
23/08/2010 AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por
meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor
educacional às instituições associadas.
Esclarecemos que as matérias
veiculadas não representam, necessariamente, a opinião da Associação.
Caso não queira mais recebê-lo
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REMOVER.
Em breve será implantado
diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade
na pesquisa
Inscrições para exame de ordem começam hoje
Nova resolução de conselho barra biólogo formado à distância
Ministério da Justiça divulga diretrizes
que traduzem direitos do Código de Defesa do Consumidor pela
internet
ProUni não garante meta de jovens na universidade
Governo contesta TCU e diz que meta vai ser alcançada
Lula diz que investimento em educação mudou paradigma da desigualdade no país
Panorama do Ensino Técnico
Pacto pela educação capacitaria o País
Representatividade do quinto constitucional no TJ/SC é questionada pela OAB e Ministério Público
Especialistas apontam as carreiras mais e as menos promissoras
Micro e pequenas instituições de ensino superior representam 79,7% das IES
As maiores empresas de Joinville
Inep contrata consórcio para aplicação do Enem
Mais de 84 mil catarinenses se inscreveram no Enem 2010
Senador propõe que livro digital fique livre de impostos
Universidades federais chegarão a mais 134 cidades
Avaliação Externa: como componente de qualidade acadêmica e administrativa
A universidade importa?
A escola precisa assumir mais o ensino de Artes
O que pensam os presidentes
A aposta nos alunos sem grife
Qualidade não vem por decreto
Mínimo denominador comum
Gestão estratégica e fundamental
Grã-bretanha - Alunos mais novos têm piores notas, diz estudo
Inscrições para exame de ordem começam hoje
Fonte: Jornal A Notícia, 23/08/2010
De hoje até 6 de setembro, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
recebem inscrições para o exame obrigatório que
seleciona bacharéis de Direito. A data da prova – que
será feita pela Fundação Getúlio Vargas
– ainda será divulgada. O edital pode ser conferido no
site www.oab.org.br.
Nova resolução de conselho barra biólogo formado à distância
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 23/08/2010 às 09:09 hs.
Uma nova resolução do Conselho Federal de Biologia
(CFBio) está dificultando a obtenção do registro
profissional para alunos formados a distância. O documento passa
a exigir um mínimo de 2,4 mil horas de pesquisa, projetos,
análises, perícias, fiscalização,
emissão de laudos e pareceres na área.
O texto foi aprovado em março, dias após o
Ministério da Educação conseguir uma liminar para
derrubar a resolução n.º 151/2008, que proibia o
registro de formados a distância (leia mais nesta página).
O CFBio insiste que as mudanças, que também afetam os
cursos presenciais, não vetam o registro de egressos de nenhuma
modalidade de curso, desde que reconhecido pelo MEC.
No entanto, bacharéis em Biologia formados por EAD não
estão conseguindo se registrar e, assim, exercer a
profissão. O Estado acompanhou o caso de dois estudantes do
Centro Universitário Leonardo Da Vinci (Uniasselvi), de Santa
Catarina (SC). Com a mudança, o conselho afirma que Roger Maciel
e Helen Borges não têm o total de horas específicas
cobradas, sendo que eles entraram com o pedido antes da nova
resolução. "Enrolaram a gente até inventarem uma
nova regra", lembra Roger.
Quando o documento ficou pronto, a nova resolução tirou
seu valor. "Ainda me disseram assim: "Você não queria a
tua carteirinha?", conta ele. Agora, para ter o registro, eles devem
fazer uma especialização ou se matricular novamente na
graduação.
Em nota, o CFBio afirma que quem obteve o registro (de curso presencial
ou EAD) antes da publicação da resolução
não vai perder o documento. No entanto, o órgão
também reforça que todo biólogo "deve se manter
atualizado com aprimoramento contínuo". O CFBio afirma que "em
momento algum aumentou a carga horária; somente utilizou as
horas prevista pelo parecer n.º 329/2004."
O MEC afirma, também em nota, que não admite nenhuma
forma de discriminação a estudantes formados em
educação a distância e lembra a existência da
liminar obtida em fevereiro. A pasta reforça que diplomas de EAD
devem ser registrados "com as mesmas garantias que na modalidade
presencial, pelos conselhos regionais".
Preconceito. Para especialistas, a resolução é
discriminatória. "É reserva de mercado. Essas
mudanças não podem ser retroativas", afirma o presidente
da Associação Brasileira de Ensino a Distância,
Fredric Litto.
Para Sonia Martins, da Associação Brasileira dos
Estudantes de Educação a Distância, o CFBio alterou
as regras para prejudicar os alunos de EAD. "É uma tentativa de
burlar a lei. Estamos estudando o que podemos fazer para auxiliar os
alunos que se formaram com as regras anteriores", afirma.
PARA LEMBRAR
Em junho de 2008, numa decisão polêmica, o Conselho
Federal de Biologia publicou uma resolução proibindo as
regionais de concederem registro a profissionais que tenham diplomas de
cursos a distância, sem fazer distinção de
instituições reconhecidas ou não pelo
Ministério da Educação. Em fevereiro deste ano, a
Justiça Federal suspendeu, por meio de uma liminar, a
resolução, considerando a proibição
inconstitucional. Além de Biologia, alunos e formados por cursos
superiores a distância enfrentam resistência em outros
órgãos, como o Conselho Federal de Serviço Social,
que não apoia a modalidade. Já foram identificados
problemas com o Conselho Nacional do Ministério Público e
com o Conselho Municipal de Educação de São Paulo.
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo?
Fonte: O Estado de São Paulo
Ministério da Justiça divulga
diretrizes que traduzem direitos do Código de Defesa do
Consumidor pela internet
Fonte: Jornal da Educação
Durante a última reunião do Departamento de
Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da
Justiça, foram definidas as diretrizes que traduzem direitos do
Código de Defesa do Consumidor pela internet.
Muitas instituições de ensino superior já usam a
rede mundial de computadores para difundir seus serviços e
naturalmente interagir com os usuários.
Os principais pontos estão ligados a contratos celebrados on
line, direitos de arrependimento e de acesso facilitado à
informação, cancelamento, registro das
transações, clareza quanto a preços, custos
envolvidos e pagamento e responsabilidade dos fornecedores.
É recomendável que os setores próprios nas
instituições de ensino analisem o documento que
será disponibilizado na página eletrônica do
Ministério.
ProUni não garante meta de jovens na universidade
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 09:26 hs.
Governo não conseguirá pôr 30% de jovens na universidade até 2011, diz TCU
Técnicos preveem que meta seja atingida em 2020; programa
é bem concebido, mas existem falhas, afirma relatório
DIMMI AMORA - DE BRASÍLIA
Mesmo com o ProUni, programa de bolsa para o ensino superior em
instituição particular lançado em 2004, o governo
não vai cumprir a meta de pôr 30% de jovens (18 a 24 anos)
na universidade até 2011. É o que diz relatório do
Tribunal de Contas da União aprovado nesta semana.
O documento classifica a iniciativa do ProUni como bem concebida, mas
aponta problemas, como falta de indicadores de desempenho e baixo
número de atendidos.
Outros entraves para se alcançar a meta, estipulada em lei no
Plano Nacional de Educação de 2000, são, segundo o
TCU, a queda no ritmo de crescimento de estudantes do ensino
médio e o baixo número de vagas em universidades
públicas.
O programa vem sendo usado como exemplo de sucesso pela candidata do
governo à Presidência, Dilma Rousseff (PT), que já
se comprometeu a ampliá-lo e a introduzi-lo no ensino
médio.
Seu principal opositor, José Serra (PSDB), prometeu um programa
semelhante de bolsas para o ensino técnico. Mas o DEM, principal
aliado do candidato, está contestando o programa na
Justiça.
O percentual de jovens no ensino superior passou de 10,5% em 2004
(início do ProUni) para 13,9% em 2008. Em 1993, eram 5%. Os
técnicos fizeram uma curva estatística em que só
em 2020 a meta de 30% será atingida.
Mas talvez nem em 2020 ela seja alcançada. Um dos
gráficos aponta que a curva da taxa de crescimento dos alunos
que concluem o ensino médio está declinando.
O percentual de jovens nessa fase passou de 37% para 43% entre 2001 e
2003 (seis pontos percentuais em dois anos). Mas, nos quatro anos
seguintes, evoluiu apenas cinco pontos (foi a 48%).
Mesmo com poucos concluintes do ensino médio, a quantidade de
vagas do Prouni ao ano corresponde a apenas 1,1% dos jovens com ensino
médio completo. Outra crítica é à falta de
indicadores de desempenho.
Segundo o relatório, o Ministério da
Educação tem "nulo conteúdo informativo em termos
das dimensões de permanência e de desempenho
acadêmico [dos bolsistas]". Sem isso, afirma o TCU, é
impossível avaliar a efetividade do ProUni. Mesmo com problemas,
o relatório diz que o programa consegue atender 90% da
população de baixa renda.
Sem o ProUni, os mais pobres comprometeriam em média 47% da
renda para manter os filhos na universidade, e no mínimo 30% das
pessoas que usaram a bolsa (cerca de 200 mil) não teriam chegado
à universidade. Governo contesta TCU e diz que meta vai ser
alcançada. Segundo o MEC, importante é a taxa de
universitários de todas as idades em relação
à população jovem
Secretária afirma que o número de vagas no ProUni
é igual ao de vagas oferecidas pelas universidades
públicas
DE BRASÍLIA
A secretária da Educação Superior do
Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci,
contestou os dados do TCU. Para ela, o governo vai alcançar os
30% de pessoas matriculadas no ensino superior, considerando o
número de universitários de todas as faixas
etárias em relação à
população jovem.
"Essa é a forma mais adequada de fazer a conta porque estamos
resgatando pessoas que não tinham a oportunidade de estudar.
Havia uma demanda reprimida."
A meta no Plano Nacional da Educação, contudo, era
específica: 30% de jovens (18 a 24 anos) na universidade.
A secretária também contestou a informação
de falta de indicadores de desempenho e de queda no ritmo de
crescimento de formados no ensino médio.
Segundo a secretaria, o controle é feito pelas notas do Enade
(exame que avalia os universitários) e em 2009 foi feita uma
pesquisa com um instituto de opinião para avaliar o impacto do
programa sobre os formados. "Na pesquisa, constatamos que 80% dos
bolsistas tinham conseguido emprego após a conclusão,
sendo 61% na área", afirmou.
AUMENTO ARTIFICIAL
Outra crítica no relatório do TCU é sobre um
crescimento possivelmente artificial do número de vagas para
aumentar os ganhos com benefícios fiscais dados às
instituições de ensino.
Em 2005, as 100 mil matrículas no ProUni preencheram cerca de
70% das vagas. Já em 2009, o percentual de vagas preenchidas foi
de apenas 65%, apesar de terem sido feitas 160 mil matrículas
com o ProUni.
Para dar bolsa parcial ou integral, as universidades aderem a um
programa e devem ofertar um percentual mínimo de suas vagas
totais. Mas as regras do ProUni não estabelecem critérios
de preenchimento dos postos oferecidos, diz o TCU.
Então, se a universidade preencheu 1% ou 100% das vagas
obrigatórias que disponibilizou, ela receberá a mesma
isenção de uma cesta de impostos.
Conforme dados enviados pelo governo ao TCU, essa isenção
custou cerca de R$ 1,4 bilhão entre 2005 e 2009. O número
vem crescendo e chegou a R$ 502 milhões no ano passado.
Segundo Bucci, o governo tem um controle sobre os subsídios
concedidos. Para ela, apenas as bolsas não obrigatórias
estão em queda, o que não corresponde aos dados
informados pela próprio ministério ao tribunal.
"NOVA REDE FEDERAL"
A secretária defendeu o modelo do ProUni.
"O número de vagas no ProUni é hoje igual ao de vagas
oferecidas pelas universidades públicas. É como se
nós tivéssemos conseguido fazer uma nova rede federal de
universidades, mas com um investimento muito menor", afirmou a
secretária.
O TCU já havia encontrado outros problemas no ProUni em
auditorias feitas em 2009, quando constatou que donos de carros de luxo
e com vagas em universidades públicas recebiam bolsa.
Além disso, o tribunal considerou que a média de
isenção por aluno era maior que a média dos
preços das mensalidades das universidades.
Frase
"O número de vagas no ProUni é hoje igual ao de vagas
oferecidas pelas universidades públicas. É como se
nós tivéssemos conseguido fazer uma nova rede federal de
universidades, mas com investimento muito menor"
MARIA PAULA DALLARI BUCCI
secretária do Ministério da Educação
Fonte: Folha de São Paulo
Governo contesta TCU e diz que meta vai ser alcançada
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 22/08/2010 - São Paulo SP
Segundo o MEC, importante é a taxa de universitários de
todas as idades em relação à
população jovem. Secretária afirma que o
número de vagas no ProUni é igual ao de vagas oferecidas
pelas universidades públicas
DE BRASÍLIA
A secretária da Educação Superior do
Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci,
contestou os dados do TCU. Para ela, o governo vai alcançar os
30% de pessoas matriculadas no ensino superior, considerando o
número de universitários de todas as faixas
etárias em relação à
população jovem. "Essa é a forma mais adequada de
fazer a conta porque estamos resgatando pessoas que não tinham a
oportunidade de estudar. Havia uma demanda reprimida." A meta no Plano
Nacional da Educação, contudo, era específica: 30%
de jovens (18 a 24 anos) na universidade. A secretária
também contestou a informação de falta de
indicadores de desempenho e de queda no ritmo de crescimento de
formados no ensino médio. Segundo a secretaria, o controle
é feito pelas notas do Enade (exame que avalia os
universitários) e em 2009 foi feita uma pesquisa com um
instituto de opinião para avaliar o impacto do programa sobre os
formados. "Na pesquisa, constatamos que 80% dos bolsistas tinham
conseguido emprego após a conclusão, sendo 61% na
área", afirmou.
AUMENTO ARTIFICIAL - Outra crítica no relatório do TCU
é sobre um crescimento possivelmente artificial do número
de vagas para aumentar os ganhos com benefícios fiscais dados
às instituições de ensino. Em 2005, as 100 mil
matrículas no ProUni preencheram cerca de 70% das vagas.
Já em 2009, o percentual de vagas preenchidas foi de apenas 65%,
apesar de terem sido feitas 160 mil matrículas com o ProUni.
Para dar bolsa parcial ou integral, as universidades aderem a um
programa e devem ofertar um percentual mínimo de suas vagas
totais. Mas as regras do ProUni não estabelecem critérios
de preenchimento dos postos oferecidos, diz o TCU. Então, se a
universidade preencheu 1% ou 100% das vagas obrigatórias que
disponibilizou, ela receberá a mesma isenção de
uma cesta de impostos. Conforme dados enviados pelo governo ao TCU,
essa isenção custou cerca de R$ 1,4 bilhão
entre 2005 e 2009. O número vem crescendo e chegou a R$ 502
milhões no ano passado. Segundo Bucci, o governo tem um controle
sobre os subsídios concedidos. Para ela, apenas as bolsas
não obrigatórias estão em queda, o que não
corresponde aos dados informados pela próprio ministério
ao tribunal.
"NOVA REDE FEDERAL" - A secretária defendeu o modelo do ProUni.
"O número de vagas no ProUni é hoje igual ao de vagas
oferecidas pelas universidades públicas. É como se
nós tivéssemos conseguido fazer uma nova rede federal de
universidades, mas com um investimento muito menor", afirmou a
secretária. O TCU já havia encontrado outros problemas no
ProUni em auditorias feitas em 2009, quando constatou que donos de
carros de luxo e com vagas em universidades públicas recebiam
bolsa. Além disso, o tribunal considerou que a média de
isenção por aluno era maior que a média dos
preços das mensalidades das universidades.
Lula diz que investimento em educação mudou paradigma da desigualdade no país
Fonte: Clipping Educacional Consae - Correio Braziliense, 20/08/2010 - Brasília DF
Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira
(20/8) que o investimento em educação mudou o
“paradigma da desigualdade” do país. De acordo com
ele, a melhor distribuição de recursos entre as
regiões brasileiras fez com que, áreas reconhecidas por
indicadores sociais negativos, como o Nordeste, melhorassem sua
participação na geração de conhecimento.
“O Sul e o Sudeste até dias atrás formavam 65% dos
doutores do país. O Nordeste formava 1,3%. Hoje, tem
9,7%”, disse o presidente, em discurso durante
inauguração de novas instalações do campus
da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Sorocaba, a
90 quilômetros da capital. Lula disse também que a
transformação social no Norte e Nordeste é o
benefício mais importante da abertura de novas universidades e
escolas técnicas nas regiões. “O que importa
é que a gente está mudando o paradigma, tornando o
país um pouco mais igualitário.” A UFSCar
está instalada em Sorocaba desde 2006. Em 2008, a universidade
inaugurou seu primeiro prédio próprio na cidade. Nesta
manhã, o presidente Lula e o governador de São Paulo,
Alberto Goldman, participaram da cerimônia de
inauguração de novos prédios da universidade.
Com as novas estruturas, a UFSCar passa a ter 17 salas de aula e 15
laboratórios em Sorocaba, além de um restaurante,
vestiários, quadras e salas para o departamento administrativo.
Ao todo, são 13 mil metros quadrados de área
construída em uma terreno de 70 hectares, doado pelo prefeitura.
Simultaneamente à inauguração da UFSCar, o
ministro da Educação, Fernando Haddad, inaugurou o campus
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Curitibanos (SC).
Em cerimônia transmitida em telão instalado no campus da
UFSCar de Sorocaba, Haddad afirmou que o governo federal vai construir
134 campi de universidades federais até 2012 e alcançar
pelo menos mil municípios brasileiros com programas de
expansão do acesso ao ensino superior.
Panorama do Ensino Técnico
Fonte: Jornal A Notícia, 23/08/2010
Não tem eleição em que não apareçam
candidatos prometendo mais investimentos em ensino profissionalizante
durante o ensino médio. Pena que a coisa não avance. No
ano de 2005, quando começou a ser contabilizada a
estatística pelo MEC, 5,6 mil alunos estavam matriculados em
Joinville na educação profissional (nível
técnico) durante o ensino médio. No ano passado, fechou
em 5,9 mil – outros 20,9 mil cursavam o ensino médio
tradicional. Avanço pequeno para quatro anos. O número de
Joinville não é ruim. Mas pode ser bem melhor. São
José dos Campos, com 615 mil moradores, terra do ITA e da
Embraer, tem quase 10 mil estudantes de ensino médio em cursos
técnicos. Sim, a comparação é com uma
cidade top em tecnologia. Mas é nesses exemplos que Joinville
tem de mirar.
Pacto pela educação capacitaria o País
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 23/08/2010 às 10:11 hs.
Reinvenção do processo passa pela
qualificação de engenheiros e técnicos com o setor
produtivo
A questão da mão de obra qualificada está na ordem
do dia. Há exemplos concretos, em três níveis
decisórios (ensino, empresas e governo), de que estamos deixando
o campo da reflexão teórica e vislumbrando os caminhos da
prática. Grandes empresas já discutem meios urgentes que
tornem mais agressivas e eficazes suas estratégias de
capacitação e retenção de profissionais
qualificados. Circulam, no âmbito corporativo, as primeiras
ações para uma oferta em larga escala de bolsas de estudo
aos estudantes de carreiras tecnológicas, investimentos na
formação de pós-graduados, e até o
financiamento de escolas de engenharia e de centros de
formação profissional, para melhorarem sua base
laboratorial.
Do ensino superior espera-se, principalmente, que reduza a
evasão e adote programas visando a dobrar o atual rendimento
escolar de 20% para 40%, elevando assim de 30 mil para 60 mil o
número daqueles que conseguem se formar nos cursos de
engenharias. Do ensino médio, são propostas
inéditas medidas para elevar a qualidade do ensino da
matemática, da física e das ciências em geral.
No âmbito associativo, a Câmara Americana de
Comércio de São Paulo dirige aos presidenciáveis
um documento solicitando a inclusão nos respectivos programas de
governo de medidas inovadoras. Por exemplo: a garantia de incentivos
fiscais para as companhias que investirem na concessão de bolsas
de estudo e uma proposta para desburocratizar a
autorização de funcionamento de cursos de tecnologia.
A contribuição da área educativa nesse aspecto
deve ganhar proporções jamais alcançadas. Urge um
pacto nacional pela educação entre governo e iniciativa
privada com o objetivo de revolucionar todas as políticas
obsoletas e encurtar todos os prazos cogitados. Esse pacto deve incluir
um programa de formação de docentes e quadros
técnicos no exterior, em centros avançados de elevado
desempenho em inovação tecnológica.
O sistema de ensino é uma força vital na tarefa de,
capacitando a mão de obra, capacitar o Brasil. A
reinvenção do nosso processo educativo passa, nessa
quadra histórica, pela qualificação dos
engenheiros e técnicos, em estreita colaboração
com o setor produtivo. Eis a nova reforma imposta pela realidade em um
país que começa a crescer acima de suas possibilidades em
profissionais técnicos qualificados.
Jacques Marcovitch - É PROFESSOR DA FEA E DO IRI DA USP
Fonte: O Estado de São Paulo
Representatividade do quinto constitucional no TJ/SC é questionada pela OAB e Ministério Público
Fonte: Assessoria de Comunicação da OAB/SC
O presidente da OAB/SC, Paulo Borba, visitou hoje (20) o
Procurador-Geral de Justiça de Santa Catarina, Gercino Gerson
Gomes Neto, oportunidade em que conversaram sobre a representatividade
do quinto constitucional do TJ/SC. Os dirigentes das entidades
consideram que a referida representatividade não está
sendo preservada face à existência da figura do juiz de
direito de segundo grau, que em seu ver é maculado por
inconstitucionalidade.
“Não queremos o fim destes cargos. O que desejamos
é que os juízes de segundo grau sejam todos
desembargadores a fim de que quinto constitucional da OAB e do
Ministério Público seja preservado”, afirmou Borba.
Assim, para preservar a regra constitucional da OAB e MP, ambas as
instituições pretendem encaminhar
manifestação neste sentido ao Tribunal de Justiça.
Especialistas apontam as carreiras mais e as menos promissoras
Fonte: Jornal da Educação
O mercado de trabalho vem experimentando fortes mudanças nos
últimos anos, tendo em vista os fortes reflexos da internet e do
desenvolvimento tecnológico.
Não obstante, carreiras tradicionais como engenharia
(especialmente a civil, naval e petróleo), direito (em
função da característica "contratualista" da
sociedade brasileira), medicina (notadamente para atuar fora das
grandes metrópoles) e administração (pelo seu
caráter multidiscolinar) se destacam no topo do ranking de
profissões promissoras.
As profissões mais em baixa estão ligadas às
ciências sociais não ligadas à
produção, como antropologia, sociologia, geografia,
história, economia, jornalismo, pedagogia e serviço
social e algumas carreiras da área de exatas, como física
e matemática.
Em determinadas regiões o turismo apresenta boas perspectivas. O
mesmo ocorre em educação física, graças
à força dos eventos virtuais.
A tecnologia da informação é uma das carreiras que
mais emprega atualmente, segundo os especialistas que se dedicam a
estudos sobre as tendências profissionais.
Micro e pequenas instituições de ensino superior representam 79,7% das IES
Fonte: Jornal da Educação
Os números do Censo de 2008 demonstram um crescimento
quantitativo, sendo atingido 5.080.056 alunos matriculados em 2.248
instituições. Observa-se uma maior
concentração de alunos e a redução da
quantidade de casas de ensino, se compararmos com o Censo de 2007.
Deve-se isso a dois fatores: a fusão e aquisição
de faculdades e ao encerramento espontâneo de algumas IES.
Objetivando facilitar uma análise comparativa, temos o seguinte
cenário no Brasil: duas mega universidades; cento e vinte e uma
grandes instituições; trezentas e cinquenta e nove
pequenas; setecentos e setenta e seis micros e novecentas e noventa
micros.
O conceito mundialmente consagrado é que mega universidade
são as que possuem mais de cem mil alunos; as grandes são
as que possuem acima de 10.000 alunos (até naturalmente menos
que 100.000); médias as que possuem entre 2.000 e 10.000
discentes; pequenas as de 500 a 2.000 e micro as com números
inferiores a 500.
O novo Censo, relativo a 2009, que está para ser divulgado,
não deverá trazer grandes mudanças nesse
cenário, devendo surgir mais uma mega universidade no quadro
nacional.
As maiores empresas de Joinville
Fonte: Jornal A Notícia, 22/08/2010
A edição de 2010 das “Melhores e Maiores” da
revista “Exame” listou os principais indicadores de 1.245
empresas, entre as 500 e as mil maiores do País e os destaques
setoriais. Desta relação é possível
identificar contas dos exercícios de 2008 e 2009, de 11 empresas
com relevante participação na atividade econômica
de Joinville.
Para se fazer uma análise das empresas que operam no
município, é importante separá-las em dois grupos.
No primeiro, ficam as cinco listadas entre as 500 maiores. No segundo,
as outras seis.
Entre as empresas do primeiro grupo estão multinacionais,
controladas por acionistas locais, nacionais ou estrangeiros,
além de empresas que operam apenas no Brasil e que são
importantes exportadoras. Este grupo em 2009 tinha 0,62% das receitas,
1,23% dos empregados e 0,43% dos ativos das 500 Maiores. A
relação entre receitas e ativos, ou seja, o giro do
ativo, no conjunto, foi de 1,3 vez para as cinco que operam em
Joinville, contra 0,94 vez das 500 Maiores.
O endividamento geral, em dezembro de 2009, estava em 55,9% do ativo,
enquanto que as 500 maiores apresentavam um percentual ligeiramente
inferior, de 51%. A margem sobre as vendas foi, em 2009, de 5,1%, e a
rentabilidade do patrimônio líquido, de 15,5% para 7% e
10,8%, respectivamente, nas contas das 500 maiores.
O segundo grupo de empresas locais, em número de seis, com
contas disponíveis para análise, na
publicação, são empresas tipicamente joinvilenses,
com o capital controlado por famílias da cidade. Este grupo, em
dezembro de 2009, tinha um endividamento geral de apenas 38,4%,
bastante reduzido, quando se compara com o das 500 Maiores, que era de
51%. Esta é uma característica típica das empresas
locais. Um estudo feito a partir de outras fontes no final da
década de 1990, e publicado no livro dos “150 Anos de
Joinville”, já mostrava essa tendência. O giro dos
ativos foi, em 2009, de 0,90 vez, a rentabilidade de 3,1% do
patrimônio líquido, e a margem sobre as vendas de 2,1%,
números que podem ser comparados com os das 500 Maiores, que
foram, respectivamente, de 0,94 vez, 10,8% e 7%.
Uma análise dos números dos dois grupos, comparados com
os das demais maiores empresas que operam no País, permite
identificar algumas peculiaridades:
1 - As empresas do primeiro grupo acompanham muito as tendências
tanto em termos patrimoniais quanto em desempenho das 500 Maiores do
País, como, por exemplo, a internacionalização e a
utilização de capital de terceiros, entre outros
indicadores;
2 - As empresas do segundo grupo, tipicamente joinvilenses,
diferenciam-se, por exemplo, sob o aspecto patrimonial por deterem
maior participação de capital próprio, entre
outras;
3 - As empresas locais tanto do primeiro quanto do segundo grupo
tiveram, em 2009, um desempenho superior ao das maiores que atuam no
País na evolução do emprego, e isto se confirma
com os dados do Ministério do Trabalho e Emprego, pois Joinville
detém 0,42% dos empregos formais do Brasil, com apenas 0,25% da
população. Isto sem ser capital de Estado;
4 - O ano de 2009 foi marcado pela crise internacional, todavia, na
soma das contas das 11 joinvilenses, todos os indicadores são
bastante animadores e, no geral, melhores do que os do Brasil. Isto se
torna mais relevante quando se leva em conta que o município
é, em termos relativos, um dos maiores exportadores do
País. São os números.
Não é opinião.
WILMAR ANDERLE | ECONOMISTA
Inep contrata consórcio para aplicação do Enem
Fonte: www.nota10.com.br, 20 de Agosto de 2010
O Diário Oficial da União publicará nesta
sexta-feira (20), o extrato de dispensa de licitação do
consórcio Cesgranrio/Cespe, que realizará o Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. O valor do contrato para
aplicação e correção das provas corresponde
a R$ 27,87 por estudante inscrito. A prova será aplicada nos
dias 6 e 7 de novembro para 4,6 milhões de estudantes em todo o
país.
Em relação ao contrato firmado no ano passado, depois da
ocorrência do furto da prova e do adiamento do exame, houve um
acréscimo de 28%. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (Inep) justifica que esse aumento se deve, sobretudo,
à ampliação do número de inscritos neste
ano, reforço na contratação de pessoal que
funcionará como apoio nas unidades de aplicação e
atualização monetária.
O Enem 2010 terá os mesmos moldes do exame aplicado em 2009. Os
Correios, cujo contrato já foi assinado, ficarão
responsáveis pela distribuição das provas. As
policias militares, a Polícia Federal e as Forças Armadas
estarão encarregadas da segurança no deslocamento das
provas e o consórcio Cesgranrio/Cespe, pela
aplicação e correção.
O único ponto ainda em aberto é a seleção
da empresa que vai executar os serviços gráficos. Com a
decisão da Justiça Federal de Brasília, a favor do
recurso de uma das licitantes, o processo de licitação
deve seguir o seu curso, com a avaliação in loco do
quesito segurança, a ser elaborado pela Associação
Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG) nas gráficas
concorrentes, o que deve ocorrer nos próximos dias. O Inep
reitera que o cronograma de execução da prova está
sendo cumprido.
Mais de 84 mil catarinenses se inscreveram no Enem 2010
Fonte: http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/noticias/2518-mais-de-84-mil-catarinenses-se-inscreveram-no-enem-2010, 20/08/2010
Por Suely de Aguiar
Um total de 84.529 pessoas que estão concluindo ou que já
cursaram o ensino médio se inscreveram para o Exame Nacional do
Ensino Médio (Enem) deste ano. As provas objetivas e de
redação serão realizadas nos dias 6 e 7 de
novembro.
Em Santa Catarina, o exame ocorrerá em mais de 60
municípios. Os candidatos serão informados sobre os
locais de prova pelo correio. Os inscritos devem estar no local da
prova com meia hora de antecedência, levando documento de
identidade e cartão de confirmação da
inscrição.
Em todo o Brasil, 4.611.441 pessoas se inscreveram. A região
Sudeste concentra o maior número de inscrições
(1.798.863), seguida pela Nordeste, 1.397.282) e pela região
Sul, com 608.304 inscritos. Na região Norte foram registradas
414.051 inscrições, na Centro-Oeste 392.941.
O Enem - Esta é a 12ª edição do Enem. O
objetivo é avaliar o desempenho do estudante ao final da sua
escolaridade básica. A participação no exame
é voluntária, mas o resultado é usado nos
processos seletivos de várias universidades federais e de
instituições particulares de ensino superior.
As provas - A cada ano, o conteúdo é alterado. As provas
são constituídas de 63 questões objetivas de
múltipla escolha e de uma redação. As áreas
abordadas são: Ciências Naturais e suas Tecnologias;
Ciências Humanas e suas Tecnologias; Linguagem, Códigos e
suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias.
O modelo de avaliação do Enem não leva em conta
apenas a memorização, mas também a forma como se
constrói continuadamente o conhecimento.
Senador propõe que livro digital fique livre de impostos
Fonte: www.nota10.com.br, 23 de Agosto de 2010
Está pronto para ser votado na Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE) o projeto de lei do Senado, de autoria do
senador Acir Gurgacz (PDT), que altera a Política Nacional do
Livro (PNL - Lei 10.753/03) para atualizar a definição e
ampliar a lista de produtos equiparados a livro.
A proposta (PLS 114/2010) amplia o rol dos produtos isentos de impostos
(nos termos da Constituição federal) para incluir
qualquer livro em formato digital, magnético ou ótico.
Atualmente, a Lei 10.753/03 só atribui a isenção a
esses produtos quando destinados a pessoas com deficiência
visual.
De acordo com a Agência Senado, pelo projeto, também
ficarão equiparados aos livros os equipamentos cuja
função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos
em formato digital ou a audição de textos em formato
magnético ou ótico, como o conhecido Kindle, leitor
eletrônico de livros (e-book reader).
Na justificação da matéria, Acir Gurgacz argumenta
que a digitalização de obras e a publicação
de livros digitais vêm crescendo exponencialmente nos
últimos anos e que a própria Biblioteca Nacional do
Brasil já firmou acordo com a companhia Google para a
digitalização de mais de 2 milhões de livros.
Relator da proposta na CAE, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ)
já apresentou relatório concluindo pela
aprovação do projeto. Depois a matéria
seguirá para a Comissão de Educação,
Cultura e Esporte (CE), que a apreciará em Decisão
Terminativa.
Universidades federais chegarão a mais 134 cidades
Fonte: www.nota10.com.br, 23 de Agosto de 2010
Até 2012, mais 134 cidades em todo o país
receberão um câmpus de universidade federal. A
afirmação foi feita pelo ministro da
Educação, Fernando Haddad, na última sexta-feira
(20), durante a cerimônia de inauguração
simultânea dos novos campi das universidades federais de
São Carlos (UFSCar), em Sorocaba (SP), e de Santa Catarina
(UFSC), em Curitibanos (SC). A solenidade teve a presença do
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
“A política de democratização do acesso
à educação superior atende, hoje, mil
municípios em todo o Brasil”, disse Haddad. O ministro
lembrou que há 105 câmpus em funcionamento pleno, com
instalações definitivas, servidores com concurso e alunos
matriculados.
Na área da educação superior a distância,
já existem 559 polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB).
Além disso, até o fim deste ano, terão sido
criadas 214 novas unidades dos institutos federais de
educação, ciência e tecnologia, que oferecem cursos
técnicos, de tecnologia e licenciaturas.
Avaliação Externa: como componente de qualidade acadêmica e administrativa
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 11:23 hs.
O processo de Avaliação Institucional Externa, mais
conhecido como Avaliação Externa, foi instituído
pela Lei n. 10.861, de 14 de abril de 2004, assegurando que a
avaliação institucional, interna e externa, contempla uma
análise global e integrada das 10 dimensões das
instituições de ensino. O processo avalia as estruturas
físicas, as relações da IES com a comunidade
acadêmica e sua inserção regional, seu compromisso
social, o atendimento aos padrões de qualidade do ensino,
pesquisa e extensão e ainda com as finalidades da oferta de
cursos e de programas.
E estando o processo de Avaliação Externa atrelado aos
processos de credenciamento e a renovação de
credenciamento das Instituições de Ensino Superior
– IES, podemos considerá-lo como um componente balizador
da qualidade do ensino superior ofertado nas mais de 2.252 IES
brasileiras.
O processo em síntese tem os seguintes procedimentos metodológicos:
•Análise crítica dos documentos institucionais e
relatórios da autoavaliação e demais normas
internas que regulamentam a oferta de cursos e programas;
•Avaliação das instalações
físicas, (laboratórios, bibliotecas, salas de aula,
hospitais, departamentos, seções administrativas, campos
experimentais, áreas de lazer, restaurantes, etc.) verificando
se existem condições de pleno atendimento à
comunidade acadêmica (discentes, docentes, funcionários,
etc.);
•Realização de entrevistas com os representantes do
corpo docente, discente, técnico-administrativo, dirigentes e
demais que possam ser utilizados no processo.
Para que as IES garantam o sucesso neste processo avaliativo é
necessário movimentar-se em prol de ações internas
de pré-análise das 10 dimensões envolvendo todo o
grupo e embutindo neste, o censo de co-responsabilidade pelo
êxito ou fracasso do processo.
Tal análise se inicia em conhecer os elementos
filosóficos doutrinários da instituição e
interpretar as diversas avaliações que esta já
tenha se submetido como, por exemplo, os resultados dos cursos nos
processos de reconhecimento/renovação, ENADE, CPC e IGC e
os relatórios de autoavaliação da CPA em que
constam as impressões da comunidade acadêmica sobre as 10
dimensões.
De posse dessas informações, os gestores poderão
traçar estratégias de atendimento aos requisitos legais
de cada área acadêmica e comitantemente atender aos
padrões de qualidade do ensino exigidos no processo de
avaliação externa.
Em relação aos requisitos legais do processo, as
faculdades, centros universitários e universidades, precisam
atentar para a sinalização dada à
composição do corpo docente e às coerências
das políticas institucionais delineadas no PDI, com a realidade
de todas as instâncias da instituição.
Ao final do processo a comissão expressa em forma de um
relatório, os juízos de valor a respeito das 10
dimensões. Este é uma fonte sinalizadora das fragilidades
e potencialidades institucionais, portanto, não pode ser
esquecido, deve ser analisado aproveitando as propostas e
orientações dos avaliadores para ajustar as
deficiências. O Ministério da Educação ao
estabelecer os padrões/indicadores de mensuração
da qualidade do ensino superior brasileiro, buscou respeitar a
diversidade e as especificidades das diferentes
organizações acadêmicas, elencando para a categoria
administrativa, requisitos diferentes para o atendimento em algumas
dimensões. Para Marback (2007), o grande desafio da
gestão universitária é manter a
participação de toda a comunidade acadêmica neste
processo e complementa que quando se realiza a
autoavaliação, os atores acadêmicos podem
retroalimentar seus desempenhos e empenhar-se na busca de melhorias,
deixando a organização sempre viva e disposta a atingir
melhores resultados no que se refere à qualidade do ensino
ofertado.
Concluímos que, o processo de Avaliação Externa
é um forte aliado no processo de gestão, contribuindo
para a transformação das fragilidades, em
potencialidades, pois ela permite a reflexão sobre os
princípios e valores institucionais, elementos técnicos,
e posicionamento mercadológico.
A universidade importa?
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 11:25 hs.
Um grupo de professores americanos levantou uma discussão e
comum artigo publicado no jornal The New York Times, no mês
passado, a necessidade do diploma universitário para ter sucesso
na carreira. De acordo com os académicos:
1) Determinadas características, indispensáveis para o
êxito profissional, não são ensinadas nas
faculdades. Por exemplo: a comunicação interpessoal.
2) Nem todos os jovens têm vocação para o mundo
acadêmico: os mais empreendedores acabam se frustrando e
abandonando o curso, pois o ensino ainda é muito teórico.
Sob essa ótica, dizem os professores, a universidade não
é essencial para a pessoa ser bem sucedida.
O que dizem os brasileiros? Roberto Guimarães, professor doutor
da Fundação Getulio Vargas e da Unicamp, diz: "Muitos
entram na faculdade só para ter diploma antes mesmo de
identificar sua vocação. Assim, se tornam profissionais
frustrados". Mas Beatriz Maria Braga, professora da Eaesp-FVG,
discorda: "O mercado precisa de gente cada vez mais qualificada e
é a universidade que qualifica".
Há, porém, uma terceira via. O escritor e jornalista
Makolm Gladwell, autor de Fora de Série, da Editora Sextante,
defende que para chegar ao topo, em qualquer área, é
preciso ter foco, talento e, principalmente, experiência. "Bill
Gates e Tíger Woods se dedicaram às suas paixões,
ainda na adolescência, pelo menos w ooo horas antes de obter
sucesso", diz Makolm. Ou seja, o diploma universitário ajuda,
mas o que garante o sucesso é uma quantidade enorme de
dedicação.
Fonte: Portal Semesp
A escola precisa assumir mais o ensino de Artes
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 08:55 hs.
O esforço para tornar o ensino de Artes algo assumido pela
própria escola, já leva um bom tempo. O ensino de Artes,
até por sua natureza, representa uma escola mais viva, mais
arejada, mais voltada para o questionamento, a inquietude, a
reflexão e ao contexto social. E isso é algo que a escola
convencional que se encontra em decadência, não quer nem
saber e reage com ferocidade. O processo de construção da
consciência de cidadania dos estudantes da escola pública
requer o arejamento que o Ensino de Artes consegue levar. O
arte-educador Cláudio Cavalcanti defende que o ensino de artes
seja encarado pelas escolas públicas com a mesma
importância das outras disciplinas.
Segundo Cláudio, as artes abrem novas perspectivas para os
alunos e pode vir a ser importante ferramenta, através de
atividades, para melhorar a qualidade de vida.
Professor Cláudio Cavalcanti, qual a importância da arte na escola?
A importância do ensino de artes na escola é fundamental
tanto quanto as outras áreas do conhecimento. É preciso
que sejamos oportunizados ao fazer das artes nas suas diversas
linguagens: Artes Visuais, teatro, dança e música.
Como se desenvolve o projeto arte na escola nas unidades de ensino?
Cada escola procura desenvolver seus projetos de acordo com sua
realidade, e têm outras que não desenvolve quase que nada.
Falta estrutura física na escola, profissionais preparados,
material didático etc. Mas muita coisa já mudou e
poderá mudar mais ainda.
Como estimular os educadores, principalmente, os das séries
iniciais do ensino fundamental para atividades artísticas em
sala de aula?
O ensino de artes deve ser estimulado através da pesquisa e investimentos.
A Secretaria Estadual de Educação desenvolve um projeto
de alfabetização para jovens e idosos em diversas
localidades, não somente no ambiente formal escolar. Como
trabalhar arte para adultos, pessoais que passam o dia trabalhando e
pela noite vai à escola, e podem estar cansados?
O ensino de artes na escola pode e deve contribuir para que o aluno
tenha consciência e conhecimento da história da arte bem
como algo prazeroso e lúdico, proporcionando alegria e
significado para o mesmo no seu cotidiano. As artes através e
suas linguagens pode ser uma ferramenta que oferece ao aluno atividades
que ajudem a ter uma melhor qualidade de vida. Para aquele aluno que
estuda a noite e que muitas vezes chega à escola cansado, o
ensino de artes ajudaria muito não só na ludicidade e na
felicidade que artes proporciona bem como para contribuir no
aprendizado da leitura e escrita.
Que lei ampara o projeto de arte na educação brasileira?
Resolução número 1, de 31 de Janeiro/2010, do
conselho Nacional de Educação, oficialmente deixa-se de
se usar Educação Artística e passa-se a usar
Ensino de Artes, e artes uma área do conhecimento como as demais
passa a ser obrigatória no currículo escolar.
Há quanto tempo atua como um educador provocador da arte escolar
e que mensagem levaria aos professores do ensino público que
têm dificuldades enormes para lecionarem qualquer disciplina,
imagem, criar arte para seus alunos?
São 27 anos atuando no ensino de artes na rede pública
estadual, e a mensagem que deixo é que acreditem em vocês
arte educadores e faça a diferença com ideias e projetos
simples e viáveis e que signifique algo no cotidiano do educando.
E que as artes contribua para que possamos compreender melhor o mundo
contemporâneo: o capital, a mídia o consumo, é
preciso que tenhamos uma alfabetização estética
para vivermos melhor.
Fonte: Tribuna do Norte - RN
O que pensam os presidentes
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 21/08/2010 às 09:19 hs.
Uma conversa com cinco líderes de empresas da lista sobre
entrevistas de emprego, critérios para promoção,
retenção de talentos, como tratar a geração
Y, meritocracia...
David Cohen e Mauro Silveira
RICARDO CORRÊA - JOGO ABERTO
Os presidentes de Promin, AstraZeneca, Losango e Caterpillar. Eles
mostraram formas diferentes de criar ótimos ambientes de
trabalho.
Quem melhor que um presidente de empresa para falar das oportunidades,
das competências mais valorizadas, de como se equilibram as
ambições pessoais e as necessidades da
organização? Por isso, convidamos os líderes de
cinco empresas que estão na lista das 100 Melhores para
Trabalhar para falar sobre requisitos para a contratação,
como agem para reter os maiores talentos, como selecionam, orientam e
cobram o pessoal. Cada presidente expõe uma filosofia. Elas
são parecidas em muitos aspectos, mas há
diferenças cruciais – da forma de tratar a
geração Y aos recursos para impedir que um
funcionário brilhante vá embora. Para quem está
buscando uma nova oportunidade no mercado de trabalho, ou quer entender
como subir na carreira, essa conversa abre perspectivas.
Os cinco convidados de ÉPOCA para o debate, realizado no fim de
julho, foram: Janete Ana Ribeiro Vaz, sócia e copresidente do
Laboratório Sabin, de análises clínicas; Hilgo
Gonçalves, presidente da Losango, empresa de crédito
ligada ao banco britânico HSBC; Luiz Carlos Calil, presidente da
fabricante americana de equipamentos pesados Caterpillar; Luiz Fernando
Telles Rudge, presidente da Promon, empresa de engenharia; e Rubens
Marques Pedrosa Jr., da AstraZeneca, laboratório
farmacêutico. A seguir, os principais momentos do encontro.
1. QUEM AS EMPRESAS PROCURAM
Janete Ana Ribeiro Vaz - Laboratório Sabin: Eu procuro contratar
tendo como base os valores do candidato. Eles devem estar alinhados com
os valores da empresa, caso contrário a pessoa não
permanecerá na equipe. Participo do processo de
seleção e quero conhecer quem são aquelas pessoas,
suas famílias, suas origens e no que elas acreditam. Busco
profissionais que valorizam a ética e o autoconhecimento e que
tenham metas e sonhos definidos.
Rubens Marques Pedrosa Jr. - AstraZeneca: Nós buscamos pessoas
que se vejam identificadas com os propósitos da companhia.
Não é possível seguir adiante com um
negócio de sucesso se as pessoas não entendem os
propósitos pelos quais elas acordam todo dia de manhã e
vão trabalhar. Quanto mais convergentes forem esses
propósitos, melhor para a companhia e para o funcionário.
Hilgo Gonçalves - Losango: Além das competências
técnicas desejadas, eu busco na pessoa o sonho, a paixão,
o amor, o comprometimento e a vontade efetiva de agregar.
2. A CONTRATAÇÃO
Luiz Carlos Calil - Caterpillar: Além do engajamento, eu quero
que a pessoa compreenda a importância do acionista para o
negócio. Ele não pode ser visto pelo funcionário
como alguém rico que deve ser explorado, mas como um
indivíduo que está investindo em nossa fábrica e
dando oportunidades para todos nós. É importante
também que o candidato compreenda que o cliente não
existe para ser satisfeito, mas sim para ser encantado. O profissional
só conseguirá alcançar esses objetivos se tratar
tudo o que faz como se ele fosse dono do negócio.
Rubens Marques Pedrosa Jr. : O primeiro filtro para avaliar o candidato
é a capacitação técnica. O segundo, mais
sutil, tem a ver com a capacidade que ele tem de criar uma identidade
com a empresa para se tornar um profissional totalmente comprometido. A
AstraZeneca não abre mão de características
pessoais como a capacidade de trabalhar em equipe e o espírito
empreendedor.
3. A GERAÇÃO Y
Luiz Fernando Telles Rudge -Promon: As empresas precisam se adaptar
à nova geração de profissionais que chegam com
outras expectativas e experiências, como é o caso da
geração Y. Esses jovens buscam resultados e uma carreira
com crescimento rápido, mas ao mesmo tempo podem contribuir com
sua criatividade e disposição de assumir riscos. As
empresas têm o desafio de saber se ajustar a eles sem violentar
sua cultura e seus valores. Só assim vão tirar o melhor
desses profissionais.
Luiz Carlos Calil: Eu não tenho nenhum tipo de
preocupação com a geração Y. Para mim, ela
é mais uma mística do que uma realidade a ser temida. O
que mudou foi o volume de informações que recebemos
atualmente e a dificuldade que temos em usar o tempo na hora de
priorizá-las. É preciso investir tempo nos jovens para
que possam entender o contexto de onde eles estão trabalhando.
Se for preciso meia hora para um jovem entender um contexto, eu dou
essa meia hora. Se for ecessário voltar amanhã para
discutir novamente determinado assunto, eu faço isso. Esse
é o melhor investimento que você pode fazer na
geração Y.
Janete Ana Ribeiro Vaz: O grande segredo para controlar a
geração Y é dar feedback em tempo real. Assim que
o chefe detectar a necessidade ou identificar um erro
específico, deve chamar o jovem para conversar. Ele precisa
mostrar ao jovem onde cometeu a falha e o que fazer para melhorar.
Dependendo do erro, ele pode servir de base para um treinamento para o
restante da equipe. O jovem tem conhecimento e muita vontade, mas
não possui maturidade. É o feedback em tempo real que vai
ajudá-lo a se desenvolver.
4. RETENÇÃO DE TALENTOS
RICARDO CORRÊA
HILGO GONÇALVEZ, da Losango
Hilgo Gonçalves: A Losango procura reter seus talentos sendo
transparente e praticando o reconhecimento e a meritocracia. Você
não retém as pessoas pagando mais, e sim valorizando seu
trabalho. É preciso ouvi-las e conhecer seus sonhos. Atualmente,
25% dos meus funcionários têm bolsas de estudos. Isso gera
um sentimento de autoconfiança. Avalio semestralmente meus
guerreiros, que é como chamo os funcionários, e dou
feedbacks. Não sei se eles continuarão na empresa
amanhã, mas confio no meu taco. Se não cuidarmos dos
principais talentos, o meu concorrente vai cuidar. Ninguém faz a
retenção de um bom profissional na hora que ele comunica
que deseja sair, mas sim ao longo do tempo e estabelecendo uma
reflexão constante sobre sua carreira.
Rubens Marques Pedrosa Jr.: O objetivo da empresa é manter os
melhores talentos pelo maior tempo possível, mas isso
está ficando cada vez mais difícil devido à alta
competitividade que existe no mercado. As organizações
são agressivas e buscam os profissionais capacitados. A
AstraZeneca identifica aqueles funcionários que são
importantes e se mantém próxima deles para que recebam
uma atenção especial, sem deixar de proporcionar um
ambiente positivo para os demais. Eu ofereço um pacote
diferenciado para os melhores funcionários,
remuneração competitiva, desafios e oportunidades de
desenvolvimento. Temos de ter em mente ainda que as pessoas
também trabalham por remuneração.
Luiz Carlos Calil: Não existe certo ou errado nessa
história de que o bom profissional tem de ficar na empresa.
Minha preocupação é saber distinguir o
funcionário velho do idoso. O idoso é aquele que ainda
tem muito a contribuir. Já o velho...
Janete Ana Ribeiro Vaz: Eu adoto a seguinte filosofia: se o
funcionário recebeu uma proposta melhor do que a minha,
não faço contraproposta. Mas, se sentir que ele
não está enxergando o que tem pela frente, eu dou muitos
conselhos. Por outro lado, se for um talento e eu realmente precisar
dele na equipe, ofereço o que posso para que fique: dinheiro,
cargo e o que mais for necessário. Ajuda muito na
retenção criar benefícios que promovam o
desenvolvimento das pessoas. Os funcionários não
trabalham para realizar o sonho da empresa, mas sim os sonhos deles.
Para mantê-los, é preciso dar as oportunidades
necessárias para que consigam torná-los realidade.
5. COMO LIDAR COM FRUSTRAÇÕES
RICARDO CORRÊA
RUBENS PEDROSA, da AstraZeneca
Luiz Fernando Telles Rudge: Numa empresa com muitos técnicos,
como é o caso da Promon, há muitos profissionais que
desejam passar a carreira toda atuando como técnicos. É
isso que lhes dá satisfação. Provavelmente, eles
não serão bons gerentes. É comum observar, em
áreas técnicas, profissionais extremamente preparados,
com mestrado ou Ph.D., mas que não conseguem trabalhar em
equipe. É por isso que oferecemos a carreira em Y, que permite
ao funcionário optar pela carreira técnica ou gerencial e
ter recompensas similares. Isso cria um leque de oportunidades muito
maior.
Luiz Carlos Calil: Dois jovens me procuraram recentemente depois de
participar do programa de recrutamento interno da empresa. Nenhum dos
dois foi aprovado, mas disseram que sabiam exatamente quais seriam os
escolhidos porque perceberam que o processo era justo. É
importante as pessoas compreenderem a cultura da empresa, o contexto em
que estão inseridas e que as oportunidades de crescimento
diminuem à medida que progridem. Nós temos profissionais
que desempenham a mesma função há 20 anos e que
demonstram o mesmo entusiasmo de quem está no período de
experiência. A imparcialidade faz com que as pessoas aceitem
ficar mais tempo numa mesma função.
Rubens Marques Pedrosa Jr.: O dilema do funil é real. As pessoas
vão crescendo, e chega um momento em que essa ascensão
profissional se torna naturalmente mais difícil. A melhor
maneira de tratar o problema é falar abertamente sobre a
questão. Uma das coisas que mais me irritam numa entrevista de
emprego é quando pergunto para a pessoa onde ela quer estar
dentro de dez anos. Geralmente ela diz que deseja ocupar o meu lugar.
Essa é uma aspiração legítima, mas quem diz
isso dificilmente compreendeu a trajetória, não só
minha, mas a dos demais 1.100 funcionários da minha
organização. A ocupação das vagas ocorre de
acordo com o mérito e as competências técnicas e
emocionais de todos.
6. A ENTREVISTA DE EMPREGO E UM CONSELHO AOS JOVENS
RICARDO CORRÊA
LUIZ FERNANDO RUDGE, da Promon
Ricardo Côrrea
JANETE VAZ, do Sain
Ricardo Côrrea
LUIZ CARLOS CALIL, da Caterpillar
Hilgo Gonçalves: Eu faço as seguintes perguntas ao
candidato: “Por que você quer trabalhar aqui?”
“O que o atraiu?” Meu objetivo é saber o grau de sua
motivação e se tem consciência do que veio buscar
na empresa. Se ele não sabe o que quer, não vai chegar a
lugar algum. Eu sempre digo a cada funcionário meu: seja
você mesmo. Mantenha os pés no chão e a
cabeça nas estrelas. Você só vai longe se der o
primeiro passo. Vencer as etapas é algo que leva tempo.
Luiz Carlos Calil: Eu pergunto para o candidato o que ele entende ser
um bom ambiente de trabalho. Outra questão fundamental é
saber o que conhece do nosso negócio, como sua aptidão
pode ajudar a empresa e até onde ela pode levá-lo. Meu
conselho para quem está entrando agora no mercado de trabalho
é o seguinte: tenha paciência.
Rubens Marques Pedrosa Jr.: Eu parto para uma conversa mais pessoal.
Quero saber de onde o candidato veio. Pergunto sobre a época da
escola e tento entender o contexto pessoal para ver se existe
identidade de princípios com a empresa. Gosto de perguntar sobre
erros cometidos no passado, pois não acredito em carreiras
construídas com base exclusivamente no sucesso. Recomendo aos
jovens que tentem balancear a incrível capacidade que eles
têm de ver o mundo dos negócios sob uma ótica
fresca e de multitarefas com um pouco de paciência e
autocontrole. Procurem demonstrar certo grau de maturidade, pois o
mundo dos negócios necessita dessa qualidade.
Luiz Fernando Telles Rudge: O que faz brilhar os seus olhos? Com essa
pergunta eu consigo descobrir o que o profissional está
procurando de verdade. Tenho dois conselhos aparentemente
antagônicos: confie na sua capacidade e tenha humildade. O jovem
tende a ser um pouco arrogante na fase inicial da carreira e precisa
saber lidar muito bem com isso.
Janete Ana Ribeiro Vaz: Eu peço para a pessoa falar um pouco
dela: quem é ela? Com quem vive? O que faz? Qual a
experiência acadêmica e profissional? Do que mais gosta?
Depois pergunto quem ela considera um ídolo. Meu conselho: corra
atrás do conhecimento, caso contrário você
não conseguirá conquistar uma vaga no mercado de
trabalho, que está cada dia mais competitivo.
Fonte: Revista Época - ed. 640
A aposta nos alunos sem grife
Fonte: Clipping Educacional Consae - O Estado de São Paulo, 22/08/2010 - São Paulo SP
Distantes das escolas de elite, eles levam garra e diversidade a empresas
Carolina Stanisci
Até pouco tempo atrás, ter cursado uma faculdade top de
linha era garantia de portas abertas para um estágio nas grandes
empresas do País. Essas companhias, porém, têm
percebido que a energia e o comprometimento de candidatos vindos de
universidades menos consagradas no mundo acadêmico valem tanto ou
mais que um diploma de peso. Para a presidente da
Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Leyla
Nascimento, a mudança ocorreu porque a preocupação
no recrutamento de estagiários tem focado as competências
do candidato. “A formação acadêmica
não garante mais que terei um bom candidato. Existem etapas de
seleção mais eficazes, como a dinâmica de grupo e a
entrevista individual. Hoje, muito mais do que olhar a universidade de
onde vem o candidato, é importante olhar para ele.”
A superintendente do RH do Banco Santander, Paula Giannetti, endossa a
opinião de Leyla – e vai além. “Percebemos
que quem vem de faculdades de segunda linha dá o sangue para
conseguir um lugar ao sol. Para eles, o estágio não
é mais uma etapa no aprendizado; eles querem virar empregados do
banco, chegam com uma energia diferenciada.” Para Paula, a
proatividade e a busca por desafios são mais importantes do que
uma eventual formação técnica “menor”.
“Isso já os diferencia.” No Citibank, o discurso
é parecido. “Desde 2008, trabalhamos no sentido de abrir
as inscrições para todas as faculdades e para todos os
cursos”, afirma Andrea Ikawa, gerente de Seleção da
instituição. “Vamos ter pessoas com pensamentos
diferentes, e isso só enriquece. Nós acreditamos na
diversidade.” A estudante de Administração de
Empresas da Zumbi dos Palmares Vanessa Santos Antonio (ao lado), de 20
anos, tem as características mencionadas por Paula e Andrea.
Conquistou uma vaga de estagiária na área de RH do
Bradesco em 2008 e foi efetivada este ano. “Além da
vontade de trabalhar, trouxe para cá minha bagagem cultural, que
é diferente.” Percebendo a mudança de visão
das empresas, o reitor da Zumbi dos Palmares, José Vicente,
procurou vários bancos nos últimos anos para firmar
convênios de estágios, num “movimento de
sensibilização”. Hoje 250 alunos da
instituição fazem estágios em bancos. Mas ele
credita ao empresariado o mérito de receber pessoas de todas as
origens sociais e raciais: “O discurso da responsabilidade social
ganhou visibilidade. E as empresas têm colocado isso em
prática”.
Qualidade não vem por decreto
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha de São Paulo, 23/08/2010 - São Paulo SP
O postulado da autonomia universitária, consentâneo com a
iniciativa democrática, tem sido ignorado pela
intervenção do governo
ELLIS WAYNE BROWN
Há quem reclame que é preciso tematizar mais sobre a
educação superior no âmbito das políticas
públicas, embora estes mesmos não o façam de forma
sistêmica e continuem defendendo interesses fragmentados e
corporativos. O artigo 207 da Constituição Federal
estabelece que "as universidades gozam de autonomia
didático-científica, administrativa e de gestão
financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão". O
postulado legal da autonomia universitária, consentâneo
com a liberdade de pensamento e de iniciativa democráticas,
reguladas pela evolução da demanda socioeconômica,
tem sido ignorado pela intervenção normativa do governo.
A Lei de Diretrizes e Bases estabelece, por exemplo, que a universidade
deve ter pelo menos 1/3 de mestres e doutores, podendo os demais,
portanto, ser especialistas.
Os reguladores, contudo, passaram a exigir que esta
proporção seja mantida para cada curso e campus. Na
sequência, estabeleceram que os doutores tivessem peso 20
na avaliação institucional, e os mestres, apenas 5.
A nota deste quesito na avaliação institucional agora
depende também da relação do quadro da
instituição com uma média regional, que
ninguém conhece fora do MEC e que é inflacionada pelos
quadros das universidades públicas, custeadas pelo contribuinte
anônimo. Agora, preconizam 70% de mestres e doutores!
Independentemente do mérito, é interessante como os
reguladores se mostram à vontade para progressivamente circundar
os postulados da lei. Ademais, confundem também os meios com os
fins e, dessa forma, desviam o foco dos resultados de fato
alcançados pelas universidades em termos da
qualificação dos egressos. Caberia à universidade
decidir e prover os meios para tanto, regulada pela demanda social que
inclui a viabilidade de acesso da população, notadamente
de menor renda, ao ensino superior.
Quem não se vê atingido diretamente e não enxerga
os efeitos desse intervencionismo aceita tudo e ainda aplaude. Resta
ver como reagirá na medida em que a
regulação o atingir, assim como reage a própria
imprensa diante da ameaça à sua autonomia. Embora possa
também cometer erros, não se justifica por isso a
anulação de sua liberdade editorial. Não se trata,
ainda, de negar o princípio e a validade da "indissociabilidade
entre ensino, pesquisa e extensão", mas, sim, de discutir a
natureza, origem, proporção, custo,
aplicação e produtividade dos recursos envolvidos em cada
um destes componentes, à luz de sua efetiva
agregação de valor em termos do desenvolvimento
educacional e socioeconômico, considerando sempre como
questão de fundo a acessibilidade da população.
Necessário, pois, é buscar, para além dos
interesses corporativos, a melhor equação possível
entre qualidade educacional, produção e
socialização do conhecimento,
democratização do acesso e desenvolvimento
socioeconômico do país. É com esta
equação que deveria se preocupar a política
educacional e seu aparato regulatório. ELLIS WAYNE BROWN,
formado em ciências sociais e mestre em comunicação
social, é vice-reitor da Uniban Brasil
Mínimo denominador comum
Fonte: ABMESeduca.com agosto 20th, 2010 | Author: admin
Gabriel Jareta
REVISTA EDUCAÇÃO – EDIÇÃO 160
Ao investir na criação de uma matriz para o ingresso na
carreira docente, “Enem dos professores” deverá
definir critérios mais claros para a formação
“Uma profissão que tem claros os parâmetros de seu
exercício ideal é reconhecida e legitimada na
sociedade.” Assim começa a apresentação do
texto do Marco para la buena enseñanza (marco para o bom
ensino), documento publicado pelo Ministério da
Educação do Chile em 2003 com o objetivo de nortear a
busca pela melhoria na formação do professor e na
qualidade de ensino daquele país. Sete anos depois, esse
documento ajudou a compor, no Brasil, as bases da
produção de uma matriz que terá como objetivo
selecionar os melhores profissionais para fazer parte da carreira
docente.
Para um país como o Brasil, que luta para vencer o desafio de
oferecer uma Educação Básica de qualidade, a
evolução do ensino público passa, necessariamente,
pela escolha dos professores mais bem preparados para a tarefa de
formar crianças e adolescentes. Um profissional que
conheça a fundo o conteúdo que está ensinando, que
saiba discernir qual o melhor método de ensino para cada turma,
que tenha conhecimento sobre os processos de desenvolvimento e
aprendizagem das crianças, entre outras
atribuições que possam constituir o que se entende por um
bom professor.
Essas habilidades são algumas que compõem o modelo que o
governo federal está implantando com a criação do
Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, que selecionará
os candidatos a professor da educação infantil e das
séries iniciais do fundamental. Esse exame consistirá
numa prova única e de periodicidade anual, com abrangência
em todo o país, nos moldes do Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem). O concurso não é obrigatório,
e as secretarias municipais ou estaduais que optarem por
utilizá-la devem fazer a adesão e, a partir daí,
todos os interessados em seguir a carreira docente poderão
utilizar a nota para preencher as vagas que eventualmente forem
abertas. Será possível se inscrever para vagas em mais de
uma cidade.
Com esse sistema, as redes – especialmente as de
municípios de pequeno ou médio porte – não
precisarão mais esperar pelo acúmulo de cargos vagos para
abrir um concurso, reduzindo assim a necessidade de contar com
professores temporários por mais tempo e em maior quantidade que
o necessário. Ao mesmo tempo, as secretarias economizam nos
altos custos necessários para formular e aplicar um exame (ou
contratar uma empresa que possa fazê-lo) e têm a garantia
de que estarão fazendo parte de uma prova que, de fato, pretende
selecionar os melhores candidatos para a docência.
A formulação do exame para chegar aos melhores candidatos
está sendo baseada em uma lista formulada pelo Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(Inep) a partir de estudos acadêmicos sobre o currículo
nacional e de experiências de países não só
com os melhores índices em avaliações
internacionais, mas que passaram por um debate nacional para formular
um padrão de bons docentes, como é o caso do Chile.
Também foram analisados documentos como os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs), o Referencial Curricular Nacional para a
Educação Infantil e diversos outros materiais e manuais.
A equipe do Inep também realizou reuniões com
especialistas, representantes de classe, professores e diretores
– alguns vindos de escolas que obtiveram os melhores resultados
no Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb). Além disso, até julho o documento
com os referenciais estava aberto para consulta pública no site
do instituto.
“A nossa proposta foi chegar a fatores que poderiam indicar um
bom professor por meio de um exame escrito”, diz Gabriela
Moriconi, coordenadora-geral de Instrumentos e Medidas Educacionais do
Inep. A ideia do exame surgiu de uma demanda de estados e
municípios que não conseguiam estabelecer métodos
para contratação e mesmo avaliação dos
quadros docentes, e acumulam vagas ocupadas por professores
temporários. Com o novo método, diz, será
possível abrir um edital para preencher cinco ou seis vagas, por
exemplo. A primeira portaria foi encaminhada em maio de 2009 e desde
então está sendo analisada e remodelada para chegar ao
que Gabriela chama de “nível de detalhe”, ou seja, a
matriz final para a formulação do banco de
questões do exame.
Estratégias em aberto
O documento com os referenciais divulgado pelo Inep para a consulta
pública aponta para a definição de padrões
que proporcionem “um marco para orientar as políticas de
seleção, formação, avaliação
e desenvolvimento na carreira do magistério”. Esses
padrões, baseados em sistemas internacionais, também
devem ressaltar a importância do professor como alguém que
precisa ter conhecimentos e habilidades específicas, que
“não podem ser substituídos por mera boa vontade ou
pelo desejo de trabalhar com crianças”. “São
fatores comuns (para um bom professor) mesmo em sistemas de ensino
tão distintos”, afirma Gabriela. O Inep consultou os
padrões dos seguintes países, além do Chile:
Austrália, Canadá, Cingapura, Cuba, Estados Unidos e
Inglaterra, a partir dos quais chegou a uma lista de 20
características que compõem o perfil do bom professor.
Entre elas, destacam-se fatores básicos, como o domínio
do conteúdo e o conhecimento sobre o sistema educacional, e
também habilidades mais amplas, como o uso de métodos que
promovam o desenvolvimento do pensamento no aluno e a
comunicação com os pais. O Inep reconhece as
limitações da prova escrita e prevê que, se
necessário, as secretarias podem utilizar a nota do exame para
complementar outros processos seletivos, como análise de
currículo, entrevista e prova prática.
O Inep também não pretende direcionar o conteúdo
da prova de maneira que algum método de
alfabetização ou linha de ensino em particular sejam
privilegiados. “Os professores devem conhecer os vários
métodos e as várias abordagens, mas não é
atribuição do Inep escolher qual é o
melhor”, afirma.
Para a pesquisadora Bernadete Gatti, da Fundação Carlos
Chagas, essa é a postura que deve ser seguida. “A matriz
deve ser ampla e abordar fundamentos. Deve ser bem eclética e
não pode privilegiar apenas um olhar. Não temos nada na
pesquisa educacional que mostre que um caminho é melhor que o
outro. O bom professor deve ter várias alternativas, pois cada
classe exige estratégias diferentes”, ressalta.
Na opinião de Flávia Medeiros Sarti, do Departamento de
Educação da Unesp de Rio Claro, o exame não
poderia ter a função de direcionar o método de
trabalho. “Na história da pedagogia há uma
obsessão recorrente por um método universal”, diz.
Apesar disso, a experiência tem mostrado que o ensino mais
eficiente deve partir de uma atividade de criação
própria, forjada a partir do conhecimento da história e
das diferentes possibilidades disponíveis. “O professor
deve ter uma relação especial com o outro e com o
conteúdo, para que ele crie seu trabalho. O ensino é uma
atividade criativa”, afirma.
Exigências superficiais
Por enquanto, a experiência brasileira mostra que esses
padrões desejados ainda pertencem ao campo das ideias. Um estudo
da própria Fundação Carlos Chagas, publicado em
março de 2009, mostra que os concursos públicos para
contratação de professores no país buscam, em
grande parte, verificar o conhecimento do candidato a respeito do
funcionamento dos sistemas educacionais e da legislação
– e pouco ou quase nada sobre as práticas docentes. O
estudo “Formação de professores para o Ensino
Fundamental: estudo de currículos das licenciaturas em
pedagogia, língua portuguesa, matemática e ciências
biológicas”, organizado por Bernadete Gatti e pela
pesquisadora Marina Muniz Rossa Nunes, analisou 35 editais de concursos
públicos (14 estaduais e 21 municipais), divulgados entre 2002 e
2008, de todas as regiões brasileiras.
Uma das conclusões do estudo é a de que exigência
de domínio do conteúdo se concentra em algumas
questões básicas de língua portuguesa, como
gramática e interpretação de texto, mas pouco se
exige de conteúdo de matemática. Já em
relação às “didáticas
específicas” e às “metodologias de
ensino”, pouco é exigido. “As questões
classificadas nessas categorias aparecem em quase todos os concursos,
porém são poucas e não pesam na
distribuição das provas”, aponta o estudo. Ainda
assim, quando surgem, são superficiais e não contemplam a
relação entre teoria e prática. “(…)
o comum são as questões se aterem a uma
teorização totalmente descolada de significado mais
concreto, referindo-se a um jargão ou nomenclatura
específica, que pouco traduzem o que o candidato sabe sobre como
ou por que trabalhar com as crianças e os conteúdos com
esses fundamentos”, aponta o texto.
Diante dessas conclusões, o consenso entre Inep e especialistas
aponta para um processo seletivo capaz de detectar o quanto o futuro
professor é capaz de aproximar o conhecimento teórico ao
cotidiano da sala de aula. Para a pesquisadora Anna Helena Altenfelder,
do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e
Ação Comunitária (Cenpec), a atividade docente
pressupõe um professor que, em primeiro lugar, saiba planejar e,
em seguida, seja capaz de pensar estratégias para organizar a
situação de aprendizagem. “O conhecimento
teórico permite ter clareza. O professor precisa saber qual
método usar em cada situação, lançar
mão da observação para fazer mudanças,
levar em conta aspectos sociais e afetivos”, ressalta.
A prova escrita também deve ser capaz de identificar a desejada
capacidade criativa do professor, uma habilidade necessária para
lidar com realidades tão distintas como as presentes nas escolas
brasileiras. Para Flávia Sarti, da Unesp, o exame tem
méritos ao regulamentar as bases da seleção do
professor, mas a discussão deve levar em conta a falta de
estrutura de algumas escolas ou redes para que essas práticas
sejam aplicadas. “Quando falamos em um perfil nacional, me
incomoda saber que é um perfil único para um país
tão grande e heterogêneo. O mesmo perfil vale tanto para
uma escola da cidade de São Paulo quanto para uma do interior do
Piauí? E mesmo dentro de uma cidade temos realidades
diferentes”, afirma. Para a professora, a prova escrita
poderá, sim, ser “muito interessante”, mas como
complemento ao processo de seleção.
Anna Helena concorda que o exame não pode ser um instrumento
único para tentar melhorar o nível dos professores e do
ensino como um todo, embora seja importante deixar claro quais
são os parâmetros desejados para ingressar na carreira e
sirva como subsídio para a aplicação de outras
políticas. “Como medida isolada, é inócuo.
Só será válido se estiver atrelado ao direito de
uma escola de qualidade”, diz.
Cobrança de conteúdo
Os temas apresentados como referenciais pelo Inep também
procuram dar ênfase ao domínio de conteúdos
específicos e das práticas de ensino, algo que costuma
ser pouco explorado pelos concursos públicos. Como
consequência imediata, quem tem a tarefa de ensinar língua
portuguesa, matemática, história, ciências,
também não é capaz de compreender os
conteúdos dessas disciplinas de maneira satisfatória.
“A atividade docente consiste em saber o que ensinar e como
ensinar, as duas dimensões integradas”, afirma Anna
Helena, que acredita haver um problema sério de desconhecimento
do conteúdo entre os professores das séries iniciais.
Para Flávia Sarti, essa é uma defasagem decorrente da
própria formação básica do professor, o que
configura um círculo vicioso perverso. “Tentamos assegurar
que esses professores dominem o conteúdo, mas a
relação também deve ser diferente. O ensino
pressupõe uma compreensão ‘para além’
de apenas saber o
conteúdo”, aponta.
No caso dos professores polivalentes, responsáveis pelos
primeiros anos do ensino fundamental, as lacunas aparecem de maneira
ainda mais crítica – e o curso de pedagogia, na grande
maioria das vezes, não consegue recuperar esse tempo perdido. De
acordo com Marisa Garcia, que dá aulas nos cursos de
graduação e pós-graduação do
Instituto Superior de Educação Vera Cruz, seria o
cenário ideal se a universidade conseguisse dar conta de
reforçar a formação inicial dos alunos, mas
não há nem tempo previsto para esse fim nos
currículos. “Precisamos, antes de tudo, de uma
política educacional que dê conta da
formação básica. Vejo como uma saída as
instituições de ensino superior oferecerem cursos de
extensão para preencher essas lacunas na
formação”, diz.
No caso específico da educação infantil,
identificar habilidades e o conhecimento dos conteúdos parece
ser uma tarefa ainda mais delicada. Maria Angela Barbato Carneiro, da
Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP) e especialista na
área, acredita que o candidato a docente precisa ter um perfil
de observador atento do universo das crianças, além de
saber estimular a criatividade e impor limites. “Na
prática, existe um preconceito contra o professor de
educação infantil. A brincadeira é extremamente
importante para o desenvolvimento e a socialização, e as
situações precisam ser planejadas para cada etapa”,
explica.
Repensar a formação
A criação do exame deve, em médio e longo prazo,
provocar um impacto na formação de professores e,
acredita-se, essa mudança será para melhor se for baseada
em uma matriz referencial amplamente discutida e aceita. “(O
exame) precisa medir esses conhecimentos, mas também deve
oferecer subsídios para pensar a própria escola”,
afirma Anna Helena, do Cenpec. Em princípio, a pesquisadora
Bernadete Gatti tinha dúvidas sobre a implantação
da prova. Ela tinha receio de que os cursos de formação
de professores pudessem se transformar em “cursinhos” para
a prova, em vez de melhorar as práticas e os currículos.
“A grande lacuna na formação se refere a
questões ligadas a práticas pedagógicas e seus
fundamentos. O professor não tem repertório que lhe
permita planejar aulas, escolher métodos, selecionar livros
didáticos”, afirma.
Flávia Sarti espera que os cursos comecem a se reestruturar em
função das diretrizes, principalmente em
relação às demandas que a cada dia surgem no
cotidiano da sala de aula. “A nossa experiência mostra
professores muito angustiados com a quantidade de tarefas que têm
para dar conta. Há uma inflação de projetos que
chegam à escola sem que isso esteja planejado e as demandas
ultrapassam o que se concebe como função docente”,
relata. Para ela, tão importante quanto selecionar bem seria
criar dispositivos de auxílio à iniciação
na carreira, como o acompanhamento de tutores. “É uma
questão de dar início à cultura escolar, ter
próximo alguém experiente para discutir, tirar
dúvidas, procurar caminhos”, sugere.
A distância entre a formação nas
instituições e a realidade escolar também pode ser
diminuída com uma atenção maior aos
estágios, de preferência na rede pública, e o
acompanhamento de professores na sala de aula. “A
formação precisa contemplar uma dimensão
prática”, afirma Marisa, do ISE Vera Cruz. Um exame que
esteja atento a essa visão pode ser mais interessante para a
carreira docente. “Sabemos o quanto é importante a
história da educação, a sociologia, mas essas
disciplinas precisam conversar com o dia a dia das aulas e mesmo entre
elas”, ressalta.
Pensando nas próximas gerações
Maria Angela, da PUC-SP, espera que o exame possa trazer
contribuições para valorizar a profissão,
especialmente se a prova for pensada em conjunto com uma
formação continuada, inclusive com a
utilização da tecnologia, como o uso de cursos a
distância ou semipresenciais. “Investir em
educação significa investir em tudo:
qualificação, remuneração, infraestrutura.
O professor é a peça mais importante nesse processo e as
políticas públicas devem pensar nele tanto para melhoria
profissional quanto pessoal”, defende.
Ao longo de 2011, quando os primeiros professores selecionados por meio
do exame começarem a trabalhar na prática e a relatar
suas experiências, será possível começar a
medir o quanto a preocupação ampla e articulada com a
carreira docente pode trazer de boas notícias para as
próximas gerações. Não só de alunos,
mas também de professores.
Gestão estratégica e fundamental
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha Dirigida, 19/08/2010 - Rio de Janeiro RJ
Administrar uma escola implica em lidar com uma série de
variáveis, entre as quais, estão as
condições de infraestrutura física, a
motivação dos profissionais, a interferência ou
participação dos pais, o comportamento dos alunos. A
forma como o diretor ou gestor lida com estes e outros fatores tem
impacto decisivo no sucesso escolar e, até por isto, tem sido,
de forma cada vez mais frequente, foco de estudos e pesquisas como a da
professora Débora Dias Gomes, que, este ano, lançou
o livro MBA Educação - Gestão Estratégica
na Escola que Aprende. A obra tem como proposta apresentar
práticas que podem aperfeiçoar a gestão
administrativa e pedagógica de instituições de
ensino. Nesta entrevista, ela não só fala destas
estratégias como, explica até que ponto administrar uma
escola pode se aproximar do gerenciamento de uma empresa, analisa os
desafios da gestão em escolas públicas e privadas
e, ainda, salienta as limitações das
avaliações de desempenho existentes. "O excesso de provas
externas e todos os rituais que as acompanham, como revisões,
treinos e simulados podem transformar as salas de aulas em meros
´cursos preparatórios´ para as
avaliações externas", diz Débora Dias, que
também é diretora da Esil Educacional e de cursos de MBA
da DDG Consultoria, além de pedagoga e mestre em Engenharia de
Produção pela Coppe-UFRJ.
FOLHA DIRIGIDA - Gerenciar uma escola é como administrar uma empresa?
Débora Dias Gomes - Não, se pensarmos em
ações estratégicas, mas sim, se pensarmos na
aplicação dos princípios de gestão. O que
posso afirmar é que os princípios e fundamentos da
Administração são os mesmos para qualquer
atividade, inclusive e principalmente, uma instituição de
ensino. No entanto precisaremos pensar sobre o que é
administrar. Esta é uma área do conhecimento que tem
sofrido muitas alterações ao longo dos tempos. A
administração tornou-se a principal função
social que uma organização precisa assumir. Quando
ouvimos a expressão "administração de empresas",
devemos recordar que é pelo simples fato de que a
Administração emergiu pela primeira vez em empresas
não-educacionais de grande porte e muito mais ligadas as
questões industriais. Mas o tempo mostrou que a
administração é necessária em qualquer
instância que necessite de planejamento e
implementação de ações de melhorias.
Então o primeiro passo é nivelar a nossa
percepção sobre o conceito dessa ciência. Certa
ocasião, fui convidada para fechar a "semana do administrador"
em uma universidade do Rio. Então iniciei a minha palestra
perguntando para a plateia de jovens e futuros administradores, o que
seria administrar para eles. - Um estudante gritou lá do final
do auditório: "É liderar!". Mais à frente, um
jovem disse com muito entusiasmo: "Administrar é ter uma
missão, planejar, organizar, controlar e assinar embaixo".
Aquele jovem me fez refletir sobre o quanto é difícil
administrar assinando em baixo, ou seja, assumindo responsabilidade
pelos êxitos e fracassos de uma decisão. Esse é o
maior desafio da gestão - a tomada de decisão. Elas
trazem riscos, pois existem variáveis incontroláveis.
É importante lembrar que as decisões consistem em
vantagens e desvantagens. Estamos sempre no campo das incertezas.
Será preciso em cada processo decisório identificar as
desvantagens para neutralizá-las e as vantagens para
potencializá-las. E isso não é fácil para
nenhum gestor. Mas tomar decisão é pré-requisito
para uma escola de qualidade.
Quais as principais diferenças e semelhanças?
Se pensarmos nas semelhanças entre a gestão de uma escola
ou de qualquer outra empresa, concluiremos que, qualquer tipo de
organização precisa planejar e executar o que foi
planejado por meio de pessoas preparadas. Como também acompanhar
a execução desenvolvendo a "cultura de dados" e registros
confiáveis, que, se bem organizados, tornam-se base de dados (e
não um "bando de dados") para decisões importantes
visando o futuro da organização. De posse da base de
dados, checar, ou seja, analisar os dados e fatos registrados,
refletindo sobre os resultados obtidos nesse processo de
avaliação institucional. A partir dessa análise,
partir para a última etapa do ciclo constante da
administração que é a ação. Colocar
a organização em constante processo de melhorias e
inovações. Isso é qualidade. Enfim, os
esforços administrativos são os mesmos: planejar,
desenvolver, controlar e agir. Trata-se de verbos de ação
que fazem a dinâmica das organizações. Mas a
principal diferença sempre estará no "o que"
constará num planejamento para se colocar em prática. A
essência de cada atividade é que precisa ser respeitada na
hora de elaborar o seu Plano de Desenvolvimento Escolar – PDE. Um
planejamento não deve ser elaborado para uma
instituição e sim pela própria comunidade
envolvida, respeitando a cultura, o cenário, a realidade de cada
uma. É exatamente por isso que o que precede qualquer
planejamento é o diagnóstico. Devemos começar
qualquer tipo de posicionamento estratégico a partir da
avaliação das variáveis do cenário externo
e interno de cada instituição.
Administração é uma função
genérica para qualquer tipo de atividade, independente de sua
missão específica. Podemos aplicar os mesmos
princípios e conceitos de gestão, numa vida, uma
carreira, uma igreja, um clube, uma família, uma comunidade, um
açougue, uma farmácia, uma creche ou uma universidade.
Os mesmos princípios de gestão podem se aplicados na rede pública e na rede privada?
Repito, os princípios e fundamentos são os mesmos, no
entanto, os desafios da gestão escolar são diferentes nos
dois setores. Tanto a rede pública como a rede privada sofrem
interferências das variáveis do ambiente externo.
Porém ambas fazem parte do Sistema Educacional Brasileiro. Os
aspectos políticos, legais, econômicos, sociais,
culturais, demográficos e tecnológicos, geram
oportunidades e ameaças para a escola pública e privada.
Como também, as variáveis internas do tipo: estrutura,
orçamento, pessoas, relacionamento com a comunidade,
comunicação interna, entre outras, resultam em
forças ou fraquezas. Tudo isso precisa ser analisado nos dois
setores.
Quais os principais desafios na rede privada?
Muitos vêem como uma vantagem da gestão da escola
particular a suposta autonomia na tomada de decisão quanto aos
seus modelos de gestão e o cotidiano. O que não significa
que tenha qualidade em suas estratégias gerenciais ou tomem as
melhores decisões. Estamos falando de algo complexo e
sistêmico. A rede privada enfrenta, nesse momento, grandes
desafios para a sustentabilidade de suas diversificadas realidades. As
escolas de pequeno porte estão sendo esmagadas pela crise
econômica, crise de valores, ausência de políticas
públicas, altos impostos e a triste questão da
inadimplência. As grandes escolas também são
impactadas por tais fatores, no entanto, possuem maiores recursos para
a sobrevivência. Não basta ter um projeto
pedagógico de qualidade, será preciso diversificar as
atividades, otimizar suas estruturas, capacitar e mobilizar as suas
pessoas para mudanças visando superar a crise. Só
não pode deixar a crise virar um drama. Quando tudo vira drama
é porque o sonho acabou. A crise pode ser interpretada como
ameaça ou oportunidade. O desafio é vencê-la com
criatividade gerencial.
E na rede pública?
A rede pública enfrenta outros tipos de crises e tensões:
a crise de identidade, a crise social, os valores invertidos, mas
principalmente a crise política, visto que no Brasil, ainda
perdemos muito tempo com recomeços. É muito comum um novo
governo descontinuar o que foi feito numa gestão anterior caso
ela não tenha sido do mesmo partido. Então os sistemas de
ensino são disputados por propostas políticas com
diferentes concepções de educação. Embora
tenhamos parâmetros curriculares nacionais e uma LDB que nos
direcione para uma pedagogia progressista, muitos municípios e
estados rompem e com esse valor e decidem por uma prática
conteudista. Nesse cenário os gestores, professores e
funcionários das escolas públicas estão sempre em
mudança de rota. Precisam de muita resiliência para
adaptarem-se aos novos padrões gerenciais de cada período
político, negando, muitas vezes as suas próprias
concepções científicas sobre aprendizagem e
sucesso escolar. Isso tudo é no mínimo,
questionável. Penso que um modelo de gestão pela
qualidade na educação precisa buscar o aprimoramento
contínuo e as inovações administrativas e
pedagógicas. Ambos são frutos de ciclos de aprendizagem
institucional e não rupturas constantes. Tivemos grandes
avanços no acesso à escola pública. Não
faltam escolas, mas no momento em que o acesso é ampliado,
aumentam os obstáculos gerenciais e corremos o risco de perder o
foco do que é essencial na educação: o direito do
aluno aprender a aprender.
Qual o impacto da gestão para o sucesso escolar?
O sucesso escolar depende do quanto a gestão educacional
será capaz de garantir um processo educativo coerente com o
mundo em mudanças. A escola precisa construir coletivamente um
Projeto Pedagógico que saiba trabalhar com as diferenças
e que garanta a aprendizagem significativa de seus alunos. Enfim, um
Ensino por Competências numa Pedagogia Diferenciada. É
difícil prever em detalhes o mundo que está emergindo.
Mas acredito que podemos desenvolver em cada um de nossos alunos o
estar preparado para mudanças sempre. Assim estarão aptos
para captar com alto grau de probabilidade quais as novas
questões que surgirão. Da mesma forma que exercitaremos
as possibilidades de desenhar a escola do futuro, eles
desenharão suas possibilidades futuras. Assim, o primeiro
desafio gerencial deverá ser o posicionamento filosófico
da escola. Ela deve se perguntar: Que tipo de ser humano sairá
do nosso laboratório de aprendizagem?
Além disto, o que mais é necessário?
Por mais que a escola tenha desenhado um lindo perfil de aluno, ela
deverá pensar como desenvolvê-lo em sala de aula. Nesse
momento ela terá que estudar e decidir por uma base
epistemológica. Qual será a sua concepção
sobre a construção do conhecimento humano? Como ele
aprende? O que os neurocientistas nos apresentam? Não basta
entendermos o que o aluno tem que aprender. É preciso saber como
ele aprende. A Didática centrada nos processos de pensamento
garante uma prática docente que combina a
apresentação dos conteúdos curriculares com a
construção do conhecimento por meio da
interação entre docente, discente e conteúdos. A
partir desse posicionamento científico, a escola precisa
organizar o seu espaço didático-pedagógico. O
sucesso escolar depende da Gestão da Qualidade na
organização do tempo e espaço do seu cotidiano
para atender os posicionamentos acima. Depende da capacidade gerencial
de utilizar coordenadamente os recursos e tecnologia existentes, ter um
olhar estratégico para a gestão de pessoas, organizar os
métodos, processos e procedimentos. Tudo isso, por meio de um
efetivo ambiente de aprendizagem individual, coletiva e institucional.
A Gestão é o processo de organizar a atividade meio
(administrativa) para apoiar a atividade fim (pedagógica) e
manter-se conectada com o futuro. Esse é o nosso desafio:
transformar o fracasso escolar em sucesso escolar a partir do direito
de todos à uma aprendizagem significativa em nossas salas de
aulas. Esse é um compromisso social que precisa ser assumido por
qualquer modelo de gestão educacional.
Em seu livro MBA Educação-Gestão
Estratégica na Escola que Aprende, a senhora apresenta
práticas de excelência de gestão administrativa e
pedagógica que podem ser adotadas por escolas de qualquer tipo e
tamanho. Quais as principais?
O meu livro é uma compilação de estudos e
pesquisas que realizei entre 1993 e 2000 e que sofreu uma releitura
entre 2005 a 2009. Tive necessidade de compartilhar com outros gestores
educacionais, um exercício pessoal de compreensão dos
principais focos de gestão que uma escola precisa ter. Busquei
responder as seguintes perguntas: Como administrar a escola em tempos
de mudanças? Quais são as funções da
gestão educacional? O que significa gerenciar estrategicamente
uma escola? Como implementar uma Escola que Aprende? O resultado das
pesquisas na busca de respostas estão organizados em 10
capítulos, é como se fossem fascículos de uma
coleção com o tema central na Gestão
Estratégica para as instituições de ensino.
A senhora poderia citar algumas das práticas de excelência na gestão que trabalha em seu livro?
Ao longo do livro eu apresento o que considero práticas de
excelência na gestão pela qualidade na
educação. São elas: gerenciar mudanças com
o foco na globalização, no empoderamento (Gestão
participativa) e na otimização de tempo e recursos
visando garantir a função social da escola; identificar a
visão de futuro da escola a partir do mapeamento de
tendências geradas por macrovariáveis que trazem
cenários futuros e perceber os seus impactos na
educação; compreender o aluno como a razão de
existir da escola, criando estratégias de relacionamento e
comunicação para entender e atender as suas necessidades,
expectativas e desejos; planejar e implementar um sistema de
avaliação institucional visando um olhar sistêmico,
mapeando todos os elementos que fazem parte do ambiente externo e
interno para medir o desempenho da escola nas dimensões
organizacionais, dos processos administrativos e pedagógicos e
do desempenho das pessoas; desenvolver o posicionamento
estratégico por meio de um Plano de Desenvolvimento da Escola,
utilizando a metodologia de planejamento estratégico; Elaborar
uma política interna de Gestão de Pessoas cuidando da
motivação, da educação continuada e do
ambiente de trabalho para obtenção da gestão
participativa num clima de bem estar e satisfação
pessoal; Cuidar da cultura corporativa por meio de um ambiente de
aprendizagem institucional, fazendo, assim a Escola que Aprende.
As avaliações externas como Enem e Provinha Brasil
são eficientes para aferir a qualidade da escola e da
aprendizagem dos alunos? Por quê?
Não creio nisso. As avaliações externas sozinhas
não são suficientes para aferir nem a qualidade da escola
e nem o índice real da aprendizagem dos alunos. Há que se
ter um sistema integrado de gestão da avaliação
educacional contemplando resultados de mais duas dimensões. Uma
delas é a das avaliações institucionais, que
proporcionam constante monitoramento interno dos critérios e
requisitos de gestão que mede da sala de aula aos grandes
esforços gerenciais, mede a qualidade da gestão
pedagógica e institucional. Trata-se de um diagnóstico
situacional. (Abordo esse tema no capítulo 6 do livro). A outra
dimensão é a das avaliações de
aprendizagem, que permitem acompanhar o desempenho dos alunos por meio
do sistema de avaliação formativa, com múltiplos
instrumentos e avaliadores, com um olhar interdisciplinar e foco em
competências e habilidades nas múltiplas
inteligências. Não basta apenas a análise de dados
do desempenho dos alunos nos conteúdos de português e
matemática e dados dos professores coletados em
questionários.
Qual é o papel das avaliações padronizadas de larga escala?
Luiz Carlos de Freitas, no livro: Avaliação Educacional
– Caminhando pela contramão, afirma que a
avaliação externa ou de larga escala "é um
instrumento de acompanhamento global das redes de ensino com o objetivo
de traçar séries históricas do desempenho dos
sistemas, que permitam verificar tendências ao longo do tempo,
com a finalidade de reorientar políticas públicas". Penso
que para que esse objetivo seja alcançado, ainda precisamos
caminhar muitas milhas. Como também precisamos entender que esse
não pode ser o único foco de avaliação da
aprendizagem dos alunos. Costumo pensar que "quando toda ferramenta que
temos é um martelo, todo problema vira prego". Enfim, não
podemos utilizar apenas uma ferramenta de medição.
Qual a utilidade destas avaliações?
Avaliações padronizadas dão uma fotografia
instantânea do desempenho. Elas são úteis como
informação parcial, por isso não devem ser usadas
para recompensas e punições ou julgamentos precipitados.
A mídia tem nos mostrado que a avaliação externa,
em suas múltiplas dimensões, tem ocupado um grande
espaço de discussão internacional (com o Pisa), nacional
(com o Saeb, Prova Brasil, Enem), e ainda, algumas regionais como o
Ide-Rio, por exemplo. Por sua vez, a comunidade científica
discute as diferentes possibilidades de transformar esse movimento em
algo realmente efetivo para a melhoria da qualidade da escola impedindo
que se caracterize pelo ranqueamento entre escolas ou pela "caça
aos culpados". Nos últimos dias, li uma notícia que me
impactou muito. Trata-se da fala de Diane Ravitch
(Secretária-adjunta de Educação e conselheira do
secretário de Educação na
administração de George Bush, e foi indicada pelo
ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing
Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a
implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que
tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em
medição e mérito, para melhorar a
educação). A frase é a seguinte: "Nota mais alta
não é educação melhor". Ao ser perguntada
sobre o porquê de seu novo posicionamento quanto a reforma
educacional americana, que serviu de inspiração para
outros países, inclusive o Brasil, ela afirmou que o erro foi
que, aquele sistema, acabou formando apenas "alunos treinados para
fazer provas".
Existe o risco de acontecer isto no Brasil?
O excesso de provas externas e todos os rituais que as acompanham, como
revisões, treinos e simulados podem transformar as salas de
aulas em meros "cursos preparatórios" para as
avaliações externas, e essa não é a
função social da escola. Precisamos avançar nesse
debate, lembrar que o objetivo deve ser sempre melhorar a
educação e não simplesmente aumentar as
pontuações em cada aplicação das provas.
Precisaremos de um futuro com jovens cidadãos que estudaram
história, ciência, geografia, literatura, artes,
música, idiomas, educação física,
ética, além de matemática e língua
portuguesa. Eu me pergunto onde fica a inclusão escolar nisso
tudo. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que
é uma boa educação. E é muito mais que
saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar com as necessidades dos
estudantes, para que eles aprendam de forma significativa respeitando
as diferenças de cada um.
Hoje em dia, qual o perfil, em linhas gerais, do diretor de escola? Este perfil está atrasado no tempo?
A primeira questão é identificar o que um diretor de uma
instituição de ensino faz? Na verdade, são pessoas
com a responsabilidade de orientar o trabalho de outros e "cujo
trabalho" é fazer com que outros trabalhem com excelência
na organização do espaço e do tempo do cotidiano
escolar. É Guardião dos valores e princípios da
organização e das políticas que deles decorrem,
atualizando-se com relação aos mesmos, estudando-os de
forma a entendê-los perfeitamente e explicando-os para sua equipe
de trabalho, garantindo desempenhos e resultados coerentes com eles.
Posso citar algumas características fundamentais para o perfil
desse líder: Ensina o que é. É o que ensina.
Enfim, serve de EXEMPLO. Gosta de aprender, aprende com o erro e ensina
a prevenção dos mesmos. É servidor e gosta de
gente. Tem seguidores. Tem visão sistêmica, visão
de futuro. É estrategista. Tem persistência e
constância de propósito.
Que tipo de habilidades e conhecimentos faltam aos diretores de escolas, tanto no setor público como no privado?
Na verdade, já encontramos diretores tanto no setor pú
blico como no privado com conhecimentos em gestão e exercendo um
padrão de liderança ético e eficaz. Mas o
contrário também existe. Posso citar algumas habilidades
que considero essenciais para um diretor efetivo: PLANEJAMENTO - Gestor
que investe em planejamento evita ser escravo da burocracia e diminui
os incêndios da rotina escolar. O gestor educacional precisa
facilitar o processo de elaboração do Plano de
Desenvolvimento Escolar-PDE e do Projeto Pedagógico de maneira
participativa. ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO - Classificar as
atividades, separando as que são fundamentais (e que só
ele pode fazer) das que podem ser delegadas, é um caminho para
ajudar a hierarquizar a agenda. DESENVOLVER PESSOAS - Dirigindo,
orientando, apoiando, avaliando o desempenho delas, dando feedbacks,
sugerindo alternativas de cursos, leituras, propiciando desafios no
trabalho que exijam desenvolvimento de conhecimentos e habilidades,
visando atingir os objetivos da organização e o
crescimento/satisfação pessoal/profissional de sua equipe
de trabalho. AGENTE DE MUDANÇAS - Acelerando processos de
mudanças planejadas, através de ações que
propiciem a implementação de novos
sistemas/processos/procedimentos e nas que lhe são correlatas e
entendendo a mudança como oportunidade e não como
ameaça. COMUNICAÇÃO EFETIVA - Passando
informações institucionais para a equipe desenvolver
visão sistêmica, relacionando-se com a comunidade e os
pais, cuidando para que as informações permitam fluidez
nos processos inter-áreas, fazendo com que fluam sem
ruídos. Incentivando a comunicação direta e
informal e a troca de experiência em sua equipe. Fala com as
pessoas e não das pessoas. NEGOCIADOR - Buscando
soluções alternativas, tomando decisões onde sejam
satisfeitos interesses das partes e do todo, nivelando
percepções e promovendo o consenso.
Muito também se fala da importância da
participação dos profissionais no processo de
gestão. Mas, este tipo de participação realmente
funciona? Até onde pode ir esta abertura de espaço?
Onde existe um problema existe um potencial de melhoria. E esse
potencial está nas pessoas. Toda solução
está perto da ação. A cultura da
participação alavanca o sucesso e a velocidade na
resolução de problemas. Quem vive o problema precisa
participar da solução. Na verdade, quem é parte do
problema precisa fazer parte da solução. Aliás,
isso me faz lembrar o significado da própria palavra
ADMINISTRAÇÃO. AD = Adição + MINISTR =
MINISTRO (que por sua vez significa servir), o líder servidor +
AÇÃO. A palavra em si já carrega o sentido da
participação. Todos que fazem parte da escola devem
comprometer-se com os resultados do aprendizado do aluno e os
resultados institucionais. Há que se ter compromisso pessoal com
o trabalho coletivo. As pessoas devem trabalhar de forma coletiva para
explicitar e definir, de modo consensual, os valores, objetivos,
prioridades, e a realidade em questão. Não é uma
questão de abertura e sim de tornar ágil e eficiente o
trabalho escolar. É também uma questão legal. A
Lei de Diretrizes e Bases da educação – LDB
determina que a construção do Projeto Pedagógico
Institucional seja participativo e democrático. Não
é fácil mobilizar as pessoas para a
participação nas mudanças e melhorias.
Mudança gera problemas e nem sempre as pessoas querem vivenciar
os incêndios. Aliás eu já ouvi que num
incêndio "é melhor ter ausência de corpo do que
presença de espírito". Então precisaremos tirar as
pessoas da zona de conforto . É preciso participar para
compreender o sentido das coisas. Como um verdadeiro bombeiro,
enfrentar os problemas com presença de espírito. A
participação é um exercício de cidadania.
Precisamos definir as representatividades do sistema escolar, ouvi-los
e fazer com que participem da identificação, da
análise e das soluções de problemas. Escola boa
não se faz por decreto, mas pela vontade coletiva de seus
atores. A Qualidade da escola não deve ser somente assunto de
governo, mas de todos. O governo pode decidir se equação
do segundo grau entra no currículo ou se Camões sai. Mas
o governo não pode criar escolas boas sem a
participação da comunidade local.
A motivação é fundamental para o bom trabalho na
escola. Porém, são constantes as
reclamações de professores e profissionais com
relação a salários e condições de
trabalho, problemas que, muitas vezes, o diretor não tem como
resolver. Como administrar isto?
Somente salário e condições de trabalho não
garantem compromisso social por parte dos atores da escola.
Infelizmente, encontramos dentro de nossas organizações,
pelo menos uma pessoa muito engajada no processo de sofrer e
enlouquecer vagarosamente. Sucesso tem que puxar sucesso! Infelizmente,
o mau humor é contagiante. Há que se ter
estratégia para cuidar da alma da escola e gerar o bom-humor. Eu
me pergunto: Quanto custa um professor desmotivado? O testemunho de
vida, a maneira de ser, de falar, de se relacionar com os outros, de
passar o sentimento sobre o significado do trabalho. Creio que, o
nível de motivação para o trabalho é que
rege o produto final da comunicação entre professor e
aluno. O aluno aprende o que o professor é. Nossos filhos e
alunos absorvem lenta e cumulativamente o nosso exemplo. Especialistas
afirmam que o mais persuasivo ensino moral que os adultos podem dar
é pelo exemplo. O pensador Ralph Waldo Emerson, há 150
anos, em seu ensaio "American Scholar", afirmou que "o caráter
é superior ao intelecto". Dizia ele já naquela
época que uma ética deveria ser estabelecida. A verdade
vale muito mais do que qualquer mentira bem elaborada. O ambiente de
trabalho e estudo precisa refletir a atmosfera que desejamos criar.
Trata-se de uma simples escolha. As pessoas devem encarar o trabalho
como sofrimento ou como realização pessoal? Esse é
o desafio: dignificar o conceito de trabalho. É possível
construir ambientes de trabalho dignos da fabulosa complexidade humana.
A sociedade do conhecimento nos conclama, como líderes
educacionais, a desvendarmos os mistérios cerebrais e emocionais
do ser humano. Estamos falando de estabelecer em nossas
instituições um "novo conceito de trabalho". Uma cultura
corporativa onde a Política de Gestão de Pessoas
não seja mero documento administrativo e burocrático. O
fator humano precisa ser meta estratégica nas
Instituições de Ensino. Eu não estou falando em
construir ambientes paternalistas. Uma escola boa para se trabalhar tem
como principais características um ambiente transparente e
humano. Um lugar onde todos os problemas são problemas de todos
e todos assumem o compromisso com os resultados em todos os
níveis.
Como é possível inovar na gestão escolar?
Inovação depende do quanto a escola está conectada
com o futuro e com os avanços tecnológicos e
científicos. A gestão escolar inovadora será
aquela que conseguir enxergar aquilo que parece impossível para
a maioria, acredita no que vê, rompe paradigmas com fé
sincera e planejamento responsável. A verdade é que os
incêndios do dia a dia nos impede de pensar o futuro. Precisamos
forçar tal exercício, pois antecipar o futuro é
uma necessidade humana. Peter Drucker dizia que "a melhor forma de
prever o futuro é criá-lo". Penso que isso é que
vai alavancar inovações administrativas e
pedagógicas nas escolas. Mas a inovação depende de
ideias, e elas estão na cabeça das pessoas. Por meio de
boas ideias que melhoramos a nossa performance. Bastando para tal,
"convocar vontades" nos protagonistas locais fazendo com que aprendam a
pedagogia dos sonhos. Para onde ir? Como estaremos em 2020? Como
serão as crianças dessa década? Que estrutura a
escola terá? Como será a sala de aula? E a minha
profissão, qual será o perfil exigido? À medida
que a ciência se move por meio de inventos tecnológicos e
cada descoberta sugere um conjunto de passos subsequentes, o mundo vai
tomando novos ritmos e rumos. Qualquer previsão sobre o futuro
deve considerar a instabilidade gerada pela relação da
humanidade com as inovações da ciência e da
tecnologia. Então a grande inovação da escola
precisa começar na sala de aula, no fazer pedagógico.
Precisamos oferecer a uma sociedade baseada em conhecimento, um
processo de aprendizagem que os transformem em trabalhadores
intelectuais. Àqueles que farão futuro acontecer.
Grã-bretanha - Alunos mais novos têm piores notas, diz estudo
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 23/08/2010 às 09:43 hs.
Um levantamento do governo britânico mostrou que a cada ano 10
mil adolescentes não conseguem ser aprovados no exame GCSEs (uma
espécie de Enem, mas que reprova quem vai mal) simplesmente
porque são novos demais.
Na média, os estudantes nascidos no último mês
letivo - no caso, agosto - têm desempenho menor que seus colegas
mais velhos durante toda a vida acadêmica. Anualmente são
aprovados 100 mil alunos nascidos em setembro e apenas 90 mil
aniversariantes do mês de agosto.
Segundo especialistas, ao entrar na escola mais cedo, a criança
tem menos tempo para se desenvolver intelectualmente. O governo disse
que vai levar em conta o estudo para novas políticas na
área.
Fonte: O Estado de São Paulo