
25/08/2010 AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por
meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor
educacional às instituições associadas.
Esclarecemos que as matérias
veiculadas não representam, necessariamente, a opinião da Associação.
Caso não queira mais recebê-lo
responda esta mensagem inserindo no campo "Assunto" a palavra:
REMOVER.
Em breve será implantado
diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade
na pesquisa
Instituições Privadas ganham o seu Sistema de Alocação de Estudantes ao Ensino Superior
Conselho Nacional de Educação não divulga, ainda, pauta de sua reunião
Brasil está no G-13 da produção científica
Educação, o caminho
Ponto eletrônico é adiado para 2011
Projeto dará posse como senadores a jovens estudantes
Pais adiam envio de crianças à pré-escola em busca de melhores resultados na educação
Na busca por talentos, empresas assumem ensino
Material escolar deverá ter selo de segurança e qualidade
Obama e sua aposta universitária
Déficit universitário
Alunos ingleses já acham papel e caneta obsoletos
Importante novidade na gestão da educação
OAB julga atuação de estrangeiros
Lei de Inovação ainda é restritiva
O Y da questão
Brasileiros acreditam que escola não prepara para o mercado de trabalho
Prometem cidadãos, entregam maus alunos
Ministério Público pede que UFPE pare de cobrar taxas a alunos
OAB: proposta de Adams para achatar honorários prejudica advocacia pública
Cobrança de ISS ocorre no local onde o serviço foi prestado
Os modismos
Brasil Ilimitado
Lula e Haddad entregam novas obras de expansão de universidades federais
Instituições Privadas ganham o seu Sistema de Alocação de Estudantes ao Ensino Superior
Fonte: Jornal da Educação
Nesta quinta-feira, dia 26 de agosto, será lançado,
durante o 7º Seminário Brasileiro de
@dministração da Educação, promovido pelo
Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação, o
Sistema de Alocação de Estudantes ao Ensino Superior
– SAEPES, também conhecido como “Faculdade
Já”.
O programa, que é gratuito, tem como objetivo promover a
interação dos estudantes com as vagas ofertadas nas
faculdades de todo o país, utilizando a nota do Enem como
critério de seleção e proporcionando acesso
imediato à matrícula desde que satisfeitas as
exigências mínimas estipuladas por cada
instituição, em cada determinada carreira.
A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino e
várias associações e entidades representativas do
ensino superior já apoiam o projeto. Mais
informações na página www.faculdadeja.com.br
(IPAE 139 - 08/10)
Conselho Nacional de Educação não divulga, ainda, pauta de sua reunião
Fonte: Jornal da Educação
O CNE terá reunião no período de 31 de agosto a 2 de setembro, em sua sede, em Brasília.
A pauta não foi, ainda, divulgada, o que impede se destacar os principais temas que serão abordados.
No passado essa disponibilização ocorrida com
razoável antecedência, permitindo que os educadores
pudessem se programar para assistir as sessões plenárias,
que são abertas.
O Conselho conta com um grupo de reconhecida competência e muitos
dos debates possibilitam conhecer assuntos relevantes para a
educação do país, mas para que isso ocorra
é necessário que os interessados se planejem para estar
presente ao colegiado.
(IPAE 138- 08/10)
Brasil está no G-13 da produção científica
Fonte: Jornal da Educação
O Brasil subiu duas posições no ranking das
nações com maior volume de produção
acadêmica, ocupando o 13º lugar. Entre 2007 e 2008, o
país publicou 56% mais artigos científicos de alto
padrão.
A notícia foi dada pelo governo federal com entusiasmo, que
acredita que o fato se deve pela ampliação nos
últimos anos dos investimentos públicos em ciência
e tecnologia.
Mas na ponta oposta, especialistas afirmam que o aumento no percentual
de artigos publicados é resultado do aumento do número de
periódicos nacionais indexados na Web of Science, base de dados
que cataloga revistas científicas.
O Brasil é responsável hoje por 2,12% da
produção internacional, deixando para trás
Rússia e Holanda, que tradicionalmente mais presentes na
área.
(IPAE 137 - 08/10)
Educação, o caminho
Fonte: Diário Catarinense, 24/08/2010 - Florianópolis SC
Milton Dallari
O que faz um país é o trabalho de cada um dos seus
cidadãos. E o crescimento sustentável somente é
possível com investimentos planejados, transparência
administrativa e total comprometimento dos governos federal, estaduais
e municipais nas mais diversas áreas sociais e da economia.
Entre tantos elos dessa corrente que puxa o crescimento, um se destaca,
já que é diretamente ligado ao futuro de cada
cidadão: a educação. Educação
acessível e de qualidade é um dever do Estado e um
direito do cidadão. É difícil promover o
desenvolvimento sem condições de qualificar e capacitar
pessoas em todos os níveis. Sem um ensino fundamental
sólido, um ensino médio que profissionalize e dê
bases para a chegada à universidade e sem estímulos e
ferramentas que possibilitem a profissionalização em
várias faixas de idade, fica cada vez mais complicado o acesso
ao mercado de trabalho, onde as tecnologias se renovam com enorme
velocidade. Para começar, é urgente alterar o modelo
educacional, em todos os seus aspectos, especialmente os relacionados
à valorização dos recursos humanos.
Outra medida fundamental nesse processo de evolução diz
respeito à ampliação do estímulo
à educação profissionalizante voltada para as
necessidades do mercado de trabalho. É necessário um
ensino que garanta qualificação capaz de dar acesso
às oportunidades de emprego e melhoria de renda. A lista de
prioridades contempla, ainda, a ampliação dos programas
de inclusão digital e acesso à tecnologia da
informação, extremamente necessárias nos dias de
hoje. Tais iniciativas não bastam, mas podem servir como
ignição. Sem uma educação eficiente e de
qualidade, e sem tecnologia, é impensável o país
conseguir se equiparar aos países mais desenvolvidos.
Ponto eletrônico é adiado para 2011
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 25/08/2010 às 11:28 hs.
O governo resolveu dar mais prazo – até 1.º de
março – para as empresas se adequarem à nova
regulamentação do Registro de Ponto Eletrônico. As
novas regras, previstas na portaria de 1.510/09, começariam a
valer nesta quinta-feira, dia 26, enquanto a fiscalização
com aplicação de multas, em dezembro.
A portaria com a nova data foi publicada no Diário Oficial da
União (DOU) no dia 19. O passo atrás foi provocado por
estudo do Ministério do Trabalho, que detectou a possibilidade
de haver falta de equipamentos necessários para atender à
nova regulamentação. “Iria faltar equipamentos no
mercado e poderíamos sofrer ações judiciais das
empresas”, disse o ministro Carlos Lupi, por meio de sua
assessoria de imprensa
Fonte: O Estado de São Paulo
Projeto dará posse como senadores a jovens estudantes
Fonte: Jornal Senado, 25/08/2010
Questão de ordem, quórum, decisão terminativa.
Termos usuais nas sessões plenárias e nas reuniões
das comissões do Senado Federal passarão a fazer parte do
vocabulário de estudantes do ensino médio que, durante
três dias, participarem do projeto Jovem Senador. A iniciativa
integra o programa Senado Jovem Brasileiro, criado este mês por
meio da Resolução 42/10 e que começa a valer a
partir de 1º de fevereiro de 2011.
Os nomes dos jovens senadores e senadoras da primeira
edição do projeto vão ser divulgados em novembro,
durante a premiação do 3º Concurso de
Redação do Senado Federal. O concurso também faz
parte do programa Senado Jovem Brasileiro e, este ano, tem como tema
"Brasília, capital dos brasileiros". A comissão
organizadora vai receber, até 30 de setembro,
redações de estudantes de 16 a 19 anos de escolas
públicas estaduais de todo o país.
Cada legislatura do projeto Jovem Senador será formada pelos
estudantes classificados em primeiro lugar no concurso de
redação do Senado em cada um dos 26 estados e no Distrito
Federal. Os trabalhos serão iniciados com a posse dos alunos
selecionados e a eleição da Mesa, composta por
presidente, vice-presidente, primeiro e segundo secretários.
Sob orientação de parlamentares e servidores, os jovens
senadores e senadoras vão elaborar propostas legislativas e
fazer discursos, apresentados em sessões simuladas,
preferencialmente no Plenário do Senado. Para tornar essa
experiência ainda mais próxima da realidade, serão
seguidos procedimentos regimentais relativos à
tramitação dos projetos de lei, inclusive quanto à
iniciativa, publicação, discussão e
votação em Plenário.
Pais adiam envio de crianças à pré-escola em busca de melhores resultados na educação
Fonte: The New York Times, 22/08/2010
Pamela Paul
Após todos aqueles rituais cuidados da primeira infância
–baralhos educativos, Kumon, Dora a Aventureira, as manhãs
passadas em playgrounds sofisticados– quem não gostaria de
dar aos seus filhos uma vantagem inicial na hora de começar a
escola? Suzanne Collier, por exemplo. Em vez de enviar seu filho de 5
anos, John, para o jardim de infância neste ano, a mãe de
36 anos de Brea, Califórnia, o matriculou em um jardim de
infância “de transição”, “sem
tanto rigor”. Ele é uma criança ativa, disse
Collier, “que ainda não está pronto para se
concentrar em um dia inteiro de trabalho em sala de aula”.
Citando um estudo do “The Tipping Point” a respeito dos
jogadores de hóquei canadenses, que apontou que os jogadores
mais fortes eram os mais velhos, ela disse, “se ele for mais
velho, terá mais chances de apresentar o seu melhor”. A
escola de pensamento dela é uma popular e não é
nova. “Redshirting” (adiar) a pré-escola – o
termo vem da prática de adiar a participação dos
atletas universitários em jogos competitivos–
começou a crescer nos anos 90 e não exibe sinais de estar
diminuindo. Em 2008, o ano mais recente para o qual há dados de
censo disponíveis, 17% das crianças tinham 6 anos ou mais
quando entraram na pré-escola. Mesas de areia têm sido
substituídas por folhas de papel com uma velocidade
surpreendente até mesmo para os padrões de uma
década atrás.
Culpe o programa “Nenhuma Criança para Trás”
e a corrida para deixar as crianças prontas para provas
já na terceira série: o jardim de infância tem se
transformado, segundo muitos educadores, na “nova primeira
série”. O que antes parecia uma aberração
–algo que provocava fortes debates em jantares– passou a
ser a norma. Mas isso não facilita as coisas para os pais.
“Nós agonizamos a respeito disso o ano todo”, disse
Rachel Tayse Baillieul, uma educadora alimentar em Columbus, Ohio, onde
a data limite para matrícula é para os nascidos
até 1º de outubro. As crianças cujos
aniversários caem depois dessa data devem aguardar até o
ano seguinte para começar a escola. Mas sua filha, Lillian, 4
anos, nasceu cinco dias antes, em 25 de setembro, o que a tornaria a
mais nova da classe. Com a grande diferença de idade nas salas
de aula dos jardins de infância, cada nova geração
de pais de crianças em idade pré-escolar deve lidar com a
decisão de quando matricular seus filhos. Meninos inquietos, que
se distraem facilmente e são menos maduros têm maior
probabilidade de ter suas matrículas adiadas do que as meninas,
mas o adiamento da matrícula agora é comum para
ambos os sexos.
“Tecnicamente, Lillian poderia ir para o
pré-primário”, disse Tayse Baillieul.
Tirá-la do maternal de período curto permitiria a Tayse
Baillieul voltar a trabalhar e ganhar renda. Mas os professores de
Lillian a aconselharam adiar mais um ano. “Eles disseram que a
permanência dela no maternal por mais um ano não
prejudicaria e provavelmente ajudaria, especialmente com o
desenvolvimento social e emocional.” Mesmo assim, uma sala de
aula com uma diferença de idade de 18 meses criará
disparidades sociais. “Alguém terá que ser o mais
novo da classe”, apontou Susan Messina, uma mãe de 46 anos
de Washington. “Independente do que você
faça.” Quando Clare, atualmente com 9 anos, entrou na
pré-escola com 4, Messina estava ciente da prática de
adiamento da matrícula. “Eu pensei, eu não estou
quebrando as regras, eu não estou me antecipando, nós
estamos fazendo exatamente o que devemos fazer”, ela disse.
“Então percebi que nos dias de hoje, há esse
interesse em manter seu anjinho brilhante por mais tempo na
pré-escola, para que ele possa ser o mais esperto e o mais alto
para o time de basquete. Mas minha filha não precisa de ajuda.
Ela está bem.”
Ainda assim, a incomoda o fato de que crianças na mesma sala de
aula serem até um ano e meio mais velhas do que Clare.
“Ela tem amigas que têm 11 anos e que em breve vão
começar a menstruar, enquanto ela ainda está brincando
com bonecas American Girl.” Outra mãe se queixou de que
sua filha de 4 anos ficou viciada em Hannah Montana por causa de suas
colegas de classe mais velhas. Um menino de 6 anos empunhando um sabre
de luz pode ser intimidante para um menino que ainda dorme com seu
ursinho de pelúcia. No outro lado, pais que colocam seus filhos
na pré-escola antes dos 5 anos são frequentemente vistos
como agressivos, “quase ogros”, disse Messina. Mas suponha
que sua filha já esteja lendo com 4 anos? Você a
mantém de fora de uma pré-escola que será
terrivelmente entediante ou a coloca em uma sala de aula com meninos
enormes de 6 anos? Em 1970, 14,4% dos alunos pré-escolares
começavam aos 4 anos. Esse número caiu para menos de 10%.
O movimento de autoestima inspirou os pais a cuidarem tanto do
bem-estar emocional quanto da realização acadêmica,
e com a frágil imagem própria ainda em
formação, o pior temor dos pais é conduzir seus
filhos ao fracasso. Uma mãe de Connecticut, em Fairfield County,
enviou seu filho nascido em outubro para o jardim de infância aos
4 anos, apesar da “regra informal de que todos seguram seus
filhos nascidos em setembro a dezembro”. O jardim de
infância parecia ir bem, mas quando seu filho entrou na primeira
série, ela disse, “eu recebi uma paulada na cabeça.
Eles me disseram que ele estava bem atrasado”. Ela assistiu
horrorizada a autoconfiança de seu filho despencar. “Ele
estava se esforçando terrivelmente só para
acompanhar”, ela lembrou. “Ele até mesmo foi
retirado da classe por má caligrafia.” No final da
segunda série, ela o retirou para repetir o ano em uma escola
particular. “Tem sido uma jornada longa e difícil”,
ela disse. “Eu realmente me arrependo de tê-lo colocado no
jardim de infância aos 4 anos.” Muitos pais se sentem
compelidos a adiar a matrícula de seus filhos diante do que
consideram exigências acadêmicas absurdas para
crianças de 4 e 5 anos. Mas manter as crianças na
pré-escola, tanto segundo a pesquisa acadêmica quanto
à experiência dos pais, não necessariamente oferece
só vantagens. Jennifer Harrison, uma mãe de dois de
Folsom, Califórnia, adiou a matrícula de seu filho
nascido em outubro, Elliott, para que ele não fosse
“rotulado como fora de controle”. No geral, ela disse, foi
a decisão correta. “Mas sua capacidade com
matemática está bem acima das de seus colegas de
classe.”
Como atender as diversas necessidades das crianças e quais devem
ser as prioridades? “Não parece haver regras”, disse
Rebecca Meekma, uma mãe de dois de Laguna Beach,
Califórnia. “As pessoas dizem: eu quero que ele seja maior
no colégio para prática de esportes!’ Como assim?
Não dá para saber como eles serão no
colégio”. E quanto às crianças cujos
talentos não despertam tardiamente? “Eu já
encontrei muitas mães que estão adiando intencionalmente
a matrícula por um ano”, disse Jennifer Finke, uma
mãe de dois em Eaglewood, Colorado. “Elas dizem que
não querem que seus filhos sejam os mais novos ou os mais
baixos. Isso está certo? É justo?” O filho de
Finke, Benjamin, logo iniciará o jardim de infância aos 5
anos. “Haverá meninos na classe dele que serão um
ano mais velhos ou mais do que ele. Eles ficarão entediados e
então o ritmo será elevado, e as crianças que
estão na idade certa descobrirão que
são incapazes de acompanhar.” O que acontecerá na
educação física, quando os meninos maiores forem
escolhidos primeiro por causa de sua força bruta, deixando os
menores para trás? “Eu temo que meus filhos possam se
sentir inferiorizados.”
Nem todos os pais podem escolher quando seus filhos
começarão a frequentar a escola. “Apesar do
adiamento da matrícula ser comum nos subúrbios, em
Manhattan, são as escolas –e não os pais– que
decidem”, disse Emily Glickman, cuja empresa, Abacus Guide
Educational Consulting, orienta os pais a respeito da matrícula
na pré-escola. Nas escolas particulares de Nova York, a data
limite de matrícula é para os nascidos até 1º
de setembro; na prática, os bebês de verão,
particularmente os meninos, geralmente ingressam na pré-escola
aos 6 anos. “É um mundo reforçado”, disse
Glickman. “E a forma mais fácil das escolas assegurarem
que suas crianças se sairão melhor é serem mais
velhas e mais maduras.” Enquanto isso, as escolas públicas
de Nova York têm uma data limite para nascidos até 31 de
dezembro. Frequentar a pré-escola não é
obrigatório pelo Estado, de forma que os pais podem manter as
crianças de fora, mas então elas já teriam que
começar pela primeira série. E nem todo mundo pode arcar
com dois a três anos de escola maternal ou creche. “Entre
os pais aqui, há uma demanda tremenda por antecipar o jardim de
infância”, disse Eva Moskowitz, fundadora da Harlem Success
Academy Charter School, que adiou sua data limite para 1º de
dezembro. “Se os pais pudessem colocar seus filhos na escola com
2 anos, eles colocariam.” Nem todo mundo define o
privilégio acadêmico da mesma forma.
Tradução: George El Khouri Andolfato
Na busca por talentos, empresas assumem ensino
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 25/08/2010 às 11:16 hs.
Encontrar profissionais qualificada tem sido, segundo as empresas,
quase tão difícil quanto achar o pote de ouro no fim do
arco-íris. Não existem dados globais consolidados, mas a
situação encontrada no Sistema Nacional de Empregos
(Sine),agência de intermediação de mão de
obra mantida pelo Ministério do Trabalho e Emprego(MTE), ilustra
o que ocorre no mercado. Das 5.490 vagas para profissionais com
nível de ensino superior oferecidas pelo sistema este ano, 893
foram preenchidas, ou seja, apenas 16,3%.
A perspectiva é de que o País bata novo recorde de sobra
de vagas.Em2009, o Sine registrou o maior número da sua
história: dos 2,7 milhões de postos oferecidos em todos
os níveis, 1,66 milhão ficou em aberto. O
“apagão” já afeta a rotina dos departamentos
de recursos humanos. O assunto foi o principal tema do 36
ºCongresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (Conarh 2010),
promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos
(ABRH), na semana passada, na capital paulista.
No encontro, surgiram algumas pistas sobre onde e como achar esse
trabalhador. “Será preciso promover uma
revolução na forma de agir dos profissionais de recursos
humanos, começando com os programas de retenção de
talentos e sistemas de captação”, diz o diretor de
educação da ABRH, Luiz Edmundo Rosa. Ele também
defende uma aproximação da indústria com as
universidades, para acelerar e adequar a formação
às necessidades de mercado.
Entre as mudanças necessárias na área de RH, Rosa
cita os questionários aplicados nos processos de
seleção, que,em geral, não medem a capacidade do
candidato. “Há um caso de um jovem, muito bem preparado,
que foi reprovado no teste de conhecimentos gerais, pois tinha vivido
os últimos dois anos fora do Brasil”, exemplifica. Rosa
diz que esse tipo de avaliação é
“burra” e resultado de distorções provocadas
pelos longos anos de crise. “Outro problema está nos
programas de retenção, que oferecem benefícios
generalistas, como massagens de graça e descontos em
peças de teatro.” Ele conta um caso, sem citar a empresa,
em que a direção desta couum grupo de 70 profissionais
– que não poderia perder – e criou um programa de
retenção individualizado. “A questão nem
sempre é salário. Às vezes, é apenas de
flexibilização, como poder sair mais cedo para participar
da festa na escola do filho.” Ele conta outro episódio, em
que o funcionário deixou a empresa porque o novo contratante
garant iu que não seria incomodado fora do expediente, nem teria
de levar trabalho para casa. Educação. “Não
há solução a curto prazo”,diz o diretor de
Desenvolvimento Humano Organizacional da Votorantim, Gilberto Lara.
O grupo, que emprega 35,9 mil funcionários em sua área
industrial, é citado por Rosa como exemplo. “A Votorantim
criou uma parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto para
treinar seus funcionários nas áreas mais carentes”,
conta. Essa parceria, iniciada em 2006, por meio da
Fundação Gorciex (fundada em 1960 por ex-alunos para
apoiar estudantes carentes), resultou em uma universidade corporativa.
“Não pensávamos no apagão, mas em preparar
nossos funcionários para o crescimento do grupo”, conta a
gerente-geral de desenvolvimento organizacional da Votorantim
Industrial, Leni Hidalgo Nunes. Inicialmente, eram oferecidas aulas
voltadas para gestão e liderança, mas, com a falta de
mão de obra qualificada, isso foi ampliado para a área
técnica,começando com cursos de mineração,
uma área das mais carentes do País.
A academia da Votorantim, no entanto, só atende aos
funcionários da empresa. A Usiminas também optou por
parceria com universidades, no caso, a Unimonte, de Santos (SP) –
só que com alcance maior. “Criamos dois cursos, a partir
de uma grade já existente, que foi adaptada às
necessidades da empresa: tecnologia e manutenção
industrial e o de tecnologia em processos metalúrgicos, com
ênfase em metalurgia”,conta o diretor acadêmico do
Instituto Tecnológico da Unimonte,Vítor Delazzari
Bicalho. Formam tecnólogos e são abertos ao mercado.
“Mas não serve para estudantes ou acadêmicos, pois
pressupõe experiência no setor.” A abertura dos
novos programas partiu de uma solicitação da
Associação Brasileira de Metalurgia, depois que a
presidência da Usiminas passou a exigir diploma superior para
seus supervisores. “Vários de nossos professores
são também funcionários da Usiminas, o que
facilitou a tarefa”, diz Bicalho. A parceria com a Usiminas
não envolve apenas a criação dos cursos, que
têm matriculados 260 funcionários da empresa.“A
Usiminas paga 60% da mensalidade e coloca à
disposição da Unimonte laboratórios, biblioteca e
parque industrial melhor aparelhado do que poderíamos
oferecer”, explica.
A universidade se prepara para atender demandas de outras áreas,
em especial as criadas pelo pré-sal. Para isso, realizou um
workshop, no mês passado, com a participação de
diretores e executivos de recursos humanos de 40 empresas da
área portuária. “Fizemos um levantamento das
demandas e estamos preparando novos cursos para atender a essas
necessidades.” Prática predatória. Mas as empresas
têm demandas imediatas. Segundo Rosa, a saída mais comum
tem sido tirar funcionários de outras
empresas–concorrentes ou não. A Localiza, por exemplo,
perdeu, recentemente, dezenas de lavadores de carro para
construtoras,que os empregou como pedreiros. A Votorantim admite a
prática, mas a preferência é acelerar as
promoções.
A empresa também mudou o programa de trainee, que repõe
as vagas dos promovidos. “Desde o ano passado, temos dois
programas, um voltado para quem prefere a área de gestão
e financeira, e outro técnico, para quem quer colocar em
prática o que aprendeu nas florestas, minas e fábricas.
Sem diferença de status entre eles.”
Fonte: O Estado de São Paulo
Material escolar deverá ter selo de segurança e qualidade
Fonte: Folha de São Paulo, 24/08/2010
Paula tinha menos de cinco anos quando comeu metade de uma borracha
cor-de-rosa, com aroma de morango. A mãe Ana Maria Sala
Mantovanelli, 44, ficou apreensiva com a possibilidade de
intoxicação. Para evitar sustos como esses, o Inmetro
(Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial) vai exigir a certificação
compulsória de todo o material escolar destinado a
crianças de até 12 anos.
A informação é da reportagem de Fernanda Bassette
publicada na edição desta terça-feira da Folha
(íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL), que
afirma que os fabricantes terão um ano para se adaptar e os
revendedores terão seis meses a mais para zerar o estoque. A
expectativa do instituto é publicar a resolução no
"Diário Oficial" da União até o final de setembro.
Produtos escolares importados representam hoje de 20% a 30% das vendas
de material escolar no Brasil e também serão submetidos
às regras brasileiras. "A decisão vai ajudar a
indústria nacional, já que os produtos importados quase
sempre são de qualidade questionável", diz Antônio
Nogueira, presidente do Simpa, sindicato das papelarias.
Obama e sua aposta universitária
Fonte: The New York Times Service, 15/08/2010
Marcela Sanchez
Sempre me considerei um dos imigrantes afortunados que vieram para os
EUA não com a perspectiva de um trabalho, mas de uma
educação de qualidade. Minha condição foi
muito mais privilegiada, especialmente se considerarmos que muitos dos
empregos obtidos pelos recém-chegados são os piores,
enquanto os estudantes estrangeiros dispõem de uma
educação e de oportunidades sem iguais. Quando eu tinha
13 anos, tive um desses momentos reveladores que deram forma ao resto
da minha vida. Sentada em minha carteira do colégio nas
redondezas de Bogotá, compreendi que não poderia ter
melhor ocupação na vida do que ser jornalista. Muito do
que fiz a partir de então foi dirigido para alcançar essa
meta, incluindo o ano que vivi com famílias americanas e
frequentei uma escola secundária em Long Island (Nova York),
como estudante de intercâmbio do clube Rotary. Sabia que se
quisesse a oportunidade de ter acesso à melhor
educação em jornalismo, teria de começar por
aprender inglês. Entre meus primeiros amigos americanos estava
Brian, um rapaz que parecia tão seguro quanto eu de seu futuro,
mas que não tinha nenhum desejo de frequentar a universidade.
Queria ser carpinteiro.
Eu, que vinha de um país onde ser carpinteiro significa levar
uma vida precária, fiquei surpresa. Mas logo descobri que nos
EUA Brian poderia chegar a ter uma vida muito cômoda, inclusive
muito antes que eu. Em outras palavras, neste país um diploma
universitário não é requisito para a prosperidade,
ou pelo menos não o era em meados dos anos 1980. Hoje a
situação não parece ser a mesma. Em certo momento
um diploma secundário poderia bastar para obter um bom trabalho;
mas isso já não é possível, adverte o
presidente Obama. "O índice de desemprego daqueles que
nunca foram à universidade é quase o dobro dos que
foram", disse o presidente para estudantes da Universidade do Texas em
Austin em 9 de agosto.
Por isso, Obama estabeleceu a meta urgente de produzir mais 8
milhões de graduados universitários até 2020 e
assinou uma nova lei que pretende tornar mais acessível a
educação superior. O governo começou a administrar
diretamente os empréstimos estudantis, eliminando o
intermediário e poupando mais de US$ 50 bilhões em
comissões que costumavam pagar aos credores privados. O dinheiro
poupado destina-se a aumentar o número de bolsas para os alunos
de poucos recursos e prestar ajuda financeira a
instituições dirigidas para minorias hispânicas e
negras. Segundo uma pesquisa da AP e Univisión divulgada em
julho, 94% dos latinos dizem esperar que seus filhos tenham uma
educação superior. Essa porcentagem é
significativamente alta se levarmos em conta que só 13% dos
hispânicos têm grau universitário, em
comparação com 30% dos americanos em geral. Obama
está especialmente interessado em apoiar os colégios
comunitários que oferecem cursos intermediários, de dois
anos de duração. Essas escolas são preferidas por
estudantes de baixa renda e minorias. Na Califórnia, por
exemplo, as universidades tradicionais que oferecem cursos de quatro
anos custam no mínimo cinco vezes mais.
Segundo afirma Michael W. Kirst, professor emérito de
educação na Universidade Stanford, o desafio não
é unicamente aumentar o número de universitários,
mas garantir que eles se formem. Muitos dos que entram para
as instituições comunitárias tendem a
"se perder", disse Kirst em uma entrevista. Mais de um terço dos
americanos, e a metade das minorias, não obtêm um diploma
mesmo depois de seis anos de estudos. É claro que a
educação superior não é uma panaceia, como
adverte Grover Whitehurst, do Instituto Brookings. Conseguir o tipo
adequado de treinamento vocacional em uma atividade que esteja em
demanda ainda pode ser uma boa opção para os Brian de
hoje. Em um comentário na Internet depois do discurso de Obama
no Texas, Whitehurst lembrou que a Alemanha tem uma economia mais forte
que a da França, mas só a metade dos adultos jovens na
Alemanha tem formação universitária.
É possível que as circunstâncias atuais tornem
difícil conseguir o que Obama deseja. Em meio à
recessão e com a opinião pública cada vez mais
cética diante de um governo maior, as verbas para a
educação estão diminuindo. Na verdade, boa parte
do plano presidencial para a educação superior
terá de esperar, disse Kirst, já que o Congresso reduziu
drasticamente os recursos solicitados para esse fim, de US$ 12
bilhões para US$ 2,5 bilhões. As minorias
representarão mais da metade da juventude americana em 2030.
Hoje, a maioria dos alunos no ensino primário e
secundário em 11 estados americanos é de hispânicos
e negros. Claramente, o país deve fazer muito mais para
conseguir que esses grupos tenham acesso a estudos superiores e
concluam seus cursos. Do contrário, a tendência que levou
a que, no transcurso de uma geração, os EUA tenham
passado do primeiro ao décimo segundo lugar entre as
nações com maior índice de universitários
formados, simplesmente continuará. Tradução: Luiz
Roberto Mendes Gonçalves
Déficit universitário
Fonte: Jornal do Commercio, 23/08/2010 - Recife PE
Editorial
A divulgação da lista anual das 500 melhores
universidades do mundo, pela Universidade de Comunicações
de Xangai, traz novos argumentos para a urgente necessidade de melhoria
da educação no Brasil. O ensino universitário de
baixa qualidade é o reflexo direto de um ensino médio
deficiente, e um ensino básico que ainda patina para atingir
níveis aceitáveis, no início da próxima
década – a meta do governo federal para o Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é
chegar à nota seis em 2021, como destacamos em editorial
recente. O desempenho brasileiro não é o único a
ser lamentado no ranking. Em toda a América Latina, a
Universidade de São Paulo (USP) foi a melhor colocada – em
135º lugar, 100 posições acima da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), também de São Paulo, em
235º lugar. As quatro demais instituições nacionais
relacionadas foram as Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG, em
312º), do Rio de Janeiro (UFRJ, em 313º), a Estadual de
São Paulo (Unesp, em 340º) e a do Rio Grande do Sul (UFRS,
em 417º). Para se ter uma ideia da evolução das duas
principais universidades brasileiras, em 2007, a USP estava na
128ª posição, e a Unicamp, na 304ª .
O ensino superior norte-americano figura no topo da lista, com a
Universidade de Harvard, ocupando ainda 17 das 19 primeiras
posições, com instituições como Stanford e
Berkeley. A Inglaterra aparece com duas, as renomadas
Universidades de Oxford e Cambridge. A Universidade de
Tóquio está em 20º lugar. A Alemanha e a China
surgem como países que avançaram no ranking, enquanto a
França – que questiona a pesquisa – apresenta
estagnação, com a sua primeira representante apenas em
39º lugar, e três na lista das 100 melhores. Há 154
universidades dos EUA no ranking, seguidos por 39 alemãs, 38
britânicas, 25 japonesas e 22 francesas, mesmo número da
China e da Itália.
A classificação, criada em 2003 para basear os novos
centros universitários chineses, que buscavam critérios
internacionais, é criticada na Europa por privilegiar a pesquisa
em detrimento da formação acadêmica. Os
critérios, no entanto, são bastante objetivos – o
que talvez desagrade os franceses. A quantidade de prêmios Nobel
e Fields (de matemática), e de publicações em
revistas científicas, como a Nature e a Science, são
levados em conta para a montagem anual da avaliação de
Xangai. “Como todos os rankings, o de Xangai não é
isento de problemas metodológicos. Mas tem-se mantido como o
mais reconhecido e prestigiado em todo o mundo”, declarou o
reitor da Universidade de Lisboa, Antonio Nóvoa.
No Brasil, a qualidade do ensino superior tem sido posta em segundo
plano, devido à política de ampliação da
oferta universitária. Para o governo federal, parece mais
importante construir novos centros de
formação superior do que elevar o nível daqueles
que existem. O exemplo da USP é eloquente, por ser a que
detém o maior índice de produtividade científica
no ranking de Xangai e em outros de âmbito internacional. Apesar
de ser uma instituição pública, somente 26% dos
alunos matriculados na USP em 2010 são oriundos da rede de
ensino pública. Sob o risco de continuar sendo taxada de
“elitista”, a instituição não pretende
mudar o sistema de acesso para beneficiar os alunos de uma rede de
ensino, em geral, de péssima qualidade. O centro da
questão educacional brasileira é o nível baixo que
vem da base, desde os primeiros anos de estudo. As políticas
compensatórias prosseguirão tendo pouco resultado
concreto para o País, enquanto a universalização
do ensino não for acompanhada da melhoria curricular e de
formação de professores.
O gargalo da formação, convém repetir, vem de
longe e se estende para a formação superior deficiente,
que emperra por sua vez a profissionalização dos
brasileiros em um momento de grande pressão por carreiras
especializadas. O déficit universitário –
não apenas de número, mas de excelência –
realçado pela lista de Xangai é bem conhecido dos
pernambucanos, que experimentam tanto os benefícios imediatos
quanto as pressões de demanda causadas por um ritmo diferenciado
de crescimento
Alunos ingleses já acham papel e caneta obsoletos
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 24/08/2010
The Guardian
Fazer prova com papel e caneta é uma prática que
está com os dias contados – pelo menos na Inglaterra. Isso
porque os adolescentes estão mais acostumados a escrever em um
teclado do que no caderno, segundo funcionários do
Ministério da Educação britânico.
Para Isabel Nisbet, executiva-chefe da Ofqual (Escritório de
Qualificações e Regulação de Exames, na
sigla em inglês), os estudantes estão questionando a
validade das anotações em sala de aula, prática
eles não estão mais acostumados a usar. “Precisamos
ter certeza que nosso método de testar os estudantes não
vire algo obsoleto", disse. Ela teme, no entanto, que a mudança
de provas em papel para testes no computador seja rápida demais.
Para o professor da Universidade de Londres Dylan William, esse
não é um risco imediato. Ele acredita que só daqui
20 anos todos os testes de proficiência e conhecimento das
escolas inglesas serão aplicados em computadores. Para o
professor, as habilidades necessárias para se fazer uma prova no
computador são diferentes das provas em papel, por isso o
processo é demorado. O problema ocorre principalmente nos testes
de matemáticas: “Os softwares atuais dificultam a vida do
aluno na hora de desenhar gráficos ou escrever
fórmulas.”
Para a ex-diretora da Ofqual Kathleen Tatterstall, as crianças
que entram na 1ª série este ano já farão
todas provas finais do Ensino Médio e de ingresso na faculdade
(GCSEs e A-Levels) em computadores. Ou seja, em 10 anos, papel e caneta
serão coisas do passado.
Importante novidade na gestão da educação
Fonte: Correio Braziliense, 23/08/2010 - Brasília DF
Ignez Martins Tollini Mestre em educação pela UnB, Master
of Sciences in Education, pela Purdue University, Indiana (EUA), Ph.D.
em educação
Respeitáveis acadêmicos canadenses, americanos e ingleses
acabam de surpreender a área de gestão da
educação. Nas últimas décadas, esses
acadêmicos têm publicado vários livros sobre
mudança e liderança. Tais obras são conhecidas em
grande parte do mundo. Desse modo, eles continuamente avançaram
o conhecimento na área de administração, o que
lhes granjeou fama e respeito de seus pares. O surpreendente é
que, no primeiro semestre deste ano de 2010, eles lançaram dois
livros nos quais apresentam uma proposta de mudança que
constitui notável salto teórico e prático na
literatura sobre o assunto. Trata-se de uma proposta batizada como
Liderança em movimento, isto é, liderança que tem
capacidade de fazer a mudança acontecer. Os autores dessa
proposta a testaram em diversas instituições escolares e
em sistemas educacionais de vários países. Ao ajudar
líderes de várias instituições educacionais
a entenderem o conteúdo da proposta e a usarem os meios de
colocá-la em prática, os acadêmicos puderam
constatar que a proposta permitiu aos líderes
“mover” indivíduos, instituições e
sistemas de educação para uma situação
melhor. Com isso, os acadêmicos ganharam uma nova visão da
mudança, o que lhes permitiu inaugurar um novo modo de
mudança que vai da prática para a teoria. Tal descoberta
científica representa grande ganho para literatura sobre
gestão em geral. Após discutirem em grupo sobre tais
conhecimentos, os acadêmicos se perguntaram por que seus livros
anteriores não conseguiam mover os líderes da
educação a efetuar a mudança com sucesso. No fim
da conversa, concluíram que seus livros se limitavam a mostrar o
que era gestão educacional e apresentavam modelos
teóricos a serem postos em prática por líderes
escolares. Ficou claro que, embora os livros tenham sido apreciados na
área da gestão e inspirado muitos líderes em
processo de mudança em suas instituições,
faltava-lhes a habilidade prática para conseguirem fazer as
coisas acontecerem na realidade da educação. Em outras
palavras, não havia mudança.
Em seus recentes livros, agora os acadêmicos mostram como os
líderes da educação devem agir para que a
mudança aconteça. Para isso apresentam e explicam o
significado de cada ferramenta a ser usada para conseguirem
mudanças positivas em face de formidáveis desafios da
educação. Contudo, o impacto dessa novidade no campo da
gestão educacional não é o único na
história de seu desenvolvimento. No princípio do
século 20, por exemplo, engenheiros dedicados a melhorar o
desempenho das organizações industriais desenvolveram uma
lista de princípios a serem postos em prática pelos
administradores em geral. Foram princípios rígidos
que influenciaram instituições educacionais a terem
regimes administrativos bastante severos. Nos meados do século
20, aconteceu nova reviravolta na administração geral.
Conhecimentos científicos da psicologia e da sociologia,
ciências que se organizavam naquela época, atenuaram a
rigidez dos princípios anteriormente adotados na
educação. Surgiu, então, a
valorização dos sentimentos e das necessidades das
pessoas existentes nas instituições. Na área da
educação, as relações entre pessoas
passaram a ser vistas como um benefício tanto para elas mesmas
quanto para as instituições educacionais. Hoje, a nova
proposta Liderança em movimento, ainda pouco conhecida em nosso
país, vem ao encontro das necessidades prementes da
educação brasileira. Essa nova proposta teórica e
prática oferece uma oportunidade de quebrarmos a perene
inércia do nosso sistema educacional, principalmente no
referente à ineficaz busca de melhor qualidade na
educação básica e, por vezes, também na
educação superior. Em suma, a proposta Liderança
em movimento, aqui brevemente apresentada, abre novas perspectivas para
que nossos líderes da educação possam conseguir
objetivos ambiciosos que parecem impossíveis de serem atingidos.
OAB julga atuação de estrangeiros
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 23/08/2010 às 10:45 hs.
Advocacia: Tribunal de Ética analisa consulta do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados
Luiza de Carvalho, de São Paulo
Um julgamento inédito no Tribunal de Ética e Disciplina
da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) fez com
que viesse à tona um problema crescente nos últimos anos:
a atuação irregular de advogados estrangeiros no mercado
brasileiro. O tribunal, composto por 20 julgadores, deve dar um parecer
em uma consulta feita pelo Centro de Estudos das Sociedades de
Advogados (Cesa). A entidade quer saber quais são os limites
éticos para a atuação das bancas estrangeiras no
país. Atualmente, existem 14 sociedades regularmente inscritas
na OAB-SP, e cerca de seis na seccional fluminense. Esses profissionais
não podem atuar no Brasil como advogados, apenas dar consultoria
em direito internacional.
A decisão da OAB-SP deve servir de parâmetro para o
julgamento de casos que começam a ser investigados no Estado.
Após denúncias de que sociedades não regularmente
inscritas estariam contratando advogados de fachada para poderem atuar
diretamente no mercado nacional, o Conselho Federal da OAB anunciou um
aperto na fiscalização e iniciou
investigações sigilosas, com o apoio da Receita Federal.
A consulta feita pelo Cesa deve levar a entidade a se manifestar sobre
uma questão ainda mais delicada, que é a análise
da parceria de bancas estrangeiras regularmente inscritas com
escritórios brasileiros. De acordo com fontes ouvidas pelo
Valor, a OAB está atenta a situações em que as
sociedades brasileiras se apresentam como parceiras de consultores, mas
na prática exercem uma sociedade.
Os julgadores do Tribunal de Ética da seccional paulista
têm como base o Provimento nº 91, de 2000, do Conselho
Federal da OAB e o Estatuto da Advocacia. Eles estabelecem que os
consultores estrangeiros só podem atuar no país
após registro na OAB, que é renovado anualmente, e
não podem atuar em direito brasileiro. As normas vedam
também a associação de bancas brasileiras com os
consultores estrangeiros. E determinam que a equipe de consultores deve
ser integrada exclusivamente por profissionais de outros países.
Apenas o relator da consulta, o conselheiro Claudio Felipe Zalaf,
proferiu seu voto, na semana passada, e foi no sentido de proibir
parcerias pelas quais há confusão para discernir as duas
sociedades, ou seja, onde na prática elas atuam e se apresentam
como uma só. De acordo com o advogado, não pode haver uma
ingerência dos consultores no escritório brasileiro que
importe na perda de sua individualidade e de sua personalidade
jurídica. Não é possível, conforme o voto,
uma parceria permanente. A OAB-SP oficiou os consultores estrangeiros
para que prestem informações, e deve avaliar caso a caso.
Segundo um dos escritórios brasileiros que possui parceria com
um consultor estrangeiro, não há atuação
desses profissionais em direito brasileiro, e as parcerias ocorrem
somente em situações pontuais, como por exemplo a
aquisição de empresas de outros países por
brasileiras, e vice-versa.
Quase metade dos consultores estrangeiros, no país desde 2002,
foi registrada nos últimos 18 meses. De acordo com o presidente
nacional da OAB, Ophir Cavalcante, há um grande número de
escritórios americanos que querem ingressar no mercado
brasileiro. "O Brasil está cada vez mais atrativo para os
escritórios estrangeiros. O mercado internacional, no caso da
advocacia, está muito retraído", afirma Cavalcante. O
problema, segundo ele, é que em alguns casos os estrangeiros
estão atuando no país por meio de advogados brasileiros,
contratados apenas como "fachada".
Os processos investigativos da OAB, que são sigilosos,
estão em fase inicial e ocorrem nos Estados de São Paulo
e Rio de Janeiro. De acordo com Sérgio Eduardo Fischer,
vice-presidente da OAB do Estado do Rio de Janeiro (OAB-RJ), há
"ruídos" de que algumas atuações ilegais estariam
acontecendo no Estado. "Vamos redobrar a atenção e
intensificar a fiscalização para que os consultores
não atuem em direito brasileiro", afirma Eduardo Fischer. De
acordo com o presidente do Cesa, José Luis Salles, existem
dúvidas e confusão quanto à atuação
dos consultores estrangeiros no Brasil, especialmente os que chegaram
mais recentemente, e em relação às parcerias
firmadas. "A intenção do Cesa é apenas ajudar a
esclarecer a atuação dos consultores. Não queremos
abrir nenhum tipo de guerra contra eles", afirma o presidente da
entidade.
Escritórios irregulares tentam parceria
A primeira decisão do Tribunal de Ética e Disciplina da
seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) relativa a
uma parceria entre uma sociedade brasileira e consultores estrangeiros
foi dada na semana passada. Os julgadores analisaram um caso em que um
escritório brasileiro de pequeno porte estabeleceu uma parceria
com uma banca da Alemanha, que estaria prestando consultoria no
país. Eles constataram, no entanto, que as duas sociedades
não estavam regularmente inscritas na Ordem dos Advogados,
apesar de possuírem páginas na internet pelas quais
ofereciam serviços no Brasil.
O caso chegou ao tribunal de ética por uma
solicitação da própria advogada do
escritório brasileiro, que encaminhou ao órgão uma
consulta com dúvidas sobre as formas mais éticas para
divulgar a sua parceria com o escritório alemão. Ao
pesquisar a questão, a relatora da consulta no tribunal,
Márcia Matrone, percebeu que nem a sociedade brasileira e nem o
consultor estrangeiro estavam inscritos na OAB. Os julgadores decidiram
encaminhar a possível irregularidade para apuração
em procedimento ético e disciplinar que foi aberto pela
seccional paulista da OAB. (LC)
Fonte: Valor Econômico
Lei de Inovação ainda é restritiva
Fonte: Clipping Educacional Consae - Portal Universia, 24/08/2010
Por Larissa Leiros Baroni
Passados quase seis anos de sua criação, a Lei de
Inovação, que estabelece medidas de incentivo à
inovação e à pesquisa científica e
tecnológica no ambiente produtivo, ainda é restritiva. De
um lado, apenas 4% das empresas podem se beneficiar das
isenções fiscais. Do outro, os recursos destinados a
subvenções econômicas não são
suficientes para atender à demanda empresarial do Brasil. O
avanço da interação entre universidades e empresas
também exige mudanças para intensificar o desenvolvimento
sustentável do País. Ainda assim, o setor produtivo
reconhece a lei como avanço no sistema de inovação
brasileiro. É o que diz Paulo Mol Júnior, gerente
executivo de Estudos e Políticas Industriais da CNI
(Confederação Nacional da Indústria). "É um
caminho importante em direção ao desenvolvimento
empresarial e econômico do Brasil. Um marco legal em
relação ao passado do País, que pouco investia e
falava em inovação", relata ele, que cita as
possibilidades de subvenções econômicas destinadas
diretamente às empresas como principal benefício da Lei
de Inovação.
Os benefícios da legislação também
são ressaltados por Guilherme Marco de Lima, vice-presidente da
ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento
das Empresas Inovadoras). Segundo ele, tanto a Lei de
Inovação como a Lei do Bem ampliaram o potencial de
inovação das empresas. "Se comparar com a
situação há dez anos, os progressos são
importantes e significativos, mas precisa se elevar ainda mais para que
o Brasil possa competir com a Ásia e os países
desenvolvidos", conta ele. Na opinião de Ronaldo Mota,
secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e
Inovação do Ministério da Ciência e
Tecnologia, a Lei tem contribuído para a mudança cultural
do Brasil. "Antes, as empresas em geral não tinham
tradição em investir em inovação. Mas o que
ocorria de forma rara torna-se uma atitude normal", aponta. Ele
relaciona a legislação como o início de um
processo que está em curso, mas que ainda tem um longo caminho
pela frente. "Atualmente, as empresas investem cerca de R$ 8
bilhões por ano em inovação. Em contrapartida, o
governo oferece incentivo de R$ 2 bilhões. Ou seja, a cada R$ 5
que o setor produtivo destina à PD&I (Pesquisa,
Desenvolvimento e Inovação), o setor público
coloca R$ 1", aponta.
Como outros incentivos para os empresários, Mota apresenta os
recursos da Finep (Financiadora de Estudos e Pesquisas) destinados a
subvenção econômica, que atualmente giram em torno
de R$ 500 milhões. Ele cita ainda os mecanismos de
financiamentos a juros baixos. "Empréstimos tanto da Finep como
do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
com taxas de 3,5% ao ano, índice bem abaixo do sistema
inflacionário que varia de 4 a 5%", explica o secretário
que acrescenta os aportes financeiros destinados a empresas
embrionárias a partir do chamado capital semente. Possibilidades
abertas pela Lei de Inovação, de dezembro de 2004, e pela
Lei do Bem, de novembro de 2005, além da Lei de
Informática.
A Lei do Bem, por exemplo, concede incentivos fiscais para empresas que
realizam atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de
inovação tecnológica. Os dados do
Ministério de Ciência e Tecnologia apontam aumento de mais
de 250% no número de empresas beneficiadas. Enquanto, em 2006,
130 empresas declararam investimentos em P&D de aproximadamente R$
2,2 bilhões, em 2007, 300 empresas investiram mais de R$ 5,1
bilhões. Em 2008, o número de empresas qualificadas
saltou para 460 e os investimentos atingiram cerca de R$ 8,8
bilhões. Até 31 de julho deste ano, estima-se que 635
empresas se apresentaram, o que significa número 15% maior do
que em 2009, quando 552 empresas preencheram os formulários
exigidos. "Esse resultado evidencia a manutenção do ritmo
de crescimento, atestando que a crise mundial não desestimulou o
empresariado nacional a continuar aumentando os investimentos em
inovação", avalia Mota.
Resultados parciais
Os resultados, segundo Mol Júnior, poderiam ser ainda maiores se
o texto da lei não fosse tão restritivo. Ele afirma que o
benefício é destinado exclusivamente às empresas
que apuram resultados a partir de lucro real. "Apenas 4% das empresas
do País se enquadram nesses requisitos, ou outros 96% do setor
empresarial apuram resultados a partir de lucro presumido", afirma.
Além disso, ele adiciona a necessidade da empresa ter lucro para
que o abatimento seja viável. "O volume, nesse aspecto, é
ainda menor." Restrições, que para o gerente da CNI,
beneficiam majoritariamente as grandes empresas e aquelas que oriundas
de universidades. Com apenas cinco anos de vida e lucros presumidos, a
Ethima - empresa de desenvolvimento de sistemas com foco em
telecomunicações - não consegue usufruir do marco
legal para seu desenvolvimento científico e tecnológico.
Impedimento burocrático que, segundo Lucas Schenk Michaelsen,
sócio-diretor da empresa, restringe os investimentos em
inovação. "Hoje, cerca de 10% do nosso lucro é
destinado à inovação. Com o benefício do
governo, os recursos poderiam ser ainda maiores", relata ele, que tem
recorrido a projetos paralelos à Lei de Inovação
para expandir as oportunidades. "Tenho inscrito projetos da empresa
para subvenções econômicas, mas ainda não
fomos contemplados", diz.
Diferente da Ethima, a Nexus - empresa de software de saneamento -
já conseguiu captar um pouco mais de R$ 1 milhão dos
cofres públicos, federais e estaduais, para investir em
inovação. Venceu a seleção de dois editais
da Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa), um do CNPq
(Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico) e um da Finep. Além disso, José Maria
Villac Pinheiro, sócio-diretor Nexus, garante que a empresa tem
se beneficiado indiretamente da Lei de Inovação e da Lei
do Bem. "As grandes empresas podem contratar os nossos serviços
a partir de subvenção econômica e até mesmo
a partir de incentivos fiscais, o que torna o nosso serviço mais
atrativo", justifica ele, que revela não recorrer ao caminho do
benefício direto por empecilhos administrativos e dificuldades
nas adaptações contábeis.
Propostas de mudanças e expansão - A proposta de Lima
para expandir os reflexos do arcabouço legal no desenvolvimento
científico e tecnológico do País é definir
o requisito a partir do faturamento ou do exercício futuro e
não a partir do tipo de lucro. Além disso, ele sugere
tratamento diferenciado aos projetos com benefícios ambientais e
socioeconômicos para populações de baixa renda.
"Além de aumentar a penetração da lei,
propiciará benefícios ao desenvolvimento social",
argumenta. Ele acredita que nem todas as empresas que preenchem os
requisitos da Lei recorrem aos incentivos governamentais. Isso porque
nem todas investem em inovação, há falta de
conhecimento, insegurança jurídica e principalmente
ressalvas com relação à demora dos processos
burocráticos. A IBM Brasil é um exemplo de
organização que, mesmo enquadrada nas exigências,
não recorre aos benefícios. "Em relação
à Lei do Bem havia incertezas em relação ao
abatimento dos investimentos em inovação de
serviços e receio de obter contestação do
abatimento. Já quanto à Lei de Inovação
faltava uma interface que propiciasse a comunicação
direta com a academia", justifica Cláudio Pinhanez, research
scientist da IBM, que garante uma mudança nesse cenário a
partir da implementação do novo laboratório de
pesquisas da empresa, o IBM Research - Brasil. "O arcabouço
legal existente no Brasil foi muito importante para a tomada de
decisão do grupo", expõe ele.
Para Mota as dificuldades de interpretação são
naturais em marcos regulatórios novos. "O País ainda
não tem muita experiência em inovação.
Governo e o setor empresarial estão aprendendo juntos a fazer
PD&I. A lei está aberta para atualizações
constantes, até porque precisa acompanhar o dinamismo da
inovação, que antes era restrita à
indústria, mas hoje já atende todos os setores, inclusive
o de serviços", assegura o secretário, que enfatiza a
preocupação do governo em expandir a
divulgação dos benefícios para todas as empresas e
esclarecer as dúvidas. Nessa direção, ele destaca
a parceria do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) com
a CNI para a criação de Núcleos de Apoio à
Gestão da Inovação.
Segundo Mol Júnior, muitas empresas sentem dificuldades de
escrever projetos e apresentá-los às agências de
fomento. "As empresas grandes que têm recursos para manter uma
equipe especializada para essa funcionalidade mais uma vez se
beneficiam", aponta. Ele explica que os Núcleos de
Inovação visam levar a gestão de
inovação para dentro das pequenas e médias
empresas e ajudá-las a construir planos de
inovação. Na opinião de Mota, há uma
carência pela figura do gestor de inovação. "Esse
profissional praticamente não existe, mas sua demanda é
crescente", alerta o secretário. Outro aspecto também
importante da Lei de Inovação é a
promoção da parceria entre a universidade e empresa.
Comunicação que, de acordo com o Pinhanez, foi bastante
beneficiada pelo marco regulatório. "Antes, cada
instituição de Ensino tinha padrões
próprios e as parcerias, na maioria das vezes, esbarravam na
elaboração dos contratos. Hoje, existe uma
comunicação mais estruturada e padronizada. Ambas -
empresa e universidade - já sabem o que podem ou não
fazer", descreve o pesquisador da IBM. Para Lima, no entanto, é
preciso que empresas e instituições de Ensino enxerguem o
potencial dessa cooperação a médio e longo prazo.
O Y da questão
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/08/2010 - São Paulo SP
Empresas e a nova geração ainda precisam se conhecer melhor. Enquanto isso, sobram queixas dos dois lados
Larissa Linder, Especial para o Estado, e Paulo Saldaña
Não é que eles estejam em pé de guerra. Mas
precisam se conhecer melhor. Levantamento obtido com exclusividade pelo
Estadão.edu, feito pela recrutadora Curriculum com 133 empresas,
mostra um conflito latente na relação entre empregadores
e a nova geração de profissionais: 35,5% dos
empresários consideram ruim ou péssimo o desempenho de
estagiários e trainees. Por outro lado, especialistas afirmam
que as empresas não atendem às expectativas da
Geração Y nem sabem lidar com o seu perfil. O
descontentamento mútuo se traduz em decepção para
os recém-contratados e em dificuldade na descoberta e
retenção de talentos para as empresas. “Essa
geração de jovens preparados é muito mais
imediatista. E isso não combina com a maioria das empresas, que
não dão a atenção que eles esperam”,
diz a professora de Relações Trabalhistas da ESPM Denise
Delboni.
Isso ocorre apesar de o mercado para novos talentos estar em alta.
Não há dados gerais sobre trainees, mas só o
Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), uma das
empresas que fazem a ponte entre empregadores e estudantes,
contabilizou 180 mil contratos de estágios para
universitários assinados no primeiro semestre, 13% a mais do que
em 2009. Na pesquisa da Curriculum, apenas 18,8% das empresas
consideraram ótima ou excelente a qualificação de
trainees e estagiários. Falhas na formação
acadêmica estão entre as queixas, mas a maioria delas diz
respeito a aspectos comportamentais, como falta de comprometimento e de
pontualidade. O preocupante para os dois lados é que a base
desse comportamento considerado problemático coincide com o
perfil da Geração Y. Os empregadores são, em
geral, mais velhos e pertencem a uma geração anterior
– a X –, que preza valores como estabilidade e a
possibilidade de ascensão dentro de uma mesma
corporação. Os Y, formados na era da web, têm uma
relação diferente com hierarquia, horários e
produtividade. Para eles, é preferível vestir a
própria camisa à da empresa. Só o consumidor. O
consultor Daniel Gasparetti, da BOX 1824, agência especializada
em comportamento jovem, afirma que muitas empresas têm dissecado
o perfil dos Y em relação ao consumo, mas poucas olham
para o seu público interno. “Elas pesquisam como o jovem
compra, mas não praticam nada disso com os seus
funcionários. Percebemos que a maioria deles está
infeliz, acha as empresas atrasadas”, diz.
Gasparetti, de 24 anos, é um exemplo típico de Y: viciado
em redes sociais, hiperativo, produz quase tudo de casa em
horários que ele mesmo define. “Acho que a empresa
é mais benevolente comigo do que eu próprio. Precisamos
pensar em um novo modelo de produtividade, mas, como eu, cada um tem de
se organizar. Porque também não é um
vale-tudo.” Para o professor de Escola de
Administração da FGV João Baptista Brandão,
os jovens têm encontrado dificuldades de adaptação.
“O tempo todo eu vejo estudantes que não conseguem
encontrar nas empresas aquilo que querem.” É o caso da
publicitária Anthonia Nanci, de 24, que já pediu
demissão de uma companhia porque considerava o modelo de
gestão antiquado. “Não tinha feedback, por exemplo.
Isso é desestimulante”, conta Anthonia, atualmente feliz
como trainee da Natura. O problema do analista de logística
Rodolfo Socrepa é outro. Aos 25 anos, prestes a pegar o diploma
de Engenharia Mecatrônica, já recebeu três
promoções nos seis anos em que está na montadora
de caminhões Scania. Formado num curso técnico no Senai
em 2004, entrou na companhia para trabalhar na linha de montagem e
já foi transferido para logística. Continua inquieto.
“Sinto que estou crescendo, mas não na velocidade que eu
quero.”
Rodolfo se queixa da falta de visibilidade de suas ideias e projetos
numa organização tão grande. “A empresa
acaba não enxergando todo o meu potencial.” É na
web que ele imagina seu futuro, num projeto que envolve mídias
sociais e trânsito. Dos sonhos. Não por acaso, a
possibilidade de desenvolvimento profissional está entre os
principais motivos da nova geração para eleger uma
empresa como ideal – ao lado do ambiente de trabalho e qualidade
de vida. As conclusões são de uma pesquisa da consultoria
DMRH com 35 mil recém-formados, que coloca Google e
Petrobrás como as empresas dos sonhos. “Muitas vezes, os
anseios dos jovens não são o que os gestores sonharam
para si”, afirma a presidente da DMRH, Sofia Esteves. A
questão financeira é um dos itens cujo peso muda conforme
a geração. Muitos administradores ainda consideram que o
melhor que a empresa tem a oferecer é um aumento salarial. Mas
levantamento da recrutadora Page Personnel, também obtido com
exclusividade pelo Estadão.edu, prova que isso não
está no topo de prioridades dos jovens profissionais.
“Eles definiram R$ 3 mil como um salário adequado e
satisfatório para trainee, enquanto o mercado costuma oferecer
até mais”, diz Mariângela Cifelli, da Page
Personnel. Citado por experts como exemplo de empresa que sabe captar
talentos, o Grupo Odebrecht tem políticas que, segundo seus
gestores, combinam com o que os jovens buscam. Segundo o vice-diretor
André Amaro, a ideia é usar a Geração Y
como vantagem competitiva. “Buscamos confiar nas pessoas e na
capacidade de se desenvolver. Oferecemos espaço e desafio
constante aos jovens.”
Na Siemens, a atenção é redobrada nos dois lados.
Gestores recebem palestras para entender a cabeça dos jovens,
que, por sua vez, são preparados para lidar com a ansiedade.
“Nossa mensagem é tentar ver a questão como um
aprendizado mútuo”, diz Lena de Medeiros, gerente de RH da
Siemens. Renato Grinberg, do portal de empregos trabalhando.com, segue
a mesma linha. “O jovem tem de pensar no que pode oferecer para a
empresa, e não apenas o contrário. Já os
empregadores podem tentar se adaptar um pouco mais à realidade
desse novo profissional.” ‘Brasyl’. Conflitos
à parte, a própria denominação
Geração Y, importada dos Estados Unidos, é motivo
de polêmica. Até hoje há especialistas que
consideram os Y a elite da elite, pouco representativa num universo
dominado pela baixa qualificação. “No País,
os superpreparados, que estudaram em boas escolas e se encaixam nesse
alto padrão de Geração Y, correspondem só a
30% dos que estão no ensino superior”, diz Tório
Barbosa, sócio da empresa de publicidade Educa, citando dados da
consultoria Hoper.
Para Gasparetti, da BOX 1824, apesar das diferenças sociais, o
conceito da Geração Y é válido como perfil
de comportamento. Ele acredita que os Y são um grupo mais coeso,
que dita tendências, por isso atrai atenção.
“Para os chamados Y bem preparados, a questão de
comunidade e conexão é muito forte, o que ainda
não acontece na classe C. O comportamento entre os Y é o
do ‘nós podemos’, mas na classe C ainda impera o
‘eu posso’.” Segundo ele, quando essa visão de
conexão amadurecer e se disseminar, haverá uma
mudança radical na sociedade. “É possível
que haja uma grande revolução de
comportamento.”
EMPRESA DOS SONHOS - O que conta para a Geração Y na hora de escolher onde trabalhar
- Ambiente de trabalho agradável - Qualidade de vida -
Crescimento profissional - Boa imagem no mercado - Desenvolvimento
profissional
GERAÇÕES - Baby boomers (1946-1965) - Como precisava
produzir para recuperar a economia no pós-guerra, valoriza o
trabalho - É apegada a formalidades e valoriza a disciplina -
Dá importância a níveis hierárquicos, tanto
no trabalho como na família
Geração X (1966-1978/80) - Por sofrer com a
competitividade global, trabalha mais que os baby boomers - É a
geração que começa a ter contato com a tecnologia
no ambiente de trabalho - O trabalho em excesso acaba provocando um
desequilíbrio entre família e carreira
Geração Y (1978/80 - 1990/95) - Tem afinidade com a
tecnologia; vive conectada com seus grupos - Tem necessidade de
feedback (avaliação) constante dos chefes - Valoriza a
juventude, a busca pelo prazer e o culto ao corpo - Quer crescer
rápido na carreira, mas também busca qualidade de vida -
Veste a própria camisa, e não a da empresa - É
capaz de executar muitas tarefas ao mesmo tempo. É avesso a
responsabilidades
Geração Z (1990/95 - hoje) - Dá pouca
importância aos valores tradicionais da sociedade - Apelidada de
‘gamer’, é ainda mais conectada e acelerada que a Y
- Por ter mais facilidade e rapidez no acesso à
informação, é menos propenso à
reflexão
Brasileiros acreditam que escola não prepara para o mercado de trabalho
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/08/2010 - São Paulo SP
Em pesquisa da CNI, entrevistados também apontam discrepância na qualidade do ensino público e privado
Anna Rangel - Especial para o Estadão.edu
A pesquisa "Retratos da sociedade brasileira: educação",
encomendada pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI) ao Ibope, constatou que a maioria dos
brasileiros não acredita que a escola ofereça preparo
para o mercado de trabalho. De acordo com o levantamento, 40% dos
entrevistados acreditam que o aluno está "razoavelmente
preparado" após o ensino médio ou superior para a etapa
subsequente e a maioria dos brasileiros vê a
educação como peça fundamental para o
desenvolvimento do País. Apenas 14% dos entrevistados com ensino
médio completo acreditam que os estudantes saem da escola "bem
preparados" para conseguir um emprego estável. O índice
chega a 30% na avaliação do nível superior. A
qualidade da educação no Brasil também foi
apontada por 61% como um dos gargalos que impedem o
desenvolvimento. A discrepância na qualidade do ensino
público e privado também foi abordada. Em uma escala de 0
a 100, as escolas fundamentais públicas receberam nota 58,6,
enquanto suas pares particulares tiveram nota 76,4. Os serviços
oferecidos pelas escolas também foram avaliados: o maior
problema, na opinião dos entrevistados, é a falta de
segurança, enquanto as condições de limpeza e
manutenção receberam a nota mais alta. Numa escala de 0 a
10, recebeu 7,1. O economista Rafael Lucchesi, responsável pela
pesquisa, acredita que o sistema educacional brasileiro tem muito o que
percorrer até melhorar a qualidade do ensino. "Há
altíssima correlação entre os níveis de
educação e a renda", explica. "E uma das razões
atribuídas pelos entrevistados (41%) em relação
à qualidade do ensino é a baixa
participação dos pais na vida escolar."
Lucchesi acredita que uma boa base nas matérias básicas,
como português e matemática, além da incentivo
à opção do ensino médio técnico
são cruciais para a melhora da educação
brasileira. "No cerne dessa discussão está o baixo
desempenho do Brasil nos comparativos internacionais. Na
Finlândia, por exemplo, as matérias básicas
são altamente valorizadas e existe um destaque ao ensino
profissionalizante. É uma lacuna no sistema brasileiro,
já que quase 90% dos entrevistados acreditam que o oferecimento
de ensino técnico é importante". A pesquisa foi realizada
entre 18 e 21 de junho com 2.002 entrevistados em 140 cidades, e foi
registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Prometem cidadãos, entregam maus alunos
Fonte: O Globo, 19 de agosto de 2010
Por Carlos Alberto Sardenberg
“As escolas já não ensinam o básico agora
também vão enganar nas disciplinas do
cidadão”
Há algum tempo, em visita ao Brasil, um diretor do
Ministério da Educação da China alinhava as
razões pelas quais seu país logo seria a segunda
potência econômica do mundo. Além dos motivos
clássicos – rápido crescimento, elevado
nível de poupança e investimento, muita pesquisa em novas
tecnologias, escola de qualidade – acrescentou um que chamou a
atenção: na China, dizia, com orgulho, há 300
milhões de jovens estudando inglês, bom inglês. E
isso é igual à população dos Estados
Unidos, onde nem todo mundo fala inglês, acrescentava, com
satisfeita ironia.
Quantos jovens estudam inglês a sério no Brasil? E quantos nas escolas públicas?
Em compensação, nos últimos três anos,
conforme leis aprovadas no Congresso, os alunos do ensino básico
brasileiro passaram a ter aulas de filosofia, sociologia, artes,
música, cultura afro-brasileira e indígena, direitos das
crianças, adolescentes e idosos, educação para o
trânsito e meio ambiente.
Como não aumentaram o número de horas/aula nem o
número de dias letivos, é óbvio que o novo
currículo reduz as horas dedicadas a essas coisas banais como
português, matemática e ciências.
Vamos falar francamente: isto não tem o menor sentido. É
um sinal eloqüente de como estão erradas as agendas
brasileiras.
Dirão: mas nossas escolas precisam formar cidadãos conscientes, não apenas bons alunos.
Está bem. Então vai aqui a sugestão: dedicar os
sábados e talvez algumas manhãs de domingo para essa
formação. Não há melhor maneira de conhecer
a cultura indígena do que visitar aldeias, aos sábados,
um passeio educativo. Artes plásticas? Nos museus e nas
oficinas. Música? Que tal orquestras e bandas que ensaiariam aos
sábados ou durante a semana depois das aulas? Meio ambiente?
Visitas às florestas e parques. Consciência de
trânsito? Um sábado acompanhando os funcionários
pelas cidades.
E assim por diante. Como aliás se faz nos países
asiáticos, conhecidos pela qualidade de seu ensino. Mas é
mais complicado, exige organização, um pouco mais de
dinheiro, mais trabalho, especialmente nos finais de semana, e
professores e instrutores mais qualificados e entusiasmados com as
funções, obviamente com boa remuneração.
Em vez disso, determina-se a inclusão de algumas aulas no
currículo e está completa a enganação:
ninguém vai aprender a sério nenhuma dessas
“disciplinas do cidadão”, assim como a maioria
não aprende a contento português, matemática e
ciências.
Inglês então, nem se fala, porque aí tem um
componente ideológico. É a língua do imperialismo.
(Embora seja provável que dentro em pouco seja a língua
do imperialismo chinês).
Mas reparem que, quando se trata de estudar mesmo, nem essa ideologia
esquerdo-latina ajuda. Diz o pessoal: como estudar inglês se
somos todos latino-americanos, bolivarianos e amamos Chávez? Vai
daí que vamos ensinar o espanhol a sério? Já seria
uma grande ajuda, mas esquece. Até já se disse que o
espanhol seria obrigatório, mas não vingou. Talvez porque
o espanhol seja a língua dos colonizadores? Não se
espantem se alguma emenda mandar que todos aqui estudem as
línguas dos índios.
A sério: todos os testes, nacionais e internacionais, mostram
que nossos alunos vão mal em português, matemática
e ciências. Todos os estudos mostram que isso cria um enorme
problema para as pessoas e para o país. Para as pessoas, porque
não conseguem emprego numa economia da era do conhecimento. E
para o país, porque, com uma mão-de-obra não
qualificada , perde a batalha crucial dos nossos dias, a da
produtividade tecnológica.
Reparem: isso é sabido, provado e demonstrado. E fica por isso
mesmo. Por isso mesmo, não. Tiram tempo de português para
incluir uma rápida enganação de cultura afro.
A agenda equivocada atravessa todo o ensino brasileiro. Nada contras as
ciências sociais e as artes, mas, responda sinceramente, caro
leitor, cara leitora, é normal, é razoável que a
PUC-Rio tenha formado, no ano passado, 27 bacharéis em cinema,
três físicos e dois matemáticos?
É normal que, em 2008, as faculdades de todo o Brasil tenham
formado 1.114 físicos, 1.972 matemáticos e 2.066
modistas? Como comentou o cineasta e humanista João Moreira
Salles, em evento recente da rádio CBN, nem Hollywood tem
emprego para tantos cineastas quanto os que são formados por
aqui. E sobre 128 cursos superiores de moda no Brasil: “Alimento
o pesadelo de que, em alguns anos, os aviões não
decolarão, mas todos nós seremos muito elegantes”.
Duvido. As escolas de moda precisariam ser eficientes, o que está longe da realidade.
Na verdade, há aqui uma perversidade sem tamanho. As pessoas das
classes mais pobres e os pais que não estudaram já
estão convencidos que seus filhos não vão longe
sem estudo. Tiram isso, com sabedoria, de sua própria
experiência. E fazem um sacrifício danado para colocar os
filhos nas escolas e levá-los até a faculdade,
particular, paga, na maior parte dos casos.
Quando conseguem, topam com a perversidade: os rapazes e as
moças pegam o diploma superior, mas não estão
prontos para o trabalho qualificado. Com o diploma, caro, guardado em
casa, fazem concurso para gari, por exemplo.
Uma injustiça com as famílias pobres, um custo enorme
para o país e a desmoralização do estudo.
Se tivessem planejado algo para atrasar o país, não teriam conseguido tanto êxito.
Ministério Público pede que UFPE pare de cobrar taxas a alunos
Fonte: Clipping Educacional Consae - Jornal do Commercio, 24/08/2010 - Recife PE
Além dos alunos, agora o Ministério Público
Federal se manifesta contra a cobrança de taxas para alunos da
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em um documento expedido
nesta terça-feira (24), o órgão recomenda que a
instituição deixe de cobrar taxa, tarifa ou qualquer tipo
de cobrança para diversos serviços. O pedido vale para os
cursos de graduação, programas de mestrado, doutorado,
especialização e aperfeiçoamento. O MPF pede que
sejam interrompidos cobrança para os serviços de
matrícula, transferência, emissão de
histórico escolar, expedição de diploma ou
certificado de conclusão de curso, atestado de grade curricular
e outros serviços prestados aos alunos da UFPE. Para a
procuradora da República Mona Lisa Ismail, que expediu o
documento, esse tipo de cobrança fere o artigo 206 da
Constituição Federal, que assegura a gratuidade do ensino
público em estabelecimentos oficiais, também garantido
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB). O reitor da Federal terá 15 dias para se manifestar. Caso
contrário, o MPF poderá tomar medidas judiciais e
extrajudiciais.
OAB: proposta de Adams para achatar honorários prejudica advocacia pública
Fonte: Conselho Federal da OAB
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir
Cavalcante, manifestou ontem (23) sua total "indignação"
contra posição do Advogado Geral da União, Luis
Inácio Adams, que pretende achatar os honorários
advocatícios previstos no projeto do novo Código de
Processo Civil (CPC), nas ações contra a Fazenda
Pública. O projeto do novo CPC, em tramitação no
Senado, prevê a fixação desses honorários
entre 5% a 10% e o Advogado Geral da União pede simplesmente a
retirada do texto - atualmente, os juízes são
obrigados a observar um percentual entre 10% a 20% nos
honorários de sucumbência.
"Por entender que a luta pelos honorários de sucumbência
é de toda a advocacia, a OAB se manifesta indignada contra esse
tipo de posicionamento do Advogado Geral da União que, ao lutar
pelo achatamento dos honorários nas ações contra a
Fazenda Pública, labora contra os próprios integrantes da
advocacia pública que mantém uma luta - apoiada pela OAB
- para ter direito a honorários de sucumbência ", criticou
o presidente nacional da OAB. "É incompreensível e
politicamente desfocada da realidade, a postura do ministro Adams
contra as disposições do novo CPC que objetivam dar
dignidade aos honorários de sucumbência em
ações movidas contra a Fazenda Pública".
Para Ophir Cavalcante, a postura do Advogado Geral da União
nessa questão dificulta até mesmo o apoio da advocacia
brasileira ao pleito dos advogados públicos federais quanto a
terem direito de receber honorários de sucumbência.
"Quando o representante maior de uma categoria de advogados (advogados
públicos) quer impedir que outra (advogados privados) tenha o
direito de receber honorários de sucumbência em valores
dignos, é óbvio que está refletindo o sentimento
da categoria obrigando a Ordem a repensar o seu apoio à
própria luta dos advogados públicos federais por esses
honorários" Demais disso, os próprios advogados
públicos, em caso de sucesso de suas teses, também teriam
impedido o direito de receber os honorários em valores
condizentes com o trabalho por eles desenvolvido.
O presidente nacional da OAB alertou que a posição do
Advogado Geral da União nesse contexto "enfraquece e diminui a
luta da advocacia pública, pois se trata de um anseio de todos
os advogados, inclusive do próprio segmento público". Ele
ainda garantiu: "A Ordem vai continuar lutando contra o aviltamento dos
honorários de sucumbência em ações contra o
Estado, pois não é correto que os juízes fixem
honorários em valores baixíssimos sob o pretexto de que
se trata de interesse da sociedade. O Estado é o maior
descumpridor de direitos e por isso mesmo deve pagar os
honorários quando perde a ação. Se houver algum
direito de regresso contra os administradores que incidiram no erro a
justificar a perda da ação pelo Estado, que seja deles
cobrado. A sucumbência a é um direito da advocacia e vamos
lutar por sua dignidade".
Cobrança de ISS ocorre no local onde o serviço foi prestado
Fonte: Superior Tribunal de Justiça
A cobrança do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza
(ISS) incide no local onde efetivamente foi prestado o serviço.
A decisão é da Segunda Turma do Superior Tribunal de
Justiça (STJ), que negou recurso de uma empresa que pedia o
não recolhimento do ISS sobre os serviços médicos
prestados no município de Nova Canaã (MG), já que
recolhe o imposto no município de Ponte Nova (MG), onde a
empresa esta localizada.
A empresa recorreu ao STJ após decisão do Tribunal de
Justiça de Minas Gerais (TJMG) que entendeu que, para fins de
incidência do ISS, importa o local onde foi concretizado o fato
gerador como critério de fixação de
competência e exigibilidade do crédito tributário,
nos termos da Lei Complementar n. 116/03, que não excepcionou os
serviços médicos, embora tenha ampliado os casos de
exceção. Para a empresa, o imposto deveria ser cobrado no
município de Ponte Nova e não no município de Nova
Canaã.
Ao decidir, o relator, ministro Castro Meira, destacou que o STJ
entende que a cobrança do imposto ocorre no local onde o
serviço foi prestado. Segundo ele, esse posicionamento foi
manifestado com o objetivo maior de se evitar a guerra fiscal entre os
municípios, sendo uma resposta aos contribuintes que se
instalavam apenas formalmente em determinada localidade com a
finalidade de se beneficiar com menores alíquotas
tributárias.
O ministro ressaltou, ainda, que o tribunal de origem considerou que os
serviços médicos foram prestados em uma unidade de
saúde situada no município de Nova Canaã, o que
legitima esse ente estatal para a cobrança do ISS.
Os modismos
Fonte: Clipping Educacional Consae - Folha Dirigida, 24/08/2010 - Rio de Janeiro RJ
"É claro que meus filhos terão computadores, mas antes terão livros." (Bill Gates)
Paulo Sampaio
Toda a população mundial se interessa por
Educação, da mesma maneira que todos nós
brasileiros "somos técnicos de futebol". As razões
são similares. Em algum momento da vida, todos assistiram a
aulas ou jogaram uma pelada, racha, rachão ou baba e, desta
maneira, todos se sentem confortáveis em opinar. A única
partida decisiva de futebol que o técnico Dunga não
conseguiu vencer valeu-lhe uma demissão com um modismo: via
– internet. O mesmo presidente da CBF que o escolheu e suportou
todas as nossas críticas e que foi anteriormente vencido pela
mais formidável sequência de conquistas, antes dos jogos
da Copa do Mundo de 2010. Apenas recordando, a Copa América, o
primeiro lugar no Torneio Classificatório e a Copa das
Confederações no mesmo "teatro onde seriam disputados os
jogos da Copa". Perdeu apenas um jogo decisivo e sumiu! Da mesma
maneira, quer os diretores de Colégios e Cursinhos gostem ou
não, os resultados nas provas de seus alunos de Ensino
Médio nos Vestibulares são avaliados pelos que "entendem
de educação", isto é, toda a
população, como um fator decisivo para que os
irmãos mais novos, parentes, vizinhos e filhos dos amigos, se
matriculem nos anos seguintes nessas escolas ou Cursinhos. No
parágrafo anterior estou associando resultados de jogos de
futebol aos resultados das provas obtidos pelos alunos. Muitos
educadores de paixão vão discordar do que estou
defendendo e eu até concordo com eles. Entretanto, a
prática de tantos anos em sala de aula e em contato direto com
meus colegas professores e queridos ex-alunos e atuais me mostram que
"o que vale é o resultado", desde que obtido por meios
éticos.Esta máxima existe desde os primeiros "cursinhos
preparatórios", que surgiram nos anos cinquenta e que "sumiram"
por que seus alunos deixaram de conquistar os "primeiros lugares" nos
Exames Vestibulares. Este modesto escriba, recém formado pela
Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (hoje UFRJ,
onde seria professor até o limite máximo de idade) tive o
privilégio (sempre ajudado por ELE) de colaborar nos
primórdios do INEP (Instituto Nacional de Estudos
Pedagógicos, hoje Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira, o mesmo que hoje é
responsável pelas provas do ENEM) com vários
pesquisadores no "modismo" da época que eram os diapositivos
(slides), film strips, flip charts, quadros magnéticos, quadros
de feltro, filmes com fita magnética que permitia a
gravação pelo professor de uma tradução,
pois os áudios eram em inglês na maioria das vezes.
Em suma, era o "modismo" dos chamados recursos áudio visuais. A
reação contrária dos professores a tais modismos
sempre foi bastante significativa e, a nós (pesquisadores do
INEP) cabia a função de explicar o funcionamento dos
recursos áudio visuais e treiná-los na
utilização em salas de aula. O tempo passou e surgiu a
Televisão Educativa, esforço do professor Gilson Amado em
uma sala na Avenida Nosso Senhora de Copacabana, onde funcionavam
primeiramente os estúdios de gravação das
primeiras Tele aulas. E os professores de uma maneira geral resistindo
à "novidade". Surgiu a Internet, a Microsoft de Bill Gates
(porque a IBM resistiu aos micro computadores) e os Satélites de
Comunicação e os canais de TV ficaram à
disposição de todos através de uma antena
parabólica, de um receptor e de um data show ou TV.
Logo em seguida, após a regulamentação da alta
definição (HD) ou transmissão digital de melhor
qualidade em lugar da analógica, a possibilidade de
através do próprio Monitor do Micro Computador assistir a
programas de TV e aulas passou a ser mais uma alternativa para todos.
Tudo muito rapidamente, sem tempo de melhor entendimento de uma
novidade e já surge outra. Na minha experiência como
educador que tenta, quando é possível, se atualizar
quanto aos "novos recursos audiovisuais" tenho uma das minhas poucas
certezas: "o professor é insubstituível" para a
obtenção dos melhores resultados desta nova tecnologia.
Acabou o espaço. Ficam minhas observações para uma
próxima oportunidade.
Brasil Ilimitado
Fonte: www.cmconsultoria.com.br, 24/08/2010 às 10:15 hs.
Tivemos nossa atenção despertada para o artigo
“Brasil ilimitado” da revista britânica “The
Economist”, analisando a realidade da educação
brasileira. Vale a pena tocar em seus pontos essenciais, como nos
sugere o amigo Marcos Troyjo, com vistas às candidaturas
presidenciais.
É preciso considerar que há 30 anos Brasil e
Coréia do Sul tinham níveis similares de riqueza(ou
pobreza). Hoje, pelos investimentos em educação, o tigre
asiático é três vezes mais rico. Estamos sofrendo
com a fraqueza da mão-de-obra qualificada e em 2008 cerca de 20%
da nossa população não podia ler, escrever ou
compreender um texto básico. Há um fraco preparo dos
professores e taxas elevadas de ociosidade nas escolas, causa
naturalmente, dizemos nós, da quase absoluta falta do tempo
integral, sobretudo nas escolas públicas.
A revista critica a educação média, onde temos a
segunda pior colocação do mundo, atrás somente de
Moçambique, conforme dados do Banco Mundial. Quase todas as
crianças dos 7 aos 14 anos de idade estão na escola,
é certo, mas com um nível muito abaixo do recomendado
pela Unesco. Com incríveis disparidades regionais, estamos
atrás do Chile, do Peru e da Argentina. E volta o assunto do
Pisa, promovido pela OECD: de 57 países, adolescentes
brasileiros de 15 anos de idade ocupam o 53º lugar em
matemática, 52º em ciências e 48º em literatura.
Reclama dos sistemas de educação, que classifica como
“mixórdia descentralizada”, com responsabilidades
espalhadas por vários níveis de governo.
Outra vergonha é a falsa promessa de
informatização das escolas: “Os desperdícios
são abundantes, pois computadores são deixados em suas
caixas porque os professores não sabem utilizá-los. Podem
falar sobre Piaget, mas não sabem organizar uma sala de
aula.” Podemos ainda acrescentar a alta incidência de
roubos nas escolas públicas, como tem acontecido no Rio de
Janeiro.
Há esforços notáveis de empresas privadas, no
sentido de promover as habilidades dos estudantes, mas os efeitos ainda
são reduzidos. Não houve um grande progresso na chamada
educação pós-secundária. Há
universidades e escolas de negócios, como é o caso do
Ibmec, que gozam de alto conceito, na formação de novos
líderes, a fim de compensar a pobre infraestrutura, com suas
incríveis deficiências, sobretudo em linguagem e
conhecimento científico.
Assinalam-se padrões educacionais mais elevados na Ásia,
mas poderíamos ser beneficiados pela qualidade dos gestores, no
Brasil maior do que na China e na Índia. Executivos brasileiros
destacam-se em várias empresas multinacionais, o que não
deve ser apenas exceção. É preciso promover uma
forte dose de cuidados especiais com as ciências e a
matemática, na escola média. Enfim, valorizar a
introdução de uma nova “arquitetura do
ensino” no Brasil, para que se amplie extraordinariamente a sua
capacidade de competição, no concerto internacional.
São conselhos de quem nos vê de fora para dentro – e
acredita em nossas virtualidades. Arnaldo Niskier - Doutor em
Educação, membro da Academia Brasileira de Letras e
presidente do CIEE/RJ.
Fonte: Arnaldo Niskier
Lula e Haddad entregam novas obras de expansão de universidades federais
Fonte: O Meu Futuro
Entrega de novas obras de expansão em Universidades Federais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da
Educação, Fernando Haddad, fizeram a entrega dos campi da
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMTS), em Ponta
Porã, e das obras no campus da Universidade Federal da Grande
Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul, em cerimônias
simultâneas na manhã desta terça-feira, 24.
“Educação é investimento, e não
gasto”, observou o presidente.
Lula comemorou o fato de o Brasil ter ultrapassado a Rússia e a
Holanda em número de artigos científicos publicados em
revistas especializadas, e lembrou que, pela primeira vez, as mulheres
serão maioria na formação de doutores este ano,
com índice de 51%.
“A educação entrou na agenda de prioridades deste
país no século 21”, disse o ministro Fernando
Haddad, ao fazer um balanço das ações de seu
ministério. Ele historiou o sucesso do Programa Universidade
para Todos (ProUni), que beneficia 704 mil jovens de baixa renda com
bolsas em instituições privadas, e as recentes
mudanças do fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino
Superior (Fies), que já registrou mais de 45 mil contratos.
A partir deste ano, o financiamento estudantil foi facilitado, com
inscrições permanentemente abertas, juros mais baixos
(3,4% ao ano) e ampliação do prazo para
quitação do empréstimo.
“O setor privado não pagava impostos e a contrapartida
nunca havia sido regulamentada”, lembrou Haddad. “Mesmo
assim, alguns partidos de oposição entraram com uma
ação direta de inconstitucionalidade contra o
programa.”
O ministro garantiu que os recursos ainda necessários para a
conclusão da expansão das universidades federais, por
intermédio do programa de apoio à
reestruturação, o Reuni, estão garantidos no
orçamento do ano que vem. “Cumprimos o compromisso de
dobrar as vagas de ingresso nas universidades federais, que passaram de
113 mil, em 2003, para 227 mil neste ano”, lembrou.
“Estamos executando mais de 3,5 milhões de metros
quadrados em obras. E até oi final do ano vamos passar de 48 mil
para 70 mil docentes.”
Haddad encerrou seu pronunciamento compartilhando o sucesso do Reuni
com as direções, os professores e os estudantes das
universidades federais. “Não faltou quem quisesse
atrapalhar, impedir a realização do programa. Não
fosse a obstinação da comunidade acadêmica,
não teríamos conseguido.”
Fonte: MEC