31/08/2010
AMPESC CLIPPING
O objetivo da periodicidade, por meio digital, do AMPESC CLIPPING é divulgar as notícias e legislação do setor educacional às instituições associadas.
Esclarecemos que as matérias veiculadas não representam, necessariamente, a opinião da Associação.
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Em breve será implantado diretamente no site o acesso restrito para consulta, proporcionando praticidade na pesquisa

     

'Quem precisa de escola em tempo integral no Brasil é professor, não aluno'

SC terá seu próprio plano

Essencial para investimentos

Justiça tira gráfica da licitação

O trabalho em 1º lugar

BB passa a operar como agente financeiro do Fies


Estrangeiros no ensino

Concurso para obras inéditas está com inscrições abertas

Donos do próprio nariz

Entidades lançam Carta-Compromisso para a educação

Biblioterapia pode ser mais eficaz que antidepressivo

Metade dos alunos do 9º ano em particulares tem mães com ensino superior completo

Total de alunos do 9º ano de públicas que dizem ter matado aula é o dobro do das particulares

MP pede explicações ao Inep sobre vazamento de dados sigilosos em site

Faculdades têm até hoje para inscrever alunos no Enade

Bolsas melhoram a vida de bons alunos

Especialistas em carreira sugerem que os jovens interajam com o mercado o mais cedo possível

Envelhecimento da população desafia o mercado de trabalho

Profissionais com pouca idade são os que mais encontram dificuldades para engrenar no mercado de trabalho

Estudo mostra potencial dos jovens da classe C

MBA fora da rota

'Quem precisa de escola em tempo integral no Brasil é professor, não aluno'
Fonte: Revista Veja, 17/08/2010
Para melhorar o ensino público, país precisa formar mestres, diz a educadora Guiomar Namo de Mello
Nathalia Goulart 
Diretora da Escola Brasileira de Professores, que se dedica à educação inicial e continuada de docentes do ensino básico, Guiomar Namo de Mello está, é claro, preocupada com a formação dos mestres no Brasil. Contudo, ela não engrossa o coro daqueles que acreditam que a saída para o problema está em oferecer melhores salários. “Se você me  perguntasse se o professor ganha mal, eu diria que sim. Mas para o que alguns fazem, é muito”, diz. Para a especialista, mais do que maiores vencimentos, os docentes precisam de melhor formação: saídos de escolas públicas ruins, apenas espalham seu desconhecimento aos alunos. “A formação do professor é uma questão estruturante. Sem ela,  nenhuma melhora é possível”, sentencia Guiomar. Aperfeiçoar a formação dos docentes e coordenar as ações de estados e municípios que quiserem promover reformas na área - ambas tarefas do governo federal - serão desafios do presidente que o país elegerá neste ano. Confirma a seguir os principais trechos da entrevista com a educadora. 
A senhora costuma afirmar que, até o início dos anos 90, a educação não fazia parte da agenda estratégia dos governos. Hoje, ela já está entre as prioridades?
Os setores mais bem informados da sociedade se deram conta de que a educação é urgente em termos de desenvolvimento sustentável. Por isso, acredito que haja uma pressão maior por parte da população. No entanto, a educação vem sempre carregada de visões imediatistas e às vezes extremamente pessoais dos governantes. Na política, a educação está facilmente sujeita a uma certa pirotecnia, ou seja, os governos e os políticos em geral querem sempre faturar mais com o menor custo possível. E, assim, faltam foco e prioridade. Faltam medidas que se dirijam a questões estruturantes da educação.
Quais são essas questões?
A qualidade da formação do professor, por exemplo, é uma questão estruturante. Sem ela, nenhuma melhoria é possível. E há pouca disponibilidade para atacar esse problema. É preciso mudar completamente os sistema de formação de professores, que ficou refém de um ensino superior. Mas não há disposição de se investir política e financeiramente para atrair os melhores para a carreira de professor.
O que fazer para formar um bom professor?
É preciso enfrentar os cursos de pedagogia, mas não vejo nenhum político se referindo a isso. Também temos que formar o professor em tempo integral, porque eles estão saindo do ensino médio analfabetos e chegam ao ensino superior para reproduzir a sua ignorância. Depois, vão para a escola pública e repetem o círculo vicioso da ignorância. Então, quem precisa de escola em tempo integral no Brasil é professor, não aluno. Nosso professor sai da escola pública: depois de uma formação deficitária no ensino superior particular, onde ele pode dar aula? No ensino público, de onde saiu. E ainda tem quem diga que é ele o culpado pela má qualidade do ensino. Ele não é culpado, mas apenas uma peça dessa engrenagem. Para enfrentar esse problema é preciso vontade política e recursos financeiros para investir na formação do professor. Se estivéssemos dispostos a fazer isso, poderíamos ter um ensino de qualidade.
No Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2008, apenas 2,7% dos cursos de pedagogia alcançaram a nota máxima, igual a 5. O que precisa mudar no currículo dessas instituições?
Precisamos de um currículo onde o futuro professor não estude só a teoria. Ele precisa conhecer a prática desde o primeiro dia, como os médicos. O modelo de formação clínica é o melhor modelo para o professor. Ele não precisa estudar os recônditos da pedagogia. Ele precisa aprender como se ensina e como o aluno aprende. O professor é um artesão, ele não é um grande criador. Da mesma forma que o médico não é um criador. Ele tem que ser um excelente aplicador de conhecimento. A sala de aula é o foco e a referência do trabalho dele.
O currículo escolar praticado hoje é outra questão estruturante?
Sim. Hoje temos um ensino enciclopédico e precisamos acabar com essa crença. Precisamos saber para que finalidade queremos educar os jovens. Temos que educá-los para sobreviver em um mundo cada vez mais complicado, em que a informação está disponível para todos. Para isso, você precisa desenvolver competências que são básicas: saber falar, pensar, usar a linguagem, aplicar o conhecimento adquirido para entender o mundo ao seu redor. É preciso um ensino mais relevante. Ou a gente atende a esses desafios ou não melhoramos o ensino.
Muitos especialistas apontam que o salário do professor é um empecilho para o avanço da educação no Brasil. Como a senhora enxerga essa questão?
A remuneração é um fator a ser revisto. O salário precisa melhorar, mas só isso não resolve o problema. O aumento do salário tem que ser uma decorrência do aumento da responsabilidade do professor e do mérito. Se você me perguntasse se o professor ganha mal, eu diria que sim. Mas para o que alguns professores fazem, é muito. E para o que outros fazem, é pouquíssimo. Para corrigir isso, precisamos de mecanismos para diferenciar um do outro. O que não pode é aumentar o salário de todos.
A meritocracia é uma saída para isso?
A ainda que seja uma única medida, ela é interessante e pode fazer a diferença em São Paulo, onde foi aplicada. Porque se o professor quiser progredir só pelo tempo de trabalho - como normalmente ocorre - o salário dele aumenta em um determinado ritmo. Mas se ele quiser fazer um concurso sobre o conteúdo que ele ensina, ele pode ter um aumento substancial e buscar um atalho na carreira. Ele começa a ganhar mais antes do tempo previsto. Acredito que são esses os mecanismos que atraem os profissionais. Porém, é preciso lembrar que na educação não existe uma única saída. A solução tem que mexer em diferentes fatores. Sozinha a meritocracia não resolve muito. Por mais que incentive o professor, se ele não sabe como ensinar, ele precisa aprender.
Qual o maior desafio na área da educação que o próximo presidente, a ser eleito neste ano, deverá enfrentar?
A questão do professor talvez seja o abacaxi mais complicado para descascar, em todos esses aspectos. O presidente da República manda no ensino superior. E é no ensino superior que está o problema do professor. Não adianta desconversar. A questão da formação do professor é responsabilidade do Ministério da Educação – seja no ensino superior público federal ou nas faculdade e universidades particulares, que são autorizadas e supervisionadas pelo governo. Portanto não dá para se esquivar. Também precisamos lembrar que o governo federal não é o gestor do ensino básico no Brasil. Gestores são estados e municípios. Cabe ao governo federal liderar e coordenar políticas para estados e municípios que queiram promover reformas. E para isso é preciso haver um grande pacto federativo da educação. O presidente eleito precisa usar o respaldo que ganhará nas urnas para chamar estados e municípios e equacionar os problemas mais estruturantes da educação. É importante estabelecer um pacto federativo. 

SC terá seu próprio plano
Fonte: Diário Catarinense, 31/08/2010
Empresas criam projeto para oferta de até 1 milhão de novas conexões, com valor a partir de R$ 18Esquecida pelo governo federal na primeira fase do Plano Nacional de Banda Larga, SC poderá ter seu próprio plano de internet rápida. A meta da “internet da família” é oferecer entre 500 mil e 1 milhão de novas conexões para as classes C e D do Estado com, no mínimo, um mega por segundo (Mbps) de velocidade.
A iniciativa é da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), que pretende levar, em setembro, ao governo do Estado, o anteprojeto do plano. A conexão mínima oferecida será mais rápida do que a do plano nacional, que tem 512 kilobit por segundo (kbps).
Conforme as propostas de subsídio, como redução de ICMS, as velocidades podem subir para dois ou três Mbps, diz o diretor de telecomunicações da Acate, Norberto Dias. Ele acredita no papel indutor do Estado, articulado com a iniciativa privada, para viabilizar o projeto.
– O projeto não pode ser só privado, esse modelo não deu certo. Temos em SC empresas que podem oferecer infraestrutura, serviços e equipamentos. Temos o governo do Estado, com Ciasc, Fapesc e Celesc, com uma rede de fibras que pode ser interligada. Em vez de ficarmos esperando, vamos fazer proposições – destaca.
O plano custará entre R$ 18 e R$ 20 por mês para um Mbps, subindo à medida em que demandar mais banda. O foco do projeto é ampliar a rede de internet para fora dos grandes centros. Dias aponta mais de cem cidades prejudicadas no acesso à telefonia celular e também à banda larga.
O projeto está sendo desenvolvido por 25 empresas de SC. Dias afirma que o plano estadual será interligado ao nacional e vê resultados positivos para todos os setores.
– A população terá acesso mais barato, o governo estadual vai arrecadar mais imposto, o federal terá capilarizado mais a banda larga no país e os provedores terão mercado. Quanto mais envolvidos no processo, maior o êxito – avalia.
Caso o plano estadual catarinense tenha êxito, será possível até triplicar o número de acessos à banda larga no Estado. Em 2009, Santa Catarina tinha 460 mil acessos.
O Paraná também apresentou este mês seu plano estadual de banda larga, mas, diferente do modelo catarinense de articulação, está atrelado ao governo estadual, via Copel, estatal paranaense de energia.
alicia.alao@diario.com.br

Essencial para investimentos
Fonte: Jornal A Notícia, 31/08/2010
Para o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Humberto Gonçalves Corrêa Júnior, o estudo foi essencial para entender a situação atual de crianças e adolescentes de Joinville.
“A pesquisa superou as expectativas, pois entregamos um projeto em sete volumes, com formato inédito em todo o Brasil. Conseguimos um levantamento muito mais aprofundado, com informações completas para tomar as devidas providências de agora em diante”.
Idealizado pelo conselho, o Diagnóstico Social da Criança e do Adolescente foi concebido a partir de exemplos semelhantes desenvolvidos em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Bogotá e Barcelona.
O objetivo é aproximar o poder público e a sociedade da realidade das comunidades em que as crianças e adolescentes estão inseridos, além de oferecer uma ferramenta de acompanhamento da evolução dos indicadores sociais. É a primeira vez que esse projeto é realizado em Joinville.

Justiça tira gráfica da licitação
Fonte: Diário Catarinense, 31/08/2010
Tribunal Regional Federal (TRF) da Primeira Região suspendeu a liminar que mantinha a gráfica Plural no processo licitatório do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com a decisão, a Plural sai novamente do processo. Cabe recurso.
Na decisão, o desembargador federal Fagundes de Deus diz que desclassificou a Plural porque, pelos atestados apresentados, não foi possível aferir o preenchimento dos requisitos de capacidade produtiva aliada às condições de segurança e sigilo.
A Plural venceu o pregão eletrônico para imprimir as provas do Enem, porém o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) desclassificou a empresa com base na suposta não comprovação de atestados técnicos de execução de atividade pertinente e compatível com o objeto da licitação.

O trabalho em 1º lugar
Fonte: Jornal A Notícia, 31/08/2010
Os jovens joinvilenses colocam o trabalho como uma prioridade de vida. E não só uma carreira, mas a realização profissional. Isso é uma das informações do Diagnóstico Social da Criança e do Adolescente apresentado ontem na Câmara de Vereadores.
O estudo está organizado em sete volumes que contêm indicadores, dados de instituições e programas, pesquisas de percepção e qualitativa, análise conclusiva e propositiva sobre a criança e o adolescente do município.
O estudo foi tema de uma série de reportagens em “A Notícia” entre os dias 15 e 17 de agosto. Segundo os dados da pesquisa, apresentada pela Secretaria de Assistência Social de Joinville, 63% dos adolescentes querem empregos que tragam realização profissional. Os pais entrevistados na pesquisa também esperam que os filhos encontrem empregos que gerem melhores condições de vida.
O consultor de recursos humanos Osmar Worm Filho afirma que essa procura dos jovens por empregos logo cedo acontece, principalmente, em função da busca por independência financeira. “Muitos adolescentes querem ganhar seu próprio dinheiro, comprar coisas que os pais não podem dar. Dessa forma, acabam procurando emprego mais cedo para se tornar independentes”. Ele acredita que o incentivo parte das próprias escolas, que auxiliam no processo de iniciação profissional. “As instituições ajudam o jovem a ingressar no primeiro emprego, a começar a vida profissional antes de ganhar experiência”.
Para o gerente de proteção social básica da Secretaria Municipal de Assistência Social, Francisco João de Paula, o próximo passo para o município é buscar ações efetivas que propiciem uma inserção dos jovens no mercado de trabalho. “Joinville tem características de uma cidade trabalhadora, e o adolescente que busca o emprego mais cedo é uma prova disso. Através do resultado da pesquisa, nossa preocupação agora é com a busca de cursos, aprendizados, que façam com que o jovem entre com segurança no mercado de trabalho e ofereça mão de obra de qualidade para a cidade”.
SAIBA MAIS
O diagnóstico mostra o perfil, o comportamento e os sonhos dos quase 170 mil jovens que vivem em Joinville. Deste total, 34,2% têm entre 12 e 17 anos e quase 97% moram na área urbana da cidade. Eles estão concentrados em 12 bairros: Petrópolis, Boehmerwald, Fátima, Boa Vista, Paranaguamirim, Jardim Paraíso, Vila Nova, Iririú, Comasa, Costa e Silva, Jardim Iririú e Aventureiro.
AN.com.br

BB passa a operar como agente financeiro do Fies
Fonte: www.nota10.com.br, 31 de Agosto de 2010
O Banco do Brasil começou a operar também como agente financeiro do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O programa do Ministério da Educação (MEC) permite que estudantes de baixa renda financiem sua formação em cursos superiores de instituições particulares. Até este ano, o único banco participante do Fies era a Caixa Econômica Federal.
De acordo com a Agência Brasil, com a entrada do Banco do Brasil, o MEC acredita que a principal vantagem é o aumento do alcance do programa em função da ampla rede de agências bancárias. Hoje, o Fies tem 500 mil contratos ativos. Em 2010, o programa foi reformulado para facilitar o acesso do estudante ao crédito. Agora, o aluno pode pedir o financiamento a qualquer momento e não é necessário aguardar o início de cada semestre, como ocorria antes. Também houve redução dos juros e ampliação do prazo para pagamento da dívida.
O estudante interessado em conseguir o financiamento deve primeiro acessar o site do Fies e se cadastrar. Em seguida, a Comissão de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) de cada instituição deve validar os documentos para que o aluno possa contratar o financiamento, seja no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal.
No lançamento do novo Fies, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que havia recursos disponíveis para 200 mil novos contratos. Nos últimos dois meses foram formalizados 42.934 contratos. Segundo o ministério, 729 mantenedoras de instituições de ensino superior participam atualmente do Fies e 144 estão em fase de adesão.

Estrangeiros no ensino
Fonte: www.abmeseduca.com, 31/08/2010
Ryon Braga
Presidente da Hoper Educação
Desde 2004 que não passamos um só ano sem que o governo faça tentativas de restringir a presença do capital estrangeiro no setor de educação privada brasileiro.
Vários projetos de lei referentes ao tema passaram pelo Congresso neste período e, mais recentemente, o projeto do deputado Ivan Valente (Psol-SP) tem ocupado o noticiário do setor.
O Brasil possui hoje pouco mais de 4 milhões de estudantes no ensino superior privado presencial e pouco menos de 800 mil no ensino a distância particular.
Estes quase 5 milhões de alunos se dividem em pouco mais de 2 mil instituições de ensino, mantidas ou controladas por pouco menos do que 1,4 mil empresas.
Destas, mais de 70% são empresas com fins lucrativos. O capital estrangeiro está presente em um conjunto de instituições que respondem por quase 20% do alunado superior do país, e junto já movimenta aproximadamente R$ 5 bilhões por ano na educação privada do país.
Praticamente todos os argumentos dos que defendem a restrição do capital estrangeiro carecem dos fundamentos mais básicos e não encontram respaldo nos fatos.
O capital estrangeiro já está presente em um quinto do faturamento do setor e continua a se expandir a partir do que já foi comprado. Não há, do ponto de vista legal, como expulsar os estrangeiros que já estão no Brasil.
Não há sequer uma só prática ou conteúdo, por menor que seja, presente nas universidades controladas por grupos estrangeiros que possuam qualquer ligação com questões ideológicas.
Uma análise mais cuidadosa mostra que as instituições controladas por grupos estrangeiros tiveram um melhoria no seu desempenho acadêmico, medido pelos instrumentos oficiais do Ministério da Educação (MEC), depois que passaram ao controle a estes grupos.
Além disso, as instituições controladas pelos estrangeiros apresentam qualidade bem superior à média nacional. Quem tem que direcionar os critérios de abertura de cursos em função das necessidades do país é o MEC, e isso deve valer para todas as instituições, independente da origem do seu capital.
A bem da verdade, o capital estrangeiro vem trazendo uma série de benefícios à educação brasileira: melhoria no nível de gestão das instituições brasileiras;aumento da transparência contábil e melhoria dos processos de governança, contribuindo para acabar com a “pilantropia” ainda muito presente neste setor; 
fomento à inclusão social no ensino superior, através do aumento da competitividade com consequente redução de mensalidades e ampliação do acesso ao estudante das classes socioeconômicas menos privilegiadas; 
númeras inovações na relação entre ensino e aprendizagem;mais intercâmbio entre alunos e professores brasileiros com seus colegas em dezenas de países.

Concurso para obras inéditas está com inscrições abertas
Fonte: www.nota10.com.br, 31 de Agosto de 2010
Escritores brasileiros e de países africanos de língua portuguesa podem inscrever livros para a quarta edição do concurso Literatura para Todos que, neste ano, vai distribuir R$ 90 mil às nove melhores obras. As inscrições se estendem até 13 de outubro.
Para concorrer, os autores devem apresentar livros inéditos, dirigidos a neoleitores jovens, adultos e idosos em processo de alfabetização e matriculados em turmas de educação de jovens e adultos nas redes públicas da educação básica. Conforme o edital do concurso, as obras literárias devem ter narrativa atraente, favorecer o envolvimento afetivo e apresentar uma leitura do mundo.
Reafirmar o valor da leitura e da palavra escrita e contribuir para a formação de uma comunidade leitora, capaz de compreender a função de ser e estar no mundo, além dos modos de produção social e cultural, são objetivos desta iniciativa do Ministério da Educação (MEC). Estreitar laços culturais com os países africanos de língua portuguesa é outra finalidade.
A quarta edição vai selecionar duas obras dos gêneros: prosa (conto, novela ou crônica), poesia, texto da tradição oral (em prosa ou em verso); e uma obra de perfil biográfico e dramaturgia. Os concorrentes dos países africanos – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe – podem escolher uma das cinco modalidades.
As inscrições de autores brasileiros e africanos serão feitas com o envio dos originais. No Brasil, o livro deve ser enviado para o endereço: IV Concurso Literatura para Todos – Ministério da Educação, Esplanada dos Ministérios, Bloco L, sala 209. CEP 70047-900 – Brasília – DF. Os africanos encaminham as obras para as embaixadas do Brasil em seus países.
Cada autor pode participar com um trabalho inédito, mas é admitida a co-autoria. Os originais devem ser apresentados em CD e em seis cópias impressas, em envelope único, lacrado e com pseudônimo. Está vedada a participação de servidores vinculados ao MEC e de seus parentes. Professores das instituições federais, estaduais, confessionais e comunitárias de educação superior podem concorrer.

Donos do próprio nariz
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 30/08/2010
Carolina Stanisci e Paulo Saldaña
Na década de 90, muitos pais ficavam chocados quando o filho recém-formado anunciava que iria abrir um negócio. Carteira assinada e carreira sólida em grandes empresas pareciam opções mais viáveis. Mas essa percepção mudou e agora até o mundo acadêmico resolveu ajudar futuros empreendedores a se livrarem da imagem de gênios incompreendidos.
Universidades têm apostado cada vez mais em núcleos de empreendedorismo e incubadoras. Para analistas, isso ainda não é o suficiente, mas já reforça a visão de que é preciso aprender na faculdade o caminho para se dar bem como empresário. Até porque uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade mostrou que em 2009 mais da metade dos 33 milhões de brasileiros que têm algum tipo de empreendimento – 52,5% – eram jovens de menos de 34 anos.
Foram alunos da ESPM com esse perfil que influenciaram a direção a criar o Núcleo de Empreendedorismo. Uma pesquisa recente mostrou que 80% dos estudantes querem abrir uma empresa – há dez anos esse número era de apenas 20%. “O foco na carreira do aluno agora deve contemplar também a criação de sua empresa”, afirma o professor de Administração José Eduardo Amato Balian, que integra o núcleo.
Na FGV, a estratégia é semelhante. O coordenador-adjunto do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da instituição, Marcelo Marinho Aidar, afirma que é clara a mudança de percepção sobre a importância de o País incentivar seus jovens empresários. “Uns 25 anos atrás, como era visto um profissional que ia abrir um negócio e tinha um diploma? Era um cara fracassado, porque os pais esperavam que fizesse carreira em uma empresa.”
Impulso
Foi esse estímulo durante a faculdade que ajudou a empresa de Giovani Amianti, de 28 anos, a prosperar. Em 2004, quando estava no último ano de Engenharia Mecatrônica na USP, ele e dois colegas criaram uma empresa de robótica para fabricar aviões de monitoramento não-tripulados.
A ideia só saiu do papel graças ao incentivo de um professor e ao apoio do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec). Considerado o maior centro incubador do País, o Cietec fica na Cidade Universitária, mas é financiado pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae). Segundo seu diretor, José Carlos de Lucena, o centro é muito procurado tanto por estudantes como por empresas que usam os serviços da incubadora para montar um braço tecnológico.
Para Amianti, que já está no doutorado na Poli-USP, o papel do Cietec foi fundamental especialmente no início das atividades da XMobots, que acabou de fechar um contrato para fotografar a Amazônia durante um ano e meio, por R$ 400 mil. “A gente agora entrega o projeto todo, não apenas o produto, porque é uma tecnologia cara. Um avião de monitoramento custa US$ 500 mil”, conta.
Segundo o empresário e pesquisador Newton Campos, que acabou de defender doutorado na FGV sobre empreendedorismo, exemplos como o de Amianti estão deixando de ser exceção no Brasil, apesar dos entraves burocráticos e da falta de incentivo do governo. “Hoje, tem muito mais gente com a cabeça empreendedora aqui.”
Campos acompanhou por cinco anos, no estudo O Contexto Social do Empreendedorismo no Brasil e na Espanha, a carreira dos finalistas do prêmio para empreendedores da Ernst & Young. Para ele, o brasileiro é mais passional que o anglo-saxão e não dá tanta importância à faculdade. “Só dois empresários que eu entrevistei tinham doutorado. De longe, eram as empresas mais organizadas.”
Apego
De acordo com Campos, brasileiros e latinos em geral têm um forte vínculo emocional com seu negócio. Preferem morrer agarrados à empresa a ter de se desfazer dela. “Um empresário que entrevistei me disse que vender seria como perder uma filha.”
É o caso da gaúcha Louise Scoz, de 25 anos, graduada em Publicidade pela ESPM de Porto Alegre. Logo depois de formada, ela abriu uma empresa de pesquisa de comportamento do consumidor. “É difícil falar do futuro, mas acho que não venderia o negócio porque muitos dos valores embutidos vieram de reflexões pessoais.”
A pesquisa de Campos mostra que, em contrapartida, os americanos têm uma visão pragmática. Quando estão no auge, vendem seu negócio. “Nos Estados Unidos, o projeto do empreendedor tem a ver com criar empresas para liderança mundial e movimentação de grandes fortunas”, diz Evandro Paes dos Reis, da Business School São Paulo.
Foi o pragmatismo que moveu o empresário paulistano Pierre Mantovani, de 35. Ele abriu sua empresa de publicidade digital na década de 90. Tudo começou como uma brincadeira entre amigos, que passavam a noite na internet pesquisando agências de publicidade. Começaram então a vender sites para elas. “Um dia, quando estava no 4.º ano de Engenharia Elétrica de Computadores da FEI, cheguei para minha mãe e disse: ‘Vou largar a faculdade e abrir minha empresa.’”
A ideia deu certo, o negócio cresceu e, quando começou a ser sondado por grupos internacionais, Mantovani decidiu vendê-lo. “Não fiquei esperando. Viajei por vários países e escolhemos para quem queríamos ser vendidos.” Ele não revela o valor que recebeu em 2008 para transferir o controle de sua empresa para a Digitas, maior agência digital do mundo.
Mas se Mantovani é exceção por ter vendido a empresa no auge, é regra na pesquisa de Campos pelo perfil acadêmico: ele largou a faculdade e não voltou a estudar. “A pessoa (que não estuda) pode tomar o caminho certo ou o errado, mas não tenho a menor dúvida que quem opta pela educação erra menos”, diz o pesquisador.
Outra característica recente do jovem empreendedor é não ter foco só no dinheiro que pode ganhar. “A motivação básica é fazer algo diferente, como uma solução para problemas ambientais”, afirma Guilherme Ary Plonski, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Amprotec).
Poder tocar um negócio lucrativo e “diferente” foi o que inspirou o aluno da FEA-USP Alexandre Veiga, de 23 anos: “Se você olhar para fora do seu carro, vai dizer: ‘Que mundo maluco, doente.’ Não faz sentido, e as empresas replicam esse modelo. Para continuar vivo, é bom apostar em algo que faça sentido.” Ele se uniu ao sócio, já formado na FEA, e montou a Area, uma incubadora de empresas. “A gente queria empreender, tínhamos várias ideias, dois planos de negócio. Mas percebemos que não sabíamos por onde começar e vimos que não era um problema só nosso.”
A companhia ajuda seus clientes desde a entender o que é o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) até a conhecer possíveis investidores. No início, eles investigam se os clientes têm capacidade para trabalhar no que desejam. “Fazemos uma investigação quase policial”, diz Veiga.
Trabalhando informalmente em salas da USP, a Area se vale de uma rede de contatos na universidade e de amigos para captar seus clientes – a incubadora começou a funcionar em maio e já têm seis deles.
“Um dos clientes é uma dupla de engenheiros formados pela Poli-USP que inventou um protótipo que mapeia cédulas. Depois, o aparelho reproduz sonoramente o valor, para quem não enxerga”, diz. “Queremos gente jovem que pense no resultado socioambiental.” Por enquanto, a empresa não cobra pelo serviço. COLABOROU LARISSA LINDER, ESPECIAL PARA O ESTADO

Entidades lançam Carta-Compromisso para a educação
Fonte: www.nota10.com.br, 31 de Agosto de 2010
Várias entidades lançam hoje (31), em Brasília, Carta-Compromisso com os desafios prioritários e compromissos fundamentais para garantir Educação de qualidade para todas as crianças, jovens e adultos de todo o país.
A iniciativa visa o comprometimento dos candidatos com a urgência de políticas públicas educacionais que garantam, efetivamente, o direito da Educação de qualidade para todos e todas. Como primeiro e mais decisivo passo está a institucionalização do Sistema Nacional de Educação, tal como determina o Art. 214 da Constituição Federal de 1988 e deliberou a Conferência Nacional de Educação (Conae – 2010).
O documento será apresentado pelas instituições e pelos movimentos proponentes no dia 31 de agosto, às 10h, na sede do Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília. Após seu lançamento, a Carta-Compromisso será apresentada para a assinatura dos candidatos.
Proponentes da Carta-Compromisso: “Pela garantia do direito à Educação de qualidade”:
- Academia Brasileira de Ciências (ABC)
- Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae)
- Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped)
- Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG)
- Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes)
- Campanha Nacional pelo Direito à Educação (Campanha)
- Central Única dos Trabalhadores (CUT)
- Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec)
- Centro de Estudos Educação e Sociedade (Cedes)
- Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)
- Confederação Nacional dos Trabalhadores de Estabelecimento de Ensino (Contee)
- Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag)
- Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
- Conselho Nacional de Educação (CNE)
- Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed)
- Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (FNCE)
- Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)
- Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
- Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
- Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM)
- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
- Todos pela Educação (Todos)
- União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes)
- União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme)
- União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)
- União Nacional dos Estudantes (UNE)

Biblioterapia pode ser mais eficaz que antidepressivo
Fonte CM News, 31/08/2010
Livros de autoajuda na área médica vendem horrores por uma razão muito simples: eles funcionam.Num trabalho publicado em 2004 no periódico "Psychological Medicine", Peter den Boer e seus colegas da Universidade de Gronigen, na Holanda, compararam vários estudos que avaliaram a eficácia de livros de autoajuda (biblioterapia) em casos clínicos de ansiedade e depressão.
Concluíram que a biblioterapia é significativamente mais eficaz do que placebos ou inclusão em lista de espera para terapia, e praticamente tão eficaz quanto tratamentos curtos ministrados por um profissional. Ainda mais interessante, ela se mostrou medianamente mais eficaz do que o uso de antidepressivos.
Esses resultados estão em linha com o que foi apurado em outras metanálises feitas principalmente nos anos 90, e também com as conclusões de uma força-tarefa que a Associação Psicológica Americana (APA) montou em fins dos anos 80.
Antes, porém, de trocar seu psiquiatra (R$ 400 a sessão) e seu Prozac (R$ 145 a caixa com 28 cápsulas) por um livro (R$ 19,90 o exemplar de "Como Curar a Depressão", Ed. Sextante), convém fazer algumas ponderações sobre esses achados.
Parte do efeito positivo da biblioterapia pode ser atribuído a um viés de seleção. Deprimidos que buscam ativamente uma mudança de comportamento - ou seja, aqueles que compram os livros - são melhores candidatos à cura do que os pacientes que sucumbiram à apatia.
Outro problema é que os estudos de eficácia normalmente avaliam obras de boa qualidade, escritas por profissionais gabaritados. Essa, evidentemente, não é a regra num mercado que lança milhares de títulos por ano.
E, como os remédios, livros errados envolvem alguns riscos. Num trabalho publicado em 2008 em "Professional Psychology", Richard Redding e colegas avaliaram 50 obras de alta vendagem nos EUA relativas a transtornos de ansiedade, depressão e trauma.
Como era de esperar, a qualidade e os problemas variam muito. Há desde aqueles livros que apenas esquecem de avisar que o tratamento pode falhar (50% dos títulos) até os que dão conselhos capazes de provocar efeitos adversos (18%).
A boa notícia é que, prestando atenção a alguns poucos itens, como se o autor é um profissional de saúde mental e se tem títulos acadêmicos, é possível fugir das piores arapucas. Em princípio, essa regra deve valer também para o Brasil.
Ressalvas à parte, a literatura médica de autoajuda é um fenômeno que deveria ser olhado com mais carinho por profissionais e autoridades. Ela tende a funcionar ao menos em alguns casos, permite atingir grandes populações, e apresenta a melhor relação custo-benefício.
HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA
Fonte: Folha de São Paulo

Metade dos alunos do 9º ano em particulares tem mães com ensino superior completo
Fonte: Clipping Educacional Consae - Portal UOL Educação, 31/08/2010
Rafael Targino em São Paulo
Quase metade dos alunos no 9º ano de escolas privadas tem mães com ensino superior completo. É o que mostra a PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) 2009, feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgada na última sexta-feira (27). Segundo a pesquisa, esse grupo responde por 46,9% do total. Já nas públicas, o número cai para 8%. Quando o filtro público/privada é retirado, os dados mostram que um quarto das mães não tem instrução ou não completou o ensino fundamental (25,9% do total); outro um quarto delas tem ensino médio completo ou superior incompleto.
A capital com mais mães com ensino superior é Vitória (26,9%), seguida por Brasília (20,9) e Aracaju (19,7%). Manaus (9,8%) é a cidade onde esse índice é menor. Maceió tem a maior proporção de mães (37,7%) com nenhum nível de escolaridade ou só com ensino fundamental completo, seguida por Fortaleza (32,3%) e Teresina (31,5%). Segundo a professora Inês Barbosa de Oliveira, da Faculdade de Educação da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), um dos fatores que podem explicar os números é a situação financeira da família. “As mães que tem nível superior, de um modo geral, têm colocação no mercado de trabalho que as permite colocar [os filhos] na escola particular”, diz. Inês alerta, no entanto, para a percepção de que a escola particular é sempre melhor que a pública. “A quantidade de escola particular que não presta é talvez tão grande quanto a de publicas que não prestam”, afirma.

Total de alunos do 9º ano de públicas que dizem ter matado aula é o dobro do das particulares
Fonte: Clipping Educacional Consae - Portal UOL Educação, 31/08/2010
Rafael Targino em São Paulo
A PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) 2009, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostrou que o percentual de alunos de escolas públicas do 9º ano do ensino fundamental que admitiram ter matado nos 30 dias anteriores ao levantamento é mais que o dobro do das privadas. No total, 18,5% de todos eles faltaram às aulas sem autorização dos pais. Segundo a pesquisa, divulgada na última sexta-feira (27), 20,7% dos estudantes da rede pública disseram que haviam matado aula, contra 10,1% dos das particulares. A cidade onde mais os alunos de públicas mataram aula foi Cuiabá (25%), seguido por Recife (24,9%) e Porto Alegre (24,2%). Dentre os da rede privada, as líderes do ranking são Palmas (18,2%), Boa Vista (15,9%) e Cuiabá (14,8%). De acordo com o IBGE, a cidade onde menos os estudantes de instituições públicas de ensino disseram que haviam faltado aula sem autorização dos pais foi Rio Branco; entre as particulares, Porto Velho.
Quando se consideram todos os alunos, sejam eles de públicas ou particulares, Cuiabá continua na liderança dos faltosos, com 23,4%. Teresina é onde menos, no geral, os estudantes faltam sem autorização dos pais (12,4%). Para a professora Inês Barbosa de Oliveira, da Faculdade de Educação da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), o problema não é a escola em si –mas as políticas públicas feitas para a educação. “A culpa não é da escola. O problema está na política educacional que torna a escola precária, na política geral do país que não garante emprego em quantidade necessária para os que estudam se colocarem no mercado de trabalho. Isso cria um círculo vicioso”, afirma.
Segundo Inês, um outro motivo é a própria dinâmica de controle de presenças. “Há aí um sistema de controle mais eficiente nas escolas particulares, porque os pais pagam também com a expectativa que se controle a frequência dos alunos com rigor. Tem um sistema mais eficaz na escola particular”, diz. Ela lembra também que, provavelmente, muitos alunos –de públicas e particulares– omitiram suas faltas. Tempo livre - O IBGE também perguntou aos estudantes se os pais sabiam o que eles estavam fazendo durante o tempo livre que tiveram nos 30 dias anteriores à pesquisa. Mais de 55% (55,8%) responderam que os pais sabiam – a maioria deles em Florianópolis (64,3%).

MP pede explicações ao Inep sobre vazamento de dados sigilosos em site
Fonte Portal G1, 30/08/2010
Fernanda Nogueira
Do G1, em São Paulo
A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu esclarecimentos ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) sobre o vazamento de dados sigilosos do site do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O ofício foi enviado ao instituto na quarta-feira (25) pelo procurador Peterson de Paula Pereira. O Inep tem prazo até 9 de setembro para responder.
Dependendo das explicações dadas pelo Inep, o procurador decidirá se instaura procedimento preparatório ou inquérito civil público para investigar o vazamento dos dados ou se arquiva o caso.
A procuradoria foi acionada para acompanhar o caso no dia 12 de agosto, quando o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ao órgão de primeira instância o pedido de representação feito pelos deputados federais João Almeida (PSDB-BA) e Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Informações sigilosas, como RG, CPF, notas e número da matrícula, dos estudantes inscritos no Enem em 2007, 2008 e 2009 foram exibidas no site do Inep. O caso veio à tona em reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo” em 4 de agosto. Os dados foram retirados do ar no mesmo dia.
No dia 5, o Inep abriu auditoria para investigar como as informações puderam ser acessadas sem o uso de senhas. O presidente do Inep, José Joaquim Soares Neto, disse que "uma instituição" tornou públicas as informações sigilosas. Um total de 231 instituições de ensino superior cadastradas no sistema tinha acesso aos dados para uso em seus processos seletivos. O prazo para conclusão da auditoria é de 30 dias.
Segundo a Procuradoria da República no DF, se decidir instaurar um procedimento preparatório sobre o caso, o procurador terá até 90 dias para concluir as investigações, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. Se decidir instaurar um inquérito civil público, o procurador terá um ano para concluir as investigações.
Procurado pelo G1, o Inep ainda não se pronunciou sobre o pedido de esclarecimentos feito pela procuradoria.
O Enem tem um histórico de problemas que inclui vazamento da prova, divulgação de gabarito errado e alterações de data do exame. No início de 2010, o site do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa as notas do Enem para selecionar estudantes para universidades federais, travou no primeiro dia de inscrições. Houve casos ainda de estudantes que perderam vagas em instituições após mudanças na lista de espera do sistema.
A impressão das provas do exame deste ano ainda não começou devido a atraso na escolha da gráfica que fará o serviço. A gráfica vencedora do pregão foi considerada inabilitada pelo Inep, mas conseguiu na Justiça o direito de continuar no processo de habilitação. Na semana passada, começou avaliação in loco da segurança na gráfica. Ainda não foi divulgado o resultado da avaliação. Um total de 4,6 milhões de estudantes fizeram inscrição no Enem neste ano, que está marcado para ocorrer em 6 e 7 de novembro.

Faculdades têm até hoje para inscrever alunos no Enade
Fonte CM News, 31/08/2010
A lista de confirmação dos candidatos será divulgada no dia 20 de setembro. Universidades e faculdades de todo o país têm até esta terça-feira (31) para enviar as inscrições dos estudantes no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Estão convocados os estudantes do primeiro e do último ano de 19 cursos, incluindo cinco superiores de tecnologia.
As carreiras avaliadas são as de agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, terapia ocupacional e zootecnia e cursos de tecnólogo em agroindústria, agronegócios, gestão hospitalar, gestão ambiental e radiologia. Os estudantes do primeiro ano precisam ter cumprido entre 7% e 22% da carga horária mínima do curso até o dia 02 de agosto de 2010. Já os concluintes são aqueles que, até a mesma data tenham cumprido no mínimo 80% das aulas do curso e aqueles que podem se formar neste ano, independente do cumprimento das matérias ou carga horária. A faculdade deve fazer o cadastro no site do Inep (órgão do Ministério da Educação responsável pelo Enade). A lista com os nomes dos estudantes será divulgada no dia 20 de setembro. Os locais de prova serão divulgados pelo ministério no dia 22 de outubro. A avaliação será aplicada no dia 21 de novembro, às 13h, em todo o Brasil. Estão dispensados do exame os estudantes que colarem grau até o dia 31 de agosto deste ano e aqueles que estiverem oficialmente fazendo intercâmbio fora do Brasil.
Fonte: Portal R7

Bolsas melhoram a vida de bons alunos
Fonte: Clipping Educacional Consae - Gazeta do Povo, 31/08/2010 - Curitiba PR
De segunda a sexta-feira, Lou-seane Silva de Lima, 12 anos, leva cerca de três horas para ir de sua casa em Piraquara, na região metropolitana, até a escola, no bairro Boqueirão, em Curitiba. Ela faz o percurso de ônibus e não se importa com a distância para chegar ao Colégio Acesso, onde é bolsista. E não é para me¬¬nos. A menina sabe como são concorridas as vagas em instituições particulares que oferecem bolsas parciais e integrais para estudantes que não têm condições de pagar a mensalidade. O jovem Ricardo Henrique Vanderlinde, 17 anos, também venceu a disputa acirrada e isso mudou a vida dele. Ricardo saiu das ruas graças à bolsa integral de estudos que recebeu no ensino médio. Está matriculado no 2.º ano do Colégio Sesc São José – uma parceria entre o grupo Bom Jesus e Serviço Social do Comércio. Hoje, além de estudar, tem dois empregos e pensa em ingressar numa faculdade. “Há três anos eu não era ninguém. Cheguei a morar nas ruas. Hoje com o estudo tenho esperança no futuro”, diz.
O sonho da faculdade também é alimentado por Louseane. Filha da cozinheira Sandra Regina, ela pensa em se formar em Física Nuclear. Não conseguiu passar no processo seletivo de ingresso no Colégio Militar de Curitiba, que é público. Mas, devido às boas notas, ganhou uma bolsa integral num cursinho e se prepara novamente para a seleção. Pela manhã, frequenta o cursinho e à tarde vai para a escola. A mãe, que é viúva e não tem outros filhos, conta que, mesmo com um desconto de 70%, o pagamento da mensalidade da escola é feito com sacrifício. “Sem contar o estresse que essa menina passa todos os dias. Ela sai às 7 horas da manhã e só volta depois das 8 horas da noite. Não é fácil essa rotina”, afirma.
Os programas - Dependendo do programa e da escola, é possível chegar a um desconto de 100% na mensalidade. No Colégio Sesc São José, os 480 alunos do ensino médio recebem de graça ensino, material didático e, se necessário, transporte. O atendimento é voltado para estudantes que concluíram o ensino fundamental em escolas públicas e que pertencem a famílias com renda máxima de três salários mínimos mensais. Para ingressar no colégio, é necessário passar por um teste de seleção. “Existem jovens talentosos em várias escolas públicas. Nosso objetivo é oferecer oportunidade num ambiente que é referência em qualidade de ensino”, diz o gerente regional do colégio, José Ivair Motta Filho. Todo o material didático usado na escola é o mesmo de outras escolas do grupo Bom Jesus.
No colégio Acesso, as bolsas são parciais e o abatimento concedido chega a 80% do valor integral. Lá, o programa de bolsas começou há quatro anos e, de acordo com o diretor Pedro Adriano Brandalise, a ideia é trazer para dentro da escola alunos com potencial acadêmico. A redução na mensalidade é proporcional à pontuação obtida numa prova aplicada aos alunos. “Dentro das nossas possibilidades, tentamos atender a comunidade. Não podemos deixar de lado alunos que vivem com dificuldades financeiras, mas se esforçam e gostam de estudar”, afirma. Já nos colégios do grupo Dom Bosco, a mensalidade po¬¬de ser abatida integralmente, dependendo das condições sociais e financeiras de cada família.
De acordo com a diretora da sede Mercês, Rita Egashira Vanzela, a definição da porcentagem de desconto não depende só da nota obtida pelo estudante. “Fazemos um cálculo da mensalidade que a família pode suportar”, diz. O projeto, intitulado de Arquime¬des, existe desde o ano 2000 e até hoje já atendeu cerca 1,5 mil famílias. A cada ano ingressam 120 estudantes.
Estudando no exterior - Há sete anos, um grupo de em¬¬presários e voluntários resolveu se unir para dar oportunidades a estudantes com bons desempenhos. Desde então, o programa Bom Aluno já garantiu a formação universitária de 132 estudantes, sendo que alguns estudaram inclusive fora do país. Hoje o programa atende 210 estudantes da 8.ª série do ensino fundamental à universidade. Além de oferecer bolsas de estudos integrais a estudantes de baixa renda em colégios particulares, o programa tem acom¬¬panhamento estudantil individualizado, com atividades no contraturno, como au¬-las de línguas. O universitário Diogo de Barros, 17 anos, foi um dos participantes do Bom Aluno. Hoje mora na Espanha, pois foi o primeiro colocado no Programa Universi¬dade para Todos (Prouni) Inter¬nacional, do Ministério da Edu-cação. Filho de diarista, conta que jamais teria a oportunidade de estudar no exterior, não fosse a participação no programa, que o permitiu estudar no colégio Dom Bosco, a partir de uma bolsa integral. “Estudar em colégio particular fez a diferença”, diz. A coordenadora do Bom Aluno, Maria Isabel Grassi Dittert, explica que podem participar do programa estudantes a partir do 7.º ano do ensino fundamental. Por ano são abertas cerca de 20 vagas no programa.

Especialistas em carreira sugerem que os jovens interajam com o mercado o mais cedo possível
Fonte: Correio Braziliense, 30/08/2010
Manoela Alcântara
Estar preparado para o mercado significa muito mais do que ter uma boa formação. Com o aquecimento da economia e a necessidade de mão de obra especializada, as empresas não querem perder tempo contratando quem não esteja realmente pronto. Isso provoca uma das maiores confusões na cabeça dos jovens: como conseguir o primeiro emprego se a principal exigência é ter experiência? A solução está nas oportunidades exploradas ainda no processo de formação, como estágios, programas de trainee e os destinados a menores aprendizes.
Esse contato inicial com os empregadores pode, além de render o primeiro emprego, estreitar as relações entre a escola e os empregadores. A maioria dos brasileiros considera que as instituições de ensino não oferecem um bom preparo para o mercado de trabalho. Em uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizada pelo Ibope, cerca de 40% dos entrevistados disseram que, ao fim do curso médio ou superior, o aluno está apenas razoavelmente preparado para o primeiro emprego.
Thirza Reis Sifuentes, diretora técnica da Homero Reis e Consultores, psicóloga e coach, aposta no estágio como passaporte para o mercado. “Esse é o momento do jovem mostrar o que sabe, fazer o seu nome e ser lembrado na hora de uma contratação. É no estágio que um bom grupo de contatos pode ser feito. O estágio é também um processo de percepção e distinção de competências. É nele que muitos fazem os testes das áreas em que querem ou não atuar”, constata. Além disso, se há o interesse de fazer parte de um determinado nicho, nada melhor do que estar dentro da empresa para fazer parte do meio.
Para o autor do livro Superdicas para o jovem escolher bem a profissão, Ruy Leal, os programas destinados a menores aprendizes atingem uma parcela de adolescentes e jovens de forma ainda mais eficaz que os estágios, e possibilitam uma formação de ideais sobre a profissão e o mercado menos tardia. “Um não exclui o outro, mas só se pode entrar em um estágio após os 16 anos. Nos projetos de aprendiz, é possível trabalhar em diversas funções ainda com 14 anos, uma boa idade para começar as pesquisas do mercado e até para definir o curso superior a seguir”, indica.
Ramon Aurélio Júnior e Driele Morgany de Abreu, ambos com 17 anos, concluíram, na semana passada, o Programa Aprendiz Legal. Com emprego garantido e uma percepção diferente das carreiras que querem trilhar, eles se consideram preparados para encarar seleções e serem bem-sucedidos profissionalmente. “Quando fiz a entrevista do meu atual estágio, falei da minha experiência como aprendiz e isso me rendeu a contratação. Todo o conhecimento que adquiri foi muito importante para o meu currículo e para a minha formação. Depois de concluir os dois anos de trabalho associado a cursos, descobri que quero fazer a faculdade de administração”, diz Ramon Aurélio.
Driele seguirá a mesma carreira. Ela só decidiu isso depois de, aos 15 anos, prestar serviços para uma escola da cidade. “Queria fazer direito, hoje mudei de opinião”, alega. Também empregada, a jovem aprendeu a ter mais responsabilidade e a analisar como funciona cada profissão. “No colégio, não falam nada sobre o mercado. Aprendi isso na prática, pesquisando. Consegui criar rotinas na minha vida e organizar meu tempo. Hoje, pratico isso no meu emprego de carteira assinada, mesmo aos 17 anos”, comemora.
Em Brasília, algumas empresas como o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e o Instituto Fecomércio (IF) intermediam os estágios de estudantes de cursos superiores, do ensino médio e do técnico. Já as inscrições para o programa de menor aprendiz são feitas por meio de instituições cadastradas no Ministério do Trabalho. Os programas de trainee, onde os selecionados já entram com um salário compatível com o do mercado e conhecem todas as áreas da empresa para depois chegar a um cargo de gerência, acontecem sazonalmente e são organizados pelas próprias contratantes.
Foco na técnica
Em todo o país, existem institutos federais especializados na formação técnica de profissionais. Vinculados ao Ministério da Educação, eles oferecem cursos profissionalizantes rápidos; os técnicos, com duração de dois anos; e até formações de nível superior. O instituto federal do DF tem sede na Asa Norte e câmpus espalhados em Planaltina, Samambaia, Gama e Taguatinga.
O governo local também tem escolas com esse perfil, como a Escola Técnica de Brasília (ETB). Segundo o coordenador-geral dos cursos básicos da escola, Roberto Soares Felipe, as capacitações de curto prazo possibilitam que os jovens estejam preparados para as vagas do mercado. “Eles chegam sem nenhuma profissão, sem saber nenhuma ferramenta profissional. Aqui, aprendem a transformar conhecimentos em utilidades para os empregadores”, ressalta.
Quem já sabe trabalhar com a internet, exemplifica o professor, aprende que essa ferramenta não possibilita só o envio de e-mails, mas pode promover mudanças em toda a logística de uma empresa. A ETB oferece em média 55 cursos, feitos principalmente por jovens. Os que têm entre 14 e 20 anos correspondem a 31,4% dos matriculados; os com 21 a 25 anos são 23,8%. O governo do Distrito Federal também mantém os centros de educação profissional de Ceilândia e Planaltina.
Cotas obrigatórias
A Fundação Roberto Marinho e o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) fizeram um programa que já ajudou 40 mil jovens a entrarem no mercado de trabalho. A intenção é fazer valer a Lei nº 10.097/2000 — que obriga empresas de médio e grande porte a contratar jovens de 14 a 24 anos como aprendizes, cumprindo cotas que variam de 5% a 15% do número de funcionários efetivos qualificados.

Envelhecimento da população desafia o mercado de trabalho
Fonte CM News, 31/08/2010
Chico Otavio
Procura-se profissional acima dos 60 anos... Para um mercado de trabalho que insiste em enxergar o Brasil como um país jovem, o anúncio de emprego pode sugerir um trote. Mas não é. Gente como o comerciante Antônio Fiori, a empresária Márcia Lima Gabionetta e a assistente social Renata Hauck faz parte de um pequeno, mas promissor, grupo de empregadores que resolveu trocar o vigor da juventude pela experiência e a assiduidade dos mais velhos. Para as vagas abertas em seus negócios, eles optaram pelo trabalhador idoso.
As projeções indicam que o país a ser revelado pelo Censo 2010 do IBGE terá um contingente de 14 milhões de idosos. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reforçam o fenômeno: se a população total cresce à taxa de 0,9% ao ano, o incremento de pessoas acima dos 60 anos avança quatro vezes mais (3,8% anuais).
Para muitos, os números sinalizam um problema quando cruzados com as contas da Previdência ou com o sistema de saúde. Há outros, porém, que preferem entendêlos como nicho de negócios: — O retorno é garantido. Os idosos são pessoas responsáveis e centradas. Não dão trabalho, não faltam. Já os jovens têm outras ambições, como as baladas do fim de semana — afirma o comerciante paulista Antônio Fiori, dono de uma fornecedora de areia e pedras, que acaba de contratar um idoso para gerente.
Como o país está envelhecendo, o desafio civilizatório que se impõe, preveem os demógrafos, é aumentar a idade produtiva da população. Em vez de estimular a ociosidade da terceira idade ou alterar o fator previdenciário, para evitar que o equilíbrio atuarial fique insustentável, a alternativa seria dotar os idosos de capacidade física para adiar a retirada da vida produtiva.
— O Brasil não estava preparado para envelhecer. Se a perspectiva era se aposentar e viver no máximo oito anos, hoje a pessoa chega a ter mais 20, 30 anos de vida. Nenhuma sociedade pode jogar fora essa mão de obra — diz o médico Renato Veras, diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati/Uerj).
No caminho de volta ao mercado, o aposentado tem deixado a carteira de trabalho em casa. Quase metade dos trabalhadores ocupados acima dos 60 anos (44%) é autônoma, enquanto 31,4% são assalariados, 9,8%, empregados domésticos e 9,7%, empregadores.
— Há dois tipos de idosos no mercado informal: o mais escolarizado, que geralmente é um profissional liberal e se beneficia de sua experiência, e o menos escolarizado, que encontramos muito na agricultura — explica a economista Ana Amélia Camarano, coordenadora de Pesquisa em População e Cidadania do Ipea.
No ano passado, 55% da população masculina entre 60 e 69 anos ainda trabalhavam. Muitos, principalmente nas faixas de renda mais baixas, prolongaram a idade produtiva para reforçar a diminuta aposentadoria quando a família cresceu.
Um deles é Horacildo de Castro, de 69 anos, que virou homemplaca pelas ruas de São Paulo.
Ex-metalúrgico da Mafersa, Horacildo passou em casa os primeiros anos da aposentadoria, na década de 90. Até que a sua mulher resolveu adotar uma recém-nascida.
Desde então, o velho operário do aço trabalha com outros metais: fica nove horas por dia na rua para ganhar R$ 20 anunciando a compra de ouro, platina e brilhantes.
— Sem o biscate, não daria para criar a menina. Carrego a placa faça chuva, faça sol. Os seguranças das lojas vivem me tocando para outro lugar — diz o homem-placa, cuja filha de criação já tem 15 anos.
Mas, apesar das intempéries, Horacildo segue em frente. E é isso que encanta os empregadores que têm optado pela terceira idade.
Com o idoso, não há tempo ruim.
Principalmente quando o desafio profissional é conviver com pessoas da mesma idade.
A assistente social Renata Hauck ajudou a tia, médica, a procurar uma aposentada para ser funcionária do seu consultório, em Belo Horizonte: — Jovens têm sempre problemas.
O namorado ou o filho pequeno.
Se faltam, não há como minha tia fazer os procedimentos do consultório.
Aposentada não tem filho pequeno. Contratamos uma senhora simpática, com experiência de vida. Passa algo agradável às pacientes na sala de espera.
O aposentado representa um baixo custo. Não faz questão de carteira assinada e vê o salário como um complemento de renda. Há casos em que nem salário é necessário.
Com vasta experiência acumulada, saúde e vontade de contribuir, o aposentado abraça o voluntariado.
Na prefeitura de Niterói, por exemplo, os responsáveis por licitações suam frio quando chega o aposentado Guilherme Magalhães.
Ele é um dos trabalhadores idosos qualificados que fazem da experiência a senha para o reingresso na vida produtiva. Ex-gerente de Negócios do Banco do Brasil, onde trabalhou por 32 anos, Magalhães é hoje fiscal voluntário do Observatório Social da cidade, ONG de olho nas contas municipais.
— As pessoas não acreditam que você pode mudar a realidade.
Além disso, precisamos nos sentir produtivos, mesmo sem remuneração — orgulha-se Magalhães.
Não são poucos os casos de aposentados que, sentindo-se produtivos, encontraram as portas do mercado fechadas ou quebraram a cara ao tentar um negócio. O paulista Luiz Pinto Cepinho, também bancário, aderiu ao plano de demissões voluntárias do BB, montou restaurante e faliu.
Hoje, sobrevive como fotógrafo de festas, e luta para voltar ao BB pela via judicial.
Demissões espontâneas, aposentadoria compulsória e outros mecanismos encurtam a vida ativa de milhares de trabalhadores.
Há lugares, porém, em que a experiência com os mais velhos foi tão boa que motivou a continuidade: — Perdi um serralheiro que ainda trabalhava quando morreu aos 80. Para substituí-lo, quero outro idoso — diz a empresária Márcia Lima Gabionetta, dona de uma fábrica de tendas e barracas para feiras.
Fonte: O Globo on line

Profissionais com pouca idade são os que mais encontram dificuldades para engrenar no mercado de trabalho
Fonte: Correio Braziliense, 30/08/2010
Manoela Alcântara
Conseguir um lugar no mercado de trabalho não é tarefa fácil. Quando se é marinheiro de primeira viagem, então, surgem as dúvidas, os problemas e até a falta de qualificação para dificultar a estreia profissional. Segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Distrito Federal (PED), enquanto 11,4% dos adultos com idade entre 25 e 39 anos estavam desempregados em junho deste ano, 29,6% dos jovens na faixa de 16 a 24 anos também não estavam inseridos em um ambiente profissional. Os dados se agravam ainda mais, se calculados em âmbito mundial. Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado no mês passado mostra que 2009 foi o ano com o maior número de jovens desempregados da história.
Para não cair nessa armadilha, é possível abusar de algumas artimanhas que devem começar a ser exploradas bem cedo. De acordo com autor do livro Superdicas para o jovem escolher bem a sua profissão, Ruy Leal, quem começa a pesquisar sobre o mercado de trabalho depois dos 14 anos já está atrasado. “Estamos na era da internet e todos devem aproveitar a oportunidade de ‘googar’. Para pesquisar uma empresa, uma profissão, uma oportunidade, basta digitar no Google que centenas de informações aparecem”, ressalta. Referindo-se à rede mundial de computadores, o também especialista em recursos humanos acredita que a chamada geração Y está muito mais preparada para encarar desafios do que as gerações anteriores.
Mas o que falta para que esses jovens saiam das pesquisas negativas e alcancem o patamar de que realmente necessitam? Depende de cada caso, dizem especialistas em carreira. Alguns jovens não têm interesse em sair do mundo das baladas e se preocupar com o futuro tão cobrado pelos pais; outros não sabem por onde começar; e alguns até acreditam que o que falta mesmo é oportunidade.
Em um primeiro momento, os professores são quem mais pode ajudar os estreantes, identificando os engajados e indicando-os para vagas abertas. “Por ano, cerca de 1,7 milhão de jovens são despejados no mercado com o título de formado. Seja no ensino médio, técnico ou superior. A capacitação técnica fará a diferença, mas o divisor de águas virá do grupo de relacionamentos formado no decorrer da vida acadêmica ou em meio às pesquisas pela profissão escolhida”, ressalta Ruy Leal.
A qualificação também não fica fora da lista de prioridades. E é diversificada a quantidade de cursos para quem deseja deixar o currículo ao gosto dos contratantes. Há dos gratuitos aos ministrados pela internet, com durações variadas. “Todas as formas de se especializar são válidas. Turbinar o currículo aumenta também a quantidade de oportunidades. As vagas existem no mercado para os jovens, mas muitas vezes não são preenchidas por falta de qualificação”, complementa Karla Rosa, consultora de varejo da Empório R e K.
No caso de Franksilva Fonteles Lacerda, 24 anos, a dedicação explícita durante a formação técnica foi primordial para conquistar a vaga em sua área de atuação. Quando ele concluiu o ensino médio, foi apresentado por um professor ao antigo Colégio Agrícola de Brasília, hoje Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB). Ainda com 20 anos, ele ingressou no curso de técnico em agropecuária e se formou dois anos depois. “Sempre gostei da área, mas antes de me formar, nunca havia conseguido um emprego com carteira assinada”, relata.
Durante o curso, ele morou na escola técnica e, para compensar a alimentação e o dormitório oferecido, prestava serviços ao local em conjunto com a aprendizagem técnica. Os professores gostaram do empenho que ele demonstrou e o indicaram para uma vaga em uma fazenda em Planaltina. “Fiquei lá seis meses e depois me chamaram para retornar à escola e trabalhar aqui. Hoje, desenvolvo meu trabalho na área de terraplanagem, com retroescavadeira, patrola e operador de colhedeira”, conta.
A prática da indicação é comum no setor. A coordenadora-geral de produção do IFB, Larissa Queiroz Medeiros, enfatiza que cerca de 50% dos jovens que fazem os cursos técnicos são inseridos no mercado de trabalho. Seja durante a formação média ou após o seu término, os jovens já saem de lá com uma profissão e prontos para o mercado.
Foi o que também aconteceu com a técnica em agropecuária Taise da Silva. Até os 16 anos, ela não sabia qual profissão seguir. Pensava em direito, administração, mas nada a satisfazia. Quando sua família mudou-se para uma chácara, ela se identificou com o serviço que tinha que realizar lá. “Fui apresentada ao instituto aqui em Planaltina mesmo. Descobri que poderia trabalhar com o que amo”, comemora a jovem de 24 anos.

Estudo mostra potencial dos jovens da classe C
Fonte CM News, 31/08/2010
No final do primeiro semestre deste ano, a agência de publicidade Talent, de São Paulo, recebeu alguns de seus principais clientes, entre os quais figuram nomes como Santander, Alpargatas, Santher, Votorantim Cimentos, Net, Ipiranga, Femsa e Tilibra, entre outros, para a discussão do estudo batizado de "Universitário, qual é a sua classe? É a C". Dedicado à análise da inserção cada vez maior de estudantes oriundos da nova classe média emergente, o trabalho provocou discussões durante toda uma manhã entre os cerca de 50 participantes. "Há alguns anos, o assunto atrairia a atenção de uns poucos gatos pingados", afirma Paulo Stephan, diretor de mídia da Talent. "Com a irreversível ascensão da classe C no Brasil, o interesse cresceu."
De acordo com o estudo, que acaba de ser publicado pela Talent, nos últimos oito anos a participação dos estudantes saídos da classe C passou de 16% para 23% dos alunos matriculados na cerca de 3 mil instituições de ensino superior existentes no País. Em números absolutos, isso representa um acréscimo de 2,1 milhões de universitários e consumidores ao mercado. "Esse aumento da inclusão universitária tem como pano de fundo o ingresso, a partir de 2006, de 20 milhões de brasileiros na classe C", diz Stephan. "Some-se a isso o fato de que, desde 2008, a renda dos 91 milhões de pessoas nela incluídos é maior que a dos integrantes das classes A e B. "
O aumento do contingente de universitários emergentes foi viabilizado, de acordo com o estudo da Talent, pelos programas de financiamento estudantil, como o Prouni e o Fies, bem como o barateamento das mensalidades escolares - em função da maior competição, 90% do setor estão em mãos da iniciativa privada. De uma média de R$ 860, em 1996, o valor das mensalidades caiu para R$ 467 em 2009.
Contribuem também para esse movimento a necessidade de ascender no emprego e atender às demandas por maior qualificação, apresentadas pelos empregadores e pelo mercado de trabalho. "Estudos mostram que um diploma superior provoca um aumento de 171% na renda média de um indivíduo no Brasil", afirma Stephan.
Mas o que impulsiona os jovens emergentes a continuar estudando? "A classe C sonhava em ter iogurte no café da manhã", diz Stephan. "Hoje, as aspirações são muito maiores. Projetam futuro, além da educação." A grande preocupação dos jovens universitários dessa faixa social é ter uma vida melhor do que a de seus pais. Como objetos de desejo, a posse de computadores e o acesso à internet aparecem na pole position. "Um terço dos lares de classe C dispõe de computadores", diz Stephan. "A internet já tem penetração de 45% entre essas famílias."
Segundo levantamento do instituto de pesquisas Ipsos Marplan, esse segmento está plugado em toda a gama de bens de consumo moderno: 51% deles têm máquina fotográfica digital, 41% possuem tocadores MP3, fatia que chega a 33% no caso do iPod e a 94% para os celulares. Em relação às finanças pessoais, esse grupo também apresenta números promissores: cerca de 70% têm conta em banco e 55% possuem cartão de crédito, com um gasto médio per capita de R$ 200. "O potencial de consumo dos jovens universitários da classe C não pode ser desprezado pelas empresas", alerta Stephen. "Eles serão maioria e terão grande poder nas mãos. Portanto, é importante conhecê-los cada vez mais profundamente."
Fonte: O Estado de São Paulo

MBA fora da rota
Fonte: Clipping Educacional Consae - O Estado de São Paulo, 30/08/2010
Carolina Stanisci
No fim de 2008, o paulistano Nicholas Wiczer, de 28 anos, se preparava para enviar documentos e disputar vaga nos tradicionais MBAs da London Business School e do espanhol Iese. Mudou de ideia depois de ouvir um conselho peculiar de um consultor: já que descendia de russos, por que não fazia o MBA na própria Rússia? Na época, começava a chamar a atenção no mundo corporativo um MBA recém-criado na Skolkovo Moscow School of Management, na capital russa. O curso tem um enfoque diferente dos tradicionais, com maior ênfase na prática. Os alunos do MBA russo têm seis meses de aula em período integral. Depois, passam um ano entre aulas e consultorias dentro de empresas – não necessariamente russas. “Fomos para a Índia trabalhar no maior banco de lá, o Icici”, conta Wiczer, que começou as aulas há um ano. Atualmente está em Boston: frequentou classes do MIT e vai trabalhar, até o fim do mês, como consultor numa empresa. “O melhor é que todos os professores são de fora: do Insead (com sede na França e em Cingapura) de Colúmbia, do MIT.” Como Wiczer, outros alunos fogem do roteiro convencional de MBAs. Pedro Henrique Lemgruber Vilela, de 26 anos, formado em Administração no Insper, escolheu a Índia.
MBA nos Brics. Para Vilela, é preciso preparo psicológico. “Fui para lá em 2007, de férias, e foi um choque cultural. Pensei: ‘Puxa, quero passar mais tempo aqui’”, conta Vilela. Dois anos depois, decidiu se mudar para lá e fazer um MBA. Descobriu a Indian School of Business, na cidade de Hyderabad. “Ela está no top 12 do Financial Times”, diz Vilela, que na época pediu licença do emprego na Consultoria Integration, onde voltou a trabalhar. “A Índia era o lugar mais diferente que tinha na cabeça, para viver uma cultura nova, pensar na vida, questionar crenças.”
Para o diretor acadêmico da Business School São Paulo, Armando Dal Colletto, há um número crescente de escolas de qualidade no pelotão de elite dos países emergentes, os Brics – sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia e China. “Pode ser útil para os alunos, principalmente nas escolas focadas em desenvolvimento econômico em harmonia com o ambiental.” Facebook lotado. Para Vilela, as aulas são similares às de outros MBAs. “As pessoas é que são diferentes. O povo indiano é mais sincero.” Outro diferencial foi a rede de contatos que montou. “Tenho mais de 400 indianos no meu Facebook.” A troca de experiências com os indianos foi intensa e Vilela ajudou no plano de negócios de vários colegas. Esse intercâmbio de culturas foi, para ele, o ponto alto da temporada na Índia. “Recomendo fazer MBA fora dos EUA e Europa, mas é preciso preparo psicológico com as diferenças culturais.”
Renata Duch encarou esse desafio. Formada em Administração na Universidade São Judas Tadeu, ela chegou a Xangai em 2006, para um curso de três meses de mandarim. Em 2008, fez as malas para uma nova viagem – até agora sem volta. Renata estudou mandarim por um ano em Pequim, na Central University of Finance and Economics, e depois resolveu concorrer a uma bolsa do governo para fazer MBA. Selecionada, escolheu a Jiaotong University, em Pequim mesmo. É a primeira brasileira e estudar na instituição. “A China é e será cada vez mais importante para a economia global.” Renata afirma que está se adaptando bem ao estilo de vida local. A brasileira ainda lembra das coisas que mais estranhou ao chegar ao país, como o excesso de óleo e tempero na comida – nada que azede sua experiência na universidade de Pequim, cujos estudantes vêm de vários cantos do mundo. “Tenho amigos de cultura, costumes e religiões diferentes”, diz. Na sala de aula, explica Renata, isso se reflete em discussões mais criativas sobre como o tema estudado seria aplicado no país de cada aluno.