelecto". Dizia ele já naquela época que uma ética deveria ser estabelecida. A verdade vale muito mais do que qualquer mentira bem elaborada. O ambiente de trabalho e estudo precisa refletir a atmosfera que desejamos criar. Trata-se de uma simples escolha. As pessoas devem encarar o trabalho como sofrimento ou como realização pessoal? Esse é o desafio: dignificar o conceito de trabalho. É possível construir ambientes de trabalho dignos da fabulosa complexidade humana. A sociedade do conhecimento nos conclama, como líderes educacionais, a desvendarmos os mistérios cerebrais e emocionais do ser humano. Estamos falando de estabelecer em nossas instituições um "novo conceito de trabalho". Uma cultura corporativa onde a Política de Gestão de Pessoas não seja mero documento administrativo e burocrático. O fator humano precisa ser meta estratégica nas Instituições de Ensino. Eu não estou falando em construir ambientes paternalistas. Uma escola boa para se trabalhar tem como principais características um ambiente transparente e humano. Um lugar onde todos os problemas são problemas de todos e todos assumem o compromisso com os resultados em todos os níveis.
Como é possível inovar na gestão escolar?
Inovação depende do quanto a escola está conectada com o futuro e com os avanços tecnológicos e científicos. A gestão escolar inovadora será aquela que conseguir enxergar aquilo que parece impossível para a maioria, acredita no que vê, rompe paradigmas com fé sincera e planejamento responsável. A verdade é que os incêndios do dia a dia nos impede de pensar o futuro. Precisamos forçar tal exercício, pois antecipar o futuro é uma necessidade humana. Peter Drucker dizia que "a melhor forma de prever o futuro é criá-lo". Penso que isso é que vai alavancar inovações administrativas e pedagógicas nas escolas. Mas a inovação depende de ideias, e elas estão na cabeça das pessoas. Por meio de boas ideias que melhoramos a nossa performance. Bastando para tal, "convocar vontades" nos protagonistas locais fazendo com que aprendam a pedagogia dos sonhos. Para onde ir? Como estaremos em 2020? Como serão as crianças dessa década? Que estrutura a escola terá? Como será a sala de aula? E a minha profissão, qual será o perfil exigido? À medida que a ciência se move por meio de inventos tecnológicos e cada descoberta sugere um conjunto de passos subsequentes, o mundo vai tomando novos ritmos e rumos. Qualquer previsão sobre o futuro deve considerar a instabilidade gerada pela relação da humanidade com as inovações da ciência e da tecnologia. Então a grande inovação da escola precisa começar na sala de aula, no fazer pedagógico. Precisamos oferecer a uma sociedade baseada em conhecimento, um processo de aprendizagem que os transformem em trabalhadores intelectuais. Àqueles que farão futuro acontecer. 

Grã-bretanha - Alunos mais novos têm piores notas, diz estudo
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 23/08/2010 às 09:43 hs. 
Um levantamento do governo britânico mostrou que a cada ano 10 mil adolescentes não conseguem ser aprovados no exame GCSEs (uma espécie de Enem, mas que reprova quem vai mal) simplesmente porque são novos demais.
Na média, os estudantes nascidos no último mês letivo - no caso, agosto - têm desempenho menor que seus colegas mais velhos durante toda a vida acadêmica. Anualmente são aprovados 100 mil alunos nascidos em setembro e apenas 90 mil aniversariantes do mês de agosto.
Segundo especialistas, ao entrar na escola mais cedo, a criança tem menos tempo para se desenvolver intelectualmente. O governo disse que vai levar em conta o estudo para novas políticas na área. 
Fonte: O Estado de São Paulo